A contar do momento em que escrevo, restam menos de 48 horas de propaganda no rádio e na TV. Além disso, haverá o último debate a ser realizado pela Globo na sexta-feira. Entre um espaço de ação e outro, passa no celular, nas 24 horas do dia, tudo o que os dois lados conseguem fazer. Os bombardeios no Metaverso levam ao TSE uma enxurrada de demandas judiciais. Na estratégia eleitoral, qual o melhor caminho?

A resposta depende das circunstâncias, diriam alguns pensadores da ciência política. O que pode ocorrer de surpreendente – como uma “entrevista-bomba”, que aliás já ocorreu – capaz de um estrago imediato? Ainda há tempo para tacada fora da ordem, além da bolha? As pesquisas de intenção de votos sugerem uma eleição indefinida.

Por uma convergência de fatores, o debate na Globo cresce no interesse geral. O empate técnico, com um ponto de diferença segundo a Quaest, eleva a preocupação com o desempenho no confronto. Lula e Flávio Bolsonaro agora já sabem como cada um entra para jogar. No estilo, ninguém pode alegar “desconhecer o outro”.

No debate da Band, Flávio apelou a macacadas para as câmeras enquanto Lula falava. A velha tática de “roubar a cena”. O petista se enrolou na arapuca até se recuperar e conseguir o contra-ataque. Os detalhes no formato Globo estão no centro das discussões das duas candidaturas. A emissora tenta impor controle sobre os candidatos.

Um detalhe que não pode ser subestimado no palanque de Flávio. Sem aviso prévio, com uma desconcertante naturalidade, eis que Pablo Marçal ocupa o núcleo duro do bunker flaviano. Um trapaceiro compulsivo, condenado e inelegível, de volta à antiga praia. Marçal é o marqueteiro da bagaça, do esgoto, do jogo sujo e mais um pouco.

Candidato a prefeito de São Paulo em 2024, Marçal falsificou um laudo médico para embasar sua falsa “denúncia” contra Guilherme Boulos. A fake news da fake news. A contratação de um miliciano digital desse calibre desmente o discurso do “bolsonarismo moderado”. Nos dois termos lado a lado, a moderação já perdeu.

É nesse clima, em tal cenário e com um panorama de incertezas, que o dia da votação vem ali dobrando a esquina. Os rivais não têm muito mais com o que contar, salvo o já combinado e construído com os operadores da propaganda. No mostruário de poucas armas, o debate pode ser a única com potencial de morte súbita. Ou quase.

Lembrando: tudo pode desmoronar se as campanhas surpreenderem.