Raízes da África

Cantor Chico César assume na Paraíba

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João Pessoa/Paraíba - O cantor e compositor Chico César, 46 anos, autor de sucessos como “Mama África”, assumiu a Secretaria da Cultura da Paraíba, estado onde nasceu. Chico aceitou o convite do governador Ricardo Coutinho (PSB), e disse que seguirá o exemplo do dramaturgo Ariano Suassuna, que oocupou o mesmo cargo em Pernambuco, durante a gestão do governador Miguel Arraes (1.995/1998).

Entre as idéias que prometeu levar à prática estão a realização de um levantamento das principais manifestações populares e o investimento na preservação e divulgação da cultura na população paraibana.

Chico já foi diretor da Fundação Cultural de João Pessoa (PB), e é mais um dos artistas convidados por Governos estaduais para assumir a área da cultura. Anteriormente, a poeta e atriz Elisa Lucinda, foi convidada para ser Secretária da Cultura do Espírito Santo, também seu Estado de origem.

Elisa, porém, não aceitou o convite devido a compromissos na agenda para este ano, mas aceitou ser Embaixatriz da Cultura capixaba no mundo.


Por: Redação: Com Agências Nacionais e Jornal Folha de S. Paulo
 

Seja bem vindo ao território negro de Palmares, ministro Fernando Haddad!

A educação no Brasil ainda é uma das mais fortes representações da abolição não conclusa do povo de pele preta e parda que correspondente a 51,3% do total da população, segundo o IBGE.
O apartheid tem livre trânsito nas práticas educacionais centradas em linguagens naturalizadas e equivocadas.
A exigüidade dos espaços políticos para o trato da diversidade étnica na formação da educação brasileira transforma a significativa historicidade do povo de pele preta e parda, em uma acanhada biografia de rodapé nos espaços escolares e na história do país de Cabral.
Após oito anos de promulgado, o artigo 26A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que trata da obrigatoriedade de implementação da Lei nº 10.639/03 , vive uma espécie de litígio educacional.
A Lei nº 10.639/03 parida em sua primeira gestão tornar-se-á (nós acreditamos), a partir da continuidade de sua trajetória política, objeto de tutela estatal e receberá o aporte político do Ministério de Educação, como preceito essencial estabelecido na Constituição Brasileira e no Plano Nacional de Educação.
Em discurso na cerimônia de lançamento da Coleção História Geral da África, ocorrida dia 09 de dezembro, em Brasília Vossa Excelência afirmou à platéia presente, eu estava lá, que havia uma “cobrança” intermitente do então presidente Luís Inácio Lula da Silva ao gestor do Ministério de Educação para a potencialização de ações governamentais em relação à disseminação e inclusão das diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, visando à implementação da Lei federal nº 10.639/03.
É hora de fazer o artigo 26 A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ministro Fernando Haddad.
É preciso fazer valer a Lei nº 10.639/03!
Após oito anos, não podemos mais ficar no processo de “sensibilização”, pois o racismo tem uma capacidade impressionante de metamorfose.
Precisamos sair do campo das idéias e concretizar espaços antes “ocupados” pelo silêncio.
O que nos valerá as quase dez mil páginas dos oito volumes da Coleção História Geral da África, obra riquíssima, que demorou longos 30 anos e da qual participaram 350 cientistas coordenados por um comitê formado por outr@s 39 especialistas, se o Ministério de Educação, não envolver a estrutura de todas suas secretarias, valorizando o protagonismo da Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade-SECAD?
É urgente que o Ministério de Educação estabeleça metas transversais a todas suas secretarias e órgãos afins, para que o conjunto de ações visando uma educação antiracista, já existentes no Plano Nacional de Educação, dialogue com a multiplicidade de gestores e gestoras governamentais públicos e privados.
O racismo sonega do povo de pele preta e parda o que ele tem mais de precioso: a sua história. Um povo sem história, ministro, não tem cédula de identidade.
Somos muit@s e milhares nessa terra de Cabral, militantes, pesquisador@s, professor@s, simpatizantes, emburrando “com a barriga” as ações para implementação da Lei nº 10.639/03.
Somos muitas e diversas pessoas, ilhadas pela burocracia dos sistemas de ensinos e seus gestores e gestoras do Iapoque ao Chuí. Brasil afora e adentro.
A Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade/SECAD tem, apesar da escassez de recursos humanos, feito progressos significativos, administrando um processo homérico de formulação, discussão e aprovação de resoluções que culminaram no alcance étnico da última Conferência Nacional de Educação.
A Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade tem incentivado a criação dos Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étniocorracial e envolvido no processo de construção inúmeras instituições como a Comissão Técnica Nacional de Diversidade para Assuntos Relacionados à Educação dos Afro-Brasileiros (CADARA), entretanto, Excelentíssimo Ministro Fernando Haddad, urge que o gestor do MEC estabeleça um diálogo firme e convincente com os gestores e gestoras desse Brasil afora e adentro, tendo como teor o artigo 26A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, da obrigatoriedade de implementação da Lei nº 10.639/03.
Quando participamos do Seminário Nacional de Avaliação da Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnicorraciais, ocorrido em Brasília, no período de 09 a 10 de dezembro, fizemos a entrega ao Ministro Fernando Haddad do “Calendário Afropedagógico 2011” do Projeto Raízes de Áfricas. Na ocasião Vossa Excelência afirmou que tem um carinho enorme pelo estado de Alagoas.
Alagoas, Senhor Ministro, é um estado- números radiografados por pesquisa nacional – concentrador de um analfabetismo étnico. O grande percentual de pessoas analfabetas totais ou funcionais tem pele preta ou parda.
Na busca de referendar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em seu Art. 1º A que diz: “educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”, como representante do movimento social negro/Projeto Raízes de Áfricas, solicitamos ao gestor do Ministério de Educação, quando da sua próxima visita á Alagoas, dia 04 de fevereiro, seja previamente agendada, na programação local uma pauta comum, envolvendo representações do movimento social negro que tenham trabalho permanente com a temática da Lei nº 10.639/03, Conselho Estadual de Educação, Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnicorracial, representante da SECAD, os 103 gestor@s governamentais das Secretarias de Educação e das Universidades públicas e particulares, tendo como principio traçar, conjuntamente, um planejamento estrutural, para aplicabilidade do artigo 26A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Convide-os ministro!
Um convite formulado pelo ministro da Educação ampliará a visão política de que é preciso fazer valer a Lei nº 10.639/03.
E no mais, seja bem vindo ao território negro de Palmares!
Seja bem vindo a Alagoas, ministro Fernando Haddad!


 

Mestrado em mudança social e participação política

Socializando...

Agência FAPESP – A Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) está com inscrições abertas até 26 de janeiro para o mestrado interdisciplinar para o Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política.
São oferecidas 40 vagas que se destinam, preferencialmente, a formados nos cursos de administração, ciências sociais, direito, economia, engenharia florestal, filosofia, geografia, gerontologia, gestão ambiental, gestão de políticas públicas, história,
jornalismo, lazer e turismo, marketing, obstetrícia, pedagogia, psicologia, relações internacionais e serviço social. Egressos de outras áreas relacionadas à ciência e tecnologia também podem participar da seleção.
As duas linhas de pesquisa são “Ações coletivas, movimentos e mudanças sociais” e “Participação política e desenvolvimento local”. Um dos objetivos do programa é desenvolver pesquisa científica e tecnológica de fronteira com foco na compreensão e investigação dos fenômenos de mudança social e participação política.
O processo seletivo será composto por duas fases. A primeira será constituída de análise do projeto de pesquisa e dos documentos acadêmicos (curriculum vitae, histórico escolar e cartas de intenção) exame de proficiência de língua estrangeira (espanhol, francês e inglês) e prova temática. A segunda fase será uma prova de argüição oral com os candidatos aprovados na primeira etapa.
O início das aulas está previsto para março. A inscrição deverá ser efetuada na Secretaria de Pós-graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, V. Arlindo Bettio, 1000, Ermelino Matarazzo, São Paulo (SP) ou pelos Correios, via Sedex.
Mais informações: www.each.usp.br/promuspp/selecao.html

 

Ministra assume Igualdade Racial e alerta para falta de recursos da pasta

Socializando matéria dos jornalistas Josie Jeronimo e Larissa Leite


A ministra Luiza de Bairros: "É preciso dotar a Secretaria de uma estrutura material e de pessoal mais compatível"
A cerimônia de posse da nova ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Helena de Bairros, foi marcada por uma plateia de apoio. Militantes de movimentos negros a aplaudiram de pé na tarde de ontem, quando a ministra recebeu o cargo de Elói Ferreira de Araújo. Os representantes entregaram ainda um manifesto afirmando que a escolhida por Dilma para comandar a secretaria conta com a legitimidade das entidades. O apoio setorizado, no entanto, veio com a previsão de muito trabalho pela frente. Luiza assumiu o posto em tom de crítica e cobrança — de mais recursos, estrutura e apoio dos demais ministérios — e herda uma grande quantidade de denúncias com as quais deverá lidar. A Ouvidoria da própria secretaria, por exemplo, vai apresentar hoje 405 processos de denúncias em andamento, recebidos desde 2003.
Segundo o ouvidor da Seppir, Humberto Adami, o número de denúncias vem crescendo ao longo dos anos, sendo que a maioria foi recebida em 2010. "A população está acreditando mais no trabalho, na resolução, e na efetividade da denúncia. Os direitos estão mais claros, e o canal de comunicação está ficando mais conhecido. Naturalmente a população passa a demandar mais", explicou Adami. As denúncias podem ser encaminhadas a órgãos como o Ministério Público e a Defensoria Pública, após serem analisadas. Segundo o ouvidor, há um projeto — que deverá passar pelo crivo da nova ministra — de criar uma central de atendimento às denúncias e de ampliar um canal de comunicação para os 27 estados da Federação.
Enquanto isso não ocorre, associações civis cumprem esse papel. É o caso da SaferNet Brasil, que criou a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. A associação encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo, em novembro do ano passado, uma notícia-crime com a relação de 1.037 perfis de usuários do Twitter que teriam postado mensagens racistas entre 31 de outubro e 4 de novembro. Muitas delas foram estimuladas pela mensagem da estudante de direito Mayara Petruso, que postou um texto discriminatório em relação aos nordestinos. A denúncia foi acolhida pelo MP, mas ainda passa por análise.
No discurso de posse, a ministra Luiza Bairros afirmou ter recebido, da presidente Dilma Rousseff, orientação para intensificar o debate com o Ministério da Justiça para que a secretaria tenha como uma das prioridades a redução do número de mortes de jovens negros. A ministra cobrou ajuda dos outros ministérios pela atuação na causa negra e afirmou que a secretaria, devido à limitação dos recursos orçamentários, tem perfil de propor as políticas públicas que podem ser implementadas por outras pastas. "É preciso dotar a secretaria de uma estrutura material e de pessoal mais compatível com a tarefa a ser desempenhada no governo", defendeu Luiza.
A ministra pontuou ainda que a reserva de vagas a negros, destinada à carreira de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores, representa "uma avant-première" da política de cotas do país. A ministra fez críticas veladas ao DEM, partido que entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender as cotas para negros em universidades públicas. "As cotas são sempre um instrumento possível, em um leque de instrumentos de ação afirmativa. Ficou um pouco evidente o quanto essa posição sobre as cotas é minoritária e desembasada de qualquer realidade histórica", afirmou.
 

Publicação: 04/01/2011 08:15 Atualização: 04/01/2011 08:25

O discurso da nova ministra da SEPPIR não poderia apontar melhor caminho.

Socializamos uma análise do discurso da nova ministra da SEPPIR, Luiza Helena de Bairros, quando de sua posse ao cargo. A  análise é de Dorgival Vieira, jornalista Responsável pelo Afropress - www.afropress.com, Registro MtB: 12.884 - Proc. DRT 37.685/81.

Um discurso para ser lembrado
Editorial - Altivo, propositivo, amplo e equilibrado. São as palavras que definem e resumem o discurso de posse da nova ministra chefe da SEPPIR, socióloga Luiza Bairros, na tarde desta segunda-feira (03/01), no Salão Negro do Itamaraty. Altivo, quando reafirmou que a luta pela superação da herança maldita do escravismo e de 122 anos de racismo pós-abolição, não é dádiva do Estado nem de Governos, nem começou ontem.
Somos herdeiros de uma luta histórica, iniciada por muitos antes de nós.
Luiza fez questão de se dirigir “especialmente a militância negra", responsável, segundo recordou “pela reemergência da luta contra o racismo nos anos 70” “capaz de fazer com que a sociedade brasileira passasse a se ver na sua diversidade, passasse a perceber a idéia de democracia racial como elemento impeditivo da nossa realização enquanto sujeitos políticos detentores de uma história e de uma cultura, que singularizam a nossa participação na sociedade e que reclamam pela superação de desvantagens sociais, produzidas e reproduzidas ao longo dos séculos”.
“Uma trajetória – emendou -, que ensinou para a minha geração e as seguintes que o racismo é uma questão nacional, indissociável, portanto, dos grandes temas que definem os rumos da sociedade brasileira e que devem determinar as escolhas coletivas que fazemos para que o Brasil se realize como um país justo, democrático e igualitário”.
Não há coisa mais constrangedora e vexatória do que ver negros sacrificarem esse bem maior que é a altivez, em nome da ascensão a algum posto, favor ou poder. E a esse papel, desgraçadamente tão corriqueiro em tantos momentos, a nova ministra não se prestou.
Altivo, ao dizer ainda que a SEPPIR necessária não é o "puxadinho” como muitos a vêem, reduzida ao papel de abrigo de dirigentes partidários, voltados para dentro de suas agendas e ou de seus umbigos.
“É preciso evitar a armadilha de considerar que a limitada estrutura de um Ministério voltado para a proposição, articulação e coordenação de políticas públicas continue sendo o único espaço onde se aplicam as competências que construímos nos últimos anos”, lembrou.
Propositivo, quando considerou “fundamental a inclusão de profissionais experimentados no trabalho da igualdade racial nos quadros de pessoal de todos os Ministérios que tenham um papel evidentemente mais próximo a implementação das políticas públicas”.
Não é cabível em um país em que correspondemos, nós, pretos e pardos, a 51,3% da população, segundo o IBGE, nos contentarmos com o gueto de um Ministério com orçamentos minguados, nem nos comportarmos como se esse Ministério fosse uma espécie de “reserva de negros”, como algumas posturas – por equívoco ou ignorância – acabam por sugerir.
“Também deveremos consolidar nos demais ministérios a compreensão de que a missão institucional da SEPPIR, só se realiza através dos seus compromissos com a Agenda da Igualdade Racial, consubstanciada no Plano Nacional de Política de Promoção da Igualdade Racial. Isso também é necessário do ponto de vista do aprofundamento da nossa relação com o Legislativo e com os Poderes de Justiça, para que nós possamos aprovar as leis que faltam e fazer valer leis importantes que foram conquistadas e hoje se encontram sob o ataque de setores conservadores da sociedade brasileira”.

Sim, porque é precisamente isso que se espera de um Ministério que tem o papel institucional da SEPPIR. Não é ser uma espécie de "reserva de negros", nem o gueto, nem o "puxadinho" para acomodação de interesses menores. Mas, a de ser – como se propõe e propõe a nova ministra – uma voz presente em todos os demais Ministérios, sempre a lembrar que as políticas públicas devem levar em conta - necessária e obrigatoriamente - a parcela mais vulnerável, que é a população negra, pelos fatores históricos conhecidos.
“A SEPPIR que precisamos ter para consolidar o caminho percorrido desde a sua criação, o Ministério que precisamos consolidar para potencializar as ações de Governo, como ações de Governo, os pilares essenciais na definição da cidadania negra, participação nas estruturas de poder e riqueza da sociedade, educação, saúde e segurança”, emendou.
Altivo e propositivo, ao recordar a necessidade de que a SEPPIR seja dotada “dos recursos materiais e humanos necessários para fazer valer nossa contribuição nesse esforço extraordinário de transformação social, cujos marcos regulatórios instituídos em vários casos com a contribuição da SEPPIR, incluem o Estatuto da Igualdade Racial, o Dec. 4887/2003, a LDB modificada pela Lei 10.639/2003, e a Política Nacional de Atenção à Saúde Integral da População Negra, assim como incluem também os documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário”.
Propositivo, ao dizer que no contexto das prioridades enunciadas pela presidente Dilma, segurança também significa a adoção de “novas medidas que venham a deter os homicídios entre jovens negros e negras, cujas taxas ameaçam o nosso futuro, nossas possibilidades de participação efetiva nesse novo Brasil que emergiu nos últimos oito anos”.

“As prioridades do Governo Dilma, não só respondem a bandeiras históricas do Movimento Negro como chamam nossa atenção para os desafios que a nova configuração das relações raciais impõem a sociedade brasileira. Um deles é o desafio de incluir em nossa experiência, as demandas de grupos historicamente discriminados como os indígenas – os donos da terra como são chamados nas tradições afro-brasileiras - com quem já convivíamos nos quilombos. No mesmo modo nos chamam a incluir no esforço de radicalização da democracia, as minorias étnicas constituídas dos ciganos, árabes e judeus, são segmentos populacionais com culturas e trajetórias históricas diferenciadas que também se somam e tem se somado nos últimos anos a construção da sociedade igualitária que queremos”, afirmou.
Amplo, ao fazer um chamamento ao diálogo com todos os setores e reconhecer que a representação da população negra brasileira, não se restringe nem se limita nem se reduz aos espaços institucionais dos Partidos Políticos.
Luiza Bairros foi além: propôs “amplo diálogo com todas as forças que compõem o Movimento Negro, bem como as instâncias de combate ao racismo dos Partidos políticos”. “É desse diálogo que esperamos derivar a legitimidade das nossas ações, sem nunca pretender o alinhamento acrítico que não produz a inovação nem consegue ser efetivamente representativo das demandas da parcela afro-brasileira que hoje representa mais de 50% da população do país””.
E por fim, o discurso de posse da nova ministra foi equilibrado. Ela se afirmou porta-voz de todas as mulheres negras, e mais do que isso, reafirmou o compromisso “com a luta das mulheres, sem as quais - lembrou - não teríamos chegado até aqui”, sem cair na tentação muito recorrente em certas proposições e discursos de esquecer que a luta por transformações na sociedade não é das mulheres – negras ou não - contra os homens – negros ou não - mas, de todos os seres humanos, contra todas as formas e sistemas de exploração e opressão.
Ao fazê-lo, lembrou a simbologia da existência das nove mulheres escolhidas pela Presidente Dilma Rousseff para ocupar Ministérios e Secretarias com status de Ministério na Esplanada.
“Em uma das tradições do Candomblé, nove é o número de Iansã, a orixá guerreira, a única orixá feminina que adentra o culto dos ancestrais no qual apenas os homens seriam permitidos. Não podemos perder de vista esse significado. De todas e de cada uma das nove ministras espera-se que o feminino e o masculino não sejam lugares estanques, mas espaços nos quais homens e mulheres possam circular com desenvoltura e de acordo com as nossas tarefas como ministros e ministras exigirem; sermos sensíveis e guerreiros ou guerreiras, sermos firmes e justos e justas; sermos cuidadores e cuidadores, sem nunca esquecer a energia", assinalou.
“E assim nós poderemos com essa força dessa simbologia, nós poderemos ir alternando as nossas possibilidades, as possibilidades que temos enquanto seres humanos que somos, acima de tudo responsáveis, por conduzir o Brasil no caminho da Justiça, da Igualdade e assegurar para mulheres e homens no Brasil uma vida digna, livre da violência e de qualquer tipo de discriminação”, concluiu.
As linhas gerais estão dadas, estão postas. Melhores não poderiam ser. Mãos à obra, que a obra é grande e exige muitas mãos. O discurso da nova ministra da SEPPIR não poderia apontar melhor caminho.
Agora é esperar pelas ações. E conferir.
São Paulo, 4/1/2011
 

Sobre o apartheid político em Alagoas II

Recebemos de Rute Miriam Albuquerque, Coordenadora de Programa de Educação, do Núcleo de Estudos Negros, em Florianópolis/SC.


Arísia, bom dia. Leio tudo o que me chega via Fórum da Diversidade.
E sempre é com muita alegria que recebo suas mensagens, sejam endereçadas individual ou coletivamente.
Seu texto-denúncia “O único secretário negro que compõe o governo de Alagoas é interino”, sobre a invisibilidade negra na ocupação dos cargos do escalão do Governo em ALAGOAS está lindo, apaixonado, e cheio de lucidez. Parabéns.
Infelizmente, não é só em Alagoas que nos deparamos com tal realidade. "Meu Estado" não tem sequer um negro ou negro responsável por alguma pasta, nesta novíssima composição democrata. E olha que somos 12% da população. É a menor, é verdade, dentre os Estados Brasileiros, mas estamos aqui, existimos. Lembrei-me do filme-documentário: "Aqui jaz, por vós esperamos!"
E fico pensando que precisamos, urgentemente, formar lideranças. Sei que nossa história se incumbiu disto, muito mais na prática do que na teoria. E penso que agora é hora de investirmos na teoria, nas titulações acadêmicas de grande monta, na formação massiva de lideranças, ocupação pesada para incidir com êxito e representatividade na formulação de políticas públicas em todos os níveis e setores. Ajude-nos a pensar no como, por favor?
Abraços malungos
Rute Albuquerque
 

Sobre o apartheid político em Alagoas

Recebemos do Prof. Douglas Carrara, coordenador da Biblioteca Chico Mendes, em Maricá - RJ

Prezada Prof. Arisia,

Muita justa a reivindicação de democracia em Alagoas especialmente em virtude de seu passado histórico, no seu artigo: “O único secretário negro que compõe o governo de Alagoas é interino”,
O que considero injusto, exatamente em função desse passado histórico, é não reconhecer também o direito dos indígenas de Alagoas que foram tão massacrados quanto os negros, ainda que tenham tido o mesmo tipo de participação na organização da república dos Palmares tanto de um lado quanto do outro da frente de batalha.
Inúmeras etnias indígenas participaram da luta pela formação do grande quilombo dos Palmares. Sabemos que Alagoas era basicamente o território dos índios caetés que foram injustamente acusados de terem trucidado e ingerido o bispo Sardinha. A acusação injusta serviu apenas de pretexto para que os portugueses de Pernambuco invadissem a região para caçar os caetés.
Pouquíssimos caetés sobreviveram à chacina. Aos portugueses, interessava apenas o território livre da presença dos índios, para poder expandir e instalar novas fazendas com escravos de origem africana.
Por isso considero que o movimento negro em defesa de seus direitos não deveria ser organizado em torno das etnias de origem africanas aqui introduzidos como mão de obra escrava, mas deveria ser um movimento em defesa dos direitos das etnias africanas e indígenas nativas, ambas igualmente escravizadas e submetidas a um regime cruel que visava apenas a utilização esgotante da mão de obra.
Há que se ressaltar também que desde o processo de conquista, a miscigenação foi intensa entre as diferentes etnias que participaram do processo de colonização. Especialmente no nordeste onde o processo de contato foi muito intenso, o relacionamento entre etnias africanas e indígenas foi extremamente comum, talvez em maior escala do que no resto do país, com exceção de São Paulo.
Por isso é mais fácil encontrar sangue indígena nos mestiços aparentemente afro-descendentes do nordeste, do que sangue de origem européia.
E se isso é verdadeiro e as pesquisas genéticas estão buscando esclarecer esta questão delicada, nada mais justo que criar um único movimento envolvendo todas as etnias que foram escravizadas e que na verdade foram os verdadeiros construtores e trabalhadores da nação brasileira.
E se a participação populacional indígena foi menor em termos numéricos, tudo isso ocorreu porque a resistência física do indígena ao processo desumano de escravidão foi menor e o nativo indígena sucumbia mais rapidamente e preferia morrer ou suicidar-se a se submeter a um tipo de trabalho que violentava profundamente suas raízes culturais.
Além disso, um movimento que abrangesse as duas correntes étnicas e culturais formadoras da nação brasileira obteria muito mais legitimidade e apoio, tanto internamente quanto externamente. E os laços de união do movimento seriam não apenas a questão racial, mas a questão social e política da escravidão.
Acredito que a proposta possa gerar dificuldades, mas não é impossível, já que existem inúmeros movimentos indígenas em todo o Brasil buscando igualdade de direitos. É apenas uma questão de coerência histórica. Pense nisso.
Cordialmente
Prof. Douglas Carrara
Biblioteca Chico Mendes
Caixa Postal 114.010
Maricá - RJ 24900-970
Brasil - Tel.: 55 (21) 2638-5160
Coordenação: Prof. Douglas Carrara

 

O único secretário negro que compõe o governo de Alagoas é interino.

A biografia do estado de Alagoas se confunde com a história da República dos Quilombos.
Palmares pôs à prova a hegemonia da ordem escravocrata e promoveu o enfrentamento a política de submissão ao status quo da época.
Em 2000, o Censo do IBGE afirmava que em Alagoas, a população negra correspondia a 67% da população, passados onze anos o número recebeu acréscimos, mas, a imagem política de Alagoas continua aprisionada a estereotipia do Brasil Colônia.
Palmares morreu?
A interinidade do único secretário negro na composição do governo de Alagoas oferece uma maior compreensão das estratégias da elite etnicista, que ao promover a ascensão dos “ não-negros” ao poder, acaba com a fantasia da democracia racial, a propalada miscigenação, gerando assim uma cadeia de comando hegemônica e elitizada.
O discurso do estado é ideológico!
O governo promove um apartheid silencioso, tão naturalizado aos olhos da sociedade, que a “interinidade” do único negro no quadro do poder é detalhe de menor importância.
A expressão máxima da linguagem estatal revestida de estereotipia ao negro e ao descendente de africano fruto da ideologia escravagista tem nome.
A isso damos o nome de racismo institucional que excluem os negros dos cargos galgados por todos, mas, que continuam sendo ocupados só pelos “não negros”, isso significa, tratar de forma desigual os ditos “diferentes”, contraditoriamente em um estado que tem como um dos seus grandes marcos: o grito negro pela equidade.
O racismo institucionalizado é determinante para a exclusão dos afro-descendentes aos equipamentos sociais e a exigüidade desses espaços privilegiados de poder  mimetiza o povo de pele preta ,afunilando a dinâmica da sobrevivência identitária e como entidade política.
O poder contemporâneo do estado quase negro, Alagoas mantêm um secular monólogo interior com a elite,  composta por quase todos os homens, quase todos brancos, ditos católicos e heterossexuais.
No quadro que se apresenta, os homens na composição da equipe governamental, representam um percentual assustadoramente desproporcional: 97%.
No quesito gênero, a invisibilidade das mulheres traz verdades irrefutáveis: realmente Alagoas é a República dos Marechais!
O padrão é único e indivisível.
Mudaram os personagens, mas a elite detém o poder e autoalimenta a indiferença e passividade social como mecanismo de legitimação do apartheid público e oficial.
E a massa popular denominada de povo, na sua grande maioria pobre, preta, analfabeta e habitante das mal ajambradas periferias, “os vencidos” continua a carregar, por “vinte conto” as bandeiras dos eternos vencedores...
São muitas as linguagens sociais para reinterpretar a simbologia da condição de "passageiro" do único secretário negro da composição de governo.
Alagoas é uma ilha sitiada pelas iniqüidades étnicas e o povo de pele preta, invisibiliza-se em seu lugar de conforto da decantada “morenice”...
Alagoas é uma ilha com mordaças bem atadas nas vozes dos movimentos sociais: negros, feministas e etc,etc,etc.
Quando movimentos sociais não incomodam, o poder inocula neles políticas próprias e universalistas e os imobiliza.
Em Alagoas o povo de pele preta ainda é O estranho.
Estrangeiro no território negro dos Palmares!
A identidade do povo de pele preta nas terras alagoanas é tão transitória quanto o é “passageiro”, o único secretário negro da nova equipe formada pelo reeleito governo de Alagoas.
 

Obrigada, senhor ministro,Elói Ferreira. Seja bem vinda, senhora ministra, Luiza Bairros!

Obrigada, Elói Ferreira de Araújo, ministro que agora deixa a Secretaria Especial de Promoção das Políticas para Igualdade Racial.
Obrigada pelo discurso de estado que percebeu as possibilidades de alargar a discussão para além dos grupos organizados e trazer para a roda, pequenos parceiros, sem filiação partidária ou hierarquias geográficas.
O Projeto Raízes de Áfricas, do minúsculo e invisível estado de Alagoas, foi um deles.
Obrigada pelas situações paridas, com e para o movimento social, no estado de Zumbi, o de Palmares. Estado que mesmo tendo uma significante historicidade negra, exercita, cotidianamente, o silencio social sobre o extermínio de consciências étnicas. É o- faz- de- conta estatal higienizando a trilha de Zumbi para alargar os caminhos do imperador.
Obrigada Elói Ferreira de Araújo por ter estabelecido um repertório de alternativas possibilitando que, muito mais gente alagoana ou não, pudesse interpretar o peso do racismo como fomentador de conceitos coletivos que apartam e segregam cidadãos e cidadãs no curso da história.
Apesar da ausência de uma política de estado socio-étnica, na terra de Zumbi, no estado negro de Alagoas, caminhamos e avançamos no inesgotável enfrentamento étnico, e para tal, foi de incomensurável valor a parceria e o incentivo sistemático do então gestor da SEPPIR.
Permita-me contar uma nota alvissareira: a Lei Estadual nº 6.814/07, da qual fomos co-autora,que estadualizou a Lei Federal nº 10.639/03, finalmente deixou de ser uma letra morta. O Conselho Estadual de Educação aprovou, em 23 de novembro, resolução para aplicabilidade da Lei nº 6.814/07, nas escolas alagoanas.
E essa compreensão da africanidade como cidadania nos foi possível por conta do olhar atento do ministro Elói Ferreira de Araújo, que construiu canoas para atravessar esses e outros desérticos políticos, na terra
O estado de Alagoas é povoado por imensos e, em muitos momentos, intransponíveis desertos políticos na questão racial.
Os movimentos, a sociedade, as instituições se calam numa conivência abissal.
O estado de Alagoas está situado em uma zona morta de mobilização social.
Hoje tenho a certeza, meu querido companheiro, de que quando indicamos seu nome à Assembléia Legislativa do estado de Alagoas para outorga da Comenda do Mérito Tavares Bastos, a mais alta honraria do legislativo estadual, estávamos promovendo a socialização de quanto Elói Ferreira de Araújo assumiu as atribuições de ministro de estado, ao ir além do convencional, abarcando a luta invisível da favela negra e pobre que habita cantos e recantos do estado de Palmares.
Somos ainda uma república de vazios históricos.
Obrigada, Elói, você agora transfere o cargo de ministro, mas lembre-se, sempre, que o tenho como um amigo dileto,e amizade é um sentimento que é bem maior do que cargos transitórios.
E vá logo preparando a mala de viagem para que dia 31 de janeiro o amigo, cidadão e parceiro Elói Ferreira de Araújo possa vir a Alagoas para receber o Troféu de Honra ao Mérito Guerreiro Quilombola.
O Troféu de Honra ao Mérito Guerreiro Quilombola é uma criação da Comunidade de Remanescentes Quilombolas de Pau D’arco, Arapiraca, Alagoas e o Projeto Raízes de Áfricas e inaugura um referendo simbólico de agradecer a todos os parceiros e parceiras que ao longo da caminhada internalizaram a concepção da partilha como fonte de poder coletivo e o mais importante produziram possibilidades para que o Projeto Raízes de Áfricas pudesse materializar ações e construir novos e diferentes processos, na busca da igualdade e oportunidades de direitos para a população negra.
Até breve, meu querido Elói!
Seja bem vinda, Luiza Bairros!
Senhora Ministra de Promoção das Políticas para Igualdade Racial.
Não a conheço pessoalmente. Só de ocasiões eventuais, como em 2008, quando a cumprimentei na III Conferência Nacional Infanto–Juvenil pelo Meio Ambiente, em Lauro de Freitas/Bahia, do seu lado estava um parceiro nosso, o deputado Luiz Alberto, na época secretário de Promoção da Igualdade Racial da Bahia.
Conheci o deputado Luiz Alberto na Câmara Federal em 2005, quando buscamos parceria para redimensionar a questão étnica em Alagoas.
Na ocasião, Luiz Alberto reclamou da sua solidão no legislativo federal na defesa de projetos com a  temática negra, passados cinco anos, a solidão do deputado deve estar um pouco mais aplacada, entretanto Alagoas continua acéfala.
Alagoas, do Palmares é um estado acéfalo na questão de representações parlamentares que incorporem a luta dos povos, ainda, escravizados que, secularmente tem habitado a periferia da história alagoana. São os descendentes muito próximos de Zumbi,o do Quilombo.
O Quilombo dos Palmares!
A violência, a omissão e os indicadores contemporâneos têm seqüestrado o futuro do povo negro e quilombola em Alagoas, estado que sediou a primeira República negra do território brasileiro.
Os negros em Alagoas são os mais pobres entre os pobres do Brasil, assim aponta todos os prognósticos nacionais.
Estivemos novamente, com Luiz Alberto em 2008, quando em atendimento ao nosso convite, compôs com Armênio Bello Schmidit, diretor de Educação para a Diversidade da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, uma mesa temática intitulada “Racismo Institucional: promover a igualdade ou eliminar as diferenças?”, no I Fórum Nacional da Consciência Negra na Educação: "IKÁ KÔ DOGBÁ – Os dedos não são iguais", ocorrido nos dias 28, 29 de fevereiro e 1º de março de 2008, no Centro de Convenções de Maceió.
Na ocasião que realizamos o I Fórum ocupávamos a condição de Gerente de Educação e Diversidade Étnicorracial da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte em Alagoas.
Atualmente coordenamos o Projeto Raízes de Áfricas, que traz como objetivo fomentar a equidade a partir da implementação de políticas étnico-públicas.
Por que escrevo tudo isso?
Não se avexe, nem se aperrei, senhora ministra, isso não é carta de referendo na busca de cargos, a verdade verdadeira é que tudo rima com um acúmulo silencioso das muitas expectativas ...
Permita-me dizer que como movimento social negro do segundo, menor estado do Brasil e o maior em iniqüidades étnicas, alimentamos expectativas...
A maior delas e mais positiva é de que nessa nova caminhada política os muitos diálogos iniciados e costurados com a instituição SEPPIR tenham a solução de continuidade.
Que Exú, o guardião dos caminhos, te conduza.
Seja bem vinda, ministra!

 

A quem me acompanha na crítica aguda ou no silêncio da leitura do Blog Raízes de África...


Desejo a você uma fé incomensurável,
Dessas que remove montanha,
E todas as pedras do caminho.
No caminho sempre há pedras, como assevera Drummond.
Desejo a você
Um mundo cheio de palavras afirmativas:
Coragem.
Ousadia.
Determinação.
Igualdade.
Futuro.
Desejo a você
A devida apropriação da consciência política
Aquela que nos torna protagonista da construção cidadã:
Eu, você e todo mundo!
Desejo que você seja grande
Na concepção de grandeza como encontro espiritual.
Desejo que possamos caminhar juntos
Enfatizando a simplicidade das diferenças.
Desejo que todos os seus desejos se cumpram
No correr do próximo ano,
Na trilha de seus sonhos
E de sonhos coletivos...
Eu desejo simplesmente
Que possamos ser felizes:
Eu, você e todo mundo!
Em 2011 e em todos os anos que virão...
A quem me acompanha na crítica aguda ou no silêncio da leitura do Blog Raízes de África e todos os amigos e amigas muito próximas ao coração um Feliz 2011.

 

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