Acompanhar um debate eleitoral na TV, como o que ocorreu nesta sexta-feira, não é das coisas mais instigantes. O primeiro aspecto desanimador é o padrão na postura dos candidatos. Aí entra todo aquele acervo de diversionismo retórico na formulação de perguntas e respostas. Não importa se na Band, na Globo ou em qualquer outra emissora do país, o tédio acaba chegando em algum momento. É palavreado demais.

A Globo tentou reinventar a roda no último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação. Ao que parece, numa tentativa de evitar tumulto, e obrigar os candidatos a priorizarem propostas, a TV aumentou o tempo dos blocos com temas determinados. Somente no último bloco, os rivais tiveram oito minutos cada um com tema livre.

No segundo e no terceiro blocos, o formato foi diferente de debates em outras eleições. Pergunta, réplica e tréplica deveriam ocorrer dentro de três minutos para cada um dos debatedores. Os assuntos tratados também foram determinados por sorteio. Em alguns momentos, ficou um tanto confuso até para os próprios candidatos.

Nos temas mais carregados, Flávio atacou de Lulinha, e Lula devolveu com orgia e Vorcaro. Flávio disparou contra o “amigão” do crime organizado, e Lula bombardeou com “um miliciano não pode governar o Brasil”. E foi por aí. Nessas ocasiões, a tática milenar nos debates é ignorar a pergunta que incomoda e pular para outro assunto.

Como a circulação dos candidatos pelo cenário foi mais restrita, não houve as confusões vistas no debate da Band, uma semana atrás. Aliás, em relação ao confronto anterior, pode-se até falar em civilidade – na medida do possível. Flávio tentou atropelar umas duas ou três vezes o mediador César Tralli, mas rapidamente tudo voltou ao normal.

Não sei se as regras causaram algum estranhamento nos rivais dessa corrida. Pareceu que sim, sobretudo nos três primeiros blocos do programa. O alardeado “mapa gigante” do Brasil no meio do cenário não acrescentou nada à qualidade do evento. Em televisão, sempre há o alto risco de a cosmética turvar o essencial. É o triunfo do oba-oba.

E afinal quem diabos venceu o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro? Como se repete há séculos, ganha debate aquele que não erra. Ou erra menos que o adversário. Se os dois erram mais ou menos no mesmo nível, um errado recupera o outro, e vice-versa. Impossível saber se uma conversa cansativa, de duas horas, decidiu algum voto.

Até a madrugada deste sábado, que eu saiba, o quadro seguia indefinido.