Depois da reeleição histórica, Lula começa a montar o novo ministério para o segundo mandato do governo. Não há nome mais badalado do que André Janones, deputado federal mineiro que caiu nas graças do presidente. Criador do “Exército do Lula” no WhatsApp, o parlamentar colhe os frutos do tremendo êxito que obteve na fase crucial da eleição. Mas cuidar de um ministério? Há bastante controvérsia na área.
O curioso é que até um dia desses havia, na própria esquerda, restrições à postura de Janones. Ele era criticado por, em tese, jogar nas redes sociais com as mesmas armas da extrema direita. Mas isso mudou para sempre depois da guerra no segundo turno. A investida de Janones tomou conta da pauta na imprensa e incendiou a militância.
Uma coisa é ser especialista no detalhe, outra é gerenciar um ambiente múltiplo e complexo. A comunicação da Presidência da República não se esgota na fabricação de memes. Janones não tem currículo e nem perfil para ser um líder no papel de ministro. Decididamente não parece boa escolha, seja qual for a pasta destinada ao “general”.
André Janones é apenas um entre tantos nomes cogitados para o novo time ministerial. Figuras como Marina Silva e Simone Tebet devem retornar, após perderem a eleição para o Senado em São Paulo. Mas aqui entra o peso dos partidos na construção de uma base capaz de ao menos negociar com centrão e direita. É prioridade absoluta.
De pai pra filho. É nesse desenho que entra o nome do senador Renan Calheiros como ministeriável. Zapeando os velhos e os novos canais, vi o alagoano em debate na Band News, no SBT News e na CNN. Comentaristas em emissoras diferentes usaram o mesmo termo – “corre por fora” – para se referir à chance de Renan, o pai, virar ministro.
Caso se concretize a operação, o pai ocuparia o espaço que foi de Renan Filho no atual mandato de Lula. Difícil é um consenso, mesmo pontual, no fragmentado MDB. Por enquanto o nome do ainda senador alagoano teria um ponto forte a seu favor: a simpatia do presidente dono da caneta. As negociações estão começando.
Nesse redesenho para os próximos quatro anos, o ex-prefeito do Recife João Campos é dado como certo no posto de ministro. Vale ressaltar que, ao contrário de Flávio Bolsonaro, Lula não montou governo antes do voto. O time a ser escolhido terá desafios maiores do que a gestão atual. As escolhas de Lula vão indicar método e estratégia.
Calheiros e Janones acabam por sintetizar mundos particulares. Por aí.
