Aos 46 anos de existência, o Partido Democrático Trabalhista atravessa, tudo indica, o pior momento de sua história. Fundado por Leonel Brizola (foto) após a volta do exílio, a legenda agoniza a céu aberto, praticamente à beira da morte. O resultado das eleições deste ano empurra o PDT para mais perto da cova. Sem alcançar a cláusula de barreira, a sigla perde o direito de receber verba do fundo partidário. Tudo fica mais difícil.
Depois da contagem dos votos, o PDT caiu de dez para seis deputados na Câmara Federal. No Senado, terá apenas uma integrante, Marília Arraes, eleita pelo estado de Pernambuco. Ao longo da legislatura atual, chegou a ter três representantes na chamada Casa Alta. Da condição de força relevante no país ao vexame de se juntar aos “nanicos”.
Com esses números, além de perder o financiamento público, fica também sem acesso à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. É o segundo efeito de não bater a cláusula de desempenho. Se o panorama já era dramático, agora é ladeira abaixo em direção ao abismo. No país dominado pelo arrastão do PL, o PDT precisa de um milagre.
Em Alagoas, a sigla não tem nenhum deputado estadual – não tinha antes e continua na mesma após a eleição. No Congresso Nacional, claro, ninguém. Na Câmara Municipal de Maceió, Aldo Loureiro é o único vereador pedetista entre as 27 cadeiras do parlamento. E entre os 102 municípios do estado, nenhum prefeito é filiado ao PDT.
A agonia da agremiação não é de agora, nem um acidente repentino. É resultado de uma obra construída com esmero e afinco pela direção nacional e seus prepostos país afora. Carlos Lupi é presidente desde 2004, ano da morte de Brizola. Em duas décadas sob seu comando, a legenda abraçou o fisiologismo como filosofia de vida.
Com a filiação de Ciro Gomes em 2015, deu-se um ensaio de fortalecimento. Mas, duas derrotas nas eleições presidenciais, em 2018 e 2022, selaram o destino da relação. Este ano, Ciro disse adeus ao partido – também ele conivente com o estilo predador de Lupi. O que deveria ter sido uma virada de rumo acabou em retrocesso.
E finalmente, Ronaldo Lessa. Presidente estadual do partido, foi igualmente omisso – ou cúmplice – da gestão deletéria de Carlos Lupi. Ao longo dos anos, o PDT alagoense teve papel irrelevante, sempre a reboque de alianças que o empurraram à inexpressividade.
Depois de um vaivém extravagante nos últimos anos na política estadual, Lessa acaba de aprontar mais uma, ao renunciar ao cargo de vice-governador. Antes, retornara à parceria com João Henrique Caldas, com quem havia rompido em 2022. O que é isso?
As escolhas de Ronaldo Lessa – que chegam a causar até perplexidade – combinam direitinho com o velório do PDT. Os ideais de Brizola foram desprezados faz tempo.
