Geraldo de Majella
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1ª Maragofli homenageia os escritores Dirceu Lindoso e Chico Buarque

Redação|

 

As festas literárias em Alagoas iniciaram-se em 2006 com a Flipenedo, quando eu e Carlito Lima a organizamos, contando com a participação de 28 escritores. Entretanto, não houve sequência. Em seguida, a prefeitura de Marechal Deodoro criou a Flimar, que ganhou dimensão nacional, coordenada pelo escritor Carlito Lima. Palmeira dos Índios realizou uma edição em 2017, e não foi à frente. Arapiraca lançou a sua primeira Fliara.

Maceió realizou festas literárias nos bairros: em 2017 e 2018, no Pontal da Barra; em 2018, no Graciliano Ramos e Jacintinho. Para 2019 estão programadas seis festas em bairros da capital.  

A histórica cidade de Maragogi, no litoral norte de Alagoas, lançou a 1ª Maragofli, e o escritor Carlito Lima foi convidado pelo prefeito Fernando Sérgio Lira para prestar consultoria à prefeitura. A experiência e a sensibilidade como poeta e editor do prefeito contribuíram muito para o êxito da festa literária.

 A 1ª Maragofli ocorreu entre 5 e 7 de dezembro, como uma festa literária aberta ao público, mas que teve o seu início meses antes, nas salas de aulas das escolas da rede municipal de ensino. A escolha dos homenageados, o historiador e escritor Dirceu Lindoso e o compositor e escritor Chico Buarque de Holanda, foi importante no processo de mobilização dos diretores, professores e alunos.    

O livro e a música, a memória e a história ganharam mais sentido e pulsaram com mais vida nas interpretações feitas pelos alunos e professores, como resultado do trabalho coletivo apresentado na praça Batista Accioly.  

O entusiasmo se refletiu ainda mais durante as encenações teatrais produzidas pelos professores e alunos num teatro em praça pública. Os temas foram as letras musicais, o contexto e as metáforas utilizadas por Chico Buarque para burlar a censura durante a ditadura militar.  

A Maragofli contou com a participação dos escritores Dirceu Lindoso, o homenageado, do historiador Geraldo de Majella, do cronista Carlito Lima, do poeta Charles Cooper, do juiz de direito Alonso Filho e do poeta e prefeito Fernando Sérgio Lira, que falaram para centenas de pessoas presentes na tenda instalada na praça Santo Antônio, no centro de Maragogi.

A cantora Wilma Araújo e sua banda apresentaram-se na abertura da festa, interpretando canções de Chico Buarque. Nos outros dias, shows de Mattos Mendonça e William Miranda. As tendas armadas na praça Batista Accioly teve a participação de Damiana Melo e Sidney Sá, do Grupo Cia Literando, e apresentação do Samba de Matuto e do Bumba Meu Boi.

O objetivo da Maragofli foi alcançado. É esta a proposta de uma festa literária que mobiliza a escola, apresenta o livro como objeto de primeira necessidade e contribui para a formação de novos leitores.

Tem sido comum a mídia noticiar que livros são essenciais e que ler faz bem. Há casos de governos estaduais e prefeituras distribuírem com os professores um “vale livro” ou “cartão” específico para adquirirem livros em festas, feiras e bienais. A realidade local é outra; diante da crise a que o país se acha submetido, iniciativas dessa natureza são um ponto fora da curva.

 O envolvimento das secretarias de Educação foi importantíssimo e decisivo. Sem a compreensão e o envolvimento pessoal dos secretários de Cultura e Turismo a festa não teria sido o sucesso que foi. 

O prefeito Fernando Sérgio Lira ao encerrar a 1ª Maragofli anunciou o próximo homenageado: Ariano Suassuna, escritor e dramaturgo paraibano.

Salve a Maragofli!

 

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SOBRE O AUTOR

Geraldo de Majella Fidelis de Moura Marques historiador, alagoano de Anadia, formado no Centro de Estudos Superiores de Maceió – Cesmac. Exerceu alguns cargos na administração pública como o de Coordenador de Direitos Humanos da Prefeitura de Maceió, Ouvidor-Geral do Estado de Alagoas, Secretário Executivo de Ciência, Tecnologia e Educação Superior de Alagoas, diretor-presidente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas – Iteral entre outros. Autor dos livros Caderno da Militância – histórias vividas nos bastidores da política; Execuções Sumárias e Grupos de Extermínio em Alagoas (1975-1998); Rubens Colaço: Paixão e vida – A trajetória de um líder sindical; Mozart Damasceno, o bom burguês; O PCB em Alagoas: Documentos (1982-1990) e Um Jornalista em Defesa da Liberdade (2014).

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