Nem quando esteve no auge, como prefeita de Arapiraca e deputada federal, Célia Rocha exibia tamanha desenvoltura. Depois da vitória de João Henrique Caldas, de quem foi parceira de chapa como vice, ela fala como se fosse a governadora eleita. Disparou contra o prefeito Luciano Barbosa, seu aliado histórico, e avisou que não quer ser secretária – porque será uma vice-governadora “ativa”. A conferir como será isso.

Um vice acumular o posto com o cargo de secretário é uma tradição. Porque a única função para o número dois prevista em lei é substituir o titular quando este se ausenta. E nada mais. É por isso que Geraldo Alckmin é vice e ministro de Lula. Foi por isso que Rodrigo Cunha, o virtual prefeito de Maceió, foi vice e secretário de seu parça JHC.

No embalo da empolgação das urnas, a próxima vice-governadora foi, penso eu, imprudente ao antecipar o debate sobre a eleição municipal de 2028. Disse com todas as letras que seu candidato a prefeito de Arapiraca já tem nome e sobrenome. Não tenha dúvida de que isso aborreceu alguns pesos pesados da política alagoense.

Como assim um nome já definido? Sem conversar com lideranças? E como é que ficam os caciques que estiveram ao lado de JHC na disputa eleitoral? Isso não existe em política. E quem sou eu para ensinar tal mandamento à Célia Rocha. Ela sabe das coisas, é claro. Da forma como falou, parece que sua palavra é uma sentença.

Nenhum titular gosta de dar palanque ao vice – muito menos de vê-lo brilhar por conta própria. Porque afinal quem recebeu votos foi o candidato a governador. De novo: é da política. E não será JHC, cheio de empáfia com sua vaidade festeira, que dará tapete vermelho para alguém que pode ofuscá-lo. O provável é que haja o contrário disso.

A prudência recomenda que a vice da pujante e brejeira Arapiraca revisite o episódio envolvendo JHC e a ex-prefeita de Maceió Kátia Born. Lá atrás, ela também se empolgou com o “jovem renovador” da velha política. Abriu para ele as portas do PSB e acabou sendo praticamente expulsa da legenda. Em nome do poder, o vale-tudo predomina.

Ao seu estilo, o governador eleito desapareceu no oco do mundo. Hostil à imprensa que não lhe seja cordata, não dá entrevistas. A essa altura deve estar costurando o secretariado de alto nível que vem por aí. Jornalistas que o reverenciam plantam nomes para ver como é que fica. Sob pressão, como se viu na campanha, o rapaz é imprevisível.

Para Célia Rocha, recomenda-se cuidado. Com todo o respeito. E boa sorte.