Com o dia da eleição bem ali na esquina, o ex-deputado Davi Davino Filho é alvo de uma sórdida investida contra sua candidatura ao Senado. A ironia é que os pistoleiros decididos a fuzilar o ex-deputado não estão entre seus adversários declarados. Quem parte para cima do aspirante a senador são os sicários de sua própria faixa política, a tropa da extrema direita que baba sangue, cospe fogo e estraçalha até “aliados”.
O que é que está pegando? Como informa a imprensa alagoana, a três dias da votação, vereador, deputado, secretário – gente com e sem mandato – estão numa ofensiva para obrigar Davino a desistir de sua candidatura. A lógica, segundo esses gigantes da vida pública alagoana, é que isso ajudaria a derrotar o senador Renan Calheiros.
Doidivanas da ultradireita, alistados na seita do miliciano Bolsonaro, batem ponto nas redes sociais com a seguinte fábula: para renovar a política, precisamos eleger Marina JHC e Arthur Lira para as duas cadeiras do Senado. Entendi. Um sopro de renovação e leveza com a oligarquia dos Caldas e a trajetória ética do ex-presidente da Câmara.
Eu só não escrevo “me engana que eu gosto” porque isso seria uma homenagem ao lugar-comum e à falta de imaginação. Para os “amigos” que decidiram aniquilar Davino Filho, a causa é nobre e urgente. O que importa é o triunfo dos “conservadores” alagoenses, esse pântano de nulidades, arrivismo e truculência. Fora o comunismo!
As pesquisas mostram Marina, Lira e Renan em empate técnico na briga pelas duas cadeiras. A posição de cada um varia nos diferentes institutos que testam a intenção de voto do eleitorado. Davino e Doutor Wanderley aparecem no pelotão seguinte.
A ideia de fulminar a candidatura de Davino se inspira no que acaba de ocorrer na eleição de São Paulo. Lá, o perigoso Ricardo Passar a Boiada Salles caiu fora da campanha para tentar garantir as duas vagas para o reacionarismo vulgar – contra Simone Tebet e Marina Silva. As duas têm chances reais de saírem vencedoras no domingo.
A renúncia à disputa do mandato dialoga com a estratégia do “voto útil”. É precisamente o que pensam os que tramaram a rasteira em Davino Filho. Mas quem disse que os votos do candidato do Republicanos migrariam automaticamente para Marina e Lira? Essa é uma equação arbitrária, baseada em chutes e divagações ao gosto do freguês.
O alvo da manobra gravou um vídeo para repudiar a ideia de seus parças da direita miliciana. Jovem, Davino adotou as pautas dessa escória, como a anistia aos golpistas condenados e presos. Uma pena. Seu último recado no vídeo é: “Aqui é incomprável”.