Na imagem acima, a presidente do México, Claudia Sheibaum, “faz o L” durante entrevista coletiva. Desde o resultado das urnas no Brasil, o gesto ganhou as esquinas do mundo. Espanha, França e Estados Unidos. Ásia, Europa, Américas. Para todos os lados, a faixa democrática da política adotou como símbolo maior o L, letra inicial de Lula. Enquanto isso, o adversário na eleição se dana em fuga na calada da noite.

Ironia dessa vida. Como escrevi aqui mais de uma vez, o ocupante do Planalto foi declarado morto e sepultado para todo o sempre, amém. A hostilidade da velha imprensa se instalou desde o começo da nova gestão, mas piorou muito a partir do terceiro ano do mandato. Foram quase 24 meses de pancadaria. O Nove Dedos resistiu.

Mais do que isso. A mesma imprensa que o detonou reconhece que o brasileiro alcançou um patamar que pouquíssimos alcançam no cenário internacional. Lula não é apenas elogiado – na verdade ele está sendo celebrado agora –, ele é apresentado como modelo a ser seguido. Modelo de democracia com a devida justiça social.

Tudo muito diferente do que estava aí até três dias atrás. Foram tantos editoriais sobre um petista “que parou no tempo” que o desfecho previsível seria a derrota. A reeleição parecia algo do reino sobrenatural, segundo o tom de artigos e reportagens. As pesquisas do sábado não captaram a tendência do eleitorado. Tudo feio para o governo.

Aí veio a realidade. Olhando a votação em todos os recortes, impressiona como o candidato à reeleição foi buscar a virada. Para além de aspectos pontuais, a vitória se explica pela amplitude do voto em Lula. Da queda na abstenção à força das ruas, foram muitos os fatores que levaram ao triunfo de alguém que encarna a democracia.

Lula não precisa fazer esforço nenhum para se apresentar como um estadista que acaba de derrotar um aliado de milícias. O presidente tem um capital político que não pode ser desperdiçado. Como terminou a eleição, mas a guerra continua, a maré vai subir e descer e, nunca se sabe, pode virar de repente, sem explicações naturais.

Por agora é o seguinte: Lula obteve no último domingo uma vitória além do que imaginavam os mais otimistas de sua turma. De quebra, o resultado põe o bolsonarismo em particular e a direita em geral numa trilha meio sem rumo. Lideranças não gostaram da jogada de Flávio, mas evitam declarações nesse sentido. Dependência mútua.

Ecos da eleição. Um valente patriota em fuga. Um estadista. O mundo faz o L.