Há um estranho movimento na reta final do governo Paulo Dantas. Dá até para desconfiar com a seguinte pergunta: o que ocorre agora também ocorreria caso Renan Filho tivesse derrotado João Henrique Caldas? Jamais saberemos, mas dá para especular. O clima é de espanto. Depois do resultado das urnas, com JHC eleito governador, a gestão estadual anunciou medidas um tanto intempestivas – para recorrer a termo leve.

Uma das ações de maior visibilidade tem como protagonista o conselheiro Otávio Lessa, que deixa sua cadeira no Tribunal de Contas do Estado com antecedência. Nomeado pelo governador, Lessa vai comandar a Arsal, a agência reguladora de serviços públicos. Ele tem mandato de cinco anos e não pode ser demitido. Está blindado.

Para fechar essa jogada, o governo alagoano mudou as regras de nomeação na Arsal. Tudo feito sob encomenda para o caso específico do conselheiro que muda de repartição. Tem até nome para isso, em latim, no campo do direito: é uma medida ad hoc. Não é a única alteração “administrativa” feita pelo governo que está de saída.

Na semana que passou, mais uma surpresa com origem no Palácio República dos Palmares. O deputado governista Ronaldo Medeiros apresentou projeto na Assembleia sobre a publicidade oficial. São mudanças na forma de aplicação de verbas para a propaganda institucional em veículos de comunicação. A esta altura do campeonato?

Está claro que a turma do novo governo vai se rebelar contra esses atos finais da gestão Paulo Dantas. Se não está claro, então eu chuto aqui: vai ter briga na Justiça. JHC não aceitará regras criadas, é o que parece, para dificultar a rotina do novo mandachuva. A banca de advocacia do governador eleito já prepara reação. A partir de janeiro, é guerra.

Não é do nada que a transição de governo, que deveria ser tocada com alto nível e respeito às urnas, está na estaca zero. Os dois lados andaram trocando indiretas, além de versões contraditórias sobre os trabalhos a começar. É possível que o início da gestão JHC no estado seja um tanto turbulento diante de situações fora da ordem.

O lado de João Henrique mandou recados sobre os termos e o andamento de todos os contratos com fornecedores do estado. É possível que haja contestação sobre os números. Pense no que está a caminho sobre a Secretaria de Saúde, metida num escândalo milionário investigado pela Polícia Federal. Muito a esclarecer.

JHC já ensaia o gogó para denunciar ao mundo a “herança maldita”.