Raízes da África
Raízes da África

Postado em 22/10/2009 às 21:43 0

Campos dos Goytacazes participa de II Colóquio Internacional, em Alagoas.


Por Redação

Uma delegação formada por representantes de segmentos da cidade de Campos de Goytacazes, Rio de Janeiro, participa no próximo dia 06 de novembro do II Colóquio Internacional Brasil X Áfricas: Artes, Culturas e Literaturas”, que acontecerá durante a IV Bienal do Internacional do Livro de Alagoas.
A IV Bienal Internacional do Livro é uma realização da Universidade Federal de Alagoas, através da EDUFAL – Editora da Universidade Federal de Alagoas
O “II Colóquio Internacional Brasil X Áfricas: Artes, Culturas e Literaturas” tem como objetivo a consolidação do diálogo entre o Brasil e os países do continente africano de língua portuguesa, unidos pelo forte laços da língua , cultura e história irmãs,ampliação do conhecimento sobre a história dos descendentes africanos no Brasil , como também promover espaços para divulgação de estudos e pesquisas pautados na implementação de políticas públicas para equidade sócio-étnica.
Promovido pelo Projeto Raízes de Áfricas (ONG Maria Mariá),com o patrocínio da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas e apoio de instituições, dentre elas a Faculdade Maurício de Nassau.
Durante o referido Colóquio o pesquisador campista do Instituto Historiar, Hélvio Cordeiro, componente da delegação de Campos fará o lançamento do livro“Carukango – O Príncipe dos Escravos.
A Braskem, Hotel Ponta Verde, Restaurante Akuaba e vereadora Heloísa Helena são outros parceiros do II Colóquio. A programação completa pode ser encontrada no link http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blog/blog-raizes-da-africa

Sobre Campos

Campos dos Goytacazes é um município localizado no Norte do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Com uma população de 431.839 habitantes (2008), é a maior cidade do interior fluminense e a décima maior do interior do Brasil. É também o município com a maior extensão territorial do estado, ocupando uma área pouco menor que a do Distrito Federal.[2] Em Campos, destacam-se importantes universidades públicas e privadas. Campos é a 6ª cidade mais rica do Brasil.


Serviço:
Quando: 06 de novembro de 2009, das 10 às 17 horas
Onde: Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Maceió-Alagoas, bairro Jaraguá-Sujeitos de direito:professores,pesquisadores,estudantes,representantes de movimentos sociais
Inscrições: gratuitas negrasnoticias@yahoo.com.br
Informações no link http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blog/blog-raizes-da-africa
Promoção:Projeto Raízes de Áfricas/Federação das Indústrias do Estado de Alagoas
 

 


Postado em 22/10/2009 às 05:50 0

Políticas universalistas são insuficientes para abolir o racismo


Por Redação


O discurso político é econômico em sua revolução cotidiana, ainda investe no embate de idéias contrárias feito de argumentos e réplicas, esquivando-se de soluções concretas para levar a toda pessoa o artigo quinto da Constituição brasileira.
O combate à desigualdade étnica envolve estratégias de conhecimento, difusão e mobilização. Exige a parceria dos movimentos sociais, do poder público, iniciativa privada e sociedade em geral.
Exige a criação de iniciativas que se proponham a fazer do discurso um instrumento dinâmico para a construção de idéias e interesses comuns, mecanismos de prevenção do racismo institucional, ações concretas, como meios de acesso aos serviços de saúde, educação, emprego e renda para a população menos assistida, dentre ela, a população negra.
O racismo foge da nossa percepção cotidiana e se abriga nos quilombos urbanos: as favelas. Favelas que traduzem na população negra o seu maior contingente. Urge inserir nas propostas políticas da corrida eleitoral para 2010 questões específicas que atendam a esse contingente, que 121 anos pós-abolição, ainda enfrenta problemas oriundos do imaginário-sócio-escravagista-político.
O combate à intolerância racial envolve estratégias e programas de governo que a partir da releitura do molde econômico da escravatura, crie estratégias possíveis de combate ao racismo institucional, nas áreas de saúde, educação, emprego e renda.
Propomos algumas idéias:
1-Criação de uma campanha permanente de alerta contra Anemia Falciforme (assim como o da Dengue).
A anemia pode se detectada no Teste do Pezinho, quando é coletado sangue do calcanhar do recém-nascido. O ideal é que seja realizado entre o terceiro e sétimo dia de vida do bebê e 48 horas a primeira mamada;
2- Implantação da triagem universal (prevenção e controle da hipertensão) nos diversos.
serviços de saúde, para promover a medição indireta da pressão arterial em todas as crianças a partir de 3 anos de idade, durante as consultas médicas, em pelo menos uma vez ao ano.
3- Implantação do quesito cor/raça/etnia pelo SUS tendo como objetivo criar espaços de investigação sobre as vulnerabilidades específicas de cada segmento populacional.
4- Inclusão de práticas de promoção e educação em saúde da população negra nas rotinas assistenciais e facilitação do acesso em todos os níveis do sistema de saúde/educação.
5- Inserção nos currículos das escolas alagoanas do estudo da história afro-brasileira, afro alagoana.. (Lei Federal nº. 10.639/03 e Lei estadual nº. 6.814/07).
A construção da dignidade social nasce da construção de uma cultura do respeito ao outro/outra e suas diversidades.
Segundo Oliveira, Fátima: “O racismo, ao contrário do que muita gente alardeia, não é o mesmo que miséria ou pobreza. Discriminação, preconceito e opressão de classe são DIFERENTES de discriminação, preconceito e opressão de gênero ou de raça/etnia. Cada uma possui dinâmicas de surgimento e de operacionalidade que lhes são peculiares, logo nenhuma se funde, ou se confunde, com a outra, embora possam ser reforçadas quando se abatem sobre a mesma pessoa. Cada uma exige políticas específicas adequadas. Urge que o governo entenda, por sensibilidade ou por dever de ofício, que políticas universalistas são insuficientes para abolir o racismo. E seja determinado e lance as bases de uma revolução cultural que ressoe nos usos e costumes, nos mitos e nos ritos que sustentam o racismo. É improvável um país chegar a um futuro grandioso quando metade do povo está acuado pelo racismo. Superar o racismo é uma questão estratégica para o Brasil, logo não pode ser apenas um assunto dos negros, o que indica que órgãos de governo e políticas públicas para combate ao racismo não podem ser minimalistas e nem reedições de guetos”.
Sabemos que o racismo não será superado por decreto ou com a boa vontade de alguns. Sabemos dos entraves racistas estruturais e conjunturais, entretanto é preciso avançar rumo à democratização dos direitos do ser humano.


 


Postado em 21/10/2009 às 20:52 0

CESMAC é parceiro do II Colóquio Etnicidades Internacional Brasil x Áfricas.


Por Arísia Barros

Acontece dia 06 de novembro, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, o II Colóquio Internacional, com o tema Brasil x Áfricas Artes, Culturas e Literatura.
O II Colóquio do qual participam convidados nacionais e internacionais é promovido pelo Projeto Raízes de Áfricas (ONG Maria Mariá), com o patrocínio da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas e apoio de instituições, dentre elas o Centro de Estudos Superiores de Maceió.
Durante o Colóquio com a participação da professora de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP), Simone Caputo que ministrará palestra sobre o tema: “O Patrimônio Imaterial de Cabo Verde e Tradições Orais Crioulas” e o embaixador de Cabo Verde Daniel Antonio Pereira que falará sobre “Arte, Cultura e Literatura – As possibilidades das Relações de Cooperação Cultural entre Brasil-África”, serão apresentados os oito trabalhos selecionados(apresentação de pôsteres) dos estados de Alagoas,(municípios de Arapiraca e Maceió)Amapá, Salvador e Paraíba . Os três melhores trabalhos serão premiados.
A Braskem, Hotel Ponta Verde, Restaurante Akuaba e vereadora Heloísa Helena são outros parceiros do II Colóquio.A programação completa pode ser encontrada no link http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blog/blog-raizes-da-africa
 


Postado em 20/10/2009 às 06:35 0

Especialista em África da USP participa de II Colóquio Internacional em Alagoas.


Por Redação

A professora de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP), Simone Caputo ministrará palestra sobre o tema: “O Patrimônio Imaterial de Cabo Verde e Tradições Orais Crioulas”, no II Colóquio Internacional Brasil x Áfricas: Artes, Cultura e Literaturas, promovido pelo Projeto Raízes de Áfricas, sob o patrocínio da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas e apoio de outros parceiros,entre eles o Ministério de Educação, através da Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade/SECAD.
Sobre a palestrante
Simone Caputo é considerada uma das maiores especialistas em África, no Brasil. Doutora em Letras (Literaturas de Língua Portuguesa) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1988), com Mestrado em Letras pela mesma universidade (1979) e graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1975). Pós-Doutorados na Universidade de Lisboa e Coimbra, em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, em especial Literatura Cabo-verdiana, e Poesia Portuguesa Contemporânea. Linhas de pesquisa na área Outras Literaturas Vernáculas: Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa; Estudos Africanos; Cultura e Literatura Cabo-verdianas; Escritura de Autoria Feminina. Atua nas áreas de Letras e Educação (Especialista em Educação), com ênfase, nesta, em Consultorias de Língua Recebeu em 4 de julho de 2007 a Medalha Ordem do Vulcão, condecoração máxima outorgada pelo Presidente da República de Cabo Verde, por decreto Presidencial número 8/2007.
O II Colóquio Internacional
O II Colóquio visa divulgar novas pesquisas na área e promover um intercâmbio de experiências cujas idéias fortaleçam a igualdade de oportunidades e às reparações ao patrimônio cultural africano e negro construído ao longo da história da humanidade enquanto elemento fundamental à formação da cultura e identidade do país. Parte integrante da IV Bienal Internacional do Livro (www.edufal.com.br/bienal2009)as inscrições para o II Colóquio Internacional estão disponíveis apenas pela internet e podem ser solicitadas pelo e-mail negrasnoticias@yahoo.com.br,
ou informações no link http://www.cadaminuto.com.br/ index.php/blog/blog-raizes-da-africa

Serviço:
Quando: 06 de novembro de 2009, das 10 às 17 horas
Onde: Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Maceió-Alagoas, bairro Jaraguá-Sujeitos de direito:professores,pesquisadores,estudantes,representantes de movimentos sociais
Inscrições: gratuitas negrasnoticias@yahoo.com.br
Informações no link http://www.cadaminuto.com.br/index.php/blog/blog-raizes-da-africa
Promoção:Projeto Raízes de Áfricas/Federação das Indústrias do Estado de Alagoas
 

 


Postado em 18/10/2009 às 22:00 0

Documento de iniciativa popular propõe fortalecimento de segurança pública como política integrada.


Por Arísia Barros

Os cerca de 80 participantes do Seminário Temático de Avaliação: O Brasil Consegue?!? , organizado pelo Projeto Raízes de Áfricas (ONG Maria Mariá) e ocorrido dia 18 de setembro, deliberaram e aprovaram em plenária a proposição de documento que reivindica às diversas secretarias de estado, integração de ações visando o fortalecimento da política integrada de segurança pública em Alagoas.
Surgido como ferramenta de mobilização social o documento diz que “a construção de uma política de segurança pública só surtirá efeito de transformações possíveis a partir do planejamento e promoção de ações conjuntas e a presença ativa das diversos Secretarias de Estado nos contextos político, econômico e social da segurança pública; otimizando as relações internas e com a sociedade”.
“A proposta principal é que o governo alagoano, através das diversas secretarias, crie um ambiente favorável de incentivo a interlocução entre os organismos internos com a sociedade civil organizada, no apoio ao desenvolvimento de uma política de diálogos em que a promoção da igualdade humana seja percebida como uma das grandes metas.
O documento convida de uma forma oficial, democrática e apartidária, sem outros interesses exclusos, a não ser a necessidade de unir forças em torno da segurança humana em território alagoano, os e as titulares das pastas da Secretarias de Estado da Educação e do Esporte, Secretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social, Secretaria de Estado da Cultura, Secretaria de Estado da Infra-Estrutura, Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Secretaria de Estado da Saúde,Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Estado do Planejamento e do Orçamento, Secretaria de Estado do Trabalho, do Emprego e da Renda, Secretaria de Estado da Comunicação, Secretaria de Estado do Turismo e Secretaria da Paz;para socialização de ações práticas e estratégicas,de cada pasta.
Denominado de Agenda Social de Diálogos Alagoanos sobre Segurança Pública e a Promoção da Igualdade Humana: Conseguiremos?!? a realização do encontro traz como meta a criação de uma rede que integre e socialize as experiências de cada pasta visando o fortalecimento da política integrada de segurança pública em Alagoas.
O encontro deverá acontecer dia 30 de outubro de 2009

 


Postado em 14/10/2009 às 21:06 0

A memória da escola ainda não aprendeu a lidar com a riqueza das africanidades brasileiras

(Sobre o dia da professora e professor)


Por Arísia Barros

Ela tinha 06 anos e já sabia ler em uma fase da vida em que muitos e muitas estão sendo alfabetizados.
Ela lia de uma forma primorosa, alinhavando as palavras em articulação com a satisfação que invadia a alma. Ego, Superego todos fizeram festa. Era a única criança da sala que sabia decifrar palavras, uma incógnita para toda turma. E por ousar ser protagonista de sua história, a menina ficou de castigo.
O Brasil foi o país de maior e mais longa escravidão urbana e a história conceitual da submissão e obediência de negros “escravos” circunda as regras das relações humanas. A menina extrapolou paradigmas. A professora distante da realidade sobre diferenças humanas endossou o apartheid intelectual afirmando que a menina tinha decorado toda lição para constranger os amigos de sala. A turma concordou.
A menina engoliu em seco, ergueu a cabeça, encarou a professora e foi pro castigo na diretoria,pinçou a dor que por muitos anos dissecou-lhe a confiança em pessoas e só chorou em casa.
O contar dos fatos provocou a indignação da irmã, professora que se apropriando da história de vida da pequena leitora foi à escola saber o porque de tanto alvoroço.
A professora didaticamente concebeu para a turma e estabeleceu que a menina negra não possuía competências para tal, pavimentando assim o caminho da racialização, construindo uma escala de valores nitidamente tendenciosa. Porque será mesmo que as quotas causam tanta polêmica?
O racismo é uma crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça no imaginário do racista não é exclusivamente um grupo definido pelos traços físicos. A raça na cabeça dele é um grupo social com traços culturais, lingüísticos, religiosos, etc. que ele considera naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence. De outro modo, o racismo é essa tendência que consiste em considerar que as características intelectuais e morais de um dado grupo, são conseqüências diretas de suas características físicas ou biológicas.
A menina crescia e avançava no aprendizado. Um dia conheceu a professora que radicalizou o projeto do ser humano e agregou sonhos, sorrisos e a reflexão compartilhada. Estabeleceu diálogo sobre gente e seus potenciais: sim, vocês podem!!
Tanto dizia que inflou de crença a menina e sua turma. Aquela professora conseguiu, promover , na menina, uma intrínseca mobilização e transformação pessoal.
Hoje mulher,ainda lembra do fato e se ressente da racialização da primeira professora.
E entre a instabilidade e a continuidade da caminhada, a menina, agora mulher traça a trilha de desnudar a palavra e estabelecer equações de auto-encontro.
A memória da escola ainda não aprendeu a lidar com a riqueza das africanidades brasileiras.

 


Postado em 13/10/2009 às 06:39 0

O racismo escraviza idéias contemporâneas e criminaliza 80 milhões de pessoas, ou seja, 46,2% da população brasileira.


Por Arísia Barros

Passados 08 anos desde Durban/África do Sul quando da realização da 1ª Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância e chegando mais um novembro, o tradicional mês da consciência negra, ainda é incipiente a textura das ações sócio-políticas que ajudem a construir uma sociedade contra-hegemônica , em que o direito dos ditos deferentes sejam respeitados, dentre eles está os da população negra.
Dados fornecidos pelo IBGE em 2007, indicavam que em Alagoas, 47% das crianças analfabetas são negras e 27% pardas. Um relatório divulgado pela ONU destacava que em cada grupo de dez jovens entre 15 e 18 anos, assassinados no Brasil, sete são negros. Das 800 mil crianças sem registro civil, 70% são negras. Os índices de mortalidade infantil entre os negros somente são superados pelos índices observados na população indígena.
O combate à exclusão social que atinge a população negra no estado de Alagoas, considerado o estado campeão em desigualdade sócio-étnica, precisa sair da análise superficial marcado por lugares comuns de “erradicação da pobreza” e das colocações simplicistas de que “ao combater a pobreza, resolve-se o problema social do racismo”.
A quebra da geografia social do racismo necessita de ações concretas que se traduzam na adoção de políticas públicas centradas na diversidade étnica e na multiplicidade do povo alagoano.
Ao enfocar só os efeitos históricos da exclusão sócio-étnica do povo negro, o discurso oficial vigente despreza as conseqüências aniquiladoras do impacto do racismo na qualidade de vida do povo negro..
O racismo exclui,separa, tira oportunidades. O racismo escraviza idéias contemporâneas e criminaliza 80 milhões de pessoas, ou seja, 46,2% da população brasileira.
Gestores públicos precisam revisar o discurso oficial, do mês de novembro, para que o debate se faça possível: negro não é excluído porque é pobre, sobretudo por sua condição étnica.
O estado político alagoano precisa acordar para questões que envolvam o princípio da igualdade humana, estourando a bolha de inércia que o envolve no comprometimento político com a temática.
Basicamente, existem duas formas de se combater o racismo: distribuição de renda e educação. Discurso a gente deixa para depois...
O desafio é grande e apesar do apartheid que já persiste e insiste a mais de 500 anos é hora da gestão pública sair do campo das abstrações para a resolução de problemas concretos que minimizam a história e memória do povo negro.
O combate ao racismo é uma delas!

 


Postado em 12/10/2009 às 11:46 0

A ativista Zezé Motta e o escritor Sávio de Almeida serão homenageados com a Medalha de Honra ao Mérito Zumbi dos Palmares


Por Arísia Barros

Considerada uma das mais importantes militantes negras na articulação nacional, Maria José Motta de Oliveira tem criado uma maior projeção no tocante à expansão da cidadania social da população afro-brasileira.
Nascida em Campos (RJ), atriz e cantora brasileira, conhecida como Zezé Motta, é militante do movimento negro, presidente de honra do CIDAN (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro) e atualmente ocupa o cargo de  superintendente da Igualdade Racial do governo do Rio de Janeiro. Uma mulher que não se cansa de trabalhar e militar pela igualdade de gênero e etnia.
Homem de forte consciência social o alagoano Luiz Sávio de Almeida traduz em suas pesquisas científicas, as diversas obras literárias, artigos de jornais,dentre outros a relevância da escrita/educação na re-construção da Memória e Identidade da população negra brasileira, alagoana como bem coletivo.
A participação social das personalidades acima citadas em movimentos culturais cujo eixo de ação é o combate ao racismo e aos mecanismos de exclusão sócio-econômica e política dos negros na sociedade contemporânea, levou o Projeto Raízes de Áfricas (Organização Não Governamental Maria Mariá) a propor junto aos poderes legislativos alagoanos a entrega da honraria.
Em sessão realizada em 06/10 e numa ação conjunta da Assembléia Legislativa de Alagoas e Câmara Municipal de Maceió, representados pelo deputado Judson Cabral e a vereadora Heloísa Helena foi aprovada por unanimidade a outorga da Medalha de Honra ao Mérito Zumbi dos Palmares,líder negro que lutou pela igualdade social e contra o preconceito racial,para a militante Zezé Motta e ao alagoano Sávio de Almeida.
A cerimônia de premiação deverá acontecer em data previamente estabelecida no mês de novembro.

A Medalha do Mérito Zumbi dos Palmares


A Medalha do Mérito Zumbi dos Palmares, oferecida anualmente, foi criada pela Resolução nº 396 de 09/11/1995. Ela é entregue a personalidade que tenha, por qualquer meio ou iniciativa, prestado relevantes serviços em prol da preservação ou desenvolvimento da história ou das artes e cultura de Alagoas e contribuído para a igualdade racial.
 


Postado em 11/10/2009 às 21:41 0

Subestimam o potencial do Parque Memorial na busca de suprimir a história de um povo.


Por Arísia Barros

 
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, fincado na Serra da Barriga( último reduto palmarino e patrimônio da humanidade, histórico, arqueológico,etnográfico e paisagístico), no município de União dos Palmares,estado de Alagoas, é um espaço privilegiado, equipamento âncora, com força matriz para nutrir e reafirmar o pacto político-social da quebra da hegemonia histórica, como também contar a saga de mulherese homens guerreiros, como, Zumbi dos Palmare que ergueu sua história no fundamento da igualdade como condição essencial para o equilíbrio humano..

Zumbi que acreditou na proposta da isonomia humana, a partir da redefinição do caráter igualatitário de cada pessoa, independente da cor da pele, daí surgiu o maior e o mais importante quilombo de todas as Américas:O Quilombo dos Palmares.
Zumbi foi um visionário, hoje herói do panteão nacional, que acreditou e lutou pela criação de um estado democrático de direito.
Acontecimento único em solo alagoano a inauguração do Parque (19 de novembro de 2007, portanto dois anos) criou expectativas de desenvolvimento do turismo sustentável, inserindo a comunidade local,oferecendo qualidade no atendimento e geração de trabalho e renda,visitas sistemáticas e organizadas de caravanas culturais,etc,etc,etc, entretanto é infinitamente lamentável que um investimento de enorme valor estratégico, histórico,financeiro e cultural venha sendo, paulatinamente, neutralizado com ações de tão pouca expressão, atrelada a conivência e omissão tanto do cidadão comum, como da classe acadêmica, poder público e sociedade civil organizada.
O ostracismo que hoje se encontra a história do parque é um simbolismo mais do que velado da estratégia política e ideologica de “ao não ter uma identificação estrutural com o passado, a negação do presente é consequencia natural”.
Subestimam o potencial do Parque Memorial na busca de suprimir a história de um povo.São os valores da hegemonia utilizando-se da burocracia gingatesca como artíficio para se obstruir caminhos do conhecimento e vivência da história.
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é um mecanismo catalisador de reflexões e debates e se bem administardo tem o poder de inserir a Serra da Barriga e Alagoas nas discussões nacionais ligadas à construção e o avivamento da identidade negra, através da cultura e história.


 


Postado em 23/08/2009 às 20:03 0

Sobre palavras e ausências


Por Arísia Barros

A cabeça suspira entre a ânsia do pensamento que vadio voa por entre frestas da porta e a vontade do nada fazer. As idéias estão meio que estressadas. Faço descida forçada, insisto por ação rápida, mas qual o quê elas velejadoras riem um riso escancarado e debocham e se amostram, põem saia indecente e ficam a janela gritando psiu pra transeuntes apressados e não apalavrados.
Olho a cena, sem nem mesmo abalar a retórica, sei que boas filhas, sempre a casa tornam. Vou também à janela e assisto ao espetáculo de camarote. De quando em vez todos os parafusos se soltam e aí não tem jura eterna que obriguem as “meninas-palavras” a formarem fila indiana,marcha soldada da cabeça de papel... Na verdade faço corpo mole e vista grossa e permito que as meninas se prostituam com essa coisa chamada liberdade. Somos prisioneiras: eu delas,elas de mim. Encontramo-nos no entremeio da infância: eu aos nove anos, elas bem mais velhas. Estas senhoras amadurecidas,feito flores temporãs nascidas, quando ninguém mais as esperava- deram um lume de árvore de natal a caminhada da criança-escrevente. Legal tê-las encontrado!
Em muitos momentos caminhante na rua ainda está nua de gente, a poesia me chega por inteira, descendo de pára-quedas.O cérebro entra em ebulição. Insisto por um tempo até encontrar caneta e papel na esquina mais próxima do mundo, para anotação escrita as pressas. O nível de stress do poema nascido é tão acelerado quanto o meu. A demora o faz vomitar palavras,vírgulas,parágrafos numa gestação de expressões novas, outras tão,tão belas que a emoção até desconhece a melequeira que ficou o tapete novo da sala. São refluxos ininterruptos na ânsia voraz de preencher o espaço entre a brancura da folha e o corredor de versos que planejo plantar na entrada da casa.
Ah! essas mulheres andantes compõem canções de vida tão especiais que viram sangria das boas tomada a luz da lua. Percorro a trilha entre a lua e a onda iluminada do olho do furacão. Não dá outra, a palavra em liquidificador vira redemoinho e aí os versos se penduram pelo teto da casa, espalham a cantiga antiga do prazer em olhos assustados da gente que não sabe fazer-se ausente quando a poesia domina.
Fazer-se ausente é viver o momento da escrita, sem nem ao menos saber o alicerce no verso primeiro suporta o peso do libido, pra que não haja o efeito dominó esfacelando escritas arrumadas na cadeia de pensamentos alheios e meio que tontos.
Hoje nada de frases inteiras, pensamentos concretos, verdades absolutas, projetos escrevinhados,nem todo dia é dia de rainha, hoje me ponho súdita e tiro peso das costas. A janela fica no último andar do mundo e quero descer um pouco, olhar a rosa que acabou de brotar em terreno-asfalto-quente-areia-movediça para quem ousa crer no florescimento cotidiano do ser humano.
Aprendi na publicidade que no auge da preguiça mental é hora de exercitar idéias. É isso que faço agora. Devaneio entre o ponto de interrogação e a exclamação do achado.
Eureka!