No domingo, forte candidato a presidente da República. Aliás, para muitos, ele já estava eleito antes de receber votos. Na terça-feira seguinte, não mais de 48 horas depois, um foragido cortando os céus rumo aos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro, “líder” político da direita brasileira, repete o irmão Eduardo, que escapou para o mesmo país e por lá ficou. A tropa dos traíras ganha mais um reforço no “exílio”.
Após a derrota em 2022, o pai de Flávio não passou a faixa e lá se foi também para a pátria de Trump. Quatro anos depois, o filho protagoniza presepada semelhante ao não reconhecer a derrota. Prova que é um Bolsonaro da gema. Está claro que a estratégia é a vitimização. Estamos sob uma terrível ditadura comunista chefiada pelas togas do STF.
O ex-candidato tratou com desdém os próprios aliados ao decidir pela fuga. O senador Rogério Marinho, por exemplo, um dos “ministros” já nomeados no governo imaginário, soube da fuga pela imprensa. Flávio falou com ele na manhã da terça – e mentiu sobre seu paradeiro. Tudo de acordo com o perfil de um aliado de milícias.
A decisão de Flávio de pegar o beco ainda está sendo avaliada por setores da direita. Há os que acham tudo muito ruim para os planos de oposição ao governo Lula. Mas claro que predomina, ao que parece, a onda de “denunciar perseguição” contra os patriotas da família Bolsonaro. O clã segue na liderança da falange antipetista.
Para além do gesto infame do ex-candidato, fica o suspense para ver como será o desempenho dessa oposição à distância. Mais importante: as lideranças pela direita e centro vão mesmo ser manietadas por dois elementos morando nos Estados Unidos? Deputados e senadores vão cumprir ordens da dupla de foragidos? Difícil.
A doideira é que a família cujo patriarca cumpre prisão domiciliar elegeu Jair Renan, Carlos e Michele Bolsonaro. O primeiro não conta, mas e Carluxo e a ex-primeira-dama? O que esperar dessas figuras no Congresso Nacional? A expectativa maior é quanto a Michele e suas pretensões em assumir o legado do bolsonarismo raiz.
Outro suspense envolve o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Suspeita-se que, na baixa, comemorou a derrota de Flávio. De olho em 2030, agora seu caminho na oposição está muito mais facilitado. A fuga do Zero Um é o dado inesperado na reorganização das forças adversárias a Lula e à esquerda em geral. É briga na direita.
Vejam a estatura – política, moral, intelectual – do cara que as elites queriam presidente.
