O PL, a facção partidária do bolsonarismo e da ultradireita, não brinca em serviço – no caso, o serviço sujo. Informa a Folha que perfis bolsonaristas nas redes sociais foram financiados para bater em políticos do próprio PL. A revelação surpreende apenas a desavisados. Os relatos confirmam um método em vigor nos últimos anos. A atuação no Metaverso é mais importante do que ações em espaço convencional.

A suspeita é de que Eduardo Bolsonaro tenha as digitais no ataque contra os próprios aliados. Faz todo o sentido. O deputado cassado nem tenta disfarçar seus modos truculentos. Em vários vídeos, ele distribui bordoadas a meio mundo de gente na direita, de Tarcísio de Freitas a Nikolas Ferreira. É uma forma de intimidação permanente.

O que não se sabia, com relatos em detalhes de envolvidos no negócio, é que “militantes” estivessem recebendo dinheiro para atacar figurões do partido chefiado por Valdemar da Costa Neto. As denúncias apareceram em lives depois das eleições. Parece que o engajamento “orgânico” precisa de um incentivo extra para tocar a missão.

Entre os bolsonaristas, a guerra dentro de casa durante a campanha vai continuar – e ainda mais sanguinolenta após a derrota de Flávio Bolsonaro. Para manter o controle da facção e garantir a liderança da oposição, Eduardo, Flávio e o “jornalista” Paulo Figueiredo vão aprontar o diabo. Com esse panorama, a ver a postura da tropa no Brasil.

Como escrevi em texto anterior, é improvável que uma multidão de eleitos pelo PL para o Congresso aceite ser manietada pelos vadios em solo americano. Não tem perigo de dar certo. Seria muita subserviência, além de prova contundente de nulidade completa de deputados e senadores. Isso vale para o PL e demais partidos à direita.

No meio do que já era uma bagaceira, de ontem para hoje uma “bomba”: Tarcísio de Freitas foi informante de Alexandre de Moraes durante a campanha eleitoral. Segundo essa versão, o governador, colado em Flávio, contava ao ministro do STF cada passo do candidato. Tarcísio seria um dos traidores da aventura flaviana que fracassou.

Ninguém confia em ninguém no covil dos patriotas, essas almas puras que gastam a vida para construir um novo Brasil. No mundo real, a brutalidade e a covardia explicam a essência do modo de fazer política dessa gente. Não é do nada que à sucursal alagoana do PL estão filiadas figuras de uma civilidade e um pacifismo encantadores.

Pelos tipos envolvidos, não dá nem para imaginar o que vem por aí.