A oposição ao governo federal não se conforma com a vontade popular expressa nas urnas. Quase duas semanas depois da votação no segundo turno, parece até que é preciso avisar à turma do apocalipse que a eleição acabou. E o principal: o nome do eleito não é Flávio Bolsonaro. Sim, porque no Congresso a extrema direita se comporta como se Lula não tivesse sido reeleito. A campanha terminou no tempo regulamentar.
Mas gente como Rogério Marinho, Van Haten, Bia Kicis, Nikolas Ferreira e assemelhados se recusam a aceitar a realidade. Na prática, esses tipos não querem debater projeto nenhum em andamento na Câmara e no Senado. A cada sessão nas duas casas, opositores celerados querem confusão e bate-boca. Querem esticar a disputa eleitoral.
O senador Carlos Portinho (foto) é outro dos integrantes desse time do quanto pior, melhor. Em discurso na tribuna do Senado, ele chegou a “denunciar” Lula por “estelionato eleitoral” por não cumprir promessas de campanha. Mas Lula acabou de ser reeleito – e o novo mandato começa em janeiro de 2027. Portinho está de brincadeira.
Além disso, o mesmo senador e outras figuras cobram Lula por propostas do candidato que perdeu a eleição. É loucura total, mas está assim o nível da gloriosa ala opositora no Congresso. Nunca se viu um eleito ser cobrado a implantar o projeto que saiu derrotado nas urnas. Isso sim seria, além de uma insanidade, um real estelionato.
Como já escrevi aqui, após o primeiro turno, a facção bolsonarista deu a eleição como liquidada. Faltou combinar com Sua Excelência, o Eleitor. A soberba foi tanta que até hoje boa parte dos perdedores não despertou do transe. Daí que o comportamento golpista, à base de falsidades, continua como marca registrada de patriotas irrecuperáveis.
Claro que, num ambiente deletério como esse, os mais depravados juram que, dessa vez, Lula não escapa de um processo de impeachment. Vejam como a gloriosa oposição atua com muita seriedade. É uma mistura de gangsterismo com alucinação em escala máxima. Ganhar no grito e na força bruta é especialidade da gentalha.
Para completar a opereta do golpismo, é claro, não poderia faltar a delinquência do ataque às urnas eletrônicas. O mais patético são as insinuações de fraude – porque todos os “denunciantes” foram eleitos pelas mesmas urnas “fraudulentas”. E, depois da vitória de Flávio no primeiro turno, nenhum cretino acusou nada de ilegal.
Aliás, até hoje não vi Alfredo Gaspar reconhecer a lisura e o resultado da eleição. Foi noticiado que, após a confirmação da vitória de Lula, o vice do Zero Um defendeu uma virada de mesa. Não sei como. O deputado deveria vir a público para esclarecer.
A democracia pressupõe respeito às regras do jogo. Fora disso, é crime.
