Blog do Vilar

Podemos de Alagoas: um pedido de impugnação do partido contra um dos seus candidatos

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Eleição em Alagoas é sempre um processo recheado de fatos inusitados. Agora, mais um: o Podemos – partido do presidenciável Álvaro Dias – ingressou com um pedido de impugnação junto à Justiça eleitoral contra um de seus candidatos: Moacyr Andrade Filho, que disputa uma das cadeiras da Assembleia Legislativa.

O fato foi exposto pela Tribuna Independente em matéria da jornalista Andrezza Tavares. Nela, o presidente do partido Omar Coêlho diz que entrou com o pedido junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TER/AL) porque o candidato teria agido de forma antiética. Segundo o presidente, Moacyr Andrade Filho não teria participado das convenções partidárias para ter seu nome aprovado como candidato.

O postulante foi rejeitado por um dos partidos da coligação: o Avante, que é comandado pelo deputado federal e candidato à reeleição Givaldo Carimbão. Em entrevista a Tribuna, o candidato se diz surpreso com a ação do Podemos. Ele comparou a ação do Podemos a um tiro pelas costas.

Em geral, quando há um pedido de impugnação é feito por chapas adversárias ou até candidatos de outras coligações. Neste caso, a briga é dentro de casa.

Coisas de Alagoas!

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Museu Nacional: depois da tragédia, as narrativas ao sabor da política

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O senador Renan Calheiros quase acerta, em sua linha de raciocínio, ao falar do incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. Todavia, culpar um governo em específico pelo descaso com elementos importantes da memória da nação é faltar com a verdade e esquecer que no passado tal descaso já havia, como mostra uma simples pesquisa no Google.

São muitos espaços que contam a nossa história, abrigam acervos riquíssimos (não só do ponto de vista material), que são negligenciados. O que ocorreu no Museu Nacional é uma tragédia que entristece a todos. Perde o Brasil, perde a História, perde o mundo.

O descaso promovido pelo estamento burocrático que toma conta do poder nesse país, no entanto, vem de longas datas, com um Estado gigantesco, ineficiente que se estende para tomar conta de tudo e no fim não consegue ofertar sequer os serviços básicos. Isto quando, nossa cultura, não sofre – ao mesmo tempo – com o descaso com sua manutenção e o aparelhamento ideológico.

No Brasil, se depender desse estamento burocrático falta dinheiro para tudo, menos para os escândalos de corrupção que vemos diariamente denunciados pela Polícia Federal, Ministério Público Federal etc.

No caso do Museu Nacional, como mostra a imprensa nacional, já havia sofrimento por cortes de verbas desde o ano de 2014. Em 2015, o contingenciamento levou o Museu Nacional a fechar as portas, por não ter dinheiro para pagar vigilância e limpeza. Nesse período, não era o atual governo que estava no comando do país. Mas, os bravos heróis como Renan Calheiros estavam calados.

Tais equipamentos públicos sempre foram tratados como secundários. Isso é uma infelicidade.

É muito fácil buscar um único culpado. Ainda mais quando este é um opositor. Não dá para apontar um único culpado, pois a negligência é histórica e atravessa governos. A grande vítima, no entanto, pode ser apontada: a população que perde sua memória e suas riquezas por conta de governantes mesquinhos que discutem tudo ao sabor das narrativas e não da real busca pela verdade.  

No mais, que o Corpo de Bombeiros trabalhe para divulgar a causa do incêndio e traga os esclarecimentos necessários. Agora, independente da causa, é inegável o “não-compromisso” histórico com a cultura e a Educação nesse país. A própria República já foi fundada renegando o passado e recontando os fatos ao sabor dos interesses políticos da época.

O atual governo é assim também? É! Os passados também eram!

Quando as falas de Renan Calheiros “raspam” em Paulão, um aliado...

Vanessa Alencar/CM 225eb066 d8db 4434 8cd2 375b9517cc9d Renan Calheiros e Paulão

O senador Renan Calheiros (MDB) e o governador Renan Filho (MDB) receberam o petista Fernando Haddad em Alagoas, no domingo passado, 02, em Alagoas. Junto com outros políticos (muitos petistas), foram os cicerones de Haddad, o ainda “vice” do inelegível e condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT).

De acordo com uma das matérias do CadaMinuto sobre o evento, o senador Renan Calheiros – que busca a reeleição – comentou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que com base na Lei da Ficha Limpa, decidiu pela inelegibilidade de Lula (pelo placar de 6 x 1).

Disse Renan Calheiros: “Em Alagoas mesmo, nessas eleições, tem inúmeros exemplos. É inaceitável o que ocorre com Lula. Contem com nosso apoio e dedicação”, concluiu, sem citar nomes, se referindo ao fato de outros “ficha sujas” seguirem na disputa.

Primeiro ponto, Renan Calheiros inverte a lógica: se há candidatos que conseguiram, por gambiarras jurídicas e ou efeitos suspensivos, ludibriar a Ficha Limpa e serem candidatos, é este fato que deve ser combatido para que os “ficha-sujas” estejam fora da eleição e não o contrário: se aproveitar de gambiarras jurídicas para favorecer a todos os “ficha-sujas”.

Renan deveria cobrar todos os “ficha-sujas” fora do processo eleitoral e não usá-los como desculpa para liberar a candidatura de Lula.

Mas, subverter a lógica é uma estratégia das guerras de narrativas políticas ainda mais quando apoiadas em alguma ideologia, pois esta – ao longo da História – sempre foi um conjunto de ideias para travestir um fim político. Todavia, como Calheiros é um aliado de primeira grandeza dos petistas e vice-versa, então a defesa de Lula é regra.

O outro ponto é o fato de ao citar que há gente condenada em segunda instância que conseguiu registrar sua candidatura, Calheiros não cita nomes porque sabe que tem casos assim em sua coligação. O deputado federal e candidato à reeleição Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), foi condenado em segunda instância.

Ele foi condenado em uma Ação de Improbidade Administrativa oriunda da Operação Taturana. Porém, assim como outros – Cícero Almeida e Arthur Lira – se beneficiou com o efeito suspensivo. Para Renan Calheiros, obviamente, pegaria mal citar os que estão em coligação adversária e esquecer dos nomes que estão em sua “casa”.

Porém, Renan Calheiros sempre foi uma mão amiga para o PT. Não por acaso, o emedebista foi peça importante no processo de impeachment da ex-presidente Dilma, salvando os seus direitos políticos. Isto permite que hoje, a ex-presidente tente retornar à política em um mandato no Senado Federal por Minas Gerais.

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Flávio Moreno: “Esperamos também o Michel Temer em Curitiba. Ele faz parte disso tudo aí”

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Conversei, no dia de ontem, 28, com o candidato ao Senado Federal pelo PSL, o agente da Polícia Federal, Flávio Moreno. Em uma coligação que reúne os partidos PSL, PPL e PEN, Moreno diz acreditar nas chances de vitória, mesmo enfrentando dois senadores de mandato bem posicionado nas pesquisas.

“Está na hora de aposentarmos esses senadores que se ficarem sem mandato em 2019 podem receber algemas”, destaca Moreno.

O candidato do PSL – em sua plataforma de campanha – defende bandeiras bem semelhantes as do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), como a redução da maior idade penal, a luta contra aprovação do aborto, o combate à ideologia de gênero, a luta contra a doutrinação escolar, dentre outros pontos. “Na verdade, existem pautas em que os políticos que estão aí são contra aos cidadãos de bem”.

“Nós temos que pensar Alagoas e temos que pensar o Brasil, diante dessas pautas que estão no país. Nenhum dos candidatos que passaram pelo Congresso tem a vontade de enfrentar. São pautas que eles se negam a levar adiante, como a militarização das escolas. Eles fazem um grande faz de contas, quando falam dos recursos que trazem para Alagoas. Mas a gente sabe onde vai parar esses recursos. Está aí a Lava Jato comprovando. Se não forem eleitos, o destino deles será Curitiba”, alfinetou ainda Moreno.

O candidato ainda defende a redução do Estado brasileiro e se coloca como um candidato de “direita”. “Se nós formos ver desde a constituinte, só se tinha um deputado que se afirmava de direita. Ou se tinha a esquerda, centro. Na verdade, no Brasil, ao longo dos anos, a esquerda vem predominando a política e garantindo direitos a tantos criminosos. Nesses últimos, com o PT e o Foro de São Paulo na América Latina”, ressalta.

“Existe a esquerda, representada pelo PT, PCdoB, PSOL e outros, e existe os membros – além da esquerda – de associações criminosas que estiveram com a esquerda e desmantelaram o país em todas as esferas. O Estado precisa ser enxugado, os tributos precisam ser reduzidos e eu não vejo nenhum candidato disputando o Senado com essa pauta. Eles são a continuação do que existe aí. Esperamos também o Michel Temer em Curitiba. Ele faz parte disso tudo aí”, complementa.

De acordo com Moreno, com a redução do Estado e uma reforma que permita reduzir impostos e aumentar a base de arrecadação, pode-se fazer com que a máquina pública invista mais em serviços. “É isso que enquanto direita defendemos”, salientou. Na entrevista, Moreno ainda defendeu questões como o Escola Sem Partido e o investimento em educação básica para garantir correções na base, garantindo iguais oportunidades. Ele dá destaque ainda a investimentos na militarização das escolas.

A entrevista na íntegra pode ser assistida no Facebook do CadaMinuto.

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Quintella: ex-ministro de Temer, aliado de Renan, vota em Alckmin e faz sinal de “Lula Livre”...

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O filósofo e economista americano John Kenneth Galbraith cravou certa vez que “nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”. A ironia de Galbraith não poderia estar mais correta, pois define bem o que vemos na prática, quando alianças – ao sabor das circunstâncias eleitorais – começam a ser travadas pouco importando as contradições ali presentes.

Para desprezar tais contradições, só mesmo a memória mais curta o possível...

Não por acaso, o alemão e também filósofo Nietzsche dizia que, na disputa política, o que não é inimigo pode ser instrumento e isto varia conforme o cenário. Ao lembrar dessas duas sentenças desses pensadores, encaro a caminhada do ex-ministro do governo do presidente Michel Temer (MDB), Maurício Quintella Lessa (PR), na disputa pelo Senado Federal, como no mínimo curiosa.

Já destaquei aqui, em outros textos, que concordo com muitas das pautas que Quintella levanta publicamente, como a revogação do Estatuto do Desarmamento, ser contra o aborto, ter uma visão sóbria em relação à temática das privatizações, dentre outras. Não escondo isso. Porém, a matemática eleitoral empurrou Quintella (e ele se deixou ser empurrado com toda vontade do mundo!) para um poço de contradições.

Antes, no grupo da oposição liderada pelo prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), Quintella estava crente de que o chefe do Executivo municipal seria candidato. Não foi. Desarticulou a oposição naquele momento e Quintella saiu da oposição para a situação, fechando aliança com Renan Calheiros (MDB), que também disputa o Senado Federal, e com o governador Renan Filho (MDB), que tenta a reeleição.

As bandeiras defendidas publicamente por Calheiros e Quintella são antagônicas. Mas lá estão os dois estampando o mesmo adesivo. Já até falei disso aqui. O ex-ministro de Temer também optou por apoiar a candidatura do presidenciável de Geraldo Alckmin (PSDB), mas tem o apoio do PT local. Como entender essa salada?

Não é apenas por votar em Alckmin. É que Quintella votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Foi chamado de golpista, fascista e todos os demais adjetivos da arrogante cartilha petista que não pode se deparar com uma divergência. Quintella soube do peso do que é se posicionar contra o PT.

Mas, Quintella foi absolvido pelos caciques do PT de Alagoas. Afinal, recentemente – em uma atividade de campanha – lá estava o ex-ministro fazendo o “L” com uma das mãos. A expressão de apoio ao “Lula Livre”. Ao seu lado, o deputado federal Paulão e o presidente do PT em Alagoas, Ricardo Barbosa. A benção vermelha foi estendida sobre Quintella. Essa coisa de golpista fica então no passado...

O detalhe é que as convicções que Quintella demonstra seriam contrapostas, no campo das ideias, por Paulão e vice-versa.  Mas o que são ideias, o que são convicções, se o assunto, meu caro eleitor, é voto!

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Collor e Renan Filho serão ouvidos pelo setor produtivo. Se os demais fossem chamados, seria um benefício à democracia

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A Federação da Indústria e a Federação do Comércio - como já ocorreu em outros processos eleitorais - abrirá espaço para que os candidatos ao governo do Estado de Alagoas possam demonstrar o que pensam. O encontro ocorrerá nos dias 3 e 4 de setembro. Todavia, serão apenas ouvidos o atual governador Renan Filho (MDB), que busca a reeleição, e o senador Fernando Collor de Mello (PTC). 

É que houve um critério posto: escolher apenas os que tiveram o percentual mínimo de 5% das intenções de voto, tendo como base a pesquisa realizada pelo Ibope, no último dia 16 de agosto. Nessa, Collor aparece com 22% e Renan Filho com 46% das intenções de votos. Respeito e entendo os critérios da Federação. O que escrevo aqui é uma mera sugestão. 

É que recordo de eleições passadas, onde encontros semelhantes ouviram todos os candidatos do pleito, incluindo aqueles que apareciam com poucas chances. Seria importante para a democracia que a fórmula se repetisse. Pude acompanhar - como jornalista, em pleitos anteriores - essas sabatinas que eram promovidas pela Federação do Comércio. Um espaço rico que, além do encontro em si, também repercutia na mídia com as ideias dos candidatos.

Neste ano, temos candidaturas do PSOL, com Basile Christopoulos, e do PSL: Josan Leite. Apesar de não terem alcançado o percentual, são vozes antagônicas ao posto. Ainda que não angariem votos a partir de encontros como esses, podem se expor ao eleitor. Por exemplo: não concordo com nenhuma das bandeiras do PSOL, mas em sendo uma força posta no espaço democrático deveria se fazer presente na discussão. 

Pela logística, seriam apenas mais dois dias. 

Neste texto, não critico a decisão das Federações necessariamente. Elas são livres para estabelecer seus critérios. Apenas trago a sugestão, já que - desde as eleições passadas - talvez seja o espaço posto com maior repercussão e melhor produtividade nas discussões traçadas. Nelas, os candidatos são obrigados a responder sobretudo e ainda possuem um contato direto com platéias. 

Concordo, inclusive, com o presidente da Federação das Indústrias, José Carlos Lyra, quando ele destaca a importância da iniciativa, ainda mais em uma eleição de “tiro curto”, com menos tempo para se debater profundamente um projeto de Estado. Além disto, pegando o histórico das principais forças que polarizam a eleição, é difícil até mesmo encontrar diferenças em tais projetos. 

Não por acaso, em passado recente, o senador Fernando Collor era um aliado do governador Renan Filho. Em 2014, por exemplo, Collor foi candidato ao Senado Federal na chapa encabeçada pelo emedebista. Agora, se mostra uma oposição que nunca foi efetivamente. 

Independente da chances reais dos demais candidatos, observações e pontuações destes podem fazer diferença no processo. Em um ambiente democrático como o proposto pelas Federações, seria salutar ampliar esse leque ao invés de reproduzir o que já se vê nos guias eleitorais e nas inserções televisivas: mais tempo para quem já domina o cenário, reproduzindo o já posto. 

Em todo caso, em que pese ter feito essas considerações, parabenizo mais uma vez as Federações pelo espaço aborto, que se dará nos dias 3 e 4, com um café da manhã, às 8 horas.

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Em seu pronunciamento, Jó Pereira traz um problema grave, porém crônico: a questão Fecoep

Foto: Assessoria B75c3007 7f84 4647 81eb 58d9ea1a6889 Deputada Jó Pereira

A deputada estadual Jó Pereira (MDB) usou a tribuna da Casa de Tavares Bastos para falar da necessidade da criação do Plano Estadual de Combate e Erradicação à Pobreza em Alagoas, que era previsto ser debatido e criado logo após a existência do Fundo de Combate e Erradicação à Pobreza. Isto, em um longíquo 2004.

Estamos em 2018, o Focoep funciona (fruto de recursos dos impostos de toda a população) mas e o Plano? Pois é… Mais de uma década esperando um planejamento para um Fundo que tem recursos e financia muitas ações estatais. O resultado disso: as portas abertas para o desvio de função.

Jó Pereira traz para a Assembleia Legislativa uma questão importante. Porém, crônica. O problema do desvio de função (Pereira não usa essa expressão, sou eu quem uso), já foi apontado pela oposição, mas como Jó Pereira é governista, quem sabe tenha mais sorte…

Há muito que o FECOEP já deveria ter sido questionado por toda a Casa de Tavares Bastos por conta de desvio de função. Uma das funções do parlamento é fiscalizar. Mas quem ousou fazê-lo tempos atrás - já neste governo de Renan Filho (MDB) - acabou sofrendo retaliação, como foi o caso do deputado estadual Bruno Toledo (PROS).

Toledo participou do Conselho do FECOEP e tocou nesse ponto, já que enfrentou algumas vezes a discussão de se financiar projetos que não possuem relação com os objetivos do Fundo.

É o caso, por exemplo, da construção de hospitais. Não se trata de ser contra a construção do equipamento público, desde que ele funcione como deve. Mas, do desvio de função de um Fundo para atender os desejos de um projeto de governo e não de Estado.

Quanto aos hospitais, o governo fala dos prédios públicos, mas nunca apresentou um projeto detalhado de como eles funcionarão.

Trata-se, para além disso, do precedente perigoso que se abre quando o FECOEP começa a financiar tudo ao sabor dos dos quereres dos governantes, descaracterizando sua razão de ser,. Ainda mais, quando este Fundo foi beneficiado por um aumento de impostos praticados pelo governo.

É preciso que haja uma política de Estado e não de governo. Jó Pereira acerta no mérito, mas pena que com atraso. Que seja uma preocupação sincera e não o calor do momento.

Alguns dos pontos que falo aqui não estão no discurso de Jó Pereira, que tem razão de ser comedido. Afinal, ela é uma governista. Não há mal algum nisso. Ao contrário, ela demonstra inteligência para entrar em um tema espinhoso, mas com cautela e prudência para alcançar resultados positivos, como a efetivação de um Plano Estadual lá na frente. Ponto para Pereira.

Mas, o que ela traz, atinge diretamente esse governo e precisa ser dito com todas as letras: o FECOEP pode ter tido sua função desviada justamente pela ausência de um Plano Estadual que ninguém nunca teve a vontade política de fazer. Nem antes, nem agora. Nem nos governos passados, nem neste presente.

No passado recente, o deputado crítico a isso teve sua “cabeça” ceifada do Conselho do FECOEP, na cadeira que é destinada ao parlamento estadual. O governo de Renan Filho fez ouvido de mercador à oposição. O deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) também pontuou problemas nesse sentido, mas é um opositor….

Na época, Jó Pereira não entrou no tema. Mas, nunca é tarde. A posição de Jó Pereira - que chega agora, querendo audiência pública sobre o tema - é importante. Que de fato tal discussão sirva para adentrar em pontos incômodos, delimitando de vez a função o FECOEP dentro de um planejamento à médio e longo prazo.

E assim, se o governo não ouve os opositores, quem sabe possa ouvir uma governista…

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PSL pede cassação de candidaturas de Arthur Lira e Paulão na Justiça Eleitoral

Foto: Cada Minuto / Arquivo 9b5d8158 c416 4fef aa01 59f9a75e8703 Flávio Moreno

O candidato ao Senado Federal pelo PSL/AL, Flávio Moreno, entrou com uma Ação de Impugnação de registro de candidatura contra os deputados federais Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), e Arthur Lira (PP) para tentar a cassação de ambos.

O pedido foi protocolado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas no dia de ontem. Moreno - na ação - alega que Lira e Paulão não poderiam ter suas candidaturas registradas, pois são ficha-suja. O candidato ao Senado destaca condenações por improbidade administrativa.

Se a ação de Moreno frutificará ou não, é um algo que agora é com a decisão eleitoral. Mas, o fato é que o PSL parte para o primeiro confronto direto judicial do processo eleitoral.

Em Alagoas, o PSL lançou uma chapa com candidatura ao governo do Estado de Alagoas. Trata-se de Josan Leite. O partido ainda apresenta nomes para as candidaturas de deputado estadual e federal.

O PSL é ainda o partido do deputado federal e presidenciável Jair Messias Bolsonaro, que lidera as pesquisas eleitorais nos cenários sem a presença da candidatura do ex-presidente e condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT).

Quanto a Paulão, busca a reeleição no bloco político que é encabeçado pelo senador Renan calheiros (MDB) e pelo governador Renan Filho (MDB). Já Arthur Lira, é um dos principais articuladores da frente de oposição que tem Fernando Collor de Mello (PTC) como candidato ao governo do Estado de Alagoas.

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O pitoresco da nossa política é exposto por Temóteo Correia em uma obra que vale muito a pena!

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Pitoresco: adjetivo oriundo que remete ao pictórico. Aquilo que é digno de ser pintado para que fique marcado para a posteridade. Em tempos modernos, sem se distanciar do significado antigo, remete ao excêntrico, o inusitado ou, no mínimo, curioso e interessante. 

Não por acaso, o ex-deputado Temóteo Correia, que também tem (como todo humano) o seu lado pitoresco, ainda amais na atividade política, deu título a sua obra como O Pitoresco da Política no País das Alagoas. Primeiro o volume 1, que de tão inspirador de gargalhadas e reflexões, puder ler em uma tarde longínqua. Agora, Correia está de volta com o volume 2. Não menos hilariante, o livro é excepcional para quem gosta da política local.

Novamente, Temóteo Correia acerta no filtro das histórias que envolve de personagens antigos da nossa política, aos mais recentes, como o enxadrista senador Renan Calheiros (MDB), que a tudo domina ou busca tudo dominar nesse Estado. 

E aí, o pitoresco, buscando a semântica “correiana”, é justamente a pintura (por isso as charges ao lado dos escritos), desse excêntrico e do inusitado. Porém, como já se dava na comicidade grega de um Aristófanes, o cotidiano político ali exposto nos faz refletir sobre a ignorância de alguns ilustres, bem como da esperteza digna das raposas antropomórficas de Esopo. 

É nesse sentido, que o leitor percebe a razão pela qual Temóteo Correia é taxativo ao classificar Alagoas como um país a parte. O autor fez parte desse universo e sabe que nos becos da política alagoana reside também a politicagem que dá cores de republiqueta ao Estado que fundou a República com seus tipos mais caricatos. 

Muitos deles passando por uma casa que leva o nome do intelectual Tavares Bastos, mas sem conseguir ter a mínima dimensão disso, ficando na História como mero folclore. Outros, como espertalhões e alguns de fato contribuindo com alguma discussão de interesse. Sem falar daqueles que cresceram na política. Afinal, nos destinos deste país, sempre teve um alagoano com poder nas mãos. 

Logo, tudo isso faz parte da história e merece ser registrado. Temóteo Correia faz com maestria. Não importa aqui o que se pense da atividade política exercida por Correia. No campo da literatura e do conhecimento geral, o parlamentar se mostrou diferenciado, inclusive no uso da tribuna. Com uma visão sagaz e em alguns momentos cometendo “sincericídios", o escritor-político foi uma máquina fotográfica ambulante dos momentos pitorescos de sua atividade. Ganhamos nós, quando, de tempos em tempos, o ex-parlamentar divide tais momentos com os leitores. 

O livro de Temóteo Correia é digno de estar na prateleira de todos aqueles que se interessam pela recente História de Alagoas, pois as piadas ali contidas revelam muito de nossos pícaros, bem como na estante de jornalistas. 

Dou exemplo: em uma passagem nos deparamos com o esperto-mor Renan Calheiros, essa figura controversa por se crer “onipresente” - mais jamais no sentido divino - do xadrez político da Terra dos Marechais. Calheiros e o ex-prefeito Cícero Cavalcante são personagens de uma passagem de humor gritante, que mostra bem o quanto na política o ato “passar a perna” é elevado a uma arte, e aqui pouco importa se aliado ou rival. 

Cavalcante - preocupado com a escassez dos recursos financeiros na campanha eleitoral de sua filha, a ex-deputada Flávia Cavalcanti - procura socorro em Calheiros. Explica a situação e diz que está sem dormir por isso. Renan, para a felicidade do pai preocupado, manda um dos seus trazer uma mala preta para consolar o ex-prefeito. Cavalcante chega a lamber os lábios a imaginar o que vai sair da mala. E eis que Calheiros, revelando ele mesmo ser a mala (jargão dos jovens modernos), tira de dentro da pasta um Rivotril para ajudar o político-aliado com suas horas de sono. 

São causos assim que vão se acumulando no opúsculo de Temóteo Correia. É o país das Alagoas, meus caros. Uma nação em formato aproximado de triângulo-retábulo cuja soma dos quadrados dos catetos dos acordos políticos desafia o quadrado da hipotenusa, pois muito do aqui feito não cabe na lógica. Em alguns momentos da obra, o (e)leitor vai até se sentir vingado, pois verá alguns políticos controversos sendo expostos ao ridículo. Aliás, o que é a democracia sem a possibilidade de expor alguns “mitos” ao “ridículos” para torná-los assim mais humano, com as delícias e os delitos de ser humano. 

Desde o primeiro livro, cujo alguns casos transformei em coluna de jornal impresso em uma antiga parceria com Temóteo Correia em um jornal da capital, que gosto muito dessa empreitada literária do autor. 

Correia - nos trechos da obra - mostra a Alagoas de um passado recente, mas também do presente. Por qual razão não dizer do futuro, já que como diz o músico e compositor Lulu Santos, estamos em uma humanidade que caminha a passos de formiga e sem vontade? Assim, o pitoresco sempre se renova. Que surja então - em uma lacuna temporal menor - o volume 3 de O Pitoresco da Política No País das Alagoas, pois é um livro que, como toda leitura divertida, nunca se quer que acabe. 

É possível afirmar ainda, sem medo de cair em exageros, que de certa forma também é um livro historiográfico que nos remete não apenas a fatos, mas também a uma análise do psicológico dos personagens ali presentes como só o humor é capaz de produzir. Alguns desses relatos dariam esquetes em teatros, canais de youtube especializados etc. 

Imaginem os senhores, a preocupação do ex-deputado Gervásio Raimundo ao sair do médico crente que tinha um problema de vista. Ao afirmar para um colega que tinha “conjuntivite nos olhos”, este sentenciou: “Gervásio, isso é um pleonasmo”. Gervásio ficou desesperado. Afinal, pleonasmo poderia ser um problema de saúde muito mais sério que “conjuntivite nos olhos”. O ex-parlamentar descobriu sofrer de um mau crônico: “problemas gramaticais”. Por sorte, tal mal nunca matou ninguém e a cura pode ser feita com doses diárias de Aurélio Buarque de Holanda. 

O livro O Pitoresco da Política no País das Alagoas estará nas prateleiras das livrarias em breve. Eu indico aos queridos leitores. Divirtam-se. Vocês poderão - em alguns momentos - rir de figuras que já nos fizeram tremer de raiva. Afinal, alguns de nossos bravos heróis não deixam a dever ao cômico que satiriza, por meio do fictício, a nossa política. A diferença é que nessa obra tudo é real. 

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Votos brancos, nulos e indecisos: um sintoma da crise política e de representatividade

Foto: Reprodução/Internet 88ba12c4 c65c 41ba 849f c7a53ec458ce Eleitorado feminino é maior em AL para as eleições de 2018

Um dado chama atenção nas duas pesquisas registradas – Ibrape e Ibope – que trazem o cenário de momento da disputa pelo governo do Estado de Alagoas. Falarei sobre ele.

Apesar da vantagem do governador Renan Filho (MDB) em relação ao segundo colocado, o senador Fernando Collor de Mello (PTC), há um dado que chama atenção: é grande a quantidade de pessoas que não sabem em quem votar ou optarão, conforme os dados dos institutos, por votar nulo ou branco.

Segundo o Ibrape, se as eleições fossem hoje, teríamos 11% da população alagoana indecisa e 22% não votando em nenhum dos candidatos postos. Não é exagero afirmar que isso é fruto da recente crise política vivenciada no país, que colocou muitos políticos em descrédito, causando uma imensa crise de representatividade. Há muito não se discute projetos de forma aprofundada, sejam esses para os estados ou para os países.

A política virou uma briga de grupos, com base em uma matemática eleitoral, dentro de um estamento burocrático que sempre se renova no poder. Além disso, os rivais de hoje são amigos amanhã (ou vice-versa) ao sabor das circunstâncias. É o que ocorre, por exemplo, com os nomes de Fernando Collor e Renan Filho.

Collor e Renan Filho foram parceiros políticos em 2014, quando ambos estavam presentes na mesma chapa. Fernando Collor de Mello regressou ao Senado Federal com o apoio do governador que hoje recebe críticas por parte dele; quando Collor diz que este só governa para os poderosos. Além disso, Collor fez parte do governo do MDB, indicando a pasta da Agricultura. Mais que isso, também é um aliado histórico do senador Renan Calheiros (MDB), que tenta a reeleição para o Senado Federal.

Antes amigos, hoje rivais. Mas rivais até quando?

Significativa parcela da população percebe este jogo. Ainda há outra significativa parcela que – mesmo notando o xadrez político – busca não se ausentar na famosa escolha pelo “menos ruim”. Afinal, seguem a reflexão platônica, que diz: ausentar-se do processo de escolha é ser governado sem pelo menos ter tentado definir alguma coisa.

Se este quadro se faz presente na disputa pelo governo do Estado, também se replica no Senado Federal, onde é grande o número de indecisos, brancos e nulos e o mesmo ocorre quando se trata das escolhas de voto para deputado estadual e federal. É a crise de representatividade, que pode ainda gerar (anotem isso!) uma grande abstenção no dia do processo eleitoral.

Na pesquisa do Ibope, em relação à disputa pelo governo, os brancos, nulos e indecisos somaram 22% e 7% dos eleitores também afirmam não saber em quem votar. Levando-se em consideração a margem de erro, são quase os mesmos números do Ibrape. A desconfiança em relação aos nomes postos é um dado concreto desse processo eleitoral. O Brasil começa a mandar um recado para o estamento. Alagoas não é diferente!

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