Blog do Vilar

George Santoro e Davi Maia trocam farpas por conta de redução da tarifa de ônibus

  • Lula Vilar
  • 25/01/2021 12:17
  • Blog do Vilar
Foto: assessoria
Davi Maia

Nas redes sociais, o secretário estadual da Fazenda, George Santoro, e o deputado estadual Davi Maia (Democratas) – que é opositor ao governador Renan Filho (MDB) e um dos principais aliados do prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB) – trocaram farpas no twitter por conta do decreto de JHC que reduz o valor da tarifa da passagem de ônibus em Maceió.

Santoro, em uma publicação, disse que “gostaria de conhecer o estudo da Prefeitura de Maceió que lastreou a redução das tarifas de ônibus. Curiosidade acadêmica, pois preços de insumos cresceram muito: combustíveis. Que bom para população. Espero que a redução não vire subsídio pago pelo contribuinte”.

A fala de Santoro foi o suficiente para incomodar o deputado Davi Maia que havia comemorado a ação de JHC.

“Impressionante como o grupo do Palácio dos Palmares ainda não aceita a derrota em Maceió. Essa semana, em um evento oficial, o senador Renan Calheiros (MDB) atacou o JHC no mínimo de maneira desrespeitosa. Hoje, o George Santoro reclama da redução da passagem do ônibus. Ainda fala em populismo. Maceió já sofreu muito nos últimos anos justamente porque Renan Filho não aceita não ter o controle da Prefeitura de Maceió. Basta disso, governador. Eleição acabou. Vamos desarmar o palanque. Isso é urgente. Vamos amadurecer”, rebateu Davi Maia.

Na sequência, o secretário da Fazenda rebateu: “Eu não reclamei, Davi Maia. Fiquei apenas curioso. A medida é boa se foi tecnicamente bem fundamentada. Assim dar transparência ao estudo técnico que fundamentou a decisão é importante. Outros gestores do Brasil poderiam se aproveitar para reverem seus contratos. Gestão cooperativa”.

Davi Maia criticou Santoro por conta de uma resposta dada a um internauta. Nela, o secretário diz que acha que a decisão de JHC por decreto “é só política”. “Se essa resposta não foi um ataque ou crítica, eu não sei o que é! Desarma o palanque, secretário. Maceió, que é a capital de todos os alagoanos, só tem a ganhar com isso”. Santoro apenas respondeu: “Divulga o estudo técnico! Ajuda os gestores públicos do país”.

Redução da tarifa de ônibus: empresas falam da necessidade de equilíbrio do sistema

  • Lula Vilar
  • 25/01/2021 11:45
  • Blog do Vilar
Foto: Ascom SMTT
Ônibus do Sistema Integrado de Mobilidade de Maceió (SIMM)

A redução do valor da tarifa de ônibus em Maceió, assinada por decreto pelo prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), é um benefício para a população. Isso é indiscutível. Para o trabalhador assalariado, essa é uma economia sentida ao final de cada semana, mês e ano.

Se os estudos do Executivo perceberam o espaço para isso e a ação é tomada de maneira pensada, calculando o impacto imediato e em um futuro um pouco mais distante, de forma a não desequilibrar de vez o sistema, preservar os cofres públicos (em caso de subsídios milionários), e assegurar empregos, JHC merece aplausos.

Afinal, para além da redução imediata pelo decreto, é preciso ter uma perspectiva em relação aos próximos anos, tornando o sistema viável e possibilitando – no médio e longo prazo – os investimentos necessários a um transporte público de qualidade.

Como o Executivo atual criou uma Comissão para estudar o assunto, quero crer que haja uma base sólida para a decisão de JHC. Logo, seria interessante, o detalhamento de tudo que baseou a decisão do prefeito.

A questão – portanto - é a transparência em relação a esses estudos, feitos por uma Comissão instituída pelo Executivo municipal, para que a população tenha a exata noção do que está ocorrendo. Pois, caso – ao contrário do que se espera – se tenha adotado as velhas práticas estatistas de congelamento de preços, redução na marra, ferindo a lógica de mercado, a boa nova de agora pode, em um curto espaço de tempo, representar problemas graves para o sistema, acarretando em perda de qualidade do serviço, demissões, dentre outros problemas.

É uma realidade (queira alguns ou não), que as empresas de ônibus não são entidades filantrópicas. Logo, trabalham com base na ideia de lucro.

Quando esse lucro é atingido em função do excesso de gratuidades, valores que não sustentam o sistema etc, os problemas chegam. E aí, caros leitores, não sei se a viabilidade – ainda mais diante da pandemia do novo coronavírus que acarretou perdas para muitos setores e trabalhadores – é possível diante do valor estipulado por decreto. Se for, ótimo. De fato, é algo necessário ao trabalhador. Quanto mais barata a tarifa, melhor.

É por essa razão que se faz necessário – pois embates com empresários podem surgir – que a Prefeitura seja extremamente transparente em relação aos critérios que utilizou para chegar ao valor de R$ 3,35, que começou a ser praticado nessa segunda-feira.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano já colocou a necessidade de uma ajuda monetária do Executivo municipal para o equilíbrio econômico do sistema. A pergunta ao prefeito JHC é: já existe algo nesse sentido? Haverá isso? Quanto isso custará – caso haja – aos cofres públicos? O próprio Executivo municipal destacou que tem problemas sérios com as contas públicas. A atual gestão já falou até em rombo milionário deixado pela administração passada. Se há uma conversa com o setor empresarial, em nome do zelo com a coisa pública, ela precisa ser o mais transparente possível.

Vale salientar que o prefeito JHC falou em reduzir a passagem em 30% no primeiro dia de governo. Porém, diferente do prometido no calor das emoções de uma campanha política, foi necessária a criação de uma comissão, cinco dias depois de JHC assumir o cargo. O que demonstrou responsabilidade do gestor para com o assunto. Importante passo.

Não se trata de ser contra a redução da tarifa. Volto a frisar: a redução é boa! A questão é saber se essa política vai ter o efeito esperado ou trará problemas no futuro. As empresas – por exemplo – destacam que “necessitam de retribuição monetária urgente para manutenção do equilíbrio econômico financeiro, de forma a manter o serviço que é essencial, funcionando na cidade de Maceió de forma regular, confortável e segura”.

Quem vai dizer se isso é real ou não são os números. Que a Prefeitura mostre os estudos feitos pela Comissão. Pois, do outro lado se alega que as empresas “sofrem devido à falta de aportes público e financeiro para alinhar os custos necessários com a receita percebida, o que já ocorre nos últimos três anos, devido a retração dos passageiros e também o crescimento do transporte que atua forma clandestina e desleal”. Ainda segue: “com o fim do programa do Governo Federal de Auxílio Emergencial, a situação passa ser mais crítica, pois as empresas estão com dificuldades de honrar seus compromissos como pagamentos de folhas salariais, insumos, itens essenciais para manter o sistema funcionando”.

O medo aqui é que sobre para o trabalhador dessas empresas mais uma vez. Sempre a corda arrebenta do lado mais fraco.

Na manhã de hoje, por exemplo, o CadaMinuto já traz – em função da situação do sistema em Maceió – a informação de que haverá uma série de paralisações e atrasos nas saídas dos ônibus das garagens de ônibus em Maceió. Não tem relação direta com o assunto de agora, mas pode ser uma realidade agravada.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários (Sinttro), Sandro Régis, as empresas estão adotando algumas medidas internas que vem retirando alguns benefícios conquistados pelos trabalhadores. O que é ruim hoje pode se agravar.

A população precisa sim de um sistema de transporte mais barato, mais eficiente e equilibrado. Chegar a esse denominador comum é o grande desafio.

Futuro de Renan Filho definirá muito do jogo do xadrez para 2022

  • Lula Vilar
  • 25/01/2021 10:49
  • Blog do Vilar
Foto: Tiago Logan / CM
Renan Filho

O futuro político do governador Renan Filho (MDB) em relação ao ano de 2022 é a grande discussão dos grupos que sonham com a disputa do governo estadual, Senado Federal e as cadeiras da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

Com a eleição do ex-vice-governador Luciano Barbosa para a Prefeitura de Arapiraca, Renan Filho – que é virtual candidato ao Senado Federal – terá que se sair da cadeira do Executivo estadual para concorrer a qualquer cargo eletivo. O prazo é abril do ano de 2022.

De um lado, um grupo que se forma envolve o atual prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), e o senador Rodrigo Cunha (PSDB). O tucano é tido como um dos nomes para disputar o Palácio República dos Palmares.

Porém, também está no jogo os interesses do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (Solidariedade) e também do deputado federal Arthur Lira (Progressistas), que pode se fortalecer caso consiga se eleger presidente da Câmara dos Deputados. No caso de Marcelo Victor, um nome desse grupo desponta: o deputado estadual Davi Davino Filho (Progreessistas). Isso alinharia também com os interesses de Lira.

Observando essas composições, está o senador Fernando Collor de Mello (PROS). Semelhante à eleição passada, Collor busca apenas o espaço – dentro de qualquer grupo – para conseguir consolidar sua candidatura ao Senado Federal. Por essa razão é ferrenha oposição a Renan Filho e flerta tanto com Arthur Lira quanto com JHC e Rodrigo Cunha.

É que Collor já desenha uma disputa com Renan Filho, independente dessa acontecer ou não. É o mesmo raciocínio que o levou – em passado distante – para o grupo político do atual governador, quando previa (o que acabou não ocorrendo) a disputa com o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que desistiu de disputar o Senado na reta final.

O fato é que os interesses de todos esses caciques dependem da posição de Renan Filho. Caso o governador, por exemplo, não seja candidato ao Senado Federal, ele acaba abrindo espaço para que outros nomes entrem nessa disputa.

Além de Fernando Collor de Mello, podem surgir para disputar a majoritária nomes do PSB, do PSD e até de outros partidos. É que Renan Filho deixaria o vácuo e os grupos políticos não deixariam Collor disputar sozinho.

Renan Filho tem 14 meses para decidir seu futuro político. O relógio do governador – nesse momento – determina também o relógio de aliados e adversários. Com um detalhe, caso saia do governo para se candidatar, quem ocupará o Palácio República dos Palmares é – na conjuntura atual – o grupo de Marcelo Victor, que domina o parlamento alagoano.

Conforme informações de bastidores, o foco de Renan Filho – atualmente – é uma reforma administrativa para a reta final de mandato. As mudanças vão para além da já ocorrida na Segurança Pública, com o retorno de Alfredo Gaspar de Mendonça (que é um nome do MDB para 2022) para essa pasta.

A reforma visa ampliação de alianças, composições, conclusão de projetos e construção de uma agenda positiva que reafirme a posição do governador. A partir daí, bater o martelo: ser candidato ao Senado Federal ou não ser candidato a nada e apostar na construção de um sucessor. Entre os nomes ventilados para esse desafio, está – por exemplo – o do secretário de Saúde, Alexandre Ayres.

Entre as movimentações de Renan Filho estará – sem sombra de dúvidas – o diálogo político com a Assembleia Legislativa. Caso candidato, o governador vai querer ter influência na eleição indireta que escolhera seu substituto. É uma forma de não perder o apoio da máquina pública depois de comandá-la por quase oito anos.

De forma mais distante, porém com poucas chances, há quem acalente o sonho de Renan Filho ser um dos presidenciáveis. É uma aposta remota e, diante do quadro, com poucas chances de se concretizar. Se assim o for, Renan Filho vai para uma missão do partido. É muito mais provável do que acreditar em uma perspectiva de vitória.

Recentemente, Renan Filho foi até citado pelo deputado federal Baleia Rossi (MDB), que concorre à presidência da Câmara dos Deputados contra Lira. Mas isso não significa nada.

O fato é que a posição que Renan Filho assumir determinará os passos de todas as outras peças desse xadrez político. Parece um futuro distante, mas não é…

Vale lembrar – em tudo isso – a influência do enxadrista-mor da política alagoana, o senador Renan Calheiros (MDB).

Davi Davino Filho como possibilidade na disputa pelo governo é fruto de um “recall”

  • Lula Vilar
  • 21/01/2021 12:45
  • Blog do Vilar
Assessoria
Davi Davino Filho

A recente pesquisa do Instituto Falpe, que foi divulgada pelo CadaMinuto e outros veículos de comunicação, chegou a surpreender algumas pessoas nos bastidores políticos em função dos nomes citados. Entre esses nomes, o do deputado estadual Davi Davino Filho (Progressistas), que surge como um dos líderes na disputa pela principal cadeira do Palácio República dos Palmares.

A pesquisa pode estar apontando uma fotografia de momento que reflete a realidade? Pode! Mas, há pontos a serem levados em consideração com base nisso.

Primeiro: a pesquisa não é um “apurado” feito em todo o Estado, mas sim na Grande Maceió. E aí, ela aponta para algo que é perceptível de forma empírica: o deputado estadual Davi Davino Filho, ao disputar a eleição para a Prefeitura da capital alagoana, no ano passado, saiu do pleito maior do que como entrou, apesar da derrota ainda no primeiro turno.

Davi Davino Filho não apenas surpreendeu na votação alcançada, chegando até mesmo a ser cogitado em um possível segundo turno que não se concretizou, mas fez um impecável trabalho de marketing político e comunicação em relação ao seu nome.

Davi Davino Filho ganhou mais capilaridade na capital alagoana. E isso, evidentemente, reflete na Grande Maceió, pois são municípios muito próximos ao contexto político da principal cidade do Estado.

Apesar de muito embrionária (já que a eleição estadual ainda está muito distante), a situação na Grande Maceió lança uma expectativa em relação ao jovem deputado estadual: quais passos ele dará no próximo ano, ainda mais ao estar em um grupo político que é comandado pelo deputado federal Arthur Lira (PP), principal opositor do governador Renan Filho (MDB) e do senador Renan Calheiros (MDB) em Alagoas. Além de Lira, é um grupo também de Marcelo Victor (Solidariedade), presidente da Casa de Tavares Bastos.

Vale lembrar que o cenário futuro também depende da decisão do governador Renan Filho; se ele será ou não candidato ao Senado Federal, deixando a cadeira vaga para uma eleição indireta comandada pelo parlamento estadual. Em outras palavras, onde Marcelo Victor dará as cartas.

O parlamentar estadual do Progressistas ganha força para tentar sair da Assembleia Legislativa para voos maiores. Ele tentará? A resposta fica para a História.

Vale salientar que a análise aqui não é de mérito quanto ao mandato de Davi Davino Filho. Particularmente, acho que o parlamentar não é um dos nomes de destaque do parlamento estadual. Nos primeiros anos de mandato, foi discreto, não tinha uma retórica admirável e não se envolveu de forma intensa em pautas que permitiriam avaliar o que pensa. O fato é que Davi Davino Filho – assim como a maioria dos parlamentares daquela Casa – está no círculo do fisiologismo e sem identidade ideológica definida. Em outras palavras: não o vejo como um mandato de destaque.

Porém, na campanha para a Prefeitura de Maceió, ele soube se vender e renovou a sua imagem perante uma significativa parcela de um público. Davi Davino Filho tem em mãos – a partir de agora – a possibilidade de utilizar esse recall para ampliá-lo, envolvendo-se em maiores discussões, tendo maior habilidade política e tentando construir uma posição de liderança dentro e fora do grupo político no qual se encontra. Se terá competência ou se deseja isso, ai é outra história…

Agora é fato que ele passa a ser um nome no jogo. E aí, todos os cálculos eleitorais, que já se iniciaram (pois nesse país eleição é sempre antecipada), devem levar em conta a possibilidade dele disputar qualquer cargo em 2022, sendo um dos mais prováveis – em minha avaliação – a tentativa de uma cadeira na Câmara dos Deputados ou até mesmo um nome do Progressistas para composição de majoritária.

Afinal, mesmo diante desse recall, Davi Davino Filho não parece ter musculatura suficiente para capitanear uma disputa pelo governo. E ninguém é candidato de si mesmo. Por outro lado, muita gente também não imaginava que ele teria capilaridade para disputar a Prefeitura da capital.

Pela pesquisa do Falpe, feita entre os dias 7 e 16 de janeiro, com três mil entrevistados, Davi Davino Filho apareceu com 32%. Surpreende por ser mais que Rui Palmeira (sem partido), que surge com 15,5% e mais do que o conquistado pelo senador Rodrigo Cunha, que surgiu com 12%. A pergunta que fica é: inicialmente, Davi Davino Filho se apoiará nesses números para tentar consolidar essa situação que se apresenta agora como reflexo do ocorrido em 2020, ou volta a ser apenas um deputado?

Placar do Estadão aponta favoritismo de Arthur Lira na disputa pela Câmara

  • Lula Vilar
  • 19/01/2021 10:15
  • Blog do Vilar
Assessoria
Arthur Lira

Apesar de faltar pouco tempo para a eleição do futuro presidente da Câmara dos Deputados, em política tudo pode acontecer. Porém, até aqui, o deputado federal Arthur Lira vem consolidando o caminho para a vitória.

Lira parece não ter sofrido tanto com os ataques, após as reportagens que o apontavam como agressor de sua ex-mulher. No dia de ontem, o deputado federal disse que as acusações não tinham “contemporaneidade, nem verdade” e disse que o assunto “não poderia ser politizado”.

Independente das motivações que requentaram as denúncias na imprensa, elas são sim gravíssimas, pois envolve até ameaça de morte, conforme a ex-esposa do deputado federal, Jullyene Lins. Obviamente, como ocorre em toda disputa política, os adversários de Lira vão explorar esses fatos. Será assim agora e – anotem! - em 2022, diante das perspectivas da presença forte de Arthur Lira nas futuras eleições estaduais.

Nesse momento, além de atingir Lira, os adversários tentam acertar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por tabela, já que o parlamentar alagoano é o candidato governista à presidência da Câmara dos Deputados.

Colocar isso não é fazer qualquer juízo de valor, mas apenas apontar o óbvio a respeito do cenário. Em outros textos aqui, sobre disputas passadas pela presidência de casas legislativas, já afirmei que – mesmo entendendo o jogo – é de se repudiar a influência extrema do Executivo nessas brigas, pois acaba comprometendo a independência de um dos poderes.

No caso de Lira, ele não é – historicamente – um político com qualquer comprometimento ideológico. Arthur Lira é a representação do fisiologismo e dos interesses próprios. A briga é por poder. Do outro lado, Rodrigo Maia – o principal “patrocinador” da candidatura de Baleia Rossi (MDB) – tem perfil semelhante. É o estamento burocrático e nada mais. Aquele mesmo estamento que Bolsonaro se posicionou contra durante a campanha presidencial. 

Logo, é mais do que legítimo que apoiadores do próprio presidente questionem essa eleição com Lira, apesar do pragmatismo que existe nela, o que é inegável.

É nesse contexto que Arthur Lira vai se consolidando como favorito. O Placar do Estadão sobre a disputa pela presidência da Câmara, coloca que o deputado federal 186 votos declarados. Nos bastidores, a expectativa é de que ele chegue a 286. O candidato de Bolsonaro ganhou 41 apoios públicos desde o dia 15 de janeiro.

Para ser presidente da Casa, Arthur Lira precisa consolidar 257 votos. Segundo o placar, Baleia Rossi tem 114 votos declarados.

Acerta Alfredo Gaspar ao colocar os pingos nos is: “subcelebridade” e generalização absurda!

  • 13/01/2021 10:08
  • Blog do Vilar
Foto: Cada Minuto
Alfredo Gaspar

O caso que envolve a violência sofrida pelo ator Henri Castelli precisa ser apurado, os responsáveis punidos e situação totalmente esclarecida para que a Justiça possa fazer a sua parte. Essa história tem um enredo e ele precisa ficar claro para que de fato existe julgamento célere conforme a legislação vigente. É isso e ponto final.

O secretário de Segurança Pública de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça, diante da dimensão que o caso tomou (o que é natural, pois se trata de uma personalidade famosa), pontuou o que precisava ser pontuado: a garantia de que todas as medidas policiais para a apuração do ocorrido fossem tomadas.

No mais, Gaspar de Mendonça destacou a posição infeliz da atriz Antônio Fontenelle. Entendo que a atriz possa ter sido tomada pela emoção, caso haja de fato uma relação de íntima amizade com Castelli. Às vezes, a passionalidade nos faz falar besteiras por conta do ímpeto tomado no momento, sem pensar muito. Porém, isso não a autoriza às generalizações absurdas que ela fez em relação ao povo alagoano.

Babacas existem em qualquer lugar. Idiotas que são capazes de momentos de fúria pelos momentos mais fúteis também, assim como os que não se controlam diante da possibilidade de uma briga. Por sinal, ninguém melhor que alguém presente no universo das subcelebridades para saber disso, haja vista os casos que se sucedem no universo midiático das futilidades, intrigas etc. É o universo dos “playboys”, das subcelebridades, dos vazios de consciência, mas cheios de egolatria. Não generalizo, pois claro que há os que não são assim. Apenas cito por mostragem.

No caso em tela, Henri Castelli é vítima de uma agressão e contextos não mudarão isso, apenas podem atenuar a situação dos agressores (ou agressor) diante da Justiça, que julgará com base nos fatos. Mas, é óbvio que ninguém tem o direito de sair por aí quebrando o maxilar de ninguém. Quem o faz, tem que responder por isso, repito.

Voltando a tal da Antônia Fontenelle: Alfredo Gaspar destacou muito bem, inclusive usando o termo subcelebridade (dentro de um contexto em que o significado é o que o vocábulo tem que ter mesmo!) sem se preocupar com o politicamente correto. De fato, Gaspar de Mendonça está correto em repudiar a violência, mas também condenar as declarações da atriz que soam preconceituosas.

Alagoas – em regra – é um estado de um povo hospitaleiro e que oferta ao turista experiências ímpares. Em sua maioria, uma população ordeira e trabalhadora (muitos desses trabalhadores justamente se encontram na indústria do turismo). Logo, concordo com o secretário quando ele afirma que “é lamentável que tenhamos que assistir determinadas subcelebridades se referindo com tamanho preconceito e falta de respeito aos alagoanos. Não somos um povo desordeiro, somos um povo de paz, a única coisa que pedimos é respeito”.

Antônia Fontenelle parece se esquecer dos episódios de violência, envolvendo pessoas famosas ou não, que se espalham pelo país inteiro e que nada dizem sobre as pessoas das localidades em que esses atos acontecem. Eles dizem muito é das pessoas que os cometem. São pessoas que, no geral, são repudiadas por aqueles que possuem valores sólidos e distinguem muito bem o que é o certo e o que é o errado. Essas pessoas são maioria em Alagoas e em qualquer lugar.

Que a Secretaria de Segurança Pública – por meio dos órgãos responsáveis - possa o quanto antes mostrar a conclusão do caso, indiciar quem tiver que ser indiciado e dar o prosseguimento devido ao caso para que esse tenha uma resposta célere nas instâncias judiciais. E que a atriz aprenda a se basear na realidade antes de sair generalizando e atribuindo a uma série de pessoas características lamentáveis que fazem parte do conjunto de valores distorcidos de um ou outro troglodita de plantão.


 

JHC irá na contramão se ampliar a máquina pública com mais pastas

  • Lula Vilar
  • 13/01/2021 09:43
  • Blog do Vilar
Assessoria
JHC

A situação de Maceió – como a maioria dos municípios brasileiros – é de profunda crise. Em outras palavras: cobertor curto para muita coisa a ser coberta. Além disso, como mostrou um recente estudo publicado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Alagoas (Fecomércio/AL), é péssima a capacidade para atrair recursos e as contas públicas apontam para um baixo potencial de investimento.

Além disso, enfrenta problemas particulares, como é o caso dos bairros afetados pelo afundamento do solo provocado pela atividade mineradora da Braskem, e questões mais amplas, algumas oriundas da pandemia do novo coronavírus e outras históricas, como a politização da Saúde pública etc.

Nesse sentido, o grande desafio do prefeito eleito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), é fazer mais com menos, desburocratizar, conseguir – dentro das competências do município – retirar o poder coercitivo estatal do cangote do cidadão.

É fácil? Evidentemente que não.

Porém, uma das alternativas é a reforma administrativa profunda e o redesenho da máquina pública como forma de otimizar recursos e viabilizar soluções.

Então, a hora é de redução da máquina pública para conseguir essa desburocratização. Não faz sentido, por exemplo, se criar – como se ventila na imprensa – uma secretária específica para desburocratizar. É mais burocracia. Ou seja: o contrário do que se quer.

O ideal é que esse seja o espírito de todas as pastas, ainda mais das mais inchadas, como é o caso da Saúde. A despolitização já ajuda muito. É hora de dar um fim ao período em que cada vereador tinha um posto de Saúde para chamar de seu.

Em 2019, o ex-prefeito Rui Palmeira (sem partido) fez cortes pro meio de uma reforma de sua gestão e reduziu o número de órgãos, cortou cargos e buscou diminuir o gasto com pessoal. O defeito dessa reforma – como se observa na prática – foi não ser tão eficiente.

Para além disso, o prefeito – na reta final de seu mandato – ainda se tornou subserviente às decisões do governo estadual e fez com que a Prefeitura de Maceió, por conta de uma aliança política, se tornasse basicamente uma secretaria estadual. Um erro político que tem reflexos na independência administrativa.

JHC – quanto a esse ponto – leva vantagem e teve coragem de confrontar algumas decisões do governo estadual pensando no melhor para sua gestão, ainda mais no momento de crise. O termômetro disso foi a permissão do retorno da música ao vivo nos bares. Pode parecer pouco, mas independência é tudo quando se busca estudar a melhor forma de gestão. JHC, em relação ao Executivo de Renan Filho, parece ter isso.

No entanto, é de se espantar que o prefeito que se elegeu como sinônimo da mudança já pense em ampliar a máquina pública, como afirma o jornalista Edivaldo Júnior em seu blog, no site Gazetaweb. Caso tome esse caminho JHC vai na contramão. Tanto pior será se essa perspectiva tiver como motivação atender as alianças políticas para assim acomodar mais aliados dentro da estrutura pública.

Não é hora de novas secretarias, mas sim de reformular as pastas existentes e – diante disso – conseguir maior eficácia. As pastas que já existem são mais que suficientes. Esse deve ser o foco – a meu ver – do grupo de trabalho. A pergunta que fica – com base no que expôs o jornalista Edivaldo Júnior – é a seguinte: o que JHC iria querer com as novas secretarias?

O Ministério da Verdade: a lição de 1984 aos nossos dias…

  • Lula Vilar
  • 11/01/2021 12:42
  • Blog do Vilar

Uma das minhas distopias favoritas é a obra 1984 do escritor George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair). Desde que li a primeira edição da obra, pela editoria Globo, vi ali uma construção profética sobre o mundo que nos cerca diante da necessidade de governos, conglomerados e grupos ideológicos se fazerem “as vozes da verdade”.

Isso me fez adquirir quase todas as edições publicadas no Brasil e passar a colecionar a obra.

Um ponto que sempre me chamou a atenção nesse livro é o fictício Ministério da Verdade: uma imensa estrutura organizada para direcionar discursos, revisar a história e sufocar qualquer tipo de voz, opinião ou visão de mundo que destoe daquilo que é oficial, ditado por governos ou pelos que possuem em suas mãos o poder. Dessa forma, por meio da criação de um conceito de crime de pensamento, excluir – ou “cancelar” (termo moderno) – os indesejados do debate público e colocá-los como sendo a escória, o mal ou tudo aquilo que deve ser evitado.

Assim, sem o confronto de opiniões, sem as análises que levam em conta todos os lados, cria-se um discurso hegemônico que desinforma e, nesse sentido, tudo o que foge a esse discurso passa a ser visto como extremismo. Logo, não merece existir. É o controle de tudo por meio da posse da linguagem e dos meios de comunicação, promovendo uma profunda revolução cultural que leva em conta até mesmo a destruição do próprio idioma. George Orwell chama de “novafala” ou – em algumas traduções - “novilíngua”. Para quem tiver mais de dois neurônios perceberá, de forma clara e inquestionável, que Orwell já se referia ao politicamente correto.

Em nosso mundo, nunca houve tantas ferramentas capazes de direcionar um discurso hegemônico na tentativa de se criar um Ministério da Verdade. As redes sociais – em especial o twitter e o facebook – caminham nesse sentido.

Com a desculpa de serem “entes privados”, acabam por excluir do debate público todos aqueles que fogem às suas agendas políticas ou ideológicas. As redes sociais passam a contribuir com essa hegemonia cultural do politicamente correto.

É a censura prévia com todo o tipo de desculpas que podem ser unificadas e classificadas em um genérico termo: “discurso de ódio”, que só é invocado quando se trata de um “inimigo” da turma da “inteligência orgânica”.

Dessa forma, se os excessos e atos de violência são cometidos pelos amiguinhos da turma do politicamente correto, isso passa. É possível até desejar morte de presidentes, defender o aborto e atos de violência contra aqueles que são considerados “inimigos”. Porém, se são vozes mais conservadoras e distantes do politicamente correto, aí qualquer frase que possa vira alvo merece o ataque imediato, a exclusão e o cancelamento.

Não importa o que é dito, mas sim quem diz. George Orwell não poderia ter sido mais profético. A cultura do cancelamento dos tribunais dos “justiceiros sociais” obedece a uma lógica revolucionária e ideológica que se camufla na tentativa de fingir um “monopólio das virtudes”.

Por isso, caros leitores, mais uma vez falo de George Orwell nessa coluna. Quem pesquisar, verá aqui outros textos sobre esse autor. Atualmente, Orwell se torna imprescindível. Estamos em tempos em que os donos do poder querem construir uma democracia de um lado só, pois eles – os grupos de justiceiros sociais – se acham o bem supremo. Estamos em 1984.

Marcos Rômulo destaca que pode haver mais cargos com progressões irregulares na Câmara

  • Lula Vilar
  • 07/01/2021 09:24
  • Blog do Vilar
Arquivo CadaMinuto
Promotor Marcos Rômulo

Em entrevista à TV Gazeta, o promotor do Ministério Público Estadual, Marcos Rômulo destacou a preocupação com a existência de inúmeros cargos com progressões irregulares na Câmara Municipal de Maceió.

O assunto ganhou destaque na imprensa depois que a Prefeitura Municipal negou aposentadoria a uma série de servidores que ingressaram com o pedido junto ao Instituto da Previdência (Iprev) do município de Maceió.

A negativa se deu por conta dos pareceres do Ministério Público de Contas (MP de Contas) e da própria Procuradoria Geral do município que apontam a existência de progressões irregulares dos funcionários, que teriam ingressado na carreira como assessores parlamentares e depois, por promoções, ocuparam postos mais altos, com salários que chegam até a R$ 35 mil.

Alguns salários chegaram a aumentar em até 10 vezes.

De acordo com Marcos Rômulo, há a grande possibilidade de mais funcionários da Casa de Mário Guimarães terem tido essas progressões irregulares e não apenas aqueles nomes - já divulgados pelo Portal CadaMinuto – que entraram com o pedido de aposentadoria. Ou seja: os pedidos encaminhados à Prefeitura de Maceió “levantaram uma lebre”.

Agora, a atual Mesa Diretora – presidida pelo vereador Galba Netto (MDB) – terá que se debruçar sobre o assunto. “Hoje eu vejo com o parecer do Ministério Público de Contas e da Procuradoria do Município que, talvez, existam mais cargos nessa situação irregular na Câmara Municipal de Maceió”, salientou Marcos Rômulo.

“São nomeações que ocorreram na década de 90 e até no início dos anos 2000. Nomeações para cargos altos. São cargos que estão no topo da carreira jurídica. O cargo de procurador tem um teto semelhante ao do presidente do Tribunal de Justiça. São os cargos mais bem remunerados na carreira do serviço público”, colocou ainda o promotor.

Segundo o promotor, a argumentação da Câmara Municipal de Maceió é de que houve um concurso interno.

“Eu não vou aqui repetir o óbvio de que concurso interno não existe dentro do serviço público desde a Constituição. Mas, admitamos que existisse… Então, eu pedi provas desse concurso interno e eu não obtive. Por exemplo, quando foi realizada a prova? Qual foi a comissão? Quando foi publicado o edital no Diário Oficial? Nada disso existe...”, finalizou Rômulo, durante a entrevista.

Ao que tudo indica, os que menos decidem na eleição da Câmara Municipal são os vereadores eleitos

  • Lula Vilar
  • 28/12/2020 11:46
  • Blog do Vilar
Cortesia
Câmara Municipal de Maceió

Ao que tudo indica, quem menos consegue conduzir o processo da eleição da futura Mesa Diretora da Câmara Municipal de Maceió são os vereadores. São tantas as influências externas que nenhuma candidatura – além da do vereador reeleito Galba Neto (MDB), que possui o apoio do prefeito eleito João Henrique Caldas, o JHC (PSB) – consegue se manter.

E olhe que – de acordo com fontes – o nome de Galba Netto sequer é uma unanimidade entre os pares que o escolheram para presidente. Acontece que ele tem um padrinho forte.

Além do dedo de JHC no processo, há também – conforme informações de bastidores – a influência direta do deputado federal Arthur Lira (PP), de deputados estaduais, dentre eles Davi Maia (Democratas), e por aí vai. As idas e vindas já geraram a desistência da candidatura do atual presidente da Casa, Kelmann Vieira (Podemos) e da emedebista Olívia Tenório.

O que isso deixa claro? Nenhum dos grupos possui um projeto para a Casa de Mário Guimarães, mas a aglutinação dos nomes – sejam daqueles que apoiam a candidatura de Galba Neto, ou dos que buscam um postulante de oposição ao emedebista – se faz por uma miscelânea de interesses individuais que serão atendidos por quem tem mais poder em mãos. No caso em tela, a resposta é óbvia: quem possui maior poder de barganha para com os edis é o prefeito eleito JHC.

Então, para os grupos que se formam nessa eleição parece valer o dito por George Orwell em A Fazenda dos Animais (ou A Revolução dos Bichos): todos iguais, mas uns mais iguais que os outros. Se alguém nutriu expectativas de novidades nesse processo, eis que se deparou com a desnutrição provocada pelo deserto de ideias que só atende ao chamado das velhas práticas da política alagoana. O pior é o que o que não deveria ser visto com naturalidade se torna a normalidade e a constância independente das peças que sejam mudadas no Legislativo.

Há até quem queira fazer a diferença, mas não encontra correlação de forças.

JHC querer fazer bancada forte e ter como aliado o presidente da Casa é natural. A questão é o que JHC colocará na mesa de negociações para fazer prevalecer o seu candidato. Além disso, o que os demais agentes políticos externos ao parlamento mirim podem oferecer, já que também entra em cena a configuração para o ano de 2022. Se JHC abrir demais as portas do Executivo já inicia o seu mandato contrariando muito do que foi o seu discurso de campanha. Afinal, a nova política envolvia justamente negar o jogo do “toma lá dá cá”. E aí, não sejamos hipócritas: essa moeda é a melhor entendida por muitos dos edis.

Afinal, foi essa relação – com base na troca de cargos – que gerou o loteamento da Saúde, como se observa nas indicações atuais para as unidades da pasta. Quase todos os vereadores por Maceió adoram ter um posto de Saúde para chamar de seu. Além disso, foi também essa relação que transformou o discurso dos poderes independentes e harmônicos em pura balela, pois facilmente o eleito para o Executivo conquistava a maioria na Casa de Mário Guimarães e praticamente conduzia o parlamento à subserviência histórica.

A atual Câmara Municipal de Maceió é composta por novatos que poderiam – caso quisessem – dar um gás novo à Casa e conquistar uma maior autonomia justamente no processo de eleição de seu presidente, para – dessa forma – darem melhor identidade aos seus mandatos. Mas, eles querem isso? Vale ressaltar que a busca por essa autonomia não significa fazer oposição ao prefeito eleito, mas sim discutir pautas dentro do mérito que essas possuem, inclusive estabelecendo as pontes com o Executivo em matérias importantes.

É legítimo que JHC busque construir bancada ampla, que queira influir na eleição da Mesa Diretora, mas dentro dos limites da separação de poderes e não – como parece ser, com base nas informações que estão sendo divulgadas – sendo um rolo compressor em conjunto com seu bloco político.

A saída do vereador eleito João Catunda do “grupo dos 12”  (agora grupo dos 11, mas ninguém sabe até quando 11) para então apoiar Galba Netto (MDB) não se trata apenas de um mero pedido do prefeito. Aqui é de se indagar a Catunda: quais foram os argumentos usados por JHC? Houve também – como se coloca nos bastidores – a influência direta do deputado federal Arthur Lira. Recentemente, o jornalista Bernardino Souto Maior trouxe a informação de que Catunda pode surgir, por interesse de Lira, como futuro presidente da Casa de Mário Guimarães. Confere?

Olívia Tenório não ter conseguido sustentar seu nome na disputa também é um sintoma. O grupo de oposição a Galba Netto, em um movimento claro, tentou buscar o nome de Samyr Malta (PTC) como um candidato que trouxesse votos do outro lado. Porém, a resposta foi justamente a mudança na posição de João Catunda. Foi uma contrarresposta construída pelos políticos que não são vereadores.

E assim, a futura presidência da Câmara vai sendo decidida por peças que não foram eleitas para o Legislativo municipal, mas que sabem conduzir as mentes dos edis por saberem de seus interesses individuais. A tal independência do Legislativo é só uma peça no expositor do supermercado político. Ela serve para discurso, mas nunca tem efetividade prática. O parlamento mirim tem tudo para iniciar com uma legislatura que não trará novidade alguma. Tudo como antes no quartel.

O detalhe é que quanto mais fácil alguém se dobra, mais mostra que recebeu mais do que aquilo que realmente vale e já despreza – na largada – o compromisso assumido com seus próprios eleitores, caso esses tenham escolhido seus vereadores de forma livre e consciente...mas esse é outro papo, pois todo mundo sabe como se procedem algumas eleições tradicionais…

Todavia, nada disso é exclusividade da Câmara Municipal de Maceió. Parece ser um “vale a pena ver de novo” de todos os parlamentos, inclusive no processo que pode levar Lira à presidência do Congresso Nacional, o que muda é a escala e os interesses. Quase todos iguais, mas uns mais iguais e poderosos que os outros com base naquilo que tem a oferecer...

Estudo mostra que sem auxílios federais economia alagoana teria colapsado. Em 2021, cenário é preocupante

  • Lula Vilar
  • 21/12/2020 12:08
  • Blog do Vilar
Foto: Itawi Albuquerque
Cícero Péricles

Na manhã de hoje, li o trabalho do professor e economista Cícero Péricles de Carvalho “Os impactos da epidemia na economia alagoana”. Nesse, que foi publicado no Portal da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade (FEAC), Péricles aprofunda uma análise que até já havia feito quando entrevistado por mim no programa Direto da Província, aqui do Portal CadaMinuto.

Basicamente é o seguinte: durante o ano de 2020, as medidas restritivas que foram adotadas pelo governo do Estado de Alagoas, só não causaram tanto impacto negativo na economia do Estado por conta de um colchão econômico criado pelas ações de socorro que foram adotadas pelo governo federal. Dentre elas, o auxílio emergencial, que – segundo dados da Associação dos Municípios Alagoanos – correspondeu a 3% do PIB do Estado.

Esse colchão econômico – entretanto – tem prazo de validade. Isso significa dizer que o cenário para 2021, diante da ausência dos auxílios federais, será muito mais preocupante. Afinal, mesmo com os mecanismos das medidas emergenciais, o ano de 2020 apresentou taxas negativas de crescimento, em que pese a sinalização de recuperação econômica após o início da reabertura. Todavia, o próprio consumo que aqueceu as atividades do setor produtivo foi estimulado pelo próprio auxílio emergencial.

Em 2021, caso a economia não tenha um impulsionamento natural, podem ser maiores as perdas de renda, empregos e mais empresas, estados e municípios enfrentarão situações ainda mais adversas.

“A partir de janeiro, caso esses mecanismos não sejam renovados ou substituídos por medidas compensatórias, teremos, provavelmente, uma conjuntura mais desfavorável, quando a economia estadual poderá conhecer uma taxa negativa mais alta que a prevista para este ano”, aponta o estudo.

Segundo Péricles, “o impacto final dessas medidas será sentido, primeiro, no consumo, quando forem cortados 2/3 dos 1,2 milhão de alagoanos que recebem o auxílio emergencial, com rendas atuais de R$ 600 e R$ 300, e apenas os 415 mil inscritos no programa Bolsa Família voltarem para seus benefícios no valor médio de R$ 186”.

Afinal, entre abril e agosto desse ano, os recursos transferidos representaram R$ 780 milhões, somando um total de R$ 3,7 bilhões. A partir de setembro até dezembro, foram reduzidos para R$ 320 milhões, somando R$ 1,3 bilhão. “Em janeiro (2021), serão pagos tão somente R$ 78 milhões aos beneficiários do PBF (Bolsa Família)”.

Isso quer dizer que o volume de recursos se reduzirá a 10% do que foi pago nos cinco primeiros meses da pandemia por meio do auxílio emergencial. Todavia, esse não será o único impacto negativo na economia alagoana, pois ainda há o final do Programa de Manutenção de Emprego e Renda do governo federal que, entre os meses de maio e dezembro, permitiu a assinatura de 197 mil contratos de suspensão ou redução da jornada de trabalho, em troca do benefício financeiro mensal e da garantia de emprego.

Esse benefício foi utilizado – conforme o estudo apresentado por Cícero Péricles – por 15,5 mil empresas do Estado. “Os efeitos diretos da extinção desse conjunto de medidas surgirão a partir de janeiro, quando os cortes na renda social pública coincidirão com o aumento esperado do desemprego, elevando a informalidade; com a inflação de alimentos acima de 12%, pressionando a renda dos mais pobres; e com o congelamento dos salários do funcionalismo, que tendem a reduzir a massa salarial”, explica o economista.

Diante desse quadro, com a restrição dos recursos para o consumo, a inadimplência e o endividamento crescerão. O impacto será imediato nos setores de comércio e serviços e atingirá – ainda segundo a análise apresentada pelo professor – indiretamente a agricultura, a indústria e o setor de construção. No efeito cascata, teremos a queda de arrecadação dos municípios e Estados.

Segunda onda

“Esse novo cenário corre o risco de ser agravado pela segunda onda da pandemia, influenciando negativamentesetores vinculados diretamente ao mercado interno, como também segmentos dependentes do mercado nacional e regional, a exemplo do turismo. Tal situação tornará ainda mais difícil o processo de retomada da economia. Neste cenário de incertezas, uma nova agenda para 2021 deverá ser construída no Congresso Nacional, da mesma forma que este ano, e implementada pelo executivo federal, com base em medidas anunciadas de apoio à renda e ao emprego, como: a extensão do Bolsa Família (ou Renda Brasil) para o público do Cadastro Único (680 mil inscritos em Alagoas); transformação do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) em programa permanente de apoio financeiro as MPE’s, o que já está sendo negociado no Congresso; continuidade da linha emergencial com recursos do FNE (BNB/Sudene); aprovação do Programa de Microcrédito direcionado aos MEI’s – microempreendedores individuais, para a formalização de seus negócios e estímulo às suas atividades (108 mil em Alagoas); antecipação do pagamento da 13ª parcela aos beneficiários do INSS (540 mil pessoas em Alagoas), a exemplo do que ocorreu este ano; compensação das perdas de transferências de FPM e FPE, beneficiando estados e prefeituras com mais recursos para a área da saúde; e a reativação da construção das obras, em coordenação com as prefeituras e estados”, pontua Péricles.

Períodos

Segundo o economista, no ano de 2020, Alagoas viu três períodos diferenciados de funcionamento da economia na pandemia: 1) de janeiro a março foi positivo, mas com um ritmo lento de crescimento, pois era ainda impactado pelo baixo desempenho dos anos anteriores, incluindo as quedas sequenciais de PIB em 2015 e 2016; 2) de março ao final de junho, as medidas de isolamento social obrigaram ao fechamento de grande parte das atividades do setor produtivo, logo queda na economia; 3) a partir de julho iniciou o processo de recuperação lenta, que foi marcado pela reabertura paulatina de seguimentos, “apresentando uma leve recuperação, sem, no entanto, conseguir alcançar o ritmo pré-pandemia; e o quarto e último trimestre (outubro a dezembro), ainda com um elevado grau de incertezas, mas com sinais moderados de crescimento”.

Entre março e dezembro desse ano, portanto, a economia alagoana basicamente funcionou sustentada pela renda pública e pela rede emergencial de financiamento das empresas e empregos. “Graças a esses mecanismos, nos meses de isolamento ou distanciamento social, Alagoas atravessou uma conjuntura de “aparente normalidade”, mesmo num cenário de forte queda na atividade econômica, como vêm registrando os números da Secretaria Estadual da Fazenda, da Receita Federal, IBGE, BNB e Banco Central. Nesse período, graças à renda social, o consumo das famílias continuou ocorrendo, movimentando todos os segmentos da economia, com queda de endividamento e inadimplência, e os números do desemprego permanecendo baixos”, ressalta Péricles.

Isso criou uma normalidade aparente que foi sustentada pelas medidas emergenciais aprovadas no Congresso Nacional e postas em prática com recursos federais. Todavia, a realidade deve bater a porta em 2021.

“A situação social da população alagoana é caracterizada pela pobreza da maioria de sua gente e pela desigualdade entre os estratos sociais de renda e, desde 2015, refletindo as dificuldades da economia, há uma tendência de aceleração desses doismfenômenos, que vem sendo registrada desde 2016, como mostrou o documento “Síntese de Indicadores Sociais” do IBGE12. Em 2019, quatro das cinco regiões brasileiras apresentaram redução de desigualdade de renda. A única onde ocorreu o aumento na desigualdade foi justamente o Nordeste. Índice de Gini da região passou de 0,545 para 0,559. Esse indicador varia entre 0 e 1, quanto mais próximo de zero, mais equilibrada a distribuição de renda entre a população”, mostra o estudioso ao contextualizar a situação.

Ele continua: “segundo a PNAD Contínua (IBGE, 2020), a forte alta na renda da população 1% mais rica e perdas nos rendimentos na faixa dos 10% mais pobres da Região contribuíram para maior concentração de renda. No Nordeste, a massa do rendimento médio mensal real domiciliar em 2019 alcançou R$ 60,3 bilhões, com os 10% mais pobres da população acumulando apenas 0,6% desse total; já os 10% mais ricos acumulam 44,4% do total da massa do rendimento médio mensal regional. Como em todos os estados nordestinos, a pandemia atingiu a sociedade com suas características de pobreza econômica e social, principalmente os trabalhadores pobres”.

Pobreza

“Apesar de todos os recursos emergenciais no enfrentamento da pandemia, o quadro de pobreza em Alagoas ficou ainda mais grave que no trimestre anterior e o desemprego subiu um pouco mais (20%), constituindo-se na terceira maior taxa do Brasil; a subutilização da força de trabalho chegou a 45,6%, a segunda maior do país, assim como a taxa dos informais (48,6%). O isolamento social teve como consequência o aumento das características históricas da economia alagoana e do mundo do trabalho em Alagoas: a informalidade, o desemprego e a subutilização da força de trabalho. São 3,3 milhões de alagoanos residentes, 2,6 milhões são maiores de 14 anos, com idade de trabalhar. No Estado, a força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) é formada por um conjunto de 1,1 milhão de pessoas. Desses, 892 mil são os ocupados, 606 mil são empregados (nos setores públicos e privados e serviços domésticos), 22 mil são empregadores e 233 mil trabalhadores por conta-própria (autônomos). Nessa força de trabalho, 461 mil pessoas estão no conjunto das ocupadas, mas estão na informalidade, sem contrato ou, quando autônomos, sem documentação, representando 48,2% desse conjunto amplo”, revela o levantamento.

Esse contexto gera uma renda média do trabalho em Alagoas que é a mais baixa do Brasil: R$ 1.543. “Ademais da pouca dinâmica econômica, do grau menos elevado de escolaridade e da formação profissional deficiente dessa força de trabalho, o rendimento dos assalariados é empurrado para baixo pela presença de um grande contingente de trabalhadores na informalidade e, principalmente, no conjunto dos “subutilizados”, onde se registra a disponibilidade de seiscentas mil pessoas desocupadas ou desalentadas. Essa pobreza social explica a importância da massiva renda social pública”. Eis o cenário de 2021, pois – como mostra a publicação – o isolamento social, ao paralisar algumas atividades, acentuou os problemas. 

“No período da pandemia e do isolamento social, as atividades produtivas foram afetadas, o desemprego aumentou, a queda da renda média atingiu os trabalhadores mais pobres e famílias de baixa renda, fazendo diminuir o consumo e, claro, penalizando os segmentos mais vulneráveis da população”.

Sem esses recursos federais, Alagoas teria um colapso imediato, pois seria reduzido o consumo de dois terços das famílias mais pobres, quebrando mais empresas, aumentando o desemprego e penalizando as finanças estaduais e municipais, tornando ainda mais difícil o processo de retomada econômica.

A realidade exposta por Péricles não pode ser ignorada. Ao contrário, tal estudo tem que embasar as discussões a serem travadas para que não sejam alimentadas pelas falsas dicotomias entre Saúde e Economia, mais uma vez. É óbvio que o momento carece de medidas sanitárias. Porém, retomar o fechamento do setor produtivo pode acarretar em mais doenças, fome, miséria, dentre outros problemas não tão visíveis. O remédio a ser adotado não pode ser pior que a doença.

“Sou contrário à vacinação obrigatória. Pessoalmente, eu irei tomar”, diz JHC sobre vacinas

  • Lula Vilar
  • 21/12/2020 11:00
  • Blog do Vilar
Foto: assessoria
JHC

Diante da polêmica das possíveis restrições impostas a quem não tomar uma das vacinas – aprovadas pela Anvisa – contra o novo coronavírus, o prefeito eleito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), se posicionou contrário à obrigatoriedade da aplicação dos imunizantes. 

JHC falou sobre o assunto em suas redes sociais ao ser indagado por uma internauta. O prefeito eleito lembrou que se trata de uma legislação federal. Portanto, haverá pouca competência sobre o assunto na esfera municipal, cabendo muito mais um papel auxiliar no processo de distribuição e aplicação da vacina. 

No entanto, ele frisou que no que depender dele “esse tipo de coerção não existirá”. “Obviamente, faremos uma campanha e estratégia de vacinação, uma vez comprovada a segurança e eficiência do remédio, porém sem imposições e com respeito à individualidade”, salientou. 

João Henrique Caldas ressaltou que tomará o imunizante que for aprovado pela Anvisa e não se mostrou “antivacina”. “Sou contrário à vacinação obrigatória. Pessoalmente, eu irei tomar, mas sou obrigado a respeitar as decisões individuais”, sentenciou.

Na semana passada, JHC esteve reunido com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para discutir sobre o plano nacional de vacinação, que deve ser iniciado em fevereiro do próximo ano. Logo, com o futuro prefeito no comando da administração municipal. 

O prefeito eleito quer colocar Maceió como uma das prioridades no recebimento das doses gratuitas do imunizante. O mesmo tem sido feito pelo governo estadual, como pontuou o secretário de Saúde, Alexandre Ayres, ao falar do protocolo de intenções que foi assinado com o Instituto Butantan, que tem produzido a Coronavac no Brasil. 

No caso do Executivo do governo Renan Filho, pode haver aquisição da vacina com recursos próprios do tesouro estadual. 

Futura gestão: sobre os desafios de JHC e a busca de interlocução com o governo federal

  • Lula Vilar
  • 17/12/2020 10:42
  • Blog do Vilar
Foto: Daniel Paulino/CM
Deputado Davi Maia, prefeito eleito JHC e Rui Palmeira

Quem me acompanha nesse blog (e nas redes sociais) sabe que não votei em João Henrique Caldas, o JHC (PSB), para a Prefeitura de Maceió. Inclusive, disse isso a ele em nossas conversas, explicitando os motivos pelos quais nenhum dos grupos políticos postos na disputa me agradavam. Não escondo isso de ninguém, muito menos do meu leitor.

No segundo turno, inclusive, votei nulo por não enxergar em nenhuma das candidaturas os valores que defendo, seja na pauta de costumes (por ter uma posição mais conservadora, no sentido do pensamento filosófico do conservadorismo) ou na agenda econômica, já que os grupos ali presentes possuíam peças associadas ao estamento burocrático alagoano que sempre estiveram, ao longo das últimas décadas, no poder. Detalhei isso em vários textos que estão nesse espaço, ao detalhar a formação dessas frentes políticas.

Alguns desses nomes são tão contraditórios que se tornam mutáveis ao sabor das circunstâncias, como é o caso do camaleônico vice-prefeito eleito Ronaldo Lessa, que já foi aliado do MDB do senador Renan Calheiros, de Rui Palmeira e de quem mais lhe pudesse garantir sobrevida política, como ocorreu agora ao se aliar a JHC – por determinação nacional de sua legenda – possibilitando que se tornasse uma “fênix” depois de ter perdido a eleição para deputado federal e não ter dado certo como secretário de Agricultura.

Todavia, ao acompanhar os primeiros passos do prefeito eleito JHC nessa transição que vem sendo promovida, por questão de justiça, destaco um ponto positivo: João Henrique Caldas parece se distanciar da visão ideológica que impôs, em vários cantos do país, a aliança entre o PSB e o PDT como forma de antecipar a aglutinação de um campo progressista que visa dá suporte à candidatura de Ciro Gomes (PDT) à presidência da República no ano de 2022.

Não se trata de uma crítica a Gomes, muito menos de uma defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A questão é muito mais simples: JHC assumirá uma administração municipal que tem imensas dificuldades, ausência de capacidade de investimentos, queda na arrecadação, problemas para conseguir financiamento em função da situação do município para angariar confiança na busca por empréstimos etc. Fazer mais com menos será o grande desafio do futuro prefeito.

Nesse sentido, se Maceió já é extremamente dependente de repasses federais, agora maior é a dificuldade para resolver problemas como: alavancar as potencialidades do setor produtivo; ampliar a cobertura básica de Saúde; combater a evasão escolar e incapacidade de vagas para todas as crianças (principalmente na questão das creches); despolitizar o sistema de Saúde, dentre tantos outros problemas, sem contar com a questão envolvendo os bairros atingidos pela mineração da empresa Braskem: uma imensa área do município sobre a qual ainda não se tem um diagnóstico preciso do que vai acontecer e do que é possível fazer no local para reintegrar toda aquela região à cidade.

Em tese, JHC tem quatro anos para tudo isso. Mesmo diante da possibilidade desses quatro anos virarem oito, é muito pouco tempo. Nessa estrada a ser seguida, ainda há a necessidade da revisão do Plano Diretor da cidade que foi praticamente esquecido na gestão de Rui Palmeira (sem partido) e a discussão sobre medidas desburocratizantes, desreguladoras e que permitam – dentro das competências do município – uma agenda de maior liberdade econômica para o estímulo ao empreendedorismo em um momento de retomada das atividades do setor produtivo que vai perder o impacto do auxílio emergencial. Esse correspondeu a 3% do PIB alagoano, conforme dados apresentados pela Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).

Ser menos ideológico e mais focado na demanda das soluções que deve apresentar é, portanto, uma tarefa do prefeito JHC. Nesse período de transição, portanto, ele acerta ao tentar se aproximar dos quadros técnicos da administração federal para buscar apoio para as respostas ao seu programa de governo. As reuniões que o prefeito eleito vem tendo em Brasília (DF) com pastas importantes, como o Turismo e a Infraestrutura, podem trazer resultados positivos na capitação de recursos para estratégias que tenham por base projetos. O passo inicial é importante. Espero que a gestão municipal tenha esses projetos para ir além das conversas.

JHC foge do sectarismo de alguns dos seus aliados. Isso é bom. Mas é preciso ir além...

Afinal, não raro, na história política de Alagoas há uma soma de promessas pós-reuniões que ficaram no vácuo por motivos diversos. Entre essas, se encontra a falácia do estaleiro prometido ao Estado no governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB), cujo padrinho da ideia foi justamente o pai de JHC: o ex-deputado federal João Caldas. Coisas assim não podem se repetir. Se JHC aliar ao bom trânsito os projetos sólidos, pode ter um início de gestão com menos dificuldades. Quem ganha é o maceioense. Mesmo sem ter votado no prefeito e tendo divergências imensas com o grupo político do qual faz parte, torço para que acerte.

Todavia, para que essas ações progridam, o prefeito eleito de Maceió – em futuro próximo – terá que ter um cuidado na assepsia a ser realizada na ocupação de postos importantes dentro da gestão municipal. JHC assume com compromissos políticos com, pelo menos, cinco subgrupos e até por alguns vereadores considerados peças-chaves na eleição, como Francisco Salles (PSB).

JHC terá que cobrar desses que as indicações não tenham meros aspectos políticos, mas sim pessoas com currículos que apontem para a competência e a eficácia na execução de projetos. Isso inclui com acabar com a prática nefasta de lotear cargos no Executivo – como os postos de Saúde – para se conseguir governabilidade na Câmara Municipal de Maceió.

E aqui se encontra um erro político por parte do grupo do prefeito: se envolver demasiadamente – repetindo vícios do passado – com a eleição da Mesa Diretora da Casa. Quanto mais o prefeito eleito se envolve, mais faz promessas. O que não falta é apetite a muitos dos edis presentes. Não por acaso, atualmente, o que mais tem é vereador com muitos cargos dentro da estrutura.

Dialogar com a Câmara Municipal para passar reformas importantes, como a administrativa e a previdenciária, precisa ser uma ação que foque mais no mérito da pautas. Não é fácil, mas é necessário. A Prefeitura de Maceió terá que – nesse momento – apresentar uma reforma administrativa que tenha impacto profundo nos gastos públicos para ampliar sua capacidade de investimentos e até abrir a possibilidade de novos concursos para áreas que de fato são carentes. A reforma pode ser amarga, mas é a única possibilidade.

Para além disso, os primeiros dias de gestão deve ainda apresentar ao público, da forma mais transparente possível, duas coisas: 1) um plano para os primeiros 100 dias com ações que possam ser acompanhadas. Dentro desse plano, algumas prioridades como o Plano Diretor, a questão envolvendo a Braskem e as reformas prioritárias; e 2) um relatório explícito do que foi encontrado pela equipe de transição, com os dados minuciosos por áreas para que assim se possa saber realmente o que é possível de forma imediata e o que é para médio e longo prazo.

As pontes que JHC busca construir com o governo federal dependem muito da eficiência de sua equipe na elaboração de projetos e condução de convênios. Caso contrário, será puro marketing. A mesma situação se dará quanto a outras parcerias com entidades públicas ou privadas. Isso envolve a estruturação da máquina pública para que ela seja enxuta, desburocratizada e com o menor número de benesses possíveis para evitar os políticos que historicamente se locupletaram com o serviço público. E há políticos dessa fauna entre os que acompanham JHC.

Espero que o futuro prefeito acerte mais do que erre, pois é natural a existência de erros em qualquer lugar por melhor que sejam as intenções de quem queira promover mudanças. Errar faz parte. A qualidade de uma boa administração não se faz pela ausência de erros, mas pela quantidade de acertos que superam as falhas.

Sobre Armas, Leis e Loucos: o livro de Bene Barbosa ajuda a refletir sobre os recentes dados sobre armas de fogo em Alagoas

  • Lula Vilar
  • 15/12/2020 09:45
  • Blog do Vilar

Não é segredo para quem me acompanha nesse blog que defendo que o cidadão comum tenha o direito – dentro de critérios objetivos – ao acesso às armas de fogo como instrumento de legítima defesa e defesa de seu patrimônio. Inclusive, já produzi textos aqui nesse espaço mostrando estudos que comprovam o quanto é falaciosa a tese que associa o aumento no número de armas legalizadas ao de homicídios ou crimes violentos contra a vida.

Entre esses estudos, cito – por exemplo – duas obras brasileiras de grande relevância nesse debate: Articulando em Segurança de Fabrício Rebelo e Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento de Bene Barbosa. Além desses, há uma série de especialistas internacionais como John Lott e Joyce Lee. Para quem gosta do tema, em minha humilde visão, esses são nomes indispensáveis.

Volto ao assunto nesse texto em função de uma matéria que foi veiculada pelo Portal CadaMinuto, no dia de ontem. Os dados apresentados pela jornalista Mara Santos revelam que o número de registros de armas de fogo em Alagoas atingiu o patamar de ser o maior do Nordeste em 2020. Para alguns, a manchete da matéria poderia ter dado a impressão de que Alagoas vive em um verdadeiro “bang-bang”, como gostam de afirmar os “ongueiros da vida” que, de forma estridente e alarmista, apontam para o possível aumento de crimes letais.

Bem, há muito que Alagoas é um estado com alto índice de homicídios. A maioria deles – entretanto – não envolve armas legais. A questão é básica: o sujeito que se submete à lei para conseguir a sua arma como manda todo o figurino não tem a predisposição ao crime. Paralelamente, não é a existência de um Estatuto do Desarmamento que vai intimidar aquele que é bandido a não conseguir uma arma de fogo, tendo em vista – sobretudo – a facilidade de se ter acesso às armas ilegais nesse país. O problema, portanto, não é a arma, mas o combate necessário à criminalidade.

Tanto é assim que países mais armados possuem índices de homicídios mais baixos que o do Brasil. Há textos meus sobre esse assunto nesse blog.

Dito isso, é possível correlacionar o aumento do número de registros de armas e de novas armas legais em Alagoas ao que ocorre com os homicídios no Estado. Em que pese os assassinatos ainda serem muitos, há – desde que o governador Renan Filho (MDB) assumiu o posto – uma considerável redução em andamento.

Isso, por si só, contraria a tese dos “especialistas”. Em Alagoas, houve o registro de mais de 9 mil novas armas de fogo e se registrou esse mesmo número no ano de 2020, mas ao mesmo tempo viu a redução na taxa de homicídios por 100 mil habitantes. Em Maceió – conforme dados divulgados em agosto desse ano – a queda foi de 28,6%.

O levantamento aponta ainda que a compra de armas cresceu desde 2018 em todo o país. No ano de 2019, houve uma redução do número de homicídios no território brasileiro também. Para se ter ideia do aumento, no ano de 2018, foram 631 armas legais. O número de registros expedidos ficou em 3.768. Em 2019, foram registradas mais de 80 mil novas armas de fogo e 133.856 registros. Esses números não impactaram negativamente nos casos de homicídio desses anos. 

Em 2019, logo nos primeiros semestres, Alagoas foi um dos estados que superou a média de redução de homicídios no país: 26%, ficando com a 8º posição do ranking da queda de crimes letais. Ao final do ano, a taxa de homicídios foi a menor já registrada em Alagoas em duas décadas, alcançando uma redução de 51%. Portanto, os números mostram que o aumento de registro de armas de fogo não se associam ao de homicídios, que possuem outras diversas causas, como explica o especialista em Segurança Pública e autor do livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, Bene Barbosa.

Coloco aqui um dos trechos de uma entrevista concedida por Bene Barbosa à imprensa: “Não há qualquer evidência ou estudo conclusivo que indique que as restrições às armas e o desarmamento compulsório tem o poder de reduzir a criminalidade violenta. Muito pelo contrário, experiências práticas indicam um crescimento nos crimes violentos nesses casos. Um dos maiores exemplos disso é a Inglaterra e o livro “Violência e Armas: A Experiência Inglesa”, da Dra. Joyce Lee Malcolm, prova isso ao analisar mais de 500 anos de dados sobre criminalidade naquele país”.

Ele segue: “não, as armas não significam mais crimes. Até a ONU (Organização das Nações Unidas), que é a maior patrocinadora de legislações restritivas no mundo, já admitiu em um estudo de 2011, que não existe relação direta entre mais armas e mais homicídios. O Uruguai (o país mais armado da América Latina), possui a segunda menor taxa de homicídios da América do Sul. Ou como o Paraguai onde há pouquíssimas restrições, reduziu os homicídios e hoje têm a terceira menor taxa de homicídios em nosso subcontinente”, finalizou. 

Segundo a matéria de Mara Santos, os dados da PF revelam que dos registros de novas armas em 2020 no estado, 1.186, foram feitos por cidadãos comuns; 247 por servidores públicos, correspondente a porte por prerrogativa de função; 155 por empresas de segurança privada; e 7.186 foram feitos por órgãos públicos, sem taxas. Destes, 6.600 ocorreram no mês de setembro. Dentre os estados do Nordeste, Alagoas lidera na quantidade de aquisição de novas armas e é o segundo no total de registros expedidos, em 2020, atrás apenas da Bahia.

“Em todo o Brasil, os novos registros de armas bateram recorde da série histórica, que teve início em 2009. De janeiro a novembro deste ano, 168.019, já superaram todo o ano de 2019, que soma 94.064”, diz ainda a matéria.

Por essas e outras, indico ao caro (a) leitor (a) desse blog a leitura da nova obra de Bene Barbosa. Essa reúne uma série de artigos publicados na imprensa, inclusive boa parte deles aqui no CadaMinuto, quando Barbosa era um de nossos colunistas. O livro Sobre Armas, Leis e Loucos é composto por 101 artigos que abordam o tema por diversos prismas, com base em dados, estatísticas e apresentando fontes primárias da discussão, como nas análises das legislações vigentes sobre o assunto.

Bene Barbosa tem a coragem de colocar o dedo na ferida sem se importar com o politicamente correto, mostrando inclusive como o acesso às armas pode fazer parte de uma política de segurança sem substituir – evidentemente – o que é a segurança pública. A confusão mainstream ao abordar o assunto, que por vezes é proposital, é mais uma falácia que Bene Barbosa desmonta. A leitura de Bene Barbosa mostrará que o que ocorre em Alagoas não é uma coincidência.

Óbvio, Alagoas ainda está muito distante de números em patamares aceitáveis. As reduções ocorridas não trazem dados a serem comemorados, pois é preciso fazer muito mais. Preservar vidas é algo de extrema importância. Buscar uma sociedade com menos criminalidade deve ser uma constante que passa por uma série de fatores a serem discutidos, incluindo saber que bandido é bandido e não romantizar a bandidagem. Nesse sentido, a obra de Bene Barbosa – tanto o primeiro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, quanto esse de agora – é um tiro certeiro nas hipocrisias, falácias, sentimentalismo tóxico e discursos ideológicos.

Se Olívia Tenório diz que sua candidatura não é oposição ao Galba Netto, o que diferencia então os grupos?

  • Lula Vilar
  • 14/12/2020 10:19
  • Blog do Vilar
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Olívia Tenório

Caro (a) leitor (a), retorno agora das minhas férias e reinicio a fase de produção de textos nesse espaço. Assim, passei a reler notícias passadas para retomar as análises que aqui sempre publico. Entre essas leituras, me deparei com uma entrevista da vereadora eleita Olivia Tenório (MDB), que se lança na disputa pela presidência da Câmara Municipal de Maceió.

No próximo ano, teremos o início da gestão do prefeito eleito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), e de uma nova legislatura na Casa de Mário Guimarães. Natural que se observe a movimentação dessas forças políticas na capital alagoana. De um lado, o prefeito eleito assume diante de um sentimento de “mudança” no pensamento de gestão. Por si só, mudança é uma palavra vazia. O significado real a ser dado a ela dependerá das práticas adotadas em futuro próximo, quando se poderá realmente julgar se a mudança é algo para melhor ou para pior.

Do outro lado, há um “parlamento mirim” com novos nomes, ainda que com ligações de parentesco ou apadrinhamento político que apontam para a já tradicional política alagoana. Entre esses nomes, se encontra a emedebista Olívia Tenório. Seria injusto – de forma inicial – julgar Olívia Tenório pelo perfil do pai: o deputado estadual Francisco Tenório (PMN). É necessário que o mandato dela inicie para que saibamos de fato suas ações e pensamentos para que assim por esses seja julgada pelo eleitor que a elegeu e pelo eleitor de forma geral.

Jamais, portanto, farei isso. Temos inúmeros exemplos de políticos filhos de políticos que construíram marcas sólidas e diferentes de seus pais. O próprio prefeito eleito é um deles. A deputada estadual Cibele Moura (PSDB) também e por aí vai. Outros não, outros são a mera extensão da família na ocupação das cadeiras hereditárias, como foi o caso do relâmpago deputado estadual Givaldo Carimbinho, cujo “inho” definiu seu mandato. Mas, só o tempo revela quem é quem.

Na entrevista concedida, Olívia Tenório apresenta um perfil de quem se ligará às políticas de ações afirmativas e ao progressismo identitário que beira o politicamente correto e os aspectos ideológicos que marcam a chamada “new left”. O problema dessas pautas não são as injustiças que elas buscam corrigir, pois algumas são de fato injustiças reais, como preconceitos sofridos por grupos e outras violências visíveis no cotidiano. Logo, é mais do que justo que sejam debatidas de forma ampla na tentativa de melhorar a situação de muitas pessoas.

O problema se encontra – e não digo aqui que Olívia Tenório ache isso, pois sequer a conheço, mas falo de forma geral – em achar que tudo pode ser resolvido por força de lei, ampliando o poder coercitivo ao Estado e dando a esse ente ferramentas de controle extremadas para punir até mesmo o pensamento alheio, lembrando uma velha máxima que diz que “de boas intenções o inferno está cheio”.

Ou ainda utilizar-se de determinados coletivos para fins políticos que são meramente ideológicos ou puramente revolucionários, fingindo que se combate uma injustiça por meio do politicamente correto.

No mais, concordo com Olívia Tenório, quando – de outra forma – ela pontua que a Casa deve abrir espaço para todas as correntes de pensamento e ouvir todas as vozes, debater temas de maneira profunda antes de arquitetá-los em um projeto de lei. Por isso, sempre aconselho a todos os edis uma obra magistral: A Lei de Bastiat. Sou da turma que acredita que quanto menos leis um edil apresentar, maiores são as chances de termos menos aberrações e menores são as ameaças às liberdades individuais.

Chega dessa coisa de medir o trabalho de um parlamentar pela quantidade de projetos que ele apresenta, como se seu gabinete fosse uma fábrica. A qualidade do mandato vai estar também em outros eixos: a fiscalização dos recursos públicos e atos da administração pública, o debate plural das ideias dentro do plenário, a capacidade ativa das comissões internas da Casa no sentido de barrar leis absurdas, a promoção de revogação de legislações que já são obsoletas, inúteis ou que atrapalham o cidadão e a busca por ouvir as dificuldades dos diversos setores da sociedade para que se promova desentraves.

E todas – absolutamente todas! - essas funções dependem daquilo que Olívia Tenório promete em sua entrevista. Acredito eu (e pode ser um julgamento precipitado que faço em relação a todo que li do texto) que ela não percebe o quanto a independência do Poder Legislativo é importante para isso. Afinal, assim como mudança é um vocábulo até então vazio sem que a prática o defina exatamente, mostrando o que essa mudança é; o mesmo ocorre com a palavra “independência”. Independente de que? Independe de quem? Independente por qual razão? As respostas as essas perguntas dirão muito sobre a qualidade da Casa de Mário Guimarães no futuro.

A qualidade da Casa de Mário Guimarães no presente? Muito dinheiro gasto por muito pouca coisa que vale realmente a pena. A Casa hoje é um deserto de ideias sendo atravessado por uma tartaruga manca…

Mas, seguindo...

É natural – evidentemente – que haja dentro do parlamento mirim a situação, a oposição e a postura mais independente. É do jogo democrático e o prefeito eleito buscará de forma legítima construir e ampliar a bancada sempre. Porém, nenhuma dessas três forças dentro do parlamento pode afundar na subserviência. Infelizmente é comum, e Maceió não é exceção, as câmaras municipais serem subserviente por meio de um jogo de toma lá dá cá, que envolve cargos, secretarias e, no caso da capital alagoana, até mesmo postos de Saúde.

A independência está ligada ao bom combate e à capacidade de se manter firme diante de determinadas propostas. Além disso, na forma de uma futura Mesa Diretora agir de maneira tal que garanta ampla fala às correntes de oposição sem retaliações como travamento de projetos ou isolamento por pressão. Em muitos legislativos isso ocorre. Se Olívia Tenório é a candidata da independência – como afirma ser – resta saber se estará pronta para o desafio. E isso não tem a ver com idade, mas com firmeza de princípios para assumir a missão a qual se propõe.

Nesse sentido, o (a) candidato (a) da independência na Câmara Municipal de Maceió será aquele que for o candidato da Câmara e não de grupos externos que adoram se envolver no processo. Dentre esses, o mais óbvio é o Executivo. Não depende de Olívia Tenório, nem de qualquer outro vereador, ter uma candidatura independente, mas depende sim de um grupo que assuma o compromisso de comandar a Mesa Diretora em prol dos interesses legítimos do parlamento, mantendo uma relação harmoniosa com o Executivo e dispensando mecanismos (que existem!) que podem levar a uma submissão.

Sem isso, é mera disputa de poder na qual quem for lançado como nome à presidência será – na expressão vulgar - “rainha da Inglaterra”.

Por exemplo, eis um compromisso interessante: um grupo de vereadores que assuma o compromisso de criar meios de não existir mais o loteamento dos postos de Saúde.

É válido ressaltar, e Olívia Tenório fez isso muito bem na entrevista, que independência não é oposição. Portanto, obviamente, a Casa não pode ser contrária ao prefeito eleito. Ela tem que ter o poder de análise de todas as matérias com base nessa independência para que seu conjunto – com divergências pontuais ou concordâncias unânimes – aprove o que julgar bom para Maceió e rejeite o que julgar ruim para o município. Isso seria o ideal. Concordo com Tenório nesse ponto.

Na entrevista de Olívia Tenório, concedida ao Portal Cada Minuto, ela fala em fortalecer o Legislativo, mas necessita de uma pauta mais concreta e a necessidade de colocar o pingo nos is para não se resumir a clichês e slogans, pois a entrevista, na maioria das vezes, foi apenas isso e nada mais que isso.

Afinal, se hoje há dois grupos na disputa pela presidência da Câmara de Maceió, e Tenório se diz na posição de independência, sendo esse o fator que motiva a sua candidatura, é de legítimo entendimento para qualquer um que, o grupo do qual ela faz parte, julga que a candidatura de Galba Netto (MDB) é o contrário disso, sendo ele o candidato que deixaria a Casa de Mário Guimarães mais próxima da subserviência às vontades do Executivo.

Que Olívia Tenório – portanto – não seja oposição ao JHC é compreensível. Como já explicado, tornar a Casa mais independente não é fazer oposição ao Executivo, mas buscar fortalecer a posição do Legislativo. Agora que Olívia Tenório se lance nessa missão, entenda que essa é a posição de seu grupo, e diga que não é – ao menos nesse momento – oposição ao Galba Netto significa ao mesmo tempo dizer que as candidaturas postas são iguais. Olívia Tenório não compreende que ela só é uma opção a mais se ela for diferente da opção já existente? Posições diferentes caracterizam polos opostos, ainda que de forma momentânea e pelo contexto posto. Se os dois grupos que disputam o poder não são oposições de pensamento que sentido faria candidatura?

Nas redes sociais, Collor diz que Arthur Lira é excelente nome para o governo em 2022

  • Lula Vilar
  • 30/11/2020 13:05
  • Blog do Vilar
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Senador Fernando Collor

O senador Fernando Collor de Mello (PROS) é um político do grupo do “eu sozinho”.  Em sua primeira eleição ao Senado Federal, surgiu como uma surpresa contra a candidatura do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), pelo pequeno PRTB. Assim, teve êxito, em uma eleição onde estava em disputa apenas uma cadeira das três da bancada alagoana no Senado Federal.

Naquela eleição, Collor fez seu próprio pseudo-grupo.  Pseudo porque tudo era montado para Collor ressurgir... Não havia candidato ao governo com apoio de Collor ali, havia um nome qualquer para justificar a chapa.

Desde então, Collor tem articulado sozinho para manter o seu espaço, o que já o fez de mudar de partido algumas vezes passando pelo PTB, pelo PTC até chegar ao PROS, que é onde se encontra atualmente. Quando achou que o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) era candidato ao Senado Federal (o que não se confirmou), Collor se fez o maior opositor de Vilela e endureceu o discurso contra o governador.

Assim, se aproximou do MDB de Calheiros e concorreu ao Senado Federal com o apoio do governador Renan Filho (MDB). Fernando Collor era o senador da chapa. Obteve êxito pela segunda vez e ainda teve o caminho facilitado pela desistência de Vilela de concorrer na disputa. 

A cada eleição – portanto – Fernando Collor de reinventa: já foi aliado de primeira ordem de Lula e Dilma Rousseff – ambos do PT – quando tentou voltar ao governo estadual; votou pelo impeachment; deu declarações dúbias a respeito do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) etc. A roupa da personagem que Collor veste depende das circunstâncias política.

Agora, Fernando Collor de Mello é o “descolado” das redes sociais. Desta forma, vai refazendo a sua imagem rumo às eleições de 2022. O foco de Collor – como ele mesmo responde aos internautas – é a reeleição ao Senado Federal. E aí, o senador do PROS avalia que seu maior rival é o governador Renan Filho. 

Eis aí a estratégia de Collor, se refazer com um bom marketing (como sempre fez), se enquadrar no contexto e nas circunstâncias e soltar frases e avaliações que pareçam espontâneas, mas que estão dentro de um tabuleiro de xadrez, no qual elogiar alguém é – ao mesmo tempo – alfinetar o seu principal rival. Porque, no bloco de Carnaval de Collor, no final das contas, só cabe ele. Então, a cada eleição ele compõe suas marchinhas no seguinte ritmo: o inimigo do meu inimigo pode ser meu amigo. 

Isso motiva Collor a fazer afagos no prefeito eleito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), e na mesma tuitada alfineta o seu rival. 

É isso que fez Collor responder – no Instagram – que o deputado federal Arthur Lira (PP) é um excelente quadro para disputar o governo do Estado de Alagoas, ao ser indagado por um internauta. A dúvida é saber se o verdadeiro Collor, aquele que se encontra com o insubordinável do seu próprio ser quando não qualquer holofote por perto, tem a mesma opinião do “tio descolado” das redes sociais e em dia com a pós-modernidade. 

Claro, as opiniões do ser podem coincidir com as do personagem, mas nunca é demais lembrar: o Arthur Lira de agora pode ser o Renan Filho do passado para Collor, alguém que lhe possibilite o espaço de sua sobrevivência diante do rival que o ameaça.

É Collor sendo nada mais nada menos que Collor, o político cirurgicamente "prafrentex"

JHC terá imensos desafios pela frente: uma cidade sem capacidade de investimentos

  • Lula Vilar
  • 30/11/2020 09:39
  • Blog do Vilar
Foto: Tiago Logan/CM
Prefeito eleito, JHC

O prefeito eleito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), terá imensos desafios pela frente na condução dos destinos da capital alagoana pelos próximos quatro anos. Independente do que pense como projeto para o Executivo municipal, Maceió terá uma realidade agravada pela crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. A queda na receita aliada a uma já baixa capacidade de investimentos torna o município ainda mais dependente do governo federal. 

Isso por si só requer pensar em Reforma Administrativa, na questão previdenciária e na lista de prioridades em relação às obras a serem feitas para que se garantam recursos aos serviços públicos que necessitam de melhoria na oferta. Eis a equação do próximo prefeito. 

Construir pontes, nesse caso, é fundamental para criar uma boa interlocução com os demais poderes, desarmando palanques – no caso do governo estadual, que é comandado por Renan Filho (MDB) – e tendo a articulação com a União apresentando bons projetos, que só sairão do papel por meio de parceria, gostemos ou não dos governos eleitos. 

Evidentemente, esses pontos não dependem apenas do prefeito eleito, pois é necessário que Renan Filho também desarme esse palanque, em função da maneira como se envolveu diretamente na campanha de Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB). 

O processo eleitoral acirrado provocou ranhuras e modifica o cenário para a disputa de 2022, mas é preciso que, do ponto de vista da administração, esses grupos políticos saibam separar as coisas e tudo seja discutido em seu tempo, para que a população não seja a maior penalizada, sobretudo os mais vulneráveis. A mensagem de reconhecimento de derrota por parte de Alfredo Gaspar de Mendonça – ainda no dia de ontem – aponta nesse sentido: o da pacificação do ambiente para dar início a uma transição que envolve grupos políticos rivais. 

Mas esse é só o ponto inicial. 

A realidade que se impõe vai cobrar de JHC a capacidade de criar em Maceió um bom ambiente de negócios para geração de emprego e renda, e estímulo ao empreendedorismo e ao pequeno e médio negócio. Afinal, a capital alagoana está em um Estado que tem uma das maiores taxas de desocupação do país: 20%. 

O prefeito – pela competência da esfera administrativa e dentro do pacto federativo que temos – pode pouco, mas ainda assim pode promover a desburocratização, a desregulação de setores de menor risco, saber lidar com o mercado informal que cresceu sem perseguições, mas entendendo a necessidade da população que nele se encontra. É preciso o chefe do Executivo municipal ser parceiro das novas tecnologias que estimulam o empreendedorismo, como ocorre no setor de transportes e serviços. Além disso, rever o Plano Diretor da cidade, diante de problemas que impactam em vários campos: da habitação à economia.

Fortalecer o segundo setor é prioritário, atrair novos players ao mercado também. Além disso, fazer mais com menos. Nesse sentido, nasce a necessidade de uma profunda reforma administrativa que reduza significativamente o custeio com as “atividades-meio” para melhorar a prestação de serviços à população e manter a máquina sem elevar impostos, tornando possível criar atrativos para que a capital alagoana se torne competitiva aos olhos do Brasil e o do mundo. 

JHC deve ainda evitar promessas mirabolantes e ilusórias que não dependem apenas da vontade da administração municipal. Por conta dessas promessas, Rui Palmeira – por exemplo – deixará a administração sem cumprir o De Frente Pra Lagoa, que seria o início da revitalização da orla lagunar. Os recursos a serem garantidos eram federais. JHC tem, em casa, um exemplo disso: o engajamento do ex-deputado federal João Caldas, pai do prefeito eleito, na vinda do utópico estaleiro de Alagoas. Um projeto que foi um futuro que não veio e depois descobrimos bem as razões de não ter vindo...

Um desafio maior ainda de JHC é lidar com uma Prefeitura que não terá o aval da União para empréstimos em função da atual situação financeira, como já detalhou a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismos (Fecomércio/AL), ao descrever essa realidade. A tarefa do novo prefeito é – portanto – hercúlea. 

Vale ressaltar que, paralelamente a tudo isso, cai no colo de JHC a questão dos bairros que estão enfrentando graves problemas por conta das atividades de mineração da Braskem. É preciso um projeto para aquelas áreas da cidade, é preciso foco nas pessoas que lá se encontravam ou ainda se encontram, mas, acima de tudo, é preciso de um diagnóstico mais preciso sobre o que realmente acontece nessas regiões, inclusive com as possíveis projeções de futuro. Os diagnósticos até aqui, apesar de reconhecerem o problema e atestarem as relocações, não vislumbram ainda um projeto de futuro para reinserir essas áreas – da forma possível – dentro da cidade. Trata-se de uma das maiores tragédias urbanas enfrentadas no Brasil. 

São tantos os problemas nas mãos de JHC que seu primeiro discurso, depois de eleito, falando em concursos públicos e auditorias passam longe das prioridades. Não significa dizer que não são pontos importantes. Todavia, concursos dependerão da capacidade do município e não simplesmente do desejo do prefeito eleito. Eis aí algo que os números concretos podem atropelar a promessa de JHC, ainda mais diante das incertezas para 2021. E as auditorias devem ser obrigação de uma equipe de transição que busque a total verdade sobre o que vai ser administrado em breve. É o dever de casa, digamos assim. 

Em debates, ao falar da administração, JHC se comprometeu com a desburocratização. Então, que possa tirar da cabeça a ideia de criar um órgão específico para o caso de obras paralisadas etc. Atribua essas questões às pastas correspondentes, sem criar novas estruturas. O momento exige fazer mais com menos, enxugar a máquina e buscar nomeações que, apesar de políticas (critérios legítimos), sejam também técnicas. E aí, caro leitor, não se engane: o prefeito terá que ter coragem de colocar de escanteio alguns aliados que só visam o espaço político e que rompem fácil com que não estende a mão, vide história política do vice-prefeito Ronaldo Lessa (PDT), que já passeou pelos grupos de todos os adversários políticos de JHC. É aquela velha esquerda mofada e de pensamento retrógrado capaz de ainda ostentar quadros do Che Guevara para fingir ideais românticos. Ela chega à Prefeitura com JHC. 

Por fim, JHC deve sim comemorar sua vitória que é legítima. Natural a euforia do momento após uma campanha vitoriosa. O trabalho – entretanto – começa agora. E mesmo já tendo eu criticado as duas campanhas, os aliados de um estamento camaleônico que ambas trazem e ter afirmado que não vejo o “novo” o a “verdadeira mudança” em lugar algum do que foi o segundo turno, desejo sorte ao futuro prefeito e que ele possa contribuir com a cidade nos próximos quatro anos e que, em 2024, tenhamos um município melhor, mesmo diante dos desafios aqui listado. Diga-se de passagem: não são todos. 

Gaspar sobre caso Braskem: “Eu não posso me responsabilizar pela prefeitura e governo do Estado, pois a gestão não é minha”

  • Lula Vilar
  • 26/11/2020 09:55
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução
Alfredo Gaspar e JHC

A responsabilidade da Braskem em relação ao afundamento do solo de bairros de Maceió e as ações adotadas pelo Ministério Público Estadual, na gestão do ex-procurador e candidato a prefeito da capital alagoana, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB), estão na berlinda da campanha política desse ano. Natural. Afinal, é um dos mais graves problemas enfrentados pelo município.

Primeiro: há ainda uma falta de perspectiva tanto em relação ao que será da região afetada, que é uma significativa área de Maceió, como há preocupação por parte dos moradores, inclusive com questionamentos justo sobre as indenizações e os acordos firmados em bloco. As perdas vão além das questões materiais. Segundo: muitos políticos – até mesmo aqueles que queriam ser políticos – se envolveram no processo. Uns de forma sincera, outros buscando holofotes e simplesmente politizando o caso em busca dos dividendos. Aí, é a população que julgue.

É fato – por exemplo – que o candidato e deputado federal João Henrique Caldas, JHC (PSB), no passado elogiou o acordo firmado envolvendo os órgãos ministeriais e tentou se posicionar como parte. Colocou-se, inclusive, como peça importante para a concretização desse acordo e foi repudiado, ainda que indiretamente, nota assinada pelas instituições que firmaram o acordo. No entanto, JHC esteve sim presente na Comissão Externa para avaliar a situação. Porém, não foi o “pai” da criança.

Agora, JHC modifica o tom de seu discurso porque seu adversário esteve na liderança desse processo. Afinal, tenta se colocar bem diante de um sentimento compreensível e justo: é justo também, por parte de quem sofre a situação na pele, questionar os valores da indenização, a forma como tudo se deu etc. Como disse, as perdas são imensas para essas pessoas. Perderam suas residências, sofreram com perdas que o vil metal não consegue mensurar.

Por qual razão JHC não questionou esse acordo de forma enfática anteriormente? Só agora?

Fazer esses questionamentos ao candidato do PSB não significa dizer que não há o que ser questionado em relação ao emedebista. Há sim. Principalmente diante de suas recentes declarações, em que busca se afastar das medidas tomadas pelo prefeito e pelo governador. Ora, essas gestões – de fato – não eram de Gaspar de Mendonça. Mas ele era o chefe do MP e se sentiu que prefeito e governador agiram errado ou se omitiram, tinha caneta em mãos para agir.

A exposição polêmica do tema levou o candidato Alfredo Gaspar de Mendonça a se pronunciar nas redes. Na declaração de Gaspar de Mendonça, uma sentença chama a atenção: ele – ainda que não faça juízo de valor – se afasta, como já dito, das decisões que foram tomadas pelos seus aliados de agora: o prefeito Rui Palmeira (sem partido) e o governador Renan Filho (MDB). Isso traduz uma dificuldade presente na campanha do emedebista: trazer o bônus do apoio das duas máquinas públicas, pois isso existe; mas se distanciar ao máximo do ônus, pois é natural que governador Renan Filho (MDB) e prefeito Rui Palmeira (sem partido) tenham as suas rejeições.

É o xadrez que Alfredo Gaspar tem que jogar. Estratégia legítima da política. Tanto que JHC engoliu Ronaldo Lessa e o PDT por conta de uma conjuntura nacional imposta pela aliança com o presidenciável Ciro Gomes e teve também que lidar com isso. Lessa não era o vice dos sonhos.

Voltando ao caso.

Alfredo Gaspar de Mendonça pontua: “tenho muito orgulho de ser o primeiro a responsabilizar a mineradora (Braskem) em R$ 6,7 bilhões de reais, exigindo a reparação pelos danos causados a cidade de Maceió e a todas as pessoas atingidas. Eu não tenho o pecado da omissão, o que eu fiz foi apontar o erro quando muita gente tirou o corpo fora. Essa é uma tragédia que não pode ser explorada politicamente”.

Nisso, estou de acordo com Gaspar de Mendonça.

Porém, o emedebista segue: “eu não posso me responsabilizar pela prefeitura e o governo do Estado, pois a gestão não é minha. Eu me responsabilizo pela minha gestão no MP onde eu tive a coragem de enfrentar a Braskem, quando todos, ou quase todos, me abandonaram”.

É essa segunda parte que chama atenção por alguns motivos que levam aos questionamentos que ressaltei anteriormente. Primeiro: quando Gaspar de Mendonça diz que todos – ou quase todos – o abandonaram, dentro desse “todos” estaria a Prefeitura de Maceió e o Governo do Estado, em sua visão? Gaspar, de fato, não pode se responsabilizar por essas gestões, mas – enquanto político que agora é – deveria ter, já que citou, uma análise sobre as ações de seus aliados naquele momento. Ainda mais porque, naquele momento, ele era procurador e poderia ter usado de seu peso para provocar as administrações. Vale lembrar, e o Google está aí para isso, que Prefeitura e Executivo estadual trocaram farpas em relação às medidas adotadas no caso, politizando também o processo na época.

É que Rui Palmeira e Renan Filho eram adversários políticos.

Gaspar de Mendonça, pergunto eu, em sua opinião Rui Palmeira e Renan Filho acertaram ao lidar com o caso em Maceió? Seria justo uma avaliação sobre os seus aliados, ainda que essas gestões não sejam de sua responsabilidade. De fato não é. Porém, a avaliação de agora reforçaria a independência que o senhor sempre buscou ter. Afinal, é possível questionar pontos do acordo construído, mas não se pode alegar omissão por parte do Ministério Público. O órgão atuou. Todavia, é cabível sim, a partir da fala do emedebista, querer saber dele a opinião sobre a atuação das gestões dos Executivos envolvidos. Assim, saberemos se cabia algo mais que ele poderia ter feito ou não enquanto procurador. Simples assim. É o ônus da nova posição de Alfredo Gaspar.

Reitero: MP pode chamar os gestores às suas responsabilidades diante de omissões e ações erradas. Na época, eles agiram certo, agiram errado ou se omitiram? Uma das funções do MP é estar sempre atento a isso. Perguntar não ofende.

No entanto, fazer essas indagações à fala de Gaspar de Mendonça não é isentar João Henrique Caldas de suas falas em campanha. Quando o candidato do PSB parte para cima do procurador criticando o acordo firmado, ele finge esquecer o que disse antes sobre a construção dessa via, inclusive elogiando o acordo.

Em suas redes sociais, na época, JHC pontuou ser um dos responsáveis pelo acordo firmado por ter atuado junto à Comissão Externa do Afundamento do Solo em Maceió. Inclusive, também naquele momento, os órgãos que costuraram o acordo o criticaram, por meio de nota, ainda que indiretamente: “atos políticos que buscam (buscaram) autopromoção envolvendo o Termo de Acordo para Apoio na Desocupação de Áreas de Risco”, era o escrito.

É real que JHC – assim como outros políticos (Rodrigo Cunha (PSDB), Marx Beltrão (PSD), dentre tantos) – defenderam o acordo como o melhor caminho para se ter urgência na reparação de danos dos moradores que corriam riscos nos bairros do Bebedouro, Pinheiro, Bom Parto e Mutange.

Agora, entretanto, diante da necessidade de politizar o caso em uma eleição, JHC fala “meias-verdades” para atacar o adversário e Alfredo Gaspar de Mendonça busca se reposicionar aproveitando para destacar a independência, mas essa independência só seria completa diante de uma avaliação completa sobre as ações dos atuais aliados e com a revelação de quem são os “quase todos” que o abandonaram.

Assim é a política. Como canta o compositor Humberto Gessinger em uma de suas músicas: “o principal fica fora do resumo”. O resumo é feito de frases comedidas, estratégias, que ressaltem o colorido que interesse no momento.

Após o apoio dos “Mouras” a JHC, superintendente da SMTT sai do cargo agradecendo a Rui

  • 23/11/2020 10:59
  • Blog do Vilar
Secom/Maceió/Arquivo
Antônio Moura

Não é segredo o apoio da família Moura – em especial o prefeito eleito de Paripueira, Abraão Moura e a deputada estadual Cibele Moura – ao candidato à Prefeitura de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB). O grupo político tinha cargos na administração Rui Palmeira, sendo o de maior destaque o ex-superintendente Municipal de Transporte e Trânsito, Antônio Moura.

No primeiro turno, Cibele Moura optou pelo apoio explícito ao deputado estadual Davi Davino (Progressistas), que ficou no terceiro lugar na disputa. Com o resultado, ela seguiu com a família e já se encontra em plena campanha, ao lado de JHC em trios elétricos e outras atividades de campanha.

Como é natural do processo político acirrado, com o anúncio do apoio a JHC, os cargos foram exonerados. A jornalista Vanessa Alencar já tratou disso em seu blog, aqui no CadaMinuto. Agora, o ex-superintendente de Transporte e Trânsito se despediu do cargo em suas redes sociais, como já era esperado.

Antônio Moura  foi extremamente elegante na despedida. Ele saiu da pasta agradecendo ao prefeito Rui Palmeira (sem partido) e falou em “mais um clico” fechado. Moura não levou a política para o discurso e não mostrou ranhuras, deixando claro – a meu ver – uma maturidade ao entender o processo. Dizer isso nada tem a ver com analisar o tempo passado na SMTT. Isso é outra história.

O fato é que o superintendente fugiu da polêmica. Em um trecho, ele diz o seguinte: “Hoje se fecha mais um ciclo na minha vida. Entrei na Prefeitura de Maceió em 2013, e desde o meu primeiro dia de trabalho fiz todo o possível para merecer e retribuir a oportunidade a qual me foi dada, a confiança em mim depositada e o carinho com o qual fui recebido. Lá passei por quatro secretarias, onde fiz amigos, amadureci, acertei, errei, aprendi e cresci, pessoal e profissionalmente. Pessoas e momentos os quais levarei comigo pelo resto da minha vida, onde quer que eu esteja. Serei sempre grato a todos com os quais eu tive a oportunidade de trabalhar ; e para aqueles com quem eu possa ter errado em algum momento dessa jornada, o meu sincero pedido de desculpas. Tudo acontece no seu tempo, portanto saio de cabeça erguida, com o sentimento de dever cumprido e a certeza de que sempre fiz o meu melhor”.

Antônio Moura ainda disse nutrir por Rui Palmeira “respeito e gratidão eternos”. “Ao vice-prefeito, Marcelo Palmeira, o meu agradecimento pelo apoio em todos os momentos, especialmente nos mais difíceis”, complementou. Moura foi um dos homens de confiança do prefeito, ocupando vários cargos na administração, como Esporte e Lazer, Comarhp, Meio Ambiente. O superintendente finalizou dizendo que “agora é hora descansar um pouco, ficar perto da família, cuidar da saúde e me preparar para novos caminhos e novos desafios”.

No segundo turno de Maceió, a palavra “mudança” não faz muito sentido…

  • Lula Vilar
  • 23/11/2020 10:37
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução / Internet
Eleições 2020

A palavra “mudança” tem sido vulgarizada nesse pleito eleitoral. Se há um vocábulo que nenhum dos dois grupos políticos que chegaram ao segundo turno podem usar é esse: mudança. O motivo para isso é bastante simples: todos possuem ligações com o que há de mais velho e tradicional na política alagoana, incluindo os seus fisiologismos. É certo que cada eleição tem seu contexto e cada contexto força a uma narrativa, mas usar o termo mudança, novidade ou qualquer outro semelhante é só narrativa mesmo.

Afinal, esmiuçando os grupos o que mais se vê é quem pula de lado conforme as circunstâncias, vide o que acontece com Ronaldo Lessa, que passeou por quase todas as alianças possíveis nas disputas eleitorais.

O fato é que quando se coloca um frio olhar racional sobre as forças políticas que formam os blocos de João Henrique Caldas, o JHC (PSB), e de Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB), o que se tem são políticos que sempre transitaram pelos mais diversos governos e ambientes de Alagoas, inclusive se cruzando em determinados momentos da recente história política. As semelhanças com as quais o eleitor se depara justifica o acirramento, bem como uma possível abstenção alta que pode definir o segundo turno.

É válido lembrar que no primeiro turno, o número de eleitos que se abstiveram do processo é maior do que a votação obtida por Alfredo Gaspar, que venceu essa etapa inicial. Consequentemente, também é maior do que a de JHC. Some-se a isso o número de brancos e nulos – que não entra na conta dos válidos – e verás parcela do eleitorado que simplesmente rejeitou essas opções postas. O pleito eleitoral de Alagoas não traz novidades.

Agora, se olharmos apenas para os candidatos, a análise pode ser outra. Alfredo Gaspar nunca havia sido “testado” em uma eleição. Logo, tinha consigo a imagem de um “outsider” com méritos, como o bom comando da pasta da Segurança Pública no governo de Renan Filho (MDB). De fato, Gaspar – ainda que não pudesse ter sido secretário – conseguiu bons dados em um momento crucial, em que o combate à criminalidade era uma necessidade.

O trabalho dele teve reconhecimento por significativa parte da sociedade. Alfredo Gaspar já demonstrava – nas discussões pré-eleitorais de 2018 – vontade de partir para a política e tinha capital para tanto. Se teria votos ou não, aí foi uma incógnita que já não pode ser resolvida, mas tinha apelo popular para incomodar os caciques. O contexto aqui é outro e colocou Alfredo Gaspar ao lado dos caciques que, anteriormente, se incomodavam com o seu nome.

Alfredo Gaspar perdeu muito do discurso ao se aliar as duas máquinas públicas. Pois o que trazia de novidade foi ofuscado pela continuidade das gestões que o apoiam. O desafio para Alfredo Gaspar passou a ser frisar a sua autonomia, principalmente para uma parcela de público que o apoiou, mas que rejeita Renan Filho, o senador Renan Calheiros e o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (sem partido).

Apesar de Renan Filho e Rui terem boa avaliação – conforme as recentes pesquisas de opinião – possuem rejeição também. É natural. Alfredo Gaspar passou a ter o ônus e o bônus disso. Teve o desafio de não perder a identidade da mudança, mas falar dos apoios recebidos justificando os atos desses governos. Daí o slogan: o que está bom será mantido, mas o que não está, mudará. Assim, resgatar um tipo de eleitor e também conquistar o outro. Buscar a melhor soma entre perdas e ganhos.

No bloco de Alfredo Gaspar, há os fisiológicos, mas há também os que possuem posturas um tanto quanto progressistas, como as defendidas por Maurício Quintella Lessa (secretário estadual de Infraestrutura) e isso trouxe dúvidas para um eleitor de direita e centro-direita que caminhava – anteriormente – mais ao lado de Alfredo Gaspar que do lado de JHC. Pela votação obtida por Josan Leite (Patriotas) no primeiro turno, eis que pode ser um eleitor a fazer diferença. JHC sabe disso e, por essa razão, assinou uma carta de compromisso com o movimento Pró-Vida, que tem o perfil mais à direita e com a presença de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. A briga é por votos.

Alfredo Gaspar – dentro desse eleitorado – conseguiu o apoio do Movimento Brasil (MBR) nos últimos dias. Uma verdade seja dita: pelo histórico pessoal, Alfredo Gaspar tem mais proximidade com os ideais desses grupos do que JHC, que se encontra em um partido socialista: o PSB. O candidato do PSB também tem como vice um esquerdista: Ronaldo Lessa (PDT). Fora isso, há o apoio – ainda que escondido – do ex-deputado federal João Caldas, que se envolveu em escândalos nacionais.

Esquerda e Direita são termos que não entram tanto em uma eleição municipal, pois ela foca mais na zeladoria de uma cidade. No entanto, em um país polarizado, tal discussão pode sim fazer diferença.

JHC investe mais – por ser a oposição às máquinas públicas – na palavra mudança. Todavia, esse discurso também tem peso para ele. Não é uma mudança tão grande assim. Ao lado do deputado federal que quer ser prefeito está, por exemplo, Ronaldo Lessa que trouxe a esquerda alagoana ao poder quando foi prefeito e governador do Estado. Lessa – em momentos bem recentes – esteve ao lado de Renan Filho, sendo homem de confiança dos Calheiros na organização da chapa que o elegeu deputado federal.

Além disso, disputou o governo do Estado com o apoio de Renan Calheiros e de Renan Filho, quando esse se elegeu deputado federal. Além de Lessa, houve a presença de Kátia Born e de outros nomes. Na busca pelo eleitor de direita, JHC também enfrenta contradições. Evita assumir que seu palanque faz parte de um projeto nacional que tem o apoio declarado de Ciro Gomes, que falou na semana passada da importância de elegê-lo em Maceió. JHC tenta demonstra a boa relação com o governo federal de Jair Bolsonaro (sem partido). Ele evita a polarização para transitar em todo o eleitorado. Do ponto de vista político, é uma estratégia.

JHC também angariou apoio de dois bolsonaristas: mantém o deputado estadual Cabo Bebeto (PTC) ao seu lado e trouxe um dos líderes do PSL, Flávio Moreno, que foi candidato a vereador se apoiando na imagem do presidente da República.

O fato é que, para os dois lados, cada voto é importante. Então, se evita a polêmica de se posicionar claramente em um espectro político, misturando alhos e bugalhos nas duas chapas. A exceção, pela primeira vez no pleito, foi Alfredo Gaspar ter atacado a “esquerda radical” no debate da TV Pajuçara. O resultado disso? Talvez as pesquisas possam medir. JHC não foi para esse debate apresentando a desculpa esfarrapada de que o evento seria uma “arapuca”. O resultado disso? Talvez as pesquisas possam medir.

Diante desse resumo, caro eleitor (a), o que vemos é o seguinte: do ponto de vista pessoal, candidatos que possuem méritos e defeitos. Alfredo Gaspar carrega méritos da pasta de Segurança Pública, do destaque nacional que teve no grupo de enfrentamento ao crime organizado, dentre outros. JHC – por exemplo – teve uma boa atuação na Assembleia Legislativa, quando bateu forte na Casa de Tavares Bastos ao revelar uma “caixa-preta” de supostos desvios de recursos.

Para o eleitor de direita, não é uma escolha fácil. Para o eleitor de esquerda, também não. Pois se for honesto com o que acredita e defende, verá que em ambos os lados há o que rejeita. Para o eleitor que não leva em consideração esses espectros, nos dois grupos há o que mereça críticas e cobranças. Os mais apaixonados – de um lado e do outro – evidentemente não verão isso, verão apenas as suas paixões. O fato é que a eleição é acirrada tanto pelas características positivas dos dois lados quanto pelas negativas. Maceió chegou ao segundo turno sem novidades...

Resumo do debate: entre clichês, generalidades e fujões, eis um deserto de ideias

  • Lula Vilar
  • 11/11/2020 11:22
  • Blog do Vilar
Foto: Polyana Lima / Acta
Debate ACTA

Antes de qualquer consideração a respeito das participações dos candidatos à Prefeitura de Maceió no debate de ontem, é preciso fazer o seguinte registro: a iniciativa do Acta – que realizou o evento – merece todos os elogios por um simples motivo: a coragem e o pioneirismo.

Isso mostra que é possível jornalistas empreenderem no mercado, com boas ideias, para além do tradicional formato dos veículos de comunicação hegemônicos. Dizer isso, independente da linha ideológica, editorial ou jornalística assumida por um veículo, mas reconhecer que – diante de novas ferramentas – é possível marcar posição e promover a pluralidade de ideias e conteúdo. 

O Acta firmou parcerias, buscou apoiadores, e concretizou uma iniciativa que o colocou marcando posição nesse processo eleitoral, diferente de muitos veículos de comunicação. Isso fez com que os candidatos tivessem tempo para – fora de suas estruturas de marketing – tentarem mostrar o que pensam e quem são. E isso em uma campanha eleitoral singular que foi marcada pela pouca oportunidade de debates. Independente das regras adotadas no debate pelo Acta e da forma como ele se deu (que podem sim ser alvo de críticas), o canal está de parabéns.

Particularmente, achei o formato cansativo, com um candidato apenas perguntando a todos por bloco. Porém, o pioneirismo tem dessas coisas: testar, errar, corrigir. Isso acontece com todos. Eu mesmo já errei muito em alguns projetos que encampei e não consegui levar adiante. Porém, todos os erros foram aprendizados para empreitadas futuras. Só não erra quem não faz.

A lição deixada pelo Acta, portanto, é um marco no jornalismo alagoano, pois mostra o potencial de muitas plataformas em ambiente virtual que ainda temem ousar e – por temerem – contribuem para uma hegemonia de mercado por parte de um ou dois veículos.

Torço, de coração, para que a turma do Acta colha os bons frutos das ousadias. Jornalismo tem tudo a ver com empreendedorismo. Essa sentença deve, inclusive, fazer parte das academias de jornalismo para que jovens estudantes da área não se limitem a serem apenas empregados, mas possam – com estudo, dedicação e compromisso com a busca pela verdade – deixarem suas marcas.

Dito isso, falarei aqui da participação dos candidatos, que é de única e exclusiva responsabilidade de cada um deles na forma como exerceram suas falas no tempo que foi concedido, assim como as impressões aqui descritas são de minha total responsabilidade. Quando lamento a capacidade de lidar com a lógica e a pobreza apresentada nos temas tratados por todos, sou eu quem falo. Assumo o risco de apontar o dedo na cara de cada um deles e dizer: que lamentável. Aos fujões, o apontamento ainda é mais grave: além de lamentável, mostraram covardia.

A sensação que fica – ao ouvir cada um dos presentes – é a seguinte: não sei quem ganhará essa eleição, mas temo que, independente do resultado, a grande derrotada seja Maceió, a bela capital alagoana. Todos os candidatos, sem exceção, fizeram um show de generalizações, bobagens, incapacidade de concluir um raciocínio lógico dentro do tempo previamente acordado, além do festival de clichês e slogans com propostas ao vento que não explicavam de onde viriam os recursos para suas execuções.

Os candidatos à Prefeitura de Maceió tinham, por exemplo, a obrigação de colocar os pés firmes no chão da realidade. Dentro do atual contexto, isso significa dizer que vão herdar uma cidade de orçamento totalmente comprometido, com pouquíssima capacidade de investimento (quem chegou mais perto de lembrar isso foi Corintho Campelo (PMN), mas ainda assim se deixando folclorizar), sem a possibilidade de ter a União como fiadora para empréstimos e totalmente dependente de repasses federais. Na prática, isso representa um futuro gestor que será um zelador de programas sociais. Logo, estamos diante de um cenário que requer do futuro prefeito a incrível capacidade de inovar para fazer mais com menos.

Nesse sentido, a cantinela sectária das esquerdas, ali representadas por Lenilda Luna (Unidade Popular), Valéria Correia (PSOL) e Cícero Filho (PCdoB), pouco informam. Soam mais com um mero “marcar de posição” contra o fascismo imaginário que só existe em suas cabeças. Afinal, qualquer historiador sério saberá que o fascismo se traduz pela presença ostensiva da força do estado querendo controlar cada aspecto da vida do cidadão.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode ter vários defeitos (e até tem) e falas desastrosas do próprio presidente (elas existem), mas não há no Brasil a implantação desse regime. É justamente por distribuir o vocábulo “fascismo” como se mero xingamento fosse que as esquerdas sectárias viraram a caricatura que viraram. Afinal, são as ideologias que motivam a existência desses partidos que ainda fazem afagos aos regimes comunistas e socialistas, que justamente pregam essa força estatal coercitiva e demonizam a iniciativa privada e as democracias liberais, como se essas fossem apenas “estratégias burguesas”. Mas não, eles não são fascistas. São comunistas ou socialistas. Dentro desses vocábulos, há também o rastro de sangue histórico, não é Stalin? Não é Fidel? Não é Che?

Eu preferi estar discutindo Maceió a ter que lembrar disso.

Esses discursos, portanto, nada dizem sobre Maceió e aquilo que precisa ser feito na gestão da cidade. É apenas demarcação de território. Os únicos candidatos dessas esquerdas que tentaram sair um pouco desses chavões foram Ricardo Barbosa (PT) e Cícero Filho (PCdoB). Justiça seja feita! Ainda assim, sem apresentar nada de novo e tergiversando quando questionado sobre as alianças com partidos políticos que dizem eles ser a direita, como é o caso do MDB do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho, que possui como candidato Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB). O PT e o PCdoB são aliados do MDB na esfera estadual.

Alfredo Gaspar não é um candidato de direita. Também não é de esquerda. Ele tenta se mostrar como alguém independente e pragmático para justificar as alianças políticas que fez com o prefeito Rui Palmeira (sem partido) e com Renan Filho. Gaspar de Mendonça soube aproveitar seu tempo com frases de efeito que miravam mais as “peças publicitárias” a serem feitas por seus marqueteiros, que já circulavam nas redes sociais antes mesmo do fim do debate, e para além disso foi pressionado a justificar as suas alianças, misturou alhos com bugalhos ao falar do Vida Nas Grotas e não soube ser objetivo quando indagado sobre o que a atual gestão de Rui Palmeira tinha de bom.

Além disso, as propostas de Gaspar de Mendonça eram promessas que não se aprofundavam sobre os meios de suas realizações, em parte por culpa do tempo, mas também por culpa da ausência de objetividade. E olhe que em algumas falas de Gaspar de Mendonça sobrou tempo. Logo, diante do cenário descrito acima, a questão principal é: como fazer? A única resposta de Alfredo Gaspar é “buscar parcerias”. Uma tentativa de explorar o bom trânsito com os Calheiros sem se comprometer. O discurso se torna, portanto, vazio.

Josan Leite sofreu do mesmo mal. E ainda chamou atenção pelo seguinte: o candidato que fez questão de colar a sua imagem a do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não conseguiu responder a altura às esquerdas (mesmo tendo as informações para isso) quando usaram contra ele a expressão “fascismo”. Josan Leite poderia ter – em poucos segundos – rebatido mostrando os efeitos práticos das ideologias de esquerda e até ter citado o esquema de corrupção monstruoso para o qual PT e seus aliados fecharam os olhos, mas – talvez por nervosismo – tentou se afastar dessa discussão e frisou que o assunto ali não era Bolsonaro, mas a Prefeitura de Maceió. É verdade. De certa forma, ele está certo. Porém, Josan Leite, Bolsonaro faz parte da sua campanha e seu eleitor reconhece isso. Sendo assim, se fosse enfático na defesa do presidente teria ganho pontos.

O mérito de Josan Leite foi ter citado os valores que o levam a defender Bolsonaro, mas ainda assim o fez de forma genérica e sem pontuar as pautas que elegeram o presidente e que poderiam ter reforçado seu próprio eleitorado. Não o fez. Pela dificuldade de lidar com pouco tempo, caiu no mesmo erro de Gaspar de Mendonça e, em alguns momentos, não conseguiu concluir o raciocínio sobre as propostas, ficando muitas delas no campo do generalismo. Durante a campanha, Leite pontou a necessidade de projetos para uma cidade inteligente. Poderia ter aprofundado o tema. Perdeu a oportunidade.

Corintho Campelo foi o elemento folclórico do debate. O candidato tentou criar até uma pegadinha que lhe servisse de escada, ao perguntar sobre a área de Maceió e sobre o orçamento. Bem, o primeiro é totalmente desimportante e o que Corintho Campelo queria era expor – por meio da pegadinha – que seus rivais políticos não conheciam o município. Fosse eu o seu rival, teria desmascarado isso. O segundo ponto é importante sim. É preciso que o prefeito futuro saiba qual é o orçamento da cidade que vai administrar e saber o percentual exato de sobra para investimentos para então saber como executar propostas.

Porém, Corintho Campelo padece do mal que cobra dos outros. Ele fala em uma inversão de pirâmide para distribuir mais recursos na base. A ideia por si só é louvável, mas Corintho Campelo sabe muito bem que a aplicação disso requer mudanças em diversas legislações, reestruturação com uma profunda reforma administrativa que passa pelo Legislativo, além da criação de cargos que não necessariamente poderão ser preenchidos por comissiondados, pois pode criar – da mesma forma – um clientelismo com lideranças políticas de bairros. O plano de governo apresentado por ele, portanto, merece ser questionado nesse sentido também: como fazer? Afinal, em alguns momentos, seu discurso soa puramente utópico.

Das esquerdas, chama atenção a dificuldade de Valéria Correia concluir um raciocínio. Os demais desse campo até possuem uma capacidade de articulação de fala e de ideias bem melhor, com destaque para Ricardo Barbosa e Cícero Filho (Lenilda Luna também se expressa bem, reconheço mesmo não concordando em nada com suas ideias).

Porém, saber melhor articular as ideias não significa estar com as ideias corretas. Sendo assim, o que se percebe nas entrelinhas é mais estatismo. E aí, cabe ao eleitor julgar se esse é o caminho ou não. Eu – e não é segredo para o meu leitor – discordo frontalmente desses, ainda mais em função dos erros cometidos por seus partidos sem que nunca tivesse havido um mea-culpa profundo, mas – ao contrário – cada vez mais sectarizados em função de uma ideologia que prega a tal “luta de classes”.

E aqui, caro leitor, é a minha análise. Você pode concordar ou não. O fato é que os candidatos foram – absolutamente todos – extremamente fracos no primeiro debate que se deu.

Porém, todos eles possuem um mérito que João Henrique Caldas, o JHC (PSB), Davi Davino Filho (PP) e Cícero Almeida (Democracia Cristã) não possuíram na noite de ontem: a coragem de encarar uma discussão de peito aberto. Não há desculpa crível que tire desse trio aí citado o rótulo de “fujão”. Fugiram.

Desrespeitaram um convite da democracia alegando agenda de campanha. É uma desculpa absurda, cínica e risível. Afinal, o debate estava previamente agendado e foi discutido com suas assessorias. JHC só mandou qualquer desculpa – conforme a organização do debate – durante a realização desse, o que mostra um completo desprezo. Mereceram todas as críticas feitas por seus adversários.

Davi Davino Filho – que tem um dos melhores marketing dessa campanha – merece um questionamento ainda mais específico justamente por isso: “Caro Davi Davino Filho, sem todo aquele aparato marqueteiro o que de fato você tem a dizer?”. JHC, que diz ser a verdadeira mudança, também poderia responder: “Como assim, aquele que tem a ‘Esquina da Verdade’ perde a oportunidade de passar a suposta verdade na cara dos demais?”. Nada mais orwelliano, em seu 1984, que assumir ser a verdade.

Já Almeida, que tem uma campanha sem recursos e cambaleante disse – em sabatina promovida pelo Movimento Brasil (MBR) – que não perderia uma oportunidade que lhe fosse concedida em virtude de ter pouco tempo para falar. Bem, no momento em que o Acta lhe daria tempo de sobra, Almeida alegou ter ficado preso em um compromisso de campanha. Acredita quem quiser…

O que ficou claro no debate do Acta? Quando o tempo é muito, os candidatos à Prefeitura de Maceió trafegam como tartarugas mancas em um deserto de ideias… Sentem-se mais confortáveis ao lado de robôs, ou com amigos da Assembleia Legislativa, ou andando de bicicleta, ou lutando contra o fascismo imaginário, ou relembrando de uma prefeitura biônica, ou em qualquer outro canto em que a realidade não os chamem de volta ao mundo dos terráqueos… Ou até mesmo alegando que compromissos diversos os impedem de faltar o debate. E aí, os faltosos na tentativa de não passar vergonha, passam uma vergonha maior ainda… Mas, talvez, isso nem faça diferença na urna.

PS: e as críticas que aqui faço não são pessoais (sempre bom lembrar). Tenho respeito pelos candidatos e com alguns até tenho bom diálogo, quando nos encontramos. Tenho até similaridade de pensamento político com Josan Leite e não escondo. Tenho discordância com as esquerdas, mas acho que é natural ter outras ideias no debate plural. Eu apenas lamento que o debate tenha sido tão pouco propositivo por culpa exclusiva de seus protagonistas. 

Luciano Barbosa paga o preço previsível por ter desafiado o MDB

  • Lula Vilar
  • 10/11/2020 10:23
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução / Internet
Luciano Barbosa

Longe das questões jurídicas, pois para essas é preciso mais conhecimento para se analisar o caso, é possível cravar, sem medo de errar, que o vice-governador Luciano Barbosa (ex-MDB) pagou o preço previsível por desafiar o clã que comanda o seu partido: o senador Renan Calheiro (MDB) e o governador Renan Filho (MDB). 

Todavia, longe de uma vítima das circunstâncias, Luciano Barbosa sempre soube – e não adianta fingir que não! – o que era a “cozinha” de seu partido. É lá, distante dos holofotes midiáticos, que o tabuleiro do xadrez político é temperado. Na política alagoana, o senador Renan Calheiros sempre foi um polvo de múltiplos tentáculos. Luciano Barbosa quis ficar fora do radar ao achar que poderia pilotar um supersônico. Resultado? Teve o teco-teco abatido.

O MDB, em Alagoas, sempre foi a vontade dos Calheiros, armando o tabuleiro propício com o objetivo de manutenção de poder de forma bem pragmática. Não é por acaso aquele discurso e “dilmês” em que Renan Calheiros dizia que o novo Renan estava conversando com o velho Renan. Bem, o novo e o velho Renan são paralelas que se cruzam no vértice do fisiologismo. 

Assim, a sigla se orgulha de seus prefeitos, de ter chegado ao Palácio República dos Palmares e de arquitetar, já agora, o cenário para 2022, quando o governador Renan Filho pretende disputar o Senado Federal.

Todavia, nessa construção havia uma pedra no meio do caminho. Essa pedra se chamava Luciano Barbosa, o vice-governador. Barbosa articulou – dentro da esfera municipal da legenda – sua candidatura à Prefeitura de Arapiraca, inclusive com o convencimento e aceitação do deputado estadual Ricardo Nezinho (MDB). 

Quando o senador Renan Calheiros – em entrevista recente – diz que foi pego de surpresa pelo desejo indomável de Luciano Barbosa querendo ser prefeito da segunda mais importante cidade do Estado de Alagoas, o senador emedebista mente. Todos os paralelepípedos de Arapiraca sabiam que Barbosa estava na disputa. A imprensa já havia tratado do assunto milhares de vezes. É ingenuidade acreditar que a condição de Barbosa escapasse aos olhos atentos do enxadrista-mor da política alagoana. 

O fato é que Luciano Barbosa encontrou as brechas no MDB e bancou. A “democracia calheirista” não perdoaria o que fugiu ao seu controle. Por maioria dos votos – dentro da instancia partidária – Luciano Barbosa foi expulso da legenda. E quem se oporia a Renan Calheiros correndo o risco de ser um novo Luciano Barbosa? O ex-deputado Ronaldo Medeiros e outros emedebistas? Não! Não são loucos. Afinal, há momentos em que Renan Calheiros faz inveja a uma personagem de Marlon Brando em um filme aí...

Porém, Luciano Barbosa fica longe de ser uma vítima das circunstâncias. Sempre soube do local onde fez sua trajetória política. Sempre soube das regras, sempre soube como os projetos são traçados e se submeteu a tudo isso quando era conveniente. Natural que o grupo lhe cobrasse a fidelidade, ainda mais estando ele na posição que se encontrava. Não é qualquer um que os Calheiros permitiriam chegar aonde chegou. Não mesmo! 

Quem trata de justiça ou injustiça nos fatos que se desdobraram é a Justiça Eleitoral. Não eu. Daí, nem comentar tecnicamente a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Particularmente, e falando apenas de política, até acho que o vice-governador levou uma rasteira em função dos interesses de 2022. Afinal, seria muito perigoso para o grupo político capitaneado pelo MDB permitir a chegada de seus rivais ao Palácio República dos Palmares no momento em que Renan Filho se lança candidato ao Senado. Porém, Luciano Barbosa leva a rasteira depois de ter hipotecado as próprias pernas. 

Todavia, voltando à condição de vice, Barbosa poderá – caso Renan Filho saia do governo para disputar o Senado – ser o Cavalo de Tróia da oposição ao MDB que, diga-se de passagem, sendo hoje liderada pelo deputado federal Arthur Lira (PP) acaba por se assemelhar à situação posta. Difícil saber qual dos dois grupos ganhará mais terreno nos próximos anos, mas é fácil fazer a previsão de quem mais vai perder: Alagoas!

Agora, sabe o que é interessante nesse caso? Se o candidato a prefeito de Maceió, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) for bom aluno, ele aprenderá as regras da escolinha na qual se matriculou por meio desse episódio. Entenderá Alfredo Gaspar que da turma do fundão até a primeira fila dos coleguinhas, se for hora da aula, é Renan Calheiros que tem a palmatória e, se for hora do recreio, é Renan Calheiros que tem o campo e a bola. Agora desafie...

Não significa dizer que eu não ache que Alfredo Gaspar vá buscar a sua independência. Eu acho que sim. Alfredo Gaspar não deixaria o Ministério Público Estadual se não ambicionasse (no bom sentido) ter sua própria marca na política. É óbvio que sim. Ele vai buscar se impor e administrar do seu jeito, caso seja eleito prefeito. O que estou afirmando é que, diante desses temperamentos, Alfredo Gaspar, caso almeje voos maiores em futuros próximos, vai ter que enfrentar as crises desse casamento, para usar uma metáfora bolsonariana...

A carta de Claudionior Araújo expõe a falência do PSDB de Alagoas: hoje, um coadjuvante nanico

  • Lula Vilar
  • 06/11/2020 10:27
  • Blog do Vilar

Desde o processo eleitoral de 2018 que afirmo que os tucanos alagoanos se tornaram os coveiros do PSDB de Alagoas, em especial o prefeito Rui Palmeira (ex-PSDB e agora sem partido) e o senador Rodrigo Cunha (PSDB). O primeiro deixou correr solta uma articulação que faria oposição ao governador Renan Filho (MDB) nas eleições estaduais passadas, em que o próprio Palmeira disputaria o Executivo. Porém, não só desistiu da candidatura como abriu mão de liderar o processo. Hoje, Rui Palmeira é aliado de Renan Filho. 

O erro de Palmeira não foi desistir da candidatura, o que era compreensível e até uma decisão pessoal diante da continuidade de seu mandato na Prefeitura. Há as razões pessoais e políticas. Natural do processo. O erro foi não ser um articulador no grupo para consolidar aquela “oposição” existente. 

Com isso, o atual secretário Maurício Quintella Lessa (PL) deixou a base da administração municipal e foi para o grupo dos Calheiros e o Progressistas assumiu o protagonismo de uma suposta oposição, apresentando Fernando Collor de Mello (PROS) como candidato ao governo. Collor desistiu por ausência de apoio e o ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Lula (atual candidato a vereador pelo Podemos) foi o candidato tampão.

O atabalhoamento daquela oposição fez Renan Filho e o senador Renan Calheiros (MDB) passearem nas eleições. Ali, o PSDB – que já havia comandado o governo do Estado e tinha, na época, as duas maiores prefeituras de Alagoas (Maceió e Arapiraca) – iniciou sua trajetória rumo ao naniquismo no cenário alagoano. O partido que era influente atualmente se resume a um papel coadjuvante na eleição de Maceió e na de outras cidades do interior, incluindo Arapiraca. 

Afinal, Rodrigo Cunha (o segundo coveiro-mor da legenda) assumiu a presidência estadual pela expressiva vitória na disputa pelo Senado Federal. Todavia, Cunha – que vive a se afastar dos caciques, preocupado com sua imagem ligada ao bom-mocismo, e que tanto fala em renovação nos quadros da política – mostrou ter, na prática, um perfil centralizador. Na briga entre ele e Rui Palmeira, o prefeito de Maceió deixou a legenda. Sendo a maior liderança no partido, o senador do PSDB impôs à agremiação o seu próprio projeto político, que incluía a aliança com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), na disputa pela capital alagoana. 

Rodrigo Cunha aposta todas as suas fichas em JHC – segundo informações de bastidores – pensando em 2022. Portanto, pouco importava ao senador o tamanho que o partido teria nas eleições municipais da capital alagoana. O mesmo parece que tem ocorrido em Arapiraca, por conta de uma aproximação entre o tucano e o deputado federal Serverino Pessoa (Republicanos). Severino Pessoa é aquele que – quando deputado estadual – entrava mudo e saia calado da Casa de Tavares Bastos. 

O jeito tucano de Cunha se chocou com a deputada federal Tereza Nelma (PSDB), que tenta eleger sua filha – Teca Nelma (PSDB) – para uma das cadeiras da Câmara Municipal de Maceió. Eis aí o maior nome do PSDB disputando eleição na capital alagoana: Teca Nelma. Tereza Nelma fez o escarcéu acusando Rodrigo Cunha de machismo e todo aquele blá, blá, blá das pautas identitárias, quando na realidade se trata de disputar por poder, projetos políticos e apenas isso. Afinal, independente dessa briga, o PSDB continua sendo o PSDB: a outra lâmina da tesoura de um espectro político puramente esquerdista. A diferença é que agora, ao menos em Alagoas, essa lâmina é nanica. 

Assim será também no país inteiro. Se há uma característica bem visível no PSDB é a seguinte: o partido esconde o que possa fazer de bom para deixar a mostras o que tem de pior. Afinal, nacionalmente, o PSDB é a oposição que toda a esquerda deseja. Fica tudo em casa. Localmente, é uma tartaruga manca sem pressa de atravessar quilômetros de um deserto de ideias. 

A carta de Claudionor Araújo – que na maior parte do tempo na legenda foi um homem de bastidor – expõe isso tudo, ainda que ele não queira. No documento enviado à Executiva Nacional e tornado público pelo próprio Araújo, ele diz que o partido já não é mais o mesmo. Araújo cita Rodrigo Cunha; o recado é óbvio. O senador é o comandante dos tucanos no Estado.

Araújo diz que as decisões de agora são monocráticas e autoritárias. Bem, desconfio que as decisões no tucanato sempre foram centralizadas. Antes, em Teotonio Vilela Filho, o ex-governador de Alagoas. Todavia, é fato que as decisões de Cunha, que tem o seu próprio projeto político, como já dito, incomodaram a velha-guarda do tucanato. Claudionior Araújo cita as destituições nos diretórios municipais, como ocorreu em Maceió, na disputa com Nelma, por exemplo. 

“O discurso da nova política, do novo ciclo, da renovação, ao menos aqui em Alagoas, é uma falácia: impera a desprezível prática do coronelismo mais antigo”, diz Claudionor Araújo, que se classifica como um “estranho no ninho”. É assim que um quadro histórico do PSDB, apesar de nos bastidores, deixa a legenda. Nessa briga, difícil saber quem tem razão. Afinal, política é poder. Porém, é possível observar que o PSDB vai se implodindo. Resta saber o que nascerá das ruínas...

O fato é que Cunha não é o único culpado. A exemplo do PSDB nacional, em Alagoas, o tucanato também não soube se renovar e trabalhar o xadrez político para sucessões quando estava no comando do poder. Basta lembrar que Teotonio Vilela Filho, ao deixar o Palácio República dos Palmares, apostou todas as fichas em Eduardo Tavares, que renunciou a candidatura, e acabou tendo que buscar um ex-vereador de Palmeira dos Índios, Júlio Cézar, para ser o tampão. Hoje, Júlio Cézar é prefeito daquela cidade pelo PSB, não sendo mais um quadro da legenda. Então, até o próprio Vilela já jogou algumas pás de terra no velório da sigla. 

Os tucanos e ex-tucanos já podem ser protagonistas da série The Walking Dead. Ninguém notará a diferença entre alguns deles e alguns figurantes na tela. 

Números do Ibrape mostram eleição “em aberto” na reta final, em Maceió; indecisos farão a diferença

  • Lula Vilar
  • 06/11/2020 09:32
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução / Internet
Eleições 2020

 

 

Pelos números apresentados pelo Ibrape Pesquisas (registrada na Justiça Eleitoral), na manhã de hoje, dia 06, aqui no CadaMinuto, a disputa pela Prefeitura de Maceió segue em aberto na reta final e com uma briga acirrada entre os três primeiros colocados. 

Levando em consideração o levantamento desse Instituto, feito entre os dias 2 e 3 de novembro, a única certeza é da existência do segundo turno, o que já era esperado desde as primeiras pesquisas. 

Todavia, a novidade, é a consolidação do crescimento do candidato Davi Davino Filho (Progressistas), que surge em empate técnico com os outros dois melhores colocados: Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) e João Henrique Caldas, o JHC (PSB). 

Conforme já divulgado pelo CadaMinuto, Alfredo Gaspar de Mendonça surge com 26% das intenções de voto. Davi Davino – que antes aparecia na terceira posição – ficou em segundo lugar, com 24% do eleitorado ouvido. Enquanto isso, JHC – que era o líder das pesquisas no início do período eleitoral – é o terceiro com 23%. 

Os números do Ibrape apontam ainda que a candidatura de Cícero Almeida (Democracia Cristã) naufragou. Almeida que chegou a pontuar com dois dígitos, agora tem 4% e passa a estar tecnicamente empatado com Josan Leite, que tem 2%. Os demais candidatos – Lenilda Luna (UP), Ricardo Barbosa (PT), Valéria Correia (PSOL) e Corintho Campelo (PMN) – simplesmente não pontuaram. 

O cenário mostrado pelo Ibrape revela uma eleição disputada não apenas por conta do empate no topo da tabela, mas também pela imensa quantidade de indecisos: 15%. É um número alto levando em consideração que as eleições já ocorrem no próximo dia 15 de novembro. Não estamos aqui valando dos votos brancos e nulos, que somam 4%. Estamos falando de indecisos. Ou seja: pessoas que ainda avaliam a possibilidade de votar em alguém. 

Se o Ibrape estiver correto, os votos alcançados por Alfredo Gaspar, Davi Davino e JHC já devem estar consolidados e não haverá muita mudança no perfil dos eleitores que os acompanham, pois – a essa altura do campeonato – os três, assim como os demais, já conseguiram passar as suas ideias, propostas e críticas aos adversários. 

A corrida agora é para conquistar a maior fatia possível entre os indecisos em uma eleição que, conforme a tendência em função da pandemia do novo coronavírus, deve ter uma alta taxa de abstenção. 

Em outras palavras, pelos números do Ibrape, os indecisos devem definir qual será o próximo prefeito de Maceió. 

É possível ainda especular sobre os números da indecisão e as diferenças “apertadas” entre os líderes. Muitos podem ser os motivos. Porém, defendo a tese – que já expus aqui nesse blog antes dos números dessa pesquisa – de que, no topo da tabela, os candidatos com maior expressão possuem poucas diferenças entre si para apresentar aos eleitores. Portanto, chegando ali ao teto de suas intenções de voto. O que entra em cena agora é a análise particular de cada eleitor na busca pelo que considera “menos pior” (sei que a expressão é errada e por isso as aspas). 

Afinal, todos os candidatos já transitaram nos mesmos grupos políticos de alguma forma. Dois deles – Davi Davino Filho e JHC – carregam o “filhotismo” tradicional de Alagoas e possuem como apoio políticos já desgastados e experimentados. 

Davi Davino traz consigo – por exemplo – parte da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas e o deputado federal Arthur Lira (Progressistas), o líder do Centrão. O partido dele já foi a principal base de apoio do prefeito Rui Palmeira (sem partido), que agora apoia Alfredo Gaspar de Mendonça. João Henrique Caldas tenta esconder – como sempre – o pai e ex-deputado federal João Caldas, que é sempre alvo de seus adversários e está dentro de uma conjuntura que coloca ao seu lado o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). JHC ainda tenta evitar a posição anti-bolsonarista que definiu sua aliança com Lessa. 

Já Alfredo Gaspar perdeu o discurso da mudança, uma vez que se tornou o candidato da situação. Se antes era tido como uma novidade diante das forças políticas do Estado, hoje carrega o ônus e o bônus de ter o apoio não só da Prefeitura Municipal de Rui Palmeira, mas também dos Calheiros – o senador Renan pai e o governador Renan Filho – inclusive tendo se filiado ao MDB. 

O trio do topo da tabela, portanto, transita entre o mais do mesmo. Cícero Almeida – que há muito vem sofrendo derrotas políticas fortes, incluindo não ter conseguido se eleger sequer deputado estadual – sofre sem estrutura de campanha, sem recursos para crescer no pleito, além de ter uma das mais altas rejeições, conforme a pesquisa. É uma eleição praticamente impossível para Almeida, que ainda conseguiu se meter em polêmicas desgastantes com o próprio partido: o Democracia Cristã.

No mais, não dá para esperar nada de novo da parte de baixo da tabela. Por lá, a esquerda caricata que nunca teve histórico de boas votações em Alagoas. E isso inclui o petista Ricardo Barbosa que apesar de ser um nome conhecido na política local só conseguiu ser vereador por Maceió quando puxado por Heloísa Helena (Rede), quando ambos estiveram juntos no PSOL. Barbosa teve na época uma votação pífia. Os demais – é possível aposta – vão na mesma linha. 

Josan Leite (Patriotas) apostou todas as fichas na ligação entre sua imagem e a do presidente Jair Bolsonaro, que acabou se afastando das eleições municipais. A presença de Bolsonaro, caso o presidente tivesse abraçado o candidato, poderia ter feito alguma diferença. Sem isso, com pouco tempo de televisão e sem recursos, Leite não tem conseguido passar sua mensagem ao eleitor, apesar de – segundo a pesquisa – ter crescido na reta final, pois ele estava atrás das esquerdas mais caricatas. 

Complicou ainda mais a vida de Leite a ausência de uma assinatura própria e o fato de Bolsonaro ser, atualmente, uma pessoa com fortes ligações políticas com o deputado federal Arthur Lira.