Raízes da África
Raízes da África

Postado em 06/02/2010 às 16:00 0

O racismo é hegemônico equaliza pessoas pela cor da pele para depois excluí-las.


Por Arísia Barros

Dia de aula cívica, e sem a mínima metodologia ou proposta pedagógica, a tia da escola pergunta aos pequenos e pequenas qual a cor de pele de cada um/uma?
A menina do alto dos seus nove anos, os cabelos presos em tranças com adereços multicolores, um belo sorriso de dentes com falhas infantis, a pele segundo o IBGE é parda, e a linda menina que ensaia com passos titubeantes a sua autoconstrução identitária, levanta o bracinho e solta de supetão: Eu sou morena-branca!
A mestra, responsável pelo agregamento e formação de valores num misto de indisfarçável incompreensão ri o riso da turma. É a mesma garota que confusa em anos anteriores dissera à tia que se considerava negra. E a professora entabulando um diálogo com a democracia racial dos anos 30 impôs à criança consensos e conclusões sociais, transformando um econômico argumento pessoal em intervenção pedagógica: negra não! Você é moreninha!
Não é fácil assumir-se negro no Brasil!
A professora na ausência do conhecimento das africanidades brasileiras perdeu uma grande oportunidade de trabalhar junto com a turma o processo de construção da diversidade étnica e cultural como um território rico em descobertas.
O morena-branca da garota aparece como metáfora da não existência.
Atropelado pelos conceitos construídos socialmente o negro/negra brasileira se auto-nega, fugindo de sua origem étnica e consolidando esse processo, o estado brasileiro adota fórmulas domésticas de combate à discriminação racial: invoca o mutismo histórico como estratégia para disfarçar o desconforto em atacar o racismo de frente. O racismo é híbrido!
E lembro de depoimento de uma adolescente negra ao preencher um formulário diante do quesito cor: Sei que branca eu não sou, afinal qual é a minha cor?
A escola brasileira consegue estabelecer um parentesco consangüíneo com as concepções da dominação colonial, construídas a partir de uma colagem eurocêntrica, inviabilizando a existência do povo negro.
O agravante no processo histórico/educacional é a naturalização do racismo. Existe algo de errado num mundo/escola, país-50% africano - em que as pessoas buscam uma hegemonia ariana. Qual a Alemanha que vive em nós: a de antes ou depois do muro? A escola brasileira precisa traduzir em seu currículo a observância dos princípios do pluralismo e da diversidade nas mais diversas esferas do convívio humano. Criar histórias positivas dos povos ditos diferentes: negros/negras, indígenas fundamentando um olhar cúmplice sobre o sentido cíclico da história da humanidade. Só o conhecimento quebra as fronteiras do preconceito, traduzindo uma escolarização capaz de romper com a consolidação de estereótipos sociais. Não há consciência sem conhecimento, sem reflexão.
Portanto, torna-se imprescindível formular políticas públicas que estimulem a igualdade das condições desiguais. O combate ao racismo se faz através da educação e de distribuição de renda. A escola é o palco de engajamento para reaprendizagem de padrões comportamentais que levem a uma sociedade mais justa e igualitária. Ao omitir-se em trabalhar a diversidade étnico-racial as instituições escolares fecham as portas para muitas culturas, marginalizam outras, empobrecem o alcance do olhar e sobretudo cria estofo para o preconceito.
Se não somos racistas porque foi necessário a criação de uma lei para introduzir no ensino das escolas brasileiras o estudo da matriz cultural africana?
 


Postado em 06/02/2010 às 10:00 0

Tem que ser a \"nega maluca\" a boneca que habita o universo das meninas negras?


Por Arísia Barros


Quantos meninos e meninas na escola alagoana são brutalmente agredidos por conta da sua cor e aparência? São tantas e tão cotidianas as posturas racistas que os fatos se confundem e se misturam. Caso corriqueiro que de tão corriqueiro é visto como normal. Mariazinha tem 10 anos e é aluna de escola pública de um dos muitos bairros periféricos da grande Maceió. Escola de periferia onde a escassez de bens materiais dita uma outra regra da Carta Magna: todos são iguais dentro da pobreza. Mariazinha está se formando na 4ª série do ensino fundamental. É a conquista de uma etapa e a escola ensaia uma cerimônia de formatura, saída festiva para meninos e meninas. Mariazinha está feliz, pois algum daqueles meninos irá escolhê-la para dançar a dança da despedida da infância. Imaginem uma valsa!
No dia seguinte Mariazinha já não tem mais o sol colado em lábios, o sorriso sumira e inexplicavelmente diz à mãe que desistira da formatura. A mãe ensimesmada procura à escola e fica triste, tão triste quanto Mariazinha: nenhum menino da escola - da terra negra do herói Zumbi - escolhera a sua menina tão linda para ser par. E a discriminação racial se disfarça no jogo do faz de contas e empresta às consciências infantis conceitos datados do Brasil Colônia. Ela é da cor de carvão, ela não é bonita, ela tem cabelo de bombril, portanto sua cotação na ótica de crianças tão pobres quanto ela, mas com a pele "mais" clara é zero a esquerda.
Mariazinha faz parte de dois grupos altamente discriminados: as mulheres e os negros. Negros não tinham muita ressonância no Brasil dos nossos prosaicos colonizadores portugueses. È negra a menina Mariazinha que sonhou com sua festa de formatura e não a teve. É negra a menina Mariazinha que não recebeu nenhum apoio pedagógico/psicológico da escola, simplesmente porque a escola não soube e ainda não sabe o que fazer nessas horas. Seria mais fácil apagar um incêndio, pois o mecanismo de apagar o fogo é conhecido por gerações. Mas como apagar a fogueira do racismo que refaz as máscaras e armaduras numa permanente negativação/ apagamento dos elementos étnicos e das matrizes que nos formam, empobrecendo a compreensão sobre a etnia negra e toda força dos ideais humanitários.
A escola não soube o que fazer, as professoras nada fizeram, a diretora se omitiu e Mariazinha não teve sua formatura. Branca é a Branca de Neve, a Cinderela, a Gata Borralheira - princesas dos contos de fadas do universo infantil. A auto-estima de Mariazinha- dita diferente- vazou por entre as frestas da intolerância infantil.
Tem que ser a "nega maluca" a boneca que habita o universo das meninas negras?
A convivência com a visão imperialista e colonizadora da escravidão naturalizou a exclusão de negros e negras e legitimou a sua condição de não-pessoa na ótica social, embaçando assim o pensamento crítico, a visão da diversidade e a real percepção do Brasil dito miscigênico que mesmo tendo 50% da sua população negra adota o fenótipo do colonizador: homem, branco,magro, cristão e europeu.
Quem há de gritar o indizível sofrimento, o grito das muitas Mariazinhas que são violentadas diariamente na perca da auto-estima?
A tendência da engrenagem social/escolar diante de fatos como esse é a demonstração de uma solidariedade minimizadora ou o não reconhecimento da gravidade do fato, considerando-o como "brincadeira de crianças", entretanto, mais do que gestos bonitos ou a própria negação do acontecido, precisamos de ações transformadoras.
É preciso aproveitar a intolerância para transformá-la em ações efetivas de enfrentamento à prática da discriminação racial.
 


Postado em 06/02/2010 às 06:27 0

A Pequena África chamada Alagoas


Por Arísia Barros

Datado dos fins do século XVI - o Quilombo dos Palmares - o maior de todos os quilombos - foi berço de uma das maiores riquezas que o estado de Alagoas herdou: a chamada diversidade, o pluralismo cultural e étnico. Formado por segmentos marginalizados pela escravocracia: negros de diversas regiões da África - com diferentes costumes e uma enorme variedade de línguas - a negros nascidos no Brasil e aculturados pela cartilha dos brancos. Ao lado desses negros, embora em número bem restrito, moravam ainda ex-escravizados, povos indígenas e até alguns brancos. - Palmares chegou a ter 20 mil habitantes e se constituiu em uma das primeiras sociedades econômica e socialmente viável e auto-sustentável. Um verdadeiro estado negro dentro da colônia portuguesa.
Ganga Zumba, Zumbi foram reis em Palmares. Zumbi faz parte do panteão dos heróis nacionais. Ícone da história - o herói negro- é despertado pela esporádica memória nacional do dia 20 de novembro - Dia da Consciência Negra- entretanto como a história afro-brasileira não pode e não deve ser estática é imprescindível perguntar: Como é vivida e vista a realidade da exclusão racial no estado alagoano, nos outros 364 dias do ano?
Em pesquisa recente, devido ao fosso de miséria e das desigualdades sociais, Alagoas, foi alcunhada como "Pequena África", minimizando e estereotipando a imagem do continente africano (A África é um continente de 56 países e ilhas).
É preciso construir aproximações dialógicas e pedagógicas entre o momento histórico da luta palmarina e a história real focada na capacidade do racismo reinserir-se no cotidiano social, pavimentando os caminhos dos ideais de hegemonia que demarcam e orientam as condições da existência do elemento negro no estado brasileiro dito miscigênico - o último a abolir o regime escravocrata e o país com a segunda maior concentração de população negra do mundo.
É preciso flexibilizar mentalidades e comportamentos e assim nortear com novas práticas a cultura política do estado alagoano resgatando a história de organicidade, sustentabilidade e liberdade que os Quilombos dos Palmares (nossa Pequena África positiva) legou ao mundo.
De maneira direta e crua diremos que a omissão em relação à história negra na terra da liberdade produz um oceano de aprisionados históricos. O excesso de melanina pinta a cor da miséria dos afro-alagoanos.
Emprestando um trecho do artigo: As Bantas Coisas de Alagoas, do Professor Bruno César Cavalcanti: "Porque a pobreza herdou os negros alagoanos, e deu uma cor escura à pele da miséria. Esta gente apelidada de povo, mas, contudo sempre exibida num corpo desossado como um polvo".

 


Postado em 05/02/2010 às 20:02 0

E aí quem sabe se a gente não muda as regras do jogo?


Por Arísia Barros


O discurso político é econômico em sua revolução cotidiana, ainda investe no embate de idéias contrárias feito de argumentos e réplicas, esquivando-se de soluções concretas para levar a toda gente o direito de ter qualidade de vida.
O Brasil - político repele a África negra plantada no cotidiano da história social.
O combate à desigualdade étnica envolve estratégias de conhecimento, difusão e mobilização.
Exigem negras e negros em permanente movimento. Exige uma democrática e argumentativa coalizão dos blocos: movimentos sociais, poder público, iniciativa privada e sociedade em geral.
Somadas todas as palavras dos muitos anos a fio o discurso político é insípido de possibilidades. Sua linguagem é sempre padrão de homem-patrão com interpretações carregadas de concepções hegemônicas. A rigor um figurino similar para personagens diversificadamente iguais.
A política alagoana carece de um quadro referencial de homens e mulheres que construam agendas permanentes como ferramenta de partilha do poder político e que traga como pré-requisito ações concretas, como meio de acesso aos serviços de saúde, educação, emprego e renda para a população menos assistida, dentre ela, o povo negro.
Qualquer pessoa que se candidate aos espaços de atuação nos parlamentos deve ser uma profunda conhecedora de sua terra e sua gente e ter como atributos a credibilidade, honestidade e seriedade.
Falando da questão da qualidade é urgente atrelar ao discurso de campanha dos e das postulantes aos cargos para a eleição de outubro de 2010 questões específicas que atendam a um contingente de 50% da população, que mesmo após 121 anos de trabalho livre continua excluída em uma nova escravatura contemporânea; a invisibilidade política.
A consciência da dignidade humana nasce da desconstrução e construção de novas perspectivas em que os muitos sujeitos de direito tenham liberdade de expressão para numa composição social exercitar caminhos uma sociedade livre, justa e solidária .
Dessa forma vale a pena cobrar, exigir,comparar a plataforma de campanha dos possíveis candidatos/candidatas e tudo isso deixa de ser verbo e passa a ser sinônimo de bom senso político.
E aí quem sabe se a gente não muda as regras do jogo?
Segundo Oliveira, Fátima: “O racismo, ao contrário do que muita gente alardeia, não é o mesmo que miséria ou pobreza. Discriminação, preconceito e opressão de classe são DIFERENTES de discriminação, preconceito e opressão de gênero ou de raça/etnia. Cada uma possui dinâmicas de surgimento e de operacionalidade que lhes são peculiares, logo nenhuma se funde, ou se confunde, com a outra, embora possam ser reforçadas quando se abatem sobre a mesma pessoa. Cada uma exige políticas específicas adequadas. Urge que o governo entenda, por sensibilidade ou por dever de ofício, que políticas universalistas são insuficientes para abolir o racismo. E seja determinado e lance as bases de uma revolução cultural que ressoe nos usos e costumes, nos mitos e nos ritos que sustentam o racismo. É improvável um país chegar a um futuro grandioso quando metade do povo está acuado pelo racismo. Superar o racismo é uma questão estratégica para o Brasil, logo não pode ser apenas um assunto dos negros, o que indica que órgãos de governo e políticas públicas para combate ao racismo não podem ser minimalistas e nem reedições de guetos”.
Sabemos que o racismo não será superado por decreto ou com a boa vontade de alguns. Sabemos dos entraves racistas estruturais e conjunturais, entretanto é preciso avançar rumo à democratização dos direitos do ser humano.
Já é hora do estado alagoano desvendar seus quilombos urbanos e cotidianos e fundamentar que cidadania também tem cor. A cor do compromisso cidadão!
 

 


Postado em 04/02/2010 às 22:06 0

Luiz Alberto um personagem vestido com uma produtiva biografia de luta. É um exemplo de parlamentar negro que rompe com o exílio do ideal igualitário e étnico nos espaços do poder.


Por Arísia Barros

A eleição de negros para altos cargos políticos ainda fere a asséptica regra social do exclusivismo étnico,provoca o debate acerca do binômio raça e poder e na contramão da história afirma a inclusão do povo negro na democracia participativa, discurso muito em voga na cartilha do segundo país mais negro do planeta.
Conheci Luiz Alberto, um dos fundadores e militantes do Movimento Negro Unificado (MNU), da CUT – Central Única dos Trabalhadores, petroleiro, Secretário de Promoção da Igualdade Racial da Bahia e atualmente deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores da Bahia, em Brasília.
Tempos depois o reencontrei na Bahia em outra atividade do movimento negro, da qual era palestrante.
Luiz Alberto faz parte de um ínfimo número de parlamentares da Câmara Federal que exercita uma consciente costura crítica e política que interpela, propõe, manifesta, colocando em seu abecedário de parlamentar federal a militância pelas questões raciais.
Luiz têm consciência e assume sua identificação étnica: é afirmativamente negro. Certamente resultado da herança de sua experiência como homem negro sobrevivente, no país miscigenado.
Primeiro deputado federal negro eleito pela Bahia, na década de 90, em 1997 Luiz Alberto é um parlamentar comprometido com as reivindicações dos movimentos negros. Sua eleição encurtou, simbolicamente, a distância que separa negros do poder.
Em 2008, convidamos o então Secretário de Promoção da Igualdade Racial, da Bahia Luiz Alberto para ministrar a palestra sobre o tema Racismo Institucional: Promover a Igualdade ou Eliminar as Diferenças?” no I Fórum Nacional da Consciência Negra na Educação: Iká Kô Dogbá: Os Dedos Não São Iguais” ocorrido na cidade de Maceió, de 28 de fevereiro a 1 de março.
Sua palestra superou todas as expectativas. Foi entusiasticamente aplaudido pelas cerca de 400 pessoas, entre educadores, representantes de movimentos sociais e organizações governamentais e não-governamentais que trabalham com a temática.
O discurso político de Luiz Alberto passa longe de ser inócuo ou se perder entre a decantada miscigenação e a ideologia do racismo “benigno”.
Contundente no que diz foi enfático em seu discurso “Racismo e Institucionalidade”, no Fórum Social Mundial Temático – BA (FSMT), no último dia 29 desse mês, no Hotel da Bahia, em Salvador: “Apesar de alguns avanços, especialmente em termos de institucionalização do enfrentamento à questão racial, encontramos inúmeros desafios. A discriminação institucional é um dos maiores problemas para eliminação das desigualdades raciais. A promoção do racismo institucional não permite que as políticas sejam aplicadas de forma igualitária”.
Luiz Alberto, o deputado federal usa a prerrogativa dada por seu estado para promover uma ampla leitura política das desigualdades raciais. Quantos parlamentares em Alagoas o fazem?
Luiz Alberto um personagem vestido com uma produtiva biografia de luta. É um exemplo de parlamentar negro que rompe com o exílio do ideal igualitário e étnico nos espaços do poder.
É um personagem que merece receber um Diploma de Honra ao Mérito por permanecer fiel a seus valores: o de não esmorecer de lutar, em nome da população negra, por uma política de estado para promoção da igualdade racial.
O Racismo reduz a liberdade humana!
Deputado, os meus respeitos!

arisia.barros@ig.com.br; negrasnoticias@yahoo.com.br


Postado em 03/02/2010 às 21:10 0

A escola por si só não tem o poder de mudar o curso da história, todavia pode exercitar a sua reinterpretação no contexto curricular.


Por Arísia Barros


Foram três séculos e meio da forçada submissão humana do povo preto ao sistema escravocrata que imperou no Brasil de imigrantes, com isso os estereótipos da humildade, obediência e fidelidade ficaram normatizados no imaginário como regras socais, portanto é de substancial importância para subsidiar as relações sociais que histórias enclausuradas em correntes escravocratas sejam revistas e recontadas. Desconstruir a associação da servidão humana com África e os estigmas que sobreviveram ao escravagismo é tarefa árdua, mas possível.
A escola por si só não tem o poder de mudar o curso da história, todavia pode exercitar a sua reinterpretação no contexto curricular.
As leis anti-racistas tanto a federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07/AL são mecanismos que circundam o discurso pedagógico para contextualizá-lo.
Quando bem provocada a escola responde, se expande e diz a que veio.
Visando investigar valores e a partir daí construir conhecimentos com os saberes do alunado, em 2004, o Núcleo Temático Identidade Negra na Escola /SEE propôs a algumas escolas estaduais o desenvolvimento de temáticas que exercitassem não só aplicabilidade da Lei nº 10.639/03, como também envolvessem o alunado.
A professora de uma escola estadual solicitou as suas turmas que fizessem uma pesquisa sobre escravidão e racismo e que a escolha de como a pesquisa deveria ser apresentada ficou a critério dos grupos, como desafio.
A turma aceitou o desafio, arregaçou mangas e se embrenhou nas literaturas existentes, na busca de construir sentidos com base nos próprios conhecimentos.
Segundo a professora durante o processo de construção coletiva muitos dos conflitos foram acalmados. A energia da turma estava canalizada para o desafio de “ser diferente” em propostas de trabalho.
É preciso fomentar nos ambientes escolares ações e atitudes diárias e persistentes que transformem a intolerância em regras éticas de boa convivência com as diferenças humanas,estimulem a interatividade, a dinâmica do grupo, troca de idéias e experiências.
Ao pensar em compor um rap Andreza,Thaysa,Thuany,Carlos e Gilson alunos e alunas da professora da escola estadual tiveram a oportunidade genuína de experimentar durante o tempo que durou o trabalho, a intimidade da convivência pessoal,a experimentação como pesquisa e novas perspectivas pedagógicas de pensar a escola.Criaram um rap. O rap da consciência negra!

Tipo assim mano,eu tenho uma coisa pra dizer:
Esse rap quero curtir com você.
É mano esse rap é pra ficar ligado.
É o rap da consciência negra que tá bombando no pedaço
Essa história é muito grande, então vou ter que resumir.
Ô mano começa logo tenho certeza que vou curtir
Essa parada começo no tempo da escravidão, tá ligado?
Naquele tempo não existia trabalho e sim exploração.
É verdade. Os caras trabalhavam sem receber
E mal tinham o que comer.
Sim, mas agora vamos ao que interessa.
Em 1550 foi introduzida em nossa nação uma coisa chamada escravidão
O povo negro lutou pela abolição
E contra todo sistema pela nossa libertação.
Quando negros aqui chegaram eram colocados nos depósitos dos portos brasileiros, onde eram vendidos aos fazendeiros.
Os negros trabalhavam na cana de açúcar
E no garimpo um trabalho não tão limpo
A história do Brasil bombando no pedaço
Quando muitos negros eram escravos.
Rap é decisão, então vamos transformar essa história de escravidão?
Legal. E aí gostou, curtiu e aprendeu?
Vamos deixar de lado o racismo e curtir esse rap com a gente.
Beleza, meu irmão, fora racismo!

E a roda da vida continua girando e se renovando...

arisia.barros@ig.com.br;negrasnoticias@yahoo.com.br
 


Postado em 03/02/2010 às 14:45 0

É micro nosso projeto de nação!


Por Arísia Barros

Do alto dos seus 07 anos, o menino com guias no pescoço emudece quando a tia chama atenção da turma que ri um riso lavado de deboche. A turma do menino é formada de outros meninos e meninas como ele e como ele estão entrando na idade da razão.
A tia falou na sala que Deus era único e o único Deus que salva é o da igreja que ela vai aos domingos. Confuso e investido com todas as experiências vividas o menino ao tempo que pergunta afirma: Tia, Olurum não é Deus? Mãe Marcelina diz que Olurum é nosso Deus! E a turma inunda de barulhos a fala-certeza do menino com contas no pescoço.
A tia sente a tensão do conflito. Como explicar uma coisa que simplesmente não conhece?
Segundo Mir,Luís: “As leis muito mais do que o caráter ideológico precisam estabelecer a imagem do estado que responde aos problemas reais da sociedade”.
Como o estado alagoano responde as inquietações do menino e da professora que o conduz no mundo das letras? Mais do que aparência de solução o menino e sua professora , como milhares precisam do efeito instrumental da lei para protegê-los da violência do racismo.
A Lei Estadual nº 6.814/ representa efetivamente a formação de professores e professoras, pesquisa, produção e divulgação de conhecimentos, elaboração de material didático que valorize a herança ancestral negra alagoana construtora de posturas e valores que eduquem cidadãs/cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial – afro descendentes de povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos para interagirem na diversidade multicultural na construção de uma nação democrática, em que todos sejam reconhecidos nas suas diferenças, seus direitos e deveres garantidos e sua identidade cultural preservada
A dor profundamente silenciosa rasga o peito do menino com guias no pescoço. Contas que contam a iniciação em um mundo sagrado de conhecimentos. O mundo do terreiro onde aprendeu a professar sua fé.
E quando pensa na mãe o menino pensa na mulher negra,solteira e sofrida que diz todos os dias,como para salvá-los de seus próprios medos, para ele sentir orgulho de ser quem é. A mãe diz que trabalha muito para investir na vida dele para que ele possa ser igual às outras crianças.
Coitada da mãe - pensa o menino -será que ela não sabe que ele não é igual. Que ele já tem mais apelidos do que toda turma junta: negrinho do pastoreio, Saci, Zumbi,cabeça de fósforo,escravinho,projeto de pai de santo,catimbuzeiro e etc e tal.
Uma vez a professora falou para todo mundo que ali ninguém era inferior e todos eram iguais diante de Deus, porque será que ela mudou de opinião questiona o menino com guias no pescoço, em pensamentos intercalados de silêncio e constrangimento.
Se todo mundo é igual porque é que a professora, os amigos, a escola não concordam que o terreiro é minha religião? Nem rezar diferente a gente pode!
A lei Estadual nº6.814/07 estabelece e fomenta um estado de direito, contribui para a consolidação de identidades e vocações políticas de povos e nações.
As raízes da violência futura residem na omissão da sociedade e do estado.
A Lei Estadual nº 6.814/07 ainda é um código fictício repleto de letras mortas.
É micro nosso projeto de nação!
 

arisia.barros@ig.com.br;negrasnoticias@yahoo.com.br


Postado em 02/02/2010 às 18:29 0

Ser alagoana ou alagoano é um estado de alma. Alma guerreira!


Por Arísia Barros

Quem conhece Alagoas sabe de cor e salteado sobre a história da serra grávida de efervescências históricas, resistências aguerridas: Serra da Barriga reconhecida em março de 1988 através do Decreto 95.855, como monumento nacional.
Foi lá em Palmares,na Serra da Barriga que ecoou o grito do Quilombo dos Palmares.
O Quilombo dos Palmares foi a primeira república negra do Brasil. 20 mil habitantes, distribuídos em quatro grandes mocambos chamados: Macaco, Subupira, Zumbi e Tabocas. O Quilombo dos Palmares estava encravado entre a carta de alforria e a igualdade humana.
Quem conhece essas bandas do estado de Alagoas sabe dos inúmeros relevos que compõem a nossa geografia genuína, alagoana, negra, indígena, diversa. Até já ouviu falar de Zumbi, aliás, quem aqui chega por via área é logo recepcionada no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares.
Quem conhece Alagoas já ouviu contar de alguns “causos” de homens e mulheres escravizados ou não que sobreviveram ao ocaso e firmaram-se como grandes expoentes da revolução humana em busca da igualdade social. Maninha, nossa guerreira Xucuru-Cariri, da Mata da Cafurna ,município de Palmeira dos Índios foi, até seus últimos dias de vida, uma aguerrida batalhadora em prol dos direitos de seu povo, dos povos indígenas do Nordeste e do Brasil inteiro.
Em 2005 fez parte da lista de 52 brasileiras indicadas pelo Comitê do Movimento Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz 2005
Vale lembrar que a terra rasgada pelas águas é território de articulação entre a memória africana e histórias contemporâneas: Uma Pequena África!
Quem conhece Alagoas sabe do íntimo agarramento histórico com as raízes do povo banto transitando pela linguagem cotidiana.
Quem conhece bem Alagoas sabe ler a mensagem do espelho d’águas contando histórias das gentes construtoras dessas bandas, como se fosse a biografia de um estado que é feito de encontros de identidades e alteridades que arrebentam fronteiras alargando desafios.
Alagoas é um inventário de alagoanidade, uma imensa carpintaria moldando esboços, novos experimentos do étnico xadrez humano: preto e branco e indígena: Téo Brandão, Ranilson França, Jarede Viana, Maninha Xukuru-Kariri, Vânia Teixeira da favela Sururu de Capote e tantos outros e outras. Oxente! Somos todas as variantes estéticas e identitárias de um quilombo contemporâneo.
Alagoas é feita de sotaques desenhando colchas de retalhos com matizes e texturas humanas variadas.
Alagoas é pincelada de metáforas, símbolos, rachaduras e coragem. Alagoas é valente!!
É terra das gentes faminta por devorar as linhas demarcatórias e discriminatórias que a abolição não-conclusa nos deixou como herança.
Um dia, nós torcemos,as gentes das ruas, dos becos, das favelas, dos barracos, das grotas, grotões, dos interiores dessa nossa pátria Alagoas, tomarão posse da sua parte nesse latifúndio e como num passe de mágica-consciência-cidadã lançarão fora o espartilho político que sufoca sonhos, aprisiona passos à cartilha que conta uma história ultrapassada, represa as águas sociais e afoga as múltiplas possibilidades que temos de crescer.
Não se pode perder de vista que a fonte original da riqueza desse estado é seu povo, então a equação é simples: se somos co-responsáveis, por que continuamos com a nossa servidão doméstica?
Ser alagoana ou alagoano é um estado de alma. Alma guerreira!


 


Postado em 31/01/2010 às 19:53 0

Edialeda Salgado do Nascimento ícone do PDT morre no Rio de Janeiro.


Por Arísia Barros


Detentora da Ordem do Mérito dos Palmares, concedido pelo então Governador do Estado de Alagoas, Ronaldo Lessa, em 2005, a ativista negra Edialeda Salgado do Nascimento, secretária nacional do Movimento Negro do PDT, faleceu neste sábado (30/01), às 16h, no Rio de Janeiro, em decorrência de um enfarto.
Primeira secretária negra do Rio de Janeiro, presidente do Centro de Memória Afro-brasileira, médica ginecologista, presidente do Movimento Negro do PDT, fundadora do Partido, ao lado de Manoel Brizola, fez parte do Gabinete Civil do presidente João Goulart e foi secretária de estado de Promoção Social no primeiro Governo Brizola, além de presidir a Fundação Leão XIII.
Em 2002, na eleição que Brizola disputou o Senado pelo Rio de Janeiro e ocupou a primeira suplência na chapa. Fluente em francês, italiano, espanhol e inglês, Edialeda representou o PDT em diversas reuniões e congressos da Internacional Socialista, além de ter sido organizadora e conferencista do I Congresso de Mulheres Negras das Américas, realizado em 1984 no Equador. Edialeda também participou como conferencista de dezenas de congressos realizados na América Latina, Estados Unidos e Europa sobre a questão do negro e da mulher.
Nos dias 18,19 e 20 de novembro 2005, Edialeda Salgado do Nascimento presidiu encontro da Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT, na cidade de União dos Palmares/Alagoas e em seu discurso fez questão de destacar “que os negros, independente de sua pele ser negra, parda ou mais clara, precisam se assumir como afro-descendentes e ter orgulho de suas raízes, não vergonha como muitos fazem, porque na sua avaliação, isto é perigoso e leva a conflitos pessoais muito grandes, difíceis de resolver. Por isso acha que a grande arma dos negros é exatamente o conhecimento: da luta, da história e da sua vida no Brasil.”

 

Com informações http://arautonordestino.com.br/

 


Postado em 31/01/2010 às 14:38 0

A senhora, deputada?!? Ser deputada federal não impediu que Janete Pietá (PT-SP) fosse discriminada.


Por Arísia Barros

A naturalizada suspeição sobre o povo negro é uma das grandes violências contemporâneas.
Militante dos movimentos sociais e ocupante de um dos mais altos cargos na escala hierárquica do poder político na capital da república, a deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores,Janete Pietá (PT-SP), não passou pelo teste de qualidade da moça do cerimonial da Presidência da República e por isso foi barrada ao tentar participar da solenidade de lançamento dos programas Bolsa Copa e Bolsa Olímpica, pelo presidente Lula, ocorrido na terça-feira 26 de janeiro, em Brasília.
A moça do cerimonial da Presidência da República desconhece e não concebe o fato da deputada negra ser deputada, afinal é preciso que cada um ou uma conheça o “seu lugar”, internaliza a moça do cerimonial.
Qual a dimensão política da ideologia escravagista no Brasil contemporâneo?
Atitudes como as da moça do cerimonial da Presidência da República são freqüentes cotidianas e naturalizadas pela “ainda” agregadora herança histórica da colonização brasileira: tolerar negros é uma coisa, vê-los no poder já é bem diferente.
O racismo é avassalador em sua essência de estabelecer espaços, segregar lugares, como uma reinvenção contemporânea de dominação social.
Atitudes como as da moça do cerimonial da Presidência da República ousam incitar políticas públicas que reeduquem a memória-colônia do povo brasileiro.
Camaleão, o racismo assume novos e vários formatos, experimenta, cria renova e mais e mais vai agregando uma platéia cativa.
A moça do cerimonial da Presidência da República é uma dentre muitas moças (na sua grande maioria de pele claríssima) dos muitos cerimoniais da República do Brasil que exercitam as atividades cerimonialistas a partir da estreita associação com as percepções e interpretações de como a República “pensa” a população negra.
A ação do racismo devassa e descortina a sordidez humana na segregação ao semelhante.
O racismo declarado da moça do cerimonial da Presidência da República à parlamentar negra do PT traça uma ideologia inversa a propagada pela equivocada lógica social de que o negro é discriminado por conta de sua condição econômica e não pela cor da pele.
Se a moça do cerimonial da Presidência da República não pediu a nenhum outro deputado e/ou deputada um demonstrativo de extrato bancário, porque barrou a deputada federal?
Motivo? Ela é negra! Ou foi excesso de zelo?Quer dizer, a lógica da economia cai por terra. Então, de fato estamos falando sobre racismo, puro, simples e indiscutível.
O que pensam os partidos políticos sobre a política de promoção da igualdade racial? Porque essa notável ausência de produção sistematizada sobre a política de igualdade racial nas pautas do parlamento?
Afinal o que dizem os partidos políticos quando militantes/e ou parlamentares são agredidos dessa forma?
Ser negro no Brasil é viver um permanente exílio social.

 


Postado em 26/01/2010 às 20:08 0

No lugar do silêncio


Por Arísia Barros

É uma loja de departamentos e a cena se dá na seção de brinquedos.
De pé segurando um choro incontido a pequena menina fala rápido buscando meios de protelar a decisão da mãe: Mãe, eu quero aquela boneca!
Após a expressão de profundo desagrado veio à palavra ordenadora: escolha outra. Aquela, não!
As pessoas, meio que disfarçadamente, acompanhavam o desenrolar da cena algumas numa aposta silenciosa, torcendo pela vitória da infância.
A mãe percebendo a indisfarçável solidariedade do entorno, pontua com uma frase a sua condição de dona da história: Eu sou sua mãe e você tem que aprender a me obedecer, entendeu?
Unindo a fala ao gesto dirigiu-se ao caixa e efetivou a compra da boneca “indesejada".A frustração da criança era visivelmente perturbadora e ousando transgredir uma lógica que fugia da sua compreensão ainda insiste: Mãe?
Silêncio! Seu desejo do brinquedo fora reduzido as apertadas concepções do mundo adulto. O desapontamento fez com que lágrimas descessem livremente. A vendedora, constrangida, entrega a boneca embalada para a mulher que imediatamente a transfere para os braços da menina. O poder esmagador do pátrio poder faz com que a pequena desista do combate familiar e acolha timidamente a nova companheira de brinquedos..
A mãe satisfeita pela compreensão filial promete-lhe um sorvete. Tudo em nome da paz!
“O diálogo entre mãe e filha o tempo todo foi construído por frases curtas e expõe de uma forma contundente o olhar interiorizado e marginalizado das imagens ‘não catalogadas” socialmente, dando fôlego a tensão nas relações humanas.
Ao sair da loja a criança agora curiosa questiona: Mãe porque a senhora não comprou aquela boneca? E a resposta veio ácida: Você não viu que a boneca é negra? Você não viu?
E a boneca da contenda  voltou a prateleira da loja. Quem sabe uma próxima vez!

 


Postado em 25/01/2010 às 21:45 0

A primeira vez a gente nunca esquece


Por Arísia Barros

Baseados na “vivência” de uma visita ao Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, em 2006, meninas e meninos exercitaram através de textos com o tema “Uma Viagem Viva a História de Alagoas”, o diálogo com arte do museu e isso possibilitou a construção e experimentação, de novos olhares reveladores, interpretativos,cativantes e pessoais.
São experiências que invadindo o território da sociologia e da história transbordaram descobertas. Inúmeras gavetas foram abertas revelando o segredo do conhecimento com e sobre aspectos significativos da história de Alagoas.
Seguem os depoimentos:

“Eu nunca tinha estado em um museu antes esta foi a primeira vez e que primeira vez emocionante eu tive. O passeio ao Instituto Histórico e Geográfico foi repleto de descobertas.
O que mais me marcou foi a questão da escravidão, todos aqueles instrumentos de tortura e todas aquelas injustiças cometidas apenas porque as pessoas brancas se julgam melhores do que as negras.
O preconceito é uma grande dificuldade que o ser humano tem que enfrentar ainda por muito tempo até entender como respeitar e amar o próximo. A crença da existência de raças superiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão por muitos anos.
No museu também vi expressões artísticas que me emocionaram como o quadro de Rosalvo Ribeiro, pintor alagoano”Dama Desconhecida”, de 1895. Por alguns instantes fiquei parado diante daquele quadro tentando visualizar naquela dama traços da minha mãe, pois para mim uma pintura tão perfeita só poderia ser dela.
Fiquei encantado com a imponência das fardas antigas feitas de cetim e quase me imagino vestindo e defendendo minha república ao toque do majestoso sino da capela do Evangelho da Lama do município de São Miguel dos Milagres. E o velho pilão de café de 1872 parecia até sentir o cheiro do cafezinho batido na hora. Este passeio pela história de Alagoas foi mesmo educativo fiquei muito feliz de ter sido escolhido para participar desta experiência única na minha vida. “A primeira vez a gente nunca esquece.”

Mais uma redação:
"Fui ao museu geográfico e lá vi vários objetos sobre os negros, eu achei muito interessante. A gente quando é pequeno mesmo que seja brincando chamamos pessoas de negras, pretas e aí a brincadeira vira coisa séria, porque pessoas são pessoas e não cor.
Tem muitas mães que só porque o filho é branco não quer que a criança brinque com crianças negras. Eu não tenho racismo, porque minha mãe é branca e meu pai é negro. Tem pessoas que têm vergonha de ser negras. Porque ter vergonha da cor se nasceram assim?
Minha mãe me ensina muitas coisas. Uma delas é que não devemos ter vergonha do que nós somos, brancos, negros. Cada um tem a cor que Deus permitiu.
Mas do que uma visita ao Instituto Histórico e Geográfico fiz uma bela viagem nos meus pensamentos refletindo e aprendendo sobre tudo que vi e ouvi."


Naquela ocasião o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas se transformou em um belíssimo canteiro de obras, moldando uma outra gente com um jeito novo de encarar a vida, através do real conhecimento da história.
Esse é o papel da Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07!