Raízes da África
Raízes da África

Postado em 25/12/2009 às 21:26 0

Racismo na PUC-SP

Carta de repúdio ao racismo praticado na formatura de História e Geografia! Pela punição dos agressores! Enviado por: \"Diego Augusto dos Santos\"


Por Arísia Barros

Durante a tradicional cerimônia de formatura da PUC, onde o custo de participação é pago e altamente caro, formandos do curso de Geografia solicitaram participação na festa custeada por estudantes de História. O acesso para os demais participarem da cerimônia foi liberada, no entanto, vetando os demais de se expressarem através de falas no microfone por uma decisão unilateral de um reduzido número de alunos da organização. O que por si só já seria um absurdo, se tornou pior.
A estudante Ângela, do curso de Geografia, pediu a palavra e expressou sua felicidade diante de um diploma conquistado sobre todas as dificuldades impostas pelo preconceito e as demais dificuldades de acesso e permanência enfrentada pela juventude negra e trabalhadora, bem como no mercado de trabalho. Foi nesse momento em que Ângela e os demais estudantes negros foram hostilizados em meio à cerimônia pelo mesmo número determinado de alunos, dos quais se ouviram além de gritos como “sai daí negrinha!”, vaias e ofensas racistas. Não plenamente satisfeitas com a humilhação pública que pretenderam, três alunas da História, Giuliana Gasparrone, Camila e Maira (cujos sobrenomes não foram divulgados), ainda se prestaram ao trabalho de escrever uma carta enviada para o e-mail pessoal de Ângela (que, devido ao conteúdo, passou a circular em diversas listas da PUC e se tornou de conhecimento público) para hostilizá-la novamente, insinuado de
que Ângela não seria merecedora de estar presente na mesma formatura da qual esta estaria “de favor”, pois pertenceria a uma classe “de povo ‘inho’, de gente ‘inha’”.
Este comportamento praticado por uma clara minoria de alunos e alunas do curso de História possui conteúdo claramente racista e elitista e é uma perseguição não apenas à Ângela, mas a todas as estudantes negras e trabalhadoras que existem no curso de Serviço Social, assim como para todos os demais estudantes da PUC-SP. Acreditamos que esta manifestação é reflexo da enorme exclusão e elitismo fomentados de forma direta pela situação que passa o atual sistema educacional superior brasileiro, assim como seu conteúdo curricular racista e anti-democrático dos dias atuais. A mesma lógica de modelo universitário que possibilita ações como essa na PUC, possibilita a publicação de cartazes racistas na UFRGS em 2008; possibilita o crime racial praticado por três universitários que espancaram um trabalhador negro da USP de São Carlos; ou no assédio machista e perseguição moral praticada por alunos e pela direção da universidade contrauma estudante no caso da UNIBAN. E, precisamente por isso, não pode ser encarado como um problema específico da PUC-SP, nem muito menos do curso de História, mas como uma questão muito mais ampla e que demanda a necessidade imperativa de uma campanha contra a repressão a partir das universidades.
Por meio desta viemos expressar que esse acontecimento nefasto é de repúdio de todos os estudantes do Conselho de Centros Acadêmicos (CCA). Estaremos nos próximos dias solicitando assinaturas e a participação das demais entidades para a organização de uma Comissão Interna de Defesa no intuito de julgar este caso de racismo e exigir da direção da PUC-SP a devida punição aos praticantes de qualquer ato de racismo contra estudantes desta universidade, tendo como pena a cassação do diploma e banimento de todos os envolvidos da PUC-SP. Esta comissão deve estar aberta, assim como seus trabalhos a todas as entidades e organizações da universidade, assim como seus membros e base.
Desde o CCA, esperamos uma posição dos demais professores dos departamentos, assim como da direção da universidade. Consideramos que a PUC-SP, como universidade que reivindica e diz orgulhar-se de seu passado democrático, não deve tolerar o racismo e nem possibilitar a formação deste tipo de profissionais.
Quarta Feira, 16 de Dezembro de 2009.
Assinam:
Centro Acadêmico de Serviço Social
Centro Acadêmico 22 de Agosto
Centro Acadêmico Benevides Paixão
Centro Acadêmico de Relações Internacionais
Centro Acadêmico de Psicologia


Postado em 22/12/2009 às 22:18 0

O Racismo é um Sujeito Oculto.


Por Arísia Barros

A face oculta do racismo no Brasil reproduz e consolida o argumento da invisibilidade social de um povo participativo e arquiteto da história da naçã brasileira. Descontextualizando-o.
A sociedade contemporânea sabe da existência do racismo e traz consigo a consciência de que a discriminação racial cria não só o apartheid estético-midiático-imaginário como também divide o Brasil em distintas Áfricas.Negros são hóspedes,ainda incomôdos, para o segundo país mais negro do mundo, fora do continente africano.
Mesmo sendo flagrantemente racista, essa sociedade se acomoda ao não desafiar as normas atuais que imputam aos ditos diferentes um tratamento desigual valorizando a tendência de consolidação de mais e mais posturas discriminatórias e veladas.
O Projeto Raízes de Áfricas sabendo da sua quota de responsabilidade desenvolveu ao longo de 2009 ações pautadas na construção, reflexão e proposição de políticas públicas, visando a equidade social focada na igualdade racial.
Cerca de 2.000 ( duas mil pessoas) participaram de nossos encontros na multiplicação de idéias e valores igualitárias.
Realizamos inúmeras parcerias, sempre com o apoio da Federação das Indústrias e Polícia Civil.
Por acreditar que o racismo é um sujeito oculto, nos fizemos presentes na convocação de tantos e muitos para formação de uma rede de pessoas que acredita que outro mundo,sim, melhor é possível. E vamos a elas:

Ações desenvolvidas pelo Projeto Raízes de Áfricas.

06 de março 2009- Realização do almoço-homenagem: “08 mulheres da Diversidade” em comemoração ao dia internacional das mulheres.
27 de março- Realização do 1º Encontro Etnicidades/Brasil: “Brasil e República de Cabo Verde: Laços e Diferenças/Diferenças e Diálogos”. Lançamento do Blog: “Raízes D’Áfricas”, que já está no ar.
Membro da Comissão Organizadora Estadual da II Conferência de Promoção da Igualdade Racial
23 de abril- Palestra na Conferência Regional da Igualdade Racial, na cidade de União dos Palmares , com o tema: “Análise do impacto das políticas implementadas, para além fronteiras, como destaque na área das relações internacionais, para os protocolos firmados com os países do continente africano”.
06 de maio- Realização do Projeto “Mojubá Yèyé”- significado “Eu saúdo as mães”- homenagem a oito mulheres mães da diversidade: negras, indígenas e ciganas, símbolos do esforço e determinação, da pluralidade da beleza, da etnicidade e crenças, dos quais revelam a força da diversidade étnica do universo feminino.
21 de maio- Palestrante na II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (II Coepir), com o tema : “Análise do Impacto das Políticas Implementadas, para além Fronteiras, com destaque na área das Relações Internacionais, para os Protocolos Fir mados com os Países do Continente Africano”.
21 de maio - Facilitadora do Grupo Política Internacional na II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (II Coepir).
25 de maio- Articulação e organização da II Missa de Ação de Graças: Em nome do Pai e da Liberdade Guerreira- Um tributo à Liberdade da População Negra. Capela de São Gonçalo, bairro do Farol. Celebrante arcebispo de Maceió, Dom Antonio Muniz.
29 a 31 de maio de 2008-Participante como delegada eleita da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II Coepir),em Brasília.
16 a 20 de junho- Participante como membro-representante do movimento negro na Comissão Organizadora da Conferência de Segurança Pública - COE/AL do Curso Convivência e Segurança Cidadã, no Resort Starfish Ilha de Santa Luzia , Sítio Tingui, s/n, Praia do Costa - Ilha de Santa Luzia, Barra dos Coqueiros, Sergipe.
26 de junho- Proposição e Articulação para visita da delegação de Alagoas na II CONAPIR ao ministro do Supremo Tribunal Federal em Brasília, Joaquim Barbosa
24 de julho- III Encontro Etnicidades Brasil: "Cidadania em Gênero, Raça e Resistência!". Homenagem a 10 mulheres empreendedoras sociais, negras, alagoanas das bases populares com o certificado Tereza de Benguela.
Representante do movimento negro na Coordenação Organizadora Estadual da Conferência Estadual de Segurança Pública
6 e 7 de julho-Realização do Encontro Etnicidades Nordeste: “A Promoção da Igualdade Racial em Alagoas: Teoria e Prática”.
07 de julho- Realização da Conferência livre: A Segurança Pública e as Comunidades Quilombolas.
13 e 14 de agosto- Participação no Seminário de Capacitação de Representantes de Fóruns de Educação e Diversidade Etnicorracial/Natal Rio Grande do Norte/MEC/SECAD
20 e 21 de agosto-IV Encontro Etnicidades Brasil: “Negras em Movimento: Gênero, Raça e Religiosidade
27 a 30 de agosto- Participação como delegada representando o movimento negro alagoano da I Conferência Nacional de Segurança Pública,realizada em, Brasília.
18 de setembro- Seminário Temático de Avaliação “O Brasil Consegue?!?”, tema “Segurança Pública, a desmilitarização e o desafio da integração com a sociedade”
15 de setembro- Participação com palestra na Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente com o tema Promoção e universalização de direitos em um contexto de desigualdades”.
09 de outubro- Participante como moderadora da mesa temática Cidadania Direitos e Deveres1ª Conferência Metropolitana de Comunicação
30 de outubro de 2009 – Realização da Agenda Social de Diálogos Alagoanos sobre Segurança Pública e a Promoção da Igualdade Humana: Conseguiremos?!?
06 de novembro- Realização do II Colóquio Internacional Brasil x Áfricas: Artes, Cultura e Literaturas/IV Bienal Internacional do Livro.
07 de novembro de 2009- Promoção da Oficina: Eu, Meus Pais e Meus Avós
Projeto Um Dia de Graça no Terreiro-Centro Afro Cultural Abaça de Oxum Panda/Village Campestre II/Tabuleiro dos Martins-
24 de novembro- Visita do jornalista José Amaral Neto da Agência de Notícias Já. Com de Uberlândia/Minas Gerais para conhecimento e divulgação do Projeto Raízes de Áfricas.
26 de novembro- Articulação, como movimento negro para realização da Uma Missa em Nome da Paz pelo Respeito á Liberdade de Crenças e as Diferenças Humanas.Catedral Metropolitana de Maceió/Al
07 de dezembro- Promoção da palestra do ministro-adjunto de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira, com o tema ‘O Desenvolvimento Sustentável e a Política Proativa à Promoção da Igualdade Humana’.
14 a 17 de dezembro-Participante como delegada eleita representando o movimento negro alagoano, da articulação “Enegrecer a Confecom” na 1ª Conferência Nacional de em Brasília.
21 de dezembro- Realização do Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude)
Que em 2010 possamos intensificar as ações conjuntas,substantivas e em parcerias para que novas caminhasa sejam estabelecidas.
Que Olurum nos conduza!
 


Postado em 22/12/2009 às 21:26 0

O Desenvolvimento Social exige a Política da Eqüidade e a Responsabilidade Popular.


Por Arísia Barros

Existe uma política social em vigência, aquela que estabelece uma visível e discutível dependência do povo com o poder público como estratégia da sobrevida que assegure o pedaço de pão ao bocado de feijão e arroz, muitas vezes sem a mistura. Dependência tal e tamanha que vem criando um novos paradigma: o da tolerância permissiva aos descalabros do poder.
Barriga vazia, falta de moradia, condições de vida insalubres são ferramentas midiáticas utilizadas pelos diversos poderes políticos para afirmação da autoridade do Pai patrão junto ao povo que se sente contraditoriamente agraciado,culpado e indefeso e com a cumplicidade do toma lá da cá , fragiliza o seu real papel de controle social.
A pobreza segmenta, argumenta com as não-possibilidades, invade as periferias das histórias e torna uma enorme seqüela da população refém da outra parcela que detém o poder de vida e de morte, e novamente em nome da sobrevida cria-se novos códigos de convivência social.
As muitas ações em nome da paz com passeatas, cartas, manifestos, sem a adesão de políticas públicas conclusivas e afirmativas assumem um caráter da passiva neutralidade político-social. Bem típico desse indefinido tempo contemporâneo.
Adolescente do alto dos seus 15 anos, Jorge, jovem negro vaticina: “todo mundo fala em paz, mas ninguém nunca me perguntou o que acho disse. Só quem passa sabe o que é a gente lutar contra a guerra de não saber se haverá futuro. A gente vai pra guerra desarmado, sem escola, saúde e pior descalço e com fome. Um dia fui parado pela polícia como elemento suspeito. Porque sou suspeito?!”
Segundo Mir: Sem implodir a balcanização, refundar o Estado, construir a nação multiétnica e transferir poderes e rendas teremos uma nova farsa com 500 anos de legalidade e guerra civil permanente.
República, palavra derivada do latim "res publicae", quer dizer coisa pública, ou seja: coisa do povo e para o povo, como bem proferiu Cícero.
E essa república que deveria compartilhar poder com o povo inverte os papéis, tornando-o mero coadjuvante na arte da barganha: me dá teu voto que contigo dividirei meu ouro, ou um milheiro de tijolos.
Precisamos quebrar a frágil casca do ovo que vestimos. Não levantamos mais da cadeira, a passividade nos condiciona a ser vítimas e agressores pela omissão passiva “do que não tenho nada a ver com isso”. A nossa indignação virou coisa de novela, é por capítulos e extremamente fracionada. Estamos perdendo nosso caráter da imparcialidade e isso nos torna cúmplices do estado-mercadoria, que impõe a uma considerável parcela da população brasileira, com foco na população negra, condição de vida insalubre,com insuficiência de renda, agregada a má distribuição dos recursos existentes,vazia de oportunidades. Mais de 50% das crianças brasileiras com até dois anos encontram-se na linha da pobreza; negros e pardos representam 63% dos pobres do País.
A pobreza do povo negro é bem mais do que a simples condição econômica é estruturada nos pilares do racismo colônia-nacional que ao segmentar, exclui. Ao excluir estabelece as não-possibilidades de vida digna ou ascensão social e as não possibilidades escasseiam as oportunidades que por sua vez fragiliza a sobrevida da dignidade humana, expulsando-nos mais uma vez para periferia da história.
Quem vai querer ser negro no Brasil?!?
Este país precisa reinventar os políticos oportunistas. Os oportunistas do bem que saibam trilhar com compromisso e sabedoria política os caminhos criados com as ações afirmativas em busca de equidade social.
Nós, descendentes de Áfricas, tivemos e temos um papel fundamental na construção do Brasil, entretanto somos nós, os negros que estamos na dianteira dos que compõem o universo dos miseráveis, aqueles que vivem abaixo da linha de pobreza.Já não é hora de rever essa história?
O desenvolvimento social exige a política da eqüidade e a responsabilidade popular. A releitura das desigualdades às quais o povo negro é submetido é uma delas.

 


Postado em 22/12/2009 às 19:59 0

Carta da Juventude para o Ano que Vai Nascer


Por Arísia Barros

Como representantes de diversos segmentos da juventude alagoana, participantes do Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude), realizado dia 21 de dezembro de 2009, no auditório Antônio Cansanção da Federação da Indústria do Estado de Alagoas, uma iniciativa do Projeto Raízes de Áfricas,do qual participaram várias entidades representativas da juventude alagoana, dentre eles jovens da religião de matriz africana, alunos das escolas estaduais e municipais de Maceió, do município de União dos Palmares,Palmeira dos Índios e Universidade Federal de Alagoas,CESMAC e diante do quadro de violências que vem atingindo a juventude alagoana masculina,tendo como perfis de vitima e agressor preferenciais adolescentes e jovens do sexo masculino, negros, com baixa escolaridade, moradores de bairros pobres desfavorecidos das políticas sociais básicas,deliberamos que é preciso construir políticas sociais e efetivas de prevenção para que os adolescentes e jovens de qualquer cor, etnia, credo religioso, condição social, orientação sexual, vítimas e agressores tenham mais interesse pela própria vida;
Acreditamos na importância da intervenção social a partir do olhar da juventude, como um processo inicial de diálogo cujo primeiro compromisso deve ser fazer valer as palavras e transformá-las em ações, baseados em valores, culturas e tradições para que haja igualdade entre povos.
Manifestamos a nossa disposição ao diálogo afirmando que o atual sistema de reeducação de jovens que cumprem medidas sócio-educativas não reeduca ninguém. É preciso tratar. Marginalizar sem tratar não resolve o problema das drogas. Que não haja a privatização dos direitos humanos.
É urgente combater a intolerância religiosa e respeitar as culturas dos povos. O espaço dos terreiros é espaço de religião e produção social. É espaço de afeto e amor onde muitos jovens são agasalhados, amados e impulsionados para uma vida de valores.
Sabemos por experiência própria que para construir uma sociedade sustentável, crítica e participativa é preciso inovar a educação para que a mente dos jovens permaneça ocupada com conhecimentos salutares e criativos;
De fato, entendemos que o amor tem grande importância nas relações humanas, mas não podemos utilizar o amor como única ferramenta de mudança. Precisamos do compromisso social, sem conceitos pré-formados;
Acreditamos na real necessidade da formatação de uma agenda para realização de encontros em que jovens de diversos segmentos possam expressar e aprender concepções sobre o estado político de direito e deveres e que jovem possa educar jovens, uns aprendendo com os outros;
Sabemos que participação social se conquista, portanto, nós jovens, precisamos nos transformar em uma sociedade organizada;
Enfatizamos que o direito á comunicação é um bem de todos, e, é compromisso do estado.
Faz-se necessário o reconhecimento e valorização da família na construção do mundo interno e externo referencial do jovem, portanto é urgente a criação de um conjunto de políticas públicas que permitam a sustentabilidade dos laços familiares. Alertamos que ao falar em família englobamos os diversos modelos contemporâneos, desde a família tradicional as lideradas pó avós, tios e às de orientação sexual diferenciada;

 

Assim, reiterando o caráter dialógico do encontro deliberamos pela criação do Coletivo Jovem Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude), como espaço de expressão jovem para reivindicar direitos e apreender deveres sociais, dentre eles o respeito à Constituição Federal, Art. 227, que impõe a prioridade absoluta na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.
Compromisso que deve ser assumido como política pública de aplicação permanente. Ações pontuais na educação, saúde, segurança, trabalho minimizam e fragmentam o desenvolvimento integrado da juventude;
Também acreditamos que é preciso criar campos de trabalhos mais amplos e participativos para que os jovens alagoanos adquiram experiência com o 1° emprego. Se somos o futuro do Brasil precisamos viver o presente dignamente com a garantia de continuidade.
Por estas razões, o Coletivo Jovem Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude) registra por oportuno a necessidade da entrega desta “Carta da Juventude para o Ano que Vai Nascer” aos signatários do poder estadual o Sr. Governador Teotônio Brandão Vilela Filho e ao prefeito da capital José Cícero Soares de Almeida.
Finalizando e parafraseando o Menestrel das Alagoas dizemos que “O sonho é próprio de todos nós. Não há nenhuma realidade sem que antes se tenha sonhado com ela”. E nosso grande sonho é fazer valer o artigo V da Constituição Brasileira como política de estado.

Coletivo Jovem Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude)

http://www.cadaminuto.com.br/blog/blog-raizes-da-africa

 

 

 

 


Postado em 22/12/2009 às 19:44 0

Carta da Juventude Alagoana Erí-okán e Omòdé é entregue a Polícia Civil


Por Arísia Barros

Como resultado do Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude), ocorrido em Maceió, no auditório Antônio Cansanção da Federação da Indústria do Estado de Alagoas, dia 21 de dezembro, está sendo divulgada a “Carta da Juventude Alagoana para o Ano que vai Nascer” que no ato foi entregue à delegada Simone Marques Menezes, Diretora da Academia de Polícia Civil de Alagoas, representando o Delegado Geral da Polícia Civil de Alagoas, Marcílio Barenco.
Entre as especificidades o documento-compromisso reflete sobre a necessidade de mobilização e organização da juventude alagoana, a criação de espaços estratégicos para educação política, articulação e integração entre jovens de diferenciados segmentos buscando uma organização social.
Ainda no encontro foi deliberado e composto o Coletivo Jovem Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude).
O Coletivo é formado por representantes de jovens negros, universitários, de matriz africana, estudantes de escolas públicas estaduais, municipais de Maceió, moradores da Serra da Barriga e é aberto a outros que tenham interesse no desenvolvimento da participação social.
O seminário discutiu dentre outras questões: a necessidade da participação da juventude alagoana na proposição e acompanhamento de políticas sociais básicas e construção de espaços de diálogos entre o poder público e a juventude.
O Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude) foi organizado pelo Projeto Raízes de Áfricas, com o apoio da Federação da Indústria do Estado de Alagoas, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Restaurante Akuaba e RP Eventos.
Participaram da mesa de palestras o renomado historiador e escritor alagoano Luiz Sávio de Almeida, a estudante de jornalismo do CESMAC, Francimária Ribeiro, o Comandante do Corpo de Bombeiro, Jadir Ferreira e Juan Manuel Priegue Castro, representante da Secretaria do Planejamento e Orçamento e do Fórum Permanente pela Vida e Pela Paz (Forvida).
Ainda durante o encontro foi feita a entrega de 50 cestas básicas ao Centro Afro Cultural Abaça de Oxum Panda, Comunidade Sururu do Capote, Aldeia do Índio, Associação Social e Cultural Afro Brasileiro Ofá Omim e Terreiro de Mãe Vera, localizado no Tabuleiro dos Martins.
O público contou com um grande número de jovens do Centro Afro Cultural Abaça de Oxum Panda, alunas da Escola Militar Tiradentes, aluno da Usina Ciência/UFAL, escolas públicas estadual e municipal,UFAL de Palmeira dos Índios e Maceió,Serra da Barriga e professoras.

Confraternização.

Após o encontro foi oferecido um almoço de confraternizando, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, não só para valorizar a participação dos jovens na construção política da carta, como também congregar os diferentes segmentos para socialização das ações realizadas Projeto Raízes de Áfricas, em 2009.

http://www.cadaminuto.com.br/blog/blog-raizes-da-africa
 


Postado em 19/12/2009 às 15:18 0

Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude) promove debate político com a juventude alagoana.


Por Arísia Barros

Acontece na próxima, segunda-feira, dia 21 de dezembro, a partir de 09 horas, no auditório Antônio Cansanção da Federação da Indústria do Estado de Alagoas, uma iniciativa do Projeto Raízes de Áfricas e apoio da Federação da Indústria do Estado de Alagoas, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Restaurante Akuaba e delegado Pinto de Luna, o Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude).
Estabelecer a necessidade da participação crítica dos jovens nos espaços públicos, formação de identidades políticas, relação entre os interesses sociais e pessoais da juventude contemporânea e as políticas públicas,com recorte na questão étnica, é esse o propósito do Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude) que mobiliza, nesta segunda-feira, 21 de dezembro, jovens alagoanos dos segmentos afro-religioso, estudantil do ensino médio e universitário, comunidades de favelas entre outros representantes de diversificados segmentos sociais para debater e construir democraticamente, uma carta-proposta- reivindicação para o governo alagoano, tanto municipal quanto estadual
Na verdade o Projeto Raízes de Áfricas propõe a organização do debate buscando possibilidades de articulação entre os saberes construídos na prática e vivência da representação da juventude alagoana e a investigação da descrença dos jovens em relação a ação estado-política, considerando-os como ponto de partida para a construção pelos participantes da “Carta da Juventude Alagoana para o Ano que vai Nascer”.
O Encontro acontecerá no auditório Antônio Cansanção da Federação da Indústria do Estado de Alagoas e é uma iniciativa do Projeto Raízes de Áfricas e tem como meta promover a prestação de contas junto a sociedade das ações desenvolvidas pelo Projeto ao longo do ano de 2009.
Serão distribuídas cestas de natal para os adolescentes,já selecionados, em situação de vulnerabilidade econômica, em parceria com o apoio do Corpo de Bombeiros.

O Que é Projeto Raízes de Áfricas?

O Projeto Raízes de Áfricas tem como visão mobilizar, articular e gerir ações de transformação social com a finalidade de inclusão e promoção da cidadania, e das possibilidades sócio-étnicas de afirmação.
É o enfrentamento dos saberes tradicionais, como elemento aglutinante das diversidades étnicas, refletindo a importância das sociedades africanas nas identidades sociais do Brasil/Alagoas

Programação.
8 às 9h00- Entrega de Material
9h00- Apresentação Afro-artística: Música Seja Mais Negra
09h15- Palestra: Juventudes, vulnerabilidades e políticas públicas..
Palestrante: Sávio de Almeida
Francimária Ribeiro- Coletivo dos Estudantes de Comunicação Social de
Alagoas-UFAL
10h00- Lanche
10h20- Construção Coletiva da “Carta da Juventude Alagoana para o Ano que vai Nascer”.
12h00- Distribuição das cestas de natal
Encerramento.

O Quê: Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude)
Quando: 21 de dezembro de 2009
Horário: 08 às 12 horas.
Onde? Auditório Antonio Cansanção. Federação da Indústria do Estado de Alagoas.
Público: Entrada franqueada
 


Postado em 18/12/2009 às 20:23 0

EU TENHO UM SONHO

Caras e Caros, Após participar durante os últimos quatro dias da Conferência Nacional de Comunicação, em Brasília, representando o movimento negro alagoano, retorno com a certeza de que é preciso dialogar com nossos sonhos de uma sociedade mais justa e igualitária, ouvindo Martin Luther King .


Por Arísia Barros

Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.


Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.


Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.


De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".


Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.


Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.


Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.


Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.


Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.


E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"


Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.


Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.


Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.


Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.


Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.


Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!


Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!


Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.


Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado. "Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.


Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!" E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.


E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro: "Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

 


Postado em 09/12/2009 às 06:02 0

Como Vencer a Pobreza e a Desigualdade

Por Clarice Zeitel Vianna Silva UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ


Por Arísia Barros

\'PÁTRIA MADRASTA VIL\'
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que \'dos filhos deste solo és mãe gentil.\', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não \'tapa o sol com a peneira\'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa).. Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?

 

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre \'Como vencer a pobreza e a desigualdade\'


Postado em 09/12/2009 às 05:45 0

Negros são principal alvo da violência, aponta professor

Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=119318&id_secao=1


Por Arísia Barros

A população negra é a principal vítima da violência urbana cometida no Brasil. Jovens negros e pardos do sexo masculino respondem por 64% dos homicídios registrados no País, enquanto os brancos representam 29,2% do total. Entre as mulheres, 54,2% das vítimas de assassinatos são negras e 39,4% são brancas. Os dados foram mostrados na reunião da CPI da Violência Urbana, nesta quinta-feira (12), pelo professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
“Os dados que a CPI recolheu não podem servir apenas para entender a situação da violência urbana. Têm que servir para apresentarmos um novo modelo de segurança pública que seja capaz de evitar a violência que abate principalmente jovens negros”, disse o deputado Luiz Alberto (PT-BA), um dos autores do requerimento para a realização da audiência pública.

Ainda de acordo com o professor, os homicídios de homens negros correspondem a 11,6% do total de mortes ocorridas no Brasil. Os assassinatos de homens brancos, por sua vez, equivalem a 4,2% dos óbitos. A situação é mais grave entre os homens negros de 18 a 24 anos. O grupo responde por 52% do total de mortes registradas no País, ante os 32,5% verificados entre homens brancos da mesma faixa etária.

Ele destacou que a violência contra negros é ainda mais explícita quando se analisa a ação policial. Em 2007, a chamada “intervenção legal” matou 327 homens negros e 171 brancos.

No caso da ação policial contra os negros, a deputada Iriny Lopes (PT-ES), defendeu que a Câmara aprimore sua atuação contra a violência. “Não se trata apenas de discutir a situação das corporações e forças policiais, mas as questões históricas do País que \'naturalizam\' determinados procedimentos. Precisamos contribuir para reduzir o número de mortes no Brasil”, afirmou.
 


Postado em 06/12/2009 às 21:49 0

Encontrei Minhas Origens

O 20 de novembro e o comercial da Caixa Econômica Federal


Por Arísia Barros

O comercial da Caixa Econômica Federal exibido no dia 20 de novembro nos trouxe uma belíssima profusão de cenas determinantes que expressaram a fibra ,beleza, natureza de um povo inventivo, contrariou regras.
A mensagem foi criada pela agência de publicidade NovaS/B e exibida em todo o País nos dias 19 e 20 de novembro.
Sem desperdiçar emoções, valorizou a atuação do ego, superego e id desse mesmo povo, circundando-o através da arte, geografias e histórias. Histórias afirmativas.
Histórias afirmativas que a Caixa compôs para homenagear os seus 14 mil funcionários afro descendentes pelo Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
O comercial da Caixa Econômica dialogou com África e memória, Brasil e cultura e história e literatura e ainda aproximou milhares pessoas para ouvi-las.
Trouxe-nos Oliveira Silveira, um dos ícones do movimento negro brasileiro, morto em 2008, traduzido em seu poema “Encontrei minhas origens”.
O comercial produzido pela Caixa não é bom só pelos seus conceitos estéticos, é bem mais. Ele atestou as infinitas possibilidades de contar histórias feito documentário de vidas humanas: palavras, expressões, sorrisos suados e o orgulho ancestral.
A Caixa Econômica nos fez interpretes de nossa própria história valorizando realmente pessoas, matrizes, interação de cores na simplificação de formas, estabelecendo um efeito positivo no jogo de identificação: sim, nós podemos!
O comercial da Caixa Econômica Federal dá um exemplo à publicidade brasileira de uma forma precisa e preciosa que é possível aliar arte a desconstrução do racismo, com imagens e efeitos sutis, poderosos e sobretudo emocionantes.
O comercial da Caixa criou espaços de oportunidades, entretanto é uma pena que cenas de tão grande impacto só sejam produzidas em novembro,ainda que o racismo, permanece corrosivo e destrutivo todos os dias.

 


Postado em 06/12/2009 às 14:05 0

Meu filho me pediu uma boneca.

(Denise Batista)


Por Arísia Barros

 

 

Há uns dois meses meu filho de sete anos me pediu uma boneca. Dividida entre a intelectualidade dos estudos acadêmicos e os valores que a nossa "reaça" sociedade demonstra nas questões de gênero, dei a boneca," bancando" um barulho enorme por parte da família, colegas de trabalho, ex-marido e afins. Sem contar com a censura silenciosa de alguns, revelada por olhares ou gestos. É claro que recebi apoio e solidariedade. Mas o oposto foi muito mais pesado.. Confesso que compreendo. Por parte de alguns mais, por parte de outros, menos. Mas respeito.
O meu desconforto foi muito mais em relação a mim mesma do que às posturas percebidas, públicas ou anônimas, verdadeiras ou educadas. Foi duro encarar minha insegurança em assumir DE FATO uma posição em relação às minorias sociais. Foi esta imagem, refletida no espelho das relações familiares que meu filho e sua boneca me obrigaram a olhar. Tive que sustentar uma postura, na prática, que há muito considerava como minha. Em teoria. Só descobri isto quando foi com um filho meu.

Aqui faço um parêntese: enquanto eu me torcia e retorcia constrangida, fazendo como o anão de jardim "cara de paisagem", meu filho não estava nem aí para os olhares e comentários sobre meninos e bonecas e exibia orgulhoso a sua gorducha bailarina, penteando os seus cabelos, trocando as suas roupas, mudando o seu penteado, entre extasiado e maravilhado com as possibilidades daquele "ser" de 20 e poucos centímetros e puro látex, para onde ia: no meu trabalho, no Mestrado, pelas ruas, na casa do avô, do pai...lugares públicos ou privados para este menino não dizam nada! A cada um que afirmava que boneca não era coisa de "macho", ele perguntava candidamente: por quê?

A boneca para o meu filho foi um Lego às avessas: montava, desmontava, descobria as calcinhas (olha mamãe a calcinha dela!) maquiava, lavava, alimentava.. . Confesso: quando ninguém estava olhando, brincava junto com ele e me divertia à beça, me sentindo criança de novo, relembrando o prazer de simplesmente brincar!

Enquanto isso, na vida real as opiniões se dividiam entre as seguintes opções:

OPÇÃO A: Não é nada demais, é só uma fase, (os conservadores, mal disfarçando o seu mal-estar psicologizando a "coisa")

OPÇÃO B: Ele está descobrindo a sexualidade, (os moderados)

OPÇÃO C: Ele esta aprendendo a cuidar dos filhos. Por que, homem não pode cuidar dos filhos, não é? (os progressistas- liberais de extrema esquerda intelectuais, dentre eles, minha querida "profdoc" Cristina Novikoff, um bálsamo na minha vida)

OPÇÃO D: Ele está querendo chamar a atenção em protesto por tudo que passou nestes últimos tempos (os contemporizadores sociologizando a mesma "coisa")

OPÇÃO E: Este menino vai é ser "viado" mesmo! (muitos, em off, é claro!)

OPÇÃO D: Nenhuma das anteriores (mas esta opção não é aceita na pedagogização da "coisa")

E eu ali, realizando uma pesquisa disfarçada sobre o assunto, coletando os dados, tratando-os e analisando os resultados!

Mentalmente, catalogava as opiniões. Torturava-me a possibilidade entre assumir uma atitude "firme" com meu filho para não ser julgada e execrada, ou seja, aceita pelos meus pares, ou ainda pior, sucumbir num mar de disfarces, meias-mentiras, mentiras inteiras, hipocrisias. ..

Optei pela lealdade aos meus princípios. É neles que está o amor incondicional ao ser humano e o respeito às diferenças, que só se consolidam se você tiver um compromisso real com a verdade. A sua verdade. Possibilitando àquilo que é estranho, ser familiar. Esta postura é uma daquelas que, quando a gente "bota a cara" sabe, e leva muita, mas muita porrada (não é Aninha?).

Meu filho é um ser humano. Pode ser diferente ou não no sentido convencional das opções sexuais. Mas isto não é importante. É apenas uma categoria de análise. Logo, não posso abrir mão dos meus princípios, pois eles constituem a minha identidade. Mantenho-me fiel a eles.

Bem seja o que for que representa a boneca para o meu filho, o fato é que ele está feliz da vida com o seu brinquedo novo e está me pedindo outra...

O fundamental, importante e imprescindível é o amor que sinto por este mini-humano e a admiração profunda que sinto ao vê-lo cuidar tão amorosamente do irmão menor, pela sensibilidade em perceber só de olhar meu rosto, o meu estado de ânimo, mesmo se tento disfarçar (e me alertar!), pela preocupação com o coletivo, demonstrada nas pequenas atitudes cotidianas, como não jogar papel de bala no chão ou recolher as garrafas pets que meu pai insiste em atirar no seu quintal; em demonstrar bom caráter ao não contar mentiras muito punks (aquelas que sacaneiam alguém ferindo seus sentimentos) , pela comoção sincera quando vê um desvalido, pela alegria com que admira a beleza de uma florzinha safada no jardim da minha mãe e colhê-la e colocar num copo me oferecendo; ao adorar incensos e gostar de livros, não com a devoção que eu gostaria, mas ok, e ao profundo amor que devota à sua Bolinha.

Me emociono ao vê-lo dormir e me assusto com a rapidez com que está tendo que amadurecer, pois a vida não tem sido fácil para ele.

Sendo assim, é muito fácil ser mãe deste ser humano de sete anos que me chama de mamãe. E se ele for gay, lésbica, hetero, bi, drag, transformista ou desejar uma cirurgia de mudança de sexo, tudo bem. Mesmo. O importante é que seja qual for o caminho escolhido, que seja pautado pelos princípios humanitários. Aqueles que fazem a gente ser decente e não nos torna indiferentes às misérias do mundo. E de quebra, que ame o seu próximo, respeitando a dignidade alheia. E que sonhe sempre com um mundo melhor, como antídoto para afastar o cinismo que ronda o cotidiano da perversidade.

Antônio, eu te amo meu filho.
Por tudo. Mas principalmente por me fazer olhar, de forma corajosa para dentro de mim mesma.

Com amor,

Mamãe.
 

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Postado em 06/12/2009 às 12:52 0

Ninguém vai à rádio, jornal, televisão dar testemunho de graça recebida na religião afro

Mãe bynã-Terreiro Ile Nifé Omim Omo Posú Bètá


Por Arísia Barros

1º de fevereiro comemora-se o quebra-quebra dos xangôs alagoanos e 02 de fevereiro, aniversário de morte de Tia Marcelina, completando 94 anos. Fato esse que marca a extinção das antigas casas de cultos afro-brasileiros em Maceió, Alagoas, os xangôs, como se chamavam na época, hoje terreiros, de maneira inescrupulosa, bárbara, tratados como animais de maneira desumana, pela polícia civil, como nos tempos da escravidão.
Os sacerdotes e sacerdotisas mais visados nessa nojenta e vergonhosa perseguição fugiram para outros estados pela conivência do governo, entre eles a yalorixá Tia Marcelina permaneceu. Africana, dona do terreiro que tinha seu nome, no dia 1º de fevereiro de 1912, recebeu na ocasião do quebra-quebra, um tremendo golpe de sabre na cabeça, tão violento que a deixou prostrada no chão, banhada de sangue.
Eram considerados os mais antigos terreiros: o de mestre Felix, funcionava em Jaraguá e tia Marcelina, na Rua da Aroeira, onde hoje é a Praça Sinimbu e os demais Manoel Guleiju, Manuel Coutinho, Chico Foguinho, João Catarina, Pai Adolfo, Pai Aurélio, Manuel Martins, João Fiufiu, Manuel do Loló, todos descendentes de africanos.
Tia Marcelina gozava de enorme respeito e estima era considerada a mais respeitada mãe de santo em Alagoas. Foi contemplada com a “Coroa de Dada”, irmão mais novo de xangô pela África, talvez isso tenha concluído para aumentar a ira da soberania no quebra de 1912. Isso nos causa, hoje em dia, uma revolta. Foi com essa política da Liga dos Combatentes e do Governo do Estado aliciados nessa triste memória. Qualquer denúncia de brancos implicava em prisões e constrangimentos, não resistindo ao violento impacto silenciaram os atabaques dos cultos afros e passou a chamar-se “xangô rezado baixo”, isto é, em surdina. No silenciar desses tambores foi quando, eu, Mãe Mirian, comecei a freqüentar a religião por motivos de saúde, em 1974, com meus 12 anos de idade na casa da Yalorixá Amália Dantas chegada recentemente do Rio de Janeiro, onde se tocava em caixotes de sabão vazios, portas fechadas e vigiando a polícia que na maioria das vezes batia a porta e levava todos presos.Isso era na rua São Bernardo, em frente ao Mercado de Jaraguá. Depois então mudou-se para rua Castro Alves, no Poço, Nação Gego Nagô, em uma festa de Oxum, a polícia chegou, levou tudo do peji e todas vestimentas do santo, feito trouxa na própria saia das filhas de santo, colocada na cabeça e levaram para a 2ª delegacia em Jaraguá, no outro dia tocaram fogo em tudo, atrás da delegacia. Outros babalorixás faziam mesa de jurema e os orixás incorporavam como africanos e davam nome de caboclos, mas quando a polícia chegava, apanhavam, se reclamassem eram presos e desmoralizados com baixas palavras, saiam até com panelas de comidas na cabeça pelas ruas para as delegacias. Lembro nomes de alguns; João Siri, Nozinho, Maria Amélia, Alzina, Angélica, Maria Tereza, Mialê, Aurélio, João Baiano, Maria de Alcântara e outros.
Religião afro é uma religião milenar que existe a 5.000 anos antes de Cristo, formada de elementos vivos, força cósmica e viva da natureza divinizada pelos primitivos que deram o nome de Orixás.
Diferença e discriminações raciais na mulher negra, na mulher mãe e sacerdotisa, no trabalho vivemos dia-a-dia, somos às vezes rejeitadas, humilhadas e desvalorizadas, até porque uma boa parte são analfabetas e desconhecem os seus direitos, servindo de cobaias e escravizadas pelos seus senhores ou patrões, nas favelas, nas fazendas,canaviais, com salários miseráveis passando as vezes fome e sem ter moradia digna. A intolerância para o nosso povo ainda existe. Predomina principalmente para a sacerdotisa, são chamadas de negra macumbeira, endemoniada, mau caráter.
A casa que moramos é a casa do diabo, quando trabalhamos e a patroa descobre que somos da religião somos dispensadas, alegando não querer macumbeira em seu estabelecimento. Só que muita gente discrimina a religião e vai a nossa casa querendo nos fazer um verdadeiro demônio, pedindo coisas absurdas e incapaz de se praticar, porque religião nos proíbe de fazer o mal ao próximo, porque temos um ser superior para julgar as sementes boas e ruins que plantamos e o que vamos colher. Só fazemos o bem ao próximo. Curamos, ajudamos a conseguir trabalho, fazemos união, fazemos voltar paz nos lares, muitas vezes tiramos alguém do abismo lhe restituindo a paz, mas ninguém vai a rádio, jornal, televisão dar o seu testemunho da graça recebida, porque se envergonham de dizer que foram a casa da religião afro. Gente vamos acabar com esse cinismo, esse idealismo hipócrita com nossa raça, nossa religião. Quantos são da religião e negam, dizem ser católicos.
A lei da natureza diz: viemos do pó e ao pó voltaremos, sem diferença de cor raça ou religião e isso é religião dos orixás.
A sacerdotisa da religião é a mãe que cumpre seus deveres como: Amar a Deus e a natureza sobre todas as coisas. Dar vida e não tirá-la. Conduzir as pessoas ao caminho do bem. Fazer caridade não olhando a quem. Pedir a Deus e orixás saúde para os doentes. O pão de cada dia para quem tem fome. Água para quem tem sede. Orar, implorar e pedir Deus e Orixá dias melhores e paz para o mundo. Paz e união entre as famílias.
Ser Yalorixá é ser mãe, amiga,conselheira,compreensiva,carinhosa,amorosa dividir os problemas de seus filhos e solucioná-los,confortando e amparando no que for possível e muito mais.

Nifé Ki Olorumfe - Seja feita a vontade de Deus.
Olurum Abukum - Deus lhe abençoe
Olorum Da Alagasi - Que Deus dê felicidade a todos.