Geraldo de Majella

Fora Nazista

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Fora Nazista

O discurso nazista ganhou forma na voz do secretario especial de cultura, Roberto Alvim. Essa gente vem testando o discurso autoritário, o objetivo é sentir a reação da sociedade brasileira.

As comunidades judaica brasileira e internacional devem reagir, os demais setores democráticos da sociedade brasileira, tem a obrigação de rechaçar o discurso nazista do secretario especial de cultura.

  Goebbels já havia dito coisa bem parecida no auge do nazismo. "A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada".

Fica o alerta para os democratas: devemos lembrar que soldados brasileiros derramaram sangue em campos europeus combatendo o nazismo e o fascismo na Segunda Guerra Mundial [1939-1945].

O ovo da serpente vem sendo chocado no ninho dos extremistas brasileiros.  

Não podemos deixar a serpente crescer.

Geraldo de Majella

  

Ao completar 59 anos, um rápido balanço [Vou imprimir novos rumos ao barco agitado que foi minha vida]

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Eu nasci em Anadia (AL), no dia 2 de janeiro de 1961. O parto foi normal, e como todos ou quase todos nascido no interior, fui assistido pela parteira Nina Chagas ‒ minha segunda mãe, assim eu a considerava. Meus pais moravam à época na rua Cel. Costa Nunes, antiga rua Nova, 333.

        A minha vida não foi, nem é marcada pelo sofrimento. As dificuldades pelas quais passei não têm nada de extraordinário. Conheço muita gente que comeu e ainda come o pão que o diabo amassou.

É inegável que tive perdas que me marcaram: a morte dos meus pais, da minha única irmã, do meu tio Jonas, de amigos queridos e fraternos ‒ eram irmãos, muitos de copo e de cruz, e de identidade política e ideológica.

        As adversidades ajudam e podem servir de plataforma de superação e também como ensinamento de vida.

Não sou o tipo que fica pensando no passado como se dele quisesse modificar situações que vivi, onde ganhei e perdi. O meu tempo é o tempo presente. Ou como diz Paulino da Viola: “O meu mundo é hoje; não existe amanhã pra mim”. O passado serve como uma referência e me faz bem.

        Em 59 anos de vida, muitas vezes me vi derrotado. Esses momentos nunca foram de longa duração. Encontrei forma e maneira de superar e arquivar a derrota. Não quero dizer com isso que os tenha esquecido, mas extraí deles algum ensinamento. A minha vida foi até aqui comum, quase besta.

        O dinheiro nunca foi um objetivo; como disse Caetano Veloso: “não me amarra dinheiro não, mas formosura”. O que atrai e me encanta são as belezuras da vida, as coisas simples que emergem na literatura, na música, na dança, nas artes de um modo geral, e nos esportes.

        Mais vale para mim uma roda de boas conversas do que bolar planos para ganhar dinheiro, para me tornar em mais um rico. Ganhei muito mais entre os amigos. Sinto-me tão feliz assim que as pessoas não são capazes de imaginar, nem mesmo os que estão próximos.

        Lembro-me de minha mãe a me dizer em tom de reprimenda: “você só anda com doido”. Anos depois li Nise da Silveira, uma extraordinária cientista alagoana, que disse: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas. É necessário se espantar, se indignar e se contagiar; só assim é possível mudar a realidade”.

        E cada vez mais o meu olhar para além da política se volta para a vida comum das pessoas. Tenho lentamente repensado a vida e procuro uma nova maneira de viver, muito diferente daquela como vivi. Trabalhei fichado durante 39 anos na iniciativa privada e no serviço público; hoje posso dizer que adquiri a minha carta de alforria, não tenho patrão, nem chefe. Sou um homem livre.

Tenho procurado fazer coisas simples, como sempre fiz em minha vida. No momento, inspiro-me em Paulinho da Viola, que canta versos lindos na canção “Novos Rumos”. Dizem assim: “Vou imprimir novos rumos/ Ao barco agitado que foi minha vida/ Fiz minhas velas ao mar/ Disse adeus sem chorar/ E estou de partida/ Todos os anos vividos/ São portos perdidos que eu deixo pra trás/ Quero viver diferente/ Que a sorte da gente/ É a gente que faz”.

        Muita gente com quem me relaciono na virada de cada ano planeja o ano que se inicia, estabelece metas; são semelhantes a empresas privadas. Alguns amigos e amigas têm a ousadia de estabelecer metas mensais. Eu, nesse quesito sou um fracasso; uma ou duas vezes que me propus planejar, não cumpri nada, absolutamente nada. Esqueci-me de tudo como se estivesse acometido de alguma demência.

        Nessa altura da vida, sinto-me livre de compromissos profissionais, da chatice burocrática, das intrigas palacianas e de bajuladores. Estou em pleno gozo da liberdade, não preciso medir as palavras antes de falar. E tão importante quanto, não preciso prestar contas dos meus atos e atividades.  

        Jamais me imaginei nesse estado de liberdade pessoal. Acordo e não tenho agenda ou reunião. Acordo cedo, mas para caminhar na orla: essa é a minha única obrigação. Trata-se de uma prescrição médica.  

        Os meus compromissos, a maioria marco no entorno da minha casa, no bairro, em sorveteria, café, botequins. O meu traje social é camiseta, bermuda e chinelo. Planilha, prestação de contas, assinatura de documentos, despachos, nada disso voltará, assim espero, a dirigir os meus destinos.

        Definitivamente não quero, por opção, conviver com chatos(as) e mal-humorados(as). Quero e planejo viver e conviver com gente saudável, pra cima, de bom astral. Esse é um projeto em construção. O resto pode se danar, ou como disse o poeta Vinicius de Moraes: “Eu caio de bossa/ Eu sou quem eu sou/ Eu saio da fossa/ Xingando em nagô./ Você que ouve e não fala/ Você que olha e não vê/ Eu vou lhe dar uma pala/ Você vai ter que aprender/ A tonga da mironga do kabuletê [...]”.

Em 2020 vou trabalhar e me juntar cada vez mais com os que querem derrotar politicamente essa besta que governa o Brasil. Em breve nós o xingaremos em nagô; que ele e sua turma vão pra tonga da mironga do kabuletê.

O que eu mais desejo na vida é envelhecer vivendo num Brasil democrático e com o povo com direito a comida, a trabalho, a moradia, a poder se aposentar e viver alegre, sambando e dançando em todos os ritmos.

Esse é o Brasil com que eu sonho.

 

  

 

Carta ao PDT

Maceió, 23 de dezembro de 2019

Companheiro Ronaldo Lessa:

         A nossa amizade e o nosso companheirismo vêm desde quando você retornou a Alagoas no final da década de 70. Estivemos em partidos diferentes, mas lutando pelas mesmas causas: o fim da ditadura, a consolidação da transição democrática e as mudanças em Alagoas, muitas delas operadas a partir da prefeitura de Maceió na sua gestão e na gestão de Kátia Born; e também no estado, quando você governou Alagoas.

         Estivemos juntos durante quase vinte anos no PSB. Você foi para o PDT e vem contribuindo com a organização partidária, além de ter exercido o mandato parlamentar como deputado federal, marcado pelo combate em prol dos interesses da população mais pobre, dos trabalhadores (as) e pela defesa da indústria e da empresa nacional.

         Eu me filiei ao PDT com o propósito de continuar contribuindo minimamente com o partido em Alagoas. Nunca fui varguista; aliás, mantenho muitas reservas em relação ao antigo ditador. Tampouco fui janguista ou brizolista.

         A minha filiação ao PDT se deve à conjuntura local. Muito embora tenha votado em Ciro Gomes e feito campanha para ele, não concordo com as atitudes beligerantes e desqualificadas que Ciro Gomes vem assacando contra frei Leonardo Boff, os jornalistas Paulo Moreira Leite e Kiko Nogueira, para ficar tão só nesses casos.

         O fato de o candidato do PDT à presidência da República se negar a participar da articulação de uma Frente Ampla com os partidos de esquerda e movimentos sociais é, para mim, o motivo principal para a minha desfiliação. Eu poderia elencar outras diatribes do pedetista.

A última ocorreu no sábado, dia 21, quando, visivelmente embriagado, bateu boca com um grupo de torcedores em Fortaleza. Definitivamente não será esse o meu candidato a presidente da República.

Ronaldo, quanto às eleições locais, estamos juntos.

Um forte abraço.

Geraldo de Majella

  

Maceió em Guerra: exclusão social, segregação e crise da segurança pública

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Prefácio

Este é um livro de um combatente e de um intelectual ansioso por iluminar aspectos silentes do passado e do presente de Alagoas. A riqueza do livro ora em mãos tem diferentes fundamentos. Está nas reflexões e lembranças de quem viveu os acontecimentos abordados com os próprios olhos e esteve entrelaçado diretamente a alguns deles. Ademais, baseia-se também em fatos da memória transmitida por sua família, mesmo que o autor não o haja explicitado. Como obra de um combatente, é um livro que mostra e reforça seu engajamento com alguns lados, e nos oferece fatos pouco conhecidos, mas fundamentais, da história político-partidária e das políticas de segurança de Alagoas.

Com uma escrita ágil e direta, quase “jabs”, na linguagem do boxe, Majella faz algo que parece urgente ao conhecimento das novas gerações alagoanas e aos de “fora”, que, como eu, anseiam por entender melhor os rumos que têm tomado as sociedades alagoana e brasileira. Traz à superfície e relembra eventos que nos ajudam a iluminar tradições de conflitos mortais que ainda se reproduzem intensamente em Alagoas, mas têm sua gênese nos recônditos de um passado silenciado, ou nunca visitado. Faltam ainda mais reflexões histórico-sociais que permitam servir de referência ao debate público, às ações públicas, sejam elas de movimentos sociais ou políticas públicas, sobre os caminhos que nos levaram da violência engendrada no “mundo da cana”, nos sertões e nas matas àquelas das “periferias” alagoanas.

O desconhecimento do passado, parte dele recente, aliado ao conforto com a ideia de que o que importa é o que podemos fazer para mudar o futuro, acalentado por governantes e ativistas sociais, tem se mostrado uma força intensa de reprodução do passado sem que dele se tome consciência. Reproduções que se anunciam como combates a puras “novidades”, coisas novas para os combatentes novos, mas velharias ativas de perpetração do sofrimento, se olharmos com o auxílio dos mais velhos em combate.

Geraldo de Majella navega por diferentes dimensões e momentos da história de Alagoas. Busca pistas e levanta hipóteses sobre como chegamos até um presente, marcado pelos assassinatos que atingem os nossos jovens, negros, mestiços, aqueles que se consideram mais claros que outros, moradores das periferias urbanas, marcados por muitas diferenças entre si. Mas sugere que não é possível entender o código de conflitos entre ricos e pobres e entre os pobres entre si se não entendermos os desenvolvimentos das tradições de violência das próprias elites, remontando-as ao passado, ainda vivo.

O livro trata desde o desenvolvimento urbano e as lutas pelo poder administrativo e econômico no século XIX, até a ocupação recente de grotas e favelas de lona. Seu ponto alto, entretanto, parece estar na segunda parte, ao tratar do ciclo de surgimento e declínio do crime de mando, do sindicato do crime e da gangue fardada, e do quanto isso marcou o processo de redemocratização e as tentativas de reorganização política de sua geração. Mostrando um domínio ímpar de eventos dos quais participou como membro de governos e partidos, traz pensamentos e dados novos sobre as relações entre poderes militares, políticos, partidos e movimentos sociais. Ele acaba por propor novos ângulos sobre o desenvolvimento do período ditatorial e da “redemocratização” em Alagoas. Por ser muito sintético, entretanto, deixa portas abertas para novos e curiosos pesquisadores.

Entender tais eventos, discuti-los nos mundos públicos possíveis de Alagoas e do Brasil parece vital para compreendermos o presente. Tal debate tem sido interditado, não apenas pelos governantes, mas também pelos movimentos sociais, que mostram uma dificuldade enorme de olhar o passado de sua própria sociedade. A desobstrução dos canais de diálogo e debate seria um caminho possível de propor formas de mobilização e ação.

Entre as contribuições importantes do livro está a reflexão e memória sobre movimentos sociais que tiveram uma grande importância nas Alagoas dos anos 1990, cuja parcela dos participantes veio a integrar os governos Kátia Born e Ronaldo Lessa, respectivamente na prefeitura de Maceió e no governo de Alagoas.

Este é um livro de um combatente-intelectual que participou ativamente de governos e movimentos, ansioso por fornecer instrumentos, através de reflexões e dados, aos que desejam se juntar ao ofício, à tarefa e à missão da luta contra as desigualdades e as lógicas de sua reprodução. Mesmo que em passadas rápidas, deixando-nos o anseio por mais informações, o livro é um chamado a uma nova agenda de pesquisas e questões que ficaram silentes ao longo de 30 anos. Cemitérios clandestinos, que o próprio Majella denunciou junto a órgãos da ONU, também na forma de um livro[1], as alianças entre elites políticas e aquelas que compunham o denominado sindicato do crime, o assassinato de lideranças populares e de opositores aos governos, hoje esquecidas, mostra o quanto investir em um mergulho no passado de Alagoas trará novas questões e novos instrumentos de combate aos combatentes. Ele sugere a relação entre a história de crimes políticos, o desenvolvimento institucional do estado de Alagoas e o surgimento das novas periferias urbanas em Maceió.

Entretanto, esse é um terreno mais apontado que explorado, ainda que sem dúvida levante a poeira para a urgência da questão, alertando as novas gerações. Ele vai ao passado e destaca a importância da prisão e do assassinato como forma de combate político na Alagoas do Império e da República. No mesmo período, mostra como os rumos políticos e urbanísticos foram indissociáveis das lutas coloniais nos portos alagoanos, entre franceses e ingleses. Quase como crônicas-reflexões, sinalizando sínteses, Majella combina informações historiográficas de uma bibliografia “clássica” alagoana e sugestões sobre suas conexões com o presente, visando iluminar o passado de conflitos de interesses e expressões de violência contemporâneas.

Não bastasse a abrangência e importância das questões levantadas, há outro aspecto que torna a publicação deste livro de grande relevância. Trata-se da oportunidade de a geração de Majella, inclusive daqueles que hoje estão nas universidades estaduais, federais e privadas, participar de um diálogo intergeracional com os mais jovens e “os de fora de Alagoas”, que chegaram de maneira mais intensa nos últimos 15 anos. Este diálogo enfrenta barreiras, e as antipatias mútuas criadas ao longo desse tempo pressionam para a redução do espaço de criação de uma esfera pública de discussão sobre os dilemas da sociedade alagoana.

Intelectuais de publicação tardia, a geração de Majella tem muito a dizer, ainda que as publicações tenham aparecido com mais intensidade apenas nos últimos cinco anos. Alguns livros publicados nos anos 80 e 90 jamais foram reimpressos; outros, elaborados como teses em universidades estrangeiras, nunca foram traduzidos. Seus impactos, portanto, foram reduzidos.

Como o sistema universitário sofreu uma profunda alteração, ainda que não claramente perceptível, devido à entrada de jovens “estrangeiros a Alagoas”, há um grau intenso de vazio na maneira de discutir as questões e no compartilhamento de memórias dos mais velhos e dos mais novos sobre Alagoas. Tal vazio pode ser reduzido em espaços que assegurem a possibilidade de franqueza e divergência intelectual, fonte nutridora da reflexão e crítica, sem os quais os círculos que falam para si mesmos, “ilhas”, diria Rachel Rocha, autocomplacentes, completaria, continuarão a se reproduzir de maneira fragmentada, tendo poucas consequências em termos de mobilização e transformação.

A riqueza de sugestões e análises trazidas pelo livro não poderia ser reduzida em um pobre prefácio. Por isso, siga em frente e veja você mesmo o esforço de síntese do autor. Com uma dose de disposição crítica, merece espaços de divulgação e debate, lançando-se em espaços nos quais possam emergir novas reflexões. Ele traz pontos incômodos, cuja lembrança criadora propiciada por um livro, se feita justiça à novidade de seu aparecimento, fará vicejar debates e divergências, algumas delas contundentes.

Se lutamos pela democracia e pela difusão do senso de reponsabilidade de uns com os outros, compartilhando as gratificações e as frustrações de termos um destino comum como cidade, como cidadãos, como gente e povo, uma parte do combate é a exposição ao diálogo e ao debate. Este livro é um convite generoso à luta e à interlocução. Boa leitura!

 

 

Fernando de Jesus Rodrigues

Professor do Instituto de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia, UFAL.

 

[1] MAJELLA, Geraldo de. Execuções sumárias e grupos de extermínios em Alagoas (1975-1998). Maceió, Edufal, 2006.

Maceió em Guerra: exclusão social, segregação e crise da segurança pública

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(*) Suzann Flavia Cordeiro de Lima

A violência urbana vem atingindo níveis assustadores, com dados estarrecedores que crescem em progressão exponencial, mas não é um fenômeno novo, nem mesmo específico das cidades. Cada vez mais, somos bombardeados com noticiários sobre uma violência (des\re)territorializada, que se espraia nas mais diversas localidades e contribui para a construção de uma sociedade cada vez mais individualista, egoísta e exigente de vingança social para os (outros) atores da violência, sem tomar consciência de que é a produtora deste fenômeno.  

Estes atores têm sido escolhidos a dedo, como “bodes expiatórios” para uma vingança social, com nomes, endereços, cores, classe social, baixa escolaridade e falta de emprego, cuja existência e referência são subliminares (e implícitas) aos diversos discursos sobre combate à violência... A cidade “permitida” não tem limites, mas a cidade “proibida” tem! São tantos os homens e mulheres nos entremeios das manchetes, cruzes sem nomes, sem corpos e sem datas!  São tantos “contratempos” inglórios, histórias que a história qualquer dia haveria de contar...

O professor Geraldo de Majella, alagoano, historiador, revela-se na sua extraordinária militância em defesa dos direitos humanos. Esta obra é mais uma contribuição deste homem corajoso, guerreiro, resiliente, que não se rende ao ceticismo nem esmorece diante da desesperança que nos engole. Sua narrativa sobre os contrapontos, dobras e revides da política de segurança publica do estado de Alagoas é esclarecedora e, ao mesmo tempo, estarrecedora. Demonstra, como dizia Gonzaguinha, os entremeios de narrativas de “Memórias de um tempo onde lutar por seu direito é um defeito que mata”...

O livro Maceió em Guerra: Exclusão social, segregação e crise da segurança pública se divide em três partes, com 20 capítulos que contextualizam historicamente a construção da uma cultura de segurança urbana a partir de atuações e interesses familiares espacializados (parte 1), a atuação dos três poderes consolidada a partir destes vínculos históricos e a consequente institucionalização da violência (parte 2), e, por fim, as espacializações cambiantes que nos apontam para um futuro cada vez mais certo, baseado em atuações e políticas incertas, que multiplicam a violência que vivenciamos hoje (parte 3).

Estas poucas palavras não fazem jus à imensa contribuição que o descortino corajoso das narrativas deste livro nos proporciona. Que os leitores façam bom uso do conhecimento exposto nas páginas que seguem, tão deslumbrados e estarrecidos como eu.

Muito grata, Professor Geraldo de Majella.

(*) Arquiteta e Urbanista, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com pós-graduação em arquitetura penal e em materiais e gestão de projetos. Pós-doutorado em Criminologia pela Katholieke Universiteit Leuven, Belgica.

A tortura é uma velha conhecida nas delegacias

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A tortura contra os presos em períodos de normalidade democrática no Brasil é uma prática institucionalizada. Nas ditaduras a que o país foi submetido no século XX ‒ o Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985) ‒, indistintamente os presos comuns e os presos políticos foram torturados, assassinados, e centenas “desapareceram” para nunca mais ser encontrados.

         Esse terror infame nunca deixou de rondar as delegacias de polícia em Alagoas. É sempre bom rememorar os defensores dos direitos humanos ‒ e aqui o advogado e então deputado José Costa é e será sempre lembrado como um destemido defensor dos cidadãos que não têm voz, dos que não têm corporação empresarial e de tão pobres não dispõem de condições financeiras para contratar um advogado para defendê-los da sanha brutal dos agentes do Estado.

         Aqui no “Cada Minuto” o colega Célio Gomes passou a questionar o comportamento das autoridades, tanto as responsáveis pela segurança pública, inclusive e principalmente o governador Renan Filho, como o Ministério Público, chamando-os à responsabilidade. Com o dedo em riste cobrou da OAB o motivo de ela ainda não ter se pronunciado sobre o terrível caso.

Esta senhora, Darcinéia Almeida, conta agora com a proteção de Deus, que não vai lhe faltar; mas no mundo terreno e cão, não basta acreditar em Deus. A sociedade civil e a OAB têm um papel essencial. A Defensoria Pública é a instituição do Estado que abraçou a causa. Faltam, porém, os partidos políticos progressistas, de esquerda, os movimentos sociais e as igrejas.  

Os que conhecem os meandros policiais e do Estado sabem que o tempo é contado a favor dos agentes do Estado, e aqui não estou prejulgando, mas relembrando dois casos: o jovem Davi Silva, desaparecido, e o ex-líder estudantil Nô Pedrosa, assassinado sem esclarecimento.

Célio Gomes, repórter experiente que é, diz: “Não conheço a trajetória acadêmica de Fábio Costa. Suponho que ele não tenha formação em medicina. Mas, mesmo assim, o doutor não vê nada de errado em especular sobre a saúde mental de uma mulher que acaba de perder um filho. ‘Não temos um laudo’, ele admite. Então por que chutar informação sobre algo tão delicado? É um caso clássico de tentativa de desqualificar a denúncia”.

 

DIRCEU LINDOSO, O POLÍGRAFO CABANO

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Dirceu Lindoso e Hermann Baeta, no Rio de Janeiro, em 1981, lançamento do livro Póvoa-Mundo. 

 

 

Geraldo de Majella (*)

 

 

A trajetória intelectual de Dirceu Accioly Lindoso é multifacetada e em certa medida foge ao natural caminho acadêmico stricto sensu, ambiente de formação e projeção de quase todos os intelectuais de sua geração em diante. A ambiência intelectual que impulsionou o jovem de então, Dirceu Lindoso, foi a árdua trabalheira na imprensa comunista das Alagoas. A redação da A Voz do Povo, semanário de propriedade do extinto Partido Comunista Brasileiro (PCB) – fundado em 1946 e destruído pelos militares golpistas  em 1º de abril de 1964 –, descortinou um novo cenário, o da luta social e do marxismo.  

Se iniciou cedo nos trabalhos jornalísticos, como ele mesmo costuma dizer; e fez dessa atividade um ponto de difusão da sua produção intelectual, ainda, muito jovem. Hoje podemos afirmar que Dirceu Lindoso pertence a uma tradição de intelectuais que tiveram no jornalismo de esquerda e operário o caminho primeiro de uma virtuosa carreira intelectual, como percebemos ter também acontecido com Octavio Brandão, Alberto Passos Guimarães, Jayme Miranda, Aylton Quintiliano, Bercelino Maia e André Papini Góes.

A primeira contribuição com a imprensa veio em forma de artigo publicado no Diário de Pernambuco, que teve como tema a obra de Josué de Castro que viera a Maceió a convite dos estudantes da Faculdade de Direito falar sobre o problema da Fome.

Trabalhou no jornal carioca O Globo, quando residia na cidade do Rio de Janeiro, tempo após sair da prisão política ocorrida em Maceió, encarceramento que durou de abril a novembro de 1964. Manteve a distancia permanente contribuição nos jornais de Maceió, enviando artigos para A Tribuna de Alagoas, O Jornal, Gazeta de Alagoas e Extra. Em Petrópolis, publicou trabalhos no Correio Petropolitano e Tribuna de Petrópolis.

Esse incansável intelectual jamais deixou de influir e contribuir com qualquer espécie de publicação, mas foram, talvez, as publicações do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) – de circulação nacional, como o jornal do Comitê Central Voz da Unidade – onde colaborou semanalmente por quase uma década de maneira ininterrupta –, e as revistas Problema da Paz e dos Socialismo e Novos Rumos, essa última publicação do Instituto Astrojildo Pereira.      

]  Dirceu Lindoso e Aurélio Buarque de Holanda, em 1981, no Rio de Janeiro. 

        

 

Advogado, por formação, com pouca atuação nessa área, apenas, defendeu em episódios esporádicos trabalhadoras rurais do município de Pilar, em Alagoas, no início da década de 1960. Na condição de advogado foi designado pela direção regional do PCB para defender os índios Wassú Cocau que – à época, início de 1960 –, continuavam lutando pela demarcação das suas terras no município de Joaquim Gomes e jovens estudantes vinculados ao PCB que apoiavam a luta indígena haviam sido detidos pela polícia local, em socorro, lá esteve o advogado Dirceu Lindoso. Foram essas, e talvez alguma outra atuação esparsa, as suas atividades concretas como causídico.

         Toda a sua energia e argúcia vem sendo empregada na pesquisa etnológica, histórica, na tradução de clássicos do marxismo, a exemplo dos filósofos francês Louis Althusser e do húngaro Gyorgy Lukács, do economista francês Charles Bettelheim, do psicanalista suíço Jean Piaget e filósofo e economista alemão Karl Marx, entre outros.

         Dirceu Lindoso tem se dedicado a pesquisar e revelar inovadoramente temas fundamentais da História de Alagoas, mas que a historiografia oficial insistiu em esconder e quando tratou, invariavelmente o fez com o viés do preconceito, colocando-o na categoria dos marginais, na vã tentativa de que esses episódios fossem esquecidos para sempre. Evidente que isso não ocorreu os cabanos foram redescobertos, inicialmente por Manoel Correia de Andrade em A Guerra dos Cabanos em terras Pernambucanas, em 1965, quando é publicado o seu livro.

         A Guerra dos Cabanos (1832-1850) importante acontecimento da história de Alagoas, descoberto, ainda na juventude, passou a ser o tema principal e pelo qual a vasta obra do historiador, etnólogo, ensaísta, romancista e poeta gira centralmente. O povo cabano é objeto de estudo e uma verdadeira paixão para o polígrafo e passa a ocupar papel essencial nos estudos históricos de A Utopia Armada, seu principal livro, publicado em 1983. Antes, a escrita e a fala cabana havia ganho destaque através dos romance Póvoa-Mundo de 1982.

A trajetória na pesquisa antropológica tem sido cada vez mais significativa e diversificada, são inúmeros textos publicados em vários momentos e veículos, como os Anais da Biblioteca Nacional e a Revista Eclesiástica Brasileira que deram guarida aos textos: Na Aldeia de Ia-ti-lhá: Etnografia dos Índios Tapuia do Nordeste, republicado agora na Coleção Índios do Nordeste: Temas e Problemas, vol. VII (Almeida, Luiz Sávio; Silva, Christiano Barros Marinho et alii Orgs.); o Cônego e a Catequese Indígena; e O Andarilho e a Mãe-de-Santo: O Negro na Obra de Arthur Ramos.

         Moreno Brandão em sua História de Alagoas se refere ao comandante cabano, Vicente de Paula como: “um desses tipos truculentos e ferozes, que os sertões mal policiados do Brasil criam e desenvolvem na atmosfera da proteção criminosa que dispensam as autoridades coniventes com o seu banditismo e o povo inculto, amigo de todas as manifestações violentas da força, prestigia, propagando a fama de suas bravuras por largas extensões regionais do país”. O discurso anticabano tem um forte conteúdo ideológico elaborado pelos historiadores da classe dominante que imputaram aos papa-meis que são os índios aldeados, lavradores e moradores pobres e escravos oriundos do sul de Pernambuco e norte das Alagoas. Todo o esforço teórico desenvolvido por Lindoso é realizado no sentido de que o discurso ideológico confeccionado pela classe dominante e seus historiadores que criminalizam a luta desse povo e por muitos anos passou a ser visto pela História Oficial – dominante até então –, como um acontecimento secundário de nossa História.

         Em companhia de Manoel Correia de Andrade, Décio Freitas e Luiz Sávio de Almeida, Dirceu Lindoso deu a mais importante contribuição sobre a Guerra dos Cabanos, luta onde ricos senhores proprietários de engenhos de açúcar, restauradores e absolutistas convocaram os pobres da terra situada ao sul de Pernambuco e ao norte de Alagoas, a época já independente, para de armas nas mãos, trazer de volta ao trono imperial D. Pedro I. Os convocados eram índios, negros escravos, moradores e lavradores, a gente cabana.

Dirceu Lindoso é o responsável, em terra alagoanas, pela “redescoberta” do povo cabano e sua colocação na história de Alagoas, desta vez, na condição de acontecimento histórico significativo e digno para todos nós, livre de quaisquer tipo de preconceitos. Esse entre muitos outros tem sido o mérito fundamental nos estudos e nas pesquisas realizadas pelo historiador marxista nascido diante do lagamar do Gamela na sua Maragogy, antiga pars borealis de Alagoas, teatro que foi de guerra dos índios, negros, brancos pobres que formaram o povo cabano de quem tanto Dirceu se orgulha dele descender.   

Dirceu Lindoso, Marcos de Farias Costa, Jorge Cooper, Estela Cooper e Luiza Helena Wittman, em Maceió.

 

O Poder Quilombola – a comunidade Mocambeira e a Organização Social Quilombola, é mais uma obra escrita pelo autor de A Utopia Armada. Sentido a falta de textos produzidos por historiadores alagoanos, numa tarde de janeiro de calor abrasador lhe pedi, depois de ouvir do próprio Dirceu que tinha a intenção de escrever um livro sobre Palmares e seus quilombolas. Poucos meses após conversarmos é possível entregar ao Brasil esse texto em mais um 20 de novembro data comemorativa da consciência negro em nosso país.           

         Índios, negros e populações excluídas foram e continuam a ser o tema central da vasta obra desse importante intelectual das Alagoas. Dirceu Lindoso não só é um irrequieto intelectual, contraditoriamente ao seu temperamento calmo e sereno, mas, inegavelmente o mais importante historiador dos últimos cinqüenta anos em nossa terra. E de quem os outros historiadores seus contemporâneos, devem se mirar.

         Axé.   

(*) Historiador

 

  

Dirceu Lindoso faleceu hoje, em homenagem ao grande intelectual alagoano publico o prefácio que escrevi para o seu livro Poder Quilombola.

Salve, Dirceu Lindoso.

     

        

 

        

                 

 

A grandiosidade do escultor Manoel da Marinheira

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O empresário Jorge Tenório tem entre outros méritos o de ter sido o mecenas do escultor Manoel Cavalcanti de Almeida, o Manoel da Marinheira. Tenório iniciou a coleção de obras do escultor ainda na década de 70 do século XX, em Boca da Mata, cidade da Zona da Mata alagoana.

Hoje essa coleção conta com 1.540 peças, sendo mais de 800 produzidas por Manoel da Marinheira, e o restante pelos seus seguidores e discípulos, os seus filhos e filhas, entre eles três filhas surdas-mudas.       

           O Museu Manoel da Marinheira, fundado em 2003, funciona na fazenda Bento Moreira, em Boca da Mata, nas instalações improvisadas de um antigo grupo escolar desativado. As obras estão expostas em dez salas. A coleção é extraordinariamente bela e grande, e é certamente única no Brasil.

       As obras estão bem conservadas, porém armazenadas em condições inadequadas para constituírem um museu. Faltam condições básicas, como a identificação das peças, a época em que foram produzidas, a apresentação de cada obra e as necessárias técnicas da museologia.

       O acervo é monumental e único no Brasil, e possivelmente no mundo. É um espaço de cultura, educação e lazer para as crianças, os jovens e os adultos. Outro detalhe: avançou empresarialmente, mas ainda é subaproveitado.  

       O Museu Manoel da Marinheira, desde que redefinido no espaço em que está localizado, é o nosso Inhotim alagoano.

       O espaço de lazer, de preservação ambiental e de cultura que o Parque Águas de São Bento criou é bonito, grande e agradável, mas o carro-chefe não é o balneário apenas, senão o monumental acervo do Museu Manoel da Marinheira.

       Estive visitando o museu duas vezes num intervalo de nove ano. A primeira vez, na companhia da historiadora Janaina Amado e do jornalista Luiz Carlos Figueiredo, do poeta Sidney Wanderley e da escritora Paloma Amado; a segunda, no último dia 12 de outubro, quando renovei a alegria de visitar um lugar com tanta beleza natural e um acervo que não para de crescer.

       A nota triste é que o Manoel da Marinheira faleceu em 2012, aos 101 anos, deixando uma prole tão grande quanto a obra que o imortalizou.  

O mecenato do empresário Jorge Tenório é um exemplo a ser seguido em Alagoas. 

    

 

O impeachment tinha como resultado morte a democracia no Brasil

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           O golpe articulado em 2016 teve nas pedaladas fiscais o álibi com o resultado decorrente de bloquear a democracia com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A articulação dos golpistas teve duas conexões: a externa com os EUA, à frente, e a interna, com a grande mídia, os rentistas, o empresariado, os parlamentares e o vice-presidente Michel Temer.

            O golpe levou o Brasil para a extrema direita, o pior dos mundos. A democracia tem sido, a cada dia, torpedeada pela Lava Jato e pelo autoritarismo do Bolsonaro. E ainda em muitas decisões da Suprema Corte, que se nega em muitos casos a fazer justiça.

            A oposição, sem conseguir manter linhas de coesão entre os partidos de esquerda e centro-esquerda, anda ruminando o resultado eleitoral. Mas todos em campanha rumo a 2020.

            A oposição resiste no Congresso Nacional e nas ruas com os movimentos sociais protestando contra o desmonte do Estado brasileiro.

            A mobilização nas ruas tem elevado a temperatura e transmitido energia positiva para o parlamento nacional, mesmo em torno de lutas pontuais como a reforma da previdência e os cortes da educação.

       Essas duas frentes de lutas sinalizaram que é possível derrotar o governo no terreno onde ele se dizia majoritário: o Congresso Nacional.

            As vitórias em determinados momentos históricos nunca são gerais, mas pontuais e cumulativas, e se desenrolam no campo de batalha numa “guerra de guerrilha”. Dessa tática, a esquerda e o campo democrático têm experiências acumuladas.

            A Lava Jato, espinha dorsal da extrema direita nacional e internacional, seção brasileira, está fraturada. O inimigo encontra-se em franco recuo, mas ainda não foi derrotado. A derrota virá não como uma premonição divina, mas com a mobilização social, a atuação nos parlamentos e pelas revelações do The Intercept.

            Teremos muitas lutas pela frente. A defesa das grandes empresas e dos bancos estatais, das universidades e dos institutos federais, e da Embrapa não deve sair da pauta dos democratas, da esquerda e dos nacionalistas.

               O impeachment tinha como resultado morte a democracia no Brasil. A democracia agoniza, mas não morre, como diz o samba do Nelson Sargento.  

 

A guerra de guerrilha de Glenn Gleenwald

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E agora, o que fazer? Diante das revelações que o site The Intercept Brasil vem publicando e o mundo lê estarrecido, o ex-juiz e ministro Sérgio Moro e o coordenador da Lava-Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol, estão a dever explicações ao Brasil.

         Vestir a camisa rubro-negra do Flamengo não atenua o problema, nem ser amparado por Bolsonaro é uma companhia que lhe conforte.

         Moro, Dallagnol e os demais procuradores, agora, tomam conhecimento de que há uma opinião pública nacional e outra internacional.

         O controle dos meios de informação é relativo no Brasil, quando se vive a era da internet. Foi um site de notícias, ou melhor, investigativo, quem acertou o petardo frontal na Lava-Jato. Até o momento mutilou a operação e seus membros, e o pior, anuncia The Intercept, está por vir.

         A “guerra de guerrilha” iniciada por Glenn Greenwald tem colocado a grande mídia, o Ministério Público e parcela do Supremo Tribunal Federal na defensiva.

         O teatro onde se desenrola a “guerra de guerrilha” está sob o domínio absoluto de The Intercept. A infantaria ataca sem medo, com tanques e minas terrestres que estão explodindo no colo das celebridades instantâneas do Judiciário e do Ministério Público Federal.

         O jornalismo sério mudará o rumo da história do Brasil. Assim como a manipulação dos fatos, a violação da ordem constitucional e os pré-julgamentos online guindaram essas celebridades, ora em estado de putrefação moral, a chegar ao topo do ranking dos programas de reality show no Brasil e nos EUA.

Em tempo de celebridades instantâneas, é alvissareiro dizer que a casa caiu.

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