Nem de esquerda nem de direita. A Assembleia Legislativa de Alagoas é majoritariamente de centro. É o que garante reportagem da Folha de S. Paulo, baseada em cinco critérios definidos pelo jornal com o método batizado de GPS Partidário. 56% dos deputados estaduais eleitos escapam dos extremos – o maior índice entre todas as assembleias do país. Roraima lidera pela direita com 83% dos parlamentares. Do outro lado, a maior representação da esquerda é na ALE do Ceará, com 59% dos eleitos.
Na classificação da Folha, 33% dos integrantes da nossa gloriosa Assembleia são de direita. E apenas 11% podem ser carimbados como de esquerda. Lembrando que estamos falando da formação que estreia no próximo ano, decorrente das eleições.
A filiação partidária é fator decisivo, claro, na classificação sobre o perfil ideológico das casas legislativas. O PL domina a ALE em 11 estados e no Distrito Federal. Em segundo lugar vem o MDB, com maioria em quatro estados, incluindo Alagoas. Aqui, o partido conquistou 15 cadeiras. A bancada do Progressistas aparece com três representantes.
As siglas que espelham a guerra política em âmbito nacional – PL e PT – têm dois e três assentos no parlamento respectivamente. Também com dois eleitos cada temos União Brasil e PSDB. O avanço do PL na Câmara Federal e o arrastão da legenda no Senado se refletiram em vários estados, mas não em Alagoas. Ainda bem.
Agora vejam um dado lateral que dá o que pensar. O Brasil tem nada menos que 30 partidos com registro no TSE aptos a concorrer nas eleições do país. Mas na Assembleia alagoana apenas seis legendas abrigam os 27 deputados. Parece haver algo errado em tal proporção. Nesse estranho panorama, há 23 partidos em formação.
De volta ao desenho ideológico do parlamento estadual, é uma boa notícia que predomine uma queda pelo centro. Daqui de longe, chuto que figuras como Alexandre Ayres, Cibele Moura, Hugo Wanderley, Guilherme Lopes e Lucas Barbosa estão nessa faixa de equilíbrio – o que é solução, e não problema. É claro que não são os únicos.
Quem não gosta nada dessa cartografia apresentada no levantamento da Folha são Cabo Bebeto e Leonardo Dias, dois dos nomes mais reacionários na política brasileira. Dois extremistas alinhados com o que há de mais deletério pelos lados da ultradireita negacionista e truculenta. Vão se entrosar por lá com mais dois ou três.
Teca Nelma, petista que renova o PT, não pode ser vista como voz equivalente aos celerados do PL. É a mesma coisa que igualar Lula a um miliciano como Flávio Bolsonaro. Ela significa um clima mais saudável na ALE a partir de 2027. A lamentar, e muito, que a bancada feminina cai de seis para cinco após a eleição. Andamos para trás.
Que a maioria de centro atue em linha com os valores democráticos. Já é muito.
