Geraldo de Majella

Ninguém solta a mão de ninguém

39c8417c 3989 4b86 845e 7279aeaa773e

 

Há muitos anos tenho realizado o balanço anual da minha vida. Hoje, ao completar 58 anos, realizo mais um, desta vez numa situação adversa. Individualmente, estou bem, com saúde e planejando as minhas pequenas atividades pessoais e familiares, coisas sem muita importância, mas que pretendo fazer com prazer. 

            Amigos e parentes muito próximos morreram, foram embora antes do combinado; isso é doloroso, mas é uma realidade com a qual devemos conviver. Essas perdas demoram até ser assimiladas. Esse é um item do balanço que devo colocar na coluna das perdas pessoais e afetivas, mas que permanecerão nas minhas recorrentes lembranças.

            O ganho mais significativo diz respeito à Isabela, minha filha, que se graduou em arquitetura e concluiu uma etapa importante de sua vida, mas que a partir de agora terá pela frente outras etapas. Após um círculo concluído, outro inexoravelmente será aberto.

            O resultado computado da minha vida pessoal e familiar foi extremamente positivo, sem queixas, posso dizer. O balanço político de 2018 é pesaroso; aliás, os últimos anos, desde 2015, não têm sido nada positivos para o Brasil. Tem crescido na sociedade a busca autoritária como forma de encaminhamento político e econômico; é uma onda fascista que tem se ampliado e prenuncia tempestade. 

O mundo, em vários países na Europa e nos EUA, bem como em outros continentes, tem presenciado espasmos autoritários de inspiração fascista. É a globalização do autoritarismo em tempo real, percebida em sociedades, até então, democráticas e tolerantes com as diferenças, receptivas aos imigrantes e refugiados. Mas, de uma hora para a outra, são eleitos governantes de formação autoritária que se voltam contra os refugiados políticos, de guerras, econômicos, étnicos. 

Os muros vergonhosos vão sendo erguidos em nome da garantia dos empregos e como meio de evitar o terrorismo. Milhares de crianças e adultos são mortos afogados, numa tentativa desesperada para sobreviverem à fome, à guerra e ao genocídio em seus países e buscam territórios onde tenham paz, comida e trabalho, coisas básicas e essenciais para os seres humanos. Os que sobrevivem são alojados em campos de concentração, quando não impedidos de viver em países da Europa e nos EUA.  

O Brasil, historicamente, é um país aberto à imigração e aos refugiados. Somos uma nação formada pela multiplicidade de etnias e povos; um povo onde há sangue de quase todas as nações do planeta ou de grande parte dele.

Os brasileiros que pensam como eu perdem uma eleição, mas não o sentido de humanidade. Essa derrota eu não sofri; continuarei a luta por uma nação democrática, onde haja justiça, mesmo que no momento parte dela esteja de olhos vendados. Devemos continuar lutando por justiça e nos mobilizarmos para manter a democracia, mesmo que seja apenas representativa. Não há nada melhor que a democracia.

O clima de intolerância e ódio que tomou conta do Brasil me fez lembrar uma canção da cantora argentina Mercedes Sosa: “Eu só peço a Deus/ Que a dor não me seja indiferente/ Que a morte não me encontre um dia/ Solitário sem ter feito o que eu queria”.

A resistência ao autoritarismo está sendo gestada; não vai demorar e estaremos de volta às ruas ‒ o nosso campo de luta e o lugar de onde não nos devemos afastar. Em 2019, ninguém solta a mão de ninguém.

1ª Maragofli homenageia os escritores Dirceu Lindoso e Chico Buarque

6189420d cda6 4275 a2a9 262588533134

 

As festas literárias em Alagoas iniciaram-se em 2006 com a Flipenedo, quando eu e Carlito Lima a organizamos, contando com a participação de 28 escritores. Entretanto, não houve sequência. Em seguida, a prefeitura de Marechal Deodoro criou a Flimar, que ganhou dimensão nacional, coordenada pelo escritor Carlito Lima. Palmeira dos Índios realizou uma edição em 2017, e não foi à frente. Arapiraca lançou a sua primeira Fliara.

Maceió realizou festas literárias nos bairros: em 2017 e 2018, no Pontal da Barra; em 2018, no Graciliano Ramos e Jacintinho. Para 2019 estão programadas seis festas em bairros da capital.  

A histórica cidade de Maragogi, no litoral norte de Alagoas, lançou a 1ª Maragofli, e o escritor Carlito Lima foi convidado pelo prefeito Fernando Sérgio Lira para prestar consultoria à prefeitura. A experiência e a sensibilidade como poeta e editor do prefeito contribuíram muito para o êxito da festa literária.

 A 1ª Maragofli ocorreu entre 5 e 7 de dezembro, como uma festa literária aberta ao público, mas que teve o seu início meses antes, nas salas de aulas das escolas da rede municipal de ensino. A escolha dos homenageados, o historiador e escritor Dirceu Lindoso e o compositor e escritor Chico Buarque de Holanda, foi importante no processo de mobilização dos diretores, professores e alunos.    

O livro e a música, a memória e a história ganharam mais sentido e pulsaram com mais vida nas interpretações feitas pelos alunos e professores, como resultado do trabalho coletivo apresentado na praça Batista Accioly.  

O entusiasmo se refletiu ainda mais durante as encenações teatrais produzidas pelos professores e alunos num teatro em praça pública. Os temas foram as letras musicais, o contexto e as metáforas utilizadas por Chico Buarque para burlar a censura durante a ditadura militar.  

A Maragofli contou com a participação dos escritores Dirceu Lindoso, o homenageado, do historiador Geraldo de Majella, do cronista Carlito Lima, do poeta Charles Cooper, do juiz de direito Alonso Filho e do poeta e prefeito Fernando Sérgio Lira, que falaram para centenas de pessoas presentes na tenda instalada na praça Santo Antônio, no centro de Maragogi.

A cantora Wilma Araújo e sua banda apresentaram-se na abertura da festa, interpretando canções de Chico Buarque. Nos outros dias, shows de Mattos Mendonça e William Miranda. As tendas armadas na praça Batista Accioly teve a participação de Damiana Melo e Sidney Sá, do Grupo Cia Literando, e apresentação do Samba de Matuto e do Bumba Meu Boi.

O objetivo da Maragofli foi alcançado. É esta a proposta de uma festa literária que mobiliza a escola, apresenta o livro como objeto de primeira necessidade e contribui para a formação de novos leitores.

Tem sido comum a mídia noticiar que livros são essenciais e que ler faz bem. Há casos de governos estaduais e prefeituras distribuírem com os professores um “vale livro” ou “cartão” específico para adquirirem livros em festas, feiras e bienais. A realidade local é outra; diante da crise a que o país se acha submetido, iniciativas dessa natureza são um ponto fora da curva.

 O envolvimento das secretarias de Educação foi importantíssimo e decisivo. Sem a compreensão e o envolvimento pessoal dos secretários de Cultura e Turismo a festa não teria sido o sucesso que foi. 

O prefeito Fernando Sérgio Lira ao encerrar a 1ª Maragofli anunciou o próximo homenageado: Ariano Suassuna, escritor e dramaturgo paraibano.

Salve a Maragofli!

 

Xadrez da política hoje Alguns movimentos previsíveis, em conformidade com o atual quadro das pesquisas e o posicionamento dos principais jogadores.

Ecf2318d 9c6b 4b3b 80bb de29c9d11978

 

Homero Fonseca (*)

1 — A partida vai ser resolvida no segundo turno.

2 — Bolsonaro estará dentro, beneficiado pela facada e pelo antipetismo massificado pela mídia. Como sempre nesses momentos, os liberais mandam os escrúpulos às favas e fecham com a extrema direita.

O apoio no segundo turno envolverá o seguinte acordo num eventual governo: Bolsonaro fica como figura decorativa, fazendo momices nas redes sociais para entreter seu eleitorado (como Trump, nos EUA), enquanto Paulo Guedes junto com o “Mercado” cuida da economia, aprofundando o liberalismo selvagem e os retrocessos sociais do governo Temer, e o general Mourão assume o governo de fato, com ênfase na repressão aos movimentos sociais.

3 — Liberais envergonhados e ex-esquerdistas com problemas de consciência (que no primeiro turno votaram em Alckmim ou Marina), proclamam o voto nulo ou branco, tentando sair bem na fotografia enquanto abrem caminho para a eventual ascensão da extrema direita.

4 — A esquerda oscila entre Haddad e Ciro e, dependendo de como mover as peças na atual etapa (abrindo ou fechando as portas para uma coligação inteligível ao povão na segunda rodada), poderá ganhar as eleições ou se ferrar.

Homero Fonseca é jornalista, blogueiro e escritor. Foi editor da revista Continente (2000–2008). Autor do romance "Roliúde" (Record, 2007), entre outros livros.

 

 

Civilização ou barbárie?

98bf9a45 f4bb 4843 b11d a9a0d41fca13

 

Postado em set 21, 2018 em Artigos Roberto Amaral, Capa

O quadro de outubro próximo, visto pura e simplesmente do ponto de vista eleitoral, ou seja, na sua aparência, ensejará, a escolha entre o capitão e a alterativa representada por Fernando Haddad ou Ciro Gomes.

Na primeira hipótese, teremos a transição, pela via eleitoral (anunciada para o segundo turno), do Estado autoritário para a ditadura fascista, aqui (como em toda parte) apoiada, em suas origens, por grandes contingentes populares (açulados pela grande imprensa e pelo neopentecostalismo primitivo) e por poderosos setores econômicos e militares, espalhados nas tropas e nos comandos entre oficiais superiores da reserva (os mais falantes) e da ativa.

O caráter politico-ideológico de nossos dias (inédito na vida republicana, seja pela contundência do discurso da extrema-direita, seja pelo apoio popular por ele alcançado) repete as características gerais das experiências do fascismo – cujo centro é a violência e a irracionalidade que conheceram seus extremos com o nazifascismo na primeira metade do século passado, medrando em uma Europa e uma Ásia abertas ao totalitarismo. Deu no que deu. Em face daquelas experiências, todavia, a ameaça representada pelo crescimento eleitoral do capitão traz o ineditismo de rejeitar alguns dos tópicos mais sagrados do catecismo fascista, a saber, a defesa do Estado e a pregação nacionalista, o que aumenta a surpresa com a qual é recebido o apreço que lhe dedicam as Forças Armadas que, também entre nós, sempre perfilaram o discurso de defesa dos interesses nacionais, incluindo as soberanias econômica e política.

Na segunda hipótese, pela qual lutamos, isto é, a eleição de Haddad ou Ciro, não obstante a vitória eleitoral, poderemos ou não haver assegurado a continuidade da via democrática. É o ponto de partida, essencial, conditio sine qua non para a restauração democrático-representativa, mas estaremos ainda muito distantes do ponto de chegada. Pois o novo presidente precisará ganhar – política e eleitoralmente – em condições de poder tomar posse (que estará ameaçada como estiveram as de Getúlio, de JK e de Jango), e, uma vez empossado, precisará de forças e poder governativo, o que, por exemplo, não foi dado ao Getúlio Vargas das eleições de 1950, a João Goulart (recomendo a leitura de 1964 na visão do ministro do trabalho de João Goulart, Almino Affonso) em 1961 e, mais recentemente, a Dilma Rousseff.

A ex-presidente, consabidamente, começou a cair (condenada à ingovernabilidade como passo preparatório para o impeachment) quando sagrou-se vencedora por pequena margem de votos, e teve a legitimidade de sua vitória, límpida, contestada pelo PSDB, herdeiro da tradição golpista levada ao extremo entre nós pelo lacerdismo e pela UDN. Adita-se, como igualmente uma consequência da vitória parca em votos, de que resultou a minoria parlamentar, a atuação desastrada do governo na eleição para a presidência da CD daquele ano, em que se sagrou vencedor, e poderoso, em todos os sentidos, o meliante Eduardo Cunha. Essa contestação, no caso das eleições deste ano, já foi pré-anunciada, em dobradinha, pelo comandante do Exército e ecoada pelo seu candidato. O general Villas Boas, em entrevista ao Estadão (9/9/2018) declara, sem rebuços nem meias palavras, que a “Legitimidade de novo governo pode até ser questionada”. Por quem, cara pálida? Diz o general que se o capitão não for eleito poderá dizer que sua campanha foi prejudicada pelo atentado e, por outro lado, os eventuais derrotados poderão alegar que o vitorioso foi beneficiado pelo atentado. Ou seja: a legitimidade será contestada por quem perder e, como sempre haverá um perdedor… E, em tal hipótese, a que papel se reservam as tropas comandadas hoje pelo general Villas Boas? Contestação daqui, contestação dali…

Do seu leito de hospital, o capitão candidato do general já declara que sua derrota será o atestado de uma rotunda fraude eleitoral, e anuncia, desde já, suas suspeitas relativas ao sistema fundado das urnas eletrônicas, vigente desde as eleições de 1996, e por meio do qual ele mesmo se elegeu cinco vezes, e outras vezes, em seu nepotismo eleitoral, já elegeu dois ou três filhos. Em síntese e em resumo, é não apenas fundamental interromper a caminhada do capitão, mas impor-lhe uma derrota eleitoral que, pelos seus números, ateste a consagração, pelo país, da via democrática, tão arduamente reconquistada em 1985 após 21 anos de ditadura militar, com todo o seu elenco característico de violações: supressão das liberdades, imposição da censura, cassações de mandatos eletivos, atentados terroristas, prisões, sequestros, tortura e assassinatos, ademais de corrupção larvar.

Por isso mesmo os candidatos do campo democrático precisam assumir a responsabilidade de identificar o adversário comum. Antes de mais nada, Haddad e Ciro devem evitar a autofagia que só beneficiará o inimigo de todos, o projeto fascista, e assim fugir da idiotice levada a cabo pelos marqueteiros de Dilma Rousseff que, em 2014, demonizando e desconstituindo a candidatura de Marina Silva, levaram seu eleitorado e o de Eduardo Campos para o colo de Aécio Neves, com os resultados conhecidos.

Desta feita, porém, está claro como a luz do dia que o país está sendo chamado para decidir entre democracia e fascismo, entre civilização e barbárie, e todos estamos sendo postos em face de uma definição que não comporta dúvida, tergiversações e meios termos. Não há espaço para um ‘centro’ politicamente autista, indiferente ao futuro do país: todos seremos responsáveis pelo governo que a voz das urnas ditará em outubro.

A mobilização emocional, a característica da presente campanha de Haddad, pode cativar votos, o que é vital no processo eleitoral, mas não assegura a mobilização das massas no segundo tempo inevitável, o da governabilidade. Para tal, os discursos de campanha dos candidatos do campo democrático não podem abdicar da politização, da defesa clara de teses e da exposição igualmente clara dos desafios que aguardam o futuro governo, a saber, se se tratará, como desejamos, de um governo tão forte quanto necessário para enfrentar os arreganhos das vivandeiras dos quartéis e a insaciabilidade das forças econômicas retrógradas.

O governo democrático que nascer das urnas precisará estar fortalecido, política e eleitoralmente, vale dizer, carecerá do apoio claro e manifesto das grandes massas, para adquirir condições de realizar o compromisso, a ser assumido claramente na campanha, de, garantindo o império da democracia e da Constituição (o que também significa fazer retornar certos Poderes às suas ‘caixinhas’), revogar as medidas antipopulares e antinacionais do governo ilegítimo, que vive, desde o nascimento, seus estertores.

Para isso nosso governo precisará de capacidade de negociação com as forças políticas – como logrou Juscelino, enfrentando seguidas insurreições militares e seguidas tentativas de impeachment –, mas, nas circunstâncias atuais, precisará, acima de tudo, e até para lograr a construção de uma base político-partidária, do apoio das massas, que, mobilizadas no processo eleitoral, deverão permanecer mobilizadas durante todo o governo, sustentando-o (o que Dilma Rousseff não logrou), e assegurando-lhe condições objetivas de realizar as promessas de campanha, sem o que nada terá valido a pena.

O novo governo, que necessita ser um governo forte, e somente será um governo forte se respaldado, repito mil vezes, em manifesto e sistemático apoio popular, não poderá descartar, como segurança para sua estabilidade e força para a realização de seus compromissos, a convocação e realização de consulta plebiscitária sobre seu projeto, apresentado claramente na campanha eleitoral, fortalecendo-o, assim, em face, por exemplo, de um Congresso hostil e de um Poder Judiciário extraviado dos limites constitucionais, extravasando os limites de sua competência.

O apoio popular, organizado, ativo, será a defesa e o ataque em face de uma imprensa sem compromissos éticos, e de uma ordem partidária falida, como o atestam a ascensão do candidato fascista (amparado em um partido de existência apenas jurídica, mas sustentado pelas estruturas militares espalhadas país afora) ), o desmilinguir-se do candidato tucano e a irrelevância do candidato do ex-PMDB, que já foi de Ulisses Guimarães – o estadista das ‘Diretas-já’ e da ‘Constituição cidadã’, e hoje é um valhacouto chefiado por Michel Temer, o energúmeno.

Roberto Amaral

*

A chantagem de sempre – Grita em manchete de sua página B1 o Estadão: “ Influência eleitoral. Disparada da moeda americana reflete a preocupação dos investidores com o rumo das eleições, que também levou a Bolsa a recuar 0,58% e fez os juros futuros registrarem máximas, com taxas de 10% em janeiro de 2021”.

Marielle, sempre – Quando a polícia fluminense e a força militar interventora anunciarão os nomes dos mandantes e dos executores do assassinato da vereadora Marielle Franco? Ficaremos esperando, assim de braços cruzados, até que chacina caia no esquecimento? O PSOL, pelo menos, poderia nos dizer o que está fazendo.

Estratégia petista- Aguarda-se que o PT explique as estratégias adotadas para as eleições para governador de São Paulo e Rio de Janeiro.

 

______________

Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

Dez razões para votar em Ronaldo Lessa

6444eba0 bacd 4724 9448 fcc80dffbda5

Alagoas precisa eleger um deputado federal comprometido com a democracia, com o desenvolvimento, com a inclusão social, e que defenda a soberania nacional, a indústria nacional e os trabalhadores no Congresso Nacional.

        Essas causas, Ronaldo Lessa vem defendendo. Os alagoanos devem renovar o seu mandato como deputado federal, em outubro de 2018.

        Eis as dez razões pelas quais voto em Ronaldo Lessa:

   

  1. Ronaldo Lessa, durante os dois mandatos em que governou Alagoas [1999-2003 e 2003-2006], nomeou secretários de segurança que não tinham ligação com o crime organizado, fato raro na história republicana em Alagoas.   
  2. Ronaldo Lessa decidiu, no primeiro mês como governador, que haveria de reduzir a mortalidade infantil, que era de 72 crianças nascidas por mil, para 41,1. Essa tragédia que se abatia sobre as famílias mais pobres e em condições de vulnerabilidade foi enfrentada com a mobilização dos prefeitos, secretários municipais de saúde, ONGs, igrejas e o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ronaldo Lessa, antes de concluir os mandatos, foi premiado pela Unicef pelo trabalho extraordinário que resultou na redução da mortalidade infantil.
  3. Ronaldo Lessa reconstruiu Alagoas, destroçada durante o governo Divaldo Suruagy.
  4. Ronaldo Lessa lutou e conseguiu com que o governo federal construísse o aeroporto internacional Zumbi dos Palmares.
  5. Ronaldo Lessa construiu o Centro de Convenções Ruth Cardoso.

Essas obras sociais e físicas são importantes para Alagoas e para os alagoanos.

Como deputado federal Ronaldo Lessa tem sido um parlamentar que prioriza a agenda do desenvolvimento com inclusão social:

  1. Defesa da Petrobras como empresa nacional
  2. Defesa da indústria e da engenharia nacional
  3. Defesa dos serviços públicos e dos servidores públicos
  4. Votou contra a reforma trabalhista
  5. Votou contra a reforma da previdência social

Alagoanos, essas são as dez razões pelas quais votarei em Ronaldo Lessa (PDT), 1212, para deputado federal e o indicarei.

Para presidente, voto e indico Ciro Gomes (PDT), 12.

 

Paulinho da Viola, O PCB e as Eleições

06f3e29d 107a 48ae a7ee 680c556a53da

Em 1985, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) me designou para encontrar o cantor carioca Paulinho da Viola, que estava em Maceió, onde realizaria um show. Fui com o jornalista Rubens Jambo, na época repórter da Tribuna de Alagoas, e o psicólogo Luciano Aguiar, os três membros do partido, para entrevistar o cantor e pedir uma declaração de apoio ao candidato comunista a prefeito de Maceió, Nilson Miranda.

Antes, eu havia telefonado para o dirigente nacional do PCB Givaldo Siqueira, que me orientou a falar com Paulinho da Viola em seu nome. Fomos até o hotel na praia de Pajuçara, onde estava hospedado o cantor e os músicos que o acompanhavam, inclusive seu pai, o violonista César Faria.

A entrevista, um pingue-pongue, foi publicada com destaque na Tribuna de Alagoas; como ilustração, Paulinho da Viola vestiu a camisa do candidato do PCB, declarando sua vinculação desde a juventude com os comunistas cariocas.

Era o segundo encontro com o cantor, o primeiro havia sido num pequeno auditório do Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção de São Paulo, em 1980, quando Paulinho da Viola, João do Vale, Noca da Portela e outros artistas iriam se apresentar na 1ª festa do jornal Voz da Unidade, mas que fora proibida pelo delegado do Dops paulista, Romeu Tuma. A festa seria realizada no Clube de Trote da Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo.

Passados trinta e três anos, estou novamente indo assistir a mais um show de Paulinho da Viola. Desta vez, ele apresenta Beatriz Rabelo e o Bloco do Amor.

Salve Paulinho da Viola!

Salve a Portela!

Saudações cruz-maltinas.     

 

SERVIÇO

Data: 11/08/2018 - Sábado 
Local: Teatro Gustavo Leite
Endereço: Rua Celso Piatti, s/n – Jaraguá/ Maceió
Horário do evento: 20h 
Abertura dos portões: 21h 
Classificação etária: 14 anos. Menores a partir de 12 anos podem entrar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais. 

Alguma coisa acontece no meu coração

7c8014e3 de18 48c4 a0bb e5e92c495461

O desemprego é a face mais cruel do momento por que passa o Brasil. A cidade de São Paulo é onde a maior expressão dessa tragédia se descortina. Não me foi necessário consultar os sites do IPEA e da CAGED para pesquisar os indicadores econômicos. Caminhei durante sete dias pelas ruas da cidade. Iniciei o passeio na praça da Sé; ao sair do metrô me deparei com uma multidão de homens, mulheres, crianças e adolescentes pedindo qualquer coisa ‒  dinheiro, comida, agasalho ‒, deitados pelo chão da praça, sentados e tomando sol na escadaria da suntuosa Catedral.

Esses seres humanos estão vagando sem perspectiva de vida, estão abandonados e possivelmente não terão chances, pelo menos a maioria, de sair da condição de pedintes, desempregados e abandonados. É uma tragédia humanitária, com milhares de trabalhadores que não tiveram condições de pagar o aluguel e sobreviver minimamente com dignidade, trabalhando no emprego formal ou no subemprego. Vivem nas ruas.

Os laços de família vão sendo rompidos. As ruas, praças, viadutos e pontes são os seus endereços, as novas moradias. Não têm código de endereçamento postal (CEP) nem são encontrados pelos familiares que desejem resgatá-los. Estão vivendo da caridade de setores religiosos que têm se dedicado a minorar as agruras da população de rua e que os defendem. O Estado (prefeitura e governo estadual) oferece a repressão, o confisco dos seus cobertores que os protegem das noites geladas de São Paulo. Essa é a política pública.     

    

       Caminhei pelas ruas do Centro, Luz, Bom Retiro, Liberdade, Santa Cecilia, Barra Funda , Pompeia, Vila Buarque, Parque Dom Pedro e a avenida Paulista. Em todos esses lugares me deparei com pessoas vivendo nas ruas. Conheço São Paulo desde 1980 e não me recordo de tamanha tragédia.   

No Largo do Paissandu os sobreviventes do incêndio e do desmoronamento do prédio da antiga sede da Polícia Federal moram em barracas de lona sob o frio intenso. São homens, mulheres, crianças e adolescentes sem perspectiva de encontrar um teto para morar, pelo menos protegidos das intempéries da natureza. Resistirão até quando?

A paisagem atual de São Paulo é da miséria e do desassossego. Mais uma vez a poesia de Caetano Veloso, em Sampa, simboliza a vida cotidiana “do povo oprimido nas filas/ nas vilas, favelas / Da força da grana que ergue / e destrói coisas belas /
Da feia fumaça que sobe, / apagando as estrelas”.

A alternativa não pode ser o conformismo, o caminho que teremos de caminhar é o da luta contra a miséria, contra o capitalismo, pelo emprego e por dignidade, pela inclusão social. Antes que o buraco cresça ainda mais e drague todos nós.  

Literatura-ostentação

847ec376 be38 49f8 9930 93748643d84e

Homero Fonseca

Entraram no apartamento. Ele dirigiu-se ao bar, enquanto ela passava em revista a sala, detendo-se atenta num quadro de John Jaspers. Ele põe no som uma ópera de Gluck, abre uma garrafa de Châteux Pétrus 2004 e…

Inventei esse trechinho de um conto ou romance aí de cima para exemplificar o que chamo de literatura-ostentação. A toda hora me deparo com coisas assim na ficção. E me pergunto:

– O que estão fazendo aí o quadro do pintor pouco conhecido, a ópera do compositor idem e a marca e o ano do vinho caro?

– São informações essenciais ao leitor?

– Podem ser suprimidos sem nenhum prejuízo à narrativa?

Se a resposta às perguntas for: não estão fazendo nada, não são essenciais e podem ser suprimidas, devemos acrescentar mais uma pergunta:

– O que querem aquelas informações transmitir ao leitor?

Possivelmente pretendem dizer de uma forma bem clara o nível de sofisticação do personagem. Resta então uma última pergunta:

– O fato de se tratar de um personagem sofisticado é relevante para a história? (Isto é, obriga-o a agir de uma forma e não de outra, a pensar de um modo e não de outro, de maneira a determinar os fatos narrados?)

Aí, nós, leitores, temos de concluir a leitura da peça (conto ou romance) para avaliar isso. Se novamente a conclusão clara for de que podemos riscar o trecho sem qualquer consequência para o texto, então estamos diante de um caso de literatura-ostentação. É quando o escritor envia sinais de fumaça para os muito cultos e sofisticados. Uma senha para dizer que ele, o autor, pertence — e tem orgulho de pertencer — àquela tribo. E quando o camarada desanda a citar escritores consagrados, dana-se tudo.

Ora, poupem-nos, a nós leitores, dessas demonstrações tão pouco sutis. Escritor vezeiro em exibir seu capital cultural parece novo rico arrotando suas grifes. A diferença é de nomenclatura. Em lugar de Armani, Ferrari e Mont Blanc: Barthes, Chklovsky, Derrida.

Tal como existe o funk-ostentação, há quem cultive a literatura-ostentação.

 

(*) Homero Fonseca é jornalista, blogueiro e escritor. Foi editor da revista Continente (2000–2008). Autor do romance "Roliúde" (Record, 2007), entre outros livros.

 

 

Audálio Dantas agora é rio

6d8dfb47 5717 4395 83a4 14772f0b30b2

Ontem (26/6) cruzei a ponte sobre o rio São Miguel, em Tanque d’Arca, a caminho de Palmeira dos Índios. Todas as vezes que passo nessa localidade, a lembrança de Audálio é imediata. Tanque d’Arca, para mim, associa-se ao nome do jornalista e escritor Audálio Dantas.

O rio São Miguel tem a sua nascente no município de Mar Vermelho. Há cerca de dois anos estive no olho-d’água que forma o rio e que desce a serra em direção a Tanque d’Arca, cortando os municípios de Marimbondo e Anadia, antiga sede municipal de onde foram desmembrados esses municípios em 1961.

O São Miguel hoje é um rio com pouca vazão; enchente mesmo só no período das chuvas, que tem início em junho. O rio corre em direção ao mar, mas antes forma o delta com a lagoa do Roteiro, em Barra de São Miguel, e se encontram com o oceano Atlântico.

“Seo” Audálio agora é rio, como disse Juliana Kunc. E para mim, todas as vezes que voltar a cruzar o rio São Miguel lembrarei que em suas águas corre o destemido Audálio Dantas em direção ao Atlântico.

Segue as águas do rio São Miguel e vira peixe, e como peixe se multiplicará em nome da liberdade.  

Cardiologista José Wanderley lança carta pública

47ef5959 ed1b 483c a9f6 1a180c4a078d

Prezados Amigos,
De ante mão, agradeço a cada um as palavras e gestos de carinho e apoio espontâneos que venho recebendo nesse momento.
Gostaria de esclarecer e reafirmar alguns pontos escritos na minha carta, para que não ocorram interpretações equivocadas ou mesmo desvirtuado o sentido e sentimentos ali impressos:
1- Contínuo Médico Cirurgião da Santa Casa, porém com limitações de atuação, onde na verdade consigo, por uma logística/administrativa, operar um(01) no máximo dois(02) pacientes por semana, isso quando não recebo a informação de que a cirurgia programada não poderá ocorrer.
Ainda permaneço, não por vontade da gestão, mas por compromisso ao juramento médico que fiz a mais de 40 anos, amor ao que faço e respeito aos pacientes e seus familiares que me procuram, os quais busco ajudar com as limitações que me foram impostas;
2- Como exposto na Carta, estamos apontando o fechamento do Instituto de Doenças do Coração (IDC) e não o fechamento da Cardiologia, que agora possui um novo nome e novas equipes;
3- O instituto de doenças do coração é um bem imaterial, uma concepção que une Assistência ao paciente, Educação e Formação Profissional, Ciência / Pesquisa Científica, não sequer é uma pessoa jurídica,
Como um gremio literário e científico serve para educação continuada
Formação de cardiologistas e cirurgiões, iniciação científica para estudantes de medicina.
Com essa marca foram produzidos centenas de trabalhos científicos apresentados em congressos nacionais e internacionais que colocaram Alagoas no mapa científico brasileiro.
4- A equipe do IDC, tinha por missão o atendimento a todo e qualquer paciente seja ele privado (planos de saúde) ou usuários do SUS, e sempre tive como filosofia de vida atender a todos sem nenhuma distinção social, mas um olhar atencioso aos  problemas sociais dos pacientes mais necessitados; 
5- A atual gestão da Santa casa fechou o IDC, tomou os espaços de atuação clínica, limitou nossa atuação na prática a um dia por semana e ainda incentivou os cirurgiões a formarem “equipes”, 
agora são quatro 
E criou uma nova marca 
Inicialmente “nova cardiologia” e depois santa casa cardiovascular.
Os demais pontos e problemas estruturais estão descritos nas cartas e anexos, enviados desde 2014.
Um fraterno e caloroso abraço de agradecimento à causa.
Dr. José Wanderley Neto

Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com