Alfredo Gaspar de Mendonça procura um novo emprego. O deputado federal do PL fica sem mandato a partir de fevereiro do ano que vem. A nova fase na vida do ainda parlamentar, é claro, decorre do resultado das eleições. Vice na chapa de Flávio Bolsonaro, Gaspar deve usar os meses a seguir para meditar sobre o que fazer. Na real, as opções se resumem a secretarias na prefeitura de Maceió e no governo estadual.

Mas isso depende de vários fatores. Por enquanto, os rumos do cidadão de bem ficam pelos bastidores. Como Flávio decidiu que estava eleito antes das urnas, Alfredo Gaspar é como aquela viúva Porcina, de Roque Santeiro – o vice que foi sem nunca ter sido. Por aqui, sua turma já o tratava como o rei do pedaço, polo de bajulação.

Gaspar entrou e saiu da campanha do mesmo jeito, sob o improviso, o afobamento e a irrelevância. Lembremos: ele não era nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira opção de Flávio para vice. Rogério Marinho, Ciro Nogueira, Gilberto Kassab e Teresa Cristina foram cogitados antes. Mas não houve acordo com os partidos.

O alagoano apareceu do nada, para espanto geral da própria turma bolsonarista. Era o que havia sobrado. O deputado chamou atenção da ultradireita por sua atuação histriônica na eleitoreira e inútil CPI do INSS. A comissão serviu de poleiro para os interesses do bolsonarismo. O relatório de Gaspar foi rejeitado e virou lixo.

Se a escolha para compor a chapa foi na base do não tem tu, vai tu mesmo, o desempenho do vice resultou em pleno fracasso. Não colou o papo furado de “orgulho de ser nordestino”. Os votos para Flávio despencaram ainda mais. Nos nove estados, a região produziu um massacre sobre as pretensões milicianas da turma de patriotas.

Alagoas disse um não eloquente aos golpistas.  Lula venceu a eleição aqui com 60,77% dos votos válidos. Flávio ficou com 39,22% das escolhas. Uma diferença superior a 20 pontos percentuais. Na capital, o miliciano ganhou com uma diferença de 20 mil votos, nada que chegue nem perto da vontade da ampla maioria. Preto no branco.

Alfredo Gaspar fez sucesso na bolha, no covil da tradicional família alagoana. Na campanha – apontam os números da apuração – levou um tombo e ficou estatelado no meio da avenida. Ainda tenta entender o que se passou com a vitória antecipada que ele e os seus não paravam de festejar. O alcance do fiasco será amplo e difícil.

Alfredo Gaspar entrou pequeno na campanha – e vai saindo invisível.