A voz mais extremista no entorno de Flávio Bolsonaro era seu parceiro de chapa Alfredo Gaspar de Mendonça. Segundo O Globo, a depender do deputado federal, o certo seria uma virada de mesa. “Fraude na eleição”, Lula impedido de tomar posse e um Bolsonaro aclamado “verdadeiro presidente” do Brasil. De novo essa história?! Pois é. Estamos falando de um padrão. O golpismo irrefreável se renova a cada geração.

Alfredo Gaspar e família Bolsonaro têm tudo a ver. Respeito à democracia é bonito – até a gente seguir no controle. À primeira ventania contrária às pretensões do clã, a reação é a delinquência sob a fantasia do justo e do belo. Certas figuras da nova política não conseguem entender o significado real de princípios e valores. Não é fácil mesmo.

Para espécies habituadas à filosofia do prendo & arrebento, a obediência ao ordenamento legal é questão de “filigrana jurídico”. Sergio Moro está no topo dessa escola de chicaneiros de toga. Vejam que, após ataques virulentos, ele e Bolsonaro voltaram às boas na campanha. A gangue da Lava Jato acena do meio do lamaçal.

Mas voltemos ao ponto. O deputado Alfredo Gaspar, eleito sob o império da Constituição de 1988, não reconhece o resultado das urnas. Ou reconhece quando cobrado publicamente. Diante de parceiros no covil dos patriotas, o verdadeiro naipe do vice de Flávio se revela. Nessas horas, os xerifões pregam a subversão geral da lei e da ordem

Mas o clima não é bom para os golpistas natos, como Flávio e Gaspar. Como se nota pelas esquinas da velha imprensa, o apelo cretino à perseguição do sistema contra o dito Zero Um não vai além do cercadinho das piadas prontas. O candidato que perdeu no voto fala, cada vez mais, para quase ninguém. A tendência é desse nível para pior.

Uma nova batalha está aberta dentro da própria direita, agora entre os últimos soldados de Flávio e a tropa de Tarcísio de Freitas. Há uma nítida debandada para os lados do governador matador. Rei morto, rei posto. Os irmãos milicianos, lá fora e sem mandato, perdem força na própria casa. Já estão sendo banidos de 2030.

A vitória de Lula foi eloquente. Ao contrário de 2022, não há margem de erro para bolsonaristas se agarrarem a “indícios de fraude”. Ninguém comprou essa reedição falaciosa dos fatos. Flávio perdeu para o presidente enfim reeleito – e perdeu também para Tarcísio de Freitas e toda uma ala da direita brazuca. Isso sim é uma inflexão.

O bolsonarismo encara sua maior crise desde que venceu a eleição de 2018.