O abandono do estado exerce papel capital na coisificação do indivíduo.

A República dos Marechais abriga uma multidão de miseráveis esquecidos, como massa descartável.
São milhares de homens, mulheres e crianças, maltratados sobreviventes da violência estrutural das águas de junho de 2010.
Na pressão da penúria social.
São homens, mulheres e crianças, uma imensa população segregada, que experimenta a letal estreiteza dos espaços da cidadania, realimentando um sofrimento indizível de quem não tem para onde ir.
O povo sobrevivente das enchentes em Alagoas ocupa papel diminuto na agenda estatal, que empurra para 2012 a solução política para a devastação humana, que ocorre nas barracas de lona.
Barracas de lonas plantadas entre a aridez do nada e o sol escaldante do canto nenhum.
De tanto esperar pelas casas que nunca chegam o povo, aprisionado na humilhação das carências e escassez extremas, desespera e faz o caminho de volta.
Migra para o lugar-lar devastado pela chuva.
Desenraizado de seus lares os sobreviventes da hecatombe política habitam em zonas de cadáveres insepultos.
O abandono do estado exerce papel capital na coisificação do indivíduo.
É a delimitação de territórios.
O exílio da pobreza!
 

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Não há emancipação no faz de conta da inclusão nas terras de Cabral.

O racismo contemporâneo traduz o grande conflito entre as noções dos direitos humanos e a execrável, irracional e subjacente retórica político-ideológica do estado brasileiro: Negro não pode!
O racismo é a ponta do iceberg do autoritarismo da minoria esmagadora, composta na sua grande maioria por homens brancos, os latifundiários das terras de Cabral , que dissimulam a incapacidade da não democratização dos espaços de oportunidades iguais para a grande maioria, impondo o discurso letal da criminalização dos diferentes. Discurso este plenamente aceito por tant@s e muit@s de nós.
Exemplo disso é o nosso povo se apropriando das metáforas escravistas ao clamar pela pena de morte para crianças e adolescentes infratores, na sua grande maioria de pele parda ou preta. Claro, desde que os supostos executados não sejam suas crias ou um ente familiar.
Faz tempo uma porção considerável da sociedade, assumindo uma passividade anêmica, torna-se o braço racista do estado em seus delírios de poder único, hegemônico. Apreendemos o canibalismo dos homens brancos. Os donos do poder.
E esse canibalismo antes de ter uma classe social, tem cor.
Lembram da menina-bonita-de-laço-de-fita-e-branca-e-milionária que encomendou friamente, junto com o namorado e comparsa a morte dos pais?
E a sociedade complacente a beleza da moça loira reafirmou os visíveis desequilíbrios das relações étnicas nas terras descobertas por Cabral e alimentada pela incorporada e vitalícia herança política de desafricanização.
E ecoavam em um estupor de lamento parcial: Coitadinha! Tão bonita e assassina! A grande mídia ainda, descrente da culpabilização da “princesa” especulou por um longo tempo os “motivos” para o cruel e injustificado crime de parricídio e matricídio.
O povo de pele preta é o alvo em potencial da desconfiança social. Para o estado são os novos “escravos” urbanos no renovado navio negreiro.
Ele era um homem branco, bem vestido- diz o gerente de pele preta do banco- descrevendo o autor do roubo. Nem parecia ser ladrão!
Somos o mito unificador do suspeito, sem atenuante. Os procurados número um, desde o tempo de Isabel, a princesa.
O racismo na sociedade é o reflexo do descompromisso institucional das agendas do “meu Brasil varonil’ em descontrair estruturalmente o sistema colonial da escravatura que continua a pleno vapor.
Piuí piuí.. piuí... piuí...
A máquina estatal instrumentaliza “a factóide inclusão social do povo de pele preta” , com a sanção de políticas públicas, sem orçamento,visando tão somente delimitar os espaços,como manipulação ideológica.
E o pai-patrão transvestido de estado cotidianamente tem advogado para si o direito de estabelecer o stutus quo de cada individuo.
O status quo do povo de pele preta ou parda no Brasil é o da sub-cidadania.
Não há emancipação no-faz-de-conta da inclusão nas terras de Cabral.
O racismo é volátil
 

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O descaso com a população quilombola, em Alagoas, é obsceno!

Dona Irinéia Rosa Nunes da Silva tem 64 anos é  quilombola de Muquém e reconhecida artesã.
É artista do barro, por execelência, segundo análise geral.
Os quilombolas de Muquém sobrevivem da venda do artesanato em argila.
A Comunidade Quilombola de Muquém fica na zona rural de União dos Palmares, a 80 quilômetros de Maceió,em Alagoas.
 Vítimas da enchente de junho de 2010 faz um ano e três meses, que aguardam as casas prometidas, afogadas pelas águas, que pôs a olho nu a pobreza e as impossibilidades da condição de vida dos quilombolas de Muquém .
Pobreza que causa grave lesão a dignidade humana dos descendentes de Palmares.
A enchente destruiu mais de mil peças de argila de D. Irinéia que estavam no forno para serem queimadas.
As famílias perderam a casa e a privacidade. Só não perderam a vida graças à jaqueira, que as protegeu.
Perderam as casas e foram confinados em espaços sub-humanos, capazes de destruir a saúde, a mente.
Um descarte social removível e transportável.
Dona Irinéia foi homenageada nesta sexta-feira, 16 de setembro, no Desfile Cívico em comemoração dos 194 anos de emancipação política do estado Alagoas, com mais outras vinte mulheres,entre professoras, artesãs mestras do folclore,etc.
Em 1817, Alagoas emancipou-se de Pernambuco e nos dias atuais tornou-se refém de Brasília.
É um estado federalizado.
Durante o desfile, ao ser entrevistada, D. Irinéia foi intérprete de seu povo, como uma voz rasgando o silêncio cúmplice da omissão estatal.
A artesã quilombola agradeceu a homenagem e sem pedir licença penetrou nos labirintos da premeditada invisibilidade social, ao enfatizar que estava ali para apresentar o “seu” povo do sítio Muquém e dizer que “estamos tudo sofrendo, nas barracas”... E que a construção das casas tá muito lento...
As casas, D. Irinéia, com certeza chegarão em 2012. Com direito a festa, tapinha nas costas e café da manhã no Quilombo, com a participação das muitas "Vossas Excelências”, traduzindo a força da colônia que,  ano após ano,século após século promove o separatismo social, com o difundido molde hierarquizada do patriarcalismo que inclui os desiguais com o fim tão somente de exercer o controle.
O estado inclui com a opressão escravocrata do pensamento único
Irinéia é um nome grego que quer dizer pacífica.
O descaso com a população quilombola, em Alagoas, é obsceno!
Tu liberdade formosa!
Emancipação?
 

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Um Hotel em São Paulo recusou hospedar Elza Soares.

Rachel de Queiróz, a personalidade literária- colaboradora do governo militar e integrante do Conselho Federal de Educação em 1967- já afirmava a condição criminosa do racismo, mesmo tropeçando na ilusória propaganda política da República democrática e anti-racista.
Rachael lançou em 1930, aos vinte anos de idade, O Quinze, obra literária que ocupa papel de destaque no desenvolvimento do romance nordestino e mostra os flagelados do Nordeste contra a seca e a miséria.( O que foi que mudou?)
Contundente, o texto abaixo da Revisa O Cruzeiro: Do Preconceito de Côr, apesar da inocente crença da escritora, adepta ao golpe de 1964, nas propostas políticas dos "ex-escravocratas" das terras de Cabral, nos mostra da necessária e imprescindível aliança entre muit@s e tant@s para que a denúncia contra o racismo brasileiro não caia no vácuo que alimenta camaleão. .
Rachel de Queiroz morreu aos 92 anos, dormindo em sua rede.
O racismo renasce cotidianamente. É um camaleão. Muitas vidas, diversas faces.
Eu te amo, meu Brasil?
 

Do preconceito de côr
Rachel de Queiroz
LÊ-SE nos jornais que um hotel de S. Paulo recusou hospedar a cantora Elza Soares, estrêla de palco e televisão, musa de Garrincha e môça de côr. Está bom de se fazer um “revival” da Lei Afonso Arinos, a qual, aparentemente, anda meio esquecida. Se êles ousam recusar uma artista famosa, como não se atreverão a tratar pessoas obscuras e sem cartaz? A cantora, justamente indignada, protestou, e o seu empresário promete agir judicialmente contra o hoteleiro criminoso.
Mas, ao lado das indispensáveis punitivas contra os vilões racistas, creio que também se pode fazer um pouco de propaganda esclarecedora: explicar aos comerciantes que correm perigo de cair em pecado de discriminação, em defesa de supostos interêsses da sua clientela, que êles são vítimas de um tremendo êrro de apreciação. Ao contrário do que pensam os que se anquilosam em preconceitos vitorianos - para o mundo de hoje, a democracia racial brasileira não é fraqueza que se oculte, é atrativo que se proclama. Democracia racial, tal como legislamos e tentamos praticar integralmente no Brasil, é artigo de propaganda e atração turística. Tão bom como ruínas romanas ou como as belezas da Guanabara. Para o estrangeiro, habitante de países onde só há gente de uma côr, ou onde há uma barreira rígida separando as côres dos homens, a democracia racial brasileira, a nossa mistura descuidosa, é espetáculo fascinante e incomum. Todos querem ver como é que ela funciona e se é verdade que funciona. Só o visitante estúpido, crassamente reacionário e, portanto, indesejável, evitará, aqui, o hotel que não seja exclusivo de brancos.
Então não compreendem que o hóspede do apartamento vizinho se sentirá em vez de chocado, pelo contrário, interessado, trilled, ao saber que está paredes-meias dessa Cleópatra do samba, sôbre a qual os jornais falam e cujo encanto fatal, dizem, influi tanto nos resultados da seleção de futebol campeã do Mundo quanto o nome do técnico ou o escalamento do time?
Hoje a democracia racial brasileira é assunto tão mundialmente conhecido quanto Brasília, e mais vendável turìsticamente, porque está por tôda parte, não se oculta a algumas horas de avião no meio do planalto goiano. O turista chega aqui (principalmente o que vem dos países onde o negro é segredado pela linha de côr), ansioso por ver com os seus próprios olhos como é que pode ser um país onde a côr das gentes não importa - e se sentirá decepcionado, enganado, ao verificar que a propaganda mentiu, e que aqui também há segregação - apenas mais hipócrita.
Assim, o hoteleiro que recusa hóspedes por motivo de côr, além de estar cometendo crime que dá cadeia e multa (multa essa que, diga-se de passagem, deveria ser atualizada - multa de cinco a vinte contos é hoje ridiculamente baixa, é um verdadeiro convite à contravenção), está também se prejudicando comercialmente. Pois, para o turista, vir ao Brasil e não encontrar pessoas de tôdas as origens raciais convivendo familiarmente, sem preconceitos nem diferenças, é como ir ao Ártico e não ver esquimós, ir à Rússia e não ver comunista, ir a Paris e encontrar fechado o Folies Bergère e escamoteada a Tôrre Eiffel.
Vejam o tremendo impacto publicitário que representou a eleição da linda Miss Guanabara. Numa eleição onde as brancas concorriam em maioria, fizemos Miss Brasil, Vera Lúcia Couto, mulata daquela estirpe que, com grande propriedade, se chama imperial. Mulata imperial, palmeira imperial, modinha imperial - qualquer coisa que é ao mesmo tempo belo, tradicional, emocionante e majestoso.
E o êxito de Vera Lúcia lá fora, a simpatia geral com que a receberam, representa não só o sucesso pessoal da beleza da môça, como também o que ela significa para uma humanidade exausta de ódios, de preconceitos mesquinhos - a alegria da boa mistura, a liberdade de cada um nascer da côr que queira e, sobretudo, a novidade daquela presença de beleza fora de padrões e tabus.
Fazendo de Vera Lúcia a nossa miss nacional, na verdade promovemos a legitimação da mulata perante o Mundo.

O Cruzeiro - 17 de outubro de 1964.

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Nunca desistir de lutar contra o racismo, diz Aqualtune.


Estive presente, como palestrante, no II Ciclo Nacional de Conversas Negras: ”Agosto Negro o Que a História Oficial Ainda Não Conta”, só posso dizer que tive minhas forças revigoradas e que saí de lá desafiada a nunca, nunca desistir de lutar contra o racismo e todas as formas de opressão a que nós população negra estamos submetidas.
Hoje mais do que ontem, entendo que essa é uma luta de todas (os) nós sociedade civil, poder público, militantes e afins.
Vamos a luta e obrigada Alagoas na pessoa de Arísia Barros, por tamanha iniciativa e coragem.


Scheila Dias
Associação de Mulheres Negras Aqualtune/RJ
 

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Relatório do II Ciclo Nacional de Conversas Negras: ”Agosto Negro o Que a História Oficial Ainda Não Conta”.

A cidade de Maceió-AL sediou no período de 25 a 27 de agosto, a segunda edição do Ciclo Nacional de Conversas Negras: ”Agosto Negro o Que a História Oficial Ainda Não Conta”.
A primeira edição do Ciclo aconteceu em 2010, no período de 24 a 26 de agosto.
Uma iniciativa do Projeto Raízes de Áfricas o II Ciclo é um projeto de ação com permanente continuidade e visa a inovação e avanços na cultura das Conversas Negras e a consolidação de caminhos legais e possíveis para reflexão e o redimensionamento da questão estrutural do racismo, não só nos currículos das escolas,mas em todos os espaços formativos.
E, sobretudo, discutir o racismo como violência de caráter endêmico, implantada em um sistema de relações assimétricas, fruto da continuidade de uma longa tradição de práticas institucionalizadas.
Tendo como alicerces a transversalidade da Lei Federal nº10. 639/03, que criou a obrigatoriedade do estudo da África e dos afro-descendentes no currículo escolar, e a Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, o II Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta” foi aberto a diversas artes que dialogam com o pertencimento identitário e nossas histórias afirmativas.
Devido a problemas estruturais o espaço de realização do II Ciclo foi mudado do auditório da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas para o SENAI/AL.
A Laura Antunes, voluntária da Universidade Federal de Alagoas, foi a mestra de cerimônia, participaram ainda da equipe receptiva, Daniel, Roseane, Adjane, Thaís, Marta.
Contando com um expressivo público de 290 pessoas, a abertura do encontro, às 10 horas, no auditório do SENAI/AL, no bairro do Poço foi marcada pelos cantos africanos do Coral da 3ª Idade do SESC/AL, sob a regência do artista paraense Jailson da Silva Natividade.
Composta a mesa de abertura para o início dos trabalhos, a cantora lírica alagoana, Madalena de Oliveira, ostentando um cocar estilizado, saudou o público, com uma bela interpretação do Hino Nacional.
A Conferência das Múltiplas Diversidades: "As Políticas Afirmativas no Brasil e a Democratização da Equidade Humana" , com o Dr. Carlos Alves Moura/Ministério da Cultura e Mônica Oliveira do Ministério da Igualdade Racial/SEPPIR, deu inicio as atividades do dia 25 de agosto.Os espaços do II Ciclo foram pensados, também, para agregar homenagens a Abdias Nascimento. Elisa Larkin Nascimento proferiu no dia 25/08 palestra sobre “A política pós-Revolução de 1930, a Frente Negra Brasileira e Abdias Nascimento”
Além ocorreram duas reuniões, uma delas com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Dr. José Carlos Lyra, tendo como pressuposto o 13 de novembro, quando as cinzas de Abdias serão depositadas na Serra da Barriga, em Palmares/Alagoas.
Participaram da reunião da FIEA, Arísia Barros/Projeto Raízes de Áfricas, Elisa Larkin/IPEAFRO, Patrícia Mourão/Instituto Magna Mater, Carlos Alves Moura,/Ministério da Cultura e Mônica Oliveira/SEPPIR.
Foram muitas Conversas Negras, como a de Patrícia Irazabal Mourão, Diretora Executiva do Instituto Magna Mater, cineasta, produtora, RJ que falou sobre “Aqualtune, Ganga Zumba e Zumbi – três expressões de resistência negra” ,logo em seguida o antropólogo da Universidade Federal de Alagoas e Secretário de Cultura do município de União dos Palmares/Alagoas,Elson Davi abordou o tema “A invisibilidade do Quilombo dos Palmares e Zumbi na escrita ao longo dos séculos",Scheila Dias , Associação de Mulheres Negras Aqualtune explanou sobre “Sankofa e as perspectivas das Jovens e Negras Feministas Contemporâneas” e "Mulheres, Feminismo Negro e as violências contemporâneas". Na segunda mesa contamos com a participação da professora da Universidade Federal de Alagoas, Maria Aparecida Batista.
Durante dois dias especialistas de diversos estados e/ou municípios brasileiros ( Distrito Federal, Rio de Janeiro, Ceará, Piauí, Pernambuco, Amapá, Bahia, Rio Grande do Sul, República de Cabo Verde,Paraguai, União dos Palmares, Camaçari/Bahia, Maceió), dentre outros expuseram e debateram a diversidade e a complexidade do racismo brasileiro, nos mais variados aspectos.
A coordenadora do curso de Serviço Social da faculdade privada FITS, Silmara Mendes discorreu sobre a experiência pioneira de uma instituição particular em implementar “A Política da Inclusão Curricular da Disciplina Relações Étnicorraciais, em todos os Cursos da Faculdade Integrada Tiradentes, em Alagoas”.
Conversas informais que se transformaram em verdadeiras aulas expositivas produziram uma entusiasta predisposição do público, na sua grande maioria formado por universitári@s de faculdade particulares, de enfrentamento as desigualdades raciais.
Como bem o diz a aluna da Faculdade Integrada Tiradentes, em Maceió:”Sou Gilvânia Célia estou cursando Serviço Social da Faculdade- FITS participei do II Ciclo de Conversas Negras e aprendi bastante.
Aproveitei muito todas as mesas e debates que foram realizados, e também o Estatuto da Igualdade Racial que nem sabia que existia. Estou lendo e gostei bastante de conhecê-lo...
Diante disso, resolvi elaborar meu Seminário que irei apresentar em sala de aula sobre o tema:igualdade racial”.

O II Ciclo Nacional de Conversas Negras contou com o apoio e participação institucional na esfera federal do Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, representada por Viviane Faria- Diretora de Educação para Diversidade, Ministério da Cultura/Fundação Cultural Palmares, tendo como representante, Carlos Alves Moura e Ministério da Igualdade Racial/Secretaria de Políticas de Promoção para Igualdade Racial, da Presidência da República (SEPPIR), representando a senhora ministra Luiza Bairros, a senhora Mônica Alves de Oliveira
Em sua apresentação sobre o tema “Ainda sobre a implementação da Lei nº 10.639/03. É possível uma educação igualitária?", a senhora Viviane Faria representante do MEC/SECADI foi ovacionada pelo público com expressivos aplausos.
A historiadora e mestra em educação pela Universidade Federal do Ceará – UFC, e presidenta do AYABÁS - Instituto da Mulher Negra do Piauí, Iraneide Soares da Silva dividiu as falas com Viviane Faria e expôs sobre seu livro Abrindo Caminhos- Construindo Novos Espaços de Afirmação: Ações Afirmativas para a População Negra Brasileira na Educação Profissional e Tecnológica”, Editora Appris– CURITIBA/PR
Como apoiadores locais tivemos a Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Fundação Municipal de Ação Cultural/Maceió, Teatro Linda Mascarenhas e Polícia Civil. Das parceiras empresariais contamos com a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Serviço Social do Comércio-SESC, Editora Ética e Instituto Avon.
Ainda como parte integrante da programação teve o lançamento do “Mapa da Intolerância Religiosa– Violação ao Direito de Culto no Brasil”, produzido por Marcio Alexandre M. Gualberto, jornalista profissional, Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras/CEN.
Diversos livros foram distribuídos ao público durante o II Ciclo. O Instituto Avon disponibilizou livros sobre violência de gênero e doméstica e folhetos explicativos sobre o câncer de mama.
Após a mesa redonda protagonizada pelo sociólogo, baiano e militante do movimento social negro, Carlos Martins e do Dr. Carlos Alves Moura da Fundação Palmares, denominada “Estatuto da Igualdade Racial o exercício jurídico entre o real e o legal”, os livretos do Estatuto da Igualdade Racial despertaram o interesse e foram muito disputados pelo público. Como o número enviado pela SEPPIR foi mínimo não pudemos atender a demanda de solicitações.
Kássia Motta, Doutoranda em Educação, na Universidade Federal do Ceará/UFC-Historiadora e Produtora Cultural partilhou uma valiosa experiência acadêmica “Entre a Escola e a Religião: desafios para crianças de candomblé em Juazeiro do Norte”.
A ação inovadora do SENAI trouxe do Rio Grande do Sul, a técnica do SENAI/RS, Simone de Araújo e Nívia Carvalho SENAI/AL que expuseram as experiências das “Ações Universais e Ações Inclusivas: Caminhos para o aprimoramento de Políticas de Formação Profissional em Etnia.- Uma ação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial”
O Troféu Erí-okán, uma homenagem a Abdias Nascimento foi apresentado a plenária do II Ciclo. Com o formato de um punho cerrado, simbolizando a luta que não se queda, o Troféu Erí-okán é esculpido na argila de União dos Palmares, tem como design o artesão Dinho e premiará 13 personalidades nacionais que contribuem efetivamente para a construção da igualdade racial no Brasil ou exterior.
O 3º dia do II Ciclo foi marcado por descontração e poesias. Aconteceu no Teatro Linda Mascarenhas, no bairro do Farol, o V Festival Alagoano das Palavras Pretas: Orikis: Axés do Sangue e da Esperança: Uma homenagem especialíssima para Abdias
Nascimento , com a emocionada apresentação de Elisa Larkin falando sobre seu marido Abdias Nascimento, como também a participação do Coral de crianças da Escola Municipal Paulo Bandeira/Maceió e do consagrado Coral da 3ª Idade do SESC/AL.
O público aplaudiu de pé as duas apresentações.
Aberto à sociedade o Festival Alagoano das Palavras Pretas a cada edição revela talentos, pessoas e caminhos.
Acontecido num belíssimo dia de sábado ensolarado e feriado o Teatro Linda Mascarenhas ficou com sua lotação esgotada.
Foi a festa da palavra numa perspectiva participativa novas vozes poéticas da etnicidade brasileira.
A segunda edição do II Ciclo realizado no mês de agosto e no (Black Agost) Agosto Negro com um público de 290 pessoas superou a primeira edição de 2010 quando o público foi de 120 pessoas e repercutiu positivamente entre os que enfrentam a discriminação e desigualdade racial, portanto é um projeto de continuidade...

                                                                                              Maceió, 05 de setembro 2011

                                                   Arísia Barros
                                    Coordenadora do Projeto Raízes de Áfricas
 

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Só as chamei de morenas escuras, quase negras!

O racismo brasileiro exercita sua capacidade de camaleão poliglota, cria músculos e sobrevive incólume tranvestido dos “não-era-bem-isso-que-eu-queria-dizer”.
O racismo brasileiro se apropria da nossa porção européia “herdada” d@s colonizador@s e regurgita o poder dominante. Marca posição ao sair do casulo de “bom moço” impondo uma identidade coletiva: Negro não pode!
O racismo brasileiro é um fator de divisão sócio-étnico, o apartheid estético entre o feio e o bonito, o bom e o mal, o superior e o inferior.
O racismo brasileiro quer nos seqüestrar o sentimento de pertença, investindo no pensamento único, uma mesma história social e política.
O racismo brasileiro é extremista e veste palavras e gestos ofensivos que dilaceram e matam.
O racismo brasileiro é um holocausto contemporâneo. Hierarquiza e discrimina.
A hierarquização sócio-étnica que reconta a meninos e meninas nas escolas das terras de Cabral, a história do “Patinho Feio”. O patinho é feio e preto, e por ser diferente é rejeitado pela família e pelos outros patinhos-irmãos que são brancos.
O racismo brasileiro quer nos escravizar ao conceito de nação “racialmente democrática”, ao mesmo tempo em que investe ideologicamente na eliminação da auto-estima da população de pele preta, com a teoria do embranquecimento (que persiste pelos caminhos da mulatinha ou da quase-branca) e a beatificação da beleza d@s não-negr@s.
O racismo brasileiro estabelece estratégias para defender seus privilégios, nos tratando como ex-escrav@s: sai daqui seu/sua neguinh@ suj@, cabelinho de bombril, carvão, lama preta. Esse não é o seu lugar!
O racismo brasileiro se defende afirmando que não ofendeu as duas alunas do Colégio de Niterói, impedindo-as de transitar nos espaços de conhecimentos da Bienal do Livro. Não, não foi isso, disse o responsável pelo stand da Editora Abril, só as chamei de morenas escuras, quase negras!
A partir do Registro de Ocorrência, 77ª Delegacia de Polícia, em Niterói, sob o nº 077-05231/2011-01, o funcionário do estande da Editora Abril na Bienal do Livro, no Rio foi indiciado por racismo, no dia 12 de setembro pela doutora Adriana Belém, delegada titular da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes)...
O racismo brasileiro está no banco dos réus.
Quem absorve!
 

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Mais de dezesseis mil pessoas acessaram o Blog Raízes de Áfricas.Você não leu?

O  Blog Raízes de Áfricas, em dois anos de existência,  atinge a sua  mais  expressiva marca de acessos. Em menos de 48 horas, mais de dezesseis mil pessoas visitaram a página da matéria :“Não leve isso a sério, senão vai prejudicar a empresa”...
Tivemos 897 pessoas tuitando e mil outras que curtiram a matéria que comentamos e republicamos do jornalista Marcelo Reis.
O título original da matéria do Marcelo foi modificado, pois em nossa análise, a frase dita pelo gerente da Editora:“Não leve isso a sério, senão vai prejudicar a empresa...” traz em si a explicita violação do princípio dos direitos humanos, como também o simbolismo do apartheid sedimentado nos espaços do poder, nas terras miscigenadas de Cabral: negro não pode?
A matéria expõe a face sórdida do racismo sofrido por duas meninas negras, estudantes do Colégio Estadual Guilherme Briggs, de Niterói, no stand da Editora Abril, na Bienal Internacional do Rio de Janeiro.
Com expressões carregadas de estereótipos racistas: “Não vou dar senha porque não gosto de mulheres negras” e despidas da convenção, dita “tolerância social”: “Você é favelada e preta de cabelo duro”, o responsável pelo stand negou às meninas senhas para participação em atividades culturais, promovendo assim o alargamento das diferenças sofridas pelo povo negro, no decorrer dos séculos.
Até quando?
O Blog Raízes de Áfricas como espaço receptivo percebeu a importância de divulgar o fato, como denúncia e uma forma de dissecar aspectos ambíguos e contraditórios do racismo no Brasil, no Ano Internacional dos Afrodescendentes.
A receptividade a matéria mostra dois fatos essenciais: o poder das redes sociais, principalmente o twitter, como também a necessidade de endossar politicamente , os direitos sociais do povo de pele parda e preta,em respeito à dignidade humana e a riqueza incontestável da nossa história.
É imperioso colocar o racismo como pauta permanente nas agendas políticas do governo Federal, Estadual e Municipal,agregando valor a militância dos movimentos sociais e da sociedade civil.Colocá-lo na ordem do dia.
E o Blog Raízes de Áfricas ao contar histórias da vida real, busca exercer o ativismo negro ao instigar com as palavras a quebra do silêncio sócio-institucional.
Obrigada pelos mais de dezesseis mil acessos ,em menos de 48 horas!
 

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Nazistas – “Viúvas raivosas de Hitler” – atacam candidatas à Miss Universo 2011!

O Raízes de Áfricas acredita que para combate a esse racismo medonho e raivoso basta agregar valores étnico-sociais a política de estado. Estabelecer metas e diretrizes, dar o primeiro passo. Descobrir estratégias, mobilizar pessoas... A gente pode. Só que , muita gente,ainda não sabe disso.
Você sabe? Socializamos...

Site que se intitula nacionalista branco possui comentários racistas contra misses de Aruba e Dinamarca (Reprodução)


O Racismo é uma forma profunda e podre de uma doença degenerativa. Ele não degrada só a quem quer atingir, com a sua insanidade ridícula, mas também a quem se julga superior de uma raça, que está acima dos demais.
No Brasil, o Racismo se esconde por trás de vários artifícios. Mas com o advento da internet e das redes sociais, o racismo ganhou uma boa desculpa para se propagar e se achar impune. São leitores das seções de cartas dos jornais, grupos em fóruns, círculos de amigos em redes e até portais, que são hospedados em outros países.
No Brasil o Racismo é crime inafiançável. Mas acontece que como está sendo levado por parte da Justiça brasileira, as brechas estão aí e os racistas, cada vez mais ousados mostram suas garras e as suas perversões.
Um site chamado “White Pride, Word Wide, em sua sessão brasileira denominada Stormfront.org, cismou de atacar candidatas a Miss Universo 2011, cujo evento será realizado no Brasil no dia 12 setembro no Credicard Hall, São Paulo.

 

 ppaberlin.wordpress.com

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Ah! Você não veio? Tem nada não. Você vem no próximo.

Rio Grande do Sul? Presente
Camaçari/Salvador? Presente
Rio de Janeiro? Presente
Amapá? Presente
Brasília? Presente
Teresina? Presente
Ceará? Presente
Pernambuco? Presente
Paraguai? Presente
Búfalo/Estados Unidos? Presente
República de Cabo Verde?
Salvador/Bahia? Presente
Municípios de Alagoas? Presente
290 pessoas se fizeram presentes na manhã de quinta-feira do II Ciclo Nacional de Conversas Negras “Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta”, ocorrido de 25 a 27 de agosto, no auditório do SENAI/Poço, em Maceió/AL. Pessoas diversas e múltiplas, na sua grande maioria universitári@s, professor@s e estudantes, dedilhando entre longa experiência na cultura afro-brasileira de Carlos Alves Moura, representando a ministra da Cultura Ana Holanda e a pesquisa “Entre a Escola e a Religião: desafios para crianças de candomblé em Juazeiro do Norte”,da jovem Kássia Motta, doutoranda em Educação, na Universidade Federal do Ceará/UFC, historiadora e produtora cultural disseram sim ao II Ciclo.
Pessoas perguntavam: Cadê Refém? Refém não vem? A rapper, cineasta e ativista do movimento negro, Janaina Oliveira, a Refém, do Rio de Janeiro não veio. Imprevistos contratados para outros tempos.
No sábado, 27 de agosto, feriado da padroeira de Maceió, sol instigando a vontade de ir a praia, mas, o público marcou presença entusiasmada no V Festival Alagoano das Palavras Pretas: Orikis: Axés do Sangue e da Esperança: Uma homenagem especialíssima para Abdias Nascimento, no Teatro Linda Mascarenhas.
Teve poesia e muita gente, muita gente espalhando abraços com cheiro de vida.
O II Ciclo Nacional de Conversas Negras “Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta” é corrente indo e vindo. Corrente de pessoas, idéias e muitas descobertas.
Ah! Você não veio?
Tem nada não. Você vem no próximo.
 

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