Bene Barbosa

Aqui me despeço do CadaMinuto

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“A gestão da Segurança Pública no Brasil se tornou um conto de fadas onde a bruxa, o dragão e toda sorte de vilões e malfeitores se beneficiam com as leis impostas pelo rei e o heroico cavaleiro fica sem cavalo, sem armadura reluzente e sem sua espada. Um conto de fadas muito cruel esse.”

Assim terminava o meu primeiro artigo publicado há mais de dois anos atrás aqui no CadaMinuto. Viriam ainda outros 135 contando com este derradeiro. Tudo graças ao convite do amigo Luís Vilar e todo o espaço disponibilizado de forma tão generosa pelo pessoal do Portal. Tive o prazer e a honra de figurar entre os mais lidos com todos os textos publicados, milhões de acessos e, agora, olhando lá atrás, pude constatar o quanto a regularidade de escrever pelo menos um artigo por semana é saudável para concatenar nossas ideias, organizar e aprimorar nosso pensamento e escrita.

Que pese – e muito! – a liberdade absoluta, irrestrita mesmo, que tive para publicar. Nunca houve uma só vírgula de censura ou qualquer “senão”. Deram-me, em plena confiança, a possibilidade de publicar qualquer coisa, sobre qualquer assunto, falando sobre qualquer pessoa e, mesmo que jamais tenham insinuado absolutamente nada sobre isso, sei bem que algumas velhas raposas políticas regionais não gostavam nem um pouco quando eram alvo de minhas críticas.

O que seria da humanidade se não fosse o seu caminhar? Sigo caminhando! Parto para um novo desafio, em outro veículo, de outra região, mas com o mesmo firme propósito de levar informação e boa reflexão sobre os temas que me são tão intrínsecos. A casa será nova, mas a luta é antiga e necessária!  Despeço-me deste espaço agradecendo a todos, mas em especial ao amigo Luís Vilar, por essa parceria fantástica de mais de dois anos, sabendo que deixo para atrás apenas o virtual, pois o real seguirá sempre comigo. Muito obrigado por cada caractere, cada espaço, cada vírgula e por “CadaMinuto” que aqui estive!

Folha de São Paulo: armas, mulheres, empoderamento e o complexo de vira-lata

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O jornal A Folha de São Paulo, conhecido por sua histórica e histérica trincheira antiarmas, publicou uma matéria(1) muito interessante sobre o surgimento de clubes de tiro exclusivo para mulheres nos Estados Unidos, mais especificamente na “desarmamentista” Califórnia. Há um tom claramente positivo em quase toda a matéria, porém é possível sentir o choque da realidade, da defesa do tal “empoderamento” feminino com a visão desarmamentista do jornal nos dois últimos parágrafos.

Cabe deixar claro que a jornalista, ao afirmar que a Califórnia é o estado mais “liberal” dos EUA, está se referindo ao fato daquele estado ser o mais esquerdista de todo o país. A palavra “liberal” tem um significado completamente diferente, por exemplo, no Brasil. O latente esquerdismo californiano sem dúvidas significa uma maior propensão de apoio às restrições, em especial ao porte de armas, mas isso está longe de significar um desarmamentismo radical e irrestrito como imaginam alguns. Isso fica claro na própria matéria que afirma que existem mais vendedores de armas do que lojas do McDonald’s por aquelas bandas.

A “invasão feminina” no mundo das armas de fogo não é nenhuma novidade e começou a se intensificar na década de 1990 com forte apoio da NRA e fabricantes, que lançaram produtos e campanhas específicas para esse público. Estima-se que em 2000 as mulheres já representavam mais de 25% dos novos proprietários de armas de fogo, e esse número não parou de crescer. Da mesma forma, o apoio dos democratas, dos liberais, ou seja, da esquerda americana às restrições diminuiu consideravelmente como já demonstrei nos artigos “Como os democratas derrotaram o desarmamentismo de Obama”(2) e “Pesquisa Gallup confirma: americanos NÃO querem mais controle de armas”(3). Exatamente por isso, mesmo na Califórnia, cada vez mais mulheres procuram o tiro e as armas como esporte, diversão e defesa.

Mas nem tudo são flores! Como não poderia deixar de ser, há um claro choque entre a defesa do “empoderamento” feminino defendido na matéria e a sanha desarmamentista exposta nos dois últimos parágrafos da matéria: lá, quase no final da página, o pensamento dicotômico, uma súplica aos leitores, como se dissessem: “Olhem, vejam bem, não estamos defendendo as armas! De forma alguma! Defendemos apenas as mulheres armadas como símbolo de empoderamento”.  É, não é fácil ser politicamente correto e fincar o pé na defesa do duplipensar orwelliano…

Pois bem, onde peca a jornalista? Primeiramente não é honesto juntar os suicídios com o uso de armas de fogo e os homicídios, coisa que só é feita com o único e claro objetivo de inflacionar as mortes nos EUA, que diminuíram nos últimos vinte anos, enquanto milhões de armas novas e bilhões de munições foram comercializadas no mesmo período. Já falei disso no artigo “O Fantástico mundo das mentiras sobre o desarmamento”(4) e não vou ficar me repetindo. O importante neste caso é que afirmar que a Califórnia possui a mais baixa taxa de mortes por armas de fogo nos EUA por conta das restrições é simplesmente mentira! 

De acordo com os dados consolidados do FBI de 2016, a Califórnia possui uma taxa de 4.9 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto Vermont(5), que tem uma das legislações menos restritivas dos EUA tem uma taxa de 2.2 homicídios por 100 mil habitantes. Mesmo que adotássemos a exótica taxa de “violência armada”, onde são incluídos os homicídios, suicídios, acidentes, legítima defesa e mortes ocorridas em confrontos policiais, ainda assim teríamos diversos estados à frente da Califórnia, muitos deles com legislações muito menos restritivas. De acordo com dados do FBI de 2016 temos os seguintes estados com taxas menores que a californiana: Connecticut, Hawaii, Maine, Massachusetts, Minnesota, New Jersey, New York e Rhode Island.

No último parágrafo, a brasileira entrevistada, que possui armas e frequenta o clube de tiro lá nos EUA, afirma que “no Brasil isso não funcionaria”. Vocês conseguem entender o tamanho da confusão mental dessa menina? Isso, levando em conta que, de fato, foi isso o que ela disse. Pois bem, será que a moça alguma vez esteve em um clube de tiro no Brasil? Com certeza não! Deve achar que é um amontoado de bárbaros dando tiros uns nos outros. No fundo, trata-se do puro e simples complexo de vira-lata(6), permeado por um elitismo cucaracha. Afinal, será que um vira-lata deixa de ser um vira-lata quando sai do Brasil?


1)    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/06/clubes-de-tiro-para-mulheres-ganham-projecao-nos-eua.shtml

2)    https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/como-os-democratas-derrotaram-o-desarmamentismo-de-obama-3dpsmcs6fvzn6uap460c7a1wn

3)    http://www.cadaminuto.com.br/noticia/294547/2016/10/27/pesquisa-gallup-confirma-americanos-nao-querem-mais-controle-de-armas

4)    http://www.ilisp.org/artigos/o-fantastico-mundo-das-mentiras-sobre-o-desarmamento/

5)    http://www.cadaminuto.com.br/noticia/300388/2017/03/07/vermont-e-o-estado-mais-seguro-dos-eua-e-la-ate-jovens-de-16-anos-podem-portar-armas

6)    http://www.ilisp.org/noticias/pare-de-ser-vira-lata-o-brasileiro-tem-sim-cultura-para-ter-armas/
 

Perdendo o controle, ganhando a eleição!

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Como já disse anteriormente em um artigo, não sou candidato, não sou partidário, não sou cabo eleitoral. Também não sou analista político e há treze anos guardo distância segura de eleições, mas isso não me impede de dar alguns pitacos e escrever sobre o que eu vejo na campanha eleitoral deste ano com base única e exclusivamente no que vivi durante o “Referendo das Armas”.

Participei de todas as fases do referendo de 2005. Anterior ao referendo propriamente dito, onde ainda se discutia se ele ocorreria ou não, quando e como, até os momentos finais. Os desarmamentista tinham certeza absoluta que venceriam, não era sem motivo, pois as pesquisas encomendadas sobre o assunto davam a eles margens de vitória acima dos 70%. Muitos daqueles que advogavam pela manutenção do direito à posse de armas davam a derrota como certa, era impossível vencer o establishment e, neste caso, era melhor que nem houvesse a votação. Tentativa infrutífera! Tente convencer deputados e senadores a abrirem mão de um palanque nacional…

Aprovada a data, a questão então passou a ser a pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". Uma pergunta bastante confusa onde o sim era o não e o não, o sim… Desarmamentistas se aferraram a sua manutenção e impediram que a pergunta fosse feita de forma mais clara algo como “O comércio legal de armas deve ser mantido no Brasil” ou, ao menos,  algo nessa linha. Perdemos mais uma vez, a pergunta foi mantida e, para nossa surpresa, após acachapante derrota, eles puseram-se a dizer que a pergunta era confusa e a população votou errado! Não, não é brincadeira.

Tínhamos contra nós um rolo compressor guiado pelo establishment. Praticamente todos os grandes jornais impressos estavam contra nós, todas as emissoras de TV, com honrosa exceção da TV Band que além de se posicionar, em editorial, a favor do direito de defesa do cidadão, ainda patrocinou os três debates oficiais da eleição – eu participei de dois deles. Tínhamos ainda o Senado, comandado por Renan Calheiros, e a Câmara Federal sob os domínios petistas, pelas mãos de João Paulo Cunha. Todas as ONGS – contando com milhões em seus cofres – também estavam contra nós, além de celebridades globais, cantores, a CNBB, a CONIC, os sindicatos, o MST, a ONU, a UNICEF, dez agências de publicidade trabalhando “gratuitamente” para a campanha do “Sim” e outros infinitos atores sociais relevantes e de peso. Durante mais de uma década havíamos sido bombardeados pela mensagem que armas eram ruins, que só traziam dor, sofrimento e lágrimas. Nos sentíamos como o rei Leônidas comandando trezentos espartanos contra cem mil soldados persas ou, como alguns diziam pejorativamente, éramos o exército de Brancaleone. Branca! Branca! Branca!

Havia pela frente apenas vinte dias de combate, as prévias apontavam que não era impossível vencer o debate, mas tínhamos que estar em todo o país. Como isso seria possível? Como fazer pessoas que nunca pensaram nesse assunto votarem conscientemente? A campanha foi conduzida com maestria pelo Chico Santa Rita, tínhamos espaço igualitária na TV e no Rádio, mas não achávamos isso suficiente. Até que algo aconteceu! Começaram a pulular pelo país milhares de ações pessoais em prol da nossa campanha. Pessoas começaram a imprimir folhetos em suas casas, pagar outdoors, fazer camisetas, enviar e-mails para amigos e familiares, colar adesivos nos mais inusitados locais, professores debateram com seus alunos, padres e pastores falaram aos seus rebanhos, carreatas foram organizadas, teve gente que colocou mensagem nossa até nos boletos que enviava aos seus clientes.

Perdíamos o controle da campanha! Em um primeiro momento isso gerou preocupação, em especial por conta da legislação eleitoral, mas não havia o que fazer. Era um tsunami, uma nuvem de gafanhotos, uma tempestade de areia, incontrolável e imprevisível, mas, então, entendemos… Nós venceríamos! Era um movimento verdadeiramente popular e impossível de ser parado. E assim foi, vencemos por larga margem, o resto é mimimi de perdedor.

E tudo isso para dizer o quê? Bom, estamos assistindo algo muito similar nessa eleição presidencial. Da mesma forma que em 2005, finalmente a esquerda e a direita se enfrentarão diretamente e, cá entre nós, só há um candidato que está gerando na população o mesmo sentimento de “eu tenho que fazer algo e participar”. Não, isso não é torcida, é constatação de fato e mais nada. Veremos como a coisa toda se desenrola, sem descuidar para o fato que, se vencemos em 2005, o establishment garantiu que praticamente nada mudasse ao arrepio da vontade verdadeiramente popular. Há muita água para rolar, mas de uma coisa eu tenho certeza: essa será uma eleição muito interessante!

A Inglaterra é pacífica por conta do desarmamento? Nem uma coisa, nem outra!

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Na década de 1990, a Inglaterra aprovava uma das mais duras legislações sobre armas de fogo no mundo, o Firearms (Amendment) Act 1997 praticamente baniu a posse privada de armas de fogo naquele país. Sim, praticamente, pois há raras e especialíssimas exceções, como por exemplo para a Família Real. No Brasil a repercussão foi imediata e estrondosa com a comemoração das ONGs desarmamentistas, governo de Fernando Henrique Cardoso e a imprensa apontando o ato como um exemplo a ser seguido.

Nos anos seguintes criou-se – ou melhor, implantou-se – através da grande imprensa que a política de banimento era um sucesso no combate à criminalidade violenta, dando a ela todos os créditos pelo baixo número de homicídios na terra de William Shakespeare. Assim, da noite para o dia, em um passe de mágica midiática, a Inglaterra se tornou pacífica! O problema é que antes do desarmamento imposto em 1997, a Inglaterra nunca teve grandes problemas com crimes contra a pessoa, entre eles os homicídios. Isto está claramente exposto no livro Violência e Armas: A experiência inglesa (1), da historiadora Joyce Lee Malcolm (Vide Editorial, 2ª edição, 2014).

“Os registros históricos ingleses revelam um padrão constante, no qual os crimes contra a propriedade são muito mais comuns do que os crimes contra as pessoas. E virtualmente todos os historiadores concordam que os crimes contra as pessoas, especialmente o homicídio, declinaram na Inglaterra desde a Idade Média até o nosso século.”

Portanto não é plausível falar em redução ou baixa taxa de homicídios por conta do desarmamento, até porque a posse privada de armas de fogo na Inglaterra se popularizou a partir do século XVI, e os índices continuaram em queda até 1920, ano onde se aprovou o que poderíamos cunhar como sendo a primeira norma restritiva à posse e ao porte de armas naquele país.

Da mesma forma que nos empurraram goela abaixo e cérebro adentro que o desarmamento foi imposto devido ao problema do elevado número de homicídios – o que, como já disse acima, é falso –, a incapacidade de reverter a tendência de crescimento das mortes após 1997 foi varrida para baixo do tapete.

O gráfico abaixo mostra que o crime de homicídio continuou em crescimento por sete anos após o banimento das armas, iniciando sua queda somente a partir de 2004. Mas isso não duraria muito: entre 2016 e 2017, de acordo com dados oficiais do Governo Britânico (2), ocorreu um assustador crescimento de 25% nos assassinatos.

 

 

Os homicídios são comumente usados para mensurar a taxa de violência de um local, mas ele não deve e não pode ser o único, em especial em países com baixas taxas desse tipo de crime em sua história, como é o caso da Inglaterra. Se levarmos em conta os crimes violentos, entre eles os homicídios, tentativas de homicídios, agressões, roubos e estupros, já em 2009 o jornal The Telegrafh (3) anunciava o Reino Unido como o país mais violento de toda a Europa e, mais recentemente, em abril deste ano, Londres teria mais homicídios que Nova Iorque (4). Algo inimaginável há dez ou vinte anos atrás.

Em janeiro deste ano o jornal The Guardian (5), conhecido pela sua posição favorável ao desarmamento e demais questões queridas à esquerda, publicou a assustador crescimento da criminalidade na Inglaterra e no País de Gales. Vejamos alguns números: os crimes com facas cresceram 12% nos últimos 12 meses medidos, os crimes com outras armas, cresceram 20%. Os arrombamentos cresceram 32%. A epidemia dos chamados pequenos delitos é tão grave que em janeiro deste ano a famosa Scotland Yard noticiou que não investigará nenhum desses crimes se for necessário assistir mais de 20 minutos de vídeos de vigilância (6). Hoje, esse é o principal instrumento de “investigação” da polícia inglesa. Como exemplo da ineficácia da polícia inglesa, em seu livro A Faca Entrou, Theodore Dalrymple conta o caso de um jovem que foi pego após cometer nada menos que 256 furtos!

Ora, se as armas de fogo foram banidas e as taxas continuaram assim, o que aconteceu? A resposta não é simples, e nunca será. O reducionismo ao "armas" ou "não armas" não pode ser aplicado para se resolver uma questão tão complexa quanto a criminalidade que, embora complicada, está longe de ser impossível de ser explicada, desde que se adote uma discussão e análise muito mais profunda e ampla. Para isso basta recorrer aos livros de Theodore Dalrymple, em especial: A vida na sarjeta, Nossa cultura ou o que restou dela e o mais recente lançado no Brasil, A faca entrou, todos publicados no Brasil pela É Realizações Editora e disponíveis na Livraria do MVB. Em centenas de páginas e casos reais de quem viveu no sistema carcerário, como médico, não como preso, como gosta de frisar o autor, é possível verificar o declínio da sociedade inglesa e seus efeitos imediatos: o Welfare State, o multiculturalismo imposto, a conivência estatal com os pequenos delitos, o medo de encarcerar, a falência do ensino público e, principalmente, a degradação dos valores.

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Theodore Dalrymple e Bene Barbosa no lançamento do seu livro A Faca Entrou

 

Afirmar que o Reino Unido é pacífico por conta da ausência de armas de fogo é duplamente falso: há muito tempo que a Inglaterra deixou de ter baixas taxas de criminalidade e, portanto, mais falso ainda é atrelar tais baixas ao desarmamento. É como estar numa sala escura procurando um gato preto que não está lá, mas, por incrível que pareça, não há dia que algum jornalista ou “especialista” não afirme que encontrou o bendito gato, afinal, o importante é a narrativa contra as armas e não em favor da realidade. É o desarmamento inglês para brasileiro ver.

 

1) Violência e Armas de Joyce Lee Malcolm

https://livraria.mvb.org.br/violencia-e-armas

2) Homicide in England and Wales: year ending March 2017 

https://www.ons.gov.uk/peoplepopulationandcommunity/crimeandjustice/articles/homicideinenglandandwales/yearendingmarch2017

3) UK is violent crime capital of Europe

https://www.telegraph.co.uk/news/uknews/law-and-order/5712573/UK-is-violent-crime-capital-of-Europe.html

4) London murder rate overtakes New York's

http://www.bbc.com/news/uk-england-london-43610936

5) Rise in recorded crime is accelerating in England and Wales

https://www.theguardian.com/uk-news/2018/jan/25/knife-and-gun-rises-sharply-in-england-and-wales

6) Scotland Yard will not investigate low-level crimes if it means watching more than 20 minutes of CCTV

http://www.dailymail.co.uk/news/article-5227383/Scotland-Yard-not-investigate-low-level-crimes.html#ixzz5GA6pgGrz

 

 

 

 

 

O ataque no Texas, todos viram, mas e o ataque impedido em Illinois por alguém armado?

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É, lá vou eu! Mais um ataque em uma escola, desta vez no Texas, com oito ou dez jovens mortos por um adolescente de dezessete anos que entrou atirando em colegas, professores e funcionários sem que ninguém pudesse fazer nada. Mais uma vez o ataque ocorreu em um local definido como gun-free zone, ou seja, um local onde ninguém – nem mesmo policiais ou seguranças treinados – pode entrar ou permanecer armado, a não ser em casos de emergência, mas aí é sempre tarde demais. A politicamente correta ideia de que ninguém quer pessoas armadas na escola de seus filhos vigora em praticamente todos os estados americanos e, acreditem, aqueles dispostos a matar quantos conseguir não respeitam essa lei, da mesma forma que não respeitam as restrições impostas a posse e ao porte de armas por idade, saúde mental ou por histórico de violência e crimes.

Quantas vezes você viu, leu e ouviu notícias sobre esse ataque só hoje? Impossível contar, não é mesmo? E sobre o ataque à escola em Illinois? Viu alguma coisa? Faça o teste que eu fiz, digite no Google “tiroteio” e “Texas” e achará algo em torno de 200.000 páginas! Agora digite “tiroteio” e “Illinois”… Fez? Achou algo em português publicado por alguma grande mídia? Nada! Nem uma única linha aparecerá. A explicação é simples e constrangedora: um oficial armado, dentro da escola, baleou e impediu um massacre que seria perpetrado por um ex-aluno, que a mãe classificou como “um bom menino”(1). Na prática, quando não há corpos empilhados e sangue de inocentes alagando os corredores, não há interesse na imprensa brasileira, afinal, como assim uma arma em boas mãos pode evitar tragédias? Melhor é mostrar apenas e tão somente como armas podem ser usadas para matar crianças e, assim, embasar a narrativa de que armas são sempre ruins, varrendo para baixo do tapete, por exemplo, que armas de fogo são usadas em média 2,5 milhões(2) de vezes por ano em solo americano.

                Greg Abbott, governador do Texas. 

Cada vez que um caso assim acontece a turba histriónica sai gritando: “Armas! Armas! O problema são as armas!”. Nada mais falso! Se o problema fosse a simples presença de armas, países como a Suíça, Finlândia e Canadá(3), ou até mesmo nossos vizinhos Paraguai(4) e Uruguai, todos com grande quantidade de armas nas mãos da população, sofreriam também com tais ocorrência. E não é isso o que acontece, mostrando que o problema é muito mais profundo e passa por uma série de quesitos, tais como a política psiquiátrica nos Estados Unidos, famílias desestruturadas e, claro, a discussão, cada vez mais presente, de que manter as atuais gun-free zones não impede esses ataques e, pior de tudo, garante que ninguém estará lá, armado, treinado e pronto para impedir o assassino. Não há opção: ou se vive no mundo utópico de malucos que seguem a lei ou se encara o mundo real, aprendendo de uma vez por todas que não existe proteção na negação.

 

                Ana Paula Henkel

P.S.: Após a publicação deste artigo recebi um áudio da querida amiga Ana Paula Henkel, a Ana Paula do Vôlei, que havia acabado de ouvir uma entrevista do governador do Texas, Greg Abbott para o radialista Mark Levin onde afirmava que em visita à escola vitimada pelo ataque, muitos alunos vieram falar com ele pedindo mais segurança. Não, eles não pediam mais controle de armas ou maiores restrições, o que eles pediram é que os professores ou os funcionários da escola pudessem portar armas. Relatou também a conversa com um dos professores que é Former Marine, ou seja, um Fuzileiro Naval e, portanto, com farto treinamento no uso de armas e combate armado. Entre outras coisas afirmou categoricamente que se ele pudesse estar com a sua arma poderia ter intervindo e ajudado a cessar o ataque.

Fica aqui meu agradecimento para Ana Paula que nos trouxe tão importante infomação, informação que, óbvio, você não verá em nehum lugar. Deixo aqui o meu veemente convite para aqueles que ainda não conhecem que visitem a coluna dela no jornal Estadão

 

  1. Illinois officer shoots, wounds armed suspect at high school https://www.reuters.com/article/us-illinois-shooting/illinois-officer-shoots-wounds-armed-suspect-at-high-school-idUSKCN1IH20Z

 

  1. Governo escondeu pesquisa sobre uso defensivo de armas nos EUA http://www.cadaminuto.com.br/noticia/320316/2018/05/07/governo-escondeu-pesquisa-sobre-uso-defensivo-de-armas-nos-eua

 

  1. Canadá: o país “esquecido” pelos desarmamentista http://www.cadaminuto.com.br/noticia/304433/2017/05/27/canada-o-pais-esquecido-pelos-desarmamentistas

 

  1. Como o Paraguai destrói toda a argumentação desarmamentista usada no Brasil http://www.ilisp.org/artigos/como-o-paraguai-destroi-toda-a-argumentacao-desarmamentista-usada-no-brasil/

 

Armas: A mórbida semelhança entre a legislação nazista e a brasileira

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A quantidade máxima para aquisição de munição é de 50 cartuchos; todos os proprietários de armas devem manter os seus registros atualizados e todas as armas devem ser registradas para que não caiam em mãos erradas e para que haja um controle; a compra e a posse de uma arma deve ser precedida da comprovação de efetiva necessidade. Todos que acompanham o assunto “armas de fogo” sabem que todas essas exigências fazem parte do Estatuto do Desarmamento, certo? Errado! Elas são alguns dos quesitos criados na República de Weimar, período da história alemã entre o fim da Primeira Guerra Mundial e a chegada do partido nazista ao poder.

A criação dessa legislação, incluindo a proibição da posse e porte de armas para ciganos – acusados de serem ladrões e baderneiros, uma ameaça para à paz do país –, foram pensadas, propostas e aprovadas com a melhor das intenções, ou seja, para evitar que armas caíssem nas mãos erradas, que os registros – até então regionais, como o eram no Brasil até 1996 – não pudessem ser acessados por “grupos radicais”, em suma, para que existisse um controle e uma fiscalização. O problema é que o mais radical de todos os grupos, os nazistas, chegaram ao poder e souberam usar, de forma exemplar, a legislação vigente para impedir qualquer tentativa de reação daqueles que foram escolhidos como inimigos da Alemanha, em especial os Judeus.

A legislação criada pela República de Weimar, usada e ampliada pelos nazistas (com uma versão muito mais restritiva aprovada em 18 de março de 1938), é um fato, assim como a perseguição inicial a todos os judeus que registraram suas armas. O livro Hitler e o Desarmamento (Vide Editorial, 2017) demostra tal fato com farta e inquestionável documentação histórica, além de apresentar uma honestidade intelectual necessária ao bom e verdadeiro debate, já que o próprio autor afirma: “O livro não defende o grosseiro argumento de que o controle de armas levou inexoravelmente ao Holocausto”.

 

Será que uma população armada poderia ter se levantado e derrubado o governo nazista? Dificílimo afirmar qualquer coisa nesse sentido… O que sabemos e, repito, o que é fato histórico e comprovado, exemplar e detalhadamente demostrado no livro citado acima, é sobre todo o empenho, energia, gastos e tropas destinadas ao desarmamento dos “inimigos” do Reich. Um adendo aos que ainda não conhecem: pesquisem sobre o Levante do Gueto de Varsóvia, fato histórico em que poucas dezenas de armas velhas e obsoletas, contrabandeadas para dentro dos muros do bairro-prisão, conseguiram causar um enorme problema às poderosas tropas nazistas.

Não há como negar a mórbida semelhança da legislação nazista e a legislação atual brasileira. Quando alguns dizem que não há motivo para preocupação, que o Estatuto do Desarmamento foi feito com boas intenções e é, no máximo, fruto de uma ideia equivocada ou da tentativa de controlar o crime no Brasil, sou forçado a imaginar quantos pensaram exatamente a mesma coisa em 1933, afinal, de gente com boas intenções, o inferno está lotado, ou alguma vez você já viu um ditador afirmar querer o pior para seu povo? Não posso deixar de lembrar que todos os nazistas julgados e condenados no Tribunal de Nuremberg, entre 1945 e 1946, também estavam "apenas seguindo ordens e a lei". 

SE PARECE UMA ARMA, SERÁ TRATADA COMO UMA... ARMA!

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Um canal do Youtube lançou o que seria uma esquete humorística(?), com óbvio cunho crítico, à possibilidade da liberação do porte de armas no Brasil. Na pegada do “vai virar oba-oba” ou “vai virar bang-bang”, lugar comum e batido, o vídeo apresenta todos “legalmente” armados e se matando em um estacionamento. O vídeo recebeu imediatamente milhares de negativações e críticas no perfil do Facebook da produtora. É, fazer humor “lacrador” está cada vez mais difícil no Brasil, mas vamos ao que realmente é importante.

Tirando o teatrinho do absurdo, algo me chamou a atenção: quem forneceu as “armas” para a filmagem? Haveriam comprado armas de airsoft para isso? E teriam retirado suas pontas laranjas, algo não permitido pela legislação brasileira? A resposta está na descrição do vídeo, onde eles agradecem à uma empresa que trabalha com tal produto, a mesma, em nota de esclarecimento, afirmou que os equipamentos foram locados para a gravação. Não bastasse isso, o proprietário resumiu em vídeo sua posição sobre o caso, depois de tachar os críticos como “haters”: "eu mexo com airsoft e airsoft não é arma”. Assustadoramente, pelo menos para mim, seguiram-se vários comentários de apoio de quem pratica o dito esporte se posicionando francamente favoráveis ao desarmamento. Sim, por mais espantoso que seja, essas pessoas parecem não possuir a capacidade cognitiva necessária para compreender a realidade.

Tenho que concordar, é verdade que tecnicamente falando os “apontadores” de airsoft não são armas e não passam -sem ofensas – de brinquedos de gente grande e por isso possuem venda livre até em países ultra-desarmamentistas como o Japão. Não possuem letalidade, portanto, não faria sentido atribuir-lhes controle semelhante às armas de fogo. Mas, o problema, meus amigos é que isso não importa nem um pouco para os desarmamentista que, com suas cabeças de martelo, tratam tudo como sendo prego! Vejamos algumas matérias veiculadas nos últimos tempos na imprensa nacional:

Simulacros de armas estão em 40% dos roubos no Rio” – Estadão – 16/04/18

Grupo suspeito de assaltos é preso com metralhadora de airsoft” – Portal G1 – 22/02/18

De rifles a granadas, réplicas de armas podem ser compradas facilmente” – 29/04/2018

Simulacro de arma é adquirido facilmente na internet e em lojas físicas” - Portal Uol - 16/04/2018

Airsoft motiva debate em torno das exigências para a compra de arma” - Jornal O Globo – 17/01/2018

Promotor de Justiça pede controle na venda de armas de airsoft” - Tv Record – 06/05/2018

Essas são apenas uma irrisória mostra de como a imprensa trata o esporte. E agora vem a pergunta de um milhão de bolinhas plásticas: onde isso irá parar? Se alguém não conseguiu responder essa pergunta retórica, faço eu: em mais restrições e proibições!

No ambiente legislativo a coisa não é muito diferente. O deputado Alessandro Molon, ex-PT e atual REDE, um dos mais radicais anti-armas naquela acasa, é o relator do PL 4.546/12 que “regula os jogos de ação e seus equipamentos no Brasil”. Vejamos o que ele diz em seu relatório pela aprovação do projeto: “Embora não sejam lesivos, mas fabricados unicamente para a finalidade de execução de atividade desportiva, os marcadores de paintball e airsoft podem assemelhar-se ou não às armas de fogo, recaindo, aí, a necessidade de apreciação de seu mérito por esta Comissão, dadas as implicações sociais de utilização e posse indevida destes mecanismos em território nacional”. Traduzindo: precisamos acabar com o oba-oba na venda e posse desses equipamentos.

Eu poderia confortavelmente pensar “eu não jogo airsoft, gosto de armas reais e airsoft não é arma mesmo...”. Claro que jamais faria isso, não sou burro e entendo perfeitamente que quando se ataca uma arma, se ataca todas as arma.

Em um país onde há restrições e proibições até para brinquedos que espiram água em formato de arma espacial colorida, imagine então algo que pode ser facilmente confundido com armas reais. Bom, há sempre escolhas, você pode enfiar a cabeça em baixo do travesseiro e ficar repetindo ad aeternum “não é uma arma, é um apontador, não é uma arma é um apontador, não é uma arma...” ou pode começar a entender o mundo real onde até “armas” de aplicativos são censuradas. Depois não adianta chorar como criança que o papai Estado colocou de castigo e tomou o brinquedo, mas tudo bem, “airsoft nem arma é”, mesmo que no Brasil valendo a máxima de que se parece uma arma, será tratada como uma... arma!

 

 

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Arma não é coisa de preto, nem de favelado: A raiz histórica do controle de armas no Brasil

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Calma, calma. Podem guardar seus ancinhos, apagar as tochas e enrolar as cordas, não é hoje que vocês terão motivos para o meu linchamento! Confesso que me diverte, e muito, a simples ideia de você ser favorável ao desarmamento, ter vindo aqui única e exclusivamente pelo título “ofensivo” e, talvez, sair por aí repetindo exatamente uma ideia originalmente preconceituosa, elitista e racista: o controle de armas.

O assunto ao qual me dedico há mais de vinte anos de estudos nunca deixa de me reservar surpresas e novas descobertas. Da mesma forma que constatei o teor racial do controle de armas nos EUA e que expus no artigo “Como o racismo pautou as restrições de armas nos Estados Unidos”(1), chego à conclusão que o processo foi bastante semelhante no Brasil Colônia. Comecemos por esse exemplar trecho, reproduzido aqui ipsis litteris, publicado na Collecção Chronologica de Leis Extravagantes, Posteriores a Nova Compilação das Ordenações do Reino, publicadas em 1603 (2), em Portugal: "Para evitar os homicidios, ferimentos e brigas, a que dá occasião o trazem espada, ou espadim pessoa de baixa condição, ordeno que não possão trazer estas armas apprendizes de officios mechanico, lacaios, mochilas, marinheiros, barqueiros e fragateiros, negros e outras pessoas de igual ou inferior condição...".

Pois, pois, como dizem nossos irmãos de além-mar, como podemos observar, a ideia de que as armas eram causadoras de crimes quando nas mãos de “pessoas de baixa condição” não é nenhuma novidade aqui por essa terra onde as “águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem” (3), porém, com algum estudo mais aprofundado nas Ordenações Filipinas, cartas régias, bandos(4), avisos e ordens dos governadores,  é fácil chegar à conclusão que na realidade tudo que preocupava a Coroa era garantir a ordem estabelecida.

Foi exatamente a essa conclusão que chegaram os professores Izzabella Fátima Oliveira de Sales e  Arnaldo José Zangelmi, ambos da Universidade do Estado de Minas Gerais em seu artigo “Armas no termo de Mariana (1707-1736): Legislação e Direito Comum. Vejamos: “...nos detemos nos mecanismos que a coroa portuguesa procurava utilizar para controlar o porte de armas entre livres e escravos, com o intuito de evitar que eles se armassem, podendo colocar em risco a ordem estabelecida”. Interessante constatar que embora houvesse uma enorme preocupação que as armas chegassem às mãos dos cativos para evitar levantes e formação de Quilombos, isso também gerava conflito entre os senhores de escravos e a Coroa, pois os mesmos, muitas vezes armavam seus escravos para que os mesmos lhes proviessem segurança. Uma ação aparentemente paradoxal, mas que encontrava semelhança no próprio tratamento dado aos Rendeiros do Rei, ou seja, aqueles que arrendavam propriedades reais e por elas se tornavam responsáveis, esses eram obrigados a possuir e portar armas, afinal, para proteger as propriedades da realeza as armas eram vistas como instrumentos eficazes e necessários. Quando vemos, nos dias atuais, políticos defendendo o desarmamento sem abrir mão de seus seguranças armados, vemos que nada mudou.

O controle social, em especial dos mais pobres, negros escravos e alforriados, não era o único motivo de tais restrições, havia ainda um forte fator de status social. Conforme os autores do artigo em análise: “Entretanto, mais do que diminuir a circulação desses instrumentos entre os “facinorosos,” a legislação contribuía no sentido de tornar as armas um elemento de distinção social, pois, esse privilégio se tornava cada vez mais restrito aos indivíduos considerados vassalos fiéis da Coroa. Neste sentido, o direito contribuía para o processo de hierarquização da sociedade. O termo vassalo fiel está ligado aos setores da nobreza, grupo tradicionalmente conhecido como aquele dedicado à defesa do Reino, atividade esta que obviamente estaria relacionada a uma maior possibilidade de acesso às armas.” Como podemos ver, a ideia de armas apenas para os “amigos do Rei” são a nossa capitania hereditária e prova é que Brasília concentra o maior número de portes de armas emitidos no país.

Outro excelente artigo, que corrobora exatamente com essa tese de controle social como raiz da “nossa” mentalidade elitista na posse e porte de armas, é o “Minas Armadas - Escravos, armas e política de desarmamento na capitania mineira setecentista” (4) cuja autora é Liana  MARIA REIS, Professora do Departamento de História - PUC-MINAS: “O desenvolvimento das atividades mineradoras e de outros setores produtivos que também demandavam a força de trabalho escrava - como a agricultura, o comércio e a prestação de serviços - gerou um crescimento populacional dos centros urbanos e uma concentração de escravos nas Minas, levando a Metrópole a se preocupar com o controle sobre os cativos dispersos pelas várias regiões. Esse controle passava, inicialmente, por seu desarmamento.”

A conclusão é desconcertante aos que advogam pela eficácia do desarmamento para controle da violência e criminalidade, prestem atenção:  “Estavam postos a contradição e o conflito: no cotidiano da capitania das Minas os detentores de riqueza ou aqueles que detinham o poder de apavorar as populações, como foi o caso dos quilombolas e criminosos assaltantes das estradas, não abriram mão das armas e com armas em punho transformaram Minas num turbilhão de crimes. As gentes intratáveis tornaram a capitania em uma Minas Armada”. A lei, por mais restritiva que fosse, não teve o poder de desarmar os ricos e os criminosos.  E agora, 300 anos depois, tudo continua exatamente igual!

A sobretaxação atual (quase 75%) de armas e munições se iniciou na década de 90 no Brasil, pelas mãos do então presidente Fernando Henrique Cardoso. A justificativa é que se aumentando o valor, haveria uma menor demanda sobre o produto. E quem tal medida impactou? Exatamente os mais pobres, aqueles que, como antes, estavam mais expostos aos criminosos. Os ricos? Deram de ombros e na dificuldade de adquirir armamento, contrataram segurança privados armados. Prova disso é a explosão desse tipo de serviço no Brasil, em especial, após 2003 quando foi sancionado o malfadado Estatuto do Desarmamento.

Sei que experiências pessoais não comprovam absolutamente nada, mas servem, muitas vezes, como excelentes ilustrações para que se entenda a coisa toda.  Dito isso, ilustro: em 1991 adquiri minha primeira arma, comprada em uma loja no centro de São Paulo. A documentação exigida era o R.G., um comprovante de endereço, o atestado de antecedentes, o holerite e só. Ao meu lado um rapaz calçando chinelos de dedo e todo sujo de cimento e tinta comprava um revólver exatamente igual ao meu. Confesso que fiquei desconfortável... Como assim “aquele pedreiro” estava comprando uma arma? Imagina! Eu, primeiranista de Direito, de terninho e gravata tudo bem, mas ele? Ó que horror!

Sim, hoje eu me sinto profundamente envergonhado pelo meu preconceito. Graças a Deus e aos estudos sérios e não ideológicos sobre criminalidade e suas causas consegui afastar terminantemente tal pensamento. O que na época me parecia óbvio e aceitável hoje me grita abominável! Não, não que eu fosse rico, muito pelo contrário. Morava na periferia de São Paulo, em um “puxadinho” no fundo de outra casa, com a minha mãe e avô após a morte do meu pai. Nem cama eu tinha, dormia em um velho colchão de solteiro jogado do chão e rodeado de caixas de papelão que serviam de guarda-roupas. Mesmo assim eu pensei “esse cara vai comprar uma arma”. Imagino quantas pessoas pensaram exatamente o mesmo de mim, incluindo o governo e nossos queridos políticos e defensores do papo furado que arma não é para qualquer um.

Ao final das contas os desarmamentistas ecoam até os nossos dias, muitas vezes sem se dar conta disso, uma legislação secular, preconceituosa, elitista e racista de um tempo passado onde arma não era coisa nem de preto, nem de favelado. Pensando bem, de uma forma ou outra, com o discurso amenizado pelo politicamente correto, continua exatamente assim.

  1. http://www.cadaminuto.com.br/noticia/310388/2017/09/25/como-o-racismo-pautou-as-restricoes-de-armas-nos-estados-unidos
  2. http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/185579
  3. http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/carta.pdf
  4. https://edittip.net/2016/04/11/bando/
  5. https://static1.squarespace.com/static/561937b1e4b0ae8c3b97a702/t/572b598b59827e91950d776d/1462458764136/09_Reis%2C+Liana+Maria.pdf

 

 

Governo escondeu pesquisa sobre uso defensivo de armas nos EUA

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O resultado foi exatamente o que eles não esperavam: em média as armas de fogo foram usadas para legítima defesa 2,46 milhões de vezes por ano, enterrando de vez a falsa narrativa de que as armas de fogo são instrumentos de ataque e não de defesa.

Em 1995 os professores Gary Kleck e Marc Gertz publicaram o estudo Armed Resistance to Crime: The Prevalence and Nature of Self-Defense with a Gun (1) que estimava que as armas de fogo eram usadas para defesa mais de duas milhões de vezes por ano nos Estados Unidos. Tal estudo, claro, recebeu fortes críticas das organizações e entidades antiarmas e acabou tachado como sendo apenas mais uma tentativa do lobby da NRA em provar as suas teses pró-armas, mesmo o escritório da ONU para Drogas e Crimes (UNODC) tendo aceitado o estudo como verdadeiro e confiável em seu relatório Global Study on Homicide (2), publicado em 2011.

John Lott, um dos maiores e mais conceituados estudiosos sobre o tema, dedica todo um capítulo intitulado “Como o governo trabalha contra a propriedade de armas – A limitação da pesquisa governamental sobre armas” em seu livro Preconceito Contra as Armas (3), publicado no Brasil pela Vide Editorial, para mostrar como o governo (americano) trabalha contra a propriedade de armas, patrocinando pesquisas e estudos quando imbuídas de demostrar, única e exclusivamente, o lado negativo da posse e porte de armas. Embora o autor afirme que isso ocorre tanto em governos comandados por Democratas quanto por Republicanos, é inegável que os governos Democratas, em especial o de Bill Clinton, foram de longe os que mais utilizaram esse subterfúgio na tentativa de embasar suas posições ideológicas. Foi exatamente por esse motivo que o Congresso Americano vetou a liberação de verbas públicas para o The Centers for Disease Control and Prevention (CDC) quando a pesquisa tem como objetivo embasar argumentos contra a Segunda Emenda à Constituição Americana, que garante ao povo o direito de possuir e usar armas. Como veremos a seguir, o Congresso estava absolutamente certo em fazer isso.

Em fevereiro deste ano – 2018 –, o professor Gary Kleck, citado no início do texto, divulgou um artigo bombástico (4): o CDC realizou uma pesquisa sobre o uso defensivo de armas de fogo e simplesmente escondeu o resultado! Nos anos de 1996, 1997 e 1998 milhares de pessoas foram abordadas com a seguinte pergunta: "Nos últimos doze meses, você confrontou outra pessoa com uma arma de fogo – mesmo que não tenha atirado – para se proteger, proteger sua propriedade ou outra pessoa?". A pergunta estava inserida em uma outra pesquisa mais ampla e passou despercebida por anos. O resultado foi exatamente o que eles não esperavam: em média as armas de fogo foram usadas para legítima defesa 2,46 milhões de vezes por ano, enterrando de vez a falsa narrativa de que as armas de fogo são instrumentos de ataque e não de defesa.

O objetivo real do CDC me parece bastante óbvio ao inserir tal pergunta exatamente nos anos seguintes à publicação do estudo de Kleck e Gertz: desmoralizar o resultado pró-legítima defesa. Uma vez que o resultado foi exatamente o mesmo, ou seja, apontava para a eficácia defensiva das armas em posse dos cidadãos, não pensaram duas vezes em varrer para baixo do tapete a inoportuna e constrangedora constatação e nunca mais ousaram repetir o questionamento em suas pesquisas sobre o assunto…

O artigo de Kleck tem repercutido muito nos blogs pró-armas e na imprensa independente americana, mas, como sempre, há um silêncio sepulcral na grande mídia. Vale aqui, mais uma vez, uma citação do Preconceito contra as armas: “Certos eventos serão certamente considerados mais ‘noticiáveis’ do que outros: um corpo morto ganhará mais atenção do que uma pessoa ferida, que por sua vez ganhará mais atenção do que simples exibição de uma arma, seguida pela fuga do criminoso”. Aparentemente, o fato de existir um estudo onde sangue inocente não escorre pelas páginas não o torna “vendável” ideologicamente.

A grande lição que fica é voltada àqueles economicistas e tecnocratas que incensam o deus-estatística, adotando como verdade absoluta e incontestável os estudos produzidos por órgãos “imparciais” como, por exemplo, o nacional IPEA. Eles acreditam que o mundo é feito de números e planilhas, descartando a inevitável falibilidade humana e, principalmente, acreditam na ideia de que possa existir um governo imparcial, justo e incorruptível ideologicamente.

Fontes:

  1. https://pdfs.semanticscholar.org/91da/afbf92d021f06426764e800a4e639a1c1116.pdf
  2. https://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/statistics/crime/global-study-on-homicide-2011.html
  3. https://amzn.to/2jDcMVu
  4. http://www.bizzyblog.com/SSRN-id3124326.pdf

 

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O DEDO DE OLAVO

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Admiração é o contentamento em reconhecer uma superioridade objetivamente invencível; a gratidão a quem fez algo de bom que nós mesmos não conseguiríamos fazer”. 
Olavo de Carvalho

 

Hoje, Olavo de Carvalho completa 71 anos, não sem antes nos dar um baita susto com sua internação hospitalar da qual já se restabeleceu. Para quem não acompanha Olavo desde a década de 90, como eu, talvez fique difícil compreender sua real estatura e importância. Existem críticas? Existem! E estranho seria se não existissem. A verdade é que só pela sua obra(1) – que muito me influenciou – eu já estaria aqui confessando minha gratidão. Para quem nunca leu nada de Olavo, sugiro começar pelo O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota.

Meu primeiro contato com Olavo de Carvalho ocorreu em 1999 com a publicação do artigo "Armas e Revolução Passiva" no jornal Folha de São Paulo de 17 de Junho daquele ano. Lembrando aos amigos que naquela época, levantar a voz contra a corrente majoritária em favor do desarmamento, ainda mais em um jornal de grande circulação, era um verdadeiro ato revolucionário. Entendi que eu não estava sozinho ou, pelo menos, não estava maluco sozinho. Logo em seguida pude assistir uma palestra sobre coletivismo e o vi simplesmente destruir os argumentos legalistas do coordenador do curso de direito daquela universidade. Pensei comigo: é isso que eu quero fazer! Bom, acho que tenho me saído relativamente bem... 

Olavo de Carvalho e Bene Barbosa - Campinas, SP - 2000

Nos últimos anos minha vida foi marcada por participações em eventos até então inimagináveis quando me enfiei nessa luta, lá no comecinho da década de noventa. Quando poderia imaginar que aquele garoto tímido, que adotou uma luta tão politicamente incorreta em favor da posse e do porte de armas pelo cidadão, um dia estaria na Academia da Força Aérea ministrando uma palestra para centenas de cadetes e oficiais? Nunca! Porém aconteceu, e lá estava o dedo de Olavo, representado por um dos seus alunos que viabilizou o evento. 

Minha participação na 30ª Reunião do Grupo de Trabalho Sobre Armas de Fogo e Munições do MERCOSUL não foi diferente. Em 27 anos de existência jamais um “armamentista” havia colocado os pés em tais reuniões, imagine, então, ter o direito a expor sua posição. Mais uma vez: dedo de Olavo!

Em 2017, na pequena cidade de Joaçaba, Santa Catarina, uma multidão de 650 pessoas lotou o auditório da Universidade do Oeste de Santa Catarina para uma palestra minha sobre como a contaminação marxista destruiu a segurança pública no Brasil. Foi lá que conheci o juiz Márcio Bragaglia que, em conjunto com os promotores e as instituições policiais, criou uma verdadeira bolha de segurança. Hoje, na região, as taxas criminais são mais baixas que em alguns países da Europa. 

Também foi lá, pelas mãos do Dr. Bragaglia, que tive conhecimento de um dos mais fantásticos programas de ressocialização de presos: o projeto “reeducação do imaginário” onde os criminosos condenados são convidados a ler clássicos como Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, Otelo, de William Shakespeare, O Coração das Trevas, de Joseph Conrad e O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. A imprensa caiu de amores pelo projeto ao focar suas lentes única e exclusivamente na remissão da pena, ou seja, na ideia simplista de que os criminosos sairiam antes da cadeia. Ao que parece, depois que descobriram que a ação foi baseada em uma das aulas do professor Olavo e que visa despertar naquelas almas os valores morais, a consciência, a percepção de que eles – e apenas eles! – são os responsáveis por suas mazelas criminais, o interesse pelo projeto sumiu. 

O conservador projeto literário vem apresentando resultados inimagináveis com apenas 5% de reincidência entre os presos que por ali passaram. Enquanto isso, os progressistas que pregam o abolicionismo penal, a vitimização dos bandidos, as penas alternativas, a impunidade como regra, culpabilidade coletiva da sociedade e o artesanato com garrafas pet engolem mais de 70% de reincidência… Dedo de Olavo!

Eu teria muito mais para escrever, dezenas de outros casos onde vi a influência direta de Olavo, mas vou ficando por aqui. Deixo ao “mestre de todos nós” minha admiração, gratidão, meus efusivos aplausos e meus votos de muito anos de vida!
 

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