Logo depois de ser eleito presidente em 2018, Jair Bolsonaro decretou que a Folha de S. Paulo já era. Foi numa entrevista exclusiva, ao vivo, no Jornal Nacional. O capitão demonstrou toda aquela fúria dos poderosos que não aceitam ser contrariados. Jair deixou clara sua disposição de retaliar os veículos que o contestassem durante o seu mandato. O caminho para minar o meio de comunicação seria a asfixia financeira.
Disse o então presidente eleito: “No que depender de mim, imprensa que se comportar dessa maneira indigna não terá recursos do governo federal”. Bolsonaro cobrando dignidade é um número de humor involuntário. Na sequência da conversa com Willian Bonner, ele arrematou afirmando que “por si só esse jornal se acabou”.
Oito primaveras depois, aos 105 anos de existência, o jornalão segue sua trajetória, com a linha editorial que se consolidou a partir do começo da década de 1980, pelas mãos de Otavio Frias Filho. Com altos e baixos, erros e acertos, mas sem perder a essência, o jornalismo da Folha apresenta saldo positivo. Quanto ao “mito”, foi condenado e preso.
A família Bolsonaro e seus lacaios, na política e em outras frentes de ação, seguem com a obsessão de decretar a morte de veículos da velha imprensa. Sabujos do marginal que celebra torturadores e milicianos repetem o mesmo discurso em seus cercadinhos provincianos. São irrecuperáveis tarados por censura, nada além.
Essa ladainha autoritária contra a liberdade de imprensa é tão antiga e cansativa quanto perigosa. Revela a alma de tiranete que embala gente como Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo ou Rodrigo Constantino. A fila de filhotes da ditadura – como dizia Leonel Brizola – é infindável. No discurso, todos defendem o jornalismo livre.
Mas é apenas discurso. Mequetrefes com mandato, seja no Legislativo ou no Executivo, prezam pela “liberdade” da imprensa amiga, que eles controlam de um jeito ou de outro. Quando encontram resistência, partem para a retaliação – como Bolsonaro confessou naquela entrevista à Folha. O poder político gosta mesmo é de calar jornalistas.
O ódio de meliantes pela imprensa livre é tamanho que até o senso do ridículo desaparece. É o que ocorre agora com Flávio e seus amigos faccionados. Após ser exposto em toda a sua charlatanice pelo The New York Times, o ainda senador anunciou a “decadência” do jornal americano – o maior do mundo. É patético demais.
Neste blog, a imprensa vive sendo criticada. Mas pregar sua extinção ou a mordaça, jamais. Isso é coisa de nanicos da política. Para enfrentá-los, jornalismo na veia.
