No limite da margem de erro, Flávio Bolsonaro e Lula estão empatados tecnicamente. Na primeira pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira 8 de outubro, o senador do PL tem 52% dos votos válidos contra 48% do presidente. O instituto enfatiza que, com a diferença de quatro pontos, embora não possa ser descartada, o empate é uma hipótese improvável. Nessa situação, Flávio estaria na dianteira, mas nada está decidido.

A campanha de Flávio contava com uma distância maior do que a registrada na pesquisa. Aliás, a julgar pela postura do Zero Um e seu entorno, parece que eles contavam com uma projeção de goleada. A formação de um ministério é tratada abertamente, como não houvesse um segundo turno com data marcada. É soberba.

No clima de já ganhou, o candidato saiu falando com todo mundo, praticamente dando bom dia a cavalo e anunciando medidas radicais na economia. Nesse sentido, o herdeiro de Bolsonaro alardeia um “tesouraço” de bilhões e bilhões com o enxugamento dos programas sociais e ameaças sobre aposentadorias. É bagaceira de assustar.

Flávio anuncia o que O Mercado quer ouvir. A repercussão foi ruim. A razão é simples: os caminhos para chegar às cifras bilionárias jogadas ao vento são obscuros. A área econômica da campanha veio a público desmentir que não é bem assim. Por pouco não culpam o PT pelas medidas do PL. Coisa de doido que não sabe o que diz.

Do lado de Lula, os números do Datafolha foram até comemorados. Pelo que se vê na imprensa, o governo e os petistas temiam que o estrago fosse maior. Após a divulgação dos dados, o que mais se ouviu na campanha é que “tem jogo” com chance de virada. Novas pesquisas vão mostrar se a parada, já indigesta, piora ou melhora para Lula.

Caiado, o bruto. Depois de afirmar que o Brasil não precisava escolher “entre o ladrão de direita e o ladrão de esquerda”, Ronaldo Caiado declarou apoio a Flávio. Confrontado pelo jornalista Josias de Souza no UOL, o valentão perdeu o rumo e partiu para a truculência verbal. Quem é do pântano autoritário nunca escapa da própria essência.

Augusto Cury, assim como Zema e Caiado, pulou no colo da extrema direita raiz. Todo aquele rococó retórico no primeiro turno – independência, terceira via, renovação – era mesmo para enganar desavisados. Como diria Leonel Brizola, tudo filhote da ditadura, lambe-botas de aspirantes a tiranetes. A ver o destino da virtual migração de votos.

Debates. A princípio haveria três debates neste segundo turno. Digo haveria, porque o primeiro, marcado para domingo 11 de outubro, na Record TV, está sob suspense. Parte da imprensa informa que a emissora teria decidido cancelar. Não se sabe a razão. Na Record tudo é meio nebuloso. Nesta sexta-feira isso deve ser esclarecido.

Os outros dois debates serão organizados pela Band (no domingo 18/10) e pela Globo, na sexta-feira 23, dois dias antes da votação. Antes, nos dias 15 e 16, a emissora entrevista os candidatos, assim como fez no primeiro turno. Que influência terá?

Jogo jogado como Flávio gostaria? Ou disputa em aberto como garante Lula? Bom, reza a lenda que eleição é voto na urna e não se ganha nada na véspera. Veremos.