Se há uma turma que está achando tudo lindo na guerra eleitoral em andamento são as equipes de juristas das campanhas. Nunca a política despejou tamanha fortuna nas bancas de advogados. A categoria recebe mais grana até do que os feiticeiros do marketing eleitoral. Uma inflexão histórica, por assim dizer. Custos com advogados, claro, sempre bateram nas alturas. Mas nada se compara ao panorama atual. Por quê?
Explico. É mais uma consequência direta da explosão do mundo virtual, em particular das redes sociais. Nas eleições das antigas, o candidato monitorava os meios de comunicação tradicionais, e pronto. Todos sabiam o número de veículos que poderiam ser alvo de ações judiciais, no caso de publicações tidas como propaganda ilegal.
Hoje não. O universo a ser vigiado não tem limites. Os “meios de comunicação” se contam aos milhões. Você que lê este artigo agora, se tem rede social, é um “produtor de notícias”. Ou seja, são milhões de “veículos” para acompanhar, de domingo a domingo, 24 horas por dia. Para dar conta do desafio, a despesa é praticamente incontrolável.
Além das redes, a revolução digital também facilitou a criação de sites “jornalísticos”. A proliferação desses espaços é uma pororoca imparável. Faça uma breve pesquisa em Alagoas, por exemplo, e confira a quantidade de “portais” vendendo fumaça com o selo de “informação de qualidade”. Quase tudo a serviço de grupos políticos.
O fácil acesso a ferramentas digitais também tornou uma moleza a abertura e manutenção de emissoras de rádio. Descobrimos agora mesmo uma encrenca com um dos candidatos a governador envolvendo nada menos que nove dessas rádios de um homem só. Basta um celular, um computador e um microfone. Nem sede física precisa.
Como controlar o que essa vastidão de “profissionais da imprensa” despeja sem parar? Tarefa para os doutores advogados. Para isso, é preciso montar equipes cada vez maiores, o que exige cada vez mais grana. Quanto mais confusão, melhor para as bancas. Quanto mais denúncias sobre qualquer coisa, melhor ainda. A roda não para.
A imprensa nacional noticia que Flávio Bolsonaro moveu quase mil ações contra Lula no TSE. O petista não fica muito longe do número absurdo. Na disputa alagoense, a Justiça Eleitoral também recebeu centenas de casos com denúncias de supostas ilegalidades por parte de rádios e perfis de rede social. Vai para o livro dos recordes.
Quando a campanha acabar, haverá vencedores e derrotados. Menos entre advogados. Seja qual for o resultado das urnas, a refinada tropa do juridiquês não terá votos, mas estará com a vida resolvida. Nesta senda, o pote de ouro já está garantido.
