O Festival Alagoano das Palavras Pretas faz sua estréia em Piracicaba-São Paulo.

 

Foi uma noite de celebração: a palavra virou poema que transbordou feito emoção no sorriso farto das diferentes gentes que responderam presentes no Teatro Abelardo Lopes/SESI- Galeria Arte Center. Av. Antonio Gouveia, 1113, Pajuçara.
Senhoras, casais, jovens, crianças, adolescentes, gente da terceira idade e com a alegria da infância fizeram eco a proposta de agregar palavras de diferentes concepções no III Festival Alagoano das Palavras Pretas: Palavras com Cor e Gênero, acontecido no 21 de março, Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial.
Parece tempo passado, mas só vinte e poucos dias ficaram para traz.
A cantora Angélica Monteiro, servidora pública da Secretaria de Gestão Pública, abriu a noite cantarolando canções identitárias, dentre elas,O Canto das Três Raças.
Difícil não falar da mestra de cerimônia a cantora lírica e poetisa Madalena de Oliveira, deu show de descontração e profissionalismo na apresentação dos nossos visitantes artistas.
Madalena Oliveira nos trouxe o canto lírico entremeado com o afro da poesia das escritoras Aydete Viana e Maria Puresa de Amorim.
Entre a música, o guerreiro da terceira idade do município de Viçosa e a entrega do Troféu Yalodê, que quer dizer mulher líder, chegou a poesia tirando a máscara da timidez do público, meio ainda que reticente, e que nos brindou com o ecoar da palavra molhada de saliva e coração.
Mulheres valentes e vitoriosas receberam o Troféu Yalodê: Nilma Lino Gomes escolhida pelo presidente da República e o ministro da Educação para compor da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE), professora da Faculdade de Educação de Minas Gerais ao tomar posse no Conselho Nacional   disse a que veio.
É autora do PARECER CNE/CEB Nº:15/2010 que, corajosamente, acatou a denúncia,do técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto, de contextualização do racismo" na obra "Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato , estabelecendo ações pertinentes e legais que atendem a legislação brasileira, dentre elas a Lei Federal nº10.639/03, sem, no entanto, eliminar do acervo literário infantil de nossas escolas autor da importância de Monteiro Lobato.
Outra agraciada foi a jornalista Juliana Cézar Nunes, repórter da Rádio Nacional (EBC), é hoje uma das principais jornalistas especializadas na cobertura da temática étnicorracial na Capital Federal. Recentemente viajou, a convite do governo norte-americano, para cobrir uma missão de ativistas vinculados ao Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial da SEPPIR (CONAPIR). Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo (2008) pelo webdocumentário Nação Palmares (Agência Brasil) e Prêmio Tim Lopes de Jornalismo (2006 e 2008) pelas séries Confissões de Família (Correio Braziliense) e Esperança na Amazônia (Rádio Nacional da Amazônia).
Misiara Cristina representou à  SECAD/MEC  na recepção ao Troféu Yalodê.
Como prata da casa  de Zumbi, ou da República dos Palmares, tivemos as premiações da quilombola Laurinete Basílio dos Santos, da Comunidade de Remanescentes de Pau D’Arco –Arapiraca/AL e hoje presidente da Associação dos Quilombolas. Laurinete Basílio é atualmente uma das grandes referências das mulheres quilombolas de Alagoas, pela determinação e tenacidade em lutar pela qualidade de vida, dentre elas a educação, dos remanescentes quilombolas.
Silmara Mendes Costa Santos é ativista na construção de espaços, nos meios acadêmicos, para a inserção das temáticas das amplas maiorias minorizadas.
Mestra em Serviço Social, Docente e Coordenadora do Curso Social da Faculdade Integrada Tiradentes foi, e é, importante para a ruptura dos conceitos estigmatizados nos espaços acadêmicos.
Silmara Mendes criou espaços por excelência para o “intercâmbio”, questionamento e confronto da história “única” com a contemporaneidade acadêmica, como uma permanente formação continuada de humanização da política de ser pessoa e concretude de espaços para trabalhar as multiplicidades e diferenças como naturalização da igualdade.
Exerceu a direção do Presídio Santa Luzia e direção do Sistema Prisional de Alagoas e no ambiente das amplas maiorias minorizadas, Silmara Mendes pôs em prática o que sabe fazer de melhor: a competência de ser pessoa e respeitar as muitas diferentes gentes. O TROFÉU Yalodê ofertado à assistente social, Silmara Mendes representa a homenagem à essa mulher que, faz tempo, exerce uma grande liderança na construção de um mundo mais igualitário.
Durante a programação do Festival, a coordenadora executiva do Instituto Magna Mater, Patrícia Irazabal Mourão,como parceira do Projeto Raízes de Áfricas,  recebeu o Troféu Guerreiro Quilombola
O 21 de março nos trouxe gentes, palavras, poesias, emoções, premiações,algumas prendas,presenças ilustres como o Secretário de Estado da Educação, Rogério Teófilo, da Secretária da Fundação de Ação Cultural de Maceió, Paula Sarmento, de Kátia Born, Secretária da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Karina Padilha, Secretária de Cultura de Viçosa e do cantor Ignoban Rocha que espalhou a energia da dança com sua  a voz que canta muitas histórias.
E depois da notícia guardada feito pão dormido a gente fica feliz em compartilhar que o Festival Alagoano das Palavras Pretas,com as bênçãos de Deus, Olurum e todos os orixás entra em um novo ciclo: no mês de agosto faz sua estréia em Piracicaba-São Paulo.
O Festival das Palavras Pretas será uma das atrações do II Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta, idealizado pelo movimento social negro alagoano/Projeto Raízes de Áfricas e teve sua primeira edição em agosto de 2010, na capital maceioense.
Tendo como uma das principais agentes parceiras a Câmara de Vereadores de Piracicaba, o II Ciclo é um meio de avivar nossas memórias relativas à história de Áfricas plantadas nos quatro cantos do Brasil.
 

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Trabalhadora recebe indenização de R$ 20 mil por discriminação racial.

Justiça antes tarde do que nunca. Só para lembrar que racismo é crime.

A Justiça do Trabalho condenou fazendeiro de Santa Catarina a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais por discriminação racial e insultos humilhantes contra trabalhadora rural, negra e, à época, com 16 anos. A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não conheceu recurso do fazendeiro e manteve a condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT/SC).
De acordo com o processo, em 2008, o fazendeiro, produtor de maçã e pêssego, teria ofendido à adolescente e duas colegas após elas terem colhido frutas verdes. Embora tenha sido a mulher do próprio patrão quem teria dado a ordem para essa colheita, o fazendeiro chutou as caixas de maçãs verdes e se dirigiu as meninas como “negrada” e com insultos de baixo calão.
Originalmente, o juiz de primeiro grau estipulou o valor do dano moral em R$ 2 mil reais. Valor alterado para R$ 20 mil pelo Tribunal Regional devido à “discriminação racial e humilhante por parte do réu e, principalmente, os fins a que se destina a reparação pecuniária (dinheiro), dentre eles, o pedagógico”.
Para o TRT, é um direito do empregado ser tratado com urbanidade e de não ser exposto a situações humilhantes e constrangedores, principalmente perante outras pessoas. “A atitude do réu, no entanto, mostrou-se dissociada desses conceitos e até mesmo de maior grau de responsabilidade que lhe impinge o exercício de função de hierarquia superior”, concluiu o relator do acórdão no regional.
Ao julgar recurso do fazendeiro questionando o desembolso de R$ 20 mil, considerados elevados por ele, a Primeira Turma do TST entendeu que o valor está de acordo com a “gravidade da situação”. Para o ministro Lelio Bentes Corrêa, relator na Turma, a pena imposta foi fixada “segundo os critérios de proporcionalidade e da razoabilidade, levando-se em consideração a gravidade dos atos praticados pelo empregador ao se dirigir à reclamante com desrespeito e uso de palavra de baixo escalão, em atitude explicitamente discriminatória”.
Durante o julgamento do recurso, os ministros da Primeira Turma comentaram os casos noticiados atualmente de preconceito e discriminação no País e encararam a condenação no processo como uma resposta jurídica a essa situação.
Autor: Augusto Fontenele /TST
Fonte: Rondônia Jurídico
 

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Bullying nas escolas. Racismo é Bullying?


Um texto antigo que republico nas terras "clareadas" de Zumbi, que um dia, na busca de um olhar coletivo para igualdade, ousou construir a República dos Palmares .
Aí chegaram os donos da terra e a República se tornou dos Marechais,.
O estado de Alagoas é campeão nacional (uau!) em desigualdade sócio-etnica e protagonista maior de mortes de jovens, preferencialmente os de pele preta e parda, que já nascem sem perspectiva de futuro.
Racismo na escola pede a efetivação da Lei nº 10.639/03.
A aplicabilidade da Lei nº 10.639/03, em Alagoas, é uma piada política

 

Ela tinha 06 anos e já sabia ler em uma fase da vida em que muitos e muitas estão sendo alfabetizados.
Ela lia de uma forma primorosa, alinhavando as palavras em articulação com a satisfação que invadia a alma. Ego, Superego todos fizeram festa. Era a única criança da sala que sabia decifrar palavras, uma incógnita para toda turma. E por ousar ser protagonista de sua história, a menina ficou de castigo.
O Brasil foi o país de maior e mais longa escravidão urbana e a história conceitual da submissão e obediência de negros “escravos” circundam as regras das relações humanas. A menina extrapolou paradigmas. A professora distante da realidade sobre diferenças humanas endossou o apartheid intelectual afirmando que a menina tinha decorado toda lição para constranger os amigos de sala. A turma concordou.
A menina engoliu em seco, ergueu a cabeça, encarou a professora e foi pro castigo na diretoria, pinçou a dor que por muitos anos dissecou-lhe a confiança em pessoas e só chorou em casa.
O contar dos fatos provocou a indignação da irmã, professora que se apropriando da história de vida da pequena leitora foi à escola saber o porque de tanto alvoroço.
A professora didaticamente concebeu para a turma e estabeleceu que a menina negra não possuía competências para tal, pavimentando assim o caminho da racialização, construindo uma escala de valores nitidamente tendenciosa. Porque será mesmo que as quotas causam tanta polêmica?
O racismo é uma crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça no imaginário do racista não é exclusivamente um grupo definido pelos traços físicos. A raça na cabeça dele é um grupo social com traços culturais, lingüísticos, religiosos, etc. que ele considera naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence. De outro modo, o racismo é essa tendência que consiste em considerar que as características intelectuais e morais de um dado grupo, são conseqüências diretas de suas características físicas ou biológicas.
A menina crescia e avançava no aprendizado. Um dia conheceu a professora que radicalizou o projeto do ser humano e agregou sonhos, sorrisos e a reflexão compartilhada. Estabeleceu diálogo sobre gente e seus potenciais: sim, vocês podem!!
Tanto dizia que inflou de crença a menina e sua turma. Aquela professora conseguiu, promover , na menina, uma intrínseca mobilização e transformação pessoal.
Hoje mulher, ainda lembra do fato e se ressente da racialização da primeira professora.
E entre a instabilidade e a continuidade da caminhada, a menina, agora mulher traça a trilha de desnudar a palavra e estabelecer equações de auto-encontro.
A memória da escola ainda não aprendeu a lidar com a riqueza das africanidades brasileiras.

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No dia de Denúncia Contra o Racismo, o cientista político cubano Carlos Moore lança em Alagoas a “África que incomoda.”

Conhecido, internacionalmente, como um dissidente do regime cubano de Fidel Castro, principalmente por questões que envolvem os conflitos raciais, Carlos Moore militou ao lado de homens e mulheres hoje considerados como ilustres: Malcolm X, Cheikh Anta Diop, Aimé Césaire, Maya Angelou, Stokely Carmichael, Lelia Gonzalez, Walterio Carbonell, Abdias Nascimento, Harold Cruse, Alex Haley, que ocuparam um lugar importante no combate contra o ódio racial, contra a opressão racial, e contra as discriminações e vexames de todo tipo que são inerentes a esse fenômeno criado pela história das relações dos humanos entre si.
Carlos Moore nasceu e cresceu em Cuba e é doutor em Ciências Humanas e doutor em Etnologia da Universidade de Paris-7 na França. Foi consultor pessoal para assuntos latino-americanos do Secretário Geral da Organização da Unidade Africana (atualmente União Africana), Dr. Edem Kodjo, de 1982 a 1983, e consultor pessoal do Secretario Geral da Organização da Comunidade do Caribe (CARICOM), Dr. Edwin Carrington, de 1966 a 2000. Foi assistente pessoal do professor Cheikh Anta Diop, diretor do Laboratório de Radiocarbono do Instituto Fundamental da África Negra, de 1975 a 1980, em Dakar, Senegal.
Dia 13 de maio- Dia de Denúncia Contra o Racismo, a convite do Projeto Raízes de Áfricas, o grande estudioso cubano Carlos Moore, etnólogo e cientista político participa em Alagoas do “Ìgbà”- II Seminário Afro-Alagoano:“A África que incomoda”- Uma abordagem crítica sobre as múltiplas realidades africanas, quando ocorrerá o lançamento do seu livro: “A África que incomoda”.
Segundo a Profa. Dra. Eliane Cavalleiro, Universidade de Brasília"...ler, penetrar e desvendar A África que incomoda é fundamental para fortalecer conhecimentos, argumentos e percepções sobre a imperiosidade de a nação brasileira atravessar o Oceano Atlântico rumo ao Continente Africano. A África que incomoda não constitui um livro para poucos; é, sim, um exemplar a ser lido, relido, criticado e compreendido por todos os brasileiros – negros e não-negros. É, sobretudo, um livro para ser apreciado pelos profissionais da educação – homens e mulheres -, compromissados com o processo de educação das futuras gerações. Sua leitura é muito prazerosa. Mas, acima de tudo, sua leitura é um ato político”.
 

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No dia de Denúncia Contra o Racismo, o cientista político cubano Carlos Moore lança em Alagoas a “África que incomoda.”

Conhecido, internacionalmente, como um dissidente do regime cubano de Fidel Castro, principalmente por questões que envolvem os conflitos raciais, Carlos Moore militou ao lado de homens e mulheres hoje considerados como ilustres: Malcolm X, Cheikh Anta Diop, Aimé Césaire, Maya Angelou, Stokely Carmichael, Lelia Gonzalez, Walterio Carbonell, Abdias Nascimento, Harold Cruse, Alex Haley, que ocuparam um lugar importante no combate contra o ódio racial, contra a opressão racial, e contra as discriminações e vexames de todo tipo que são inerentes a esse fenômeno criado pela história das relações dos humanos entre si.
Carlos Moore nasceu e cresceu em Cuba e é doutor em Ciências Humanas e doutor em Etnologia da Universidade de Paris-7 na França. Foi consultor pessoal para assuntos latino-americanos do Secretário Geral da Organização da Unidade Africana (atualmente União Africana), Dr. Edem Kodjo, de 1982 a 1983, e consultor pessoal do Secretario Geral da Organização da Comunidade do Caribe (CARICOM), Dr. Edwin Carrington, de 1966 a 2000. Foi assistente pessoal do professor Cheikh Anta Diop, diretor do Laboratório de Radiocarbono do Instituto Fundamental da África Negra, de 1975 a 1980, em Dakar, Senegal.
Dia 13 de maio- Dia de Denúncia Contra o Racismo, a convite do Projeto Raízes de Áfricas, o grande estudioso cubano Carlos Moore, etnólogo e cientista político participa em Alagoas do “Ìgbà”- II Seminário Afro-Alagoano:“A África que incomoda”- Uma abordagem crítica sobre as múltiplas realidades africanas, quando ocorrerá o lançamento do seu livro: “A África que incomoda”.
Segundo a Profa. Dra. Eliane Cavalleiro, Universidade de Brasília"...ler, penetrar e desvendar A África que incomoda é fundamental para fortalecer conhecimentos, argumentos e percepções sobre a imperiosidade de a nação brasileira atravessar o Oceano Atlântico rumo ao Continente Africano. A África que incomoda não constitui um livro para poucos; é, sim, um exemplar a ser lido, relido, criticado e compreendido por todos os brasileiros – negros e não-negros. É, sobretudo, um livro para ser apreciado pelos profissionais da educação – homens e mulheres -, compromissados com o processo de educação das futuras gerações. Sua leitura é muito prazerosa. Mas, acima de tudo, sua leitura é um ato político”.
 

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O que é isso, governador?!

A enchente de junho de 2010, em Murici, município alagoano, destruiu o cartório, o posto de saúde, escolas, lojas do comércio, o matadouro, os fundos da Igreja católica, da casa paroquial e várias casas da parte baixa do município, que ficam às margens do rio Mundaú.
 Murici já fez parte da antiga Vila dos Macacos e hoje é um município povoado pelo descaso com as gentes que tiveram o presente engolido pela águas.
A convite do presidente, da Comissão Especial das Enchentes, deputado estadual, João Henrique Caldas, sábado, 02 de abril, visitamos, juntamente com uma comitiva de 07 pessoas, dentre elas uma cubana-norte-americana, as ruas descalças e ainda sem perspectivas do “acampamento” dos desalojados, em Murici.
Governador, eu vi!
Vi a cara feia da miséria abarcando, com braços sedentos, os desabrigados das últimas enchentes, na cidade de Murici, no estado de Alagoas.
Vi o desprezo da máquina alagoana com as tantas e muitas gentes: mulheres, homens e crianças, a grande maioria de pele preta e parda, que, hoje, vivem como Deus quer.
Conversamos com Alisson, menino de riso preso e uma desconfiança eterna por trás dos poucos oito anos de idade.
Com a simplicidade da infância atingida pelo tsunami do descaso institucional, Alisson afirmou que não gosta dali porque é “muito quente”.
O que Vossa Excelência estava fazendo, no sábado, 02 de abril às 15 h30?
Nas cinzas e asfixiantes barracas da Defesa Social, no município de Murici, o povo inventava uma forma de fazer nada, driblando uma onda de mormaço causticante abraçado pelo fedentina dos sanitários sujos de pobreza.
 Jovens, adolescentes, meninas e meninos, como os filhos e filhas da gente, estavam por ali, construindo os caminhos do ócio.
O ócio é uma vacuidade, o pior inimigo das drogas, do crime e tantas coisas mais.
Ah! Se o estado político já tivesse realizado uma pequeníssima cota que fosse, do papel a ele atribuído, já teríamos avançado tanto!
Vi meninos nus, com o corpo pintado de sujeira, soltos nos galpões improvisados ( rezando a Deus que não desabem) com os órgãos genitais expostos ao bel prazer de adultos, menos desavisados.
As mães estavam nas barracas cuidando de outra penca de meninos e meninas de barriga grande e nariz escorrendo, envoltas numa letargia de desesperança.
Dona Maria das Graças nos mostrou a barraca que mora com seu “veio”. O brilho das panelas arriadas de D. Graça não combina com a tristeza do lugar.
Vi Excelência, um bebê de sete meses, uma das muitas crianças nascidas pós-enchente ,tão desnutrido com olhos enormes, como metástase da miséria e degradação humana.
A mãe, com o esquálido filho nos braços, apresentava o mesmo aspecto de desnutrição. Do outro lado avizinhado aos improvisados banheiros um pequeno , sentado no chão, engolia uma quentinha de macarrão com mãos sujas.
Vi Excelência que o dia-a-dia da população sobrevivente das enchentes empilhada em barracas, insuportavelmente quentes da Defesa Social traz parecença com o escravismo brasileiro.
Ainda somos escravizados, Excelência?
As cozinhas emergenciais (emergenciais?) dez meses após as enchentes, ainda, estão sendo construídas e segundo os mestres da obra, ainda, leva mais um mês para serem entregues.
Diante desse quadro constatado in loco, eu preciso entender Excelência: Porque o governo faz inauguração das cozinhas emergenciais dez meses após as enchentes?.
Emergência não é coisa para ontem, Excelência?
O povo de Alagoas, Excelência, pede socorro faz um bom par de tempo.
Até quando faremos  ouvidos de mercador?


 

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Sigamos juntos nossos caminhos...

Um elogio desses assim, logo no despontar da manhã dá uma revigorada na alma e a gente se sente mais forte para continuar nessa lida de militar numa causa de crença. Obrigada Paulo, você fez desse domingo um dos melhores dias que poderia ter.
Afroabraços, da Arísia Barros


Bom dia Cara Arísia.
Belas manhãs
Infelizmente ainda não a conheço pessoalmente, mas já a conheço de longa data daqui mesmo, desses fóruns em que insistimos em participar.
Meu nome é Paulo Alberto, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso. O mesmo Mato Grosso que elegeu o deputado-que-se-refere-a-autoridade-do-STF-como-moreno-escuro. Em verdade, cara Arísia o termo "moreno", negação da história da população negra nesses territórios é cultivado aqui e lá, MT e MS, que tem sua capital conhecida como "Cidade Morena".
Leio seus texto e me inspiro. Os reproduzo e os levo para sala de aula. Fotocopio em quantidades absurdas e os distribuo e assim vamos problematizando o que se pretende eterno.
Farei o mesmo com este texto e quem sabe dia desses não aprovamos um projeto e você vem para essas terras também de Cabral e de bispos e de padres, mais recentemente de pastores (os alemães da polícia militar e os pentecostais).
Sigamos juntos nossos caminhos.
Meus agradecimentos
Pelo diálogo com tod@s @s orixás que caminham e nos cuidam de lá, de lá do Olurum

Abraços onde há braços

Paulo Alberto Santos Vieira
Universidade do Estado de Mato Grosso
 

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Conselho Nacional de Educação fala sobre o III Festival das Palavras Pretas

O III Festival das Palavras Pretas: Palavras com Cor e Gênero,ocorrido em 21 de março, "Dia Internacional de Luta Pela EIiminação da Discriminação Racial", no ano de 2011, foi mais uma mostra da ação política, cultural e intelectual da organização do Movimento Negro alagoano e do movimento  da Comunidade de Remanescentes Quilombolas de Pau D'Arco, do município de Arapiraca/AL.
  A articulação entre discussões acadêmicas, pesquisas, relatos de experiências e demandas políticas presente no III Festival reafirma o quanto é possível um diálogo entre diferentes atores sociais envolvidos e comprometidos na luta pela superação do racismo e pela construção de uma sociedade democrática para todos que reconheça e respeite a diversidade.
O Troféu Yalodê, como parte integrante da programação e das atividades do Festival foi um momento ímpar no qual todas as dimensões acima citadas puderam entrar em contato mediadas por momentos de comemoração e pela leitura de poesia e literatura de expressão africana e afro-brasileira.


Nilma Lino Gomes (professora da FAE/UFMG e integrante da Câmara de Educação Básica do CNE)
 

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Gravadora é condenada a pagar indenização por música considerada racista em CD de Tiririca.

Socializando os caminhos jurídicos e possíveis para se coibir o racismo. A 16ª Câmara Cível do Rio condenou a Sony a pagar R$ 300 mil mais correção (cerca de R$ 1,2 milhão no total) ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos numa causa do movimento negro e do advogado Humberto Adami, do Rio de Janeiro.  Parabéns ao advogado Humberto Adami, autor da ação.

O advogado Humberto Adami – que representava 15 entidades do movimento negro na ação que condenou a Sony Music a pagar R$ 1,2 milhão de indenização por conta de uma música do atual deputado federal Tiririca, gravada num CD de 1996, e considerada racista – disse, nesta quarta-feira, que o caso foi um dos primeiros de "bullying" no Brasil. O processo, iniciado em 1997, tinha como alvo a canção "Veja os Cabelos Dela", composta pelo próprio Tiririca e que dizia: "Parece bom-bril, de ariá panela / Eu já mandei, ela se lavar / Mas ela teimo, e não quis me escutar / Essa nega fede, fede de lascar / Bicha fedorenta, fede mais que gambá".
- A música era tocada em escolas e muitas mães negras começaram a ter problemas com as filhas. As crianças não queriam mais ir à escola – disse Humberto.
Coordenadora da ONG Criola – de Defesa e Promoção dos Direitos das Mulheres Negras -, Lúcia Xavier disse que a condenação da Sony foi uma vitória. Segundo ela, a gravadora tem que ser responsável pelo conteúdo veiculado pelos CDs que lança:
- Essa decisão recoloca em nosso estado a obrigatoriedade do respeito ao cidadão.
A condenação da Sony foi noticiada pelo jornalista Ancelmo Gois, em sua coluna no jornal O Globo desta quarta-feria. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sony limitou-se a informar que vai recorrer da sentença.
 

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Tenho orgulho da minha pele. Não é Preta?

Preta Gil, filha de Gilberto Gil que já foi ministro da cultura não faz parte da grande maioria do povo de pele preta que diariamente,equilibra-se na corda bamba da sobrevivência, estreitando-se entre o vil metal para comprar o pão ou ir ao cinema.
Preta Gil é mulher de pele preta, mas tem padrão de vida econômica muito bom, diferentemente da ampla maioria minorizada, e assume lugares de poder no hit socaite, portanto, não é pobre.
Joaquim Barbosa é ministro do Supremo Tribunal da Justiça que ascendeu socialmente, ocupando hoje poderes constituídos na hierarquia da política brasileira.
Joaquim Barbosa é bem mais do que um "ilustre ministro moreno escuro", como nomeou-o o deputado federal Júlio Campos (DEM-MT) .
Neymar, o jogador que um dia afirmou que não sofria racismo porque “não era negro” mesmo aquinhoado com um altíssimo padrão de renda, sentiu na pele a realidade nua e crua do apartheid social para quem traz na história a descendência africana, mesmo “não parecendo negro”.
O menino de poucos mais de 10 anos recebeu a voz de prisão da lei : “teja preso”. Foi acusado de ter roubado uns pacotes de biscoitos porque sua pele preta trazia a história de suspeição.
O menino foi preso por ter nascido com a pele errada nas terras de Cabral, onde ser branco é privilégio, como um salvo conduto para a honestidade. Após uma análise mais acurada dos senhores da lei confirmou-se o que o menino dizia: ele possuía a nota de pagamento dos objetos que portava.
O racismo é um camaleão poliglota. Fala em diferentes línguas, investe em verbos tirânicos como subestimar, inferiorizar, subalternizar, etc,etc,etc e não respeita classe social.
Ainda vivemos em um enorme navio negreiro, como subpopulação, afirmando o poder repressivo do estado que se utiliza da ideologia da idílica miscigenação para desafricanizar o que temos de Áfricas.
Vivemos, ainda, submetidos aos porões da história e sujeitos a perda da legitimidade de apenas ser.
O estado não nos quer protagonistas da história. Ainda somos escravizados.
Escravizados pelos paradigmas patológicos do mundo de verdades verdadeiras. Um mundo midiático da-boa-aparência, como modelo contemporâneo do racismo.
Tons e tragédias no país da mestiçagem. Quem sabe dá até samba!
As cotas raciais nas Universidades brasileiras, segundo a logicidade quase coletiva, geram quebra dos princípios constitucionais, mas os discursos racistas são naturalizados como liberdade de expressão.
As terras de Cabral, descobertas lá pelos idos de 1500, digladiam entre o princípio da lacaidade e as raízes conservadoras de homens quase todos brancos, que expulsam dos territórios de poder, o povo de pele preta, ou não,que bate tambor e tem conversas rasgadas com Olorum, o grande.
Dá licença. Tenho orgulho da minha pele preta!
O parlamento brasileiro está contaminado , por um conjunto de políticos, que traz como imperativo a burocrata resistência estrutural a ascensão de negros nos espaços de poder.
E diante de tantas e tamanhas ‘episódicas” demonstrações de racismo buscamos dialogar com os fatos e propomos colocar idéias em circulação: o Brasil é um país racista ou o povo de pele preta só é discriminado porque é pobre?
 

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