Geraldo de Majella

Fora Nazista

  • Redação
  • 17/01/2020 12:37
  • Geraldo de Majella

Fora Nazista

O discurso nazista ganhou forma na voz do secretario especial de cultura, Roberto Alvim. Essa gente vem testando o discurso autoritário, o objetivo é sentir a reação da sociedade brasileira.

As comunidades judaica brasileira e internacional devem reagir, os demais setores democráticos da sociedade brasileira, tem a obrigação de rechaçar o discurso nazista do secretario especial de cultura.

  Goebbels já havia dito coisa bem parecida no auge do nazismo. "A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada".

Fica o alerta para os democratas: devemos lembrar que soldados brasileiros derramaram sangue em campos europeus combatendo o nazismo e o fascismo na Segunda Guerra Mundial [1939-1945].

O ovo da serpente vem sendo chocado no ninho dos extremistas brasileiros.  

Não podemos deixar a serpente crescer.

Geraldo de Majella

  

Ao completar 59 anos, um rápido balanço [Vou imprimir novos rumos ao barco agitado que foi minha vida]

  • Redação
  • 02/01/2020 08:42
  • Geraldo de Majella

Eu nasci em Anadia (AL), no dia 2 de janeiro de 1961. O parto foi normal, e como todos ou quase todos nascido no interior, fui assistido pela parteira Nina Chagas ‒ minha segunda mãe, assim eu a considerava. Meus pais moravam à época na rua Cel. Costa Nunes, antiga rua Nova, 333.

        A minha vida não foi, nem é marcada pelo sofrimento. As dificuldades pelas quais passei não têm nada de extraordinário. Conheço muita gente que comeu e ainda come o pão que o diabo amassou.

É inegável que tive perdas que me marcaram: a morte dos meus pais, da minha única irmã, do meu tio Jonas, de amigos queridos e fraternos ‒ eram irmãos, muitos de copo e de cruz, e de identidade política e ideológica.

        As adversidades ajudam e podem servir de plataforma de superação e também como ensinamento de vida.

Não sou o tipo que fica pensando no passado como se dele quisesse modificar situações que vivi, onde ganhei e perdi. O meu tempo é o tempo presente. Ou como diz Paulino da Viola: “O meu mundo é hoje; não existe amanhã pra mim”. O passado serve como uma referência e me faz bem.

        Em 59 anos de vida, muitas vezes me vi derrotado. Esses momentos nunca foram de longa duração. Encontrei forma e maneira de superar e arquivar a derrota. Não quero dizer com isso que os tenha esquecido, mas extraí deles algum ensinamento. A minha vida foi até aqui comum, quase besta.

        O dinheiro nunca foi um objetivo; como disse Caetano Veloso: “não me amarra dinheiro não, mas formosura”. O que atrai e me encanta são as belezuras da vida, as coisas simples que emergem na literatura, na música, na dança, nas artes de um modo geral, e nos esportes.

        Mais vale para mim uma roda de boas conversas do que bolar planos para ganhar dinheiro, para me tornar em mais um rico. Ganhei muito mais entre os amigos. Sinto-me tão feliz assim que as pessoas não são capazes de imaginar, nem mesmo os que estão próximos.

        Lembro-me de minha mãe a me dizer em tom de reprimenda: “você só anda com doido”. Anos depois li Nise da Silveira, uma extraordinária cientista alagoana, que disse: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas. É necessário se espantar, se indignar e se contagiar; só assim é possível mudar a realidade”.

        E cada vez mais o meu olhar para além da política se volta para a vida comum das pessoas. Tenho lentamente repensado a vida e procuro uma nova maneira de viver, muito diferente daquela como vivi. Trabalhei fichado durante 39 anos na iniciativa privada e no serviço público; hoje posso dizer que adquiri a minha carta de alforria, não tenho patrão, nem chefe. Sou um homem livre.

Tenho procurado fazer coisas simples, como sempre fiz em minha vida. No momento, inspiro-me em Paulinho da Viola, que canta versos lindos na canção “Novos Rumos”. Dizem assim: “Vou imprimir novos rumos/ Ao barco agitado que foi minha vida/ Fiz minhas velas ao mar/ Disse adeus sem chorar/ E estou de partida/ Todos os anos vividos/ São portos perdidos que eu deixo pra trás/ Quero viver diferente/ Que a sorte da gente/ É a gente que faz”.

        Muita gente com quem me relaciono na virada de cada ano planeja o ano que se inicia, estabelece metas; são semelhantes a empresas privadas. Alguns amigos e amigas têm a ousadia de estabelecer metas mensais. Eu, nesse quesito sou um fracasso; uma ou duas vezes que me propus planejar, não cumpri nada, absolutamente nada. Esqueci-me de tudo como se estivesse acometido de alguma demência.

        Nessa altura da vida, sinto-me livre de compromissos profissionais, da chatice burocrática, das intrigas palacianas e de bajuladores. Estou em pleno gozo da liberdade, não preciso medir as palavras antes de falar. E tão importante quanto, não preciso prestar contas dos meus atos e atividades.  

        Jamais me imaginei nesse estado de liberdade pessoal. Acordo e não tenho agenda ou reunião. Acordo cedo, mas para caminhar na orla: essa é a minha única obrigação. Trata-se de uma prescrição médica.  

        Os meus compromissos, a maioria marco no entorno da minha casa, no bairro, em sorveteria, café, botequins. O meu traje social é camiseta, bermuda e chinelo. Planilha, prestação de contas, assinatura de documentos, despachos, nada disso voltará, assim espero, a dirigir os meus destinos.

        Definitivamente não quero, por opção, conviver com chatos(as) e mal-humorados(as). Quero e planejo viver e conviver com gente saudável, pra cima, de bom astral. Esse é um projeto em construção. O resto pode se danar, ou como disse o poeta Vinicius de Moraes: “Eu caio de bossa/ Eu sou quem eu sou/ Eu saio da fossa/ Xingando em nagô./ Você que ouve e não fala/ Você que olha e não vê/ Eu vou lhe dar uma pala/ Você vai ter que aprender/ A tonga da mironga do kabuletê [...]”.

Em 2020 vou trabalhar e me juntar cada vez mais com os que querem derrotar politicamente essa besta que governa o Brasil. Em breve nós o xingaremos em nagô; que ele e sua turma vão pra tonga da mironga do kabuletê.

O que eu mais desejo na vida é envelhecer vivendo num Brasil democrático e com o povo com direito a comida, a trabalho, a moradia, a poder se aposentar e viver alegre, sambando e dançando em todos os ritmos.

Esse é o Brasil com que eu sonho.

 

  

 

Carta ao PDT

  • Redação
  • 23/12/2019 11:51
  • Geraldo de Majella

Maceió, 23 de dezembro de 2019

Companheiro Ronaldo Lessa:

         A nossa amizade e o nosso companheirismo vêm desde quando você retornou a Alagoas no final da década de 70. Estivemos em partidos diferentes, mas lutando pelas mesmas causas: o fim da ditadura, a consolidação da transição democrática e as mudanças em Alagoas, muitas delas operadas a partir da prefeitura de Maceió na sua gestão e na gestão de Kátia Born; e também no estado, quando você governou Alagoas.

         Estivemos juntos durante quase vinte anos no PSB. Você foi para o PDT e vem contribuindo com a organização partidária, além de ter exercido o mandato parlamentar como deputado federal, marcado pelo combate em prol dos interesses da população mais pobre, dos trabalhadores (as) e pela defesa da indústria e da empresa nacional.

         Eu me filiei ao PDT com o propósito de continuar contribuindo minimamente com o partido em Alagoas. Nunca fui varguista; aliás, mantenho muitas reservas em relação ao antigo ditador. Tampouco fui janguista ou brizolista.

         A minha filiação ao PDT se deve à conjuntura local. Muito embora tenha votado em Ciro Gomes e feito campanha para ele, não concordo com as atitudes beligerantes e desqualificadas que Ciro Gomes vem assacando contra frei Leonardo Boff, os jornalistas Paulo Moreira Leite e Kiko Nogueira, para ficar tão só nesses casos.

         O fato de o candidato do PDT à presidência da República se negar a participar da articulação de uma Frente Ampla com os partidos de esquerda e movimentos sociais é, para mim, o motivo principal para a minha desfiliação. Eu poderia elencar outras diatribes do pedetista.

A última ocorreu no sábado, dia 21, quando, visivelmente embriagado, bateu boca com um grupo de torcedores em Fortaleza. Definitivamente não será esse o meu candidato a presidente da República.

Ronaldo, quanto às eleições locais, estamos juntos.

Um forte abraço.

Geraldo de Majella

  

Maceió em Guerra: exclusão social, segregação e crise da segurança pública

  • Redação
  • 11/12/2019 14:58
  • Geraldo de Majella

 

 

Prefácio

Este é um livro de um combatente e de um intelectual ansioso por iluminar aspectos silentes do passado e do presente de Alagoas. A riqueza do livro ora em mãos tem diferentes fundamentos. Está nas reflexões e lembranças de quem viveu os acontecimentos abordados com os próprios olhos e esteve entrelaçado diretamente a alguns deles. Ademais, baseia-se também em fatos da memória transmitida por sua família, mesmo que o autor não o haja explicitado. Como obra de um combatente, é um livro que mostra e reforça seu engajamento com alguns lados, e nos oferece fatos pouco conhecidos, mas fundamentais, da história político-partidária e das políticas de segurança de Alagoas.

Com uma escrita ágil e direta, quase “jabs”, na linguagem do boxe, Majella faz algo que parece urgente ao conhecimento das novas gerações alagoanas e aos de “fora”, que, como eu, anseiam por entender melhor os rumos que têm tomado as sociedades alagoana e brasileira. Traz à superfície e relembra eventos que nos ajudam a iluminar tradições de conflitos mortais que ainda se reproduzem intensamente em Alagoas, mas têm sua gênese nos recônditos de um passado silenciado, ou nunca visitado. Faltam ainda mais reflexões histórico-sociais que permitam servir de referência ao debate público, às ações públicas, sejam elas de movimentos sociais ou políticas públicas, sobre os caminhos que nos levaram da violência engendrada no “mundo da cana”, nos sertões e nas matas àquelas das “periferias” alagoanas.

O desconhecimento do passado, parte dele recente, aliado ao conforto com a ideia de que o que importa é o que podemos fazer para mudar o futuro, acalentado por governantes e ativistas sociais, tem se mostrado uma força intensa de reprodução do passado sem que dele se tome consciência. Reproduções que se anunciam como combates a puras “novidades”, coisas novas para os combatentes novos, mas velharias ativas de perpetração do sofrimento, se olharmos com o auxílio dos mais velhos em combate.

Geraldo de Majella navega por diferentes dimensões e momentos da história de Alagoas. Busca pistas e levanta hipóteses sobre como chegamos até um presente, marcado pelos assassinatos que atingem os nossos jovens, negros, mestiços, aqueles que se consideram mais claros que outros, moradores das periferias urbanas, marcados por muitas diferenças entre si. Mas sugere que não é possível entender o código de conflitos entre ricos e pobres e entre os pobres entre si se não entendermos os desenvolvimentos das tradições de violência das próprias elites, remontando-as ao passado, ainda vivo.

O livro trata desde o desenvolvimento urbano e as lutas pelo poder administrativo e econômico no século XIX, até a ocupação recente de grotas e favelas de lona. Seu ponto alto, entretanto, parece estar na segunda parte, ao tratar do ciclo de surgimento e declínio do crime de mando, do sindicato do crime e da gangue fardada, e do quanto isso marcou o processo de redemocratização e as tentativas de reorganização política de sua geração. Mostrando um domínio ímpar de eventos dos quais participou como membro de governos e partidos, traz pensamentos e dados novos sobre as relações entre poderes militares, políticos, partidos e movimentos sociais. Ele acaba por propor novos ângulos sobre o desenvolvimento do período ditatorial e da “redemocratização” em Alagoas. Por ser muito sintético, entretanto, deixa portas abertas para novos e curiosos pesquisadores.

Entender tais eventos, discuti-los nos mundos públicos possíveis de Alagoas e do Brasil parece vital para compreendermos o presente. Tal debate tem sido interditado, não apenas pelos governantes, mas também pelos movimentos sociais, que mostram uma dificuldade enorme de olhar o passado de sua própria sociedade. A desobstrução dos canais de diálogo e debate seria um caminho possível de propor formas de mobilização e ação.

Entre as contribuições importantes do livro está a reflexão e memória sobre movimentos sociais que tiveram uma grande importância nas Alagoas dos anos 1990, cuja parcela dos participantes veio a integrar os governos Kátia Born e Ronaldo Lessa, respectivamente na prefeitura de Maceió e no governo de Alagoas.

Este é um livro de um combatente-intelectual que participou ativamente de governos e movimentos, ansioso por fornecer instrumentos, através de reflexões e dados, aos que desejam se juntar ao ofício, à tarefa e à missão da luta contra as desigualdades e as lógicas de sua reprodução. Mesmo que em passadas rápidas, deixando-nos o anseio por mais informações, o livro é um chamado a uma nova agenda de pesquisas e questões que ficaram silentes ao longo de 30 anos. Cemitérios clandestinos, que o próprio Majella denunciou junto a órgãos da ONU, também na forma de um livro[1], as alianças entre elites políticas e aquelas que compunham o denominado sindicato do crime, o assassinato de lideranças populares e de opositores aos governos, hoje esquecidas, mostra o quanto investir em um mergulho no passado de Alagoas trará novas questões e novos instrumentos de combate aos combatentes. Ele sugere a relação entre a história de crimes políticos, o desenvolvimento institucional do estado de Alagoas e o surgimento das novas periferias urbanas em Maceió.

Entretanto, esse é um terreno mais apontado que explorado, ainda que sem dúvida levante a poeira para a urgência da questão, alertando as novas gerações. Ele vai ao passado e destaca a importância da prisão e do assassinato como forma de combate político na Alagoas do Império e da República. No mesmo período, mostra como os rumos políticos e urbanísticos foram indissociáveis das lutas coloniais nos portos alagoanos, entre franceses e ingleses. Quase como crônicas-reflexões, sinalizando sínteses, Majella combina informações historiográficas de uma bibliografia “clássica” alagoana e sugestões sobre suas conexões com o presente, visando iluminar o passado de conflitos de interesses e expressões de violência contemporâneas.

Não bastasse a abrangência e importância das questões levantadas, há outro aspecto que torna a publicação deste livro de grande relevância. Trata-se da oportunidade de a geração de Majella, inclusive daqueles que hoje estão nas universidades estaduais, federais e privadas, participar de um diálogo intergeracional com os mais jovens e “os de fora de Alagoas”, que chegaram de maneira mais intensa nos últimos 15 anos. Este diálogo enfrenta barreiras, e as antipatias mútuas criadas ao longo desse tempo pressionam para a redução do espaço de criação de uma esfera pública de discussão sobre os dilemas da sociedade alagoana.

Intelectuais de publicação tardia, a geração de Majella tem muito a dizer, ainda que as publicações tenham aparecido com mais intensidade apenas nos últimos cinco anos. Alguns livros publicados nos anos 80 e 90 jamais foram reimpressos; outros, elaborados como teses em universidades estrangeiras, nunca foram traduzidos. Seus impactos, portanto, foram reduzidos.

Como o sistema universitário sofreu uma profunda alteração, ainda que não claramente perceptível, devido à entrada de jovens “estrangeiros a Alagoas”, há um grau intenso de vazio na maneira de discutir as questões e no compartilhamento de memórias dos mais velhos e dos mais novos sobre Alagoas. Tal vazio pode ser reduzido em espaços que assegurem a possibilidade de franqueza e divergência intelectual, fonte nutridora da reflexão e crítica, sem os quais os círculos que falam para si mesmos, “ilhas”, diria Rachel Rocha, autocomplacentes, completaria, continuarão a se reproduzir de maneira fragmentada, tendo poucas consequências em termos de mobilização e transformação.

A riqueza de sugestões e análises trazidas pelo livro não poderia ser reduzida em um pobre prefácio. Por isso, siga em frente e veja você mesmo o esforço de síntese do autor. Com uma dose de disposição crítica, merece espaços de divulgação e debate, lançando-se em espaços nos quais possam emergir novas reflexões. Ele traz pontos incômodos, cuja lembrança criadora propiciada por um livro, se feita justiça à novidade de seu aparecimento, fará vicejar debates e divergências, algumas delas contundentes.

Se lutamos pela democracia e pela difusão do senso de reponsabilidade de uns com os outros, compartilhando as gratificações e as frustrações de termos um destino comum como cidade, como cidadãos, como gente e povo, uma parte do combate é a exposição ao diálogo e ao debate. Este livro é um convite generoso à luta e à interlocução. Boa leitura!

 

 

Fernando de Jesus Rodrigues

Professor do Instituto de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia, UFAL.


[1] MAJELLA, Geraldo de. Execuções sumárias e grupos de extermínios em Alagoas (1975-1998). Maceió, Edufal, 2006.

Maceió em Guerra: exclusão social, segregação e crise da segurança pública

  • Redação
  • 25/11/2019 11:21
  • Geraldo de Majella

 

(*) Suzann Flavia Cordeiro de Lima

A violência urbana vem atingindo níveis assustadores, com dados estarrecedores que crescem em progressão exponencial, mas não é um fenômeno novo, nem mesmo específico das cidades. Cada vez mais, somos bombardeados com noticiários sobre uma violência (des\re)territorializada, que se espraia nas mais diversas localidades e contribui para a construção de uma sociedade cada vez mais individualista, egoísta e exigente de vingança social para os (outros) atores da violência, sem tomar consciência de que é a produtora deste fenômeno.  

Estes atores têm sido escolhidos a dedo, como “bodes expiatórios” para uma vingança social, com nomes, endereços, cores, classe social, baixa escolaridade e falta de emprego, cuja existência e referência são subliminares (e implícitas) aos diversos discursos sobre combate à violência... A cidade “permitida” não tem limites, mas a cidade “proibida” tem! São tantos os homens e mulheres nos entremeios das manchetes, cruzes sem nomes, sem corpos e sem datas!  São tantos “contratempos” inglórios, histórias que a história qualquer dia haveria de contar...

O professor Geraldo de Majella, alagoano, historiador, revela-se na sua extraordinária militância em defesa dos direitos humanos. Esta obra é mais uma contribuição deste homem corajoso, guerreiro, resiliente, que não se rende ao ceticismo nem esmorece diante da desesperança que nos engole. Sua narrativa sobre os contrapontos, dobras e revides da política de segurança publica do estado de Alagoas é esclarecedora e, ao mesmo tempo, estarrecedora. Demonstra, como dizia Gonzaguinha, os entremeios de narrativas de “Memórias de um tempo onde lutar por seu direito é um defeito que mata”...

O livro Maceió em Guerra: Exclusão social, segregação e crise da segurança pública se divide em três partes, com 20 capítulos que contextualizam historicamente a construção da uma cultura de segurança urbana a partir de atuações e interesses familiares espacializados (parte 1), a atuação dos três poderes consolidada a partir destes vínculos históricos e a consequente institucionalização da violência (parte 2), e, por fim, as espacializações cambiantes que nos apontam para um futuro cada vez mais certo, baseado em atuações e políticas incertas, que multiplicam a violência que vivenciamos hoje (parte 3).

Estas poucas palavras não fazem jus à imensa contribuição que o descortino corajoso das narrativas deste livro nos proporciona. Que os leitores façam bom uso do conhecimento exposto nas páginas que seguem, tão deslumbrados e estarrecidos como eu.

Muito grata, Professor Geraldo de Majella.

(*) Arquiteta e Urbanista, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com pós-graduação em arquitetura penal e em materiais e gestão de projetos. Pós-doutorado em Criminologia pela Katholieke Universiteit Leuven, Belgica.

A tortura é uma velha conhecida nas delegacias

  • Redação
  • 23/10/2019 13:05
  • Geraldo de Majella

A tortura contra os presos em períodos de normalidade democrática no Brasil é uma prática institucionalizada. Nas ditaduras a que o país foi submetido no século XX ‒ o Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985) ‒, indistintamente os presos comuns e os presos políticos foram torturados, assassinados, e centenas “desapareceram” para nunca mais ser encontrados.

         Esse terror infame nunca deixou de rondar as delegacias de polícia em Alagoas. É sempre bom rememorar os defensores dos direitos humanos ‒ e aqui o advogado e então deputado José Costa é e será sempre lembrado como um destemido defensor dos cidadãos que não têm voz, dos que não têm corporação empresarial e de tão pobres não dispõem de condições financeiras para contratar um advogado para defendê-los da sanha brutal dos agentes do Estado.

         Aqui no “Cada Minuto” o colega Célio Gomes passou a questionar o comportamento das autoridades, tanto as responsáveis pela segurança pública, inclusive e principalmente o governador Renan Filho, como o Ministério Público, chamando-os à responsabilidade. Com o dedo em riste cobrou da OAB o motivo de ela ainda não ter se pronunciado sobre o terrível caso.

Esta senhora, Darcinéia Almeida, conta agora com a proteção de Deus, que não vai lhe faltar; mas no mundo terreno e cão, não basta acreditar em Deus. A sociedade civil e a OAB têm um papel essencial. A Defensoria Pública é a instituição do Estado que abraçou a causa. Faltam, porém, os partidos políticos progressistas, de esquerda, os movimentos sociais e as igrejas.  

Os que conhecem os meandros policiais e do Estado sabem que o tempo é contado a favor dos agentes do Estado, e aqui não estou prejulgando, mas relembrando dois casos: o jovem Davi Silva, desaparecido, e o ex-líder estudantil Nô Pedrosa, assassinado sem esclarecimento.

Célio Gomes, repórter experiente que é, diz: “Não conheço a trajetória acadêmica de Fábio Costa. Suponho que ele não tenha formação em medicina. Mas, mesmo assim, o doutor não vê nada de errado em especular sobre a saúde mental de uma mulher que acaba de perder um filho. ‘Não temos um laudo’, ele admite. Então por que chutar informação sobre algo tão delicado? É um caso clássico de tentativa de desqualificar a denúncia”.

 

DIRCEU LINDOSO, O POLÍGRAFO CABANO

  • Redação
  • 15/10/2019 10:51
  • Geraldo de Majella

Dirceu Lindoso e Hermann Baeta, no Rio de Janeiro, em 1981, lançamento do livro Póvoa-Mundo. 

 

 

Geraldo de Majella (*)

 

 

A trajetória intelectual de Dirceu Accioly Lindoso é multifacetada e em certa medida foge ao natural caminho acadêmico stricto sensu, ambiente de formação e projeção de quase todos os intelectuais de sua geração em diante. A ambiência intelectual que impulsionou o jovem de então, Dirceu Lindoso, foi a árdua trabalheira na imprensa comunista das Alagoas. A redação da A Voz do Povo, semanário de propriedade do extinto Partido Comunista Brasileiro (PCB) – fundado em 1946 e destruído pelos militares golpistas  em 1º de abril de 1964 –, descortinou um novo cenário, o da luta social e do marxismo.  

Se iniciou cedo nos trabalhos jornalísticos, como ele mesmo costuma dizer; e fez dessa atividade um ponto de difusão da sua produção intelectual, ainda, muito jovem. Hoje podemos afirmar que Dirceu Lindoso pertence a uma tradição de intelectuais que tiveram no jornalismo de esquerda e operário o caminho primeiro de uma virtuosa carreira intelectual, como percebemos ter também acontecido com Octavio Brandão, Alberto Passos Guimarães, Jayme Miranda, Aylton Quintiliano, Bercelino Maia e André Papini Góes.

A primeira contribuição com a imprensa veio em forma de artigo publicado no Diário de Pernambuco, que teve como tema a obra de Josué de Castro que viera a Maceió a convite dos estudantes da Faculdade de Direito falar sobre o problema da Fome.

Trabalhou no jornal carioca O Globo, quando residia na cidade do Rio de Janeiro, tempo após sair da prisão política ocorrida em Maceió, encarceramento que durou de abril a novembro de 1964. Manteve a distancia permanente contribuição nos jornais de Maceió, enviando artigos para A Tribuna de Alagoas, O Jornal, Gazeta de Alagoas e Extra. Em Petrópolis, publicou trabalhos no Correio Petropolitano e Tribuna de Petrópolis.

Esse incansável intelectual jamais deixou de influir e contribuir com qualquer espécie de publicação, mas foram, talvez, as publicações do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) – de circulação nacional, como o jornal do Comitê Central Voz da Unidade – onde colaborou semanalmente por quase uma década de maneira ininterrupta –, e as revistas Problema da Paz e dos Socialismo e Novos Rumos, essa última publicação do Instituto Astrojildo Pereira.      

]  Dirceu Lindoso e Aurélio Buarque de Holanda, em 1981, no Rio de Janeiro. 

        

 

Advogado, por formação, com pouca atuação nessa área, apenas, defendeu em episódios esporádicos trabalhadoras rurais do município de Pilar, em Alagoas, no início da década de 1960. Na condição de advogado foi designado pela direção regional do PCB para defender os índios Wassú Cocau que – à época, início de 1960 –, continuavam lutando pela demarcação das suas terras no município de Joaquim Gomes e jovens estudantes vinculados ao PCB que apoiavam a luta indígena haviam sido detidos pela polícia local, em socorro, lá esteve o advogado Dirceu Lindoso. Foram essas, e talvez alguma outra atuação esparsa, as suas atividades concretas como causídico.

         Toda a sua energia e argúcia vem sendo empregada na pesquisa etnológica, histórica, na tradução de clássicos do marxismo, a exemplo dos filósofos francês Louis Althusser e do húngaro Gyorgy Lukács, do economista francês Charles Bettelheim, do psicanalista suíço Jean Piaget e filósofo e economista alemão Karl Marx, entre outros.

         Dirceu Lindoso tem se dedicado a pesquisar e revelar inovadoramente temas fundamentais da História de Alagoas, mas que a historiografia oficial insistiu em esconder e quando tratou, invariavelmente o fez com o viés do preconceito, colocando-o na categoria dos marginais, na vã tentativa de que esses episódios fossem esquecidos para sempre. Evidente que isso não ocorreu os cabanos foram redescobertos, inicialmente por Manoel Correia de Andrade em A Guerra dos Cabanos em terras Pernambucanas, em 1965, quando é publicado o seu livro.

         A Guerra dos Cabanos (1832-1850) importante acontecimento da história de Alagoas, descoberto, ainda na juventude, passou a ser o tema principal e pelo qual a vasta obra do historiador, etnólogo, ensaísta, romancista e poeta gira centralmente. O povo cabano é objeto de estudo e uma verdadeira paixão para o polígrafo e passa a ocupar papel essencial nos estudos históricos de A Utopia Armada, seu principal livro, publicado em 1983. Antes, a escrita e a fala cabana havia ganho destaque através dos romance Póvoa-Mundo de 1982.

A trajetória na pesquisa antropológica tem sido cada vez mais significativa e diversificada, são inúmeros textos publicados em vários momentos e veículos, como os Anais da Biblioteca Nacional e a Revista Eclesiástica Brasileira que deram guarida aos textos: Na Aldeia de Ia-ti-lhá: Etnografia dos Índios Tapuia do Nordeste, republicado agora na Coleção Índios do Nordeste: Temas e Problemas, vol. VII (Almeida, Luiz Sávio; Silva, Christiano Barros Marinho et alii Orgs.); o Cônego e a Catequese Indígena; e O Andarilho e a Mãe-de-Santo: O Negro na Obra de Arthur Ramos.

         Moreno Brandão em sua História de Alagoas se refere ao comandante cabano, Vicente de Paula como: “um desses tipos truculentos e ferozes, que os sertões mal policiados do Brasil criam e desenvolvem na atmosfera da proteção criminosa que dispensam as autoridades coniventes com o seu banditismo e o povo inculto, amigo de todas as manifestações violentas da força, prestigia, propagando a fama de suas bravuras por largas extensões regionais do país”. O discurso anticabano tem um forte conteúdo ideológico elaborado pelos historiadores da classe dominante que imputaram aos papa-meis que são os índios aldeados, lavradores e moradores pobres e escravos oriundos do sul de Pernambuco e norte das Alagoas. Todo o esforço teórico desenvolvido por Lindoso é realizado no sentido de que o discurso ideológico confeccionado pela classe dominante e seus historiadores que criminalizam a luta desse povo e por muitos anos passou a ser visto pela História Oficial – dominante até então –, como um acontecimento secundário de nossa História.

         Em companhia de Manoel Correia de Andrade, Décio Freitas e Luiz Sávio de Almeida, Dirceu Lindoso deu a mais importante contribuição sobre a Guerra dos Cabanos, luta onde ricos senhores proprietários de engenhos de açúcar, restauradores e absolutistas convocaram os pobres da terra situada ao sul de Pernambuco e ao norte de Alagoas, a época já independente, para de armas nas mãos, trazer de volta ao trono imperial D. Pedro I. Os convocados eram índios, negros escravos, moradores e lavradores, a gente cabana.

Dirceu Lindoso é o responsável, em terra alagoanas, pela “redescoberta” do povo cabano e sua colocação na história de Alagoas, desta vez, na condição de acontecimento histórico significativo e digno para todos nós, livre de quaisquer tipo de preconceitos. Esse entre muitos outros tem sido o mérito fundamental nos estudos e nas pesquisas realizadas pelo historiador marxista nascido diante do lagamar do Gamela na sua Maragogy, antiga pars borealis de Alagoas, teatro que foi de guerra dos índios, negros, brancos pobres que formaram o povo cabano de quem tanto Dirceu se orgulha dele descender.   

Dirceu Lindoso, Marcos de Farias Costa, Jorge Cooper, Estela Cooper e Luiza Helena Wittman, em Maceió.

 

O Poder Quilombola – a comunidade Mocambeira e a Organização Social Quilombola, é mais uma obra escrita pelo autor de A Utopia Armada. Sentido a falta de textos produzidos por historiadores alagoanos, numa tarde de janeiro de calor abrasador lhe pedi, depois de ouvir do próprio Dirceu que tinha a intenção de escrever um livro sobre Palmares e seus quilombolas. Poucos meses após conversarmos é possível entregar ao Brasil esse texto em mais um 20 de novembro data comemorativa da consciência negro em nosso país.           

         Índios, negros e populações excluídas foram e continuam a ser o tema central da vasta obra desse importante intelectual das Alagoas. Dirceu Lindoso não só é um irrequieto intelectual, contraditoriamente ao seu temperamento calmo e sereno, mas, inegavelmente o mais importante historiador dos últimos cinqüenta anos em nossa terra. E de quem os outros historiadores seus contemporâneos, devem se mirar.

         Axé.   

(*) Historiador

 

  

Dirceu Lindoso faleceu hoje, em homenagem ao grande intelectual alagoano publico o prefácio que escrevi para o seu livro Poder Quilombola.

Salve, Dirceu Lindoso.

     

        

 

        

                 

 

A grandiosidade do escultor Manoel da Marinheira

  • Redação
  • 14/10/2019 12:51
  • Geraldo de Majella

 

O empresário Jorge Tenório tem entre outros méritos o de ter sido o mecenas do escultor Manoel Cavalcanti de Almeida, o Manoel da Marinheira. Tenório iniciou a coleção de obras do escultor ainda na década de 70 do século XX, em Boca da Mata, cidade da Zona da Mata alagoana.

Hoje essa coleção conta com 1.540 peças, sendo mais de 800 produzidas por Manoel da Marinheira, e o restante pelos seus seguidores e discípulos, os seus filhos e filhas, entre eles três filhas surdas-mudas.       

           O Museu Manoel da Marinheira, fundado em 2003, funciona na fazenda Bento Moreira, em Boca da Mata, nas instalações improvisadas de um antigo grupo escolar desativado. As obras estão expostas em dez salas. A coleção é extraordinariamente bela e grande, e é certamente única no Brasil.

       As obras estão bem conservadas, porém armazenadas em condições inadequadas para constituírem um museu. Faltam condições básicas, como a identificação das peças, a época em que foram produzidas, a apresentação de cada obra e as necessárias técnicas da museologia.

       O acervo é monumental e único no Brasil, e possivelmente no mundo. É um espaço de cultura, educação e lazer para as crianças, os jovens e os adultos. Outro detalhe: avançou empresarialmente, mas ainda é subaproveitado.  

       O Museu Manoel da Marinheira, desde que redefinido no espaço em que está localizado, é o nosso Inhotim alagoano.

       O espaço de lazer, de preservação ambiental e de cultura que o Parque Águas de São Bento criou é bonito, grande e agradável, mas o carro-chefe não é o balneário apenas, senão o monumental acervo do Museu Manoel da Marinheira.

       Estive visitando o museu duas vezes num intervalo de nove ano. A primeira vez, na companhia da historiadora Janaina Amado e do jornalista Luiz Carlos Figueiredo, do poeta Sidney Wanderley e da escritora Paloma Amado; a segunda, no último dia 12 de outubro, quando renovei a alegria de visitar um lugar com tanta beleza natural e um acervo que não para de crescer.

       A nota triste é que o Manoel da Marinheira faleceu em 2012, aos 101 anos, deixando uma prole tão grande quanto a obra que o imortalizou.  

O mecenato do empresário Jorge Tenório é um exemplo a ser seguido em Alagoas. 

    

 

O impeachment tinha como resultado morte a democracia no Brasil

  • Redação
  • 17/06/2019 19:21
  • Geraldo de Majella

           O golpe articulado em 2016 teve nas pedaladas fiscais o álibi com o resultado decorrente de bloquear a democracia com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A articulação dos golpistas teve duas conexões: a externa com os EUA, à frente, e a interna, com a grande mídia, os rentistas, o empresariado, os parlamentares e o vice-presidente Michel Temer.

            O golpe levou o Brasil para a extrema direita, o pior dos mundos. A democracia tem sido, a cada dia, torpedeada pela Lava Jato e pelo autoritarismo do Bolsonaro. E ainda em muitas decisões da Suprema Corte, que se nega em muitos casos a fazer justiça.

            A oposição, sem conseguir manter linhas de coesão entre os partidos de esquerda e centro-esquerda, anda ruminando o resultado eleitoral. Mas todos em campanha rumo a 2020.

            A oposição resiste no Congresso Nacional e nas ruas com os movimentos sociais protestando contra o desmonte do Estado brasileiro.

            A mobilização nas ruas tem elevado a temperatura e transmitido energia positiva para o parlamento nacional, mesmo em torno de lutas pontuais como a reforma da previdência e os cortes da educação.

       Essas duas frentes de lutas sinalizaram que é possível derrotar o governo no terreno onde ele se dizia majoritário: o Congresso Nacional.

            As vitórias em determinados momentos históricos nunca são gerais, mas pontuais e cumulativas, e se desenrolam no campo de batalha numa “guerra de guerrilha”. Dessa tática, a esquerda e o campo democrático têm experiências acumuladas.

            A Lava Jato, espinha dorsal da extrema direita nacional e internacional, seção brasileira, está fraturada. O inimigo encontra-se em franco recuo, mas ainda não foi derrotado. A derrota virá não como uma premonição divina, mas com a mobilização social, a atuação nos parlamentos e pelas revelações do The Intercept.

            Teremos muitas lutas pela frente. A defesa das grandes empresas e dos bancos estatais, das universidades e dos institutos federais, e da Embrapa não deve sair da pauta dos democratas, da esquerda e dos nacionalistas.

               O impeachment tinha como resultado morte a democracia no Brasil. A democracia agoniza, mas não morre, como diz o samba do Nelson Sargento.  

 

A guerra de guerrilha de Glenn Gleenwald

  • Redação
  • 14/06/2019 12:42
  • Geraldo de Majella

E agora, o que fazer? Diante das revelações que o site The Intercept Brasil vem publicando e o mundo lê estarrecido, o ex-juiz e ministro Sérgio Moro e o coordenador da Lava-Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol, estão a dever explicações ao Brasil.

         Vestir a camisa rubro-negra do Flamengo não atenua o problema, nem ser amparado por Bolsonaro é uma companhia que lhe conforte.

         Moro, Dallagnol e os demais procuradores, agora, tomam conhecimento de que há uma opinião pública nacional e outra internacional.

         O controle dos meios de informação é relativo no Brasil, quando se vive a era da internet. Foi um site de notícias, ou melhor, investigativo, quem acertou o petardo frontal na Lava-Jato. Até o momento mutilou a operação e seus membros, e o pior, anuncia The Intercept, está por vir.

         A “guerra de guerrilha” iniciada por Glenn Greenwald tem colocado a grande mídia, o Ministério Público e parcela do Supremo Tribunal Federal na defensiva.

         O teatro onde se desenrola a “guerra de guerrilha” está sob o domínio absoluto de The Intercept. A infantaria ataca sem medo, com tanques e minas terrestres que estão explodindo no colo das celebridades instantâneas do Judiciário e do Ministério Público Federal.

         O jornalismo sério mudará o rumo da história do Brasil. Assim como a manipulação dos fatos, a violação da ordem constitucional e os pré-julgamentos online guindaram essas celebridades, ora em estado de putrefação moral, a chegar ao topo do ranking dos programas de reality show no Brasil e nos EUA.

Em tempo de celebridades instantâneas, é alvissareiro dizer que a casa caiu.

A estratégia brilhante de Glenn Greenwald

  • Redação
  • 11/06/2019 14:36
  • Geraldo de Majella

(*) Renato Janine Ribeiro

1. Assumiu o protagonismo do jogo. Seus alvos estão fazendo exatamente o que ele quis ou previu. Ele controla o tabuleiro. Pela primeira vez desde 2015, a extrema-direita perdeu a iniciativa.

2. Os procuradores e Moro responderam a ele justamente o que ele queria: confirmaram a autenticidade das fitas. Foram debater a forma, não o conteúdo. Assim disseram: você, Glenn, diz a verdade.

3. Ele previu até o argumento que iam usar: a defesa da lei e da privacidade. E respondeu a isso domingo, antes mesmo da reação do grupo: vcs não fizeram isso com Dilma? Que moral têm? Assim, tirou deles o argumento moral, que era o principal da LavaJato e que esta conduziu para a ideia de que os fins justificam os meios.

4. Enquadrou a mídia pátria. A imprensa internacional caiu matando. A Folha de hoje tem um relato bom das reações no estrangeiro. E os jornais de fora que li chamam todos nosso governo de exceção de “extrema-direita”. Nenhum usa o eufemismo “direita” (direita é Merkel, cara-pálida!) ou “liberal” (liberal é o Economist, stupid!). Vai ser difícil passar pano por muito tempo.

5. Ao dizer que não divulgaria as intimidades dos membros do grupo , mostrou-se superior a eles (que publicaram conversas privadas de dona Mariza - sem falar na subtração do iPad do pequeno, hoje falecido, Artur) - e deve ter causado medo de que divulgue. Acuou-os.

6. Finalmente, anunciou que soltará mais dados a conta-gotas. Tornou-se senhor do tempo ou, se quiserem, é quem decide quais serão as próximas etapas, o desdobramento do assunto (até porque ninguém sabe o que ele sabe).” 
(*) é filosofo e ex-ministro da educação.

 

A UFAL resiste ao autoritarismo

  • Redação
  • 08/06/2019 18:15
  • Geraldo de Majella

     

Ontem (7 de junho), dezenas de graduandos colaram grau no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Entre eles e elas, estava Isabela, minha filha, a receber o diploma de arquiteta.

      As famílias e os amigos lotaram o auditório, num momento emocionante, principalmente para muitos dos graduando(a)s que eram o primeiro membro da família a estudar numa universidade, com um detalhe a mais: numa universidade pública.

         No auditório, a maioria, assim como na sociedade, era composta de graduandos e familiares pretos e pardos ‒ um sinal evidente de transformação da universidade pública. A invisibilidade do povo nos últimos vinte anos tem sido superada; falta ainda muito chão para caminhar.

         O trabalhador e a trabalhadora que presenciaram o filho ou filha a se graduar têm motivo para ficar orgulhosos, sabendo que esse dia é um marco na vida de sua família.  

         Bolsonaro escolheu um alvo: a educação. Destruir a educação pública é a meta por ele estabelecida. Nunca foi tão atual a palavra resistir.

Resistir no Brasil, hoje, é um ato patriótico. Os professores, funcionários e estudantes têm resistido à sanha do governo federal e de seus aliados em tentar destruir a educação pública. Esse é o projeto do Bolsonaro, Paulo Guedes e Abraham Weintraub, em comum acordo com os empresários da educação privada.  

Os professores têm sido atacados de maneira sórdida pelo presidente da República e pelo ministro da Educação. Nunca os professores foram expostos como nos dias atuais em redes de televisão. Nunca o direito de cátedra foi atacado na história brasileira. Sem esse direito é impossível o exercício do magistério.

Resistir, hoje, no Brasil, insisto, é um ato patriótico. Os presentes no auditório da UFAL aplaudiram quando um graduando mencionou um certo metalúrgico que ousou expandir o ensino superior no Brasil como nunca na história republicana. Emocionou a todos no auditório.

Resistir é preciso; resistir é necessário.       

O capitão em seu labirinto

  • Redação
  • 31/05/2019 09:00
  • Geraldo de Majella

 

(*)Roberto Amaral

Assistimos domingo último a um estranho ‘protesto a favor’ de um governo e de suas políticas impopulares, das quais a desmontagem da previdência pública – saudada na Av. Paulista – é apenas um indicador perverso. Quando este texto chegar aos seus leitores o IBGE já terá confirmado, com a queda do PIB, que o Brasil de Guedes e Bolsonaro está prestes a concluir sua caminhada suicida para a depressão econômica – com tudo o que ela traz consigo, a começar pelo agravamento do desemprego, tanto mais grave quanto o ultra-liberalismo investe na desmontagem dos mecanismos de proteção social, na precarização das relações

 

de trabalho e no aprofundamento das desigualdades sociais.

As caminhadas de domingo, e destaco as aglomerações de São Paulo e Rio de Janeiro, não salvam o governo em crise (crise geral e crise específica dentro do regime), nem o precipitam no abismo, mas acentuam o consabido viés autoritário do bolsonarismo, manifesto nas palavras de ordem contra o Congresso, o Judiciário e a política em geral, e, principalmente, objetivado na reiterada, e até aqui bem sucedida tática da ação direta, mediante a qual os projetos totalitários historicamente mobilizam as massas na preparação do assalto às instituições democráticas.

Por enquanto, esse mandato não lhe foi outorgado, mas as esquerdas não serão inteligentes se considerarem irrelevantes as multidões que o bolsonarismo demonstrou poder mobilizar.

De uma forma ou de outra, as manifestações têm servido como um sistema de plebiscitos convocados ora pela oposição (que reclama por um recall), ora pelo governo, este em busca de referendo popular após menos de cinco meses de exercício. Com o apoio recebido – e outras mobilizações buscará – o governo intenta aumentar suas fichas tanto nas negociações com o Congresso quanto nos embates, pouco triviais, dentro de suas próprias hostes.

No Brasil quase simetricamente dividido (e desprovido da mediação do centro político desde que a socialdemocracia suicidou-se ao abrigar-se na direita), o segmento bolsonarista do regime optou pelo aprofundamento da cisão, campo de luta para o qual atrai a esquerda, que, desprovida de estratégia própria, dele não tem podido fugir.

Desinteressado, pelo menos por tática, pelo consenso com o qual em regra aspiram os governos nas ordens presidencialistas, o capitão aprofunda e alimenta o confronto, inclusive nas ruas (onde busca legitimação), preocupado apenas em preservar e fortalecer seu núcleo duro. Pode ser a preparação para maiores embates. Com o apoio que revelou ainda conservar, a extrema-direita aparelha-se para o confronto político nas diversas arenas e avisa à direita a impossibilidade de um bolsonarismo sem Bolsonaro. Esta pode ter sido a grande vitória do capitão, pois capaz de assegurar-lhe a sobrevida ameaçada nas ruas e na domesticidade do poder.

Há sinais de preocupação no núcleo do regime e assim deve ser entendida a procura de diálogo que eminente líder militar procura estabelecer com líderes políticos civis, inclusive do campo da oposição petista.

Em qualquer cenário, a estratégia do confronto haverá de conviver com o desancado ‘presidencialismo de coalizão’ que vem de prestar inegável serviço ao processo democrático, ensinando ao ‘bolsonarismo-raiz’ a necessidade de discutir e compor, quando compor implica limar arestas e conciliar interesses. Essa contingência, todavia, poderá transformar-se no ‘calcanhar de Aquiles’ do governo que opta pela cisão e o confronto, pedra angular de sua capacidade de mobilização de militantes levados ao passionalismo, e, assim, despreparados para composições e recuos. Um governo afinal cedente à ‘velha política’ (da qual, aliás o bolsonarismo, até como empresa familiar, é fruto) dificilmente manterá de pé as idiossincrasias dos grupos radicalizados, mas um governo que não sabe compor é um semeador de crises.

Quando a economia derrete, a alternativa do bolsonarismo é a radicalização ideológica que mobiliza suas bases populares, as quais, se não são majoritárias na sociedade, apresentam-se ainda em condições de sustentar o capitão e seu projeto reacionário e antirrepublicano. É evidente que essas massas (e nelas jamais menosprezemos o papel aglutinador dos fundamentalismos religiosos) não são tudo, pois as bases de sustentação do novo regime – de que o bolsonarismo é uma representação – vão muito além delas, envolvendo um complexo condomínio de forças que caminha da Av. Paulista ao Comando do Exército, unificando interesses heterodoxos em torno da pauta econômica, nada obstante o desconforto de setores até aqui irrelevantes da caserna com a desmontagem do Estado e o avanço da desnacionalização da economia. O fato objetivo – que se soma às características castrenses do novo regime – é a existência (despercebida até 2014) de grandes contingentes sociais conservadores facilmente mobilizáveis pelo reacionarismo político-econômico-religioso, o receituário antinacional e anti-desenvolvimentista que une o ultra-liberalismo econômico a uma vocação política autoritária reforçada na ação prática. Esta é a semente do que hoje podemos chamar de ‘bolsonarismo-raiz’, uma visão de mundo que a aparência do sucesso político do lulismo havia escamoteado, nada obstante a consciência do autoritarismo larvar que, com o escravismo, é a característica nodal de nossa formação de povo, nação e Estado.

O radicalismo, porém, tem sua alma dialética, pois a direita alimenta a reorganização popular progressista e indica caminhos à ação programática de uma esquerda orgânica, até aqui simplesmente reativa. As manifestações do dia 15 exaltam a vitória da política de frente ampla realizada nas ruas (isto é, na ação prática) pelas grandes massas, política que os partidos de esquerda ainda não conseguiram concertar, seja no Congresso, seja mesmo no embate social.

As mobilizações esperadas para o dia 30, mesmo que se limitem à defesa do ensino público e ao combate à proposta reacionária de ‘reforma’ da previdência pública, desamparando os que dela carecem, serão um passo à frente no caráter das manifestações na medida em que impliquem um grau maior de organização. Constituirão um avanço, mas ainda estarão muito longe do que se pode exigir das esquerdas brasileiras. Dessas se espera que, superando táticas puramente reativas – a simples resposta a ações e desacertos do governo que se deve combater – ingresse em uma fase protagonista, apresentando para discussão com a sociedade o seu programa de governo, em contraposição ao programa autoritário-liberal-reacionário que aí está.

A resistência às políticas do governo reacionário – papel elementar da oposição de esquerda – pede complemento na proposição de alternativas. A esquerda socialista é chamada a retomar o discurso que abandonou desde os idos eleitorais de 2002. O combate ao programa de desmonte da previdência pública é a tarefa número um da oposição, mas não deve ser levado a cabo como fato isolado, pois não são acasos, peças soltas de uma engrenagem em pane, o assalto à razão que o bolsonarismo promove com a tentativa de destruição da universidade e do ensino público de um modo geral (e com ele com a pesquisa), a subordinação de nosso desenvolvimento aos interesses estratégicos das grandes potências, a desmontagem do Estado nacional e a sotoposição dos interesses das grandes massas, as privatizações e as desnacionalizações, a desconstituição sistema de proteção social. O que está em jogo, em última linha, é o projeto de nação, de país e de sociedade bem como o papel que nele devem desempenhar as instituições democráticas.

A pergunta que não pode calar: quem mandou matar Marielle?

 

(*) Professor da PUC-RJ e ex-ministro da Ciencia e Tecnologia

 

Bolsonaro é um fardo e será lançado ao mar

  • Redação
  • 17/05/2019 11:32
  • Geraldo de Majella

O governo Bolsonaro em menos de cinco meses apresenta a validade vencida. Perdeu todas as iniciativas enviadas à Câmara Federal. Não formou uma bancada que lhe garanta sustentação. Assumiu sem plano de governo e tenta governar como se fosse um “iluminado” ou “ungido” por força celestial.

Bolsonaro é incapaz de montar uma equipe de ministros tecnicamente competentes para tocar o governo numa conjuntura de crise econômica e política. Bolsonaro nunca soube o que é organizar ou articular oposição, por um motivo simples: sempre foi deputado do baixo clero. Vociferou em nome do “porão” da ditadura militar ‒ seu nicho eleitoral ‒ e, agora, a Nação vem tomando conhecimento das suas ligações estreitas com o crime em estado puro: as milícias cariocas.

O viés ideológico, expressão utilizada à exaustão durante a campanha eleitoral, se mantém como um escudo do espadachim de subúrbio. O certo, nesses poucos meses de governo, é que a grande mídia – as três famílias, Frias da Folha de São Paulo; Mesquita do O Estado de São Paulo e Marinho, da Rede Globo – está iniciando o movimento para lançar a carga ao mar, seja lá o que isso signifique. O fato é que já são perceptíveis os movimentos.

As mobilizações de rua unificaram as tendências de oposição ‒ uma obra governamental, não há o que discutir. As centrais sindicais e todos os movimentos sociais estão se mobilizando para voltar às ruas no dia 14 de junho, para a Greve Geral.

Os apoiadores (eleitores) de Bolsonaro estão percebendo que apostaram no cavalo errado, era uma fake news. Não era um cavalo competidor, mas um pangaré.

Bolsonaro e sua família estão em “prisão domiciliar” no Palácio do Planalto. Antes de Bolsonaro ser lançado ao mar, os interesses da elite econômica, rentista e a grande mídia tentarão impor a reforma da previdência. Afinal, não se pode fazer tanto esforço para apear a esquerda do poder e agora, administrar o inadministrável. Mas diante de tantas trapalhadas e conduções erráticas, está próximo o momento em que a imensidão do mar será a alternativa mais sensata ‒ para eles, claro.

As esquerdas, a oposição no sentido mais amplo, os movimentos sociais, a juventude estudantil e trabalhadora, os trabalhadores intelectuais deverão ampliar a pressão sobre o governo Bolsonaro. Já foram oferecidos régua e compasso, como diz a canção do Gilberto Gil.

O Centrão (conjunto de deputados de várias siglas) está com muito mais força do que se imagina, e as pressões vindas das ruas no último dia 15 serviram como termômetro. Os deputados perceberam que suas bases também estão sendo atingidas pelos atos governamentais.

Os interesses das três famílias da mídia brasileira e do mercado não são os mesmos interesses dos trabalhadores e das classes média, aqui com algumas ressalvas. Mais um motivo para observarmos com lupa os movimentos no tabuleiro político.

O que é bom para os EUA nunca foi bom para o Brasil

O que é bom para essas famílias não será bom para o Brasil.

Festival de Cinema Brasileiro

  • Redação
  • 10/04/2019 11:03
  • Geraldo de Majella

(*) Maria Claudia Badan Ribeiro

Relembrando a todos vocês, envio o cartaz do lançamento do filme Codinome Clemente que estreia essa semana no Festival de Cinema Brasileiro em Paris. Este ano temos pelo menos 4 filmes ambientados na época da ditadura: Codinome Clemente de Isa Albuquerque, Marighella de Wagner Moura, A Torre das Donzelas de Susanna Lira, Pastor Claudio (Guerra) de Beth Formaggini e Deslembro de Flavia Castro.

Filmes importantes, numa época importante, em que os fatos históricos são manipulados, a militância agredida e desacreditada e a ditadura simplesmente negada e transformada, num “regime democrático forte”. Sintomático que seja na França, país do exílio de tantos militantes políticos brasileiros, que esses filmes sejam exibidos juntos. Eles ajudam também a formar uma rede de proteção e de denúncia. Precisamos do ‘lugar de fala’, mas também do lugar de “escuta”.

Em 1987 o Jornal do Brasil anunciava com ironia: que a história de Carlos Eugênio dava um enredo de carnaval. E acrescentava sobre ele: "Carlos Eugênio trocou o tom monocórdico da metralhadora soviética por um harmônico baixo elétrico. Seu aparelho agora é um amplificador”. Quem viveu essa época sabe o que foi lutar e ao mesmo tempo sobreviver sob uma ditadura.

E depois, fora dela. Para o Clemente foram seis anos ininterruptos de luta, de 1967-1973. Como escreveu Franklin Martins: “Poucos militantes participaram de tantas ações armadas naquele período (...). Poucos também foram caçados tão ferozmente como ele”. Poucos também, eu diria, foram aqueles que viveram nas entranhas as exigências da guerra.

Aqueles limites da violência que são, na maior parte das vezes, definidos pela estratégia que a própria guerra determina. Carlos Eugênio tem muitas histórias a contar, do tempo que viveu, do tempo que sonhou. A luta armada foi uma parte desta história, desta pessoa que a história e a militância pouco conhecem. E que na maioria das vezes, condena.

Quem se interessar, e estiver de viagem ou tiver amigos que morem na França, passem por lá. Precisamos de filmes como esse, para entender o que foi a ditadura, o que ela custou à sociedade, e também a este guerrilheiro, que corajoso, deu a vida como tantos outros de sua geração que não sobreviveram para contar a sua história. Ainda não sei quando chegará ao Brasil. Espero que não demore muito...

Abaixo vai parte da divulgação francesa e meu abraço.

 

Exibição : Codinome Clemente,  dia 11 de abril, quinta- feira às 20:45 h no cinema L' Arlequin. 76, rue de Rennes. Paris 75006. Metrô Saint-Sulpice.

(*) é Bacharel em Letras (italiano e francês) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Pós-Doutora pelo Instituto de Altos Estudos da América Latina (IHEAL-Sorbonne Nouvelle) e pelo Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

 

Ninguém solta a mão de ninguém

  • Redação
  • 02/01/2019 12:47
  • Geraldo de Majella

 

Há muitos anos tenho realizado o balanço anual da minha vida. Hoje, ao completar 58 anos, realizo mais um, desta vez numa situação adversa. Individualmente, estou bem, com saúde e planejando as minhas pequenas atividades pessoais e familiares, coisas sem muita importância, mas que pretendo fazer com prazer. 

            Amigos e parentes muito próximos morreram, foram embora antes do combinado; isso é doloroso, mas é uma realidade com a qual devemos conviver. Essas perdas demoram até ser assimiladas. Esse é um item do balanço que devo colocar na coluna das perdas pessoais e afetivas, mas que permanecerão nas minhas recorrentes lembranças.

            O ganho mais significativo diz respeito à Isabela, minha filha, que se graduou em arquitetura e concluiu uma etapa importante de sua vida, mas que a partir de agora terá pela frente outras etapas. Após um círculo concluído, outro inexoravelmente será aberto.

            O resultado computado da minha vida pessoal e familiar foi extremamente positivo, sem queixas, posso dizer. O balanço político de 2018 é pesaroso; aliás, os últimos anos, desde 2015, não têm sido nada positivos para o Brasil. Tem crescido na sociedade a busca autoritária como forma de encaminhamento político e econômico; é uma onda fascista que tem se ampliado e prenuncia tempestade. 

O mundo, em vários países na Europa e nos EUA, bem como em outros continentes, tem presenciado espasmos autoritários de inspiração fascista. É a globalização do autoritarismo em tempo real, percebida em sociedades, até então, democráticas e tolerantes com as diferenças, receptivas aos imigrantes e refugiados. Mas, de uma hora para a outra, são eleitos governantes de formação autoritária que se voltam contra os refugiados políticos, de guerras, econômicos, étnicos. 

Os muros vergonhosos vão sendo erguidos em nome da garantia dos empregos e como meio de evitar o terrorismo. Milhares de crianças e adultos são mortos afogados, numa tentativa desesperada para sobreviverem à fome, à guerra e ao genocídio em seus países e buscam territórios onde tenham paz, comida e trabalho, coisas básicas e essenciais para os seres humanos. Os que sobrevivem são alojados em campos de concentração, quando não impedidos de viver em países da Europa e nos EUA.  

O Brasil, historicamente, é um país aberto à imigração e aos refugiados. Somos uma nação formada pela multiplicidade de etnias e povos; um povo onde há sangue de quase todas as nações do planeta ou de grande parte dele.

Os brasileiros que pensam como eu perdem uma eleição, mas não o sentido de humanidade. Essa derrota eu não sofri; continuarei a luta por uma nação democrática, onde haja justiça, mesmo que no momento parte dela esteja de olhos vendados. Devemos continuar lutando por justiça e nos mobilizarmos para manter a democracia, mesmo que seja apenas representativa. Não há nada melhor que a democracia.

O clima de intolerância e ódio que tomou conta do Brasil me fez lembrar uma canção da cantora argentina Mercedes Sosa: “Eu só peço a Deus/ Que a dor não me seja indiferente/ Que a morte não me encontre um dia/ Solitário sem ter feito o que eu queria”.

A resistência ao autoritarismo está sendo gestada; não vai demorar e estaremos de volta às ruas ‒ o nosso campo de luta e o lugar de onde não nos devemos afastar. Em 2019, ninguém solta a mão de ninguém.

1ª Maragofli homenageia os escritores Dirceu Lindoso e Chico Buarque

  • Redação
  • 10/12/2018 14:29
  • Geraldo de Majella

 

As festas literárias em Alagoas iniciaram-se em 2006 com a Flipenedo, quando eu e Carlito Lima a organizamos, contando com a participação de 28 escritores. Entretanto, não houve sequência. Em seguida, a prefeitura de Marechal Deodoro criou a Flimar, que ganhou dimensão nacional, coordenada pelo escritor Carlito Lima. Palmeira dos Índios realizou uma edição em 2017, e não foi à frente. Arapiraca lançou a sua primeira Fliara.

Maceió realizou festas literárias nos bairros: em 2017 e 2018, no Pontal da Barra; em 2018, no Graciliano Ramos e Jacintinho. Para 2019 estão programadas seis festas em bairros da capital.  

A histórica cidade de Maragogi, no litoral norte de Alagoas, lançou a 1ª Maragofli, e o escritor Carlito Lima foi convidado pelo prefeito Fernando Sérgio Lira para prestar consultoria à prefeitura. A experiência e a sensibilidade como poeta e editor do prefeito contribuíram muito para o êxito da festa literária.

 A 1ª Maragofli ocorreu entre 5 e 7 de dezembro, como uma festa literária aberta ao público, mas que teve o seu início meses antes, nas salas de aulas das escolas da rede municipal de ensino. A escolha dos homenageados, o historiador e escritor Dirceu Lindoso e o compositor e escritor Chico Buarque de Holanda, foi importante no processo de mobilização dos diretores, professores e alunos.    

O livro e a música, a memória e a história ganharam mais sentido e pulsaram com mais vida nas interpretações feitas pelos alunos e professores, como resultado do trabalho coletivo apresentado na praça Batista Accioly.  

O entusiasmo se refletiu ainda mais durante as encenações teatrais produzidas pelos professores e alunos num teatro em praça pública. Os temas foram as letras musicais, o contexto e as metáforas utilizadas por Chico Buarque para burlar a censura durante a ditadura militar.  

A Maragofli contou com a participação dos escritores Dirceu Lindoso, o homenageado, do historiador Geraldo de Majella, do cronista Carlito Lima, do poeta Charles Cooper, do juiz de direito Alonso Filho e do poeta e prefeito Fernando Sérgio Lira, que falaram para centenas de pessoas presentes na tenda instalada na praça Santo Antônio, no centro de Maragogi.

A cantora Wilma Araújo e sua banda apresentaram-se na abertura da festa, interpretando canções de Chico Buarque. Nos outros dias, shows de Mattos Mendonça e William Miranda. As tendas armadas na praça Batista Accioly teve a participação de Damiana Melo e Sidney Sá, do Grupo Cia Literando, e apresentação do Samba de Matuto e do Bumba Meu Boi.

O objetivo da Maragofli foi alcançado. É esta a proposta de uma festa literária que mobiliza a escola, apresenta o livro como objeto de primeira necessidade e contribui para a formação de novos leitores.

Tem sido comum a mídia noticiar que livros são essenciais e que ler faz bem. Há casos de governos estaduais e prefeituras distribuírem com os professores um “vale livro” ou “cartão” específico para adquirirem livros em festas, feiras e bienais. A realidade local é outra; diante da crise a que o país se acha submetido, iniciativas dessa natureza são um ponto fora da curva.

 O envolvimento das secretarias de Educação foi importantíssimo e decisivo. Sem a compreensão e o envolvimento pessoal dos secretários de Cultura e Turismo a festa não teria sido o sucesso que foi. 

O prefeito Fernando Sérgio Lira ao encerrar a 1ª Maragofli anunciou o próximo homenageado: Ariano Suassuna, escritor e dramaturgo paraibano.

Salve a Maragofli!

 

Xadrez da política hoje Alguns movimentos previsíveis, em conformidade com o atual quadro das pesquisas e o posicionamento dos principais jogadores.

  • Redação
  • 25/09/2018 15:42
  • Geraldo de Majella

 

Homero Fonseca (*)

1 — A partida vai ser resolvida no segundo turno.

2 — Bolsonaro estará dentro, beneficiado pela facada e pelo antipetismo massificado pela mídia. Como sempre nesses momentos, os liberais mandam os escrúpulos às favas e fecham com a extrema direita.

O apoio no segundo turno envolverá o seguinte acordo num eventual governo: Bolsonaro fica como figura decorativa, fazendo momices nas redes sociais para entreter seu eleitorado (como Trump, nos EUA), enquanto Paulo Guedes junto com o “Mercado” cuida da economia, aprofundando o liberalismo selvagem e os retrocessos sociais do governo Temer, e o general Mourão assume o governo de fato, com ênfase na repressão aos movimentos sociais.

3 — Liberais envergonhados e ex-esquerdistas com problemas de consciência (que no primeiro turno votaram em Alckmim ou Marina), proclamam o voto nulo ou branco, tentando sair bem na fotografia enquanto abrem caminho para a eventual ascensão da extrema direita.

4 — A esquerda oscila entre Haddad e Ciro e, dependendo de como mover as peças na atual etapa (abrindo ou fechando as portas para uma coligação inteligível ao povão na segunda rodada), poderá ganhar as eleições ou se ferrar.

Homero Fonseca é jornalista, blogueiro e escritor. Foi editor da revista Continente (2000–2008). Autor do romance "Roliúde" (Record, 2007), entre outros livros.

 

 

Civilização ou barbárie?

  • Redação
  • 24/09/2018 11:52
  • Geraldo de Majella

 

Postado em set 21, 2018 em Artigos Roberto Amaral, Capa

O quadro de outubro próximo, visto pura e simplesmente do ponto de vista eleitoral, ou seja, na sua aparência, ensejará, a escolha entre o capitão e a alterativa representada por Fernando Haddad ou Ciro Gomes.

Na primeira hipótese, teremos a transição, pela via eleitoral (anunciada para o segundo turno), do Estado autoritário para a ditadura fascista, aqui (como em toda parte) apoiada, em suas origens, por grandes contingentes populares (açulados pela grande imprensa e pelo neopentecostalismo primitivo) e por poderosos setores econômicos e militares, espalhados nas tropas e nos comandos entre oficiais superiores da reserva (os mais falantes) e da ativa.

O caráter politico-ideológico de nossos dias (inédito na vida republicana, seja pela contundência do discurso da extrema-direita, seja pelo apoio popular por ele alcançado) repete as características gerais das experiências do fascismo – cujo centro é a violência e a irracionalidade que conheceram seus extremos com o nazifascismo na primeira metade do século passado, medrando em uma Europa e uma Ásia abertas ao totalitarismo. Deu no que deu. Em face daquelas experiências, todavia, a ameaça representada pelo crescimento eleitoral do capitão traz o ineditismo de rejeitar alguns dos tópicos mais sagrados do catecismo fascista, a saber, a defesa do Estado e a pregação nacionalista, o que aumenta a surpresa com a qual é recebido o apreço que lhe dedicam as Forças Armadas que, também entre nós, sempre perfilaram o discurso de defesa dos interesses nacionais, incluindo as soberanias econômica e política.

Na segunda hipótese, pela qual lutamos, isto é, a eleição de Haddad ou Ciro, não obstante a vitória eleitoral, poderemos ou não haver assegurado a continuidade da via democrática. É o ponto de partida, essencial, conditio sine qua non para a restauração democrático-representativa, mas estaremos ainda muito distantes do ponto de chegada. Pois o novo presidente precisará ganhar – política e eleitoralmente – em condições de poder tomar posse (que estará ameaçada como estiveram as de Getúlio, de JK e de Jango), e, uma vez empossado, precisará de forças e poder governativo, o que, por exemplo, não foi dado ao Getúlio Vargas das eleições de 1950, a João Goulart (recomendo a leitura de 1964 na visão do ministro do trabalho de João Goulart, Almino Affonso) em 1961 e, mais recentemente, a Dilma Rousseff.

A ex-presidente, consabidamente, começou a cair (condenada à ingovernabilidade como passo preparatório para o impeachment) quando sagrou-se vencedora por pequena margem de votos, e teve a legitimidade de sua vitória, límpida, contestada pelo PSDB, herdeiro da tradição golpista levada ao extremo entre nós pelo lacerdismo e pela UDN. Adita-se, como igualmente uma consequência da vitória parca em votos, de que resultou a minoria parlamentar, a atuação desastrada do governo na eleição para a presidência da CD daquele ano, em que se sagrou vencedor, e poderoso, em todos os sentidos, o meliante Eduardo Cunha. Essa contestação, no caso das eleições deste ano, já foi pré-anunciada, em dobradinha, pelo comandante do Exército e ecoada pelo seu candidato. O general Villas Boas, em entrevista ao Estadão (9/9/2018) declara, sem rebuços nem meias palavras, que a “Legitimidade de novo governo pode até ser questionada”. Por quem, cara pálida? Diz o general que se o capitão não for eleito poderá dizer que sua campanha foi prejudicada pelo atentado e, por outro lado, os eventuais derrotados poderão alegar que o vitorioso foi beneficiado pelo atentado. Ou seja: a legitimidade será contestada por quem perder e, como sempre haverá um perdedor… E, em tal hipótese, a que papel se reservam as tropas comandadas hoje pelo general Villas Boas? Contestação daqui, contestação dali…

Do seu leito de hospital, o capitão candidato do general já declara que sua derrota será o atestado de uma rotunda fraude eleitoral, e anuncia, desde já, suas suspeitas relativas ao sistema fundado das urnas eletrônicas, vigente desde as eleições de 1996, e por meio do qual ele mesmo se elegeu cinco vezes, e outras vezes, em seu nepotismo eleitoral, já elegeu dois ou três filhos. Em síntese e em resumo, é não apenas fundamental interromper a caminhada do capitão, mas impor-lhe uma derrota eleitoral que, pelos seus números, ateste a consagração, pelo país, da via democrática, tão arduamente reconquistada em 1985 após 21 anos de ditadura militar, com todo o seu elenco característico de violações: supressão das liberdades, imposição da censura, cassações de mandatos eletivos, atentados terroristas, prisões, sequestros, tortura e assassinatos, ademais de corrupção larvar.

Por isso mesmo os candidatos do campo democrático precisam assumir a responsabilidade de identificar o adversário comum. Antes de mais nada, Haddad e Ciro devem evitar a autofagia que só beneficiará o inimigo de todos, o projeto fascista, e assim fugir da idiotice levada a cabo pelos marqueteiros de Dilma Rousseff que, em 2014, demonizando e desconstituindo a candidatura de Marina Silva, levaram seu eleitorado e o de Eduardo Campos para o colo de Aécio Neves, com os resultados conhecidos.

Desta feita, porém, está claro como a luz do dia que o país está sendo chamado para decidir entre democracia e fascismo, entre civilização e barbárie, e todos estamos sendo postos em face de uma definição que não comporta dúvida, tergiversações e meios termos. Não há espaço para um ‘centro’ politicamente autista, indiferente ao futuro do país: todos seremos responsáveis pelo governo que a voz das urnas ditará em outubro.

A mobilização emocional, a característica da presente campanha de Haddad, pode cativar votos, o que é vital no processo eleitoral, mas não assegura a mobilização das massas no segundo tempo inevitável, o da governabilidade. Para tal, os discursos de campanha dos candidatos do campo democrático não podem abdicar da politização, da defesa clara de teses e da exposição igualmente clara dos desafios que aguardam o futuro governo, a saber, se se tratará, como desejamos, de um governo tão forte quanto necessário para enfrentar os arreganhos das vivandeiras dos quartéis e a insaciabilidade das forças econômicas retrógradas.

O governo democrático que nascer das urnas precisará estar fortalecido, política e eleitoralmente, vale dizer, carecerá do apoio claro e manifesto das grandes massas, para adquirir condições de realizar o compromisso, a ser assumido claramente na campanha, de, garantindo o império da democracia e da Constituição (o que também significa fazer retornar certos Poderes às suas ‘caixinhas’), revogar as medidas antipopulares e antinacionais do governo ilegítimo, que vive, desde o nascimento, seus estertores.

Para isso nosso governo precisará de capacidade de negociação com as forças políticas – como logrou Juscelino, enfrentando seguidas insurreições militares e seguidas tentativas de impeachment –, mas, nas circunstâncias atuais, precisará, acima de tudo, e até para lograr a construção de uma base político-partidária, do apoio das massas, que, mobilizadas no processo eleitoral, deverão permanecer mobilizadas durante todo o governo, sustentando-o (o que Dilma Rousseff não logrou), e assegurando-lhe condições objetivas de realizar as promessas de campanha, sem o que nada terá valido a pena.

O novo governo, que necessita ser um governo forte, e somente será um governo forte se respaldado, repito mil vezes, em manifesto e sistemático apoio popular, não poderá descartar, como segurança para sua estabilidade e força para a realização de seus compromissos, a convocação e realização de consulta plebiscitária sobre seu projeto, apresentado claramente na campanha eleitoral, fortalecendo-o, assim, em face, por exemplo, de um Congresso hostil e de um Poder Judiciário extraviado dos limites constitucionais, extravasando os limites de sua competência.

O apoio popular, organizado, ativo, será a defesa e o ataque em face de uma imprensa sem compromissos éticos, e de uma ordem partidária falida, como o atestam a ascensão do candidato fascista (amparado em um partido de existência apenas jurídica, mas sustentado pelas estruturas militares espalhadas país afora) ), o desmilinguir-se do candidato tucano e a irrelevância do candidato do ex-PMDB, que já foi de Ulisses Guimarães – o estadista das ‘Diretas-já’ e da ‘Constituição cidadã’, e hoje é um valhacouto chefiado por Michel Temer, o energúmeno.

Roberto Amaral

*

A chantagem de sempre – Grita em manchete de sua página B1 o Estadão: “ Influência eleitoral. Disparada da moeda americana reflete a preocupação dos investidores com o rumo das eleições, que também levou a Bolsa a recuar 0,58% e fez os juros futuros registrarem máximas, com taxas de 10% em janeiro de 2021”.

Marielle, sempre – Quando a polícia fluminense e a força militar interventora anunciarão os nomes dos mandantes e dos executores do assassinato da vereadora Marielle Franco? Ficaremos esperando, assim de braços cruzados, até que chacina caia no esquecimento? O PSOL, pelo menos, poderia nos dizer o que está fazendo.

Estratégia petista- Aguarda-se que o PT explique as estratégias adotadas para as eleições para governador de São Paulo e Rio de Janeiro.

 

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Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

Dez razões para votar em Ronaldo Lessa

  • Redação
  • 30/08/2018 10:19
  • Geraldo de Majella

Alagoas precisa eleger um deputado federal comprometido com a democracia, com o desenvolvimento, com a inclusão social, e que defenda a soberania nacional, a indústria nacional e os trabalhadores no Congresso Nacional.

        Essas causas, Ronaldo Lessa vem defendendo. Os alagoanos devem renovar o seu mandato como deputado federal, em outubro de 2018.

        Eis as dez razões pelas quais voto em Ronaldo Lessa:

   

  1. Ronaldo Lessa, durante os dois mandatos em que governou Alagoas [1999-2003 e 2003-2006], nomeou secretários de segurança que não tinham ligação com o crime organizado, fato raro na história republicana em Alagoas.   
  2. Ronaldo Lessa decidiu, no primeiro mês como governador, que haveria de reduzir a mortalidade infantil, que era de 72 crianças nascidas por mil, para 41,1. Essa tragédia que se abatia sobre as famílias mais pobres e em condições de vulnerabilidade foi enfrentada com a mobilização dos prefeitos, secretários municipais de saúde, ONGs, igrejas e o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ronaldo Lessa, antes de concluir os mandatos, foi premiado pela Unicef pelo trabalho extraordinário que resultou na redução da mortalidade infantil.
  3. Ronaldo Lessa reconstruiu Alagoas, destroçada durante o governo Divaldo Suruagy.
  4. Ronaldo Lessa lutou e conseguiu com que o governo federal construísse o aeroporto internacional Zumbi dos Palmares.
  5. Ronaldo Lessa construiu o Centro de Convenções Ruth Cardoso.

Essas obras sociais e físicas são importantes para Alagoas e para os alagoanos.

Como deputado federal Ronaldo Lessa tem sido um parlamentar que prioriza a agenda do desenvolvimento com inclusão social:

  1. Defesa da Petrobras como empresa nacional
  2. Defesa da indústria e da engenharia nacional
  3. Defesa dos serviços públicos e dos servidores públicos
  4. Votou contra a reforma trabalhista
  5. Votou contra a reforma da previdência social

Alagoanos, essas são as dez razões pelas quais votarei em Ronaldo Lessa (PDT), 1212, para deputado federal e o indicarei.

Para presidente, voto e indico Ciro Gomes (PDT), 12.

 

Paulinho da Viola, O PCB e as Eleições

  • Redação
  • 10/08/2018 23:45
  • Geraldo de Majella

Em 1985, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) me designou para encontrar o cantor carioca Paulinho da Viola, que estava em Maceió, onde realizaria um show. Fui com o jornalista Rubens Jambo, na época repórter da Tribuna de Alagoas, e o psicólogo Luciano Aguiar, os três membros do partido, para entrevistar o cantor e pedir uma declaração de apoio ao candidato comunista a prefeito de Maceió, Nilson Miranda.

Antes, eu havia telefonado para o dirigente nacional do PCB Givaldo Siqueira, que me orientou a falar com Paulinho da Viola em seu nome. Fomos até o hotel na praia de Pajuçara, onde estava hospedado o cantor e os músicos que o acompanhavam, inclusive seu pai, o violonista César Faria.

A entrevista, um pingue-pongue, foi publicada com destaque na Tribuna de Alagoas; como ilustração, Paulinho da Viola vestiu a camisa do candidato do PCB, declarando sua vinculação desde a juventude com os comunistas cariocas.

Era o segundo encontro com o cantor, o primeiro havia sido num pequeno auditório do Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção de São Paulo, em 1980, quando Paulinho da Viola, João do Vale, Noca da Portela e outros artistas iriam se apresentar na 1ª festa do jornal Voz da Unidade, mas que fora proibida pelo delegado do Dops paulista, Romeu Tuma. A festa seria realizada no Clube de Trote da Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo.

Passados trinta e três anos, estou novamente indo assistir a mais um show de Paulinho da Viola. Desta vez, ele apresenta Beatriz Rabelo e o Bloco do Amor.

Salve Paulinho da Viola!

Salve a Portela!

Saudações cruz-maltinas.     

 

SERVIÇO

Data: 11/08/2018 - Sábado 
Local: Teatro Gustavo Leite
Endereço: Rua Celso Piatti, s/n – Jaraguá/ Maceió
Horário do evento: 20h 
Abertura dos portões: 21h 
Classificação etária: 14 anos. Menores a partir de 12 anos podem entrar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais. 

Alguma coisa acontece no meu coração

  • Redação
  • 01/08/2018 15:07
  • Geraldo de Majella

O desemprego é a face mais cruel do momento por que passa o Brasil. A cidade de São Paulo é onde a maior expressão dessa tragédia se descortina. Não me foi necessário consultar os sites do IPEA e da CAGED para pesquisar os indicadores econômicos. Caminhei durante sete dias pelas ruas da cidade. Iniciei o passeio na praça da Sé; ao sair do metrô me deparei com uma multidão de homens, mulheres, crianças e adolescentes pedindo qualquer coisa ‒  dinheiro, comida, agasalho ‒, deitados pelo chão da praça, sentados e tomando sol na escadaria da suntuosa Catedral.

Esses seres humanos estão vagando sem perspectiva de vida, estão abandonados e possivelmente não terão chances, pelo menos a maioria, de sair da condição de pedintes, desempregados e abandonados. É uma tragédia humanitária, com milhares de trabalhadores que não tiveram condições de pagar o aluguel e sobreviver minimamente com dignidade, trabalhando no emprego formal ou no subemprego. Vivem nas ruas.

Os laços de família vão sendo rompidos. As ruas, praças, viadutos e pontes são os seus endereços, as novas moradias. Não têm código de endereçamento postal (CEP) nem são encontrados pelos familiares que desejem resgatá-los. Estão vivendo da caridade de setores religiosos que têm se dedicado a minorar as agruras da população de rua e que os defendem. O Estado (prefeitura e governo estadual) oferece a repressão, o confisco dos seus cobertores que os protegem das noites geladas de São Paulo. Essa é a política pública.     

    

       Caminhei pelas ruas do Centro, Luz, Bom Retiro, Liberdade, Santa Cecilia, Barra Funda , Pompeia, Vila Buarque, Parque Dom Pedro e a avenida Paulista. Em todos esses lugares me deparei com pessoas vivendo nas ruas. Conheço São Paulo desde 1980 e não me recordo de tamanha tragédia.   

No Largo do Paissandu os sobreviventes do incêndio e do desmoronamento do prédio da antiga sede da Polícia Federal moram em barracas de lona sob o frio intenso. São homens, mulheres, crianças e adolescentes sem perspectiva de encontrar um teto para morar, pelo menos protegidos das intempéries da natureza. Resistirão até quando?

A paisagem atual de São Paulo é da miséria e do desassossego. Mais uma vez a poesia de Caetano Veloso, em Sampa, simboliza a vida cotidiana “do povo oprimido nas filas/ nas vilas, favelas / Da força da grana que ergue / e destrói coisas belas /
Da feia fumaça que sobe, / apagando as estrelas”.

A alternativa não pode ser o conformismo, o caminho que teremos de caminhar é o da luta contra a miséria, contra o capitalismo, pelo emprego e por dignidade, pela inclusão social. Antes que o buraco cresça ainda mais e drague todos nós.  

Literatura-ostentação

  • Redação
  • 21/07/2018 09:04
  • Geraldo de Majella

Homero Fonseca

Entraram no apartamento. Ele dirigiu-se ao bar, enquanto ela passava em revista a sala, detendo-se atenta num quadro de John Jaspers. Ele põe no som uma ópera de Gluck, abre uma garrafa de Châteux Pétrus 2004 e…

Inventei esse trechinho de um conto ou romance aí de cima para exemplificar o que chamo de literatura-ostentação. A toda hora me deparo com coisas assim na ficção. E me pergunto:

– O que estão fazendo aí o quadro do pintor pouco conhecido, a ópera do compositor idem e a marca e o ano do vinho caro?

– São informações essenciais ao leitor?

– Podem ser suprimidos sem nenhum prejuízo à narrativa?

Se a resposta às perguntas for: não estão fazendo nada, não são essenciais e podem ser suprimidas, devemos acrescentar mais uma pergunta:

– O que querem aquelas informações transmitir ao leitor?

Possivelmente pretendem dizer de uma forma bem clara o nível de sofisticação do personagem. Resta então uma última pergunta:

– O fato de se tratar de um personagem sofisticado é relevante para a história? (Isto é, obriga-o a agir de uma forma e não de outra, a pensar de um modo e não de outro, de maneira a determinar os fatos narrados?)

Aí, nós, leitores, temos de concluir a leitura da peça (conto ou romance) para avaliar isso. Se novamente a conclusão clara for de que podemos riscar o trecho sem qualquer consequência para o texto, então estamos diante de um caso de literatura-ostentação. É quando o escritor envia sinais de fumaça para os muito cultos e sofisticados. Uma senha para dizer que ele, o autor, pertence — e tem orgulho de pertencer — àquela tribo. E quando o camarada desanda a citar escritores consagrados, dana-se tudo.

Ora, poupem-nos, a nós leitores, dessas demonstrações tão pouco sutis. Escritor vezeiro em exibir seu capital cultural parece novo rico arrotando suas grifes. A diferença é de nomenclatura. Em lugar de Armani, Ferrari e Mont Blanc: Barthes, Chklovsky, Derrida.

Tal como existe o funk-ostentação, há quem cultive a literatura-ostentação.

 

(*) Homero Fonseca é jornalista, blogueiro e escritor. Foi editor da revista Continente (2000–2008). Autor do romance "Roliúde" (Record, 2007), entre outros livros.

 

 

Audálio Dantas agora é rio

  • Redação
  • 27/06/2018 22:15
  • Geraldo de Majella

Ontem (26/6) cruzei a ponte sobre o rio São Miguel, em Tanque d’Arca, a caminho de Palmeira dos Índios. Todas as vezes que passo nessa localidade, a lembrança de Audálio é imediata. Tanque d’Arca, para mim, associa-se ao nome do jornalista e escritor Audálio Dantas.

O rio São Miguel tem a sua nascente no município de Mar Vermelho. Há cerca de dois anos estive no olho-d’água que forma o rio e que desce a serra em direção a Tanque d’Arca, cortando os municípios de Marimbondo e Anadia, antiga sede municipal de onde foram desmembrados esses municípios em 1961.

O São Miguel hoje é um rio com pouca vazão; enchente mesmo só no período das chuvas, que tem início em junho. O rio corre em direção ao mar, mas antes forma o delta com a lagoa do Roteiro, em Barra de São Miguel, e se encontram com o oceano Atlântico.

“Seo” Audálio agora é rio, como disse Juliana Kunc. E para mim, todas as vezes que voltar a cruzar o rio São Miguel lembrarei que em suas águas corre o destemido Audálio Dantas em direção ao Atlântico.

Segue as águas do rio São Miguel e vira peixe, e como peixe se multiplicará em nome da liberdade.