O racismo escraviza idéias contemporâneas e criminaliza 80 milhões de pessoas, ou seja, 46,2% da população brasileira.

Passados 08 anos desde Durban/África do Sul quando da realização da 1ª Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância e chegando mais um novembro, o tradicional mês da consciência negra, ainda é incipiente a textura das ações sócio-políticas que ajudem a construir uma sociedade contra-hegemônica , em que o direito dos ditos deferentes sejam respeitados, dentre eles está os da população negra.
Dados fornecidos pelo IBGE em 2007, indicavam que em Alagoas, 47% das crianças analfabetas são negras e 27% pardas. Um relatório divulgado pela ONU destacava que em cada grupo de dez jovens entre 15 e 18 anos, assassinados no Brasil, sete são negros. Das 800 mil crianças sem registro civil, 70% são negras. Os índices de mortalidade infantil entre os negros somente são superados pelos índices observados na população indígena.
O combate à exclusão social que atinge a população negra no estado de Alagoas, considerado o estado campeão em desigualdade sócio-étnica, precisa sair da análise superficial marcado por lugares comuns de “erradicação da pobreza” e das colocações simplicistas de que “ao combater a pobreza, resolve-se o problema social do racismo”.
A quebra da geografia social do racismo necessita de ações concretas que se traduzam na adoção de políticas públicas centradas na diversidade étnica e na multiplicidade do povo alagoano.
Ao enfocar só os efeitos históricos da exclusão sócio-étnica do povo negro, o discurso oficial vigente despreza as conseqüências aniquiladoras do impacto do racismo na qualidade de vida do povo negro..
O racismo exclui,separa, tira oportunidades. O racismo escraviza idéias contemporâneas e criminaliza 80 milhões de pessoas, ou seja, 46,2% da população brasileira.
Gestores públicos precisam revisar o discurso oficial, do mês de novembro, para que o debate se faça possível: negro não é excluído porque é pobre, sobretudo por sua condição étnica.
O estado político alagoano precisa acordar para questões que envolvam o princípio da igualdade humana, estourando a bolha de inércia que o envolve no comprometimento político com a temática.
Basicamente, existem duas formas de se combater o racismo: distribuição de renda e educação. Discurso a gente deixa para depois...
O desafio é grande e apesar do apartheid que já persiste e insiste a mais de 500 anos é hora da gestão pública sair do campo das abstrações para a resolução de problemas concretos que minimizam a história e memória do povo negro.
O combate ao racismo é uma delas!

 

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A ativista Zezé Motta e o escritor Sávio de Almeida serão homenageados com a Medalha de Honra ao Mérito Zumbi dos Palmares

Considerada uma das mais importantes militantes negras na articulação nacional, Maria José Motta de Oliveira tem criado uma maior projeção no tocante à expansão da cidadania social da população afro-brasileira.
Nascida em Campos (RJ), atriz e cantora brasileira, conhecida como Zezé Motta, é militante do movimento negro, presidente de honra do CIDAN (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro) e atualmente ocupa o cargo de  superintendente da Igualdade Racial do governo do Rio de Janeiro. Uma mulher que não se cansa de trabalhar e militar pela igualdade de gênero e etnia.
Homem de forte consciência social o alagoano Luiz Sávio de Almeida traduz em suas pesquisas científicas, as diversas obras literárias, artigos de jornais,dentre outros a relevância da escrita/educação na re-construção da Memória e Identidade da população negra brasileira, alagoana como bem coletivo.
A participação social das personalidades acima citadas em movimentos culturais cujo eixo de ação é o combate ao racismo e aos mecanismos de exclusão sócio-econômica e política dos negros na sociedade contemporânea, levou o Projeto Raízes de Áfricas (Organização Não Governamental Maria Mariá) a propor junto aos poderes legislativos alagoanos a entrega da honraria.
Em sessão realizada em 06/10 e numa ação conjunta da Assembléia Legislativa de Alagoas e Câmara Municipal de Maceió, representados pelo deputado Judson Cabral e a vereadora Heloísa Helena foi aprovada por unanimidade a outorga da Medalha de Honra ao Mérito Zumbi dos Palmares,líder negro que lutou pela igualdade social e contra o preconceito racial,para a militante Zezé Motta e ao alagoano Sávio de Almeida.
A cerimônia de premiação deverá acontecer em data previamente estabelecida no mês de novembro.

A Medalha do Mérito Zumbi dos Palmares


A Medalha do Mérito Zumbi dos Palmares, oferecida anualmente, foi criada pela Resolução nº 396 de 09/11/1995. Ela é entregue a personalidade que tenha, por qualquer meio ou iniciativa, prestado relevantes serviços em prol da preservação ou desenvolvimento da história ou das artes e cultura de Alagoas e contribuído para a igualdade racial.
 

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Subestimam o potencial do Parque Memorial na busca de suprimir a história de um povo.

 
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, fincado na Serra da Barriga( último reduto palmarino e patrimônio da humanidade, histórico, arqueológico,etnográfico e paisagístico), no município de União dos Palmares,estado de Alagoas, é um espaço privilegiado, equipamento âncora, com força matriz para nutrir e reafirmar o pacto político-social da quebra da hegemonia histórica, como também contar a saga de mulherese homens guerreiros, como, Zumbi dos Palmare que ergueu sua história no fundamento da igualdade como condição essencial para o equilíbrio humano..

Zumbi que acreditou na proposta da isonomia humana, a partir da redefinição do caráter igualatitário de cada pessoa, independente da cor da pele, daí surgiu o maior e o mais importante quilombo de todas as Américas:O Quilombo dos Palmares.
Zumbi foi um visionário, hoje herói do panteão nacional, que acreditou e lutou pela criação de um estado democrático de direito.
Acontecimento único em solo alagoano a inauguração do Parque (19 de novembro de 2007, portanto dois anos) criou expectativas de desenvolvimento do turismo sustentável, inserindo a comunidade local,oferecendo qualidade no atendimento e geração de trabalho e renda,visitas sistemáticas e organizadas de caravanas culturais,etc,etc,etc, entretanto é infinitamente lamentável que um investimento de enorme valor estratégico, histórico,financeiro e cultural venha sendo, paulatinamente, neutralizado com ações de tão pouca expressão, atrelada a conivência e omissão tanto do cidadão comum, como da classe acadêmica, poder público e sociedade civil organizada.
O ostracismo que hoje se encontra a história do parque é um simbolismo mais do que velado da estratégia política e ideologica de “ao não ter uma identificação estrutural com o passado, a negação do presente é consequencia natural”.
Subestimam o potencial do Parque Memorial na busca de suprimir a história de um povo.São os valores da hegemonia utilizando-se da burocracia gingatesca como artíficio para se obstruir caminhos do conhecimento e vivência da história.
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é um mecanismo catalisador de reflexões e debates e se bem administardo tem o poder de inserir a Serra da Barriga e Alagoas nas discussões nacionais ligadas à construção e o avivamento da identidade negra, através da cultura e história.


 

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Sobre palavras e ausências

A cabeça suspira entre a ânsia do pensamento que vadio voa por entre frestas da porta e a vontade do nada fazer. As idéias estão meio que estressadas. Faço descida forçada, insisto por ação rápida, mas qual o quê elas velejadoras riem um riso escancarado e debocham e se amostram, põem saia indecente e ficam a janela gritando psiu pra transeuntes apressados e não apalavrados.
Olho a cena, sem nem mesmo abalar a retórica, sei que boas filhas, sempre a casa tornam. Vou também à janela e assisto ao espetáculo de camarote. De quando em vez todos os parafusos se soltam e aí não tem jura eterna que obriguem as “meninas-palavras” a formarem fila indiana,marcha soldada da cabeça de papel... Na verdade faço corpo mole e vista grossa e permito que as meninas se prostituam com essa coisa chamada liberdade. Somos prisioneiras: eu delas,elas de mim. Encontramo-nos no entremeio da infância: eu aos nove anos, elas bem mais velhas. Estas senhoras amadurecidas,feito flores temporãs nascidas, quando ninguém mais as esperava- deram um lume de árvore de natal a caminhada da criança-escrevente. Legal tê-las encontrado!
Em muitos momentos caminhante na rua ainda está nua de gente, a poesia me chega por inteira, descendo de pára-quedas.O cérebro entra em ebulição. Insisto por um tempo até encontrar caneta e papel na esquina mais próxima do mundo, para anotação escrita as pressas. O nível de stress do poema nascido é tão acelerado quanto o meu. A demora o faz vomitar palavras,vírgulas,parágrafos numa gestação de expressões novas, outras tão,tão belas que a emoção até desconhece a melequeira que ficou o tapete novo da sala. São refluxos ininterruptos na ânsia voraz de preencher o espaço entre a brancura da folha e o corredor de versos que planejo plantar na entrada da casa.
Ah! essas mulheres andantes compõem canções de vida tão especiais que viram sangria das boas tomada a luz da lua. Percorro a trilha entre a lua e a onda iluminada do olho do furacão. Não dá outra, a palavra em liquidificador vira redemoinho e aí os versos se penduram pelo teto da casa, espalham a cantiga antiga do prazer em olhos assustados da gente que não sabe fazer-se ausente quando a poesia domina.
Fazer-se ausente é viver o momento da escrita, sem nem ao menos saber o alicerce no verso primeiro suporta o peso do libido, pra que não haja o efeito dominó esfacelando escritas arrumadas na cadeia de pensamentos alheios e meio que tontos.
Hoje nada de frases inteiras, pensamentos concretos, verdades absolutas, projetos escrevinhados,nem todo dia é dia de rainha, hoje me ponho súdita e tiro peso das costas. A janela fica no último andar do mundo e quero descer um pouco, olhar a rosa que acabou de brotar em terreno-asfalto-quente-areia-movediça para quem ousa crer no florescimento cotidiano do ser humano.
Aprendi na publicidade que no auge da preguiça mental é hora de exercitar idéias. É isso que faço agora. Devaneio entre o ponto de interrogação e a exclamação do achado.
Eureka!

 

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