Blog do Vilar

“Ainda não sabemos qual reforma será aprovada”, diz Renan Filho

Daniel Paulino/CadaMinuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Governador Renan Filho

Em entrevista à imprensa, no dia de ontem, 12, o governador de Alagoas, Renan Filho voltou a comentar sobre a Reforma da Previdência. Ele destacou que “sempre foi favorável à reforma”, sendo crítico apenas de pontos, como a questão do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Bem, se Renan Filho sempre foi a favor da Reforma, faltou dizer isso ao seu vice-governador Luciano Barbosa (MDB) que, em passado recente, assinou – junto com outros governadores nordestinos, portanto representando Alagoas – uma carta contrária à Reforma da Previdência.

No entanto, se justifica os governadores em geral – e Renan Filho em particular – estarem mais preocupados com o tema agora. É que os estados e os municípios tendem a ficar de fora. Assim será na Câmara dos Deputados, cabendo apenas uma revisão do texto no Senado Federal.

Isso é péssimo para os Executivos estaduais e municipais. No caso de Alagoas, por exemplo, o sistema previdenciário deve fechar com um rombo de R$ 1,4 bilhão.

O governador diz que ainda não possível “saber qual reforma será aprovada”. Ele espera a tramitação completa – pelo que dá a entender – para tecer considerações mais aprofundadas. Na Câmara dos Deputados, o tema deve ser encerrado hoje.

Renan Filho ainda defende outras reformas, como a Tributária, para a retomada do crescimento. Nisso, ele está correto. Afinal, como diz: “não é apenas a Previdência que resolverá a panaceia”.

“Eu acredito que a reforma não é a panaceia para resolver todos os problemas do Brasil, mas a gente precisa discutir caminhos para a retomada do crescimento econômico”, afirmou.

O governador finalizou o assunto mantendo a esperança de que Estados sejam incluídos.

Estou no twitter: @lulavilar

Para governador, Lessa foi “apressado” ao deixar a Secretaria de Agricultura

Foto: Reprodução/ Instagram Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Ronaldo Lessa

Alguns dias depois da saída do ex-deputado federal Ronaldo Lessa (PDT) do comando da Secretaria de Agricultura, o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), anunciou – em coletiva, com toda pompa e circunstância – a assinatura do decreto de incentivo que vai suspender a cobrança do ICMS como forma de fortalecer a cadeira produtiva do leite do Estado de Alagoas.

Eis uma ação que coloca uma política pública, que era de responsabilidade de Lessa, em evidência. Ronaldo Lessa saiu da pasta reclamando da “morosidade” do governo para fazer andar algumas ações ligadas a programas como distribuição de sementes e a bacia leiteira. Além disso, é claro, há a questão dos cargos.

Coincidência ou não, o governo do Estado mostrou uma agenda – de forma a que esta tivesse peso na mídia – após a saída de Lessa. A coletiva ocorreu no dia de ontem.

Dias antes – ao apresentar os números da segurança pública de Alagoas – Renan Filho comentou sobre a saída de Ronaldo Lessa do governo estadual. De acordo com ele, em entrevista ao jornalista Delane Barros (Jornal das Alagoas), o ex-deputado federal foi apressado ao deixar o cargo.

Renan Filho falou sobre as cobranças públicas do ex-deputado nessa entrevista: “nem tudo que é pedido eu tenho como oferecer” e salientou as prioridades do governo, mas firmou um tom respeitoso a Lessa para evitar maiores conflitos.

O fato é que a pasta de Lessa estava sendo muito criticada. A Secretaria de Agricultura foi alvo até de aliados do Executivo na Assembleia Legislativa por conta dos programas sociais que desenvolve. Coube a um opositor – o deputado estadual Davi Maia (Democratas) – defender Ronaldo Lessa, afirmando que o político estava sendo “humilhado” publicamente.

Agora, o PDT está fora do governo. Segundo a Coluna Labafero, aqueles pedetistas que não entregarem os cargos sofrerão as consequências na instância partidária. Lessa deve se aproximar do grupo do prefeito Rui Palmeira (PSDB). Afinal, dificilmente conseguirá manter o “sonho de uma noite de verão” de uma candidatura.

Estou no twitter: @lulavilar

Moreno nega mudança no PSL de AL: “Consolidação está feita. Estive com Eduardo Bolsonaro e estamos afinados”

Foto: Cada Minuto / Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Flávio Moreno

Nos bastidores da política alagoana se comenta a possibilidade do PSL – que hoje é liderado pelo ex-candidato ao Senado Federal, Flávio Moreno – mudar de comando no Estado. Entre os nomes apontados como um possível futuro “líder” da legenda está o deputado federal Sérgio Toledo (PL). Outros políticos também já foram citados, como o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Moreno – em entrevista ao blog – nega que existam essas discussões. Ele classifica as especulações como “fake news”, adotando um termo que é recorrente no discurso do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL), ao falar da mídia nacional.

Conversei com Flávio Moreno, na manhã de hoje, 10, por telefone e o indaguei sobre possíveis alterações no comando da legenda, já que o nome de Moreno é posto como pré-candidato à Prefeitura de Maceió no ano de 2020.

Ele destaca: “Existem muitas fake news nos meios de comunicação por aí. Para um parlamentar mudar de partido, ele corre o risco de perder o mandato. Há essa possibilidade. Eu estive com a direção do PSL e não existe essa possibilidade. Há muitas fake news. Se eu for ficar parando para responder a cada fake news que é lançada na mídia...”.

Moreno diz que o que existe nesse momento é a busca por diálogos que possam se consolidar – em um futuro próximo – em “formação de blocos” para disputas eleitorais tanto na capital quanto no interior do Estado. “Essas conversas são naturais e a gente já vem construindo em alguns municípios com partidos que sustentam o governo de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional. Há uma lista com quais agremiações a gente pode ter composição para o fortalecimento do PSL. Mas, isso só vai ser decidido perto das convenções. Por enquanto, são situações de conversas normais que incluem partidos como PSDB, PTB, PL e com outras legendas. São partidos que estão votando com o governo, com é possível observar agora nessa questão da Reforma da Previdência. São partidos com os quais a gente pode ter composição”.

O dirigente partidário ressalta que são “50 municípios com diretórios”. Em sua visão, isso forma uma base sólida para quem em 2020, “o partido possa eleger prefeitos, vice e vereadores dentro da possibilidade”. Para ele, é preciso fortalecer visando o ano de 2022, quando há as eleições estaduais. “Agora, o partido cresceu nacionalmente. A bancada federal é grande. O PSL virou a menina dos olhos de muita gente. Virou uma cobiça em todos os Estados, mas a consolidação (em Alagoas) está feita”.

“Eu estive com o deputado federal Eduardo Bolsonaro e estamos afinados. Estamos trabalhando para o fortalecimento do partido. Temos o apoio porque foi uma construção conjunta no partido. Foi um ano dentro do partido. Em Alagoas, nos demos a maior votação para o Bolsonaro em termos percentual. A maior votação dentre os Estados do Nordeste e na capital. Isso foi um trabalho das forças que apoiaram Bolsonaro, o que inclui o PSL”, pontuou.

Moreno avalia ainda que o momento é de buscar a “coesão interna” e de “trabalho com princípios para manter o alinhamento com o governo federal e conseguir projetos para Alagoas e Maceió”. “Estamos fazendo esse trabalho de interlocução, oficiando o governo, falando com o presidente e ministérios para conseguir recursos. Nós estamos contribuindo com isso. Estamos trabalhando e fazendo essa articulação política também, enquanto presidente do PSL. Estamos fortalecidos e estaremos mais ainda para 2020 na capital e interior”, finalizou.

Estou no twitter: @lulavilar

Ronaldo Lessa e as dificuldades do PDT para ter candidato em Maceió

Foto: Reprodução/ Instagram Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Ronaldo Lessa

Não se pode negar que o ex-deputado federal Ronaldo Lessa (PDT) tem capilaridade eleitoral na capital alagoana. Isso, mesmo quando derrotado na disputa pela Câmara de Deputados, foi comprovado. Ronaldo Lessa serviu de escada para a matemática dos votos na chapa a qual fez parte. Talvez, se tivesse do outro lado – na chapa em que se tinha o PSDB, o PROS e outras agremiações – tivesse tido melhor êxito.

O fato da existência de uma capilaridade e de um recall em relação ao nome de Lessa é a realidade anima o PDT que, ao sair do governo de Renan Filho (MDB), se estrutura na tentativa de sustentar uma pré-candidatura à Prefeitura de Maceió.

No entanto, ninguém é candidato de si mesmo.

Por mais que o PDT force falando de outros nomes na legenda – como o de Kátia Born etc – a realidade é que absolutamente todo o partido, se o assunto for uma majoritária, orbita em torno do nome de Ronaldo Lessa. Ele não é apenas a maior expressão do partido nesse sentido. Ele é a única expressão do partido para uma candidatura desse porte e diante dos possíveis adversários.

Lessa ainda traz consigo – é válido lembrar – o descrédito de todo o campo progressista. Isso tem seu peso, sobretudo nos movimentos eleitorais dos últimos tempos em que se busca a novidade e o discurso reoxigenado.

Não bastasse isso, falta (hoje) à agremiação de Lessa um grupo. O ex-deputado federal que antes – quando tinha mandato – era disputado como aliado, em função do peso da legenda, tempo de televisão e outras coisas, não é mais o mesmo Lessa de agora, sem mandato e sem o mesmo peso político de épocas passadas.

Se Ronaldo Lessa se aliar ao grupo da Prefeitura de Maceió – que tem como principal nome o prefeito Rui Palmeira (PSDB) – não terá garantia de nada. Por lá, já existem legendas (dentre elas o PP) que também possuem seus pré-candidatos, como o vice-prefeito Marcelo Palmeira e até mesmo o deputado estadual Davi Davino. O máximo que Lessa conseguiria de imediato é espaço para cargos e nenhum compromisso em relação ao seu nome encabeçar o grupo. O PDT está sozinho.

A realidade de que Lessa não é mais o mesmo é a forma como foi tratado no Executivo estadual. Ficou em uma pasta que não tem muita atenção do governo estadual. Acreditou que poderia fazer muito, mas se deparou com a morosidade dos programas sociais. Sofreu – como bem lembrou o deputado estadual Davi Maia (Democratas) – uma “humilhação pública”.

Todavia, quem observar a História verá que Ronaldo Lessa também paga por suas escolhas. Quando saiu do governo estadual, acreditava que estava eleito senador em função do índice de aprovação que tinha. Ele foi atropelado pela novidade daquele pleito: o retorno do ex-presidente Fernando Collor de Mello – na época pelo pequeno PRTB – à vida pública. Collor foi eleito senador da República ao desbancar um ex-governador do Estado que tinha toda uma rede de apoios.

Na sequência, Lessa teve a oportunidade de disputar o Senado Federal com maiores chances, já que seriam duas vagas, ainda que a eleição contasse com Heloísa Helena (na época no PSOL), Renan Calheiros (MDB) e o senador Benedito de Lira (PP). Todavia, Lessa caiu no canto de sereia do emedebista Renan Calheiros e assumiu ser cabeça de chapa numa disputa pelo governo do Estado contra quem tinha a máquina: o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Renan Calheiros – que sempre trabalhou para tirar possíveis adversários no tapetão – ajudou a sepultar uma chance de Lessa ali. O pedetista aceitou!

Depois, fez a loucura de disputar a Prefeitura de Maceió em meio a uma briga com a Justiça. Sofreu uma humilhante saída do pleito. Com isso, o PDT – que foi um partido que teve seus tempos áureos em Alagoas – foi se encolhendo, com nomes menores que orbitavam em torno de Ronaldo Lessa. Nem os cargos ocupados, por meio das alianças políticas, fez surgir novas lideranças orgânicas na agremiação. O partido se resumiu ao seu passado e sem qualquer perspectiva de futuro. Só Ronaldo Lessa era a sua identidade.

Coube a Lessa entrar na disputa por uma das cadeiras da Câmara de Deputados. Sua capilaridade permitia isso e ele teve êxito. Nesse tempo, também se afastou do MDB e se aliou aos tucanos. O discurso era contraditório e pesava sobre a imagem o tal fisiologismo político das alianças por cargos. Depois, se afastou dos tucanos para regressar ao MDB na tentativa de se reeleger deputado federal. Perdeu!

A derrota foi sonora! A secretaria foi um prêmio de consolação diante do governo estadual não ter conseguido costurar alianças que permitissem que Lessa – já que ocupa a primeira suplência – retornasse a Brasília.

Agora, Lessa é uma figura isolada. É a cara de um velho “progressismo alagoano”. Já não cabe aquele seu discurso de “luta contra as forças de atraso”. PDT soa como um museu que não se renova. Os novos nomes e os que ocupam espaços – como Inácio Loiola na Assembleia Legislativa – não são pedetistas orgânicos. Seriam quem são em qualquer outro partido. A legenda carece de identidade para andar sozinha e falta peso político para traçar alianças.

Hoje, diante das circunstâncias, uma pré-candidatura de Lessa – ou de qualquer outro pedetista – é só um sonho de uma noite de verão. As coisas só mudarão se o ex-deputado federal conseguir se inserir em algum grupo político que lhe dê base de sustentação e permita que ele venha a renascer na luta contra o ostracismo.

Estou no twitter: @lulavilar

Com saída de Omar Coêlho, Podemos pode ir para Tácio Melo e ampliar base de Rui

Assessoria/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Tácio Melo

O Podemos de Alagoas chegou a ser comandado pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, Omar Coêlho, que deixou a presidência. Coêlho destacou o clima “de fortes disputas políticas locais que queriam o partido”, mas que teve – desde 2017 – o apoio do ex-presidenciável Àlvaro Dias para firmar o diretório.

Coêlho tentou construir um protagonismo maior do partido nas eleições do ano passado. Seu nome chegou a ser cogitado como possível candidato ao governo estadual, mas não avançou. O ex-presidente da OAB/AL diz que as coisas não andaram como ele imaginava e lidou com a ausência de recursos financeiros e materiais.

Ele ainda se coloca como frustrado com a forma de fazer política. A carta de Coêlho, encaminhada à imprensa, é longa e mostra uma série de motivos para a sua saída.

Agora, diante do vácuo, o Podemos pode ser assumido por Tácio Melo, que ocupa espaço na administração municipal de Rui Palmeira (PSDB). Melo já comandou a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), foi para a Secretaria de Governo, ensaiou uma candidatura a vereador por Maceió, e hoje se encontra na Sima.

Melo é um homem de extrema confiança do prefeito Rui Palmeira. Com o novo partido, Melo amplia a base do prefeito em termos de agremiações. Agora, além do PROS, Democratas, PP e outros, o Podemos passa a fazer parte da administração.

Vale salientar que o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), tinha interesse em pegar a legenda, conforme os bastidores.

Como isso pode impactar em processo eleitoral futuro, aí é com o tempo...

Estou no twitter: @lulavilar

Das ideologias e dos crimes...

A política tem suas nuanças. Se há quem ache que ela é dicotômica entre heróis e vilões tende ao reducionismo, paciência...

Tenho – e não escondo – uma visão de mundo que se encaixa mais no espectro do que se considera uma direita. Os motivos? Acredito em uma moralidade objetiva que se dá em uma sociedade por ordem espontânea ou por uma visão transcendente de mundo (este é meu caso, pois sou cristão).

Assim como diz Bastiat, em A Lei, tenho a crença de que é sempre preciso defender o indivíduo do poder coercitivo do Estado, pois ele sempre tende a crescer, o que faz com que o preço da liberdade seja a eterna vigilância. E tal liberdade só existe – como demonstra muito Richard Pipes (em Propriedade e Liberdade) – diante da preservação do conceito da propriedade privada e da valorização da vida.

Tenho uma aversão quase que natural ao coletivismo promovido por ideologias, principalmente quando estas bebem na fonte das que mais causaram atrocidades no século XX: nazismo, fascismo e comunismo. Estas deixaram um rastro de cadáveres e sangue. Em que pese possuírem diferenças em seus cernes ideológicos, são semelhantes em suas práticas: supressão das liberdades, campos de concentração, estados totalitários e mentalidades revolucionárias e autoritárias, além de outros pontos. Fica aqui duas dicas de obras interessantes que demonstram isso: A Ideologia do Século XX do brasileiro Meira Penna e A Infelicidade do Século de Alain Besançon.

Tais ideologias visavam o controle de populações, mudanças de comportamento, a imposição do novo homem na promessa da construção de um paraíso na Terra a partir de classes eleitas, seja pelo viés econômico ou racial. Enfim, picaretagem disfarçada de ciência: o tal pseudocentificismo. Estudar a natureza e a história das ideias políticas – como fez Eric Voegelin – nos mostra de forma precisa os desdobramentos destas. No século XXI, temos um mundo secularizado em que ainda muitos acreditam no “papai” Estado como salvador da pátria ou depositam fé demasiada na política como instrumento de correção social.

Michael Oakeshott fala muito sobre isso e da necessidade do ceticismo em relação aos famosos engenheiros-sociais com suas soluções mágicas para os problemas da humanidade, colocando-as nas mãos de políticos para resolverem tudo por meio de projetos de leis, uns mais bizarros que os outros, mas cheios daquelas boas intenções que pavimentam o caminho para o inferno. Conservador como era Edmund Burke, Oakeshott demonstra que a História dá lições. Estamos sempre a subir nos ombros dos gigantes para aprender com os erros e as conquistas do passado, preservando o que é bom e refletindo sobre o que é mal.

Assim, a política deve ter o seu lugar na sociedade, mas não é o todo. Não é uma causa assumida que enobrece o homem. Há – por vezes – práticas dos direitistas que levam minhas críticas por observar nelas uma estatolatria, demagogia, exageros etc. O mesmo ocorre com a esquerda. Isso também nunca me furtou de elogiar acertos de pessoas que estão em campo de pensamento oposto ao meu, como a prodigiosa inteligência do intelectual Raymundo Faoro, ao descrever o estamento burocrático que tomou conta do país desde a fundação da nossa República.

Faoro é um homem ligado às esquerdas, mas foi cirúrgico em Os Donos do Poder.

De toda forma, não observar – por meio do estudo profundo e da análise das fontes primárias – quais são as correntes e poder que atuam sobre nós e que conduzem o tabuleiro político é analisar tudo pela mesquinharia da política do cotidiano, como se só existisse ela.

Governos – quaisquer que sejam – cometem erros e acertos. Todavia, alguns, em suas construções ideológicas de mundo vão para além do aparente. Afinal, a ideologia é um discurso que justifica a ação. No governo petista passado, isso foi um fato. Quem despreza isso ou faz por má-fé ou por ignorância.

No caso, por exemplo, da existência do Foro de São Paulo, o que se tem é um clube que – nutrido da ideologia esquerdista – buscou construir o maior número possível de governos alinhados ideologicamente para agir em bloco na América Latina, mantendo o poder. O Foro aglutinou os partidos políticos de esquerda e organizações criminosas como as Farcs. Tudo isso sendo justificado por um discurso ideológico. Ninguém precisa acreditar em mim, basta acessar o site do próprio Foro.

Como isso custa dinheiro, o Brasil contribuiu ofertando os recursos dos brasileiros como cofre. Os empréstimos fraudulentos do BNDES fazem parte disso. Quando o ex-ministro preso Antonio Palocci fala do uso desses recursos fala parte do assunto. Fomos roubados, assaltados! Tudo isso em nome de um projeto de poder que se camuflava em uma ideologia. Dizer isso significa dizer que a direita é santa? Não! Se houver crimes cometidos pela direita, que sejam investigados e punidos.

O que se diz é que a promoção de um projeto de poder com base na corrupção sistêmica e se apoiando em mecanismos internacionais que interferiam diretamente nas soberanias nacionais que formam a América Latina é um fato. Não é por acaso que a Lava Jato extrapolou fronteiras e há denúncias para além do Brasil. É só ligar os pontos. Some a isso uma turma de intelectuais orgânicos que trabalharam duro para defender e justificar os discursos petistas. Informações a serem buscadas não faltaram.

Claro, é sempre mais fácil fazer de tudo isso um “espantalho”.

A Lava Jato descobriu a ponta do iceberg. Por isso foi tão longe a partir – inicialmente – de um caso que parecia mais um, entre tantos, de corrupção no país. Mas o fio foi puxado e veio toda a rede, veio a forma como a Petrobras foi usada, veio outros esquemas e por aí vai. O ministro – então juiz – Sergio Moro se tornou um personagem nesse enrendo da História do país. Cumpriu um papel importante e teve – grande parte de suas sentenças – mantidas nas demais instâncias.

Agora, há os vazamentos do The Intercept. Bem, repito o que sempre disse aqui: se existir algo – do ponto de vista jurídico – que possa ser usado pela defesa do condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), que a defesa use. Mas não com base em matérias publicadas no site, mas sim as fontes primárias que são a origem do noticiado. E essa é a política menor da qual falo no texto, pois tira de cena tudo o que ocorreu no Brasil e na América Latina nos últimos anos.

Mas, repito: se houve elementos comprovados que venham a garantir – dentro do processo penal – algum recurso a Lula, mesmo ele sendo quem é passará a ter esse direito. Todavia, em nada isso inocenta Lula de saber de toda essa história narrada aqui, do que promovem as ideologias que imperam no Foro de São Paulo, do quanto isso foi fundamental para fazer do país um aliado ideológico de republiquetas como Venezuela e Cuba, da roubalheira promovida pela turma, da compra de apoios no mensalão da vida e por aí vai...

E isso sem contar com a irresponsabilidade com as contas públicas, os dois anos de PIB negativo etc. Em resumo: o PT cometeu crimes absurdos no poder. Muitos destes tiveram motivação ideológica e discurso de apoio por conta disso e faziam parte de um conjunto que visava o poder e manutenção destes por meio dessas práticas. E havia apoio internacional para isso. Se há quem negue, paciência...

Dito isso, estamos em outro governo. E aí, se esse cometer casos de corrupção, que se investigue e puna. Se houver erros, que se critique. Eu até creio que existam esses erros, como a perda de tempo em relação ao Ministério da Educação, que já critiquei. Cada coisa em seu devido lugar!

Estou no twitter: @lulavilar

TCE: só tem dinheiro até agosto, conforme presidente. ALE terá que aprovar suplementação

Ascom Prefeitura Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Otávio Lessa

Uma matéria publicada pelo Jornal das Alagoas – no dia de hoje, 03 – traz uma informação interessante sobre o Tribunal de Contas do Estado. De acordo com o próprio presidente da Corte, o conselheiro Otávio Lessa, só há dotação orçamentária para conseguir pagar as obrigações do órgão até o mês de agosto.

O detalhe é que o Tribunal custa mais de R$ 102 milhões aos cofres públicos. Agora, a alternativa é conseguir um crédito suplementar. O trabalho de bastidores para isso já vem sendo feito. Depende da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

Otávio Lessa concedeu entrevista ao jornalista Delane Barros. Segundo o jornalista, o pedido de suplementação já foi feita ao governador Renan Filho (MDB) e autorizado. É esperar a Casa de Tavares Bastos votar a questão.

A matéria deve ser analisada com o retorno do recesso parlamentar, a partir do dia 1º de agosto. Otávio Lessa explica que o órgão se encontra no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) quando ao pagamento de pessoal.

Eis a declaração dada: “Nosso orçamento tem cerca de 65% aplicado no pagamento de aposentadorias. Então, nesse cenário, só temos orçamento para pagamento de despesas até o próximo mês. Conversei com o governador, que foi sensível ao nosso pleito e considerou pertinente nosso projeto para análise da Assembleia Legislativa”.

Lessa diz que busca ainda investir em economia. Ele fala de um software adquirido pelo governo de Minhas Gerais e cedido pelo Tribunal de Contas de Sergipe ao órgão alagoano. Através dele, explica a matéria, “será feito o cruzamento de informações de servidores de todo o estado. Com isso, tanto haverá agilidade no fluxo de informações entre a corte e as prefeituras municipais, todos os órgãos da administração, o que resultará em economia, pois evitará o acúmulo inadequado de funções”.

Em relação aos aposentados, problema apresentado por Otávio Lessa, a folha salarial conta com 300 ativos. O TCE paga a aproximadamente 500 inativos.

Estou no twitter: @lulavilar

Acordo entre Mercosul e UE levanta um tema: Globalismo e globalização: são coisas diferentes?

Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

Após o acordo de livre comércio firmado pelo Mercosul e a União Europeia – imensamente comemorado pelo governo federal do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) – entra em cena, mais uma vez, a confusão entre os termos “globalismo” e “globalização”. É que o atual governo – em especial nos discursos no ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo – já assumiu um discurso antiglobalista.

Para alguns, ao participar do fechamento de acordo, Bolsonaro cairia em contradição, pois a União Europeia é vista como um mecanismo do globalismo. Antes de mais nada, é preciso que se diga que o acordo firmado entre Brasil, Mercosul e União Europeia se dá após 20 anos. E aí, todos os que ajudaram nessa construção possuem seus méritos, como por exemplo, membros do governo de Michel Temer (MDB) e os personagens do governo de agora, como a ministra Tereza Cristina, Ernesto Araújo e o próprio presidente.

Isso sinaliza que saímos daquelas alianças de “anão diplomático” em que as relações do país eram estreitadas pelo viés ideológico, nos levando a apoiar e financiar – por meio de empréstimos fraudulentos, por exemplo – ações na Venezuela, Cuba e outras republiquetas. Só isso já é um ganho no cenário internacional.

Além disso, o acordo propicia margem de tempo para adequação da indústria nacional – em muitos setores – e assim encarar a concorrência, desenvolvendo e investindo em tecnologia. A aliança firmada entre Mercosul e União Europeia tem muitos pontos. Aconselho o leitor que observe cada um deles e como estes podem se desdobrar nos próximos anos. O que há de mais fácil nesse momento é assumir posições por conta de “paixões políticas” que desprezam os fatos para imporem suas narrativas.

Quanto mais liberdade econômica um país puder ter, mais desenvolvimento e investimento ele atrairá e isso impacta diretamente na qualidade de vida de seus cidadãos, na geração de emprego e renda, no fortalecimento do setor produtivo e na independência em relação ao poder coercitivo estatal.

O Estado deixa de ser uma babá, um empresário, e passa a se concentrar na prestação de serviços e na infraestrutura necessária para receber tais investimentos. Nesse quesito, se no Brasil fizer a lição de casa, reduzindo a máquina pública, cortando gastos, privatizando o que tiver de ser privatizado, ganharemos no cenário internacional também, seja por acordos multilaterais ou bilaterais.

Estaremos entre os grandes e não entre os anões diplomáticos.

Agora, no que se diferencia a globalização do globalismo?

Bem, a globalização é um fenômeno sem volta que coloca os países – necessariamente – em um processo de diálogo para acordos firmados que possuem resultados econômicos, pelas trocas em mercados, ou culturais em função da absolvição de valores, produtos, enfim. Sendo assim, tomando por exemplo o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, se o acordo tem por norte o livre mercado, o comércio entre os países, a troca de produtos ou até mesmo mudanças em relação a forma como lidarão com suas fronteiras para países aliados, temos um processo de globalização.

Nenhum país que queira prosperar pode estar isolado do mundo. É preciso estabelecer esses diálogos e buscar ao máximo o jogo do “ganha-ganha”, pois – como é lição básica da economia – não há jogo de soma zero, onde só um lado ganha e só o outro perde. A diplomacia dentro da globalização busca esses resultados. Agora, a busca se faz sem perder a soberania nacional e sem deixar que países estrangeiros ou mecanismos internacionais interfiram nos poderes constituídos pela democracia do próprio país para impor uma agenda política e/ou ideológica.

É aí onde reside a diferença.

O globalismo é a construção de mecanismos de controle internacionais que visam interferir diretamente nas soberanias nacionais por meio de acordos. Ultrapassa a questão econômica e as demais expostas aqui para se ter uma agenda política imposta, independente do mérito desta. O país que adere a visão globalista é obrigado a aceitar todas pautas do bloco ao qual pertence. E aí, entram acordos climáticos, de legislações a serem impostas, de mudanças de valores e de uma série de coisas que são discutidas por burocratas não eleitos, passando por cima dos parlamentos locais, empurrando de cima para baixo.

Em menor escala é o que o Foro de São Paulo tentou fazer – e aina tenta – na América Latina. O problema não é a ONU em si, o Mercosul em si ou a União Europeia em si, mas como estão esses agentes no jogo político e qual o papel do Brasil nessas relações, a que se submete ou não.

É o que ocorre, por exemplo, com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Não importa o mérito dessa agenda, pois ela vai sendo disseminada dentro das nações sem levar em conta o poder legitimado pelo povo. Assim, se impõe mudanças em relação ao aborto, à concepção de direitos humanos, a restrições de liberdades etc.

Se o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia deixa o globalismo de fora, é uma vitória do governo e não tem contradição alguma com o seu discurso. Agora, para isso é preciso observar todo o acordo assinado, analisar ponto a ponto e perceber quais foram as concessões e quais foram os ganhos.

Infelizmente, estamos em períodos que as pessoas simplesmente ouvem uma palavra – como ‘globalismo’ e ‘globalização’ - e já vão as encaixando em qualquer discurso, muitas vezes sem saber o que elas significam realmente.

É óbvio que há linhas tênues, pois o globalismo se impõe justamente por dentro do processo da globalização. A linha é tênue, mas os efeitos não. A globalização pode fazer um país se desenvolver e alcançar posição de destaque para negociar com o mundo diante do fato de se tornar uma referência em setor ou setores. O Brasil – por exemplo – possui diversos potenciais inexplorados onde pode se tornar destaque, bastando desenvolver tecnologia e romper amarras.

O globalismo – por outro lado – torna o país submisso dos interesses de blocos internacionais dentro de uma geopolítica cujos grupos de comando possui interesses próprios. Isso ocorre com o bloco dos metacapitalistas – formado por George Soros e outros – que atingiram o topo da riqueza e não são muito fãs do livre mercado justamente por entender que é preciso impor regras para eliminar eventuais concorrências naquilo que controlam. Para isso, usam da política e de mecanismos internacionais, ONGS e o todo o terceiro setor para imporem as suas agendas.

Não há um só globalismo. Pois qualquer corrente política que trabalhe para impor sua visão ao mundo e assim assumir o controle do máximo que puder é uma espécie de globalismo. É o caso, por exemplo, da visão eurasiana de Vladimir Putin, que trabalha suas alianças com Rússia e China e quer o enfraquecimento da União Europeia para poder ampliar domínios no Leste Europeu. Há um livro – recém-publicado no Brasil – que trata disso: chama-se Na Contramão da Liberdade de Timothy Snyder. Lá se observa o motivo do interesse de Putin em se aliar a determinadas direitas na Europa.

Se o leitor se aprofundar no assunto, vai descobrir outros projetos globalistas. Uma dica introdutória são os livros do brasileiro Alexandre Costa: Introdução à Nova Ordem Mundial e O Brasil e a Nova Ordem Mundial. Vale a leitura também de Nicholas Hagger, chamado a A Corporação, ou ainda as obras de Cliff Kincaid. São aulas de geopolítica.

Infelizmente, nessa área há muito joio e trigo, o que faz com que se alimentem versões conspiracionistas estapafúrdias. Então, é preciso cuidado nas leituras. Mas, se o leitor quiser se aprofundar, deixo aqui uma lista: A Invasão Vertical dos Bárbaros de Mário Ferreira, Desinformação de Ion Pacepa, Contra o Cristianismo: a ONU e a União Europeia como nova ideologia de Eugene Roccella e A Conspiração Aberta de H.G Wells.

Será um bom início para – do ponto de vista histórico – entender como o mundo político funciona.

Estou no twitter: @lulavilar

Caro contribuinte, parabéns! A Câmara lhe presenteou com mais quatro legisladores sem se importar muito com sua opinião!

Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

A Câmara Municipal de Maceió ficou devendo transparência aos seus representados – o povo maceioense – na discussão que resultou no aumento do número de vereadores para o ano de 2021. Atualmente, são 21. Mas, com a alteração na Lei Orgânica, a quantidade de cadeiras na Casa de Mário Guimarães passará a ser de 25 após as próximas eleições municipais.

Como já disse em outro texto, repito: 1) não há nada de ilegal no projeto, pois se enquadra ao dispositivo constitucional; 2) também não há aumento de gastos em relação ao duodécimo, pois a Câmara terá que manter o percentual em relação à receita estimada pelo Executivo. Mas isso resolver a questão? Não!

Os vereadores são representantes da população. É essência de qualquer parlamento (inclusive dos legislativos municipais) – e os bravos edis deveriam entender isso! - se tornar uma caixa de ressonância da população, prestando contas de seus atos da forma mais pública e transparente possível.

Nessa discussão, a Câmara evitou ao máximo seus representados. Digo e provo. Quanto aprovou o projeto em primeira discussão, a comunicação oficial do Poder Legislativo produziu um “release” sobre os acontecimentos daquela sessão e, pasmem, ali não era descrito que os vereadores haviam aprovado a matéria, em que pese relatar os demais acontecimentos da sessão.

A matéria havia sido discutida antes, mas houve pressão popular. Então, os vereadores pisaram no freio e até o Ministério Público entrou em cena. Por essa razão, quando instalada a calmaria, a população só soube que o projeto havia sido votado em primeira discussão por conta da imprensa.

Eu indaguei o presidente do Legislativo municipal, o vereador Kelmann Vieira (PSDB), sobre o assunto. Ele me disse que não havia intenção da Câmara esconder nada e que toda discussão seria pública e que a sociedade seria chamada para a votação final no dia 25 (ontem!).

As únicas convocações que vi foram de movimentos contrários ao aumento do número de vereadores, como o Livres e o Movimento Brasil. Não houve o que Vieira prometeu nos perfis oficiais da Câmara Municipal de Maceió. O Livres soltou uma peça publicitária afirmando que seus membros – pessoas da sociedade civil organizada – foram até proibidos de acompanhar a sessão. Não sei se procede ou não.

Mas o fato é que ocorreu a segunda votação, no dia de ontem, e a Câmara Municipal de Maceió aprovou o aumento do número de vereadores. Mas, nossos edis simplesmente ignoraram – mais uma vez! - nos comunicados oficiais da Casa, o que seria a principal matéria do dia. Trataram da forma mais tímida possível.

No site oficial do parlamento-mirim há um release sobre a sessão ocorrida no dia 25 de junho. Adivinhem, caros leitores? Isso mesmo! O texto traz o relato da sessão, falando de reajuste de servidores, da aprovação de um projeto que garante bico legal para guardas municipais, mas considera a discussão sobre o aumento de vereadores algo digno apenas dos últimos parágrafos. Isso seria informação primordial aos pagadores de salários dos senhores vereadores. Ou seja: todos nós.

A Câmara Municipal de Maceió evitou a discussão pública. Não respondeu aos pontos centrais da questão e deu uma aula de como não tratar os representados que são os responsáveis por pagar as contas da Casa.

Recoloco aqui: a questão não é se teremos mais gastos ou não em 2021. O duodécimo – em termos percentuais – será o mesmo. A questão é: com mais vereadores, serão mais assessores e os servidores terão – como já teve agora de 10% - reajustes. Isso faz com que o parlamento-mirim tenha que projetar o que gasta com folha salarial dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para que não estoure limites em função do duodécimo que recebe.

Eu solicitei esse estudo de impacto ao presidente Kelmann Vieira. Não consegui ter acesso a ele. Mas, faço uma indagação simples: se houver queda de arrecadação no município de Maceió, a Câmara está preparada para reenquadrar suas contas em relação ao duodécimo, mantendo a folha salarial, ou obrigará o futuro presidente a cometer improbidade administrativa para assegurar os salários?

As questões não são financeiras, mas orçamentárias. Eu sempre disse isso! Essa discussão deveria ter sido feita de forma pública e bem mais transparente do que o tímido release da Câmara Municipal que foi enviado para a imprensa no dia de ontem, após os mesmos vereadores terem feito questão de ignorar que precisavam informar à população sobre a primeira votação.

Mas, vamos a outro ponto: enquanto caixa de ressonância da sociedade, os senhores vereadores usam de qual régua para saber se a população queria mais edis naquele espaço? Aposto que uma maioria diria não aos vereadores se lhe fosse indagada se Maceió precisa de mais edis ou não? Ouvir a população, debater com ela, isso se chama representatividade. Uma Câmara Municipal que é bastante produtiva em realizar audiências públicas deveria saber disso.

Agora, Inês é morta, como diz o dito popular.

Então, só nos resta festejar, caríssimo contribuinte. Viva!!! Agora teremos mais quatro vereadores que – se Deus assim permitir – não terão a ousadia da mentalidade estatizante de querer sair por aí regulando e fazendo lei sobre tudo, como impor gratuidade em estacionamento privado, fornecer ônibus para funeral, colocar wi-fi grátis em tudo que é canto, ignorar que inexiste almoço grátis para receber os aplausos fáceis do populismo. Você duvida que corremos esse risco? Eu não! Quanto mais político, mais medo!

Estou no twitter: @lulavilar

O Resgate do Brasil e João Camilo: sem o olhar no passado, presente e futuro são sequestrados por ideólogos...

Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

“O Brasil não é para principiante”. Não raro escuto ou leio essa sentença por aí.

Em todos os tempos, durante nossa História, enfrentamos crises, batalhas, guerras culturais e disputas por poder envolvendo todo tipo de ideologia secular, a iniciar pelo positivismo que fundou a República.

Sem contar que as particularidades dessa nação nos leva a estranhamentos diante dos fatos históricos, como o golpe que rendeu a República – em 1889 – ter como figura principal alguém que sequer republicano era: Marechal Deodoro. O milico se opôs a D. Pedro II por conta dos interesses pessoais e acabou abrindo portas para uma versão tiranete-tupiniquim que foi Floriano Peixoto, que hoje é cantado em verso e prosa.

De lá até os dias atuais, muitos fatos a refletir. Por exemplo: ao final da década de 1930, mantivemos um franco comércio com a Alemanha nazista em função da admiração de Getúlio Vargas pelos regimes autoritários que tomavam conta da Europa. Tanto que, nesse período, tivemos nossa versão de medo ao comunismo com o polêmico Plano Cohen.

A culpa de uma revolução comunista frustrada já caiu nas costas de uma menina de 18 anos, a garota Elza, que foi executada pelo grupo de Luís Carlos Prestes. Este – por sua vez – ganhou o epíteto de Cavaleiro da Esperança.

Posteriormente, temos o sonho de Brasília: uma capital que centralizou o poder e traduziu em concreto o pacto federativo que o país tem até hoje, onde a distribuição de recursos é decidida nas mãos de poucos, bem como a centralização de ações. Assim, municípios e Estados ficam dependentes administrativa e politicamente. Contra essa centralização, homens como Aureliano Cândido Tavares Bastos já se insurgiam em 1861, ainda no Império.

Eram abolicionistas, visionários, descentralizadores, libertadores que foram jogados no esquecimento.

Seguindo na História, a promessa de JK – com seu desenvolvimentismo – nos levou ao aumento dos gastos públicos de forma surpreendente. Se na época imperial, esse não chegava a duas casas decimais, hoje compromete o PIB de uma forma assustadora. Esse desenvolvimentismo estatista – com um Estado cada vez mais interventor – nos seguiu pelo tempo. No período militar, foram fundadas 274 estatais. Tivemos crescimento econômico, é verdade. Todavia, tivemos cada vez mais centralização.

Como bem pontou o autor de Os Donos do Poder – Raymundo Faoro – nossa democracia virou burocrática. O poder que emanava do povo era contra ele exercido por meio de um estamento que envolviam políticos e outros autores, como os metacapitalistas das empreiteiras. Liberdade econômica e outras liberdades? Foi virando um sonho nesse país.

Na reabertura democrática, após regime militar, o estamento foi tomado por ideias revolucionárias que se dividiam por seus matizes, da social-democracia a uma esquerda mais radical. Assim, após a Era desastrosa da presidência do atual senador Fernando Collor de Mello (PROS), tivemos a dicotomia entre o PSDB e o PT, com os tucanos aceitando o papel de uma “direita” (que nem direita era) que a esquerda precisava.

As ideias conservadoras e liberais foram mortas nesse país ou demonizadas. Não raro, ser liberal ou conservador era ser chamado de fascista, como se o termo fosse um mero xingamento. Aqueles que defendiam a redução do Estado, a descentralização do poder e a revisão desse pacto federativo, eram tachados de autoritários, quando na realidade o tal “fascismo” significa tudo pelo Estado, para o Estado e com o Estado.

Uma inversão de conceito que matou a direita e criou uma democracia de tonalidades de um único lado, com algumas leves pitadas de liberdade econômica e liberalismo quando era necessário, como foi com as privatizações da era tucana.

Somente no início dos anos 2010 é que uma direita começa a ressurgir timidamente, revisitando ideias, resgatando nomes históricos do pensamento político brasileiro que haviam sido largados ao esquecimento, como Antonio Paim, Meira Penna, Roberto Campos, João Camilo de Oliveira Torres e tantos outros. De qualquer forma, fazer de determinadas ideias “espantalhos” é algo que ainda ronda na grande mídia tomada pelo dito progressismo.

Por isso, caro leitor (a), ouso dizer que a única forma de compreensão de nosso presente para além das análises que estão sendo feitas por aí em páginas de jornais, só é possível plenamente quando conhecemos de fato o nosso passado. O Brasil possui heranças profundas. E, nesse quesito, heróis foram esquecidos, personagens históricos foram deturpados para se tornarem mitos dentro de um pensamento dominante de uma época, e biografias tiveram seus defeitos amenizados para que heroísmos fossem forjados.

Um exemplo é o caso de Tiradentes: esse foi moldado como um “Cristo” pela República inicial. Antonio Conselheiro virou um louco e poucos sabem que ele possui uma obra teológica rica, publicada recentemente pela É Realizações. Ou seja: não era tão louco assim.

Até o cangaço passou por uma revisão revolucionária para Lampião caber – alguns livros fizeram isso – no discurso da luta de classes, quando os cangaceiros se aliavam a determinadas elites para mapear os locais que iriam saquear ou não.

As brigas entre jesuítas e a Coroa – que também produziu reflexões interessantes sobre nossa formação e como tratamos nossas origens – foram apagadas ou deturpadas. José de Anchieta – um grande pedagogo – deixou de ser referência, por exemplo.

Além disso, nas escolas, passamos a aprender a nossa história da forma mais superficial possível e quem ousa questionar a historiografia oficial das apostilas resumidas passa a ser massacrado pela “inteligência orgânica”, como ocorreu recentemente com o documentário 1964 do Brasil Paralelo.

Ali, um documentário honesto que mostra o golpe que de fato houve na chamada contrarrevolução militar, afirma sim que houve a ditadura e com a influência do positivismo de Auguste Comte e sua visão de “sociedade perfeita”, mas do outro lado: a ameaça do comunismo com guerrilheiros maoistas, stalinistas, marxistas-leninistas etc. O documentário traz o contexto.

Entender o Brasil atual é compreender o passado, pois nos últimos anos – a era PT – trouxe muito dessas ideias revolucionárias para dentro do estamento burocrático e com peças – de um mecanismo internacional – que não podem ser esquecidas: como o Foro de São Paulo e o plano de esquerdização das Américas Latinas.

A corrupção já existente no estamento foi elevada a um sistema de manutenção de poder. O BNDES virou cofre da revolução para republiquetas como Venezuela e Cuba em função dos interesses ideológicos. Tudo isso já era a crônica de uma morte anunciada, pois o aumento dos gastos públicos, a matriz econômica heterodoxa e as migalhas ao povo fazia parte do plano.

A organização criminosa cooptou os fisiológicos cujo compromisso era o próprio umbigo e não o país. Muitos desses formam o Centrão de hoje ou são figuras como os Renans Calheiros da vida que não hipotecam o apoio ao PT por acaso. No atual governo – do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) – também há muito do positivismo militarista tecnocrata que merece críticas e vigilância. Aliás, se há governo, é preciso que haja os vigilantes.

Há ainda um governo – e Bolsonaro precisa se preocupar com isso – que alimenta crises menores, que fala de rompantes e sem medir as consequências, que pode prejudicar o que há de positivo, como a quebra do sistema estamentário, as reformas estruturantes visando maior liberdade econômica e a preocupação em resgatar uma moralidade objetiva, que se funda nos valores ocidentais que preservam todas as liberdades. Há erros no governo? Sim. Se a direita se deixar tomar por uma paixão política, fechará seus olhos para a crítica que pode ser construtiva e se enxergará como “iluminados pelo povo”.

A direita não pode se tornar o mal que combate.

Por essa razão, reforço nesse texto a necessidade de conhecer o Brasil com mais profundidade para entender como chegamos até aqui. Por sorte, há muitas obras surgindo nesse país – sobretudo por meio de editoras menores, como A Armada, Vide Editorial, É Realizações, Centro Dom Bosco e outras – que visam o resgate histórico. Não se trata sequer de revisionismo.

Indico ao leitor (a) conhecer Laterna na Proa de Roberto Campos, por exemplo. Momentos Decisivos da História do Brasil de Antonio Paim é outra obra que merece ser lida. Procurem por Brasil: Uma Biografia de Lilian Schwarcz e por Boris Fausto (mesmo estes sendo de um pensamento político oposto ao meu, merecem ser lidos).

Todavia, entre todas essas leituras, destaco uma surpresa maravilhosa – ao menos para mim – feita pela Câmara de Deputados, por meio de sua biblioteca e livraria, que é o lançamento da coleção João Camilo de Oliveira Torres. Torres é um dos maiores pensadores desse país e está tendo seus textos resgatados pelo parlamento. O melhor: os preços são extremamente acessíveis.

Camilo de Oliveira Torres consegue contar a História do Brasil com reflexões fundamentais aos momentos em que vivemos, desde o Império aos tempos mais recentes da República, como por exemplo, em A Ideia Revolucionária no Brasil, quando mostra a mudança de pensamento e o estatismo centralizador por várias fases vividas na nação.

O leitor (a) vai se deparar com pontos que apenas inicio aqui nesse texto. Camilo de Oliveira Torres traz a reflexão sobre o positivismo em território brasileiro com O Positivismo no Brasil, depois mostra como as relações de poder se deram em O Presidencialismo no Brasil. Há ainda o surpreendente Estratificação Social no Brasil, sem contar com o clássico Democracia Coroada, A Formação do Federalismo no Brasil e Interpretação da Realidade Brasileira.

Pude ler esses livros em edições mais antigas ou por meio dos PDFs. Mas, ainda assim, os adquiri novamente para releituras.

João Camilo de Oliveira Torres fala ao nosso tempo. Nos permite ter acesso a uma visão ampla para analisar melhor os fatos do presente. E um país que verdadeiramente se educa e apreende a História do seu povo se torna uma nação com maior capacidade de decidir quais caminhos quer construir para o futuro. Em tempos atuais – de redes sociais – é muito fácil opinar sobre tudo, mas opiniões não se relativizam. Elas não são iguais.

Como diz Daniel Patrick Moyniham, todos tem direito as suas opiniões, mas não aos seus próprios fatos. E é o respeito aos fatos que diferem a qualidade das análises. Caso contrário, teremos apenas textos histriônicos, cheios de adjetivos e paixões que apenas dialogam com os convertidos dentro de suas ideologias seculares sem ampliarem a discussão e o debate que nosso país precisa.

Como diria o pensador Michael Oakeshott, formaremos apenas pessoas que possuem uma fé política demasiada e sem a dose de ceticismo necessário por não compreenderem que ideias possuem consequências, por não entenderem que nenhuma geração está desligada da geração passada e que essa ligação – como já pontua Edmund Burke, em As Reflexões Sobre a Revolução na França – nos permite pensar sobre erros e conquistas na História. Estamos sempre subindo nos ombros dos gigantes.

O Brasil é maior que um presidente de plantão, é maior que congressistas e maior que uma Brasília centralizadora. O Brasil é um país rico, com um povo de capacidade de empreendedorismo, de iniciativa, de buscar soluções, que – em muitos momentos – só precisa que o Estado atrapalhe menos, que os engenheiros-sociais não fiquem legislando sobre todas as coisas, que respeitem as liberdades individuais e que não façam como a senadora Kátia Abreu, que proferiu uma das piores sentenças já ditas naquele Congresso: que não somos capazes de tomar conta das nossas vidas sozinhos, pois sempre precisamos das babás legisladoras ou do Estado-babá ou empresário.

Esse tipo de político – como Abreu e tantos outros – se utilizam apenas da retórica vagabunda, da vigarice intelectual, enquanto bancam a si mesmos como “pais dos pobres”. O Brasil precisa é de menos Estado e mais liberdade. Precisamos rever nosso pacto federativo, repensar nossa alta carga tributária, resgatar a História e valores, nos guiar pelos grandes e não pelos mesquinhos fisiológicos com seus projetos de manutenção de poder.

O Brasil precisa de uma democracia sadia em que as várias correntes políticas possam expor suas ideias para o país de forma clara, objetiva e sem espantalhos, mas com a verdade. E nessa verdade há o que determinadas ideologias seculares já produziram no mundo, pois todos os atos revolucionários sempre trouxeram consigo as suas guilhotinas, prisões, sangue, perseguição e demonização do adversário. Para entender melhor isso, meus caríssimos (as), nada melhor que a História.

Estou no twitter: @lulavilar

Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com