Onze dias depois do fim da eleição presidencial, de norte a sul na imprensa brasileira não param de surgir ideias para explicar o resultado das urnas. Nunca a vitória de um candidato foi tão esmiuçada quanto a de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. Parte desse espanto tem a ver com o clima que tomou conta da oposição após o primeiro turno. O clima do já ganhou. E o jornalismo embarcou nessa.
Mas isso é apenas um aspecto de algo que parece muito mais complexo, a julgar pelo que se escreveu não apenas no Brasil, mas pelo mundo afora. Líderes de vários países tratam o triunfo de Lula como fundamental para revigorar forças progressistas em escala internacional. A eleição brasileira reforça a defesa da democracia.
Eventos que ocorrem lá fora, em outros continentes, são associados à virada eleitoral registrada por aqui. Agora mesmo, o resultado da eleição americana – com o arrastão democrata contra Trump – é comparado ao cenário brasileiro. Está nas páginas e nas telas: o Brasil serve de inspiração a movimentos políticos diversos.
Tudo isso pode ser contestado. O panorama político é visto por diferentes pontos de vista, e é assim que deve ser. Bem mais difícil de contestar é a façanha do cara de 80 anos de idade que foi às ruas virar o jogo que parecia perdido e sem volta. Era isso, reitero, o que diziam onze entre dez colunistas da boa e velha imprensa brazuca.
Quando as urnas foram abertas, a surpresa. E é esse desfecho surpreendente que segue como um desafio para estudos de fôlego mais adiante. As ruas, as redes, a participação dos jovens, o incentivo aos idosos, o exército do Janones. Qual o peso de cada uma dessas variáveis na escolha final do eleitorado? E o que mais aconteceu?
Essas perguntas vão continuar à mesa para aqueles estudos. Analistas podem acrescentar à lista de possíveis causas para a vitória de Lula algo que ele próprio falou no dia do primeiro turno. Diante de aliados perplexos com a derrota para Flávio na primeira rodada, o presidente se saiu com esta: “Eu sou muito bom no mata-mata”.
O recurso a uma metáfora do mundo do futebol, em tom descontraído, ignorava naquele momento o clima pesado visto na cara dos que o cercavam. Mas não é que ele estava certo! Afinal, poucos dias após aquela noite sombria, o voto popular reafirmaria a força deste que é o maior líder popular da história do país. Até a Veja escreveu isso.
O fenômeno da eleição brasileira segue atraindo atenção do mundo.
