Geraldo de Majella
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A grandiosidade do escultor Manoel da Marinheira

Redação|

 

O empresário Jorge Tenório tem entre outros méritos o de ter sido o mecenas do escultor Manoel Cavalcanti de Almeida, o Manoel da Marinheira. Tenório iniciou a coleção de obras do escultor ainda na década de 70 do século XX, em Boca da Mata, cidade da Zona da Mata alagoana.

Hoje essa coleção conta com 1.540 peças, sendo mais de 800 produzidas por Manoel da Marinheira, e o restante pelos seus seguidores e discípulos, os seus filhos e filhas, entre eles três filhas surdas-mudas.       

           O Museu Manoel da Marinheira, fundado em 2003, funciona na fazenda Bento Moreira, em Boca da Mata, nas instalações improvisadas de um antigo grupo escolar desativado. As obras estão expostas em dez salas. A coleção é extraordinariamente bela e grande, e é certamente única no Brasil.

       As obras estão bem conservadas, porém armazenadas em condições inadequadas para constituírem um museu. Faltam condições básicas, como a identificação das peças, a época em que foram produzidas, a apresentação de cada obra e as necessárias técnicas da museologia.

       O acervo é monumental e único no Brasil, e possivelmente no mundo. É um espaço de cultura, educação e lazer para as crianças, os jovens e os adultos. Outro detalhe: avançou empresarialmente, mas ainda é subaproveitado.  

       O Museu Manoel da Marinheira, desde que redefinido no espaço em que está localizado, é o nosso Inhotim alagoano.

       O espaço de lazer, de preservação ambiental e de cultura que o Parque Águas de São Bento criou é bonito, grande e agradável, mas o carro-chefe não é o balneário apenas, senão o monumental acervo do Museu Manoel da Marinheira.

       Estive visitando o museu duas vezes num intervalo de nove ano. A primeira vez, na companhia da historiadora Janaina Amado e do jornalista Luiz Carlos Figueiredo, do poeta Sidney Wanderley e da escritora Paloma Amado; a segunda, no último dia 12 de outubro, quando renovei a alegria de visitar um lugar com tanta beleza natural e um acervo que não para de crescer.

       A nota triste é que o Manoel da Marinheira faleceu em 2012, aos 101 anos, deixando uma prole tão grande quanto a obra que o imortalizou.  

O mecenato do empresário Jorge Tenório é um exemplo a ser seguido em Alagoas. 

    

 

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SOBRE O AUTOR

Geraldo de Majella Fidelis de Moura Marques historiador, alagoano de Anadia, formado no Centro de Estudos Superiores de Maceió – Cesmac. Exerceu alguns cargos na administração pública como o de Coordenador de Direitos Humanos da Prefeitura de Maceió, Ouvidor-Geral do Estado de Alagoas, Secretário Executivo de Ciência, Tecnologia e Educação Superior de Alagoas, diretor-presidente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas – Iteral entre outros. Autor dos livros Caderno da Militância – histórias vividas nos bastidores da política; Execuções Sumárias e Grupos de Extermínio em Alagoas (1975-1998); Rubens Colaço: Paixão e vida – A trajetória de um líder sindical; Mozart Damasceno, o bom burguês; O PCB em Alagoas: Documentos (1982-1990) e Um Jornalista em Defesa da Liberdade (2014).

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