Vai terminando a semana do empate técnico. Foi a semana que sucedeu a semana da eleição decida. Veremos como serão as próximas horas, quando começa a última semana antes da votação. O segundo turno é uma corrida de curta distância. Às campanhas, difícil é reagir à avalanche de notícias com novidades potencialmente graves. As especulações se misturam à estatística em PowerPoint Eleitoral.
O resultado do primeiro turno deu a Flávio Bolsonaro a licença para ser imprudente. A imprudência é adotar a conduta do já ganhou. Não sei o quanto isso afetou nas pesquisas que saíram nos últimos dias. Todas, sem exceção, apresentaram números na mesma direção, com a mesma tendência. Um suposto favorito não é realidade.
A própria campanha do Zero Um acusou o golpe do momento preocupante – daí uma mudança de tom nas peças do horário eleitoral do rádio e na TV. Saiu a celebração da vitória antecipada, a repetição sobre a “mudança” que já estava a caminho, e entraram as “propostas” para salvar o país. Os dados indicam acirramento e eleição aberta.
E na semana que termina, a notícia campeã no Ibope é a aprovação da PEC do fim da escala 6x1. Na corrida eleitoral, Lula é quem se beneficia. De última hora, Flávio tentou se agarrar à fantasia de aliado dos trabalhadores. O que isso tudo pode influir no voto dos brasileiros não tem como cravar. Mas alertou o bunker flaviano sobre o perigo.
Lula e Flávio passaram pela bancada do JN com Renata Lo Prete. Não me ocorre agora nenhum momento de maior destaque nas duas entrevistas. Curioso, até as perguntas incômodas são previsíveis. Mas isso não é um erro, como poderia ser, porque as perguntas, nesse caso, são previsíveis porque necessárias. Parece outro empate.
A guerra de narrativas (desculpem) da política se contamina com os acontecimentos da crônica policial. Não dá em boa coisa por vários motivos. O principal é a exploração de informações reais na construção de cenários que favorecem alguns e ameaçam outros. Isso inclui, é claro, decisões absurdas de ministros do TSE. Negócio pesado.
Neste domingo 18 de outubro, a uma semana da votação, Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam, ao vivo, diante de milhões de eleitores, no debate da Band TV. Como eles não participaram de debates no primeiro turno, tem esse ineditismo na campanha como um atrativo. O confronto ocorre em momento mais tenso da corrida porque é reta final.
Brasil dividido, empate técnico. Os candidatos jogam as últimas cartadas.
