Como e por que uma eleição disputada voto a voto pode ser resolvida no primeiro turno? Não parece fazer sentido. Se os dois candidatos principais pintam nas pesquisas com situação de empate técnico, rigorosamente dentro da margem de erro, parece lógico entender que teremos um segundo turno. Assim como em Pernambuco, esse também seria o caso da corrida pelo governo de Alagoas. Mas aí tem um porém.
Embora o fenômeno seja até recorrente, muitos eleitores ainda demonstram estranheza diante dessa realidade. Mas a explicação é simples, como já tratei aqui em ocasiões remotas. Volto ao tema porque, mais uma vez, reitero, este é o panorama alagoano. Ainda que os líderes estejam colados, a parada pode acabar neste domingo.
Como apenas dois rivais polarizam a briga, não é necessário que haja uma diferença ampla entre eles para que o primeiro colocado seja eleito na rodada inicial de votação. Uma diferença de quatro ou cinco pontos já é suficiente para sacramentar a vitória definitiva. Vimos isso nas eleições estaduais de 2002 e 2006, para citar dois exemplos.
Nas pesquisas divulgadas de agosto para cá, o quadro não mudou. Renan Filho, o candidato do MDB apoiado pelo presidente Lula, e o adversário tucano JHC, na coligação aliada a Flávio Bolsonaro, se alternam na liderança. No levantamento mais atual, divulgado nesta sexta-feira 2 de outubro pelo Real Time Big Data, Renan lidera.
O ex-ministro tem 52% dos votos válidos contra 48% de JHC. Nesse caso, sim, a eleição se resolve no dia 4, sem necessidade de um segundo turno. Lembrando que isso é um retrato instantâneo da hora, e não uma certeza do que pode acontecer nas urnas. De todo modo, é claro, os números animaram a tropa de Renan Filho.
Candidatos sem voto. Agora vamos ao mais complicado, que é especular sobre os motivos desse cenário. Por que não há nomes competitivos além dos dois na liderança? Neste ano, o quadro é mais sério do que em eleições anteriores. Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata), os outros dois postulantes, não pontuam nas pesquisas.
Lenilda representa o campo da esquerda raiz, por assim dizer. Jambo está do outro lado, numa sigla pela direita. Na dura realidade da guerra, é como se não existissem. Culpa da “velha política”, da força da grana e do “sistema bruto”? É uma explicação conveniente aos dois nomes, mas está longe de encerrar a complexidade da questão.
Com o perdão pela platitude, o mundo mudou. Estão aí facilidades da comunicação com meios digitais. Pode-se falar com quem quiser, a qualquer hora, em toda parte. Não precisa pedir licença a ninguém para chegar ao eleitor com mensagens e propostas. Agora, essas propostas existem pra valer? E qual a consistência do que pregam?
É aquela história das antigas: apontar para terceiros a culpa pela própria incapacidade não resolve nada. Não tenho receita de marketing político nem de estratégia partidária. Isso é com os candidatos. Jogar parado, sem criatividade, aí não tem como dar certo.
Por isso, esta é a paisagem. A indigência na campanha dos adversários de Renan Filho e JHC dá contribuição decisiva para que a eleição seja liquidada já no primeiro turno.
