Além da corrida presidencial, outra eleição ocorre longe dos olhos da população brasileira. Tanto quanto a briga pelo Planalto, é uma disputa que sacode a política e mobiliza lideranças na capital do país. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro fazem promessas e trocam bordoadas na busca por eleitores, em outro colégio eleitoral candidatos estão em campanha pelo comando do Poder Legislativo.
O colégio eleitoral nesse caso se divide em dois – 513 deputados e 81 senadores. Em fevereiro de 2027, eles vão escolher, cada grupo no seu quadrado, os novos presidentes da Câmara e do Senado. Os “novos” podem ser os atuais, caso consigam sacramentar os acordos que tentam fechar. O panorama não autoriza uma aposta certeira.
Aos nomes. O deputado Hugo Motta e o senador Davi Alcolumbre encaram uma pedreira na aventura pela reeleição. A derrota é uma possibilidade plausível para os dois. O presidente da Câmara e o presidente do Senado estão em terreno minado – sobretudo após o arrastão que a extrema direita emplacou nas urnas. Eles tentam sobreviver.
A bancada do PL explodiu nas duas casas e, turbinado com a montanha de votos, chega atropelando os demais partidos. Ao menos é assim que se comportam alguns dos membros da facção partidária dos Bolsonaro. Motta é do Republicanos. Alcolumbre, do União Brasil. Ou seja, “ideologicamente”, dá jogo. Mas esse não é o ponto da discórdia.
O que pega mesmo são as relações com o Executivo, a despeito de quem seja eleito presidente da República. Claro, no centro da mesa, como ocorre desde a pré-história, está a oferta de benesses e privilégios, como cargos e espaço de poder. No caso do Senado, a relação com o STF é essencial, tendo no alvo o impeachment de ministros.
Assim que o resultado das eleições para deputado e senador saiu, pela imprensa afora decretou-se o cadafalso como destino para Motta e Alcolumbre. Eles de fato estão a perigo, mas o quadro não estaria, ainda, irreversível. Nos últimos dias, cada qual em sua Casa, ambos botaram o bloco na rua e engataram negociações. É o caminho.
Nas eleições para o comando do Legislativo, é claro que o Planalto tem uma margem de manobra, ainda que todos os envolvidos neguem essa hipótese. Até porque estamos falando da delicada relação entre os poderes, sempre no limite entre tensões e atritos. Qualquer faísca, a crise se instala com efeitos generalizados e imprevisíveis.
Na Câmara, não se fala de nomes na disputa, além do próprio Hugo Motta. No Senado, Teresa Cristina, Rogério Marinho e Arthur Lira, todos à direita, são citados como virtuais candidatos. Por enquanto, certo mesmo é o sufoco de Davi Alcolumbre.
É uma eleição cujo desfecho terá influência inédita nos rumos do país.
