Atordoados com o choque de realidade após a vitória de Lula, bolsonaristas fazem fila para entrar no Paraguai. Na segunda-feira após a eleição, o Google registrou um aumento de 1.700% na busca por informações sobre como ter residência fixa no país vizinho. A procura é tamanha que o governo paraguaio abriu um mutirão para atender estrangeiros com interesse em trocar de paisagem em busca da felicidade perdida.

O delírio da terra prometida do outro lado da fronteira integra a antologia de estranhos fenômenos decorrentes do resultado das urnas. Vejam aí essa história de “demitir petistas” para punir o voto em Lula. Tem empresário alagoano que está nessa, cheio de valentia, mas não tem coragem de mostrar o focinho ao grande público.

Além dos virtuais “exilados” e dos empregadores caçando inimigos, há os servidores públicos pregando ódio a petistas e a nordestinos. Foi o caso de uma procuradora municipal de Macaé, no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, Renata Pinto Rodrigues destila ódio também contra “pobres e mineiros”. Foi afastada por 30 dias.

Se o empregador não seguir a ordem dos bolsonaristas em transe, então será ele o alvo do Comando Patriota de Caça aos Comunistas. A campanha nesse caso é pelo boicote a empresas que mantenham funcionários que votaram pela reeleição do presidente. A marcha da insanidade está de acordo as ideias da “direita democrática”.

Não é fácil mesmo aceitar a realidade dos fatos quando isso não combina com nossas crendices de qualquer natureza. Para evitar um colapso nervoso e a violência contra quem pensa diferente, fazer o quê? Dizem por aí que é preciso ter autocontrole. Talvez seja o caso de procurar um coach especialista em terapia pós-trauma eleitoral...

Os artistas não poderiam escapar dessa doideira. Se votou em Lula, não resta dúvida, é porque vive na mamata da Lei Rouanet. Cancelamento já! Enquanto Flávio curte a vida como um milionário americano, os cidadãos de bem e as senhoras recatadas seguem firmes por aqui cumprindo ordens. Não há remédio contra a devoção.

De volta à aventura paraguaia, esse negócio de mudar de país gerou, há alguns anos, uma expressão que ficou popular. “Vai pra Cuba!”, diziam os patriotas cristãos a quem eles “acusavam” de esquerdista. Parece que aquela ideia está de volta com sinal trocado. A diferença é que a “migração bolsonarista” é escolha voluntária.

Daqui a pouco, Alfredo Gaspar, Fábio Costa, Cabo Bebeto, Leonardo Dias e outros gigantes da política brasileira pegam o trem rumo ao Paraguai. Se é para manter a coerência do discurso, o certo a fazer seria sair correndo dessa terrível ditadura do PT.