O arrastão do Master alcançou as redações de ponta a ponta, dos mastodônticos veículos a marcas da revolução digital, digamos assim. Aí estão enrolados o Grupo Globo, Estadão, Valor Econômico, Metrópoles, Folha, DCM, Carta Capital, IstoÉ, Platô BR etc. Cavoucou, aparece novidade nesse lado muito peculiar do escândalo – o lado da imprensa brasileira. Sobe a ideia de que todo mundo se vendeu ao megaesquema.
Não adiantam as ressalvas para se entender o todo. Mas, no bolo geral, cada coisa é uma coisa, e cada episódio deve ser visto sob as devidas circunstâncias e determinado contexto. E quem vai ligar para firulas conceituais? Adiante as investigações vão formalizar indiciamentos e apontar o tipo de crime. Mas isso demora.
No senso comum, tudo se resume a recebeu dinheiro do Vorcaro. Nesse pacote, estão contratos de patrocínio e anúncio publicitário assinados de acordo com as leis. Em outras situações, os indícios de relação espúria são irrefutáveis dada a materialização de um delito de natureza ética. Na controvérsia, reputações ficam na corda bamba.
Na imagem acima, o diretor de redação da Folha, Sérgio Dávila, e Daniel Vorcaro. A montagem ilustra reportagem do Metrópoles em contra-ataque a uma matéria publicada no UOL e na Folha. Em gradações diferentes, a mesma traficância – cheia de modulações – entre a área comercial e o jornalismo. Essa briga escalou.
Bem antes das revelações sobre Folha e Metrópoles, o Estadão já havia trocado ofensas com o portal de Brasília. O motivo era o mesmo: recebeu repasses de Vorcaro. O vazamento interminável do celular do ex-banqueiro levou a uma declaração de guerra entre os gigantes. Da redemocratização para cá, não tem precedente.
Depois de uma capa suspeita sobre o caso, a Veja dobra a aposta, força estardalhaço sobre poeira e atira na Globo: “As mentiras da Globo sobre os áudios de Vorcaro denunciando Lula”. Essa troca de acusações entre concorrentes no mercado da notícia sumiu faz muito tempo. Um acordo tácito vigora (ou vigorava) há duas décadas e pouco.
O acordo é de proteção mútua. A ver como fica a partir de agora, com o tiroteio que já abateu alvos de lado a lado. A lógica do negócio recomenda a busca pela trégua. É a velha e boa imprensa exposta ao imperativo de princípios republicanos, alardeados nos editoriais com pretensão de corrigir governo e instituições. Caberia autocrítica, talvez.
Daniel Vorcaro como editor prova que o jornalismo morreu. Mas ainda é necessário.
