O atual secretário estadual de Infraestrutura, Rui Palmeira (PSD), parte para uma eleição em que vai explorar o seu “recall político” na busca por uma das vagas da Câmara Municipal de Maceió. É possível afirmar que Rui Palmeira tem densidade eleitoral para a disputa. 

 

Afinal, Rui Palmeira foi deputado estadual, deputado federal e ex-prefeito de Maceió por dois mandatos. No Legislativo, por sinal, teve atuações diferenciadas, sobretudo quando na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, abrindo uma estrada que serviu de modelo para o atual prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PL), e até para o senador Rodrigo Cunha (PSDB), que encontraram em suas atuações no parlamento estadual alavancas quando se posicionaram contra a maioria daquela Casa...

 

Caso consiga, aos 45 minutos do segundo tempo, estruturar o PSD em torno de si mesmo, Rui vai repetir uma velha estratégia de somar votos pelo cociente eleitoral, sendo ele (o próprio Rui Palmeira) a ponta de lança da legenda. 

 

É a estratégia de Samyr Malta (PSDB) para abocanhar uma cadeira da Câmara de Maceió; pode ser a do Avante e a de outros partidos, até mesmo a de Galba Netto caso migre para o recente PRD, formando pela junção do PTB com o Patriotas.

 

Dito isto, é válido frisar: não há demérito em disputar uma das vagas da Casa de Mário Guimarães. Afinal, a função de edil é aquela que o político exerce estando – em tese – mais próximo da população. Desta forma, ser vereador é uma posição que merece respeito. Mas, muitas vezes esta posição é desrespeitada por muitos dos que a ocupam, que levam ao parlamento-mirim uma qualidade no mínimo duvidosa...

 

Todavia, é inegável que para Rui Palmeira, esta disputa eleitoral pré-anunciada, soa como um recomeço. Para além disso, como um “restart” em uma carreira política que teve pontos auges que o credenciaram a disputar o governo do Estado de Alagoas em um momento em que preferiu desistir da disputa para concluir o seu segundo mandato de prefeito. 

 

De lá para cá, Rui Palmeira deixou o PSDB diante de disputas internas e da decadência de um partido que já chegou a governar Alagoas, com o tucano Teotonio Vilela Filho, o Executivo municipal (com o próprio Rui) e ter forte bancada no parlamento-mirim e na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, além de deputados federais. 

 

Atualmente, o “ninho tucano” não passa de uma agremiação nanica. 

 

Resultado:  Rui Palmeira acabou no PSD e aliado do MDB dos “Renans” Calheiros depois de uma biografia política em que confrontou os emedebistas em Alagoas. Inclusive, na eleição municipal passada se aliou ao governador Renan Filho (MDB) para apoiar o atual deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (na época no MDB) na disputa pela Prefeitura de Maceió. Sofreu uma sonora derrota política que garantiu a vitória do atual prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PL).

 

As idas e vindas de Rui Palmeira o levou – nas eleições estaduais passadas – a disputar o governo pelo PSD, perdendo a eleição ainda no primeiro turno e se aliando ao vitorioso Paulo Dantas (MDB) no segundo turno, o que rendeu a Rui a secretária estadual de Infraestrutura que ocupa. 

 

Nas mãos de Rui Palmeira, o PSD chegou a ter dois vereadores por Maceió: Joãozinho e Teca Nelma. Eles não foram eleitos pelo PSD, mas a articulação para formar a bancada “de dois” se deu sob o comando de Palmeira nas eleições estaduais em que ambos foram candidatos. Porém, diante dos planos do MDB e do bloco de sustentação do governo Dantas, Joãozinho deixou a sigla.  Como consequência – diante da impossibilidade de atingir o cociente eleitoral sozinha – Teca Nelma entrou no PT por meio da pressão do Diretório Nacional.

 

Nesse histórico político, é possível perceber que Rui Palmeira, que teve tudo nas mãos para construir seu próprio bloco político, acabou se resumindo a mais um aliado dos Calheiros. A recente história de Alagoas mostra muito bem que qualquer aliança com o MDB dos Calheiros significa ter limites até onde se possa ir. 

 

Na História da política alagoana, foram muitos os “potenciais caciques” que foram sendo apagados pelo MDB. O primeiro foi o ex-governador e atual vice-governador Ronaldo Lessa (PDT). O ex-prefeito Cícero Almeida – que também quer concorrer ao cargo de vereador – também encarou o peso de uma aliança com os “Renans”. São exemplos...

 

O que restou para Rui Palmeira ao dançar a valsa em parceria com o MDB? Um partido vazio e a aposta em um recomeço... 

 

No xadrez dos enxadristas-mor “Renans”, muitas peças são convidadas na perspectiva de serem bispos, torres etc. Porém, as circunstâncias mostram que – ao longo do jogo – vão sendo empurrados para a posição de peões...

 

Aliás, como perguntar não ofende, fica a indagação: será que é por conta disso que Paulo Dantas, o ungido, está no MDB, mas possui o PSB a sua disposição?