Blog do Vilar

A briga pelo poder em Maceió: todos os candidatos carregam suas contradições na atual disputa

  • Lula Vilar
  • 22/10/2020 11:17
  • Blog do Vilar
Resultado das eleições municipais do Alto Sertão de Alagoas

Há algo nos atuais grupos políticos que disputam a Prefeitura de Maceió que é interessante de ser analisado: todos eles, entre separações e uniões, estiveram juntos em algum momento da recente história política do município e de Alagoas. Se, na atualidade, se vendem como diferentes, a sensação que fica – para quem tem memória – é de que são todos os grupos cheios de contradições e com algumas ligações entre si (unas mais frágeis, outras mais fortes).

Porém, isso alimenta uma sensação já descrita pelo romancista e ensaísta George Orwell: todos iguais, mas uns mais iguais que os outros. As eventuais alianças parecem muito mais obedecerem às conjunturas da luta pelo poder que necessariamente a projetos para a capital alagoana.

Entre os primeiros colocados nas pesquisas eleitorais, ninguém escapa disso ao se observar alguns acordos firmados. É o caso, por exemplo, o do próprio ex-chefe do Ministério Público e candidato à majoritária, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB). Mendonça já era cotado – nas eleições passadas – para ser candidato ao Senado Federal dentro de uma via que pregaria pela “independência”. Na época, não conseguiu viabilizar sua candidatura.

Agora, o nome de Alfredo Gaspar de Mendonça acabou por unir dois grupos políticos que “até ontem” eram rivais: o do prefeito Rui Palmeira (sem partido) e o do governador Renan Filho (MDB). O vice de Alfredo Gaspar, o líder do Podemos, Tácio Melo, já deu declarações duríssimas contra o atual governador e contra o senador Renan Calheiros (MDB). Mas, tudo isso parece ter ficado no passado. Assim, em uma contradição explícita, o candidato que se desenharia como “antissistema” acabou sendo o apoiado pelas duas máquinas públicas.

Inclusive, há declarações do próprio Alfredo Gaspar criticando a política hereditária em Alagoas: a que vai passando de pai para filho. Hoje, seus principais aliados – ainda que tenham marcas próprias em suas administrações (e possuem) – são frutos dessa política.

Na chapa encabeçada pelo deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), não é diferente: o parlamentar já foi aliado de Rui Palmeira, na primeira gestão do prefeito, e rompeu porque decidiu disputar a Prefeitura de Maceió, quando foi derrotado ainda no primeiro turno. De lá para cá, constrói seu próprio grupo (pelo menos tenta) distante do Palácio República dos Palmares e do Executivo municipal. Todavia, tem como vice na chapa o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT).

É impossível não perceber que Lessa foi um vice “empurrado” por uma conjuntura nacional, na união entre PSB e PDT que visa a eleições presidenciais de 2022, formando uma base de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que apoie a candidatura – em futuro vindouro – de Ciro Gomes (PDT) para a presidência. Essa aliança se repete em várias outras cidades do país. Em Alagoas, JHC foge desse discurso e – acertadamente, do ponto de vista da estratégia política – tenta não polarizar a eleição com os conceitos de “direita” e “esquerda” e até já afirmou que terá uma boa relação com o governo federal.

Porém, Lessa – independente dessa conjuntura – já passeou pelos outros grupos políticos da disputa. Ronaldo Lessa foi aliado de Rui Palmeira e ocupou espaços na gestão municipal. Deixou o grupo por conta da matemática eleitoral para viabilizar sua eleição à Câmara dos Deputados. Não conseguiu se reeleger. Ocupou o cargo, por pouco tempo, de secretário de Agricultura na administração de Renan Filho e, logo depois, rompeu e anunciou sua própria candidatura a prefeito de Maceió. Por um entendimento de cima para baixo, acabou firmando a aliança com JHC.

Os grupos que disputam o poder hoje possuem pontos, na linha do tempo, onde se encontram.

No grupo de Davi Davino Filho (Progressistas), há o mesmo. Exemplo: o candidato do Progressistas recebe o apoio do Democratas, que é liderado por José Thomaz Nonô, que é secretário de Saúde da gestão de Rui Palmeira, que apoia Alfredo Gaspar. Em 2019, segundo a imprensa, o próprio Davi Davino manteve diálogos com o MDB. O cenário era o seguinte: ainda não se sabia de qual lado estaria Alfredo Gaspar, e no Progressistas, o candidato poderia ser o atual vice-prefeito Marcelo Palmeira, que hoje é candidato a vereador pelo PSC, já que o seu antigo partido foi para outra aliança que não a sua.

Em entrevista, em janeiro desse ano, à Gazetaweb, Davi Davino Filho disse que estava com porta aberta para o diálogo com Rui Palmeira. Afinal, o Progressistas era parte da gestão do prefeito de Maceió, que tinha como um dos principais aliados o ex-senador Benedito de Lira (Progressistas), que lidera – ao lado do deputado federal Arthur Lira (Progressistas) – o partido do candidato Davi Davino Filho.

Nem Cícero Almeida – candidato pelo Democracia Cristã – escapa disso. Logo, pode ser cobrado por suas próprias declarações recentes que contém sinais de contradição. Almeida é campeão de passagens por partidos políticos. Já esteve no Progressistas, no MDB, no PDT, no PRTB, dentre outros. Agora, no Democracia Cristã tem como aliado principal o deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB), que foi quem indicou sua vice.

Em recente declaração, numa sabatina promovida pelas Organizações Arnon de Mello, Almeida chegou a dizer que, na época em que foi prefeito, só teve o apoio do ex-senador Benedito de Lira. Todavia, Almeida já fez elogios públicos ao senador Renan Calheiros (MDB), chegando – nas eleições passadas – a ser candidato pelo MDB com o apoio do senador e do governador Renan Filho. Em 2014, falou da fidelidade a Calheiros e ao senador Fernando Collor de Mello (PROS).

O PT e o PCdoB – que também possuem candidatos; Ricardo Barbosa e Cícero Filho respectivamente – ocupam espaços dentro da administração de Renan Filho. O PCdoB até tem relações estreitas, no passado, com o senador Fernando Collor de Mello e já lançou candidato ao Senado Federal ao lado de Renan Calheiros, na disputa pelas duas vagas. Sempre foi pública a influência do MDB de Calheiros dentro do PT de Alagoas, inclusive quando – no tapetão – conseguiu excluir o ex-petista José Pinto de Luna da disputa pelo Senado, facilitando ali o seu caminho. Na época, Luna aparecia com uma forte densidade eleitoral por conta de ter comandado a Operação Taturana que atingiu em cheio a Assembleia Legislativa.

Corintho Campelo (PMN) também tem um histórico de ligações políticas com o PDT de Ronaldo Lessa, que hoje é vice de JHC. Ele saiu do partido porque não conseguiu consolidar sua candidatura à Prefeitura Municipal de Maceió por lá.

A candidata do PSOL, Valéria Correia, era reitora da Universidade Federal de Alagoas. Portanto, um nome novo na disputa eleitoral. Todavia, seu partido é daquela base que defendia as atrocidades do PT, que sempre teve as ligações políticas em nome das ideologias do socialismo e de seu projeto de manutenção de poder, que fazia do PSOL, PCdoB e outros apenas partidos satélites. Com o declínio do PT, as esquerdas agora tentam busca outra sigla que puxe o protagonismo.

Josan Leite – candidato hoje pelo Patriotas e que tenta colocar a sua imagem ao presidente Jair Bolsonaro – já foi do PSL quando esse sofria a transformação prometida pelo “Livres”. Nas eleições municipais passadas, dentro desse contexto, seu partido indicou o vice de JHC: o médico Henrique Arruda. Em 2018, quando o Livres saiu do PSL, Josan Leite permaneceu. Diga-se de passagem: ele sempre teve um perfil de direita. Nisso, não há contradição. Leite então foi candidato ao governo em uma chapa-puro sangue. Agora, como já dito, ele disputa a Prefeitura pelo Patriotas.

Evidentemente, muitas dessas contradições fazem parte de conjunturas de épocas, mas não deixam de ser pontos que geram indagações na cabeça do eleitor ao ponto de se indagar sobre qual é realmente a diferença entre eles. Lógico, os candidatos não são iguais e os espectros políticos fazem sim diferença. Uns estão mais à esquerda e outros estão mais para liberais ou até mesmo conservadores. Todavia, é impossível não perceber o que aconteceu no verão passado…

E aí, é natural uma parcela dos eleitores olhar para a disposição das candidaturas e pensar: parece mais do mesmo. É porque parece mesmo!

Pesquisa revela dificuldades de Almeida e superação dos erros de Davi Davino Filho

  • 19/10/2020 17:04
  • Blog do Vilar
Foto: Assessoria
Davi Davino Filho

As pesquisas eleitorais registradas que foram divulgadas até agora (Ibope, Paraná Pesquisa e Ibrape) e trazem o levantamento das intenções de voto em Maceió não apresentam – no topo da disputa – grandes diferenças. Pelos números de todas elas, a eleição é disputadíssima e o segundo turno é praticamente algo garantido. 

Em duas pesquisas – Ibrape e Ibope – Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) surge na liderança, com 27% e 26% respectivamente. Nessas, o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB) tem 25% em ambas.  Na Paraná Pesquisas, JHC é o primeiro com 26,9% e Alfredo Gaspar tem 25,9%. 

Bem, como são três pesquisas que podem ser comparadas, o cenário posto deve ser esse aí mesmo: o empate técnico ora com uma leve vantagem para um, ora para outro. Porém, esse “empate técnico” é fruto do crescimento de Alfredo Gaspar de Mendonça. Isso fica visível quando comparamos os números de agora com os das pesquisas feitas em período pré-eleitoral, quando JHC – mesmo diante de um cenário de possível segundo turno – era franco favorito. 

Portanto, as pesquisas de agora devem preocupar mais JHC do que Alfredo Gaspar de Mendonça que, pelos números, chegou ao patamar que almejava logo no início da campanha eleitoral. 

E aqui digo ao leitor que analiso os números sem paixões, pois dentre as candidaturas postas e dos grupos de apoio a essas, meu olhar é de desconsolo e de orações por Maceió. Afinal, nada há de novo quer seja de um lado ou do outro. Então, sinto-me livre para cravar seguinte: JHC precisará reposicionar sua campanha para evitar que Alfredo Gaspar se descole. Nesses momentos, a máquina pública (o emedebista conta com as duas) pode fazer diferença. 

Um ponto positivo para JHC é que – ao que tudo indica  - a denúncia de Alfredo Gaspar de Mendonça contra o socialista não fez muito efeito junto à opinião pública. Aposto: nem fará. Se terá efeito jurídico ou não, aí é com a Justiça Eleitoral. O mesmo vale para caso da denúncia de JHC contra Alfredo Gaspar. 

O fato é que os dois se encontram no ringue. E aí, cada um deles possui dois rivais: um ao outro e cada um contra si mesmo. Um erro em uma campanha curta e tão acirrada pode ser fatal. 

Se nada muda no topo da tabela, no meio dela temos uma surpresa. Estando corretos os números das três pesquisas, o Ibrape mostra que a campanha de Cícero Almeida (Democracia Cristã) se encontra em dificuldades. Almeida era o terceiro colocado em pesquisas anteriores e sempre – com margem de erro ou não – na casa dos dois dígitos. Davi Davino Filho (Progressitas) era o quarto colocado e distante dos líderes. 

Na pesquisa do Ibrape, Almeida cai para 6% e fica na quarta posição. Davi Davino aparece com 15% e assume a terceira posição.

Há fatores aí que não são os únicos: Almeida acumula rejeição e tem extrema dificuldade de colocar o bloco na rua. É possível afirmar com bases empíricas que a campanha do ex-prefeito praticamente inexiste e faz com que Cícero Almeida pontue pela lembrança que o maceioense tem dele. E aí, como é o mais conhecido e já foi prefeito é natural que tenha a maior rejeição. Se Almeida não for para a rua, não tiver campanha e não tiver um marketing poderá desidratar ainda mais e acabar fazendo companhia aos candidatos do fim da tabela.

Davi Davino Filho fez um ajuste sutil, mas perceptível aos mais atentos: deixou de ser Davi Filho para retomar o sobrenome “Davino” e se posicionar pelo que já é conhecido do legado político da família. Com mais tempo de televisão e com o marketing primoroso, não surpreende o crescimento. Porém, onde há muito marketing pode haver pouco conteúdo. Não sei se é o caso. Todavia, dos guias eleitorais, tecnicamente falando, o de Davi Davino Filho é o mais bem estruturado. 

Sobre os demais candidatos? Não há – por enquanto – muito que falar a não ser que em próximas pesquisas surpreendam. Em todo caso, a sensação ao olhar o pleito se desenrolar é seguinte: outro rostos, mas é mais do mesmo. 

Arthur Lira enxerga em situação de Luciano Barbosa favorecimento aos Progressistas em 2022

  • Lula Vilar
  • 15/10/2020 11:29
  • Blog do Vilar
Arthur Lira

As eleições de 2020 é um laboratório para o pleito de 2022. Isso é inegável. Hoje, como o xadrez político se encontra, a disputa pelo Palácio República dos Palmares – ocupado pelo governador Renan Filho (MDB) – se faz em dois grupos: o primeiro é liderado pelo senador Renan Calheiros (MDB) e tentará construir o sucessor de Renan Filho, com esse podendo ser candidato ao Senado Federal. O segundo grupo é liderado pelo deputado federal Arthur Lira (Progressistas).

O Progressistas já teve um embate com Renan Filho na primeira eleição do emedebista ao governo, quando o ex-senador Benedito de Lira (Progressistas) foi derrotado. Na reeleição de Renan Filho, a disputa se fez presente, mas não era direta: Arthur Lira e Benedito de Lira foram os articuladores de uma chapa opositora que tinha o senador Fernando Collor de Mello (PROS), como candidato ao governo.

Collor desistiu da disputa e foi substituído pelo ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna (Podemos). A reeleição foi um “passeio” para Renan Filho. Além disso, Renan Calheiros saiu vitorioso e o ex-senador Benedito de Lira perdeu a eleição. Hoje, Benedito de Lira tenta ser prefeito da Barra de São Miguel.

Na disputa vindoura, o grupo de Arthur Lira tenta se estruturar para disputar o governo estadual. Nos bastidores, se cogita inclusive uma candidatura do próprio Lira ao Executivo. Em entrevista recente à jornalista, Vanessa Alencar, o parlamentar – que é um dos líderes do Centrão em Brasília (DF) – nega.

Porém, nessa mesma entrevista, Arthur Lira não esconde – ainda que isso apareça nas entrelinhas – a satisfação de observar de camarote a briga entre o senador Renan Calheiros (MDB) e o vice-governador Luciano Barbosa (MDB), que se lançou candidato à Prefeitura Municipal de Arapiraca. Para o Progressistas, nesse momento, pouco importa se Barbosa vai se eleger ou não, se conseguirá manter a candidatura ou não.

 

O fato relevante é a fratura no MDB, pois Luciano Barbosa – quer ganhe, quer perca a eleição em Arapiraca ou não consiga sustentar a candidatura – será escanteado pelo partido (quiça, expulso).

 

Diante disso, os dois cenários futuros possíveis são: 1) eleito prefeito, abre a vacância. Renan Filho sendo candidato ao Senado Federal, o governo ficará nas mãos do deputado estadual Marcelo Victor (Solidariedade), que é próximo a Arthur Lira. Então mesmo em eleição indireta, esse grupo – pela forma como Marcelo Victor domina a Assembleia Legislativa – terá o Palácio República dos Palmares nas mãos; 2) caso Barbosa não seja eleito, se Renan Filho sai para disputar a eleição, ele estará no comando do Palácio e rompido com os Calheiros. Consequentemente, pode ser uma peça política no grupo dos Progressistas.

 

O grupo de Lira pode – em duas possibilidades – disputar o governo estadual com a máquina nas mãos.

 

Arthur Lira sabe disso. Tanto que diz, na entrevista à jornalista, que “o efeito” da candidatura de Luciano Barbosa “e a possível vacância do cargo de vice-governador interessa mais a um grupo e menos a outro, porque se o governador se afastar para disputar o cargo de senador, por exemplo, em 2022, é a Assembleia Legislativa que terá que eleger um vice-governador tampão”.

 

O deputado federal sabe que o parlamento estadual elegerá quem Marcelo Victor quiser. O presidente da Casa de Tavares Bastos comanda muito bem os seus aliados dentro da Assembleia Legislativa. A outra possibilidade é a aproximação entre Lira e Barbosa. Arthur Lira nega que essa já tenha se iniciado: “nunca tive uma conversa política, nem por telefone, com Luciano”.

 

Porém, raposa política que é, Arthur Lira já opina pela viabilidade da candidatura de Luciano Barbosa, afirmando que esse é “elegível”. Ele até compara a situação do MDB de Arapiraca com a vivenciada pelo Progressistas naquele município. O partido tem candidato - o deputado estadual Tarcizo Freire – mas apoia a candidata Fabiana Pessoa (Republicanos). Lira diz que, diferente do MDB, não vai interferir no diretório municipal.

 

“Eu não sou influenciador em Arapiraca, embora tenha sido o deputado que mais colocou recursos em Arapiraca em toda sua história, sem ter sido nunca o deputado federal mais votado em Arapiraca”, frisa em entrevista. É o famoso tapa com luva de pelica.

 

A base para a eleição de 2022 será disputada agora, com PP e MDB lutando por prefeituras municipais. Inclusive, um dos grupos políticos importantes nesse momento é o da família Pereira – liderado pelo prefeito Joãozinho Pereira e pela deputada estadual Jó Pereira – que tem ligações fortes tanto com o PP de Arthur Lira quanto com o MDB do senador Renan Calheiros, como ocorre em São Miguel dos Campos, quando o candidato Fernando Pereira leva para seu palanque os Calheiros, os Liras e até o senador Rodrigo Cunha (PSDB).

 

Os Pereiras devem também se fortalecer para 2022 e assim se credenciarem para ter candidato ao governo estadual e/ou ao Senado Federal. Porém, como não há “candidatura de si mesmo”, esses espaços serão negociados. O Progressistas, assim como o MDB, tem candidatos em praticamente todos os municípios, seja pelos próprios partido ou por siglas aliadas. Os Pereiras podem fazer diferença.


Arthur Lira tenta – na entrevista – retirar o caráter pessoal da disputa entre MDB e Progressistas. Mas, há mais de personalismo do que de diferença de projetos entre os grupos. É briga por poder. Então, quando o deputado federal diz que “Alagoas é do povo...”, é sempre bom dá um desconto. Desde que o mundo é mundo, o poder político em Alagoas é disputado pelos feudos (os passados e os modernos). Não é diferente agora e, do jeito que a coisa ainda, não será diferente em 2022.


A diferença entre o lirismo e o calheirismo tende a ser só o sobrenome.


Sobre a candidatura ao governo estadual – como dito anteriormente – Arthur Lira nega a pretensão, mas não fecha a porta: “ (…) não desejo e nem faz parte da minha vontade disputar uma eleição majoritária de governo em Alagoas, mas é lógico que às vezes você não é dono da sua vontade. Minha programação é seguir como está, cumprir meu papel em Brasília, agora, muitas vezes essas questões extrapolam, né? Vamos ver, futuro é futuro”.


Tem razão Arthur Lira: futuro é futuro. Porém, tão enxadrista quanto o rival Renan Calheiros, Arthur Lira sabe muito bem que o futuro da turma começa a ser construído agora. Aliás, começou desde antes… e uma disputa entre biografias cheias de pontos semelhantes.

Paraná Pesquisa: Gestão de Rui é avaliada de forma positiva por 25,1%, mas 25,4% classificam como péssima

  • Lula Vilar
  • 13/10/2020 10:24
  • Blog do Vilar
Foto: Amanda Falcão/Cada Minuto
Prefeito Rui Palmeira

Além do levantamento da intenção de votos para a Prefeitura de Maceió – que coloca Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) e João Henrique Caldas, o JHC (PSB) como empatados tecnicamente – o Instituto Paraná Pesquisa também mediu a avaliação do atual prefeito Rui Palmeira (sem partido). 

De acordo com os números apresentados pelo instituto, a gestão de Rui Palmeira – que apoia o candidato Alfredo Gaspar de Mendonça – é avaliada positivamente por 25,1% dos entrevistados. Desses, 6% a consideram ótima e 19,1% apontam que se trata de uma boa gestão. 

A maioria dos entrevistados, entretanto, classifica a gestão de Rui Palmeira como sendo regular. Esses somam 37,9%. A avaliação negativa de Rui Palmeira supera a positiva, ainda segundo a pesquisa. 

34.7% dos entrevistados classificaram a administração como ruim (9,3%) e péssima (25,4%). 

O levantamento do Paraná Pesquisa foi feito entre os dias 10 e 12 desse mês. Foram entrevistados 680 eleitores. A pesquisa se encontra registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL) com o número AL-02982/2020 e foi divulgada pelo Diário do Poder. 

Instituto Paraná: Alfredo e JHC empatam tanto na espontânea quanto na estimulada

  • Lula Vilar
  • 13/10/2020 10:10
  • Blog do Vilar
Ilustração
Pesquisa

Mais uma pesquisa eleitoral – divulgada no dia de hoje, 13 – mostra o empate técnico entre os postulantes ao cargo de prefeito de Maceió, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) e João Henrique Caldas, o JHC (PSB). 

O cenário é praticamente o mesmo que foi divulgado pela pesquisa do Ibope. A diferença é muito pouca. 

Pelo retrato do momento, a eleição é disputada, mas mostra um crescimento de Alfredo Gaspar, que no período pré-eleitoral era o segundo colocado e JHC tinha uma folga. A realidade de hoje deve preocupar o candidato do PSB. 

No Ibope, Alfredo Gaspar aparece ligeiramente na dianteira, mas em função da margem de erro, a situação é de empate. 

De acordo com os números da recente pesquisa do Instituto Paraná, JHC aparece na liderança com 26,9% dos votos. Alfredo Gaspar – entretanto – surge com 25,9%. Na prática, a mesma coisa. Eleição disputadíssima e – diante desses números – com a certeza de segundo turno. 

Outra realidade atestada pelo Instituto Paraná é a dificuldade da campanha de Davi Davino Filho (Progressistas) decolar. Nas pesquisas do período pré-eleitoral, sem a presença da candidatura de Cícero Almeida (Democracia Cristã), Davino era o terceiro colocado e chegava a ter dois dígitos. 

Com Almeida, a situação mudou. O candidato o Democracia Cristã é o terceiro colocado com 9,1%. Davi Davino Filho passou a amargar a quarta posição com 4,1% das intenções de voto. 

Lenilda Luna (Unidade Popular) surge em quinto lugar com 2,1%. O direitista Josan Leite (Patriotas) ficou com 1,9% das intenções de voto, seguido por Valéria Correia (PSOL), que tem 1,6%. O candidato do PT, Ricardo Barbosa, tem 1,6%. Corintho Campelo aparece com 0,7% e o último colocado é Cícero Filho (PCdoB) com 0,4%. 

Um dado que chama atenção no levantamento feito pelo Instituto Paraná é em relação ao levantamento espontâneo. Nesse, quando o eleitor cita o candidato sem que lhe seja apresentado uma lista dos postulantes, o quadro se inverte. Alfredo Gaspar aparece em primeiro lugar com 12,2%. JHC fica com 11,5%. Porém, diante da margem de erro, também se configura empate. 

É válido ressaltar que – avaliando as pesquisas feitas até aqui – o empate técnico simboliza um crescimento de Alfredo Gaspar, assim como a entrada de Cícero Almeida mais prejudicou Davi Davino Filho. 

A pesquisa do Instituto Paraná foi divulgada pelo Diário do Poder e se encontra registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL), com o número AL-02982/2020. 

A carta de Luciano Barbosa contém verdades, mas de nada isso adianta…

  • Lula Vilar
  • 08/10/2020 16:46
  • Blog do Vilar
Renan Calheiros e Luciano Barbosa

A carta entregue pelo vice-governador Luciano Barbosa (MDB) ao diretório de seu partido, mas endereçada ao emedebista-mor de Alagoas, senador Renan Calheiros, contém algumas verdades, como por exemplo, dizer que suas pretensões de disputar a Prefeitura de Arapiraca já eram conhecidas.

É fato. Elas eram mesmo!

Eu mesmo, aqui nesse blog, falei sobre o assunto ainda quando era período pré-eleitoral, entrevistando até o deputado estadual Ricardo Nezinho (MDB), que confirmou a disputa interna dentro do partido entre ele e Luciano Barbosa. Outros colegas de imprensa também falaram sobre o assunto e destacaram o motivo pelo qual Barbosa deixou a Secretaria de Educação.

Então, o senador Renan Calheiros bancar o “surpreendido” - como fez em entrevista à jornalista Vanessa Alencar – é uma falácia. Se nos quatro cantos de Alagoas era ecoada a possibilidade de Luciano Barbosa ser candidato à Prefeitura de Arapiraca, Renan Calheiros quer enganar a quem ao dizer que não sabia? Logo Renan Calheiros, o oráculo enxadrista da política alagoana? Ah, tá...

Acreditar que Calheiros foi surpreendido é o mesmo que acreditar em Papai Noel dentre outras figuras míticas. O que está em jogo no MDB é o projeto eleitoral de 2022. Quando Luciano Barbosa destoa dele – em função de um possível compromisso previamente assumido – causa danos irreversíveis ao “calheirismo”.

Se Barbosa tinha esse compromisso, ele foi firmado “de boca”. E aí, pode-se acusar o vice-governador de traição, de descumpridor de acordo e até de passar para trás o grupo que o fez ascender. E isso é reprovável. Afinal, até na família de Vito Corleone há alguma ética e vale alguns fios de bigodes amarrados. Agora, como tal compromisso não é contratual, resta ao MDB comandado por Renan Calheiros tomar as providências e construir uma narrativa.

Isso não muda o fato de que os interesses de Luciano Barbosa já eram conhecidos. Obviamente, Barbosa não é santo e já sabia também do vespeiro no qual estava entrando, pois tentaria dar uma rasteira em Renan Calheiros.

Outra alfinetada de Luciano Barbosa, na carta entregue, que é verdade é a seguinte colocação: “Processo de ética por requerer um pedido de registro de candidatura? Expulsão? Não via esse rigor ético do MDB em relação aos filiados que foram envolvidos em escândalos e até mesmo condenados por corrupção”.

Verdade, Luciano Barbosa. Mas sabe quem se envolveu em escândalos? O senador Renan Calheiros. A alfinetada foi certeira, não é Barbosa? Ainda que sem citar nomes. Velhas táticas da política.

Se Renan Calheiros é culpado ou inocente, aí é com a Justiça. Inclusive, Calheiros já foi alvo de processos que foram arquivados, mas há outros. Eles causam escândalos. Barbosa só não teve a coragem suficiente para nominar os membros do MDB que passam por isso, pois o senador é um deles.

Agora, Luciano Barbosa, não existe “vontades ou percepções individuais equivocadas”. As percepções dos Renans (pai e o governador Renan Filho (MDB)) são corretas: é de que a posição do vice-governador os complica. Possuindo eles a posição que possuem, natural que busquem agir. Portanto, “as percepções individuais” possuem nomes: Renan Calheiros e Renan Filho.

Diante disso, quando Luciano Barbosa afirma não compreender a razão de “tamanha agressão, justamente contra quem sempre esteve junto em todos os momentos vivenciados pelo partido e especialmente ao lado de vossa excelência”. É falácia. Ele sabe muito bem as razões. Ele sabe em qual vespeiro mexeu. Ele sabe o quanto ele passa agora a ser uma peça protagonista na rearrumação das forças políticas e o quanto isso desagrada Renan Calheiros e Renan Filho, pois ambos não terão a máquina pública nas mãos na eleição de 2022.

Luciano Barbosa não é ingênuo! Ele sabe muito bem disso.

Outro trecho que me chamou atenção é quando Luciano Barbosa diz o seguinte: “Não é bom exemplo para Alagoas e para a cidadania, nem colabora para o desempenho político eleitoral do MDB, essa atitude de terra arrasada, com a sequência de atos truculentos, anulando uma convenção legítima, dissolvendo indevidamente um diretório municipal leal aos interesses e projetos do partido e tentando aniquilar, sabe-se lá por qual razão, as chances concretas de eleger o prefeito e uma boa bancada de vereadores na segunda maior cidade do estado”.

Eu não sei quanto ao leitor, mas eu – caro, Luciano Barbosa – já vi tantos maus exemplos no MDB que esse é só mais um…

“Que exemplo inusitado é esse que está sendo exibido para Alagoas, onde o próprio diretório estadual impugna ilegitimamente uma candidatura e suas hostes com amplas chances de vitória? A quem serve a cruel instauração de processo de expulsão sem a mínima e justa causa, coroando um rolo compressor e fundamentado no curioso argumento do pedido de registro da minha candidatura prefeito? A quem interessa e por quê? Seguramente não é ao MDB”, diz ainda Barbosa.

Eu indago: que exemplo inusitado é esse que está sendo exibido para Alagoas desde sempre, quando o emedebista-mor chegou a rasgar a Constituição para manter direitos políticos de uma presidente que sofreu impeachment? Que exemplo inusitado é esse que está sendo exibido para Alagoas desde sempre, quando emedebistas e Lava Jato praticamente viram sinônimos? Que exemplo inusitado é esse que está sendo exibido para Alagoas quando a Polícia Federal tem como alvos parentes do vice-governador em uma operação na Saúde do Estado? Claro, eles podem ser inocentes. Mas não deixa também de ser um escândalo. Ora, mais um dos tantos exemplos que o MDB costuma dar, pois nunca deixou de ser um partido fisiológico e comandando com mão de ferro pelo calheirismo.

Na carta, Luciano Barbosa finge não saber o que sabe, constrói uma narrativa vitimista, mas não deixa de pontuar algumas verdades. Esse é o tipo de briga em que se todos se exaltarem e falarem demais é capaz de todos terem um pouco de razão. Garanto aos leitores: Luciano Barbosa sabe melhor do que qualquer um como funcionam as mentes dos Renans.

Depois de dias de campanha e de portaria da Justiça Eleitoral, candidatos se tocam de “aglomeração”. Ah, tá...

  • Lula Vilar
  • 07/10/2020 15:55
  • Blog do Vilar
Resultado das eleições municipais do Alto Sertão de Alagoas

Desde o início da campanha eleitoral que a maioria dos candidatos à majoritária provoca aglomerações sem qualquer cuidado com protocolos sanitários. Foi assim nas inaugurações de comitês, nas caminhadas realizadas etc. 

Não faço aqui juízo de valor sobre as caminhadas. Apenas mostro o quão hipócrita é proibir – por meio do poder coercitivo estatal – a realização de eventos da iniciativa privada, proibir cinemas, teatros e museus de funcionarem, mas praticamente deixar as “aglomerações eleitorais” correrem solta. 

O governador Renan Filho (MDB), que chegou a afirmar que os eleitores não votassem em candidatos que aglomeram, ficou “pianinho” sobre o assunto quando a campanha “pegou fogo”, mesmo sabendo que essas atividades desrespeitam o seu decreto e o protocolo sanitário estabelecido pelo seu governo. Fossem eventos de cunho semelhante, mas realizado pelo setor produtivo, Renan Filho estaria dando lição de moral em rede social. 

Mas, evidentemente, agora, o senhor governador precisa fazer “vista grossa”. Afinal, sabe que seu próprio candidato – Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) – promoveu atividades assim. O chefe do Executivo estadual até se fez presente em eventos de campanha com concentração significativa de pessoas.

Todavia, se Alfredo Gaspar de Mendonça produziu aglomerações, os seus adversários também. Então, todos – absolutamente todos – merecem a crítica. E não sejamos hipócritas: o candidato que não aglomerou não o fez por não ter eleitor suficiente. Simples assim! 

As atividades de campanha repercutiram negativamente, é óbvio! De um lado, pessoas que até defendem maiores avanços no processo de reabertura do setor produtivo, com realização de eventos e retorno às aulas presenciais apontavam a hipocrisia dos políticos; do outro, evidentemente, a turma que defende que ainda não é hora de maiores aberturas também reclamava. 

O fato é que agora, diante de uma portaria da Justiça Eleitoral, há candidatos realinhando os discursos para fazer parecer que tomaram decisões por conta própria, ao cancelarem eventos, como se tivessem abdicado das atividades de rua. Ora, se fosse por iniciativa própria e fosse realmente tão grande a preocupação, tal decisão viria antes. 

Um desses candidatos é Alfredo Gaspar de Mendonça, que gravou até vídeo. Com todo respeito que tenho ao candidato, a posição de agora surge depois da repercussão negativa para as campanhas, de decisões judiciais no interior e da perspectiva da Justiça Eleitoral agir em Maceió, como fez com a portaria da 54ª Zona Eleitoral. 

Alfredo Gaspar apenas tenta sair na frente, com o vídeo, explicando a paralisação das atividades que também deve ser adotada pelos demais candidatos em função da Justiça. Não fosse isso, tudo seguiria como antes. 

Diz Alfredo Gaspar de Mendonça, sem mencionar a portaria da Justiça Eleitoral: “As eleições acontecem em meio a uma pandemia, por isso, a partir de agora nossa coligação está cancelando todas as caminhadas da campanha eleitoral. Só faremos reuniões em espaços abertos, arejados e com a distância segura entre as pessoas. O combate ao vírus não pode parar, todos temos que fazer a nossa parte”.

O “a nossa parte” de Alfredo Gaspar se faz 11 dias depois do início da campanha eleitoral. “Coincidentemente” depois das imagens das caminhadas começarem a repercutir negativamente, de candidatos começarem a ser cobrados em redes sociais e da 54ª Zona Eleitoral se posicionar. 

Eu não acredito em coincidências. E aqui cito Alfredo Gaspar pelo vídeo em que se explica, mas é algo que serve a quase todos. Outros candidatos devem adotar o mesmo tom, como por exemplo, Davi Davino Filho (Progressistas) que deve lançar nota a imprensa, segundo soube por bastidores. 

A nota virá com mais do mesmo e - semelhante a Gaspar de Mendonça - como um ato tomado sem qualquer contexto, mas sim como se o candidato tivesse tido uma iluminação diante do óbvio depois do início da campanha. É comovente…

ATUALIZANDO

Eu não disse que Davi Filho seguiria a mesma linha:

Olha aí a nota do candidato do Progressistas:

“Estou suspendendo as caminhadas e vou intensificar as carretas, com adoção de som itinerante. Vamos buscar alternativas pra continuar conversando com o povo e observando as orientações. Como disse lá no início da pré- campanha, pra candidato que só faz campanha em gabinete, fica tudo mais fácil. Eu estou habituado às ruas, a sempre descer e subir grota para me encontrar com as pessoas, no contato olho a olho. Vamos intensificar o uso da comunicação digital e do Guia Eleitoral, e seguir com a campanha, que tá se fortalecendo cada vez mais”.

Ah, que preguiça…

 

Presidente do DC diz ter provas de que Almeida já queria desistir da disputa eleitoral

  • Lula Vilar
  • 02/10/2020 15:46
  • Blog do Vilar
Reprodução/Facebook
Cícero Almeida

Em entrevista ao jornalista Jonathas Maresia (Gazetaweb), o presidente do diretório municipal do Democracia Cristã, Max Palmeira, afirmou ter provas de que o candidato a prefeito Cícero Almeida (Democracia Cristã) já queria desistir do pleito muito antes da confusão que se deu hoje, com as acusações que envolveram o outro candidato a prefeito, João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Almeida disse que um acordo entre o JHC e Democracia Cristã teria feito com que a sua própria agremiação tivesse tentado retirá-lo (Cícero Almeida) do pleito. O candidato JHC negou as acusações, afirmando que elas eram “infundadas e imaginativas”. Na manhã de hoje, Almeida se reuniu com o presidente do PTB, deputado estadual Antônio Albuquerque, e sustentou que seguirá sendo candidato e que, se preciso for, vai judicializar o processo. 

O candidato da Democracia Cristã afirmou ter sido “traído” pelo próprio partido. 

Ao falar com o jornalista Maresia, Palmeira disse que “as acusações (de Almeida) são levianas e infundadas”. “No momento oportuno, vou mostrar que desde a última quarta-feira o candidato já queria desistir da disputa majoritária. Tenho documentos de tudo o que estou falando. Tudo o que ele está fazendo é buscar uma saída honrosa, porque não temos recursos para uma disputa”, pontuou. 

Palmeira expõe que a falta de recursos foi o ponto que pesou mais. Ele destacou que a campanha já começou e que Cícero Almeida não realizou caminhadas ou distribuiu material de campanha. “Hoje, dia 2, não houve nada. Nem uma caminhada sequer. Como presidente do partido, não vou permitir que exponha à vala comum o DC. Foram realizados acordos que não foram cumpridos”. 

O presidente não diz exatamente quais são os acordos, mas destaca que – em sua visão – “Cícero Almeida vai sair do Democracia Cristã como fez nos demais partidos, atirando, falando inverdades”.

Davi Filho sobre Cícero Almeida: “A decisão do DC nada tem a ver conosco"

  • Lula Vilar
  • 02/10/2020 14:06
  • Blog do Vilar
Foto: Vinícius Firmino / Ascom ALE
Davi Davino Filho

Ao negar qualquer influência na decisão do Democracia Cristã de tentar retirar a candidatura do ex-prefeito Cícero Almeida da disputa pela Prefeitura de Maceió, o deputado federal e também candidato, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), citou – em resposta ao CadaMinuto – que a saída de Almeida do pleito “beneficiaria” o deputado estadual e postulante ao cargo do Executivo, Davi Davino Filho (Progressistas).

Em nota encaminhada ao CadaMinuto, JHC cita textualmente o parlamentar ressaltando a informação: “vale ressaltar ainda que a saída (de Cícero Almeida) tem potencial para beneficiar outros candidatos na disputa, já que na última pesquisa de intenção de votos divulgada pelo Data Sensus, Davi (Davino) Filho, sobe 8% com a saída de Almeida”.

JHC não afirma a possível influência de Davi Filho, mas acaba por deixar entender – queira o candidato do PSB ou não – que o deputado estadual poderia ter tido influência da confusão no Democracia Cristã, já que seria o beneficiado.

Para quem não acompanhou a história: na manhã de hoje, Cícero Almeida se disse surpreendido com a decisão do partido de retirar a sua candidatura da disputa. Almeida pontuou que foi “traído” e que houve diálogos de JHC com as Executivas estadual e municipal no sentido de fechar acordo pela renúncia dele.

JHC afirmou que as alegações de Almeida são infundadas.

Ainda no final da manhã, Almeida se reuniu com o deputado estadual e presidente do PTB (partido coligado), Antônio Albuquerque, e decidiu manter a candidatura, inclusive com a disposição de judicializar o processo, caso seja necessário.

Diante do fato de Davi Filho ter sido citado, conversei com o deputado estadual no início dessa tarde. O candidato do Progressistas disse que nunca conversou com membros do Democracia Cristã e que tem acompanhado a confusão envolvendo Cícero Almeida apenas pelo que foi publicado pela imprensa.

“Não participei de nenhuma conversa, com nenhum presidente de partido do DC. Não houve nenhuma conversa com o ex-prefeito Cícero Almeida. Estou acompanhando só pelo que sai na imprensa sobre essas situações”, coloca Davi Filho.

Davi Filho diz que a decisão do Democracia Cristã nada tem a ver com a sua candidatura. “Se há essa avaliação do JHC, ele deve ter alguma pesquisa com relação a isso para dizer que nos beneficia. Mas, trabalhar para retirar a candidatura de A, B ou C nós nunca fizemos isso”, colocou ainda o candidato do Progressistas.

Além de JHC negar acordo com DC, ele afirma que saída de Almeida beneficiaria Davi Filho

  • Lula Vilar
  • 02/10/2020 13:27
  • Blog do Vilar

O deputado federal e candidato à Prefeitura de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), enviou ao Portal CadaMinuto uma resposta em relação às declarações do ex-prefeito e também candidato Cícero Almeida (Democracia Cristã).

Almeida disse que houve um acordo entre JHC e as Executivas estadual e municipal do Democracia Cristã para a renúncia de sua candidatura e o apoio da agremiação ao PSB. O ex-prefeito se disse traído pelo próprio partido e após uma reunião com o deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB) – presidente da sigla que coliga com Almeida – frisou que sua candidatura “estava mantida” e que iria à Justiça se preciso fosse.

Como repercutir as falas de Almeida aqui nesse espaço, faço também algumas considerações sobre a resposta encaminhada por JHC ao CadaMinuto, que foram publicadas no site.

O deputado federal não apenas só nega que tenha tido influência nas decisões tomadas pelas Executivas do Democracia Cristã. Além de dizer que as declarações de Cícero Almeida são “infundadas e imaginativas”, JHC de forma indireta acaba por atribuir a outro candidato – o deputado estadual Davi Davino (Progressista) – a condição de pivô da situação.

JHC não fala que Davi Davino teria agido nesse sentido, mas deixa a indagação no ar quando frisa – na resposta encaminhada – que “vale ressaltar ainda que a saída (de Cícero Almeida) tem potencial para beneficiar outros candidatos na disputa, já que na última pesquisa de intenção de votos divulgada pelo Data Sensus, Davi (Davino) Filho, sobe 8% com a saída de Almeida”.

Ora, para bom entendedor meia palavra basta, quanto mais as entrelinhas presentes nessa declaração. A nota encaminhada ao portal ainda afirma que “apesar de ter anunciado seu nome para a corrida eleitoral, o ex-prefeito da capital não havia começado a campanha, não possui contas em atividade nas redes sociais, nem faz qualquer tipo de ação na rua”.

Ou seja: JHC acaba – por meio dessa nota – por classificar a campanha de Almeida como inexistente. Se João Henrique Caldas expõe a verdade, surge a pergunta: por qual razão ele teria sido citado então nessa confusão? Vale frisar que o deputado federal do PSB poderia simplesmente ter negado e pontuado que as alegações de Cícero Almeida não possuem fundamento. No entanto, fez questão de citar Davi Davino Filho de forma expressa, além de relacionar a inexistência da campanha de Almeida com o benefício ao candidato do Progressistas.

Cícero Almeida: “Nós temos coligação. Ela tem que ser respeitada. Minha candidatura está mantida”

  • Lula Vilar
  • 02/10/2020 12:24
  • Blog do Vilar
Foto: Arquivo/Cada Minuto
Deputado Cícero Almeida

Conversei com o ex-prefeito e candidato à Prefeitura de Maceió, Cícero Almeida (Democracia Cristã), no final da manhã de hoje.

De acordo com ele, a candidatura ao Executivo municipal da capital alagoana está mantida.

“Nós temos uma coligação. Essa coligação tem que ser respeitada. Minha candidatura está mantida e, se for o caso, nós vamos judicializar”, colocou.

Na manhã de hoje, conforme noticiou o CadaMinuto, as executivas estadual e municipal do Democracia Cristã haviam anunciado a retirada da candidatura de Cícero Almeida por conta de um acordo fechado com o deputado federal e também candidato a prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Almeida disse que foi pego de surpresa pelo diálogo e chegou a afirmar que havia sido “traído” pelo partido. Segundo Almeida, os diálogos de JHC se deram com os representantes das executivas sem que ele estivesse sabendo. “Ele (JHC) conversou apenas com o Democracia Cristã e não com o PTB”, frisou ainda Cícero Almeida.

O ex-prefeito de Maceió se disse disposto a ir a Justiça para manter sua candidatura e que o apoio do PTB do deputado estadual Antônio Albuquerque também está consolidado nesse sentido.

A decisão de Almeida foi tomada após uma reunião – ocorrida na manhã de hoje – com o deputado estadual Antônio Albuquerque, que indicou a vice-candidatura da chapa de Cícero Almeida.

“Contrariando os interesses de alguns, eu sigo candidato”, finalizou o ex-prefeito.

Segundo Almeida, Democracia Cristã o traiu ao fazer acordo com JHC. Não se trata de uma mera desistência

  • Lula Vilar
  • 02/10/2020 11:24
  • Blog do Vilar
Foto: Arquivo/Cada Minuto
Deputado Cícero Almeida

Pela matéria publicada pelo site CadaMinuto, a possível desistência do ex-prefeito Cícero Almeida (Democracia Cristã) no pleito eleitoral desse ano se dá em função de uma “traição” do partido do próprio Almeida, que teria fechado aliança com o candidato a prefeito e deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), sem avisá-lo.

Caso essa seja a realidade, JHC conseguiu tirar Almeida do pleito no tapetão para assim alterar a disputa, já que Almeida estava figurando na pesquisa de forma a incomodar os primeiros colocados, ainda que – conforme esses números – sem chance de ser eleito, caso as eleições fossem hoje. A pergunta que fica é: o que temeria o deputado federal João Henrique Caldas, que nas últimas pesquisas registradas vinha configurando como o primeiro colocado?

Provavelmente, JHC acredita que parcela significativa dos votos de Cícero Almeida passe a migrar para ele. Na entrevista concedida ao CadaMinuto, Cícero Almeida foi claro ao se dizer surpreendido. Ele diz que foi candidato – em aliança com o deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB) – por conta de uma “missão”. Ele acusa o Democracia Cristã de ter ido pela “ambição”.

“A traição veio do próprio partido”, frisou Cícero Almeida. O candidato da Democracia Cristã diz que foi informado da decisão do partido por meio de uma carta de renúncia, “mas não chegou a assinar o documento”.

Enquanto escrevo esse texto, Cícero Almeida se encontra reunido com o deputado estadual Antônio Albuquerque para juntos decidirem o que farão. De acordo com o CadaMinuto, o acordo entre o partido de Almeida e o candidato JHC se deu ontem, dia 1º de outubro.

Almeida ainda disse estar acostumado com “esse tipo de traição”. “Ocorreu comigo no PRTB e no PSD”, frisou ainda. Cícero Almeida ainda comparou a sua situação com a do vice-governador Luciano Barbosa em Arapiraca. O MDB tirou a legenda de Barbosa e tenta impedir a sua candidatura no município. A briga por lá é com Renan Calheiros.

Vale lembrar também – e aqui sou eu quem lembro – da confusão envolvendo o Avante. Ricardinho Santa-Rita (Avante) desistiu de sua candidatura à Prefeitura de Maceió para apoiar o JHC. Ele chegou a anunciar a coligação entre o PSB e o Avante, mas por meio de um “acordo lá em cima”, o Avante passou a apoiar o candidato Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) e Santa-Rita foi sozinho para o lado de JHC. Obviamente que, nessa situação, Ricardinho Santa-Rita desistiu da disputa por vontade própria, mas é outro que também entra no rol de traídos pelo partido.

As aglomerações políticas e a hipocrisia. Lembrem de Renan Filho: “não vote em quem aglomera”

  • Lula Vilar
  • 02/10/2020 11:03
  • Blog do Vilar

O que aponto aqui nesse texto já foi – evidentemente – percebido por muitas outras pessoas que fizeram indagações justas em relação às atividades de campanha que estão sendo realizadas nas eleições municipais. Houve algumas matérias jornalísticas nesse sentido, inclusive aqui no CadaMinuto e na Gazetaweb.

É fato que as campanhas estão gerando aglomerações tanto na capital quanto no interior do Estado, desrespeitando – abertamente – o protocolo sanitário estabelecido pelo próprio governo estadual, incluindo as mais recentes regras para eventos sociais.

Não por acaso, o Ministério Público Estadual (MPE) notificou a Secretaria Estadual de Saúde para que fizesse um protocolo específico para as atividades eleitorais. Eu me indago: para que um protocolo específico? Lembro da máxima de George Orwell em A Revolução dos Bichos: “Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros”.

Ora, os políticos não são de fauna diferente. Se as atividades produzidas por eles ferem o protocolo já existente e esse determina PARA TODOS o que pode e o que não pode, as campanhas ferem tal protocolo e pronto! Que sejam tomadas logo as providências cabíveis.

Afinal, o poder público seria bem mais enérgico (aposto!) se a quebra de protocolo se desse por parte do setor produtivo. Não por acaso, algumas manifestações realizadas durante o período da pandemia foram duramente criticadas por isso. Pesos e medidas diferentes? Se fosse um evento social com essa “concentração de gente”, e não fosse campanha, talvez tivesse polícia, processo e o escambau.

Todavia, a hipocrisia tomou conta do processo eleitoral. E muitos dos adeptos do famoso “fique em casa”, que já criticaram de todas as formas o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) por promover aglomerações, agora fazem a chama “vista grossa”. No Brasil, muitas vezes o problema não é o que é feito, mas sim quem faz.

Basta uma visita às redes sociais dos candidatos para perceber tais aglomerações. Uma das caminhadas promovidas pelo candidato Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB), por exemplo, reúne milhares de pessoas, todas juntinhas, o que evidentemente não seria permitido pelo governo estadual caso fosse um outro tipo de atividade. Aí, seria destaque como “mau exemplo”.

Mas não é só Alfredo Gaspar. Em uma recente matéria jornalística da Gazetaweb é possível ler que Davi Davino (Progressistas) “arrastou multidões” com “grande concentração de pessoas na capital” (leia-se: aglomeração). As fotos publicadas pela reportagem falam por elas mesmas. Mas, caro leitor, estavam todos de máscaras: esse objeto místico que projete nas aglomerações, não é mesmo? Santa hipocrisia.

Ah, o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB) não fica de fora da crítica. No mais, não sejamos hipócritas: há muitos candidatos que só não aglomeram porque não possuem eleitor suficiente para isso...

E assim vão eles, todos os candidatos, entre abraços e beijos. Tudo aquilo que para os meros mortais – por indicação dos especialistas – não é permitido, pois para esses é “toque de pezinho” ou “toque de cotovelo”.

Repito: mesmo havendo tudo isso em evidência, o Ministério Público Estadual quer a elaboração de um protocolo específico, como se protocolos não já existissem proibindo eventos, regulando shows etc.

Talvez, o coronavírus – caro leitor – não goste muito de atividades políticas. Ou talvez, o poder público não seja assim tão rígido com os de sua casta. Afinal, entre os “aglomeradores” está o candidato apoiado pelas duas máquinas públicas.

Não estou dizendo aqui que as campanhas não devam existir, nem que essas atividades não devam ser feitas. O leitor que me acompanha sabe que defendo a tese de que já deveríamos ter tidos, com base nos números da matriz de risco, mais avanços na reabertura gradativa em Alagoas, incluindo até o retorno parcial das aulas, iniciando pelas que menos aglomeram, como cursos técnicos, cursinhos etc.

Portanto, o que ressalto aqui é os pesos e medidas.

Estou dizendo aqui apenas o seguinte: é impressionante como a hipocrisia fica às claras. Assim, as autoridades fazem um monte de regras que proibiriam essas mesmas “atividades aglomerativas” se não fossem eventos políticos, mas essas mesmas autoridades eleitas – que adoravam o discurso do “fique em casa” - se calam diante dessa “concentração de gente”.

Lembro-me, por exemplo, de uma fala do senhor governador Renan Filho (MDB) aconselhando os eleitores a não votarem em candidatos que aglomeram. Será que diante das caminhadas promovidas pelo seu próprio candidato (que é semelhante aos eventos promovidos pelos demais), Renan Filho manteria a mesma frase? Perguntar não ofende.

Vale ressaltar que as massas são necessárias para se mostrar o volume da candidatura nas ruas, sendo – inclusive – uma estratégia de marketing na angariação de votos, já que o candidato que aparece forte atrai eleitores.

Pela lógica de Renan Filho, portanto, o eleitor teria uma dificuldade imensa de escolher o seu candidato. Enquanto isso, o coronavírus segue sendo um problema para os eventos de grande porte, para o retorno às aulas (que pode ter muito mais controle do que em uma atividade de campanha), para a retomada de cinemas, teatros, museus etc. Talvez, o governo estadual saiba quais são e quais não são os lugares que o vírus chinês frequenta… vai que é isso.

O fato é que não há campanha sem as massas. Os políticos sabem disso. Então, que eles sejam mais iguais que os outros nesse momento. Que o que passe a valer para determinadas ações sejam válidas para todas, sem protocolo específico para A ou B.

Engraçado ainda é que para disfarçar, afinal não pode ser tão assim na cara, eles (os candidatos) colocam uma máscara e pronto: está todo mundo protegido. Eu sempre achei que usar máscara fosse uma prerrogativa de muitos políticos… Parece ser mesmo. Só que agora, além de metaforicamente, literalmente também.

Mas e aí, lembraremos ou não de Renan Filho: não votar em quem aglomera? Ou aceitaremos passiva e bovinamente que determinadas regras só passem a valer para uns e outros não… Enquanto isso, o Ministério Público cobra, para os que já se sentem diferenciados, um protocolo diferenciado…

Renan Calheiros credita avaliação de Bolsonaro a uma “revisão de estilo”. Ele sabe que não é só isso…

  • Lula Vilar
  • 29/09/2020 10:30
  • Blog do Vilar
Foto: UOL
Renan Calheiros

Em entrevista à jornalista Vanessa Alencar, aqui no Portal CadaMinuto, o senador Renan Calheiros (MDB) creditou o crescimento da avaliação positiva do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a uma “revisão do próprio estilo” e ao auxílio emergencial. Renan Calheiros conhece política o suficiente para saber que não é só isso e que, mesmo que o presidente tenha mudado algumas posturas, como evitar os choques com a imprensa no “cercadinho”, há muito mais elementos que o fizeram, inclusive, estar mais forte no Nordeste.

Segundo uma pesquisa recente (de intenções de voto para 2022), Jair Bolsonaro supera o ex-presidente Lula (PT) na região Nordeste, que era tida como um reduto eleitoral dos petistas. Afirmar que isso se dá apenas por uma “mudança do próprio estilo” é uma bobagem. Há uma série de fatores que influem para o momento vivenciado por Bolsonaro, apesar das crises e de alguns erros do Executivo federal, como o de ontem, por exemplo, ao anunciar o “Renda Cidadã” de forma insípida e sem explicar detalhadamente como funcionaria a transferência de recursos para sustentar o programa.

Bolsonaro e seu governo deram um susto no mercado e isso refletiu na Bolsa de Valores e no câmbio do dólar. Porém, o governo federal tem acertos e fatores que fazem com que a avaliação positiva do presidente seja sólida. Não se trata apenas de um “estilo” ou do “auxílio emergencial”, como alguns gostam de pontuar.

Um dos fatores – que o senhor Renan Calheiros, em entrevista, finge ignorar – é o fato do governo Bolsonaro não ter tido escândalos de corrupção da forma como se viu nos governos anteriores, que foram as gestões petistas apoiadas por Calheiros. Era uma corrupção endêmica que servia de base para um projeto de poder, envolvendo inclusive as siglas aliadas, no loteamento de estatais etc, como a própria agremiação de Renan Calheiros: o MDB.

Os roubos escancarados pela Lava Jato tiveram reflexos políticos, e o “lavajatismo” acabou ajudando na eleição de Bolsonaro, pois parte de seus eleitores queria uma ruptura com o sistema. Esse sentimento ainda é presente. Sem outro nome que o canalize, acaba indo para Bolsonaro por gravidade.

Sem contar que a corrupção foi um dos fatores que levou à tragédia econômica. No governo Dilma Rousseff (PT) – apoiado por Renan Calheiros – foram dois anos de queda consecutiva do PIB a índices negativos. Só houve reversão no governo de Michel Temer (MDB), adversário de Calheiros, e se manteve positivo em 2019, no governo Bolsonaro. Ou seja: o país dava sinais de recuperação da tragédia.

Alguns podem dizer: “Mas há os escândalos envolvendo filhos do presidente”. Sim, há. Não se pode negar isso e se há denúncia que se apure.

O mais explorado deles envolve o senador Flávio Bolsonaro. Apesar de respingar no presidente e agora na primeira-dama, eis que não é uma questão que envolva o governo em si. Obviamente que, em função da gravidade das denúncias, elas precisam ser apuradas e, se houver culpa por parte dos acusados, que sejam presos. A lei deve ser aplicada para todos.

É claro que esses casos fazem com que o presidente perca em avaliação positiva. Porém, não o suficiente para que ele pare de crescer, ainda mais quando uma parcela da imprensa deixa claro o ranço ideológico.

Então, a ausência de grandes escândalos de corrupção contribue para que um povo que foi tão roubado em passado recente enxergue algo de positivo no atual governo.

Além disso, há os efeitos da pandemia.

Os reflexos econômicos das medidas restritivas atingiram muitas pessoas, que ficaram sem renda alguma. Paralelo a isso, muitos governos estaduais tiveram seus gestores apontados em desvios de recursos envolvendo justamente as ações de Saúde no combate à pandemia, o que mostrava o quanto o caos era lucrativo para essa gente. Isso fez com que o presidente ganhasse força no embate com os governadores.

Quanto mais durou o isolamento, quanto mais a economia se esfacelava, mais o discurso de Bolsonaro passou a fazer sentido em relação à cobrança por uma reabertura. Pessoas que perderam seus empregos, seus negócios, suas rendas passaram a ser mais críticas quanto ao prolongamento das medidas restritivas. Ao sentirem isso, só tiveram como socorro imediato o auxílio emergencial do governo federal. E aí, sim: ele entra aqui como um dos fatores que “anabolizaram” a aprovação do presidente. Bolsonaro demonstrou resiliência, apesar das críticas justas e injustas que sofreu, por ter onde se apoiar.

Renan Calheiros sabe disso. Porém, evita se aprofundar para passar a sensação de que o presidente teve que se “adequar” para ter uma boa avaliação. Ora, independente do “estilo” adotado por Jair Bolsonaro, ele vem sendo criticado o tempo todo por significativa parcela da mídia. Bolsonaro não teve “refresco” entre muitos formadores de opinião. Talvez, a maioria. Isso não quer dizer que todas as críticas feitas ao presidente sejam injustas. Longe disso.

O governo federal parece ser feito de ilhas. De um lado, os militares com seu positivismo. Do outro, a equipe econômica tentando traçar planos com base em números para modernizar a economia do país. Há ainda os que possuem os velhos vícios da política e de quem o presidente agora se aproxima, como é o caso da estreita relação com o deputado federal e líder do Centrão, Arthur Lira (PP). Por vezes, vemos um verdadeiro bater de cabeças. Além, evidentemente, do abandono de muitas pautas de costumes apresentadas por Bolsonaro nas eleições.

Algumas dessas ações de Bolsonaro foram criticadas até mesmo pelo professor Olavo de Carvalho, que é abertamente um de seus maiores apoiadores. O que chamo atenção aqui é que há determinadas críticas que são feitas independente de qualquer coisa que o presidente faça, mas única e simplesmente porque há setores da imprensa que são dominados pela esquerda. Agora, há sim críticas que são merecidas, pois governo nenhum é perfeito e todos precisam ser vigiados o tempo todo. Políticos são nossos empregados e não o contrário.

E isso inclui Bolsonaro. Ele foi eleito para ser cobrado por suas promessas de campanha. Quando foge disso, merece a pancada. Assim como quando erra, merece a pancada.

Então, Bolsonaro errou sim. O governo errou com o Ministério da Educação, pode errar feio na forma como se aproxima demasiadamente do Centrão e quando se afasta de pautas caras à direita sendo – assumidamente – um governo de direita. Porém, também acertou.

Em todo caso, o crescimento da popularidade de Bolsonaro não se dá apenas por um ou outro aspecto, mas por um conjunto de fatores nos quais nenhum desses elementos pode ser desprezado. E há ainda o fato de seus adversários não terem se renovado, e serem os mesmos nomes que foram sumariamente rejeitados no processo eleitoral de 2018, tendo em vista o resultado daquelas eleições que deixou muitos medalhões de fora, sendo a reeleição de Renan Calheiros uma exceção, quando observamos o ocorrido com outros caciques políticos em seus estados.

Não falo aqui, portanto, apenas da disputa presidencial. Isso ainda pesa no Brasil de agora.

Vale ressaltar que, aqui nesse texto, eu nem citei a maior presença do governo federal – e em alguns casos do próprio Jair Bolsonaro – em uma agenda intensa de obras e eventos, divulgando ações por regiões do país. É óbvio que isso é fazer política. É óbvio que se pensa no fortalecimento da imagem do governo. É óbvio que, em alguns casos, são continuidades de obras que vinham de governos passados, mas concluí-las é mérito e explorar o fato político é legítimo.

Em Alagoas, por exemplo, houve a presença do Ministro de Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, destacando o trabalho do Executivo federal junto ao Canal do Sertão e de obras de reurbanização em Maceió; e também a do Ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, garantindo recursos para o Programa do Leite e de universalização do acesso às águas, que é desenvolvido pelo governo estadual de Renan Filho (MDB). Pesquisem no Google e verão coisas assim espalhadas pelo país. As visitas de Bolsonaro e de seus ministros também tiveram algum impacto.

A avaliação é mais ampla do que “topificar” apenas dois fatores. Renan Calheiros sabe disso…

De “super-secretário” ao adversário público dos Calheiros: Luciano Barbosa!

  • Lula Vilar
  • 29/09/2020 09:40
  • Blog do Vilar
Valdir Rocha
Luciano Barbosa

Como mostrado pelo CadaMinuto, o governador Renan Filho (MDB) nomeou o novo secretário de Educação do Estado de Alagoas: Fábio Guedes Gomes, que antes comandava a Fundação de Pesquisa de Alagoas (Fapeal). Sai Laura Souza e entra Fábio Guedes. O gesto de Renan Filho é o ato final de um rompimento que já era explícito: o corte de todo e qualquer espaço do vice-governador Luciano Barbosa (MDB) no governo estadual. Simples assim.

Na primeira eleição de Renan Filho para o Executivo estadual, o nome de Luciano Barbosa – em uma chapa puro-sangue – foi bancada pelo senador Renan Calheiros (MDB). Barbosa, que deixou a gestão municipal de Arapiraca bem avaliado, trabalhava a possibilidade de se candidatar a deputado federal, mas a composição o levou à condição de vice-governador.

Era visto – pelos Calheiros – como um “coringa” dentro do governo. Tanto é assim que lhe foi entregue a pasta da Educação. Foi Barbosa que trouxe sua subsecretária, Laura Souza, que acabou assumindo a cadeira de titular com o afastamento de Luciano Barbosa, que se afastou para construir sua caminhada na disputa pela Prefeitura Municipal de Arapiraca.

Em entrevista à jornalista Vanessa Alencar, o senador Renan Calheiros (MDB) disse que foi surpreendido pela candidatura de Luciano Barbosa, pois o partido apostava – em Arapiraca – no nome do deputado estadual Ricardo Nezinho. Acreditar que Renan Calheiros – um dos enxadristas mais espertos da política alagoana – foi surpreendido é semelhante a acreditar em Papai Noel ou Coelho da Páscoa.

A possibilidade da candidatura de Luciano Barbosa era tratada em todos os bastidores políticos, inclusive com a cobertura ampla da imprensa. Eu mesmo, aqui nesse espaço, entrevistei o deputado estadual Ricardo Nezinho, ainda no período pré-eleitoral, sobre a disputa interna no MDB de Arapiraca. Nezinho confirmou que ele e Barbosa disputavam a condição de pré-candidato, mas sem brigas e sim na busca por um entendimento. Renan Calheiros, portanto, jamais poderá dizer que Luciano Barbosa foi um elemento surpresa com o qual o MDB não contava. É mentira.

Cada paralelepípedo de Arapiraca sabia das intenções de Luciano Barbosa. Na política, isso é legítimo, pois não há nada – do ponto de vista legal – que impedisse Barbosa de querer disputar o pleito atual. Claro: poderia haver o compromisso com Renan Calheiros e com o governador Renan Filho de continuar no cargo de vice-governador até o final. Todavia, cumprir compromissos “de boca” nunca foi o forte de nossos políticos.

Há coisas nessa disputa interna do MDB que ainda não foram publicizadas. Outras que, evidentemente, envolvem o xadrez eleitoral de 2022. Afinal, Luciano Barbosa, na condição de vice-governador e sendo fiel aos Calheiros, era a certeza da máquina pública trabalhar em função dos projetos de Renan Filho, que inclui uma disputa pelo Senado Federal e das alianças que Renan Calheiros poderia firmar na disputa pelo Executivo, independente do candidato ser Luciano Barbosa ou não. Afinal, o vice-governador era um homem de missão.

Por isso, além de vice-governador, era o secretário de Educação na condição de um super-secretário. Hoje, é um inimigo dos Calheiros. A partir de agora, isso independe da eleição de Arapiraca. Candidato ou não, sendo eleito ou não, Luciano Barbosa passa a ser uma pedra nos sapatos dos Renans. Caso Renan Filho se afaste do cargo para disputar o Senado Federal, toda a máquina pública até então comandada por ele pode tomar outro destino e apoiar até um grupo rival.

Logo, seria óbvio – por parte do governador – isolar Luciano Barbosa o quanto antes. A mudança na pasta da Educação é mais uma consequência dessa disputa.

Não há surpresas nos movimentos de Luciano Barbosa. Assim como não há surpresa na resposta de Renan Filho quanto às mudanças na Educação. Ele tira um nome de confiança do vice-governador e coloca alguém ligado a ele.

O que muda para a Educação do Estado? Sinceramente, creio que quase nada. Luciano Barbosa era um secretário apático, distante de entrevistas e de holofotes e fez uma gestão mediana, que teve a sua continuidade na gestão de Laura Souza, que tinha até – ou buscava ter – um perfil mais técnico.

Citar a mudança como consequência dos últimos atritos de Laura Souza com sindicato de professores é bobagem. Até porque foi feita tempestade em copo d’água em relação às declarações da ex-secretária. O comentário tido como polêmico de Souza foi mostrado de forma descontextualizada e, diante disso, não se pode afirmar que houve ataque ou não aos professores, assédio moral etc.

Fábio Guedes chega a secretaria de Educação por um único motivo: Luciano Barbosa não terá mais qualquer espaço no governo e será um vice decorativo. O problema é que, independente de qualquer coisa, o vice-governador já mudou o cenário de 2022 e é isso que enfureceu os Renans.

Se o MDB fosse a F1, os Renans seriam os donos da Ferrari!

  • Lula Vilar
  • 25/09/2020 18:47
  • Blog do Vilar

Em entrevista exclusiva à jornalista Vanessa Alencar, aqui do Portal CadaMinuto, o emebebista-mor-senador Renan Calheiros e o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB) comentaram o imbróglio envolvendo o vice-governador Luciano Barbosa (MDB) e a disputa pela Prefeitura de Arapiraca.

Bem, não posso afirmar qual seria o acordo de Luciano Barbosa com os “Renans”. Se havia e isso envolvia o compromisso de Barbosa de permanecer até o fim como vice-governador, para dar sustentação a candidatura de Renan Filho ao Senado Federal, e podendo, o próprio Luciano Barbosa, ser o candidato ao governo em 2022 pelo MDB, é óbvio que a decisão do vice-governador agora irrita o senador Renan Calheiros e o governador.

Ambos, evidentemente, possuem parcela de razão. Afinal, lidam com o que não se encontrava no scritpt e foram surpreendidos com a punhalada. “Até tu, Brutus”, poderia dizer Renan Calheiros, que por vezes se posiciona como um César.

Porém, nessa briga interna do MDB, o que não tem é santo, muito menos neófito na política. O imbróglio criado por Luciano Barbosa vai para além dessa eleição. Afinal, agora – independente do que ocorra com o vice-governador (se será ou não candidato; se vai permanecer ou não no MDB) – ele surge com uma peça que pode complicar a vida dos Renans para 2022.

Nas eleições vindouras, nem Renan Calheiros nem Renan Filho gostaria de ter no governo estadual alguém que não fosse de extrema confiança de ambos. Luciano Barbosa era a certeza do MDB ter a máquina pública nas mãos para dar sustentação à futura disputa. É evidente, pelas falas de Renan Calheiros e de Renan Filho, que Luciano Barbosa não é mais esse homem de confiança.

O que sentiu Barbosa ao tentar definir os seus próprios rumos e – segundo Renan Calheiros – nem mais atender telefonemas? Se Renan Filho diz que “se o MDB fosse uma F1, Luciano sempre foi escalado para dirigir a Ferrari”, o vice-governador pode ter pensado o seguinte: “Se o MDB fosse a F1, os Renans seriam sempre o dono da equipe”.

Sendo assim, aquele que é escalado não consegue se “auto-escalar” e fica sempre na dependência dos caciques, que não só são os donos dos carrinhos vermelhos como comandam todos os mecânicos.

Ora, Luciano Barbosa pode ter sentido então a necessidade do “voo solo”. Afinal, não é fácil recordar de um nome associado aos Calheiros que, no longo prazo, tenha conseguido alçar voos maiores do que aqueles predeterminados pelos “donos da Ferrari”. Se, no objetivo de concretizar tais “sonhos”, Luciano Barbosa agiu certo ou errado, feriu ou não as diretrizes do partido, aí é com a Justiça.

O fato é que politicamente, Renan Calheiros teve que usar o seu poder de dono de equipe para retirar o piloto do carro e lembrar que ele não é o dono. É do jogo! Ainda mais quando se coloca no tabuleiro os planos de longo alcance.

Agora, numa coisa, Renan Filho tem razão: faltou a construção de um diálogo. Na ausência desse, o senador Renan Calheiros acabou na posição em que se encontra. Vale lembrar que alguns dias antes, era o próprio Calheiros que criticava o senador Rodrigo Cunha (PSDB) por interferir num diretório municipal do tucanato para impor a sua vontade (a de Cunha) em função dos planos que possui no horizonte. Como disse antes, em outra postagem: pimenta no partido dos outros é refresco.

Entre Luciano Barbosa, Renan Calheiros e Renan Filho, caro leitor, há aquele tipo de disputa onde, muito possivelmente, todos eles possuem razão. Afinal, se o MDB fosse a Fórmula 1, o senador Renan Calheiros tem o espírito enxadrista de querer definir não apenas quem pilota a Ferrari, mas a MacLaren e todas as demais nas quais ele puder influir.

Talvez Luciano Barbosa tenha notado isso.

O vice-governador só esqueceu de perceber que ao sair da Ferrari, farão de tudo para colocá-lo em um Fusca. Aí é com a habilidade dele, a partir de agora, de construir o próprio futuro, pois ganhou um adversário de peso.

O problema real é que enquanto eles (todos eles) tentam pilotar Ferraris, Alagoas caminha sempre lentamente.

A densidade eleitoral do PT está refletida nas pesquisas

  • Lula Vilar
  • 22/09/2020 09:43
  • Blog do Vilar

Em entrevista ao CadaMinuto, o candidato do PT à Prefeitura de Maceió, Ricardo Barbosa, avaliou o fato dos postulantes à majoritária, em 14 capitais do país, não aparecerem entre os favoritos na corrida eleitoral, conforme as pesquisas que foram realizadas até agora.

Isso inclui Maceió, em que Barbosa – que já ocupou o cargo de vereador na capital alagoana – não alcança sequer dois dígitos e aparece nas posições finais da lista de candidatos.

O petista acredita que “a densidade eleitoral do PT não está refletida em pesquisas”. Eu discordo frontalmente de Ricardo Barbosa. A densidade eleitoral do Partido dos Trabalhos é de fato a que se encontra aí. O PT paga por seus erros, como ocorreu nas eleições passadas. Isso não significa dizer que membros da agremiação ainda não tenham alguma capilaridade eleitoral.

Claro que há uma densidade, como se observou em uma recente pesquisa eleitoral – publicada pelo PoderData – em que o ex-presidente condenado por corrupção Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), ainda aparece com 21% das intenções de voto e o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mesmo diante das crises que enfrenta, surge com 35%. Ainda há um sentimento “plebiscitário” no campo nacional.

Mas ainda assim há uma diferença entre o que é de Lula e o que é do PT, mesmo que os dois estejam umbilicalmente ligados.

Essa pesquisa ainda mostra que, no Nordeste (um reduto eleitoral considerado petista), Bolsonaro surge com 45% e Lula fica 23%. É válido lembrar que Lula ainda tem uma densidade maior do que o PT, mas já não possui a mesma força. Em parte por conta dos atos praticados pelo próprio Lula e as condenações sofridas e, em outra parte, pelo próprio PT que comandou um dos maiores escândalos de corrupção no mundo, envolvendo diversos partidos aliados na época.

O PT não inventou a corrupção no país. Porém, ao mesmo tempo em que se vendeu como bastião da moralidade para chegar ao topo, ampliou o sistema de corrupção do país em nome de projeto de poder que tinha características ideológicas. A legenda, por diversos momentos, ainda afrontou valores de uma significativa parcela da população e o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi um desastre político e econômico. Foram dois anos, por exemplo, do PIB negativo e de orçamento deficitário do qual o país ainda se recupera.

O PT mentiu sobre seus adversários, sofreu com os resultados da Operação Lava Jato, não conseguiu reavaliar sequer os próprios erros e ainda assumiu o discurso do “nós contra eles” sem compreender a realidade ou se descolando completamente dela. Tudo isso terá reflexos nas eleições municipais, ainda mais diante da polarização em que o país se encontra.

Não por acaso, PDT e PSB tentam formar uma aliança nacional para assumir o protagonismo das esquerdas nas eleições espalhadas pelo país. Em Alagoas, o candidato dessa união é o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB). Porém, a boa avaliação alcançada pelo presidente Jair Bolsonaro faz com que o discurso de JHC seja mais ameno em relação às críticas ao chefe do Executivo federal. JHC – em entrevista – já falou sobre manter um “bom diálogo” com o governo federal e que não trará a pauta nacional para o âmbito local.

O PT vive – portanto – seu declínio. Negar isso é negar a realidade. Com exceção daqueles petistas que possuem uma densidade própria, os demais sentirão o peso do que a sigla representa hoje, angariando – é verdade – uma parcela dos votos da esquerda, mas perdendo votos até mesmo entre aqueles que são anti-bolsonaristas, pois há, entre esses, os que buscam alternativas, como já enxerga o PDT, o PSB e até mesmo outros partidos que tentam se posicionar como mais moderados, como é o caso de PSDB e Democratas.

Não por acaso que, alguns anti-bolsonaristas tentam xingar “bolsonaristas” de “petistas ao contrário” ou destacar supostas semelhanças entre as militâncias para expô-las como “radicais”. As declarações de Ricardo Barbosa parecem não levar isso em conta.

Não se trata, portanto, apenas de “reflexos de um quadro onde o PT sofreu ataques, que começou no impeachment da presidenta (Barbosa que usa essa palavra) Dilma”. São reflexos sim, mas não de ataques vazios feitos ao PT, mas de críticas com substância e de divergências com os planos que o Partido dos Trabalhadores tinha para o país. Em uma democracia, é natural que se rejeite um partido que se quis hegemônico e se envolveu em tantas corrupções.

Barbosa está certo em um ponto, a meu ver: quando o eleitorado começar a ouvir o debate da campanha e o PT se fizer presente vai – de fato – associar o presente com o passado. Agora, eu duvido que o resultado seja sentir saudades do PT. Em todo caso, acredito sim que o Partido dos Trabalhadores ainda tem densidade eleitoral, mas – pelo retrato do momento – não é o suficiente para ser a força que já foi um dia, do ponto de vista eleitoral.

Some-se a isso o fato do histórico do PT em Maceió não ser dos melhores. Sempre teve dificuldades para fazer vereadores e na majoritária acumula derrotas.

No palanque de Fernando Pereira cabe Cunha, Biu de Lira e Collor

  • Lula Vilar
  • 17/09/2020 16:29
  • Blog do Vilar
Foto: Assessoria
Fernando Pereira lança candidatura a prefeito de São Miguel dos Campos

Nas eleições de 2020, os Pereira – que contam com o comando de prefeituras como Campo Alegre (Pauline Pereira) e Teotônio Vilela (Joãozinho Pereira) – querem ampliar as forças e entraram na eleição de São Miguel dos Campos. O candidato é um dos irmãos: o ex-secretário estadual Fernando Pereira (Progressistas).

O grupo, que conta com uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, a deputada Jó Pereira (MDB), demonstrou ter um palanque eclético na disputa por São Miguel dos Campos. Fernando Pereira conta com o apoio dos senadores Rodrigo Cunha (PSDB) e Fernando Collor de Mello (PROS), além do ex-senador Benedito de Lira (Progressistas). 

Para quem lembra da eleição de 2018, Fernando Collor ensaiou disputar o governo estadual em uma chapa que tinha o PSDB e o PP. Rodrigo Cunha se afastou – naquele momento – desses dois nomes e fez uma campanha solitária, não querendo subir no palanque nem com Collor e nem com Lira. A ausência de apoio do próprio grupo fez Collor desistir da disputa e ser substituído pelo ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna.

Dois anos depois – em uma convenção partidária – os Pereira conseguiram colocar os três políticos no mesmo palanque, ainda que Cunha tenha participado de forma “virtual”, por meio de um vídeo gravado. Fernando Pereira aglutinou as três forças. Não sei se outra candidatura, pelo Estado de Alagoas, tenha o apoio do trio formado por dois senadores e um ex-senador. Todavia, a presença dos três em um único palanque é algo inusitado. Ainda mais quando Jó Pereira é representante do MDB, que tem em seus quadros o senador Renan Calheiros.

Fernando Pereira comandou a cidade de Junqueiro – outro reduto eleitoral dos Pereira – por dois mandatos. Agora, busca ser prefeito de São Miguel dos Campos. 

A presença da família Pereira na política alagoana é exitosa do ponto de vista dos sucessos eleitorais. Jó Pereira foi a deputada estadual mais votada, com mais de 53 mil votos. Pauline Pereira tem destaque no comando da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e Joãozinho Pereira se destaca como um dos grandes articuladores do grupo. 

Caso essa seja mais uma eleição de êxito para os Pereira, a família se torna um grupo político que pode mirar em 2022. O poder não deixa vácuo. Vale ressaltar que Jó Pereira – mesmo estando no MDB – tem uma postura de independência na Casa de Tavares Bastos e, por diversas vezes, assume até o papel de confronto a alguns pontos do governo Renan Filho (MDB). 

Faz uma oposição inteligente e com substância, apesar de pecar pelo excesso de progressismo e bandeiras politicamente corretas.

Ela é, atualmente, um dos nomes de maior visibilidade do grupo e pode – consequentemente – buscar algo bem maior que uma cadeira de deputada estadual. Portanto, o resultado do xadrez de agora pode definir um futuro mais distante.

Não se pode duvidar, ao observar determinados palanques que, como a Arca de Noé, eles (os palanques) são capazes de juntar os mais diversos exemplares de uma fauna, do poder de articulação dos Pereira para garantir aliados e, desta forma, terem peso político no cenário, ocupando aquele espaço em que fica claro o seguinte: qualquer composição em uma futura disputa pelo Executivo estadual e pelo Senado passará por diálogos com os Pereira. 

Quem assumirá missões maiores, a depender das eleições de agora, dentro desse grupo político? Bem, destaco uma frase do ex-deputado federal Givaldo Carimbão, durante o evento: “Acreditem: se for Pereira, qualquer um serve”. Particularmente, eu aposto que seria Jó Pereira a se credenciar para um voo maior… Justiça seja feita: ela vem conquistando esse espaço naturalmente. 

Cícero Almeida: mais um a se posicionar como “amigo do presidente”

  • Lula Vilar
  • 17/09/2020 15:54
  • Blog do Vilar
Extra de Alagoas
Cícero Almeida

No cenário da disputa eleitoral em Maceió, os principais candidatos estão evitando o ataque ao presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido). Alguns até ensaiam falar de uma aproximação com o governo federal que garantiria parcerias futuras caso eleitos.

O motivo é óbvio: Bolsonaro – conforme as recentes pesquisas de opinião pública – se encontra bem avaliado no Nordeste e, especialmente, na capital alagoana. 

Uma das pesquisas recentes mostra 62% de aprovação do presidente da República. Obviamente essa é uma das razões para até mesmo a chapa firmada entre o PDT e o PSB, encabeçada pelo candidato e deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), evitar o discurso de oposição ao governo federal.

No cenário nacional, PSB e PDT se uniram para formar uma coalização de esquerda. Isso resultou em chapas em diversas capitais brasileiras, incluindo Maceió. 

O objetivo, no longo prazo, é uma aliança que possibilite uma base para a presidência em 2022. Ciro Gomes (PDT) – que disputou a eleição em 2018 – pensa em ser candidato a presidente mais uma vez. 

Atacar Bolsonaro também é algo impensável dentro do MDB de Maceió, mesmo com o senador Renan Calheiros (MDB) sendo um dos ferrenhos opositores do presidente da República. 

O candidato Cícero Almeida (Democracia Cristã) – que já comandou os destinos de Maceió e, quando era prefeito, já deixou claro sua admiração pelo ex-presidente Lula (PT) – também se posicionou como um “amigo do presidente”, durante a convenção que oficializou o seu nome.

O principal aliado de Almeida é o deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB), que já teceu elogios a Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. 

Em uma declaração repercutida pelo G1, Almeida disse o seguinte: “tem alguns candidatos que são inimigos ferrenhos do presidente da República. Sou amigo do presidente e dos filhos dele. Então tem essa facilidade, também sou amigo de três ministros do presidente e acho que isso vai facilitar a busca de recursos para reconstruir Maceió”. 

O discurso de Almeida foi semelhante ao de JHC que disse que, se eleito, a primeira agenda ia ser a aproximação com o governo federal e com o presidente da República. 

Na chapa do candidato a prefeito e deputado estadual Davi Davino (Progressistas), o canal com o presidente da República é o deputado federal Arthur Lira (Progressista). 

Bolsonaro já pontuou que não participará do processo eleitoral municipal no primeiro turno. 

Agora, é preciso reconhecer: o único dos candidatos que é bolsonarista desde eleições passadas é Josan Leite (Patriotas). Ele disputou – em 2018 – o governo do Estado de Alagoas pelo PSL, o antigo partido de Jair Bolsonaro. 

Pelo visto, se houver ataques a Bolsonaro eles só virão da esquerda mais vermelha, com o PSOL, que terá como candidata a ex-reitora da Universidade Federal de Alagoas, Valéria Correia; do PT, com Ricardo Barbosa ou da jornalista Lenilda Luna da Unidade Popular. 

Rodrigo Cunha diz que PSDB vai analisar internamente situação de deputados tucanos que não apoiam JHC

  • Lula Vilar
  • 16/09/2020 18:05
  • Blog do Vilar
Foto: Vanessa Alencar / Cada Minuto
Rodrigo Cunha e JHC

Na manhã de hoje, 16, durante a convenção partidária que confirmou a candidatura do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), à Prefeitura de Maceió, o senador Rodrigo Cunha (PSDB) voltou a frisar o apoio do “ninho tucano” ao socialista, mesmo não tendo indicado o vice na chapa, como era esperado. 

O vice de JHC, na disputa pelo Executivo municipal, é ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT). 

Não é segredo – entretanto – que o PSDB vivenciou uma disputa interna, que foi protagonizada pelo senador Rodrigo Cunha e pela deputada federal Tereza Nelma, justamente por conta do espaço de vice na chapa do PSB.

Todavia, antes mesmo disso, os deputados estaduais da legenda – Cibele Moura e Dudu Ronalsa – já haviam deixado claro que não apoiariam JHC. 

Moura e Ronalsa marcharão – em Maceió – ao lado do candidato e deputado estadual Davi Davino (Progressistas). JHC levou, formalmente, o apoio do PSDB e do senador Rodrigo Cunha, mas não terá ao seu lado os líderes do partido. 

Para Cunha, “essa é uma situação que o PSDB vai analisar internamente, com a comissão de Ética, e vai se posicionar sobre o assunto”, frisou. O senador evita alimentar a polêmica. 

Não é a primeira vez que isso ocorre, com o ninho tucano, em uma eleição. Vale salientar que, em 2018, o próprio senador Rodrigo Cunha se distanciou das alianças firmadas pelo partido, não marchando ao lado do ex-senador Benedito de Lira (Progressistas), quando esse tentou renovar o seu mandato no Senado Federal, mas acabou derrotado nas urnas. 

Eram dois candidatos ao Senado na chapa. Um era Cunha. O outro era Lira. 

Cunha também não apoiou a candidatura ao governo estadual do senador Fernando Collor de Mello (PROS), que desistiu da disputa pelo Executivo justamente pela ausência de apoio de seu próprio grupo, sendo substituído pelo ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna (PROS). 

A diferença é que – naquele momento – Cunha se distanciou completamente da eleição para o governo do Estado e focou em chegar ao Senado Federal, obtendo êxito e sendo o mais votado. Portanto, não esteve ao lado adverso do “ninho tucano”, ainda que não concordasse com os rumos da legenda.

Uma das únicas alianças firmadas por ele foi justamente com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC, que renovou o seu mandato na Câmara dos Deputados.

Essa aliança rendeu a JHC a indicação da mãe Eudócia Caldas para ser suplente do senador Rodrigo Cunha, além da relação que se estreitou e resultou no acordo político fechado esse ano para a disputa da Prefeitura de Maceió. 

O xadrez de Rodrigo Cunha – segundo bastidores – visa o ano de 2022. Caso seja eleito, JHC apoiaria o senador tucano para o governo estadual. 

Apesar da aliança PSB-PDT, JHC diz que não fará discurso “anti-Bolsonaro” e que governo federal será “aliado de primeira hora”

  • Lula Vilar
  • 16/09/2020 17:46
  • Blog do Vilar
JHC

O PSB e o PDT fecharam alianças políticas em diversas capitais do país. O objetivo é iniciar – já nas eleições municipais – uma frente de oposição ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), com foco nas eleições de 2022. 

Por exemplo, as uniões foram feitas no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP). Essa verticalidade foi até mencionada pelo próprio presidente estadual do PDT de Alagoas, Ronaldo Lessa.

Portanto, em Maceió, as duas siglas também se uniram, como já amplamente divulgado pela imprensa. O resultado foi a desistência do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) de disputar a Prefeitura da capital alagoana. 

Com isso, Ronaldo Lessa passou a ser vice na chapa encabeçada pelo candidato a prefeito e deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB). 

Apesar de o alinhamento ser nacional e ter como objetivo o fortalecimento de uma frente de esquerda no país, JHC – ao confirmar sua candidatura, na tarde de hoje, dia 16 – frisou que não fará um discurso “anti-Bolsonaro” na capital alagoana. 

Ele, em conversa com a imprensa, ressaltou a “boa relação” que possui com o governo federal em Brasília (DF), o que inclui a boa relação pessoal com o filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro. 

Além disso, um dos primeiros apoiadores da pré-candidatura de JHC foi o deputado estadual bolsonarista Cabo Bebeto (PTC).

Para JHC, não cabe em uma eleição municipal a discussão sobre a posição das siglas quanto ao governo federal. 

“Essa discussão não pertence ao nível municipal, uma vez que em Brasília temos uma boa relação com o governo federal e Maceió não pode ser dar jamais ao luxo de achar que vai ser administrada sem o governo federal. Nós vamos preparar um bom time de técnicos, com bons projetos e o governo federal será um aliado de primeira hora”. 

“Então, as eleições vão dá certo e a primeira agenda que nós vamos fazer, eleitos, é no governo federal e se possível com o próprio presidente da República”, finalizou ainda JHC. 

Agora foi a vez de Renan Calheiros anular convenção municipal (Ou: Pimenta no partido dos outros é refresco...)

  • Lula Vilar
  • 15/09/2020 17:27
  • Blog do Vilar

O MDB do senador Renan Calheiros (portanto, o próprio Renan Calheiros) emitiu, recentemente, nota oficial metendo o bedelho nas questões internas do PSDB e defendeu a deputada federal Tereza Nelma (PSDB) na disputa de forças ocorridas no “ninho tucano”.

É que o também senador e presidente estadual do PSDB, Rodrigo Cunha, havia desautorizado a convenção municipal tucana que seria comandada por Nelma e indicaria o nome de Adriana Toledo para ser vice na coligação apoiada pelos tucanos.

Cunha desautorizou a Executiva municipal e fez suas alegações de motivos para isso.

Naquele momento, o MDB de Calheiros colocou que Nelma sofreu “afronta antidemocrática” por não conseguir conduzir os destinos do diretório tucano em Maceió com independência e tendo que se submeter às vontades do diretório estadual. Em outras palavras, é isso!

Agora, o senador Renan Calheiros – que comanda o MDB estadual – desautoriza o diretório emedebista de Arapiraca, que havia lançado a candidatura do vice-governador Luciano Barbosa (MDB) na disputa majoritária local.

Seria agora o senador Renan Calheiros o autor de uma “afronta antidemocrática”? É que pimenta no partido dos outros pode ser refresco… ainda mais quando o presidente estadual desse partido é um adversário político.

Mas, fica tranquilo, Renan Calheiros! Não há antidemocracia nem agora, nem antes. O que há é uma briga interna nos partidos por espaços de poder e aí se usa os argumentos que se possui para dar legitimidade a isso nas instâncias partidárias. Afinal, prevalece o maior cacique. No MDB, Renan Calheiros. No PSDB, Rodrigo Cunha. Simples assim!

É o caciquismo. Afinal, partido tem dono.

O anúncio da candidatura de Luciano Barbosa foi feita na manhã de hoje, dia 15. Mas, no início da tarde – como mostrou o CadaMinuto – sofreu a reviravolta. A nota do MDB estadual é assinada pelo próprio senador Renan Calheiros.

O emedebista-mor diz que a candidatura de Barbosa não segue as diretrizes do MDB, “uma vez que o mesmo foi eleito vice-governador do Estado de Alagoas, não tendo a possibilidade de sua candidatura ao cargo de prefeito de Arapiraca”.

“Parece uma fuga de sua função pública de vice-governador eleito do povo de Alagoas”, diz a nota. Então quer dizer que o MDB acha que se eleito para um mandato tem que permanecer nele até o final? Renan Calheiros diz que a convenção será realizada amanhã, dia 16, sendo cancelada qualquer data anteriormente feita pelo diretório municipal.

“Fez-se necessário tal cancelamento para proteger os direitos dos seus filiados no município em questão, impedindo qualquer prejuízo para o registro de candidatura, assim, não podendo ocorrer qualquer convenção na data de hoje, 15 de setembro, sendo a mesma nula, trazendo prejuízos para todos os candidatos do MDB do município”, frisa ainda.

E complementa: “o Diretório Estadual do MDB determinou diretrizes para o Diretório Municipal, através de resoluções que foram recebidas pelo Presidente do Diretório Municipal, inclusive encaminhando os nomes do Deputado Ricardo Nezinho ou Daniel Barbosa para definição como candidato ao cargo de prefeito, além de outras diretrizes quanto a coligações e demais questões eleitorais”.

Com Almeida, JHC e Alfredo empatam; Sem Almeida, JHC abre vantagem. Candidatura de ex-prefeito altera cenário...

  • Lula Vilar
  • 14/09/2020 17:58
  • Blog do Vilar

No dia 9 de setembro, o ex-governador e ex-deputado federal Ronaldo Lessa (PDT) desistia de sua pré-candidatura à Prefeitura de Maceió para apoiar o deputado federal e pré-candidato a prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Hoje, dia 14, uma pesquisa eleitoral (registrada), pelo Data Sensus, divulgou os números da intenção de votos já simulando um cenário sem a presença de Lessa. Portanto, levando em consideração a aliança entre o PSB e o PDT.

A pesquisa do Data Sensus foi divulgada, com exclusividade, pelo jornalista Edivaldo Júnior, em seu blog no Gazetaweb. Lá o leitor poderá ler na íntegra. De acordo com a matéria do blog do jornalista, o levantamento foi feito em 12 de setembro. Portanto, após aliança divulgada entre Lessa e JHC.

A saída de Lessa do cenário – que chegou a figurar em pesquisas passadas como terceiro ou quarto colocado – teria impacto, evidentemente. Todavia, não foi o suficiente para fazer JHC crescer. Sem Lessa ou com Lessa, para JHC a eleição segue a mesma.

A presença de Ronaldo Lessa na chapa pode até ser um dificultador, pois faz com que JHC perca dois discursos: 1) de ser o “novo” na política, uma vez que Lessa já foi aliado de seus dois principais rivais: o prefeito Rui Palmeira (sem partido) e o governador Renan Filho (MDB); e 2) de qualquer possibilidade de aproximação com fiéis eleitores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Qual o impacto disso na pesquisa? JHC ganha pouco com a aliança. Ambos apenas atendem a um projeto nacional.

Agora, pelos dois cenários “desenhados” pela pesquisa, um fator que impacta é a presença de Cícero Almeida (PSDC), mesmo diante do fato dele não ser um dos líderes da corrida eleitoral.

Do jeito que está, se as eleições fossem hoje e se a pesquisa estiver correta, Almeida define o segundo turno, mas sem a presença dele mesmo, já que os candidatos que iriam para a disputa seriam JHC e Alfredo Gaspar, chegando lá praticamente empatados.

Pelo que se observa dos cenários pesquisados – portanto – é que a saída de Lessa conjugada com a entrada do ex-prefeito de Maceió e ex-deputado federal Cícero Almeida (PSDC) no pleito, prejudica JHC.

Vejamos: Almeida anunciou sua pré-candidatura tendo o apoio do deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB). O levantamento do Data Sensus traz o seguinte resultado: JHC tem 23%, Alfredo Gaspar tem 20%, Cícero Almeida tem 15%, Davi Davino tem 10%, Ricardo Barbosa (PT) tem 2% e Lenilda Luna (UP) tem 1%.

Sem Almeida no páreo, JHC sai do empate técnico e abre vantagem em relação a Alfredo Gaspar de Mendonça. Observemos o segundo cenário: JHC sobe para 33% e Alfredo Gaspar fica com 23%. Davi Davino fica com 18%.

Logo, a candidatura de Cícero Almeida – caso os números do Data Sensus estejam corretos, repito! – parece ser um fator determinante. Mais determinante, inclusive, que o fato da união entre JHC e Lessa ter jogado a candidatura do deputado federal para a esquerda de vez, já que a composição entre o PSB e o PDT faz parte de um projeto nacional de oposição ao presidente, como já pontuado.

O Data Sensus ouviu 1.205 eleitores e tem margem de erro de 2,83%.

Os espectros políticos das chapas – se mais à direita ou à esquerda – parece não impactar tanto, mesmo diante da boa aprovação de Jair Bolsonaro em Maceió. Afinal, o candidato que mais se aproxima da visão de mundo de Bolsonaro, Josan Leite (Patriotas), não apareceu sequer com 1%. Se esses espectros farão diferença ao longo da campanha, aí é outra história.

Afinal, pesquisa eleitoral é retrato de momento. Com o início da campanha propriamente dita, com os discursos nas ruas, as estratégias de marketing etc, tudo muda. Os números de agora só mostram quem ganha e quem perde com a largada.

O fato é que hoje – levando em consideração os números divulgados por Edivaldo Júnior – é Cícero Almeida que bagunça o coreto de JHC e ajuda, ainda que sem querer, Alfredo Gaspar de Mendonça a fazer uma largada melhor do que a que era esperada pelo emedebista. Não tenham dúvida disso...

Evidentemente que Almeida está na disputa na busca pela vitória, assim como os outros. Porém, pela mesma pesquisa, o candidato do PSDC tem um imenso desafio para sair da posição onde se encontra: o índice de rejeição.

Segundo o mesmo Data Sensus, Almeida é o mais rejeitado com 36,3%. Os demais são Ricardo Barbosa, com 5,4%; Alfredo Gaspar (5,2%); JHC (4,3%); Davi Davino (4,1%), Cícero Filho (3%); Lenilda Luna (2,9%); Corintho Campelo do PMN (2,2%); Ricardinho Santa Rita do Avante (1,4%), Josan Leite com 1,2%; e 34% não sabe.

Nonô: “O Democratas vai apoiar Davi Davino e eu sigo secretário para desespero de alguns”

  • Lula Vilar
  • 11/09/2020 09:32
  • Blog do Vilar
Reprodução
Thomaz Nonô

Conversei – na manhã de hoje, 11 – com o secretário municipal de Saúde e presidente estadual do Democratas, José Thomaz Nonô. Como já antecipado nesse blog, Nonô confirma que apoiará – na disputa pela Prefeitura de Maceió – o deputado estadual e pré-candidato, Davi Davino (Progressista).

Nonô disse que a aliança com Davi Davino não tem imposições e que o Democratas não deve indicar o vice da chapa. Ele voltou a frisar o que já havia exposto em um vídeo em suas redes sociais: um dos fatores para apoiar o pré-candidato do Progressista é a preocupação com a eleição proporcional, para dar maior viabilidade aos que vão disputar uma das cadeiras da Câmara Municipal de Maceió pelo Democratas.

O presidente estadual da agremiação acredita que o partido deve eleger dois vereadores, “mas podendo fazer três”. Uma das apostas do Democratas é a eleição de Gaby Ronalsa, que é irmã do deputado estadual Dudu Ronalsa (PSDB).

“Desde que houve o acordo entre o prefeito Rui Palmeira (sem partido) e o governador Renan Filho (MDB) que eu disse que estava fora desse bloco. Administrativamente sou subordinado, com muito orgulho, ao prefeito de Maceió, mas isso não envolve os destinos do Democratas. Então, tudo foi conversado tranquilamente, sem problema algum. O pessoal tem que entender que política não é briga de boxe. Converso com o prefeito, converso com o governador tranquilamente”, colocou ainda o secretário municipal de Saúde.

O que deu para sentir da conversa com Nonô é que pesou para não apoiar Alfredo Gaspar a aliança com o MDB do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho. Em relação à candidatura de João Henrique Caldas, o JHC (PSB), Nonô diz nada ter contra o parlamentar, mas que a figura de Ronaldo Lessa (PDT) como vice representa tudo aquilo contra o qual o Democratas sempre lutou.

“O Lessa traz toda aquela turma ligada com Lula, Dilma etc. O Democratas é um partido que sempre fez oposição a tudo isso. Não faria sentido o apoio a essa candidatura pela própria história do Democratas”, explicou José Thomaz Nonô.

No entanto, apesar do apoio do Democratas a Davi Davino, Nonô frisou que o deputado estadual Davi Maia (Democratas) está livre para apoiar JHC. “Eu conversei longamente com ele e disse que entendia. Ele está livre para isso, afinal já votou em João Henrique outras vezes e eu nada tenho contra o JHC. Apenas disse a ele que se licenciasse da Executiva municipal até o fim da eleição”, pontou ainda o secretário municipal de Saúde.

Os demais nomes do Democratas também estarão livres para isso. “Eles só não terão os benefícios naturais que se tem dentro de uma coligação, pois eu não vendo ilusões”.

“Eu me permito dizer, mesmo sendo muito difícil falar de si mesmo, que consegui fazer exatamente o que pretendia fazer e sem abrir aresta com ninguém, nem com o prefeito, nem com Davi Maia. Eu não vou cobrar que o Davi Maia vote no candidato do partido. O prefeito entendeu a minha posição e a situação está resolvida”, salientou Nonô.

Indagado sobre sua continuidade na gestão municipal, já que Rui Palmeira apoiará a candidatura de Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB), José Thomaz Nonô foi enfático: “eu sigo secretário tranquilamente para o desespero de muita gente. O próprio prefeito me confirmou isso”.