Em outubro de 2018, o jornal O Estado de S. Paulo publicou um editorial sobre a disputa de segundo turno na eleição entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Entrou para a História, dado o grau de cinismo e das mentiras acerca de uma falsa equivalência entre dois opostos absolutos. O texto é uma peça de ficção das mais asquerosas já publicadas pela imprensa brasileira. Nada, porém, que surpreenda diante do DNA do Estadão.
“Uma escolha muito difícil” era o título daquele texto infame, que enfeixava uma série de distorções para forjar uma realidade imaginária. Sem ter do que acusar o candidato do PT, Haddad é chamado pelo jornal de “preposto de presidiário”, numa alusão a Lula – àquela época na prisão após o serviço sujo de um juiz corrupto, Sergio Moro.
Assim como oito anos atrás, estamos diante de uma escolha nada difícil. É o contrário. Afinal, não pode haver dificuldade na hora de optar entre um estadista e um miliciano, um líder democrático e um sabujo da ditadura militar, um humanista e um defensor de tortura. De pai para filho, Flávio Bolsonaro simboliza o chorume da política brasileira.
Os Bolsonaro formam uma família abertamente miliciana e desonesta. Flávio representa uma quadrilha cujos membros nunca trabalharam. Fizeram fortuna por meio de mandatos nas casas legislativas. A gang está associada a matadores de aluguel e a grupos de extermínio há décadas. São orgulhosamente vulgares e truculentos.
Jair Bolsonaro, o patriarca dessa organização criminosa, exerceu o mandato de presidente sob o padrão imundo de sua trajetória. A coleção de ações abjetas é a marca de sua gestão, do primeiro ao último dia dos quatro anos no Planalto. Deixou o cargo pela porta dos fundos, num gesto à altura do raquitismo moral e de caráter.
Na presidência, deixou um legado de terra arrasada. Basta citar o desmonte na educação, na gestão do meio ambiente, na economia e nos programas sociais. No campo da saúde, a delinquência com que tratou a pandemia de Covid basta para atestar a aberração que “governava” o país. 700 mil mortes, e um presidente a fazer piadas.
Existe uma alternativa ao bloco das milícias, do ataque às demandas sociais e do desprezo pelos valores da democracia. Essa alternativa é Luiz Inácio Lula da Silva. Um líder perfeito e intocável que não se pode criticar? De jeito maneira. Esse perfil não existe em lugar nenhum do mundo. Compará-lo ao rival, no entanto, é apenas diversionismo.
Ao contrário do que diria o editorial do Estadão, uma escolha muito fácil.
