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Maioria dos ministros do STF votaram a favor da vacina obrigatória.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o principal questionamento sempre foi qual medicação iria conseguir frear a contaminação que no Brasil e em Alagoas, chegou em alguns momentos a ser incontrolável. A chegada da vacina tem sido aguardada como uma esperança capaz de deter o avanço da doença.

No entanto, durante todo esse processo, os cientistas têm buscado esforços para que em um tempo recorde, uma vacina contra a covid-19 possa está disponível em todo mundo. Só que bem antes disso, é preciso entender que a ciência tem etapas a cumprir até que a vacina que ainda passa por estudos, venha ser aplicada na sociedade.

Dentre todas as vacinas que seguem em estudos, duas delas contam com acordos para serem produzidas no Brasil pelos dois maiores produtores de imunobiológicos do país, caso se comprovem eficazes pelas autoridades sanitárias.

De um lado, está a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela empresa AstraZeneca, no Reino Unido, que será produzida pela Fiocruz. De outro, aquela que está em estudo pela empresa Sinovac, na China, que tem acordo de produção com o Instituto Butantan.

Em meio a tanta informação cientifica e técnica, parte da sociedade que não possui um entendimento claro sobre os fatos que rodeiam a temática das vacinas acabam sendo “acolhidas” pelas temidas Fake News, que tem feito com que algumas pessoas afirmem que não vão tomar a vacina.

Ao CadaMinuto, a Biomédica formada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutora em Imunologia formada pela Universidade da Califórnia e Pós-doutora em Imunologia da Infecção, Dra Cristiane Monteiro da Cruz, afirmou que em meio a tanta informação falsa, é preciso seguir as instruções dos órgãos competentes que são responsáveis por verificar, analisar e emitir um parecer favorável ou não a uma vacina. “A população deve seguir os órgãos competentes, como a ANVISA”, esclareceu.

Dra. Cristiane Monteiro da Cruz (Foto: Arquivo Pessoal) 

A doutora em Imunologia, Cristiane Monteiro, salientou ainda que todos devem se vacinar, inclusive aqueles que já foram contaminados. “O covid-19 ainda é um vírus muito novo e não sabemos quanto tempo a imunidade é capaz de durar”.

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Ao ser questionada sobre a imunidade 100% daqueles que tomarem a vacina, Cristiane foi realista e buscou responder baseado em seu conhecimento técnico, mas afirmou que vacinar é preciso. “A imunidade está associada com uma resposta celular e de anticorpos do organismo. As vacinas visam preparar o organismo para o encontro com o Covid, logo, todas as pessoas vacinadas estarão mais preparadas para se defender”, disse.

Duas doses

Dra. Cristiane Monteiro da Cruz, que também atua como Professora universitária de Imunologia em Alagoas realizando pesquisas nas áreas de Imunologia clínica, doenças autoimunes e virologia, explicou como vai funcionar cada dose da vacina.

“A primeira dose irá ensinar ao organismo a responder contra o vírus. A segunda dose irá acelerar o tempo de resposta do organismo à infecção do vírus e aumentar a quantidade de anticorpos produzidos contra o vírus”, frisou.

Há riscos de tomar a vacina?

Devido ao tempo em que as vacinas foram desenvolvidas, a falta de informação e as Fake News, restou à população, um misto de dúvidas e incertezas, quanto a qualidade e os riscos que elas poderiam ofertar.

Entretanto, conforme explicou a Biomédica, Dra. Cristiane Monteiro, os recursos econômicos elevados e o esforço coletivo acabaram resultando na produção de diferentes vacinas seguras, cumprindo todas as etapas do processo de desenvolvimento.

"Avaliaremos o tempo de eficácia nos indivíduos depois do primeiro ciclo. O processo de certificação inclui avaliar os riscos ou não da mesma. Lembrando sempre que febre e dor local são respostas normais ao processo vacinal, visto que há a mobilização do sistema imunológico para iniciar o processo de defesa contra o agente”, finalizou.

Infectologista Fernando Maia (Foto: Reprodução) 

Quando deixaremos de usar máscaras?

O infectologista Fernando Maia explicou que mesmo após a vacinação ainda será necessário o uso de máscara e distanciamento social. “A gente só vai parar de usar máscara pelo menos trinta dias após a última dose da vacina, depois que a população toda estiver vacinada e o vírus parar de circular, ainda usaremos máscaras e manteremos o isolamento social por alguns meses após o início da vacinação”, disse o médico especialista em doenças infecciosas.

“A vacina precisa ser aprovada pela Anvisa”, afirma SESAU

Através de nota encaminhada à reportagem, a Secretaria De Estado da Saúde (Sesau), esclareceu que vem dialogando junto com o Ministério da Saúde (MS), no tocante as vacinas e afirmou que Estado de Alagoas continua à espera de aprovação de uma vacina com eficácia comprovada para prevenir a Covid-19.

Assim como já havia feito o gestor da cidade do Pilar, localizada no interior de Alagoas, o Governo de Alagoas assinou, junto ao Governo de São Paulo, um protocolo de intenções para discutir a aquisição da vacina Coronavac, produzida no Instituto Butantan em parceria com a fabricante chinesa Sinovac.

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“Temos o entendimento de que que a vacina precisa ser aprovada pela Anvisa após ter a sua eficácia comprovada. O Estado de Alagoas tem acompanhado e dialogado com o Ministério da Saúde sobre o Plano Nacional de Imunização e tem a plena confiança que a partir de fevereiro de 2021, as vacinações em Alagoas serão iniciadas, priorizando os grupos de risco”, diz um trecho da nota.

Prefeito Renato Filho (Foto: Assessoria) 

“O ministro e o presidente devem despolitizar essa questão da vacina”, diz prefeito

O município de Pilar, que é gerido pelo prefeito Renato Filho, foi o primeiro em Alagoas a anunciar a pretensão de compra da vacina contra a Covid-19, que será desenvolvida pelo Instituto Butantan.

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Em entrevista no último sábado (19), Renato Filho, disse ao CadaMinuto que tanto o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, como o presidente da república, Jair Bolsonaro, devem despolitizar essa questão da vacina.

“O comportamento de parte da sociedade é o reflexo do comportamento do presidente, que causa medo e terror por parte das vacinas, o que não deveria acontecer, pois qualquer vacina que vier ser disponibilizada, ela ser aplicada depois que passar pelos critérios técnicos dos órgãos competentes”, disse o prefeito.

*Sob supervisão da editoria