Blog do Vilar

Rodrigo Cunha já se posiciona como candidato ao governo, ainda que de forma indireta...

  • Lula Vilar
  • 21/07/2021 12:45
  • Blog do Vilar
Assessoria
Rodrigo Cunha

Em recente entrevista ao Tribuna Hoje, o senador Rodrigo Cunha (PSDB) respondeu, ao ser questionado sobre a possibilidade de disputar o governo de Alagoas, da seguinte forma: “não descarto essa possibilidade, acredito que tenho atributos para concorrer sim ao governo, mas nesse momento o foco é combater a pandemia da Covid-19 que ainda está aí”.

Ou seja: Cunha adotou o discurso da cautela, como se o xadrez político fosse secundário e não concorresse, ao menos paralelamente, com o papel que desempenha enquanto senador. É que Rodrigo Cunha adota – nesse discurso – o tom tradicional dos políticos que, diante dos holofotes, se posicionam de forma diferente dos bastidores. É uma tradição.

O senador, no entanto, sabe muito bem que seu nome vem se consolidando desde que se elegeu para o Senado e que, com a vitória de João Henrique Caldas, o JHC (PSB), para a Prefeitura de Maceió, esse projeto político real e existente deu um passo adiante. Natural que, assim como o mandato, seja também prioritário. Todavia, o marketing do bem não permite que as coisas sejam tão explícitas.

Afinal, fazia sim parte desse “acordo político”, o senador apoiar JHC para a Prefeitura da capital alagoana e, na eleição vindoura, JHC devolver o apoio tendo Cunha como seu candidato ao Executivo.

Quando em entrevista à Tribuna Hoje, Cunha trata o tema como uma “possibilidade”, dentro de um discurso que soa mais ou menos assim: “pode ser que se concretize ou não, mas a minha preocupação principal é o mandato de senador, o resto a gente vê depois”. Falácia. O “resto” já está sendo visto agora.

Ora, não é de se discordar que o senador Rodrigo Cunha tenha uma preocupação total com seu mandato. Isso é verdade. Ele tem feito projetos, trabalhado no Senado Federal com propostas que merecem até elogio, como o caso do “nome limpo”, da defesa inicial que fez em relação às implantações de creches e outros pontos. Há também motivos para críticas, enfim… Porém, é ingenuidade achar que o senador enxerga a disputa pelo governo como uma possibilidade que ele não descarta. É mais que isso, com certeza!

Rodrigo Cunha trabalha – e é legítimo isso – para ser candidato. Só não será, ao que tudo indica, se as circunstâncias descartarem ele, o que é diferente dele descartar a possibilidade.

Entre essas circunstâncias, está a possibilidade da “mosca azul” – diante das pesquisas de intenção de votos que vem sendo realizadas – picar o prefeito JHC. Afinal, nas mais recentes avaliações feitas pelo Paraná Pesquisas, Data Sensus, Falpe e outros, o nome do chefe do Executivo municipal surge mais bem posicionado que o de Cunha. Eles são do mesmo bloco político.

Não creio que seja a intenção de JHC, mas – em política – há quem não goste de observar cavalos passando selados. Em todo caso, creio que hoje, o senador Rodrigo Cunha é o candidato do grupo e o prefeito apoia essa construção.

Agora, que a declaração dada ao Tribuna Hoje é uma clássica “ensabonetada” em que os políticos assumem o “marketing do bem” para parecerem “desinteressados” e não tão “ambiciosos”, isso é. O que é uma bobagem, pois nada mais natural de que Rodrigo Cunha ter a pretensão e trabalhar, dentro do grupo político ao qual faz parte, a estruturação de uma candidatura que é natural. Mas é que o senador se acostumou – e é afeito – às declarações politicamente corretas ou que possam ficar ali se equilibrando em um muro, mesmo tendo muita coisa interessante realizada em seus anos de mandatos, seja como senador ou deputado estadual.

O que descrevo aqui é ainda reforçado pela mais recente postagem do jornalista Edivaldo Júnior, na Gazetaweb, que coloca o senador Rodrigo Cunha como candidato ao governo do Estado e divulga um texto enviado pela assessoria do tucano.

No texto da assessoria de Rodrigo Cunha é trabalhada – de forma enfática – a fala do governador Eduardo Leite (PSDB) dando o aval à candidatura do senador alagoano ao Executivo estadual. Na matéria enviada à imprensa não há a fala de Rodrigo Cunha, mas como para bom entendedor basta meia palavra, Edivaldo Júnior compreendeu muito bem o posto e foi no foco.

Apoiando-se nas declarações de Leite e, por meio de sua assessoria, Cunha utilizou dessas entrelinhas para ser mais assertivo do que foi na entrevista da Tribuna Hoje. Afinal, se não é ele mesmo que fala, então vale assumir a candidatura por via indireta e fazer o teste. Que o Leite fale por Cunha e aí se mede o termômetro e a reação da opinião pública...

Promoção inteligente da própria posição no xadrez político; não há o que se negar, ainda sabendo que essa fala de Leite não tenha sido o ponto auge do evento, pois o governador Gaúcho também tem como foco promover sua candidatura à presidência, ainda mais diante das brigas internas pelas quais passa o PSDB nacional.

Eis a fala de Leite reforçada pela assessoria de Cunha, que é inclusive o trecho que sustenta a manchete do release: “Rodrigo Cunha tem todas as credenciais para ser o candidato do PSDB. O senador tem a competência, a qualidade técnica e ao mesmo tempo a vontade e a disposição para ser governador. Esta é uma decisão do PSDB e dos apoiadores locais e a política precisa ser feita com esta coragem. Rodrigo Cunha tem o nosso apoio e receberá todo o nosso respaldo, assim como deve receber dos apoiadores locais em Alagoas”.

Falas de Cunha nesse texto oficial? Não há! Afinal, o senador tucano, caso questionado sobre a informação que consta no release de sua própria assessoria, será cauteloso como foi no Tribuna Hoje. É do jogo!

Linhas e entrelinhas: pontos interessantes dos discursos na política…

Ronaldo Lessa: da busca pelo Senado e as “eleições difíceis”

  • Lula Vilar
  • 19/07/2021 16:02
  • Blog do Vilar
Tiago Logan/CM
JHC, Ronaldo Lessa e Rodrigo Cunha

Em entrevista ao jornalista Ricardo Mota, o vice-prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa (PDT) afirma ter ganho todas as eleições difíceis em Alagoas e, paradoxalmente, ter perdido as mais fáceis. Um ponto é verdade, em 2006, quando concorreu ao Senado Federal, Ronaldo Lessa deixou o governo do Estado com uma alta aprovação junto à opinião pública.

Todavia, surpreendentemente, foi atropelado pelo então candidato e, atualmente, senador da República, Fernando Collor de Mello (PROS). Se brincar, nem deu tempo de anotar a placa. Muito dessa derrota é culpa do próprio Ronaldo Lessa que se acreditava eleito, tendo já combinado seu destino com os eleitores que não vieram, no final das contas, para o seu lado.

Naquele momento, o desacerto foi tão grande que Ronaldo Lessa demorou a se reabilitar politicamente e, com ele, a derrocada de todo o bloco político que o cercava. Ricardo Mota está corretíssimo quando cita aí o componente da soberba. Esse baque foi sentido no PSB e no PDT que, no auge de Lessa, tiveram a importância que o PSDB teve em Alagoas até pouco tempo.

O PSB só ressurgiu, dentro das disputas majoritárias na capital, com o atual prefeito João Henrique Caldas, o JHC. Ainda assim, um político que não guarda identidade com o histórico PSB alagoano, haja vista as disputas internas que JHC teve, por exemplo, com Kátia Born, que migrou para o PDT. Hoje, o grupo político de Lessa se refaz junto ao jovem que domina o partido que já foi sua casa, mas sem a identidade peculiar dos que lá estavam. O PDT então, nem se fala. Sequer vereador elegeu.

Desde então, Ronaldo Lessa – que havia sido um protagonista de nossa política – se tornou um coadjuvante em busca de espaços políticos para si e para o partido. Quando ensaiou uma nova candidatura ao Senado Federal, entrou em uma rota de colisão com o senador Renan Calheiros (MDB). E aí, pela acomodação de interesses foi candidato ao governo do Estado contra o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).

É isso mesmo, a avaliação é minha, mas nada me tira isso da cabeça: o senador Renan Calheiros – enxadrista que é – limpou o cenário para si mesmo e ofertou a Lessa a disputa pelo governo do Estado para não ter que entrar em rota de colisão com o pedetista. Se Lessa ganhasse o governo, naquela disputa, Renan Calheiros ganharia, pois era o candidato dele. Se Lessa perdesse o governo, Renan Calheiros ganharia pois era o senador da República sem ter que enfrentar a capilaridade do pedetista. Entendeu agora, Ronaldo?

Aquela eleição não foi fácil para Lessa. E Lessa foi derrotado! Serviu de peça para compor o palanque de Renan Calheiros e amargou não ter mandato. Na sequência, quando Renan Filho (MDB) foi candidato ao governo estadual pela primeira vez, Ronaldo Lessa foi candidato a uma das cadeiras da Câmara dos Deputados. O senador daquela chapa foi Fernando Collor de Mello, aquele que havia derrotado o pedetista no longínquo 2006.

E assim, Lessa foi perdendo a condição de líder para além das trincheiras do partido e se tornando um dependente do roteiro eleitoral desenhado por seus aliados, desempenhando assim o espaço que lhe cabia...

Como toda eleição é difícil, dessa vez, Lessa ganhou uma eleição difícil. E a prova de que essa é uma disputa difícil é que – posteriormente – não se reelegeu. Teve que aguardar outra posição de coadjuvante, abrindo mão de ser candidato a prefeito de Maceió para, humildemente (como diz Lessa, na entrevista), ser vice de JHC.

Entre derrotas e vitórias, as derrotas levaram Lessa a migrar de blocos políticos conforme ditava a sobrevivência. Assim, já foi aliado de Rui Palmeira, quando esse era prefeito pelo PSDB. Rompeu! Virou aliado de Renan Filho e fez seu partido ocupar a ARSAL e a Agricultura, mas rompeu. Saiu do Palácio República dos Palmares até reclamando de cargos. E assim foi nos últimos tempos, ora aliado de um grupo, ora de outro, até ensaiar uma candidatura própria ao Executivo municipal (no ano passado) que não se concretizou.

Tudo isso, presumo eu, é algo difícil!

Lessa ganhou eleições difíceis, mas perdeu eleições igualmente difíceis que quase o joga para o ostracismo, não fosse sua capacidade de sobrevivência política. A eleição que ele talvez achasse fácil, mas perdeu, seu grande inimigo foi a soberba, como já dito.

Evidentemente que Ronaldo Lessa ainda tem capilaridade eleitoral considerável e isso faz com que seja um nome a pleitear a posição de candidato ao Senado Federal dentro da chapa encabeçada pelo grupo de JHC. O candidato mais provável ao Executivo estadual, nessa conjuntura, é o senador Rodrigo Cunha (PSDB).

O que Ronaldo Lessa não tem mais é posição de líder dentro de um grupo político.

Se consolidar a candidatura o Senado, Ronaldo Lessa entra em um imprensado que tem hoje como possíveis postulantes o senador Fernando Collor de Mello e o atual governador Renan Filho? Eleição que não é fácil. É difícil. É difícil desde o tapetão, pois nessa cadeia alimentar, os líderes que estão acima de Lessa podem devorar os planos dele e, assim como no passado, ele enxergue uma “eleição fácil” para justificar o futuro resultado…

Ao romper um costumeiro “silêncio fisiológico”, Marcelo Victor dá uma entrevista com contradições sobre o “futuro político”

  • Lula Vilar
  • 13/07/2021 14:07
  • Blog do Vilar
Foto: ALE
Deputado Marcelo Vitor

No xadrez político das eleições de 2022, que já começa a ser jogado agora em Alagoas, o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Vitor (Solidariedade) é um dos pontos definidores de futuras jogadas.

O parlamentar – que comanda o parlamento estadual com forte influência sobre muitos dos colegas de Casa – trabalha seus passos para o ano vindouro com posições dúbias típicas de quem busca estar do lado que julgará vencedor. Diz que seu projeto pessoal é ser candidato a deputado estadual mais uma vez. Porém, fala de correntezas imprevisíveis sobre o futuro político. Diz que o governador fala aos quatro cantos que é candidato, mas afirma nunca ter ouvido nada de Renan Filho. E assim caminham as contradições...

Sendo assim, Marcelo Vitor não descarta nada, mesmo afirmando uma posição teoricamente fixa, pois seu foco é permanecer no poder. Ele pode marchar ao lado do deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), pode ser um aliado do atual governador Renan Filho (MDB) e – dentro dessas possibilidades – assumir como “governador tampão” caso Renan Filho parta para disputar o Senado Federal.

Por essa razão, Marcelo Vitor, que cultiva um “silêncio fisiológico” em sua carreira política, só abre a boca de forma estratégica. Quem acompanha o “passo a passo” do parlamentar, sabe que ele não é muito afeito a entrevistas. Prefere atuar nos bastidores e quanto mais longe dos holofotes, melhor.

Se rompeu o silêncio, em uma entrevista concedida ao jornalista Arnaldo Ferreira, na Gazeta de Alagoas, esse passo também foi estratégico. Afinal, é possível disputar uma das cadeiras do parlamento de maneira silenciosa e fisiológica, mas para voos mais altos é preciso se comunicar de outra forma.

A própria entrevista – portanto – pode ter sido um primeiro passo diante da possibilidade do Executivo cair em seu colo e ele ser um candidato à reeleição.

Logo, o presidente da Assembleia Legislativa adotou a postura de falar o que julga necessário para o momento, com a cautela própria dos mais experientes “animais políticos”, dando recados para a própria fauna na qual se encontra.

Ao afirmar que é candidato à reeleição, Marcelo Vitor o faz de forma a não descartar qualquer hipótese que possa se construir dentro do que classificou como “correnteza política”. Em outras palavras, mesmo trabalhando para uma reeleição, o presidente da Casa de Tavares Bastos se posiciona no xadrez com um olhar atento. Razão pela qual – inclusive – fala em “união das forças políticas” caso assuma o governo por meio de uma eleição indireta.

Nas entrelinhas, a possibilidade dele ser um pivô de um grande acordo que aglutine forças, que no momento parecem distante, em um mesmo palanque.

O jornalista Arnaldo Ferreira – que soube tocar nos pontos que precisavam ser tocados ao entrevistar Marcelo Vitor – fez um excelente trabalho jornalístico, sobretudo por conseguir trazer declarações de um personagem político que prefere como regra o silêncio. Todavia, é perceptível que Marcelo Vitor encaixa em cada pergunta certeira uma resposta sagaz.

Ao ser indagado sobre a possibilidade de assumir o governo, o presidente da Assembleia destaca que “Renan Filho anuncia aos quatros cantos que vai sair no momento certo para disputar as eleições do próximo ano”. Bem, os movimentos do governador são de bastidores e não de holofotes. Quem já entrevistou o chefe do Executivo estadual sabe que ele foge uma posição definidora quanto a uma futura candidatura. Nesse caso, ou Marcelo Victor revelou um bastidor sem pudores ou lançou a candidatura de Renan Filho como uma certeza e foi o primeiro a fazer isso.

O presidente da Assembleia não dá ponto sem nó. Percebam isso!

Marcelo Vitor segue: “Quem está preparado para governar e atender plenamente os três milhões e 300 mil habitantes? Quem? Quem tem capacidade para resolver todos os problemas que Alagoas tem historicamente? A solução está numa união de forças”. A suposta humildade do deputado estadual pode ser um convite a uma aglutinação de forças políticas? Quem sabe…

O fato é que na mesma entrevista em que Marcelo Vitor diz ser candidato à reeleição a deputado estadual, ele é questionado sobre a possibilidade de assumir um “mandato tampão” e partir para disputar o Executivo na sequência. Sobre isso, segundo o jornalista Arnaldo Ferreira, ele faz um silêncio reflexivo antes de mandar a resposta: “Veja, a política correnteza própria. Tem uma rota própria. Eu não sou candidato a governador e nem existe vaga para ser assumida. O governador Renan Filho foi eleito pelo povo para concluir seu mandato em dezembro de 2022. Vejo tudo isso como especulação”.

Percebam, claro leitor, que a segunda resposta guarda contradição com a primeira. Na primeira, Marcelo Victor mostra a certeza de que Renan Filho é candidato ao Senado. Na segunda, ele diz que não há vaga a ser assumida. Assim como entender que a política tem uma “correnteza própria” é saber que, diante das possibilidades abertas por esse rio comprimido pelas margens das especulações, abrir brechas, eis que o cenário pode mudar.

Outros pontos também são contraditórios nas falas de Marcelo Vitor, aquele que “não trabalha com especulações”, segundo ele mesmo. Indagado por Ferreira se aceitaria o desafio de disputar o Executivo caso ele surgisse, Marcelo Victor destaca: “Não existe desafio que o político não aceite. Não se trata disso. Trata-se de uma discussão democrática que não pode ultrapassar as instâncias. Se escolhe candidato a governador nas instâncias”.

Ou seja: Marcelo Vitor se firma como candidato à reeleição porque ninguém é candidato de si mesmo quando assunto é majoritária. Sabendo disso, fala em união de grupo, se coloca com humildade, descarta especulações, ao mesmo tempo em que se posiciona no xadrez como possibilidade de ser um aglutinador de forças. E assim, com isso acontecendo, pode assumir um discurso próprio dos espertos políticos: ser candidato ao governo não por conta de um projeto pessoal, afinal disputaria a reeleição, mas sim porque foi chamado pelas circunstâncias, instâncias e correntezas...

A quebra do silêncio fisiológico de Marcelo Vitor pontua algo no cenário das discussões políticas: “o projeto político pessoal do deputado Marcelo Vitor para 2022 é ser candidato a deputado estadual”, mas há por aí as “correntezas”. Esse é o mesmo Marcelo Vitor que diz que o governador Renan Filho “anuncia aos quatros cantos que vai sair no momento certo para disputar as eleições do próximo ano”, mas que – mesmo diante de um chefe do Executivo tão falador – não pode afirmar que é candidato na majoritária porque “o governador nunca me disse que pretendia deixar o governo”. Mais uma contradição proposital ou não.

Ah, mas Marcelo Vitor diz que “a boca que fala o que não ouve não constrói”.

No mais, é de se parabenizar Arnaldo Ferreira, pois com perguntas precisas que cobram do entrevistado o detalhamento do que ele pensa, conseguiu extrair de Marcelo Vitor muitas respostas que merecem análises interessantes...

Fábio Costa pode “bagunçar o coreto” na disputa pelo Senado Federal

  • Lula Vilar
  • 07/07/2021 19:33
  • Blog do Vilar
Delegado Fábio Costa

O nome do vereador e delegado da Polícia Civil de Alagoas, Fábio Costa (PSB), vem sendo ventilado, nos bastidores da política alagoana, como um possível candidato ao Senado Federal no próximo ano.

Caso o governador Renan Filho (MDB) seja candidato ao Senado e Fernando Collor de Mello (PROS) também consolide sua busca pela reeleição, Costa entrará no “imprensado” como a novidade do pleito.

Vereador mais votado pela capital, o desafio de Costa para viabilizar seu futuro político é lidar com o PSB. Com ideais de direita, mais próximo da linha conservadora, o delegado é um nome que destoa do partido.

Isso ficou ainda em maior evidência diante do embate com a vereadora Teca Nelma (PSDB) e da defesa recente que Fábio Costa fez do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O PSB se movimenta para expulsar o edil da legenda por conta dessa “treta” com a vereadora tucana. Evidentemente que isso é apenas o “motivo” que faltava.

De toda forma, isso pode abrir a portas para que – de forma mais independente – Fábio Costa comece a costurar seu futuro político. O nome dele não pode ser ignorado. Afinal, o delegado já provou – na disputa por uma das cadeiras da Câmara Municipal de Maceió – que tem capilaridade. Ele foi o mais votado.

Não bastasse isso, a recente pesquisa do Data Sensus mostra o vereador liderando a corrida pelo Senado Federal na capital alagoana. Há aí ainda um detalhe: ele não anunciou candidatura. Caso a pesquisa esteja correta, em Maceió, Fábio Costa pontou com 27,3% nas intenções de votos.

É claro que se trata apenas da capital alagoana, mas o resultado pode incomodar os possíveis adversários, já que – em Maceió – Costa bateu Fernando Collor, que ficou com 11,2% e o governador Renan Filho, com 9,7%. A pesquisa ainda coloca o deputado estadual Davi Davino (Progressistas) na disputa, que surge com 8,8%.

Mostrando-se um candidato viável, que é o desafio do vereador também, ele, no mínimo, abocanha uma fatia de eleitorado que pode fazer falta a Collor ou a Renan Filho, pois não entra como um nanico na disputa. No máximo, pode se aproveitar da onda da polarização que deve se fazer presente em 2022, por conta até mesmo da eleição presidencial. E aí, nesse caso, mais que um incomodo aos adversários passa a ser uma ameaça real aos caciques.

A pesquisa foi realizada em Maceió nos dias 25 e 26 de junho. De acordo com o Data Sensus foram ouvidos 1.222 eleitores e o nível de confiança estimado é de 95%, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Se o vereador abraçar a ideia, obviamente, tem tempo para tentar trabalhar o seu nome no interior. E aí, quem achava que a eleição poderia ser polarizada entre Collor e Renan Filho pode se ver diante de uma surpresa, levando em consideração o Data Sensus estar correto.

Alexandre Ayres: uma candidatura em busca de consolidação e da decisão de um “líder solitário”

  • Lula Vilar
  • 02/07/2021 10:46
  • Blog do Vilar
Reprodução/Arquivo
Alexandre Ayres

De acordo com informações publicadas recentemente na Coluna Labafero, o secretário de Saúde, Alexandre Ayres, já se movimenta na busca de se consolidar como possível candidato ao governo do Estado de Alagoas.

Entretanto, a única possibilidade de Ayres é se ele for o nome sucessor do atual governador Renan Filho (MDB), o mesmo chefe do Executivo que – até aqui – nunca se preocupou em construir sucessor algum.

Afinal, como tão bem definiu Jó Pereira: é um líder solitário que abriu o vácuo de lideranças em Alagoas, mesmo com uma boa avaliação de gestão.

Ayres – ainda segundo informações da Labafero – deve adotar uma estratégia singular: tentar trabalhar a pré-candidatura, desde cedo, por meio de um apelido: “Xambinho”.

O atual secretário de Saúde não tem pontuado bem nas recentes pesquisas de intenção de votos. Mesmo sendo um dos protagonistas nas ações de combate à pandemia em Alagoas, estando sempre ao lado do governador nas coletivas de imprensa, anúncios ou em uma série de entrevistas “solo”, o secretário não alcança sequer dois dígitos.

Claro que há o fator de não ser um político testado nas urnas, de ser menos conhecido que os concorrentes, mesmo diante da visibilidade que tem tido. Romper essa barreira e atingir pelo menos dois dígitos percentuais para se tornar viável é um desafio por si só, diante das circunstâncias e da atual conjuntura.

Se de um lado, há os apoiadores das medidas restritivas e os feitos do governo do Estado na área da Saúde, como o é o caso da construção de hospitais, do outro pesará sobre Ayres as críticas em relação às próprias restrições impostas ao comércio e todo o ônus de representar o governo do Estado. Todavia, há sim espaço para Alexandre Ayres crescer junto às intenções de voto. Mas, ele corre contra o tempo.

Para além disso, um outro fator também dificulta a vida de Ayres caso ele queira mesmo ser candidato ao Executivo estadual. Ninguém é candidato de si mesmo. Alexandre Ayres precisará de um grupo político que lhe dê sustentação para que ele encabece a chapa pela qual o atual governador Renan Filho disputará o Senado Federal.

O problema é que se Renan Filho for mesmo disputar o Senado Federal, ele terá que abrir mão de ser governador e não mais comandará a máquina pública. O emedebista terá que ser o articulador desse grupo político sem ter o governo nas mãos. Afinal, o Executivo será comandado por um governador “tampão” eleito pela Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

Nesse caso, entra em cena o articulador e presidente da Casa de Tavares Bastos, Marcelo Victor (Solidariedade).

Marcelo Victor tem um perfil puramente fisiológico. Atualmente, é um político dúbio e sem posicionamento definido. Pode marchar ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas) em um bloco de oposição a Renan Filho. Marcelo Victor pode também querer ser esse governador tampão e tentar usar do Executivo para construir sua própria candidatura ao governo estadual. São muitas as possibilidades que se abrem para o presidente do parlamento.

Nessa conjuntura, para garantir a condição de ser candidato ao governo, Marcelo Victor pode também tentar fechar acordo com Renan Filho, garantindo o apoio do Palácio República dos Palmares ao próprio governador na disputa pelo Senado Federal. Sendo assim, Alexandre Ayres fica sem espaços para uma candidatura, já que sua única via é o atual chefe do Executivo colocá-lo debaixo do braço.

O fato é que a candidatura de Ayres depende da posição de Renan Filho, que é – como já disse a deputada estadual Jó Pereira (MDB) – um “líder solitário”. Ou seja: o atual governador não tem sucessor porque não sabe construir lideranças, já que vive encastelado e ouve pouco, características próprias do calheirismo, onde – no dito popular – vale o venha a nós, mas ao vosso reino nada.

Sem expressividade para encarar as urnas (no atual cenário), com tantas reticências postas no xadrez político, ainda querendo se tornar conhecido por meio de um apelido de infância (Xambinho), com tantas dependências para a construção de um grupo e com tanta gente só esperando a posição de Renan Filho para construir seus caminhos (inclusive com a possibilidade de abandonar o governador caso ele dispute o Senado), Alexandre Ayres é apenas uma tímida pretensão que pode ou não virar realidade…

Para agora, diante das circunstâncias postas, Alexandre Ayres depende do poder de articulação do governador.

João Caldas articula para ser o único candidato federal com apoio do Executivo de Maceió

  • Lula Vilar
  • 28/06/2021 10:38
  • Blog do Vilar
Divulgação
João Caldas

O ex-deputado federal João Caldas é, conforme informações de bastidores, um dos nomes de forte influência na administração do prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), que é filho do ex-parlamentar.

Ainda que não apareça, é responsável por algumas decisões ou mudanças de rumos...

Pouco citado oficialmente na campanha e na atual administração, João Caldas tem trabalhado – diante da vitória do filho – para retornar a uma das cadeiras da Câmara dos Deputados. Dentro do governo de JHC, sua influência tem incomodado alguns aliados do prefeito.

Ele pode ser candidato pelo PSB do prefeito de Maceió.

Sobre a influência? Bem...

Nos corredores da prefeitura é dito, por exemplo, que a saída do ex-secretário de Saúde, Pedro Madeiro, teve o “dedo” de João Caldas. A forma como o político sem mandato se estrutura já fez com que o deputado estadual Davi Maia (Democratas) fosse desbancado do posto de um dos principais aliados.

Maia focava na estruturação da campanha para a Câmara dos Deputados e poderia ingressar no PSB, sendo um dos nomes de JHC na disputa. Todavia, João Caldas não quer concorrência. Qualquer um – conforme informações de bastidores – que possa ameaçar a candidatura de Caldas não terá legenda no partido, caso ele consolide o nome.

A ideia de João Caldas é estruturar o PSB de forma tal, dentro das regras eleitorais vigentes, que ele seja o mais votado, alcançando assim o retorno a uma das nove cadeiras de deputado federal destinada a Alagoas.

João Caldas quer refazer a imagem na boa avaliação que o prefeito João Henrique Caldas possui, já que tentou retornar ao cenário público em outros momentos, mas não conseguiu. Porém, sempre foi um nome atuante nos bastidores da política alagoana, como na gestão do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), quando tentou surfar na promessa do estaleiro nunca concretizado.

O problema de Caldas são as urnas mesmo. É que é preciso combinar a estratégia com o eleitor, coisa que o ex-deputado federal não tem conseguido. Logo, é preciso nivelar por baixo, estruturar a matemática eleitoral, para assim – quem sabe! - alcançar um lugar ao sol.

Quem se encontra atualmente no PSB e tem pretensões de disputar uma das vagas do parlamento federal já sabe: a legenda não abrirá espaço para quem não tenha o aval do pai do prefeito.

Os principais aliados de JHC que sonhavam com voos mais altos devem se contentar com outros espaços. É o caso de Davi Maia, que deve ser candidato à reeleição, ou do secretário de governo, Francisco Salles, que tentará disputar uma das cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

Roberto Jefferson se reúne com Fernando Collor: PTB de Alagoas entra na conversa?

  • Lula Vilar
  • 17/06/2021 17:05
  • Blog do Vilar

No dia de hoje, o senador Fernando Collor de Mello (PROS) se reuniu com o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. O próprio dirigente da sigla publicou o encontro em suas redes sociais.

A reunião ainda contou com a presença dos petebistas Pedro Chaves, que é presidente da Juventude Trabalhista Cristã Conservadora; Graciela Nienov, que é vice-presidente nacional do PTB; e Mical Damasceno, deputada estadual do Maranhão e presidente estadual da sigla naquela unidade da federação.

A indagação que fica é: estaria Roberto Jefferson e Fernando Collor discutindo o futuro do PTB de Alagoas?

Há muito que nos bastidores há rumores sobre a saída de Collor do PROS. Há informações de um diálogo de Collor com o Patriotas, por exemplo. É que o senador alagoano, que se acostumou a ser camaleônico a cada pleito, tem vestido, cada vez mais, a roupa de bolsonarista. Logo, está em um partido mais alinhado ao presidente faria todo o sentido.

Segundo informações obtidas por esse blog, diante da confusão com o presidente estadual do PTB, o deputado Antônio Albuquerque, Roberto Jefferson e Collor já teriam conversado sobre o destino da sigla em Alagoas. Fernando Collor teria sondado a possibilidade de retornar à sigla.

Vale lembrar que foi pelo PTB que Fernando Collor de Mello se reelegeu senador da República.

Recentemente, Roberto Jefferson destituiu o deputado estadual Antônio Albuquerque do comando da sigla por conta de uma votação na Câmara dos Deputados (o polêmico projeto da liberação da maconha para fins medicinais). O filho de Albuquerque, o deputado federal Nivaldo Albuquerque, se negou a substituir o parlamentar do PTB – que integrava a comissão que analisava a matéria – por ele ser favorável à pauta.

É preciso frisar que Nivaldo Albuquerque e Antônio Albuquerque são contrários ao polêmico projeto, mas o deputado federal disse que mesmo com posição contrária não poderia interferir no entendimento do colega. Isso foi o suficiente para Roberto Jefferson reagir.

Antônio Albuquerque ingressou na Justiça contra o PTB e conseguiu – como já noticiado pelo CadaMinuto – uma decisão favorável, por meio de liminar. Ele segue, portanto, no comando estadual da legenda. O parlamentar ainda pede indenização por danos morais.

A reunião de Roberto Jefferson com Collor, de forma tão publicizada, soa até como uma provocação ao parlamentar alagoano.

Na batalha com Jefferson, Albuquerque tem levado vantagem. Convenhamos: o argumento do deputado estadual alagoano é válido e forte. Afinal, ele não pode pagar por questões envolvendo as posições do partido em relação à Câmara dos Deputados. O que o presidente nacional do PTB fez tem nome: retaliação.

Marcelo Victor pode se aproximar de Renan Filho para consolidar candidaturas

  • Lula Vilar
  • 16/06/2021 09:44
  • Blog do Vilar
Assessoria
Marcelo Victor e Renan Filho

De acordo com informações dos bastidores da política alagoana, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, Marcelo Victor (Solidariedade), pode construir um caminho de aproximação com o Palácio República dos Palmares para consolidar sua própria candidatura ao governo estadual, bem como abrir espaço para que o atual governador Renan Filho (MDB) concorra ao Senado Federal.

Marcelo Victor até então tinha estado muito próximo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), que – em território alagoano – é o principal rival político dos Calheiros, pelo menos até aqui (afinal, em política tudo pode acontecer!).

Nesse sentido, uma candidatura de Renan Filho ao Senado Federal abre espaço para que Marcelo Victor seja o “governador tampão” de Alagoas, eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa. Isso – em tese – lhe garantiria a projeção para disputar o Executivo.

Caso Renan Filho seja mesmo candidato ao Senado Federal e o presidente da Assembleia Legislativa chegue ao posto como aliado de Arthur Lira, o emedebista perde o apoio da máquina pública.

Todavia, em uma possível aliança entre Marcelo Victor e Renan Filho, o primeiro pode assumir o cargo como tampão, se candidatar ao governo estadual e abrir espaço em uma chapa para que o atual chefe do Executivo estadual seja candidato ao Senado com o apoio palaciano.

É difícil de acontecer a segunda possibilidade? Não! Afinal, Marcelo Victor só tem um lado político: o dele mesmo.

Como presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor soube construir e manter acordos, o que lhe garantiu credibilidade com a maioria dos pares. Nesse sentido, pode ele ser o condutor de um grupo para dentro da “chapa” que acredite que vá vencer. Portanto, a aliança de Marcelo Victor com Arthur Lira não são favas contadas.

Já Renan Filho lucra com uma aliança nesse sentido, pois pode ser candidato de forma mais confortável, independente de Marcelo Victor ser eleito ou não. É que Renan Filho tem capilaridade – como mostram as recentes pesquisas eleitorais feitas – para pleitear a única cadeira em xeque no Senado Federal. Já o deputado estadual Marcelo Victor busca um voo para muito além da possibilidade do tamanho das asas que possui hoje, como mostram também as mesmas pesquisas.

Afinal, se a disputa pelo Senado Federal aponta – até aqui – para uma polarização entre Renan Filho e o senador Fernando Collor de Mello (PROS), a disputa pelo governo é uma avenida aberta com vários nomes postos: o deputado estadual Davi Davino (Progressista), a deputada estadual Jó Pereira (MDB), o senador Rodrigo Cunha (PSDB) e até mesmo o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB) vem sendo citado.

Agora, dizem também os bastidores, que a “mosca azul” da possibilidade de assumir a cadeira de governador por via direta já “picou” Marcelo Victor. A questão central é combinar com os eleitores...

Roberto Jefferson diz que Antônio Albuquerque vai perder direção do PTB em Alagoas

  • Lula Vilar
  • 08/06/2021 12:35
  • Blog do Vilar
Vinícius Firmino/Ascom ALE
Deputado Antonio Albuquerque

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse – na manhã de hoje, em suas redes sociais – que o deputado estadual Antônio Albuquerque será retirado da direção da legenda em Alagoas.

Além dele, o deputado federal Nivaldo Albuquerque – filho do parlamentar estadual – também será retirado do corpo diretivo da legenda no estado, segundo Jefferson.

O motivo é a posição desfavorável de Nivaldo Albuquerque em relação a substituição de um dos membros do partido para a apreciação ao Projeto de Lei 399/15, que trata da liberação do cultivo da maconha para fins medicinais no Brasil.

Nivaldo Albuquerque teria esse poder por ser líder do partido na Câmara os Deputados. O pedido se dava para evitar que o deputado federal Eduardo Costa (PTB) votasse favorável a aprovação do projeto. O parlamentar alagoano não atendeu ao pedido de Roberto Jefferson.

Roberto Jefferson entende que o projeto é um “cavalo de Tróia” para a liberação das drogas no país.

A votação está ocorrendo na manhã de hoje na Câmara dos Deputados. Ao falar sobre o assunto, Roberto Jefferson frisou que “a Executiva do PTB, por 90% dos seus membros decidiu posição contra o PL 399, da maconha”. “Emitimos Resolução proibindo deputados de votarem a favor desse projeto. Mas, o líder Nivaldo Albuquerque se recusou a retirar o deputado federal Eduardo Costa da Comissão. Afrontaram decisão partidária”.

Roberto Jefferson ainda complementou: “Peço perdão ao Brasil pelo voto a favor da maconha dado pelo deputado federal Eduardo Costa do PA. Seu processo de expulsão terá curso a partir desse fato concreto, infidelidade partidária. O vice-líder Nivaldo e seu pai Antônio Albuquerque perdem agora a direção do partido em Alagoas”, colocou ainda o presidente nacional da legenda.

Prevalecendo a posição de Roberto Jefferson, isso pode atrapalhar os planos políticos de Antônio Albuquerque, que trabalha para consolidar – por ser presidente estadual da legenda – sua candidatura ao governo do Estado de Alagoas. Para isso, ele precisa da liderança de um partido, uma vez que passa a ser o articulador de seu grupo.

Tanto Albuquerque quanto Nivaldo Albuquerque se pronunciaram nas redes sociais contrários ao PL 399/15. Eles são contra a matéria. A bronca é por o parlamentar alagoano não ter mudando o nome do PTB na Comissão que tratava do assunto.

Resposta

Em suas redes sociais, o deputado federal Nivaldo Albuquerque frisou que o PL 399/15 trata da legalização do plantio da Canabis para uso medicinal. “Se eu fosse votar, votaria contra. Mas, como líder do meu partido não posso retirar do deputado Eduardo Costa o direito de votar de acordo com as convicções dele”.

O deputado estadual Antônio Albuquerque também comentou: “Nossas convicções religiosas, morais e familiares não atendem a modismos, não são recentes nem contraditórias ou oportunistas, mas verdade são históricas e conhecidas de toda a população alagoana”.

Josan Leite sobre ida de Collor ao Patriota: “É uma possibilidade remota”

  • Lula Vilar
  • 07/06/2021 12:29
  • Blog do Vilar
Foto: Thiago Luiz/CM/Arquivo
Josan Leite

O senador Fernando Collor de Mello (PROS) – que há muito tem refeito sua imagem nas redes sociais e chamado atenção por isso – tem tentado ficar cada vez mais próximo do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Collor tem alinhado posicionamentos, defendido o presidente e até ironizado as esquerdas, como fez ao comentar os recentes protestos contra Bolsonaro por conta da pouca presença de pessoas nas ruas. É válido lembrar que em um passado não muito distante, Collor foi um dos aliados do Partido dos Trabalhadores.

Na sequência, Collor rompeu com o PT e até votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Agora, Fernando Collor – por conta da sobrevivência política, já que enfrentará o processo eleitoral de 2022 na tentativa de se reeleger senador – tenta ser o candidatado de Bolsonaro em Alagoas.

Logo, o senador alagoano tem muito mais de camaleônico que de ideológico. Para Collor, o que está em jogo é sobreviver politicamente. Se precisar virar à direita conservadora, não será surpresa para quem entende do GPS collorido.

No xadrez, o senador Fernando Collor de Mello tenta se aproximar das lideranças da direita local, mostrando aliança com o presidente, e busca unir em um mesmo bloco os partidos de Centro, sendo candidato em uma chapa articulada pelo presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Arthur Lira (Progressistas).

Informações de bastidores, entretanto, afirmam que Lira tem outros planos. Ele pretende articular um grupo sem a presença de Fernando Collor.

A novidade desse xadrez é a possibilidade (ainda conforme bastidores) de Collor ir para o Patriota, caso Bolsonaro feche com o partido. O senador Flávio Bolsonaro (Patriotas) já se encontra na legenda e isso – na leitura de alguns bolsonaristas – seria a abertura do caminho para a vida do presidente da República.

Collor viria para o Patriota? A pergunta já ecoa em Alagoas.

Um dos principais nomes do partido, Josan Leite, diz que a possibilidade é “remota”. Leite disputou a Prefeitura de Maceió, no pleito passado, pelo Patriota. Na briga majoritária, ele foi o palanque que mais defendeu o presidente da República. Segundo os bastidores, para 2022, Josan Leite trabalha para disputar o governo estadual. Se será o candidato oficial do presidente ou não, aí é outra história, pois há a presença de Arthur Lira pelo caminho…

Indaguei Leite sobre as informações de que Collor assumiria o Patriota no Estado, preparando a saída do PROS. “O que eu estou sabendo é que essa possibilidade é remota”, diz de forma enfática. Ao ser questionado sobre os planos para disputar o Executivo estadual, Leite é mais cauteloso: “Eu coloquei o meu nome para qualquer desafio. As nossas lideranças de direita também precisam ser ouvidas para a construção de um projeto”, frisou.

Para Josan Leite essa decisão, portanto, não pode ser tomada de forma individualizada.

Josan Leite acredita – entretanto – que a ida de Bolsonaro para o Patriotas já se encontra praticamente fechada. “A informação que tenho é de que isso já está sacramentado, faltando apenas alguns ajustes internos. O Flávio (Bolsonaro) já se encontra no partido, o que é um sinal da vinda do presidente”, explica.

O Patriota de Alagoas não conta com o nome de Collor, pelo visto. Caso ocorra de – por cima – Fernando Collor de Mello cair de paraquedas na legenda, será uma surpresa para os filiados que possuem pretensões para 2022. Teremos uma total reconfiguração do partido em Alagoas.

Jó Pereira: “O governador Renan Filho é um líder solitário”

  • Lula Vilar
  • 28/05/2021 11:39
  • Blog do Vilar
Ascom ALE
Deputada Jó Pereira

Conversei, na manhã de hoje, com a deputada estadual Jó Pereira (MDB). O nome da parlamentar vem sendo citado, nos bastidores políticos, como uma das possibilidades para disputar a majoritária em 2022, seja ocupando a cabeça da chapa, seja como vice ou na briga pelo Senado Federal.

Evidentemente que tal “xadrez político” depende de uma série de variantes, como por exemplo, o próprio destino do grupo político ao qual Jó Pereira faz parte.

A parlamentar se encontra no MDB, mas dentro de um grupo que tem ligações políticas fortes com o deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas).

Apesar de no MDB, Pereira é uma das parlamentares mais críticas ao governador Renan Filho (MDB), mas seu grupo político tem espaço no primeiro escalão: Fernando Pereira – irmão de Jó – é secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Enfim, conciliar interesses…é o desafio desse grupo.

Ao falar sobre o assunto, Jó Pereira inicia dentro de um discurso que é bem comum aos “cogitados” a voos maiores: “Estou me dedicando ao máximo ao meu mandato de deputada estadual. Na minha visão, e herdei isso de meu pai, meu maior legado é o que a gente fez e conseguiu transformar na vida das pessoas. A gente precisa exercer o cargo de forma focada para deixar uma marca, evidentemente que uma marca positiva. Esse tem sido o meu foco”, colocou.

A deputada estadual não nega, entretanto, que seu nome se encontra no jogo, e avalia o fato de ser citada nos bastidores políticos: “Quando a gente se dedica ao máximo, acaba se destacando e vai sendo cotada a outros cargos. Mas acho que isso é também por conta do vácuo de lideranças pelo qual Alagoas passa. O governador Renan Filho é um líder solitário. Não formou lideranças para a sucessão. O ex-prefeito Rui Palmeira (Podemos) também saiu do seu governo desta forma. O atual prefeito JHC (PSB) já está como prefeito e não acho positivo que ele deixe o cargo para ser candidato ao governo. E o senador Rodrigo Cunha (PSDB), caso seja candidato deixa esse vácuo no Senado. Então, pelo próprio vácuo de lideranças em Alagoas, é natural que meu nome seja lembrado”, explica Jó Pereira.

Indaguei a Jó Pereira se, dentro desse xadrez político, existe a possibilidade dela sair do MDB. Ela respondeu: “Estou no MDB desde 2015. Diante da janela partidária que virá pode haver a possibilidade de eu sair do partido a depender do cargo que eu vá disputar e das circunstâncias”.

É válido lembrar que a deputada estadual, mesmo estando no MDB, tem feito duras críticas ao governador Renan Filho. No entanto, a parlamentar se diz “confortável na legenda”.

“Entrei no MDB quando sai do Democratas, que é um partido com o qual me identifico bastante. Eu disse, na época, que estava indo para o Movimento Democrático, que reúne opiniões diferentes, divergências internas e é por meio delas que se constrói, respeitando as diversas formas de pensar. Então, eu estou confortável no MDB e espero que o MDB esteja confortável comigo. Eu deixo sempre claro que minhas opiniões não estão atreladas ao partido, nem ao cargo que alguém do meu grupo político venha a ocupar”, pontua Jó Pereira.

“No MDB, sempre tive clareza de diálogo. Sempre deixei claro a minha posição e que ela não se altera por conta de cargos. As críticas que faço ao governador não são no sentido de atacar, derrubar, ou denegrir, mas sim no sentido de ajudar, por meio dessas críticas, na correção de rumos, nos ajustes. O problema é que dificilmente o governador ouve”, complementou a emedebista.

Desemprego: Alagoas tem o pior resultado do país e perde mais de 3,2 mil postos de trabalho

  • Lula Vilar
  • 27/05/2021 09:53
  • Blog do Vilar
Agência Alagoas/Arquivo
Comércio de Maceió

De acordo com os números divulgados pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, apesar de o Brasil ter gerado mais de 120 mil novos postos de trabalho, Alagoas teve um resultado negativo quando comparadas as admissões com as demissões ocorridas no mês de abril desse ano.

Levando em consideração os levantamentos anteriores feitos pelo Cadastro, esse não é o primeiro mês em que o Estado fica no negativo. Sem diversificação econômica e com uma série de problemas que foram agravados pelas medidas restritivas adotadas no combate à pandemia do novo coronavírus, o Estado tem dificuldades para apresentar perspectivas de trabalho para os alagoanos.

A situação só não é pior por conta de programas federais que mantiveram empregos e por causa do auxílio emergencial que ajudou a aquecer o consumo e criou um “colchão econômico” para que as medidas restritivas do governo estadual de Renan Filho (MDB) pudessem ser adotadas.

Em resumo: enquanto o país consegue gerar postos de trabalho formais, Alagoas enfrenta dificuldades para manter os empregos que já existem no Estado; e esse é um problema crônico. Eis o motivo pelo qual não dá para pensar em medidas sanitárias sem levar em conta a questão econômica do Estado. É necessário conciliar ações e usar o bom-senso.

Os números são preocupantes, sobretudo quando comparados aos outros dois estados da federação que também apresentaram perdas. Alagoas – segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – agora tem 3.208 empregos formais a menos.

O segundo pior é Sergipe, com 92 a menos. O terceiro é o Rio Grande do Norte, com menos 61. Esses são os resultados quando se faz o encontro entre o número de pessoas que foram contratadas e as que foram desligadas nesses estados.

Os melhores resultados do país se encontram em São Paulo, que gerou mais de 30 mil postos de trabalho, em Minas Gerais (com mais 13.942) e Santa Catarina (com mais 11.127).

O único dado positivos para Alagoas se dá quando se compara o mês de abril desse ano com o abril de 2020. No ano passado, foram 8.452 postos de trabalho a menos. No mês passado, Alagoas teve 8.521 admissões e 11.729 demissões.

Que esses dados também estejam nas mãos do governador Renan Filho...

Orçamento: Câmara impõe uma derrota ao prefeito JHC: redução do percentual de remanejamento

  • Lula Vilar
  • 26/05/2021 14:24
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução
Câmara Municipal de Maceió

Apesar de ter uma ampla bancada governista na Casa de Mário Guimarães e o apoio do atual presidente do Legislativo, Galba Neto (MDB), na votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) – ocorrida na tarde de ontem, na Câmara Municipal de Maceió – os edis, ao aprovarem a peça por unanimidade, mandaram um recado para o prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB): o parlamento-mirim pode sim buscar uma maior correlação de forças e mais independência em relação ao Executivo.

Se o recado foi um “susto” pontual ou se deixará o Legislativo mais fortalecido em relação às próximas pautas, aí é com a História. Mas, o fato é que uma emenda proposta pela Comissão do Orçamento, assinada pelo vereador João Catunda (PSD), foi uma bomba dentro do Executivo municipal: a mudança, que foi aprovada junto com a matéria principal, reduziu o percentual de remanejamento do Orçamento que o prefeito JHC poderia fazer sem pedir autorização aos vereadores.

O Executivo gostaria de ter um percentual de remanejamento de 25% em relação aos mais de R$ 2,5 bilhões do exercício financeiro desse ano. Porém, a Câmara Municipal de Maceió resolveu conceder apenas 5%. Uma derrota do prefeito JHC e do secretário e articulador Francisco Salles.

De acordo com informações de bastidores, nem mesmo as ligações do secretário foram suficientes para convencer alguns dos membros da bancada governista. Catunda, que é bem próximo ao prefeito, diga-se de passagem, conseguiu emplacar a emenda com o apoio da Casa inteira, pelo que se observou na votação.

Não é a primeira vez que o Executivo de JHC sofre derrotas na Câmara. Na votação dos vetos, ainda nos primeiros meses de atuação do novo Legislativo, houve perdas significativas para a gestão municipal. Algumas, até em questões simples.

É evidente que a articulação política tem falhado. A pergunta é: quais motivos?

Em relação ao atraso para aprovação da peça orçamentária, é preciso que sempre se diga: é um absurdo sem tamanho que tenha se demorado meses para apreciar e aprovar tal pauta, causando prejuízos enormes para as políticas públicas a serem desenvolvidas pelo município de Maceió. Aqui é possível incluir os problemas enfrentados por entidades sociais que sofreram com essa situação.

Não se pode negar a gravidade, haja vista a posição assumida pelo Ministério Público Estadual, chegando a ajuizar uma ação contra a Casa de Mário Guimarães. A pressão foi fundamental para isso. Não houve busca de mudança significativa alguma na aprovação do Orçamento, até mesmo porque a peça chegou a segunda-feira passada e só houve tempo de acrescentar as emendas, não mudando nada – a não ser o valor do duodécimo – do que se havia estabelecido no passado, ainda pela gestão de Rui Palmeira (Podemos).

Qualquer leitor pode comparar a peça aprovada e a que foi apresentada ainda pelo ex-prefeito Rui Palmeira: pouca diferença que justifique o atraso. O que há é o que sempre houve foi pontuado por esse blog, discussões menores de interesse do Legislativo e do Executivo que necessariamente não são os interesses do povo maceioense.

Por sinal, foi a oposição quem mais cobrou que a peça fosse votada, mas ainda assim praticamente não houve debate sobre a qualidade do Orçamento, correções, etc. A Câmara cumpriu o que há muito deveria ter cumprido e o prefeito se mostrou inábil para aprovar o orçamento a tempo ou para, mesmo diante de atrasos, aprovar como ele gostaria.

Houve sim, uma irresponsabilidade tamanha em virtude de interesses políticos. Razão pela qual é de se estranhar também o silêncio daquele que, em tese, é o mais prejudicado: o senhor prefeito!

Orçamento de Maceió pode ser votado essa semana; mas a culpa não é apenas da Câmara

  • Lula Vilar
  • 24/05/2021 09:14
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução
Câmara Municipal de Maceió

A novela do Orçamento do município de Maceió – que já inclui ação ajuizada pelo Ministério Público Estadual, decisão judicial determinando a votação e pedido de execução de multa caso não seja apreciado pelo Legislativo – pode chegar ao fim nessa semana.

A peça orçamentária referente ao exercício financeiro do ano de 2021 deve ser votado nessa semana sem dificuldades dentro da Casa Mário Guimarães. A matéria já deveria ter sido apreciada desde o ano passado, já que foi elaborada – como manda a legislação – pela gestão do ex-prefeito de Maceió, Rui Palmeira (sem partido).

Porém, desde que o prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), se elegeu, a peça orçamentária virou um embate político por conta da rearrumação dos números e consequente revisão do duodécimo da Casa de Mário Guimarães.

Esse embate fez com que a equipe do atual prefeito tivesse que se debruçar sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de Rui Palmeira e readequá-la não à realidade do município de Maceió, mas ao sabor das promessas políticas previamente assumidas.

Na prática, as idas e vindas foram o motivo do atraso e do fato de ter se aproximado do final do primeiro semestre sem que o Orçamento de Maceió para o exercício financeiro desse ano tivesse sido votado.

Logo, não se pode culpar apenas o Poder Legislativo, muito menos distribuir a culpa entre todos os vereadores.

É que entre os edis houve aqueles que cobraram a votação do Orçamento. O curioso é, entre os que cobraram, a maioria não pertence a base governista, como é o caso de Joãozinho (Podemos), Eduardo Canuto (Podemos), Leonardo Dias (PSD), Olívia Tenório (MDB), Teca Nelma (PSDB), dentre outros. A maioria da bancada governista – assim como o próprio prefeito – optou pelo silêncio.

Esse é o ponto que merece ser questionado: por qual razão João Henrique Caldas optou pelo silêncio em relação à matéria quando o mais prejudicado pelo atraso é justamente o Executivo, que passa a ter limitações em suas ações?

Aqui vale um detalhe: de acordo com fontes, apenas na semana passada, os vereadores tiveram conhecimento da íntegra da peça orçamentária que o Executivo deseja aprovar. Até então, tudo dependia de um acordo entre os governistas e o próprio prefeito.

JHC não teve a preocupação devida com a necessidade de se aprovar o Orçamento de 2021 logo no início de sua gestão. É um fato. Essa situação nunca atormentou o chefe do Executivo municipal. Posição cômoda, uma vez que a culpa recairia toda sobre a Câmara Municipal de Maceió, como acabou ocorrendo com a ação que foi ajuizada pelo Ministério Público Estadual.

Diga-se de passagem, o MPE agiu de forma correta e dentro daquilo que era possível fazer. No entanto, a ação judicial não traduz a realidade, uma vez que promove a compreensão de que tudo atrasou por conta da casa legislativa. Caso ocorra o fim dessa novela ainda essa semana, ainda assim fica uma lição: o preço das promessas, cujas dificuldades de cumpri-las são enormes e esbarra na realidade, pode ser alto demais...

Assembleia Legislativa terá protagonismo nas composições pelas majoritárias de 2022

  • 19/05/2021 09:33
  • Blog do Vilar
Foto: Assessoria/Arquivo
Assembleia Legislativa de Alagoas

O  xadrez político alagoano visando as disputas das eleições de 2022 tem sido jogado com intensidade nos bastidores. O quadro de incertezas em relação à candidatura do governador Renan Filho (MDB) ao Senado Federal agora se soma também a outra dúvida que vem crescendo: se o prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB) – que figurou bem em recentes pesquisas de intenção de votos – deixaria o mandato pela metade para disputar o Executivo.

A dúvida sobre a posição de Renan Filho é mais antiga. Isso faz com que os adversários e aliados do governador já trabalhem com as duas possibilidades na tentativa de montar os seus grupos. Entre os adversários, o senador Fernando Collor de Mello (PROS) que tenta aglutinar ao seu lado todas forças políticas de oposição – como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas) – e lideranças da direita alagoana.

Renan Filho – candidato ao Senado ou não – também tem suas dificuldades: emplacar um nome para sucessor. Muitos dos que se encontram à disposição não possuem capilaridade eleitoral comprovada, como é o caso de Rafael Brito (secretário de Educação) ou Alexandre Ayres (secretário de Saúde). Falta lideranças.

E se João Henrique Caldas for candidato ao governo? É uma possibilidade do jogo eleitoral que pode tirar de cena o senador Rodrigo Cunha (PSDB), que foi um dos principais aliados de JHC nas eleições passadas com o acordo de apoio mútuo em 2022. O prefeito pode ser mordido pela tal “mosca azul”…

JHC pode se alinhar ao grupo de Lira e ter Collor ao seu lado. A aliança política já existe. Afinal, o secretário municipal de Habitação da Prefeitura de Maceió é Eduardo Rossiter: nome de confiança do senador Fernando Collor.

Todavia, como em Alagoas tudo é possível, não estranhem um entendimento futuro entre Arthur Lira e Renan Filho, na ausência de um candidato ao governo viável por parte do Palácio República dos Palmares.

Nesse cenário, ainda há a força política da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. A condução da Casa por Marcelo Victor fez com que o parlamento tivesse uma maior independência política e criou um grupo que pode discutir em bloco.

Se Renan Filho for candidato ao Senado Federal, o parlamento estadual ganha ainda mais peso: o deputado estadual Marcelo Victor, que preside a Casa de Tavares Bastos, comandará e terá influência direta na eleição do “governador tampão”. Como, atualmente, Marcelo Victor e Arthur Lira andam alinhados, é provável que o “governador tampão” favoreça ao grupo opositor ao governador.

Assim, parte da Assembleia Legislativa, comandada por Marcelo Victor, pode ganhar força e indicar a cabeça da chapa. Nomes cotados: Davi Davino Filho (Progressistas) ou o próprio Marcelo Victor (Solidariedade). Segundo informações de bastidores, em uma composição envolvendo Arthur Lira, o nome de Jó Pereira (MDB) – que é do partido do governador Renan Filho – pode até ser indicado como possível vice na disputa pelo Executivo.

Entre os deputados ainda há outros nomes que podem disputar majoritária. O deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB) – longe desses grupos – sustenta que é candidato ao governo do Estado e tenta construir um pequeno grupo para viabilizar sua própria candidatura e a candidatura do filho, o deputado federal Nivaldo Albuquerque (PTB), à reeleição.

O cenário, em todo caso, passa hoje por três grupos: o primeiro liderado pelo prefeito João Henrique Caldas, caso ele queira ser esse líder; o segundo pelo governador Renan Filho e o terceiro pelo deputado federal Arthur Lira e por Marcelo Victor (Assembleia Legislativa). As demais forças políticas ou esperam a conjuntura ou tentam viabilizar vias independentes dos principais caciques.

LDO de 2022 chega à Câmara sem que seja votado Orçamento de 2021

  • Lula Vilar
  • 17/05/2021 12:27
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução
Câmara Municipal de Maceió

No dia 7 de abril desse ano, o Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL) ingressou com uma ação civil pública, por meio da 15ª Promotoria da Capital da Fazenda Pública Municipal, com pedido de liminar de tutela provisória de urgência em desfavor da Câmara Municipal de Maceió por conta da morosidade em relação à apreciação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021.

Em outras palavras: no dia 7 de abril, o atraso para apreciar o Orçamento era tão grande que chamou atenção do Ministério Público. Estamos no dia 17 de maio. O atraso se tornou maior ainda. Porém, parece que – surpreendentemente – isso não incomoda aquele que mais pode sofrer sem um orçamento aprovado para a execução das políticas pública do município: o prefeito.

O orçamento de Maceió – mesmo diante de uma decisão judicial favorável ao pedido do MPE – segue sem ser votado. De acordo com bastidores, como já publicado nesse blog, a demora para apreciar a pauta se dá em função da discussão sobre qual será o repasse anual destinado à Câmara Municipal de Maceió, que se encontra em dificuldades para fechar as contas.

O fato é que, sem o Orçamento aprovado, a gestão do prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), tem que trabalhar com base na peça orçamentária do ano passado, podendo gastar apenas 1/12 dessa por mês.

A demora pode trazer prejuízos para o município, inclusive atrapalhando projetos da própria Prefeitura de Maceió. É de se estranhar, dentro desse contexto, o silêncio do chefe do Executivo municipal em relação ao assunto. JHC deveria ser o primeiro a estar cobrando a aprovação do Orçamento e acelerando a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o próximo ano.

No entanto, na Casa de Mário Guimarães, quem mais tem cobrado a apreciação do Orçamento é justamente a oposição.

Mas, essa não era a única preocupação do Ministério Público Estadual. No dia 7 de abril, o órgão ministerial havia alertado o seguinte: “no próximo dia 15 de maio acaba o prazo para o Poder Executivo encaminhar à Câmara Municipal de Maceió a proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias 2022, quando a Lei Orçamentária Anual 2021 sequer foi votada”.

A Prefeitura de Maceió encaminou a LDO na data limite. Foi publicada hoje no Diário Oficial de Maceió. Uma situação inédita, a Casa Legislativa vai se debruçar sobre as diretrizes de um orçamento futuro enquanto tenta aprovar um orçamento atrasado. 

A promotora Fernanda Moreira lembra que a Lei Orçamentária Anual de 2021 teve o parecer favorável da Comissão de Finanças ainda em 2020, quando tramitou pela última vez na Casa de Mário Guimarães.

Extraoficialmente, entretanto, as informações são de que os vereadores votarão uma Lei Orçamentária Anual de 2021 com mudanças significativas em relação ao que já teve parecer favorável. Ou seja: diferente daquela que foi elaborada ainda na gestão do ex-prefeito Rui Palmeira (sem partido).

Isso significa dizer que, quando ela estiver novamente tramitando na Casa, levará ainda mais tempo do que o previsto. E o pior? Não há nem sinal no horizonte de quando isso possa acontecer…

Eis que vai se criar um fato inédito: o Orçamento de 2021 sendo apreciado ao mesmo tempo em que se começa a discussão sobre o Orçamento de 2022.

Antes de ingressar com uma ação judicial cobrando a votação do Orçamento, a promotora Fernanda Moreira destacou que “o Ministério Público enviou recomendação para que fossem adotadas todas as providências pertinentes , mas como não obtivemos resposta, não houve nenhuma manifestação por parte da Câmara de Vereadores, não nos restava outra atitude senão a de ajuizar uma ação para cobrar suas responsabilidades, afinal o projeto de lei é de extrema importância porque define onde serão aplicados os recursos públicos para atender as necessidades públicas. Diante desta situação, corremos o risco de que essas peças orçamentárias sejam transformadas em mera ficção”.

Não é justo dizer que o silêncio é apenas da atual Mesa Diretora da Câmara de Maceió. É também um silêncio sepulcral do Executivo.

Há informações até de que nada foi votado até agora por comum acordo entre os membros do Executivo e alguns membros do Legislativo.

Um trecho da ação do Ministério Público frisa o seguinte: “a mora Legislativa, porquanto proíbe o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual, prejudica a materialização das políticas públicas delineadas na proposta orçamentária, as quais têm sua concretização engessada e/ou dificultada em evidente prejuízo ao interesse público, além de dificultar mecanismos de transparência e controles previstos na Constituição Federal e regulamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

O Executivo de Maceió se encontra, portanto, sem Orçamento para esse ano, pode ficar atrasado em relação ao LDO de 2022 e, consequentemente, se atrasar também em relação ao Orçamento de 2022. Caso isso ocorra, a lei – como frisa a promotora Fernanda Moreira – vai virar mera peça fictícia. Além disso, os maceioenses ficam sem o acesso às informações que destacam quais as prioridades do Executivo para o dinheiro pago pelos contribuintes.

O assunto é sério. Pena que pouco debatido.

 

PS: esse texto havia sido feito no dia 15 de maio, prazo final da LDO. Como a LDO foi publicada no Diário Oficial desse dia 17, sendo - portanto - encaminhada ao Legislativo, foram feitas as alterações necessárias. 

Renan Filho: “Toda mudança de governo leva em conta a densidade política. Eleição é consequência da densidade política”

  • Lula Vilar
  • 05/05/2021 11:48
  • Blog do Vilar
Foto: Alícia Flores/CM
Renan Filho

Durante a posse dos novos secretários estaduais, o governador Renan Filho (MDB) comentou as mudanças feitas na gestão e destacou que “toda mudança em um governo leva em consideração também a densidade política”.

Ou seja: confirmou que nos planos do Palácio República dos Palmares também passa – para além das questões técnicas e das metas a serem cumpridas até o final da gestão – a busca por nomes que agreguem força política já pensando em 2022. Isso vai ser decisivo para que, ainda no primeiro semestre do próximo ano, Renan Filho tome a decisão de permanecer no comando do Executivo até o fim ou renuncie para concorrer ao Senado Federal.

Oficialmente, ao menos, o chefe do Executivo estadual disse – em entrevista ao blog – ter dúvidas.

“Não é somente a eleição. A eleição é uma consequência da densidade política do governo. O nosso governo é um governo denso. Nós temos, ao mesmo tempo, um governador do Estado, um senador da República, um deputado federal, o maior número de deputados na Assembleia, o maior número de prefeitos e o maior número de vereadores. Isso somado a nossa aliança é, certamente, uma densidade política importante, relevante em Alagoas. Isso será, sem dúvida, contado em 2022”, argumentou Renan Filho.

Todavia, o chefe do Executivo estadual fez questão de frisar que “as mudanças no primeiro escalão” não são para isso. “Mas é óbvio que é importante que o governo seja denso politicamente”, complementou. Em outras palavras, a escolha dos novos secretários pode até não ter como peso apenas o processo político visando a disputa de poder no próximo ano, mas é óbvio que esse critério se encontra mais do que presente.

Ao ser indagado se as alianças firmadas agora apontam para uma possível candidatura sua ao Senado Federal, Renan Filho responde que ainda tem dúvidas quanto a deixar o Palácio República dos Palmares para disputar a eleição.

“Essa é a minha principal dúvida no momento. Eu vou verificar qual é o melhor caminho para o MDB, para o Estado de Alagoas e para mim pessoalmente. Isso a gente precisa conversar. Eu sou uma figura que construo muitas pontes com todos. Acho que eu tenho facilidade no diálogo e vou buscar encontrar o melhor caminho para o Estado. Se eu puder colaborar de alguma maneira, continuarei colaborando. Se o melhor for que eu encerre a minha jornada e termine o meu governo, eu também o farei com tranquilidade”, colocou.

Renan Filho fez importantes mudanças no primeiro escalão que foram oficializadas no dia de hoje, 05. O vereador Kelmann Vieira (Podemos) assume a pasta da Prevenção à Violência e traz com ele o grupo dos Cavalcante, que inclui a deputada estadual Flávia Cavalcante (PRTB).

Além dele, Fernando Pereira – do grupo dos Pereira e irmão da deputada estadual Jó Pereira (MDB) – volta ao time comandando a Secretaria de Meio Ambiente. Esses são os dois dos nomes mais políticos da nova equipe.

Antes, Renan Filho já havia nomeado o emedebista Alfredo Gaspar de Mendonça para a pasta da Segurança Pública e trouxe Fabiana Pessoa para a Assistência Social. Ela é esposa do deputado federal Severino Pessoa (Republicanos).

Há expectativas de novas mudanças, conforme bastidores. Entre elas, a contemplação da deputada federal Tereza Nelma (PSDB). Fora do primeiro escalão, Zé Márcio Maia assumiu a Adeal. Ele é pai do vereador Zé Márcio, que integra o PSD, o partido do deputado federal Marx Beltrão, que indicou o comando da Agricultura.

O governador frisou que não há previsão de mais trocas de cadeiras, mas que não descarta a possibilidade conforme o andamento do Executivo nessa reta final de gestão. “Eu faço todas essas mudanças de uma só vez, que é para todo mundo arregaçar as mangas e já pegar no serviço. Nunca se pode colocar que essas serão as últimas mudanças. Eu espero que o governo agora já esteja apontando a repactuação das metas decisivas para o encerramento desse ciclo por conta de já termos entrado nos últimos dois anos”, colocou.

“Entretanto, governos sempre dependem das circunstâncias. Mas eu espero que tenhamos condições de levar o time até o final”, finalizou Renan Filho.

Os Pereira retornam ao primeiro escalão do governo de Renan Filho: Fernando Pereira no Meio Ambiente

  • Lula Vilar
  • 04/05/2021 11:05
  • Blog do Vilar
Foto: Assessoria
Fernando Pereira lança candidatura a prefeito de São Miguel dos Campos

O grupo dos Pereira retornou ao primeiro escalão do governo de Renan Filho (MDB). Fernando Pereira volta à pasta que já ocupou na administração estadual: a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

A trajetória de Fernando Pereira, nessa gestão de Renan Filho, é interessante de observar.

Em 2019, ele ocupava a pasta de Assistência Social, mas foi exonerado como retaliação por conta da disputa – na época – pelo comando da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

A saída do governo, entretanto, não demorou muito. Em abril daquele mesmo ano, Fernando Pereira retornava ao primeiro escalão do Executivo na posição de secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Desta vez, Pereira saiu do cargo apenas para ser candidato à Prefeitura de São Miguel dos Campos, mas não obteve êxito na empreitada. Agora, o grupo político – comandado pelo ex-prefeito Joãozinho Pereira – retorna ao Executivo e Fernando Pereira é, mais uma vez, secretário.

Sua nomeação se encontra no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, dia 4.

Outro ponto interessante nessa história é acompanhar a posição da deputada estadual Jó Pereira (MDB), irmã do “novo” secretário. A parlamentar, que integra o grupo dos Pereiras, tem tido uma postura “para lá da independência” dentro da Assembleia Legislativa. 

Jó Pereira – entre os Pereira – tem sido uma voz combativa e incomoda, em muitos momentos, o governador Renan Filho.

Um das bandeiras dela, por exemplo, envolve as cobranças relativas ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) em Alagoas. É ela quem tem denunciado o desvio de finalidade dos recursos do Fundo.

Já escrevi isso aqui nesse blog, e volto a frisar: Jó Pereira, em algumas pautas, tem ensinado a oposição como a oposição deveria agir, apontando os problemas do governo estadual de forma embasada e com críticas que trazem dados – por vezes – até irrefutáveis.

Apesar de estar no mesmo partido do governador Renan Filho, ocupando inclusive posição de destaque na legenda, Jó Pereira é uma voz de confronto, como recentemente na derrubada do veto do Fundo de Combate ao Câncer.

Nos bastidores políticos, há – inclusive – quem cogite a possibilidade dela, ainda que pertencente a um grupo tão próximo do governador, alçar voos maiores, incluindo surgir com viabilidade para disputar uma majoritária.

É interessante, agora mais do que nunca, observar as posições de Jó Pereira diante das movimentações do grupo político ao qual ela faz parte... Aposto: não haverá mudança! 

Com Kelmann Vieira, já são quatro cadeiras trocadas no Palácio com foco em 2022

  • Lula Vilar
  • 04/05/2021 10:35
  • Blog do Vilar
Thiago Davino - Cada Minuto
Palácio República dos Palmares

A nomeação de Kelmann Vieira para a Secretaria de Prevenção à Violência (que era território histórico do ex-deputado federal Givaldo Carimbão, o rei deposto) já são quatro mudanças feitas pelo governador Renan Filho (MDB) no seu primeiro escalão. Os motivos são óbvios: a eleição de 2022.

Renan Filho se prepara – e prepara o grupo – para tomar a decisão: ser candidato ao Senado Federal ou não. Caso seja, terá que renunciar a cadeira de governador. O posto será ocupado por alguém eleito de forma indireta pela Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, hoje comandada pelo deputado estadual Marcelo Victor (Solidariedade).

Marcelo Victor – no atual cenário – se encontra bastante próximo do deputado federal Arthur Lira (Progressistas), que faz oposição a Renan Filho. Nesse sentido, evidentemente, o governador precisa trabalhar um amplo leque que lhe dê sustentação, pois em caso de candidatura ao Senado Federal pode não ter o apoio da máquina pública.

O governador tem sido politicamente hábil nessa construção, não se pode negar. Programas como Minha Cidade Linda possuem componentes políticos que consolidam o nome de Renan Filho no interior do Estado, ajudando em sua avaliação junto ao eleitorado, ao mesmo tempo em que “amarra” prefeitos.

Negar que haja política aí, é negar o óbvio.

Claro: isso não retira os méritos dos programas com as interferências que fazem nessas regiões melhorando a vida de pessoas.

O que Renan Filho tem feito agora é buscar consolidar alianças por meio da distribuição de espaços políticos no Palácio República dos Palmares. Foi assim com o deputado federal Severino Pessoa (Republicanos), que colocou a esposa – a ex-prefeita de Arapiraca, Fabiana Pessoa – na Assistência Social. Além dele, o deputado federal Marx Beltrão (PSD) – que já era aliado – teve uma turbinada na Agricultura. Por lá, quem comanda é Maykon Beltrão.

Alfredo Gaspar – um dos nomes do MDB para 2022, seja na disputa de uma cadeira na Câmara dos Deputados ou até mesmo em uma possível majoritária – foi colocado na Secretaria de Segurança Pública logo depois de sofrer a derrota nas eleições passadas.

Agora, vem Kelmann Vieira (Podemos). O vereador – que é muito próximo a Rui Palmeira – traz um grupo político que sempre esteve perto do governador, o de Cícero Cavalcante e da deputada estadual Flávia Cavalcante (PRTB).

Renan Filho não deve parar por aí nas “acomodações” dos grupos políticos que estão próximos do governo. O chefe do Executivo estadual já tem no leque de alianças quase todos os deputados federais, incluindo aqueles que estão para ser agraciados com mais espaço na máquina pública, como é o caso – segundo informações de bastidores – da parlamentar Tereza Nelma (PSDB).

Outros partidos também podem ganhar mais espaço. Mais mudanças vem por aí...

Podemos nega participação no governo estadual, mas Renan Filho e Rui Palmeira há muito não são rivais

  • Lula Vilar
  • 04/05/2021 10:17
  • Blog do Vilar
Foto: Assessoria
vereador Kelmann Vieira (PSDB)

A nomeação do vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Maceió, Kelmann Vieira (Podemos), para a Secretaria de Prevenção à Violência do governo de Renan Filho (MDB) abre a discussão sobre a posição do Podemos no jogo eleitoral de 2022.

O partido será coadjuvante de alguma aliança ou partirá para construir candidatura majoritária, apostando no mome de Rui Palmeira? Seria Rui Palmeira uma possibilidade de composição em uma chapa liderada pelo MDB ou no “xadrez” do governador Renan Filho?

O Podemos diz que não há composição com os emedebistas, apesar do “sim” de Kelmann Vieira. Se verdade for, Vieira abandona a condição de soldado no Podemos para aglutinar e favorecer o grupo político do qual faz parte, que tem como um dos nomes principais, Cícero Cavalcante, o pai de sua esposa: a deputada estadual Flávia Cavalcante (PRTB).

Quanto ao ex-prefeito, o Ex-tucano Rui Palmeira terminou sua gestão sem estar filiado a partido político. No processo eleitoral passado, ele se uniu ao governador Renan Filho para tentar eleger o atual secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB), como seu sucessor.

Mas, ambos – governador e ex-prefeito – foram derrotados pelo atual chefe do Executivo municipal, João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Na aliança com o governador (em 2020), Rui Palmeira já comandava o Podemos, mesmo sem estar filiado. Afinal, qual político não tem um partido para chamar de seu, mesmo sem fazer parte deste, em Alagoas.

Tanto é assim que na união MDB-Podemos, para disputar aquela majoritária, o nome indicado para ser vice de Gaspar de Mendonça foi Tácio Melo (Podemos), homem de confiança do ex-prefeito.

Na gestão de Rui Palmeira, Kelmann Vieira – que era tucano e migrou para o Podemos – também era um “homem de confiança” do ex-prefeito.

Aliás, todos que chegaram ao Podemos antes de Rui Palmeira para lá foram por conta do ex-chefe do Executivo municipal, incluindo os vereadores eleitos Joãozinho (Podemos), Eduardo Canuto (Podemos) e Kelmann Vieira.

Ora, dificilmente Kelmann Vieira aceitaria o convite para ser secretário sem – pelo menos – o aval de Rui Palmeira. Claro, para o vereador há outros fatores em jogo, como já dito no texto: a consolidação da reeleição da sua esposa Flávia Cavalcante (PRTB) para a Assembleia Legislativa e um possível voo maior do próprio Vieira, disputando uma das cadeiras da Câmara dos Deputados.

Existe a possibilidade do movimento de Vieira ter sido sem o conhecimento ou aval de Rui Palmeira? Sim. Afinal, nunca faltou aproximação de Kelmann Vieira com o grupo dos Calheiros. Vale lembrar que ele já foi do MDB. Porém, diante dos planos que Rui Palmeira tem para o Podemos, é difícil crer nisso. Afinal, Rui Palmeira tenta organizar o partido e fazer um bloco sob seu comando.

A depender de como jogue esse xadrez, o ex-prefeito pode ser candidato a deputado federal (atualmente, o tamanho que parece lhe caber) ou a governador do Estado. O nome do ex-prefeito vem sendo cogitado nas pesquisas eleitorais para majoritária, vale lembrar.

A ida de Vieira para a estrutura do Palácio República dos Palmares pode abrir portas – mais uma vez – para Renan Filho e Rui Palmeira conversarem.

Em épocas passadas, esse diálogo foi surpresa. Afinal, o governador e o ex-prefeito eram rivais políticos. Mas, depois que ambos se uniram em torno do nome de Alfredo Gaspar, nada mais é novidade.

Não seria de se admirar que o Podemos integrasse o grupo político do MDB. O problema é que mais uma vez, Rui Palmeira perderia o completo protagonismo político. Todavia, é válido lembrar que o ex-prefeito sempre fez de tudo – direta e indiretamente – para perdê-lo, como por exemplo, praticamente sepultar o PSDB no Estado.

Oficialmente, o Podemos diz que o nome de Vieira não é indicação nem do Podemos, nem de Rui Palmeira. Trata-se de uma decisão pessoal do vereador e acomoda o grupo político do sogro do ex-presidente da Câmara, Cícero Cavalcante.

A nota do Podemos é a seguinte: “o Podemos Alagoas informa que a decisão do vereador Kelmann Vieira, ao aceitar secretaria no Governo do Estado, é estritamente pessoal. O Podemos deseja sorte a seu filiado na nova missão, e reitera que, o partido não faz parte da base de sustentação do governador Renan Filho”.

Bem, se não houve indicação do Podemos, não houve também “treta”, haja vista a posição cômoda do partido… Se isso influi no futuro de Rui Palmeira ou não, aí é outra história! O fato é que oposição ou situação nesse Estado é circunstancialmente determinada pela matemática eleitoral.

De olho no governo estadual, Marcelo Victor pode ingressar no no PSL em Alagoas

  • Lula Vilar
  • 28/04/2021 11:06
  • Blog do Vilar
Foto: Divulgação
Marcelo Victor

O presidnete da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor (Solidariedade), trabalha para alçar um voo mais alto em 2022, conforme informações de bastidores. Marcelo Victor costura sua saída do Solidariedade e pode passar a comandar o PSL no Estado, agora oficialmente. 

O foco é a próxima disputa eleitoral. 

O deputado estadual – que tem extrema força política dentro da Casa de Tavares Bastos – pode se fortalecer com uma possível candidatura do atual governador Renan Filho (MDB) ao Senado Federal. 

Marcelo Victor, pela relação que tem com os pares, conseguirá emplacar o “governador tampão” por meio da eleição indireta. Essa costura política pode ainda envolver uma aliança com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas). 

Mas, o caminho a um posto mais alto do poder não pararia por aí, conforme as informações dos bastidores. Marcelo Victor indicaria o “tampão” e articularia sua própria candidatura, por meio do PSL, ao Executivo estadual em 2022. 

Assim, Marcelo Victor conseguiria articular, em torno de si mesmo, o apoio da maioria dos deputados estaduais e da máquina pública, uma vez que o governador indicado seria o seu aliado. 

Resta saber se Marcelo Victor tem capilaridade eleitoral para essa empreitada, uma vez que – até aqui – sempre disputou apenas a cadeira do Legislativo. 

O que começou a mudar os planos de Marcelo Victor, ainda conforme fontes, foi a decisão, no Supremo Tribunal Federal (STF), que impede a sua reeleição à presidência da Casa de Tavares Bastos, caso renovasse o mandato legislativo. 

No bloco de Marcelo Victor, ainda pode caber uma aliança com o senador Fernando Collor de Mello (PROS), que é candidato à reeleição. 

O desafio de Marcelo Victor é conquistar a opinião pública, pois a disputa majoritária é outra história… Vale lembrar, em épocas passadas, da candidatura do empresário e industrial João Lyra ao governo do Estado. 

Na época, Lyra teve em seu palanque a maioria das forças políticas de Alagoas, mas acabou naufragando ainda no primeiro turno e perdeu a eleição para o ex-governador Teotonio Viela Filho (PSDB). 

É certo que cada eleição tem sua história, mas o nome de Marcelo Victor até então sequer era cogitado nessa disputa pelo Palácio República dos Palmares, mas agora já surge como um possível aglutinador das forças políticas. 

Até que ponto isso pode fazer a diferença? É uma resposta a ser dada pelo tempo…

No Baixo São Fransico e Litoral Sul, 25% do eleitorado está sem candidato

  • Lula Vilar
  • 20/04/2021 09:29
  • Blog do Vilar
Foto: Reprodução / Internet
Eleições 2020

Na manhã de hoje, dia 20, publiquei um texto – aqui nesse blog – em que disse claramente que faltam lideranças políticas com representatividade para as eleições majoritárias vindouras de 2022, pois o cenário só mostra mesmo o fisiologismo tentando fabricar algumas candidaturas que possuem redutos eleitorais definidos, o que garante êxito em disputas proporcionais, mas não se identifica com qualquer projeto ou conjunto de valores para que seja ali representado o que se quer para um Executivo.

Consciente ou inconsciente essa avaliação é feita em uma disputa por muitos eleitores, chegando ao ponto de ter aqueles que preferem avaliar qual o “menor mal”, caso rejeite todas as opções. Preferem isso a ter que votarem nulo. 

Evidemente que, a partir do momento em que as candidaturas ao governo e ao Senado Federal estiverem postas e consolidadas, muitos dos que não possuem em quem votar agora acabam por escolher até mesmo entre nomes que rejeitariam, pois aí entra em cena o cálculo do “menor mal” ou até mesmo outros motivos. 

No entanto, a pesquisa de agora – realizada pelo Instituto Falpe – reforça a tese que levanto: lideranças significativas na política alagoana tem se tornado algo raro.

O Instituto Falpe – conforme publicado pela jornalista Vanessa Alencar, em seu blog, aqui no CadaMinuto – fez uma pesquisa estimulada de intenções de votos para 2022 em nove municípios do Baixo São Francisco e Litoral Sul do Estado. 

Foram 1.442 pessoas ouvidas entre os dias 12 e 16 deste mês, na zona urbana e rural. O levantamento tem margem de erro: 3,5% para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%.

Há quem foque no resultado que mostra os líderes da disputa pelo governo estadual, que são o ex-prefeito Rui Palmeira (20%), o senador Rodrig Cunha (12,5%) e Davi Davino Filho (10,5%). Porém, há outro dado relevante: 25% do eleitorado respondeu que não vota em nenhum dos mostrados e 27% crava em não ter opinião. Isso representa 52% do eleitorado sem apontar para qualquer candidato, sem se observar, ao menos de imediato, representado nos políticos postos. 

Alguém poderá dizer, mas é uma pesquisa apenas no Baixo São Francisco e Litoral Sul… 

Bem, o Falpe fez outras pesquisas recentemente, que também foram divulgadas pela Vanessa Alencar. 

Na região Agreste – divulgada em fevereiro desse ano – a soma dos que não apontavam candidato dava 28,75%. Isso é maior do que a intenção de voto do primeiro colocado naquela região: o deputado estadual Antônio Albuquerque, com 20,5%. 

Vejam, Albuquerque é a maior liderança daqueles municípios. É onde ele, tradicionalmente tem mais voto. Logo, é natural que seja líder na pesquisa localizada. Todavia, mesmo assim, o número dos “sem candidato”surpreende. 

Na Grande Maceió, o Falpe mostra que 18% não votaria em nenhum candidato e que 17,75% não opinaram. A soma desses índices também supera o líder, que é Davi Davino Filho (Progressistas), que ainda surfa no recall de ter feito uma boa campanha, do ponto de vista técnico, na disputa pela Prefeitura de Maceió. 

Sobre 2022: Ausência de lideranças e projetos, fisiologismos e mero xadrez político

  • Lula Vilar
  • 20/04/2021 09:03
  • Blog do Vilar
CadaMinuto/Arquivo
Palácio República dos Palmares

Caso não surjam novidades no cenário político alagoano (o que deve ocorrer pela ausência de perspectivas de novas lideranças), as disputas eleitorais vindouras, apesar de acirradas, não trará novidades ao Estado de Alagoas: de um lado o calheirismo, do outro uma oposição fisiológica e desengonçada que, a exemplo do que fez o personagem Victor Frankestein, reúne um pouco de cada corpo para tentar formar um inteiro disforme. O calheirismo tem forma, tão fisiológico quanto os opositores, mas tem forma. 

Em Alagoas, portanto, continua sendo possível qualquer aliança, até mesmo daqueles que se colocam como rivais, mas que – a depender das circunstâncias e das possibilidades reais de vitórias eleitorais – se unem pelo poder, como ocorreu com o ex-prefeito Rui Palmeira (sem partido) e o governador Renan Calheiros (MDB). Eles foram derrotados na eleição passada, mas a ideia da união ˜improvável” era ganhar…

A peça mais importante do tabuleiro desse xadrez político – nesse momento – é o governador do Estado, Renan Filho. 

Isso não se dá por conta da avaliação do seu governo, muito menos em função de qualquer projeto etc. É assim por ser Renan Filho quem vai alterar ou consolidar cenários quando anunciar, de forma cabal, sua decisão: será candidato ao Senado Federal ou permanecerá no governo.

Renan Filho é – conforme as pesquisas recentes – um forte candidato ao Senado. Porém, se der esse passo, terá que renunciar, no próximo ano, à cadeira mais importante do Palácio República dos Palmares. 

Diante disso, surge uma eleição indireta para ocupar o posto do governador. Ela será comandada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (Solidariedade), que tem força o suficiente para construir o nome a ocupar o posto numa decisão alinhada com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas).

Ora, ter a máquina pública nas mãos, ainda mais em Alagoas, é um passo importante, pois é um catalisador de prefeitos e lideranças para se ganhar capilaridade no interior do Estado. 

Afinal, muitos dos fisiologistas a postos trabalham mesmo é com a noção de reduto eleitoral e de direcionamento dos votos. Uma triste realidade onde o peso da máquina faz toda a diferença. 

Caso o grupo que assuma o Palácio República dos Palmares construa uma chapa que feche aliança com o senador Fernando Collor de Mello (PROS), por melhor avaliado que esteja Renan Filho, isso dificulda o seu caminho ao Senado Federal em uma eleição polarizada. 

O personagem Collor pode convencer muitos, mas ainda assim é só um personagem focando em 2022. A depender do resultado da eleição vindoura, o personagem se remodela, como ocorreu na reeleição de Collor ao Senado Federal, quando foi aliado de Renan Filho e rival circunstancial do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).

Fernando Collor de Mello sempre será o homem do “bloco do eu sozinho”. Porém, sabe ler o cenário de forma tal para apostar toda as suas fichas em um caminho. Collor é opositor de quem precisa ser. É aliado de quem lhe garanta chances. Os nomes do momento pouco importam, que o digam Lula e Dilma lá atrás…

Por isso, agora, Collor – ao mesmo tempo que refaz a sua imagem nas redes sociais – se aproxima do governo federal, do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), e de Arthur Lira e de quem mais for o oposto de Renan Filho. 

A posição de Collor é a de estar no grupo oposto ao de Renan Filho e assim se fortalecer para o embate. 

O governador, do outro lado, tenta agrupar seus aliados desde agora. Da bancada federal, a maioria dos deputados são seus parceiros atualmente. Mas, quem garante que, sem a máquina pública, assim eles permaneçam? Vale salientar que Renan Filho ainda tem que construir seu sucessor. Será um de seus secretários em evidência: Alexandre Ayres (Saúde) ou Rafael Brito (Desenvolvimento Econômico)? Buscará fora, como no caso da cogitação do nome do presidente da Associação dos Municípios Alagoanos, Hugo Wanderley (MDB)? 

Se Renan Filho decide não disputar o Senado Federal (o que pode ser improvável para alguns), o governador ganha força para fazer seu sucessor e terá a máquina pública trabalhando para isso. Eis que isso muda o cenário da oposição, inclusive podendo esfarelá-la. 

Um exemplo: o deputado estadual Marcelo Victor pode pender para o grupo governista em nome da vitória, conduzindo alguns de seus liderados – na Casa de Tavares Bastos – para o mesmo caminho. O presidente da Assembeia Legislativa só tem um lado: aquele que pavimentar, de forma mais palpável, a vitória.

Em todo caso, o que falta hoje em Alagoas são nomes que tenham a legitimidade e a representatividade natural para disputarem o governo do Estado. Quase todos os postulantes são construídos em laboratório a partir da vontade de alguns caciques, que não representam qualquer visão ideológica, qualquer visão política. Serão apenas identificados como peças do fisiologismo ou técnicos que desempenharam um papel X na administração. Digo: se vende a imagem como técnicos…

É assim com quase todos os nomes. Por exemplo, o discurso do tecnicismo pode servir para justificar um secretário de Estado candidato, mas ainda assim batizado por um cacique. Do outro lado, um nome que será tirado da cartola política a ser construído artificialmente. Não há líderes para essa disputa, não há conteúdo, não há projeto. Os nomes “sorteados” ganharão um banho de marketing. 

Havia lideranças em seu nascedouro para essa disputa? Sim. Alfredo Gaspar de Mendonça – atual secretário de Segurança Pública de Alagas – era um desses nomes, mas diante da última disputa pelo Execuivo municipal perdeu mais que ganhou. Agora, em seu horizonte, apenas uma disputa proporcional. 

Outro nome seria o do senador Rodrigo Cunha (PSDB), que surpreendeu em sua vitória para o Senado Federal. Todavia, Cunha escolheu o pior traço do tucanato: as posições ensaboadas diante das bolas divididas. Subiu no muro.

Não nego que o prefeito João Henrique Caldas, o JHC (PSB), é uma liderança nesse cenário. O jovem parlamentar fez um bom mandato de deputado estadual que o credenciou à Câmara dos Deputados. Foi inteligente nas posições assumidas, soube dialogar com seu público, entrou em uma primeira disputa pelo Executivo municipal de onde saiu maior e garantiu a reeleição para a Câmara, com a força que o impulsionou ao local onde agora se encontra. 

JHC tem méritos políticos, sem sombra de dúvidas; assim como Renan Filho, que soube ter identidade própria e se dissociar do pai, o senador Renan Calheiros (MDB). Ambos possuem marcas próprias. Concordar ou não com eles e com suas práticas, é outra história…

Porém, se JHC pensar em 2022 vai arriscar muito para quem ainda tem caminho pela frente. 

Rui Palmeira se filia ao Podemos. Sem novidades, já era o partido do ex-prefeito…

  • Lula Vilar
  • 14/04/2021 14:17
  • Blog do Vilar
Foto: Amanda Falcão/Cada Minuto
Rui Palmeira

No dia de hoje, o ex-prefeito Rui Palmeira, que se encontrava sem partido desde que deixou o “ninho tucano”, se filiou ao Podemos. Não há novidades. Desde a eleição passada que o Podemos já era a casa do ex-chefe do Executivo municipal. Faltava apenas oficializar.

Foi pelo Podemos que Rui Palmeira articulou, por exemplo, a indicação de seu ex-secretário municipal e homem de confiança, Tácio Melo, para ser o vice na chapa encabeçada pelo ex-candidato à Prefeitura de Maceió e atual secretário estadual de Segurança Pública, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB).

A indicação de Tácio Melo foi fruto da aliança entre Rui Palmeira e o governador Renan Filho (MDB), quando os dois – que eram opositores – se uniram em uma única frente, mas acabaram sendo derrotados na eleição de 2020 pelo atual prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

O Podemos de Alagoas – comandado por Melo, mas também por Rui Palmeira, ainda que não filiado – conseguiu o êxito de eleger uma bancada na Câmara Municipal de Maceió. Conseguiram se eleger Eduardo Canuto (Podemos), Kelamnn Vieira (Podemos) e Joãozinho (Podemos). Desses, assim como Rui Palmeira, Canuto e Vieira eram do “ninho tucano”.

Ora, que o Podemos abrigaria Rui Palmeira para algum projeto político futuro era apenas uma questão de tempo. Resta saber agora quais serão os caminhos de Palmeira. Lá atrás, o ex-prefeito de Maceió mirava em uma disputa pelo governo estadual em 2022. Todavia, muita água passou por baixo dessa ponte.

Palmeira teve a habilidade de conseguir desarticular uma oposição em Maceió.

Nunca um opositor do senador Renan Calheiros (MDB) e do governador Renan Filho foi tão benéfico para ambos emedebistas.

Afinal, quando – ainda no mandato de prefeito – teve a oportunidade de capitanear uma oposição que reunia um bloco político para disputar o Palácio República dos Palmares, Rui Palmeira abriu mão disso. Foi ali o nascedouro de uma hegemonia que levou Renan Filho a renovar o seu mandato de lavada em um primeiro turno.

Detalhe que já frisei em textos passados: o erro de Palmeira não foi deixar de ser candidato lá atrás, pois era uma escolha pessoal. O erro foi decidir não ser candidato no último minuto, o que reconfigurou a posição de muitos partidos no xadrez político, incluindo o PSDB (que era a casa do ex-prefeito).

Desde então, o PSDB apenas foi perdendo espaços e hoje – em Alagoas – se tornou um partido que se resume ao senador Rodrigo Cunha (PSDB) e as presenças na Assembleia Legislativa, como é o caso da deputada estadual Cibele Moura (PSDB).

Quem me acompanha sabe que já afirmei que Rui Palmeira foi o “coveiro dos tucanos”. Agora, quem assumiu essa missão inglória foi o senador Rodrigo Cunha, eleito com toda aquela expectativa...

Agora, dentro do Podemos, Rui Palmeira não tem o peso político que tinha antes. Sua caminhada para consolidar uma candidatura ao Executivo em 2022, dentro do atual cenário, é bem mais difícil, já que os grupos políticos – incluindo os partidos que um dia lhe deram suporte – miram em outros caminhos, seja a lado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), seja ao lado de Renan Filho.

No Podemos, Rui Palmeira poderá ser candidato a deputado federal, tentando retornar à Câmara dos Deputados, local de onde saiu para ser prefeito pela primeira vez.

Reflexo de quem fez questão de, na carreira política assumida, ir ficando cada vez mais silencioso, deixando o tempo correr e, em uma disputa política acirrada, como foi a de 2020, ter aceitado o papel de coadjuvante de Renan Filho, mesmo depois de ter sido um ferrenho opositor dos Calheiros. Isso foi um abalo na identidade política de Palmeira.

Mais que um novo partido, o desafio de Rui Palmeira será o de refazer a sua trajetória caso almeje voos maiores…

Quem recebeu Rui Palmeira no Podemos (oficialmente) foi a deputada federal Renata Abreu. Nas suas redes sociais, Abreu colocou como como um “Dia de Alegria”. Na prática, Rui Palmeira vai tentar agrupar uma turma e diante do que tem em mãos, indagar: “E aí, o que Podemos?”. É aguardar a resposta...