Nenhuma surpresa: Número de "Tiroteios em Massa" nos EUA usado pela imprensa é falso!

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O repórter aparece com aquela cara ensaiada que mistura medo e indignação e solta a frase de efeito: “Só este ano já ocorreram mais de 270 tiroteios em massa nos Estados Unidos” e, sem perder o fôlego, na mesma tacada, emenda: “Lembramos que aqui qualquer um compra um fuzil!”. Quantas vezes vimos, ouvimos e lemos tal afirmação nos últimos dias? Incontáveis. Mas, afinal, de onde saiu esse número assustador? Bom, vejamos…

Antonio Gerardo Rodriguez foi cercado pela polícia de Laredo, Texas, após pesar sobre ele a acusação de ter assassinado a namorada. Rodriguez, sem ter como escapar, abriu fogo contra os policiais e feriu três agentes. Ato contínuo, é morto pela polícia que revidou o ataque. Você consideraria isso um mass shooting, traduzindo, um tiroteio em massa? Imagino que sua resposta deva ser um sonoro “não”. Pois bem, o problema é que para a ONG “Gun Violence Archive”, fonte do número mágico citado acima, isso foi, sim, um mass shooting. Casos assim são propositadamente usados para inflacionar os dados sobre esse tipo de ocorrência nos Estados Unidos, dando ares de coisa apavorantemente corriqueira.

Não são apenas casos assim que são contabilizados pela ONG, há, ainda, outros tantos, que são claramente casos típicos de guerra de gangs e acerto de contas entre criminosos: quatro ou cinco bandidos passam de carro atirando na casa de seus desafetos, cena que qualquer um já viu inúmeras vezes em filmes e séries de TV. Também não faltam assaltos que acabam em tiroteio, destes que ocorrem inúmeras vezes por dia aqui, no Brasil, como o assalto a uma loja de venda legal de maconha em Los Angeles, que acabou com um segurança morto e outras pessoas feridas. É óbvio que não se tratam de mass shooting, mas a verdade pouco importa na guerra de narrativas para provar que as armas são as grandes vilãs da história.

O mais grave de tudo é que a fonte primária desse pessoal é a própria imprensa! Ou seja, se não foi publicada não ocorreu, o que varre para baixo do tapete ideológico milhares de vezes em que as armas são usadas para defesa, mas que simplesmente não são noticiadas pela mídia, dando motivo para a falsa afirmação que as armas servem para assassinar, para cometer crimes, mas quase nunca para legítima defesa. Essa mentira eu já expus no artigo “Legítima defesa com armas não é um mito” e destaco aqui o seguinte trecho:

“Uma das únicas pesquisas comprovadamente sérias a este respeito foi realizada pela equipe do Dr. Gary Kleck, criminologista da Universidade Estadual da Flórida, que descobriu que armas são usadas em legitima defesa aproximadamente 2,5 milhões de vezes por ano nos EUA. Essa e outras conclusões estão no livro Armed Resistance to Crime: The Prevalence and Nature of Self-Defense with a Gun.”

A discrepância entre as ocorrências reais e as apresentadas pela ONG é gritante quando comparamos com os números oficiais do FBI. Em 2015, por exemplo, a agência federal americana identificou vinte ocorrências; a Gun Violence Archive conseguiu transformar isso em 333!

Se o critério absurdo, desconexo e desonesto de quatro mortos ou feridos para se classificar um mass shooting fosse adotado no Brasil – país com mais de 60 mil assassinatos e sabe-se lá quantos feridos – nosso país, não tenho dúvida, figuraria como campeão absoluto e disparado de tiroteios em massa, e a guerra de narrativas teria que se adequar para culpar tudo e todos menos aquele que puxa o gatilho, joga um caminhão sobre uma multidão ou incendeia uma creche.

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O IBOPE tachou você de fascista e você nem percebeu!

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O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG mantida pela Open Society Foundation de George Soros, é quem pauta a segurança pública no país hoje. Juntamente com o IBOPE, usaram a Escafa F de Theodor Adorno, marxista da Escola de Frankfurt, em sua recente pesquisa sobre autoritarismo....

 

Ok. Mas o que é a Escala F? Vejamos esse trecho do artigo de Dinesh D’Souza, "O Grande Mentiroso:como Theodor Adorno redefiniu o fascismo" disponibilizado em português pelo pessoal do Tradutores de Direita:

 

"O documento clássico a respeito disso é a famosa Escala F de Adorno. O F significa fascismo. Adorno delineou a escala em seu livro de 1950, A Personalidade Autoritária. O argumento básico do livro foi que o fascismo é uma forma de autoritarismo e que a pior manifestação do autoritarismo é a repressão auto-imposta. O fascismo se desenvolve cedo, argumentou Adorno, e podemos localizá-lo nos apegos dos jovens à superstição religiosa e valores convencionais da classe média sobre família, sexo e sociedade.

Descaradamente, Adorno produziu uma lista de perguntas destinadas a detectar afinidades fascistas. “A obediência e o respeito pela autoridade são as virtudes mais importantes que as crianças devem aprender.” “A homossexualidade é uma forma particularmente doentia da delinquência.” “Nenhum insulto à nossa honra deve ficar impune”. “Não importa como ajam aparentemente, os homens estão interessados em mulheres por apenas um motivo.” Basicamente, uma resposta sim a estas perguntas mostraria que você era um fascista em potencial."

 

Entenderam? O Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o IBOPE tacharam você que é favorável à punição de criminosos, que é contra a pedofilia, que está cansado de ver putaria travestida de arte, que é favorável à polícia e ao cidadão armado para sua defesa de FASCISTA! Vota ou pretende votar em qualquer um dos Bolsonaros? Aí então você é a reencarnação do Mussolini em pessoa! É, para esse pessoal a Dona Regina é uma fascista! Ah! Quase esqueci! Adorno, que sempre lutou contra a autoridade, não pensou duas vezes em chamar a polícia quando jovens marxistas alemães invadiram seu simpósio de sociologia em Frankfurt, mas claro, fascistas são os outros.

 

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Massacre de Las Vegas: sobre armas, leis e loucos.

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O terrível tiroteio ocorrido em Las Vegas, EUA, colorido com o sangue de dezenas de vítimas fatais e centenas de feridos aguçou os vampiros do desarmamento que saíram hoje pelas emissoras de rádios, TVs e jornais a propagar em transe jubiloso, que as leis permissivas para o porte e a posse de armas nos EUA são as responsáveis por esse massacre. Fazem questão, óbvio!, de esquecer dezenas de outros fatores e casos como o de Nice, na França, onde um caminhão foi usado para matar mais de 80 pessoas e que na mesma França, com seríssimas leis restritivas, houve em 2015 um ataque terrorista com mais de 180 mortos perpetrado por islâmicos armados de fuzis AK-47 contrabandeados e, portanto, ilegais. O assassino de Vegas, ao contrário do que afirmam na imprensa, desrespeitou pelo menos uma dúzia de leis estaduais e federais para planejar e executar o covarde ataque contra inocentes desarmados. A pergunta óbvia é: qual lei impediria o assassino? Nenhuma!

 

Enquanto isso, para tentar faturar em cima da desgraça, a Globo News – além de uma quantidade recorde de mentiras e bobagens sobre o assunto – colocou no ar uma enquete com uma pergunta claramente desonesta, tentando induzir um resultado adequado à sua ideologia. Bom, o tiro saiu pela culatra e o resultado parcial neste momento é de 95,47% para a opção de que qualquer pessoal deve ter o direito de portar armas!

 

Tempos atrás já falei sobre esse tipo de ocorrência em um artigo intitulado “Sobre armas, leis e loucos” que reproduzo na íntegra abaixo e que continua absolutamente atual uma vez que as mentiras, distorções e desonestidades continuam sendo repetidas.

 

Como sempre acontece, o mais recente ataque contra um grupo de vítimas indefesas, desta vez em um cinema nos EUA, onde 12 pessoas foram mortas, reacende a sanha dos desarmamentistas americanos, dentre os quais o prefeito de Nova Iorque, Mike Bloomberg, um dos expoentes políticos americanos que acham terem nascido com o dom de saber o que é melhor para mundo todo.

No Brasil, via de regra, aqueles que pregam o desarmamento como forma de impedir tais massacres se assanham rapidamente ao sentirem o cheiro de sangue inocente, impelidos quase sempre pelo antiamericanismo tupiniquim, mas invariavelmente esquecendo - ou fazendo questão  de esquecer - que tais acontecimentos não são, nem de longe, exclusividade norte-americana.

Em 1999, um louco invadiu um cinema de São Paulo e abriu fogo usando uma submetralhadora comprada poucos dias antes em uma favela da capital – arma ilegal, evidentemente. Matou três pessoas e feriu outras 5; e Só não houve mais vítimas porque um herói anônimo pulou sobre ele e o desarmou antes que recarregasse sua arma. Em 1997, Fernando Henrique Cardoso havia transformado o porte ilegal de armas em crime, aumentando muito as restrições relativas à posse e ao porte de armas no Brasil.

Japão, 2001. Um homem com problemas mentais invade uma escola, mata oito crianças e fere outras 13 usando uma faca. O massacre que assustou o Japão não foi o primeiro e não seria o último. A posse e o porte de armas para civis são proibidos no Japão desde o século XV.

Em 2010, em  Naping (China), um desequilibrado mental invadiu uma escola primária e, também usando uma faca, matou oito crianças e feriu gravemente outras cinco. Entre 2010 e 2011, outras 116 crianças e adultos seriam vítimas de ataques semelhantes na China Comunista, fazendo com que o governo proibisse a divulgação de outros ataques para evitar os chamados “copiadores”. Na China, as armas de fogo são terminantemente proibidas para os cidadãos.

Cumbria, Inglaterra, 2010. Um homem, durante um surto psicótico, mata aleatoriamente 12 pessoas e fere outras 11. Foi acompanho por quilômetros por uma viatura de polícia, cujos policiais estavam também desarmados e não puderam fazer nada. Em 1997, a Inglaterra praticamente proibiu as armas particulares para seus cidadãos.

Em 2011, mais um massacre. Desta vez um louco invadiu uma escola no Rio de Janeiro e assassinou friamente 12 adolescentes. A carnificina só parou quando ele foi baleado por um policial que invadiu a escola. Sete anos antes era aprovado o chamado “Estatuto do Desarmamento”, que proibia o porte de armas e criava restrições quase intransponíveis à compra de uma arma legal.

Casos semelhantes aconteceram em diversos outros países, entre eles os pacíficos Canadá e Finlândia. Em todos, houve premeditação e, como autores, viram-se pessoas com distúrbios mentais, que utilizaram as armas que tinham à disposição ou foram capazes de colocar às mãos. Também em todos os casos, a lei, mais ou menos restritiva, de acesso às armas não foi capaz de impedir as mortes, simplesmente porque nenhuma das armas foi usada legalmente.

Recorrer ao desarmamento quando um caso assim acontece é fugir para o simplismo, é apelar, muitas vezes, para o confortável discurso fácil que joga nas armas o poder sobrenatural de agir por conta própria. Ao mesmo tempo, é enterrar a cabeça no chão e negar a existência de pessoas más e insanas, capazes de matar crianças inocentes sem qualquer remorso ou arrependimento. É negar a maldade, negar a existência de lobos no meio das pacatas ovelhas. É, em última análise, balir discursos pacifistas, na defesa pueril de leis restritivas, enquanto os lobos-loucos ignoram sua existência e se preparam para o banquete sangrento.

O primeiro ministro inglês, após o citado ataque de Cumbria, resumiu magistralmente sua posição ao ser inquirido sobre mais restrições às armas: “não é possível legislar sobre a loucura”. E não é, mesmo.”

Como podemos ver, enquanto esse pessoal engajadinho "da paz" segue mentindo, as pessoas seguem morrendo e os loucos, criminosos e terroristas vão muito bem, obrigado.

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Como o racismo pautou as restrições de armas nos Estados Unidos

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Se você navegar em sites pró-armas americanos não demorará mais do que alguns minutos para encontrar slogans e afirmações como: “O controle de armas é racista”; “Homens livres possuem armas, escravos não”, entre outras tantas. Ao mesmo tempo, se navegar por sites de grandes jornais, de defensores do desarmamento e do controle de armas, fatalmente vai se deparar com declarações e notícias acusando grupos de defesa ao porte e à posse de armas de racismo e apoio à famigerada e desprezível Klu Klux Klan. Mas, afinal, quem está com a razão? A defesa das armas é coisa de brancos opressores pequenos burgueses de olhos azuis? Não é o que mostra a história da restrição às armas nos Estados Unidos… E no Brasil também!

 

O livro Gunfight: The Battle Over the Right to Bear Arms in America, que poderia ser mais ou menos traduzido como “Tiroteio: A batalha pelo direito de portar armas na América”, autoria de Adam Winkler, joga imensa luz sobre como o racismo e o preconceito estão intrinsicamente ligados ao controle de armas nos Estados Unidos desde seus primórdios. Não pense que se trata de um autor pró-armas, ligado à poderosa NRA ou a qualquer outra associação de defesa da Segunda Emenda. Não, muito pelo contrário! Trata-se de um professor de direito constitucional da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), favorável ao controle de armas, mas que tem, ao que parece, uma qualidade cada vez mais rara no meio acadêmico de pesquisadores: honestidade intelectual.

 

No livro, Winkler demostra como o racismo e o preconceito foram cruciais para o avanço das políticas de controle de armas em solo. Antes da Guerra Civil que se abateu em solo americano, os negros não tinham qualquer possibilidade de possuírem – e muito menos de portarem – armas de fogo. Ocorre que, durante o conflito, o Exército da União formou unidades compostas por negros; terminada a guerra estas unidades receberam como parte de pagamento as armas utilizadas em combate. Porém, os estados do sul, controlados pelos Democratas, aprovaram os chamados Código Negros, leis que restringiam os direitos civis aos negros libertos, incluindo o direito de possuir armas de fogo.

Klu Klux Klan: nascida pelas mãos daqueles que acham
que as armas devem ser controladas

 

Com base na proibição da posse de armas por negros, racistas começaram a fomentar a criação de grupos com o objetivo de confiscar as armas recém-adquiridas. Formaram-se, então, diversos grupos com os mais diversos nomes, entre eles: os "Homens da Justiça", no Alabama, os "Cavaleiros da Camélia Branca", na Louisiana, e os "Cavaleiros do Sol Nascente", no Texas. O grupo formado em Pulaski, cidade pertencente ao estado de Tennessee, tornou-se o mais conhecido: o Ku Klux Klan. O mais desprezível e violento grupo racista americano teve como embrião a restrição às armas de fogo. O objetivo era simples: reestabelecer a supremacia branca e evitar que os negros lutassem.

 

A coisa não acaba por aí e os exemplos são muitos. Nos anos 20, a própria NRA – que hoje luta pelo fim de qualquer restrição subjetiva para o porte de armas – ajudou a elaborar uma lei que tornava o porte de armas um ato discricionário, ou seja, os agentes do Estado tinham o poder de conceder ou não a autorização de porte apenas para "pessoas adequadas" com uma "razão adequada"… Exatamente como é hoje no Brasil! A edição dessa lei se deu por conta da chegada de migrantes italianos e do leste Europeu que foram acusados de serem os responsáveis pelo aumento dos crimes no país. Mais uma vez o racismo e o preconceito usados como base para o controle.

 

Foi com base na ideia de que “nem todo mundo pode andar armado” e de que o Estado deve deter o poder de decidir, com base em critérios subjetivos e pouco claros de quem pode ou não portar uma arma, é que foi negado ao ativista pelos direitos civis dos negros, Martin Luther King, a autorização de porte! Sim, Luther King mesmo sendo um pacifista e adepto da não violência, não abria mão de armas para sua defesa, estas que estavam faziam presentes mesmo em sua igreja. Se levarmos em conta, como apontam algumas teorias e como sugere o excepcional filme J. Edgar, direção de Clint Eastwood, a possibilidade do envolvimento do próprio governo americano no assassinato de King faz todo o sentido que esse mesmo governo minimizasse ao máximo a sua possibilidade de defesa.

Martin Luther King teve o porte de arma negado
com base na discricionaridade da lei

 

A década de 60 foi marcada por conflitos raciais, luta por direitos civis e, claro, mais restrições! Já nos anos finais da década de 60, o país foi varrido por leis discricionárias para o porte de armas, quase todas em decorrência de grupos de negros armados que escoltavam alunos em faculdades e protegiam ativistas. Um dos casos foi a ocupação por negros armados em prédios do governo, entre eles o do Legislativo Estadual da Califórnia. Reagan, o então governador daquele estado, imediatamente tornou bem mais rígida – quase proibitiva – a lei para o porte de armas. Não, não acredito que Reagan era racista e sua biografia aponta isso. O que ocorria ali era uma disputa de forças entre o Estado e grupos civis que, por exemplo, acompanhavam armados as abordagens de policiais aos negros para garantir que não ocorreria nenhum abuso. Os policias, representantes do Estado, não podiam ser coagidos sem uma resposta e, mais uma vez, a restrição para todos os cidadãos, independentemente de qualquer fator racial, traduziu-se em menos liberdade para todos.

 

E no Brasil? Isso ocorre ou ocorreu? Sim! Desde o tempo do Brasil colônia, mas deixo esse assunto para o próximo artigo. O importante aqui é lembrar que da próxima vez que você ouvir alguém dizer que “arma não é para qualquer um” dê um passo para trás e descubra se esse “qualquer um” não é um negro, um pobre, um homossexual ou você, pois o que não falta são racistas e preconceituosos defendendo a paz e o desarmamento enquanto vestem a fantasia de defensor das minorias oprimidas.

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A liberação do 9mm e o besteirol dos “especialistas” brasileiros

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A “Folha de São Paulo” e o jornal “O Globo”, entre outros, publicaram reportagens falando sobre a liberação do calibre 9mm para policiais civis e militares pelo Exército, liberação digna de nota e aplausos por qualquer um que saiba o mínimo sobre balística, armas, munições e suas aplicabilidades. Confesso que quando comecei a ler as matérias tive a impressão de que os policiais poderiam andar com famigerados lança-chamas, mísseis terra-ar ou armas nucleares, tamanho o sensacionalismo e o grau de profundo desconhecimento apresentado pelas fontes dos jornais.

Comecemos pelo título da matéria da Folha que, à guisa de caçar cliques, expressa uma tremenda inverdade. O que foi liberado para uso dos policiais não foi uma “arma do exército”, mas, sim, um calibre que sequer é de uso exclusivo das Forças Armadas, pois há tempos é usado por policiais federais e, mais recentemente, até por atiradores desportivos. Inclusive só é possível falar em “arma do Exército” ou das Forças Armadas no sentido de propriedade, uma vez que o Exército apenas adota certos tipos de armas e calibres, portanto um título honesto para a matéria seria: “Exército libera calibre 9mm para policiais estaduais”. Tão simples…

A ideia exposta em ambas reportagens de que o 9mm é um dos calibres mais letais do mundo não passa de bobagem sensacionalista. Ora, o 9mm não é mais ou menos letal do que os calibres .40S&W, .45ACP ou o .357 Magnum (estes dois últimos os meus prediletos para defesa), que já estavam liberados para uso particular de policiais e outras categorias!

Bom, primeiramente temos que entender o motivo de existir restrições de calibres no Brasil, fato que já abordei em incontáveis palestras, artigos, entrevistas e no livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, de qual retiro o seguinte trecho:

“Getúlio Vargas ainda enfrentaria mais uma situação de confronto bélico, na revolução de 1932. Mas desta vez seria contra o estado mais rico da federação, São Paulo, que contava com uma força policial equipada com fuzis Mauser, metralhadoras Madsen, carros de combate, canhões e até mesmo alguns aviões de guerra. Além da Força Pública do Estado de São Paulo, os paulistas contavam com todas as organizações militares do exército brasileiro sediadas em seu estado, e com a ajuda de milhares de voluntários, que levaram suas próprias armas para o campo de batalha. Depois de 87 dias de duros combates, o governo de Vargas conseguiu vencer a guerra paulista, encerrando assim o último conflito armado ocorrido em território brasileiro. Mas a mensagem que ficou é muito clara: os paulistas não teriam sequer ousado levantar-se contra a ditadura de Vargas sem o armamento que tinham. Pouco tempo depois, em 6 de julho de 1934, o governo baixou o Decreto 24.602, criando as restrições de calibres e de armamentos, tanto para os cidadãos civis como para as polícias. É por consequência desse decreto que as polícias estaduais necessitam hoje da permissão do exército para comprar fuzis e armas de maior calibre, e frequentemente combatem os criminosos com equipamento inferior em poder de fogo.”

Comparação visual entre os calibres citados. O .380 é o único desses liberado para uso civil no Brasil.
Comparação visual entre os calibres. O .380 é o único
desses liberados para uso civil no Brasil.

 

No caso do 9mm, especificamente, o Exército decidiu por maiores restrições e o elegeu, na época, como calibre de uso exclusivo das Forças Armadas. E por qual motivo? Calibre que mata mais? Que atravessa trilho de trem? Que fura blindagem? Que derruba avião? Que pode tirar a terra de órbita tamanho seu poder? Nada disso! A lógica era que em casos de revoluções ou guerrilha – como a de 32 e a de 64 – mesmo que os guerrilheiros e revoltosos tomassem as armas de militares em ações, estes teriam dificuldade logística para conseguir munição… Tese que se mostra insustentável com a passada de olho em qualquer notícia sobre apreensão de armas e munições nas favelas cariocas ou de quadrilhas de São Paulo. Na prática, o 9mm, o 7,62mm, o 5,56 mm e até o calibre .50BMG se tornaram de uso exclusivo das Forças Militares e dos bandidos.

Teste balístico mostrando que a penetração entre
os calibres citados é praticamente a mesma.

No fundo, o calibre 9mm é tão somente um bom calibre para uso militar, policial e civil, coisa absolutamente corriqueira em diversos países do mundo como Estados Unidos, Suíça, Argentina e Uruguai, entre tantos outros. Criado por Georg Luger lá pelos idos de 1900 para uso militar na Alemanha, tinha limitações para uso policial e para defesa uma vez que, na época, o limitante para a desenvoltura do calibre incluía apenas o peso do projétil e a carga de pólvora, sendo que a configuração deste era sempre do tipo “totalmente jaquetada” o que, de fato, em certas circunstâncias, pode causar um “excesso” de penetração e baixa efetividade contra alvos humanos quando se fala em tirar o mais rápido o seu oponente de ação. Mas isso não é mais realidade! Quem continua afirmando sobre a “super-mega-blaster-penetação” de um disparo de 9mm está repetindo lendas criadas há mais de cem anos atrás!

A escolha do calibre .40S&W – que as reportagens fazem parecer um .22LR em comparação ao 9mm – é bastante discutível. Explico: a escolha ocorreu no final da década de 90 quando se chegou à conclusão – correta – de que os velhos e confiáveis revólveres .38SPL, empregados por praticamente todas as forças policiais do Brasil, já não eram páreo para o armamento mais sofisticado e moderno que começava a chegar nas mãos da criminalidade. Ao contrário do que se pode imaginar, a escolha ocorreu muito mais por “moda” do que por questões técnicas, e que pese que o 9mm era carta fora do baralho por conta da negativa do Exército em liberar esse calibre para uso policial.

O desenvolvimento do calibre .40S&W ocorreu após o trágico incidente em Miami, em 1986, envolvendo assaltantes de banco e agentes federais americanos, o qual resultou na morte de dois agentes e ferimento em outros cinco. Os dois criminosos, mesmo baleados diversas vezes, seguiram atirando. A necropsia em Michael Platt, um dos criminosos mortos, constatou que o primeiro tiro que ele levou parou a apenas alguns centímetros de seu coração. Esse disparo, se efetivo, teria salvado a vida dos dois agentes mortos. Qual calibre o FBI utilizava? 9mm!!! Entenderam? O tal calibre que, de acordo com a imprensa nacional, o ouvidor da polícia militar de São Paulo e o Coronel José Vicente, pode atravessar e matar várias pessoas com um único disparo não foi capaz de atingir o coração do criminoso! Explicarei mais à frente o motivo disso ter ocorrido.

Um bom filme sobre o episódio.
É possível encontrá-lo no Youtube

Após a terrível ocorrência, o FBI imediatamente iniciou a busca de um calibre novo, que tivesse a massa do projétil próxima do vetusto .45ACP e com a velocidade do 9mm. O primeiro calibre a surgiu foi o 10mm, que rapidamente se mostrou excessivamente forte para o uso policial – o pronunciado recuo praticamente inviabilizava tiros rápidos e precisos. Surge, então, o .40S&W, uma versão “fit” do 10mm, que foi adotado imediatamente pelo FBI. Bum! Praticamente todas as agências policiais americanas migraram para o novo calibre e essa migração, óbvio, foi seguida por órgãos de segurança do mundo todo, incluindo o Brasil. Honestamente eu nunca tive simpatia pelo calibre que se propunha a ter o que havia de melhor no .45ACP e 9mm, mas, para mim, acabou como o pato que nada, voa e anda, mas não faz nenhuma das coisas direito. Opinião pessoal, devido ao recuo maior que o .40, sem a massa do .45 e ainda por cima trabalhando no limite de pressão 100% do tempo.

Prova que o calibre .40S&W é tão somente mais um bom calibre é que o próprio FBI retornou ao uso do 9mm em 2015! A agência constatou que no episódio do tiroteio de Miami o erro não era do calibre, mas, sim, da configuração do projétil que expandia violentamente e não penetrava o suficiente. A escolha dessa configuração à época se deu por um dos mitos que sobrevive até hoje e que foi citado pelo Coronel José Vicente, provando sua total desatualização sobre o assunto: o inexistente fator de “Stopping Power”! Toscamente explicando, seria a capacidade de parar o oponente com apenas um disparo. O problema é que tal tese levava em conta uma inexistente transferência de energia para o alvo e, para que essa transferência ocorresse com mais eficácia, o projétil deveria ser veloz e expandir violentamente contra o alvo. Com essa configuração, “tchau penetração”, exatamente o problema letal enfrentado pelos agentes em Miami.

Bom, o texto já está bastante longo e acredito que entrar em mais detalhes poderia ser cansativo. Como explicação aprofundada dos aspectos técnicos que levaram o FBI a readotar o 9mm, convido você, leitor, a visitar o artigo “9mm, .40 ou .45? FBI decide pelo uso do calibre 9mm, veja o porquê”, autoria do agente da polícia federal, Hugo Cordeiro. A leitura é benéfica para entender a quantidade de asneiras que estão sendo ditas e repetidas sobre essa questão! Vale a pena também acompanhar no Instagram o instrutor e policial federal, Paulo Bedran (@paulobedraninstrutor), e o blog “Sobrevivência Policial” do amigo Humberto Wendling!

Agora encerrando, juro(!), vejo a liberação do calibre com ótimos olhos! Primeiramente mostra que o Exército começa a rever a ideia ultrapassada e fruto de um ditador. A liberação abre, quiçá, a possibilidade de que as Instituições policiais possam adotar institucionalmente o calibre que traz claras vantagens sobre o .40S&W, entre elas: menor peso das armas, mais munição por carregador, treinamento mais fácil por conta do menor recuo e, o principal, a possibilidade de sequências mais rápidas e mais precisas, o que pode significar a diferença entre a vida e a morte do policial! 

Enquanto a imprensa segue desinformando, o ouvidor da Polícia Militar de São Paulo segue preocupado com a letalidade policial e o Coronel José Vicente segue passando dados errados sobre armas e munições, os polícias seguem morrendo e as viúvas e órfãos seguem chorando. Os criminosos? Esses seguem comemorando o apoio ao desarmamento e às leis restritivas.

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Pesquisa confirma que maioria dos brasileiros quer o fim de qualquer restrição às armas de fogo

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De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, quase 70% dos brasileiros querem menos restrições para aquisição e porte de armas de fogo, destas, 52,7% se mostraram favoráveis ao fim de qualquer restrição.

 

Conforme nota enviada pelo Instituto, para a pesquisa foi utilizada uma amostra de 2.640 brasileiros. A pesquisa foi realizada a partir de questionário ONLINE (encaminhados à base cadastrada do Grupo Paraná Pesquisas), entre os dias 21 e 24 de agosto de 2017. Tal amostra representativa do território nacional atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,0% para os resultados gerais.

 

O resultado que pode indicar um crescimento desse posicionamento desde a realização do referendo de 2005 onde 63,94% votaram não à proibição do comercio legal de armas de fogo, esse crescimento é bastante perceptível para quem acompanha de perto o assunto e se traduz basicamente pela descrença – verdadeira! – de que o Estatuto do Desarmamento e suas restrições quase intransponíveis não refletiram em mais segurança. Se em 2005 a lei recém aprovada ainda gerava alguma esperança de sucesso isso é cada vez menor hoje.

Outro ponto que deve ser levando em conta é o crescimento do grau de conscientização sobre o assunto que ocorre graças às redes sociais, alguns veículos de imprensa que começam a se posicionar contra o malfadado Estatuto e a publicação, nos últimos anos de livros sobre o tema, em especial pela Vide Editorial que nos últimos dois anos publicou três títulos sobre o tema entre eles o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento que nesta semana foi o segundo livro mais vendido na gigante Amazon.

 

Dos dados, o que mais me chamou a atenção é de que a maioria dos entrevistados se mostrou favorável ao fim de qualquer restrição. A resposta para esse posicionamento é simples: todas a restrições existentes até hoje no Brasil fracassaram em retirar dos criminosos o acesso às armas de fogo e isso leva à conclusão – correta – que tais restrições, por si, não são capazes de “desarmar” os criminosos. Algo do tipo: “se o bandido não tem qualquer restrição para comprar qualquer tipo de armas, porque o cidadão tem?”

 

A pesquisa torna-se uma forte ferramenta de apoio ao PL 3.722/12 do deputado Rogério Peninha que tramita na Câmara e que revoga a atual Lei 10.826/03 substituindo-a por uma legislação mais moderna e adequada não só ao que quer a população, mas também à necessidade urgente de se devolver ao cidadão o seu direito de defesa.

 

A integrada pesquisa que também trata de migração e mostra que a maioria dos brasileiros apoia o controle de quem pode entrar no Brasil está disponível aqui http://www.mvb.org.br/userfiles/Parana_pesquisas.pdf

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Luciano, Angélica e Freixo, entendam, o segurança dos meus filhos sou eu!

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Na semana passada alguém no Twitter desenterrou uma postagem do apresentador global Luciano Huck onde ele dizia: “Contra malucos, psicopatas e afins...pouco podemos fazer. Mas contra as armas de fogo, é só vontade pública e política. Desarmamento, já.” Mesmo sendo uma postagem de 2011, feita após o trágico ataque ocorrido em uma escola de Realengo, não perdi a chance de fazer uma provocação óbvia: “E o desarmamento dos seus seguranças? Já fez?”.

 

O casal Luciano Huck e Angélica não abrem mão de serem escoltados por seguranças armados, e não entregam a segurança de seus filhos ao Estado, exatamente da mesma forma que o fazem com a saúde e a educação públicas. E estão certíssimos! Se rico eu fosse, também cercaria meus bens mais preciosos de gente armada e capacitada para defende-los. Não, não se trata de inveja ou qualquer coisa desse tipo, o problema é que esse mesmo casal é defensor ferrenho do desarmamento e divulgam a ideia de que armas só servem para matar, ao que parece menos as armas dos próprios seguranças.

 

Hoje, 31 de agosto, o deputado estadual do PSOL, Marcelo Freixo, participou de um excelente debate com o também deputado Flávio Bolsonaro realizado pelo pessoal do Descomplica e foi clara sua dificuldade em sustentar que armas são ruins enquanto tentava explicar o motivo de ser o deputado estadual que mais requisitou seguranças armados no Rio de Janeiro. Segurança essa feita por polícias e agentes penitenciários que foram desviados da sua função primária de promover segurança PÚBLICA para garantir a segurança PARTICULAR do deputado desarmamentista e sua família. Como eu disse acima, o problema não é recorrer a pessoas armadas para garantir sua vida, mas sim fazê-lo enquanto defende que o cidadão, mesmo preparado, não deve ter o direito de defesa com o uso de armas. A gravidade cresce exponencialmente quando tudo isso acontece com o dinheiro do contribuinte.

 

Tenho certeza que 99,9% das pessoas que estão lendo este artigo não são milionários, deputados, senadores, governadores ou presidente da república para contar com as reais benesses da segurança armada e carros blindados. São gente como eu, que com muito sacrifício mantém os filhos em uma escola particular minimamente decente, paga convênio médico para evitar cair nas garras da saúde pública, mas nunca terá dinheiro para arcar com custos de seguranças armados 24 horas por dia e o conforto de carros blindados. Luciano, Angélica, Freixo e demais desarmamentistas protegidos por gente armada, o segurança dos meus filhos sou eu, mas provavelmente vocês nunca entenderão o que significa isso do alto de suas torres de marfim e de seus reluzentes carros blindados.

 

Favoráveis ao desarmamento, mas muito bem protegidos por pessoas armadas.
 

 

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Deputado da Bancada do Bombom quer acabar com o porte de arma de atiradores e endurecer o Estatuto do Desarmamento

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ATENÇÃO: APÓS A PUBLICAÇÃO DESTE ARTIGO O DEPUTADO RETIROU O PROJETO DE LEI

 

Você já ouviu falar no deputado Evair Vieira de Melo do PV do Espírito Santo? Eu confesso que só soube de sua existência por conta de uma postagem do Gregorio Duvivier, aquele militante de extrema esquerda do Leblon travestido de comediante. Na dita publicação o comediante faz chacota do deputado e o desafia a defender o desarmamento encabeçando uma imaginária Bancada do Bombom. O deputado então resolveu levar a sério o escárnio público e apresentou um Projeto de Lei endurecendo ainda mais o Estatuto do Desarmamento! Não, não é brincadeira!

 

Destaco alguns pontos simplesmente inacreditáveis:

 

“O registro junto ao Comando do Exército de colecionador, atirador e caçador não autoriza o porte de armas de fogo municiadas, ainda que no deslocamento entre o local de guarda do acervo e o local de prática da atividade.”

 

“Nas mesmas penas incorre quem portar réplicas e/ou simulacros de armas de fogo de uso capazes de atemorizar outrem, sem prejuízo de pena imputada pelo crime cometido com o respectivo simulacro.”

 

“Colecionadores de arma de fogo longa de uso restrito ou proibido terão o prazo de até noventa dias, a partir da promulgação da presente alteração, para retirarem o mecanismo de disparo ou cimentar o cano, sob pena da cassação da autorização e apreensão da arma nos termos do art. 16-A”

 

O risível Projeto de Lei do deputado da Bancada do Bombom foi apensado ao PL 3722/12, o que na prática mata-o no nascedouro embora ainda possa, em tese, ser desapensado e tramitar normalmente. Seja como for, fica a lição de que a ignorância e a falta de seriedade com um assunto tão grave e urgente não possuem limites no Congresso Brasileiro...

 

 

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O desarmamento na Venezuela e o desespero de quem defende ideias totalitárias

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O tal “socialismo do século XXI”, um mero slogan inventado por Heinz Dieterich – sociólogo e espécie de conselheiro informal do processo de bolivarianismo que contaminou boa parte da América Latina e de forma mortal a Venezuela –  está ruindo a olhos vistos. Miséria, fome, violência, autoritarismo e repressões violentas tomam conta do país, que até 2001 era o país mais rico da América do Sul.  Maduro, o herdeiro maldito do Chavismo, torna-se cada vez menos defensável, a não ser, claro, para boa parte da esquerda. Dentro desse contexto é fácil imaginar que pessoas, grupos e organizações tentam se distanciar de qualquer coisa ligada a Maduro, ainda mais quando se tem no passado, enterrado no porão, o apoio às políticas como a do desarmamento civil.

 

Se na extinta União Soviética vencedores ideológicos manipulavam fotos, reescreviam documentos e livros para obliterar a existência dos vencidos, hoje, a tentativa de se apagar publicações comprometedoras se dá em um simples clique. E foi exatamente o que fez o Viva Rio ao apagar de sua página a publicação na qual, orgulhosamente, estampava sua colaboração com o regime chavista, com o objetivo de implantar o desarmamento nos mesmos moldes brasileiros. Essa organização, cria de George Soros, não estava sozinha nessa empreitada, que contava também com a colaboração ativa de ninguém menos que a própria ONU através do Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, Desarmamento e Desenvolvimento da América Latina e Caribe (UN-Lirec).  O problema para esses “reescritores” de fatos é que desaparecer com coisas da Web não é tão simples assim, e a postagem original ainda pode ser achada no site Web Archives. O vídeo, que ilustrava tal matéria, ainda se encontra no canal do YouTube da ONG.

 

Dá para piorar? Dá, sempre dá! Pior que a tentativa frustrada de enterrar o passado sombrio e vergonhoso de apoio aos ditadores Chávez e Maduro é negar que houve desarmamento naquele país. E foi exatamente o que fez o jornalista Reinaldo Azevedo por quem, confesso, já tive admiração no passado. Vejam o trecho:

 

“Os ‘grupos de autodefesa’ criados por Chávez fizeram da população civil umas das mais armadas do planeta. Aliás, os que defendem o fim do Estatuto do Desarmamento no Brasil em nome da chamada ‘autodefesa’ estão se alinhando com uma tese… chavista!!! O curioso é que tal discurso, em Banânia, tem origem na extrema-direita. No país vizinho, foi manipulado pela extrema-esquerda. Bastaria isso para evidenciar como uns e outros estão certos, não é mesmo? “

 

Entenderam? Para o jornalista não houve desarmamento na ditadura Venezuelana e nós, que defendemos o fim do criminoso Estatuto do Desarmamento, estamos do lado de Chávez et caterva! Mentalmente solto alguns palavrões (que não estamparei aqui) e chego à conclusão que para defender esse mantra sagrado do tucanato, algumas pessoas não pensariam duas vezes em aderir até à tese da terra plana.

 

Não é preciso muito para se comprovar que houve, sim, desarmamento implantado na Venezuela e que este é cópia quase fiel do que ocorreu no Brasil, iniciado por Fernando Henrique Cardoso em seu primeiro mandato como presidente. Tal notícia foi destaque em praticamente todos os portais e sites de notícias no Brasil, como o portal Vermelho.org, Exame, UOL e Veja. O destaque fica por conta da reportagem feita pela gigante Fox News, que ganhou legendas em português do pessoal do “Tradutores de Direita” e que você pode assistir clicando aqui .

 

Da mesma forma que a ditadura venezuelana buscou desarmar a população e seus possíveis opositores, tratou logo de armar milícias e aqueles que são fiéis ao ideário socialista, atitude que praticamente todos ditadores fizeram em maior ou menor grau, tendo como Hitler o seu expoente máximo, que usou a legislação controladora da República de Weimar para desarmar os eleitos inimigos do Estado Alemão e, óbvio, garantiu o armamento nas mãos do próprio Estado e de seus fiéis simpatizantes.

 

Até mesmo o armamento das milícias me cheira a um grande blefe de falastrões. As imagens, amplamente divulgadas por Chávez, onde milhares de milicianos aparecem com seus reluzentes fuzis FAL, mostram que estes estavam sem seus carregadores e, portanto, desmuniciados. Pode ser apenas para se evitar disparos acidentais por quem obviamente não tem proficiência com armamento? Pode! Mas não duvido boa parte disso seja pura encenação e, após os desfiles e fotos, o armamento voltou aos quartéis e arsenais oficias. Recentemente Maduro afirmou que ampliaria a milícia para quinhentos mil cidadãos e o Exército garantiria um fuzil para cada um. Difícil, muito difícil, imaginar meio milhão de voluntários armados, que literalmente não têm papel higiênico para limpar a bunda, defendendo o governo. Muito mais fácil seria ver um levante dessas pessoas, em tese armadas e treinadas, contra Maduro, que diferente de Chávez não possui qualquer carisma.

 

Afirmar que não houve desarmamento na Venezuela e que a luta pela legítima defesa é coisa de gente alinhada ao chavismo, ao autoritarismo ou ao totalitarismo, não se trata de um ponto de vista ou erro de interpretação, mas, sim, de uma enorme mentira insustentável de quem tenta não ser reconhecido por se alinhar com grandes desarmamentistas como Lenin, Stalin, Fidel Castro, Pol Pot ou Hitler. Pode dar piti, fazer birra, citar Machado de Assis e o escambau… Nada disso mudará a verdade de que quem se alinha às ideias chavistas são aqueles que defendem a manutenção do Estatuto do Desarmamento e o monopólio da força nas mãos do Estado; o resto é uma fraude desesperada de quem, no fundo, alinha-se ao que diz combater.

Em tempo e a bem da verdade: Jair Bolsonaro, diferentemente do que acusa falsamente Reinaldo Azevedo, jamais pregou a existência, criação ou manutenção de milícias armadas. Sua proposta é simplesmente devolver ao cidadão o direito à legítima defesa, direito esse ferido de morte pelo Estatuto do Desarmamento. Isso é exatamente a antítese daquilo que defendem os desarmamentistas, ou seja, não privilegiar certas classes ou grupos que continuam armados com as bençãos do próprio Estado, incluindo os criminosos que não dependem da legislação ou de burocratas.

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As raízes da insegurança pública brasileira e a lição de Joaçaba

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Nesta última semana, juntamente com o deputado Rogério Peninha, autor do PL 3.722/12, que revoga o Estatuto do Desarmamento, fiz uma maratona de palestras em Santa Catarina. Foram quatro cidades em três dias agradavelmente corridos. Em ordem, palestrei em Dionísio Cerqueira, Chapecó, Joaçaba e Criciúma. Cada cidade, como quase sempre acontece quando viajo, me traz novas experiências, e me focarei aqui em duas delas.

 

 Em Dionísio Cerqueira pude constatar o descontrole absoluto de nossa fronteira com a Argentina, onde entrei e sai sem qualquer verificação, nem mesmo de documentos. Poderia estar fugindo do Brasil ou levando drogas para outro país que nada me impediria. No retorno, a mesma realidade. Na mala alguns potes de chimichurri, cervo em conserva, alfajores e algumas garrafas de vinho. Poderiam muito bem ser armas, munição e drogas. Para efeitos de fiscalização não haveria a menor diferença. Também foi nesta pequena cidade que, após a palestra, um capitão da polícia militar confessou que estava ali preparado para contestar o que os ditos especialistas em segurança pública repetem com exaustão; para isso havia trazido papel e caneta e anotaria todos os pontos contestáveis… Saiu com a folha em branco. Excelente sinal para uma palestra que eu estreava, onde, além do desarmamento, procurei analisar como o marxismo contaminou nossos gestores de segurança e catastroficamente nos trouxe até aqui.

 

O teste de fogo acabaria por acontecer em Joaçaba. O evento, capitaneado pelo Juiz de Direito Márcio Bragaglia, carinhosamente apelidado de “Mão de Bigorna” por conta de seu extremo rigor com os criminosos, ocorreu no auditório da UNOESC (Universidade do Oeste de Santa Catarina) e contou com um público de mais de 600 pessoas. O que me chamou a atenção e, confesso, encheu minha alma de temores, foi a presença maciça da elite da segurança pública daquela cidade. Estavam presentes juízes, promotores, delegados, oficiais da Polícia Militar, policiais civis e militares. Digo agora aliviado que, aparentemente, me saí muito bem, não recebendo qualquer contestação sobre minha explanação, mas sei que isso não aconteceu por acaso…

Nos últimos anos Joaçaba e regiões próximas implementaram uma política de segurança pública impermeável à ideologia reinante da qual falei longamente na palestra. As armas de fogo, por exemplo, não são tratadas como problema, mas vistas como simples objetos e o seu uso é o que importa. Assim, um sitiante com uma espingarda sem registro, pendurada na parede de casa não é tratado como um traficante com um fuzil. Nas palavras do delegado Regional de Joaçaba, Daniel Sá Fortes Régis: “Se um lavrador tem uma espingarda sem registro a responsabilidade não é dele e sim do legislador que tornou praticamente impossível o contrário”. Sim, eu também me espantei – e me alegrei! – com a clareza de pensamento da autoridade policial, clareza esta que, naquela região, não é só dele!

 

Outro exemplo que precisa ser conhecido é do Presídio Regional de Joaçaba onde vigora rigor máximo e ordem extrema. Não, não se trata de uma dessas masmorras que são chamadas de presídios no Brasil. Ali existe dignidade na mesma proporção que existe austeridade, tanto para os agentes quanto para os apenados. Nas celas não há um só risco nas paredes, os bloqueadores de celular funcionam plenamente e as drogas simplesmente não entram! Nunca vi nada assim no Brasil.

 

O juiz Márcio Bragaglia, que não por acaso é aluno de Olavo de Carvalho desde antes de se tornar um magistrado, implementou no presídio um programa absolutamente inédito no Brasil chamado “Reeducação do Imaginário”. Os presos são convidados a lerem, de forma conduzida, clássicos da literatura, escolhidos a dedo e com sequência obrigatória. São eles: Crime e Castigo, Coração das Trevas, Othello, Moby Dick, O Vermelho e o Negro, A Montanha Mágica, Paraíso Perdido, Macbeth, A Morte de Ivan Ilitch, O Senhor dos Anéis, Grandes Esperanças e Fahrenheit 451. Como explicado no artigo “Reeducação do Imaginário: 12 clássicos depois”, publicado no site Mídia Sem Máscara: “A seleção das obras se dá com base no encadeamento de temáticas relevantes aos objetivos do projeto: culpa e arrependimento, escolhas e consequências, responsabilidade pessoal, aprimoramento da percepção (inclusive de questões transcendentais), reflexão sobre a dor e sofrimento causado e suportado, fardos, preço e valor da liberdade”. O resultado disso? Menos de 5% de reincidência por aqueles que passaram pelo programa.

 

Enquanto outras cidades e regiões com o mesmo perfil apresentam um crescimento alarmante de todos os tipos de crimes isso não ocorre em Joaçaba, dados de 2015 ajudam a explicar o fenômeno:

  • Acréscimo de 336,84% no número de mandados de busca e apreensão representados e cumpridos em toda a região;
  • crescimento de 76,84% de prisões efetuadas;
  • 6,80% no acréscimo total do número de inquéritos policiais concluídos;
  • 100% dos homicídios solucionados.

Em reportagem à Rádio Catarinense, Dr. Régis manda um forte e inequívoco recado aos criminosos: “A região de Joaçaba, que já se sentia segura, não fugimos a nossa responsabilidade e o sujeito que vem para Joaçaba, está traficando, roubando, furtando pode ter absoluta convicção de que nós vamos prendê-lo”. E, pelos números acima, vemos que não se trata de discursos, mas, sim, de fatos.

 

Haveria muito mais sobre o que escrever, mas termino por aqui afirmando que saí de lá com esperanças renovadas e com a certeza de que uma segurança pública que funciona necessita imediato afastamento da ideologia dominante atual e integração de pensamento entre todos os órgãos da segurança. O cidadão armado deve ser visto como um auxiliar dessa segurança, a ilegalidade da arma está na sua utilização e não em um pedaço de papel expedido por um burocrata estatal. O que funciona para ressocialização é o choque de valores e ouso afirmar que só o conservadorismo pode salvar a segurança pública no Brasil.

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