O deputado Alfredo Gaspar, vice na chapa do candidato Flávio Bolsonaro, torturou as palavras diante de jornalistas para defender a seguinte ideia: Lula, na verborragia pau de arara do parlamentar, “alisa a cabeça de bandidos e terroristas”. Sob tortura, à vítima – nesse caso, a Língua Portuguesa – não resta alternativa a não ser confessar tudo o que o torturador exige. Mas a tortura, ainda bem, não consegue apagar os fatos notórios.

E os fatos notoriamente conhecidos provam que quem acaricia bandidos, milicianos e matadores de aluguel é o candidato Flávio Bolsonaro. O pai dele também. Aliás, Flávio não “alisa”, ele põe no peito de bandidos medalhas e honrarias. Foi o que fez com Adriano da Nóbrega, um dos maiores assassinos da história recente do Rio de Janeiro.

Deputado estadual pelo Rio, Flávio propôs que o matador sanguinário fosse condecorado com a maior honraria da Assembleia Legislativa fluminense. Homenagem aprovada, o Zero Um entregou pessoalmente a comenda a seu amigão. Mas esse ato solene não foi realizado na sede da Assembleia. Porque o agraciado estava preso por assassinato.

Flávio, esse patriota que defende os valores cristãos, foi à cadeia para entregar a comenda ao bandido engaiolado. Combater o crime?! Fala sério! A homenagem ao miliciano matador não é um caso isolado na trajetória do rapaz. Flávio e sua família cresceram na política em parceria com as milícias fluminenses. As relações continuam. 

Flávio e um crime hediondo

Em agosto de 2011, a juíza Patrícia Acioli foi assassinada com mais de 20 tiros, quando chegava em casa, no município de Niterói, lá no Rio. Senhor Alfredo Gaspar, presta atenção aqui: ela sim combatia de modo implacável, com coragem e desassombro, o crime organizado. Não cuspia parolagem demagógica à cata de uns votinhos.

Pagou com a vida. Por que lembro do caso? Gaspar deve saber. Porque após o crime, o então deputado Flávio Bolsonaro foi ao antigo Twitter e escreveu isto: “Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com que ela humilhava policiais nas sessões contribuiu para ter muitos inimigos”. Flávio culpa a vítima e justifica o crime.

Pusilânime. Asqueroso. Abjeto. Nojento. Nenhuma palavra dá conta da postura desse sujeito que posa de xerife contra o crime – e periga virar presidente da República. A postagem está na internet para quem quiser conferir na publicação original.

Onze policiais militares foram condenados pelo assassinato, incluindo soldados, oficiais e até o tenente-coronel que comandava um batalhão de São Gonçalo, cidade da região metropolitana do Rio – dominada por milícias e grupos de extermínio. Surpresa zero.

Reparem que a publicação de Flávio é uma defesa antecipada dos “policiais humilhados” pela magistrada. A defesa dos assassinos de uma mulher que enfrentava – de verdade – organizações criminosas. O cidadão de bem nem esperou pela investigação.

O conjunto da obra é vasto. Se na campanha eleitoral tem algum personagem parceiro da bandidagem, este é Flávio Bolsonaro. E, como disse, nem sob tortura os fatos deixam de existir. O resto é papo furado da politicagem para enganar desavisados.