Na loucura da política brasileira, tem candidato na TV que deveria estar preso, e não pedindo voto ao eleitorado. Por todo o país – incluindo Alagoas, é claro – alguns aspirantes a mandato eletivo respondem por crimes variados, que vão de fraude a estelionato, de abuso sexual a homicídio. Alguns têm até patente nas forças policiais. Os elementos ainda posam de cidadãos de bem. Como isso é possível? Pergunta retórica.
Basta uma pesquisa rápida para encontrar tipos que já estiveram na cadeia, acusados de crimes graves. Há sujeitos com ficha corrida tão suja quanto milicianos ligados a medalhões da política nacional. E ainda assim entram em nossas casas, pela propaganda na TV, anunciando que vão salvar o Brasil do crime e da violência.
Não é desalentador? Pois é. Essas desgraças estão legalmente autorizadas a fazer campanha para, veja só, ocupar o Poder Legislativo do país. Reparem que este é o Brasil que inventou uma tal lei da ficha limpa, um amontoado de artigos que deveriam banir das eleições bandidos de todos as origens, escalões e patentes. Tudo fantasia.
O problema é que a lei criada para, em tese, barrar criminosos das eleições já nasceu sob a fedentina do casuísmo e da demagogia. É resultado do arrastão da Lava Jato, a quadrilha chefiada por Sergio Moro e seus procuradores adestrados do Ministério Público. O resultado pode ser visto aí, com marginais livres para assediar o seu voto.
Houvesse mesmo eficácia na lei em vigor, não estaríamos submetidos à ameaça de ver eleitas figuras que carregam histórico de criminoso. Em certos casos, algumas dessas tranqueiras aparecem ao lado de padrinhos com destaque na República. É tão grotesco que até parece ficção. Seria a piada pronta, não fosse uma tragédia para o país.
No “horário gratuito” da propaganda, há candidatos que fecham suas mensagens com “grito de guerra” típico de matadores – sim, é isso mesmo. Desgraçadamente, alguns ostentam fardamento militar ou colete de policial civil. É uma completa inversão de valores, uma exaltação de ideias claramente ilegais e antidemocráticas.
E finalmente há ainda exemplares dos velhos tempos do coronelismo, aqueles que tratam seus redutos como eternos currais eleitorais. Também alguns desses trastes – coronéis do século 21 – ostentam um “legado” de brutalidade e delinquência. Para todo esse conjunto de homens perigosos, um eventual mandato garante mais impunidade.
Resta torcer para que essa gentalha fracasse nas urnas. No mais, é ter cuidado.
