Em Alagoas para assinar a ordem de serviço do trecho V do Canal do Sertão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), se deparou com um palanque que colocou lado a lado os rivais políticos senador Renan Calheiros (MDB) e deputado federal Arthur Lira (Progressistas), presidente da Câmara dos Deputados.


Em seu discurso, o presidente buscou fazer afagos a ambos e agradeceu – em especial – ao deputado federal Arthur Lira por, segundo Lula, garantir a governabilidade de seu governo desde antes mesmo de assumir, quando foi peça fundamental para a aprovação da PEC da Transição.


“Quando eu assumi este país disseram que eu ia ter dificuldades para governar porque o Arthur Lira era presidente da Câmara dos Deputados”, pontou Lula. Ele citou o fato do PT ter 70 deputados federais dos 513 e apenas 9 senadores dos 81.


“São números contrários ao governo, mas construímos alianças com vários partidos. As pessoas diziam que eu ia ter prejuízo no meu mandato anterior, mas eu tive um alagoano, o Renan Calheiros, como presidente do Senado. Agora, um outro alagoano Arthur Lira me ajudou muito a governar, mas começamos a governar antes mesmo do meu mandato, com a PEC da Transição”, complementou ainda o presidente.


De acordo com bastidores políticos, Lula busca construir uma maior aproximação entre Renan Calheiros e o deputado federal Arthur Lira, que – em alguns momentos – tem sido uma trava a projetos do PT dentro da Câmara dos Deputados, inclusive tendo um recente embate com o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).


Lula não citou diretamente os momentos de embate entre Arthur Lira e o governo federal. Todavia, pontuou a tensão da relação: “Quando dizem que o Lira está nervoso, eu mando o Rui Costa (Casa Civil) conversar com ele, porque dois nervosos se entendem. É assim que se governa o país. O presidente não tem que tratar mal o opositor, nem partido contrário”, salientou.


O presidente agradeceu ao Senado Federal e a Câmara dos Deputados pela governabilidade.


Lula também falou da tragédia ambiental, por conta das fortes chuvas, que ocorre no Rio Grande do Sul. “Eu estava chorando o maior desastre climático (…) no Rio Grande do Sul, clamando para que Deus parasse de derramar água porque 400 cidades estão sofrendo. Há mortos e desaparecidos. Nós fomos lá para mostrar que nossas divergências não valem nada na época em que temos que cuidar do povo e demonstrar solidariedade. Eu que chorava no Rio Grande do Sul para parar de chover, comecei a ri quando cheguei e vi a chuva cair em Alagoas. É uma coisa extraordinária o tamanho do país. Estou triste com a chuva no Rio Grande do Sul e alegre com a chuva no Sertão”. 


O presidente disse ainda que não faltará solidariedade com o povo gaúcho, rebatendo as críticas que apontam morosidade na ação do governo federal em relação à tragédia. Lula ainda agradeceu aos trabalhadores voluntários que se engajaram no Rio Grande do Sul e aos governadores que enviaram técnicos para o local, de diversos órgãos. Alagoas encaminhou ajuda por meio da Defesa Civil estadual.