Flávio Bolsonaro não reconhece o resultado das urnas. Flávio Bolsonaro vai pedir a anulação da eleição presidencial. Flávio diz que houve “sacanagem”. O esperneio do mau perdedor é a materialização de sua alma, digamos assim. A alegação é a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin, que mandou prorrogar em duas horas o período de votação. A demanda não tem chance. Sem virada de mesa, é causa perdida.
A papagaiada de Flávio reafirma o tamanho de seu respeito às instituições, à Constituição, à República. E com ele trilham o bolsonarismo em geral e a ultradireita. O candidato derrotado faria o mesmo ainda que não houvesse nada de incomum durante a votação. Desde sempre, só um resultado seria legítimo: a sua vitória.
Além da miserável previsibilidade, há também essa coincidência com o pai. A eleição de 2022 acabou em fuga de Jair Messias, depois preso, julgado e condenado. E todo o caos começa e termina na contestação do sistema de votação, da urna eletrônica. Quatro anos atrás, na cadeira de presidente, Bolsonaro tantas fez que deu no que deu.
Flávio não tem meios, não tem munição e, sobretudo, não tem fatos para levar sua investida adiante. Assim como o discurso de Bolsonaro pai em 2022, trata-se apenas de um número de chanchada, para “justificar” o raquitismo moral dessa postura. Naturalmente o trololó remelento serve também para tentar manter a tropa ligada.
“O sistema é foda”. O anúncio contido na frase está na boca do povo bolsonarista. Descobri que em grupos de WhatsApp a expressão aparece com frequência, geralmente para iniciar o papo – no caso, a troca de mensagens sobre o resultado da eleição. É muito estranho que alguém possa acreditar que a família Bolsonaro é antissistema.
É fascinante o mundo das ideias, do pensamento, da interpretação da vida – de onde saem nossos princípios e convicções. É nessa dimensão que deve ser visto todo aquele que crê piamente na rebelião dos Bolsonaro contra o status quo. Estranheza evidente é que essa idealização é triturada pela trajetória da família. Tudo registrado.
Flávio Bolsonaro não tem tempo para esses abduzidos pelo bolsonarismo. Mas precisa deles para uma eventual mobilização popular contra a vitória de Lula. É uma hipótese remota, dado o vazio de alegações. O ex-candidato a presidente tem outras urgências a resolver diante de um conjunto de encrencas no âmbito policial.
Pedir a nulidade da eleição – limpa e legítima – encerra uma aventura farsesca.
