A maior fake news da atual campanha eleitoral não é sobre Nossa Senhora Aparecida. Também não é sobre quem tem e quem não tem ligação com o escândalo do banco Master. Aliás, não foi na disputa pela Presidência da República – ao menos até agora – que surgiu a história mais absurda na categoria de farsa. O troféu de campeão absoluto no campeonato de fraudes e trapaças vai para Pernambuco. Não tem pra ninguém.
Desde o começo deste mês a Polícia Federal investiga uma ação criminosa contra a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição. Ruas e imóveis do centro do Recife amanheceram forrados por cartazes que acusam a governadora pela morte do marido, ocorrida no dia do primeiro turno na disputa de 2022. Um troço sinistro.
O empresário Fernando Lucena foi vítima de um infarto fulminante aos 44 anos de idade. O episódio, é claro, mexeu com a disputa eleitoral quatro anos atrás. Lyra venceu a eleição no segundo turno. Agora, enfrenta como principal adversário o ex-prefeito João Campos. Ele ficou sob suspeita no caso da fake news que sacode a campanha.
Os cartazes espalhados pela cidade têm duas versões. Em um deles, a foto da governadora aparece com a seguinte afirmação: “Ela matou o marido para ganhar a eleição”. Em outra peça, lê-se o seguinte título: “Matadoras de maridos”. A ilustração mostra uma montagem com a governadora ao lado da ex-deputada Flordelis dos Santos e de Elize Matsunaga. As duas foram condenadas pelo assassinato dos companheiros.
Em plena era do Metaverso, na velocidade fulminante das redes sociais, o caso pernambucano parece nos remeter aos primórdios medievais da comunicação. Cartazes apócrifos colados em paredes num tempo desses? Isso era a prática da velha política, refém de panfletos, jornalecos e meios semelhantes. Ao que parece, tradição que segue.
O que muita gente saiu perguntando, para além da questão criminosa, é se tal estratégia teria capacidade de influenciar a corrida pelo voto. Fato é que a governadora, que liderava com uma margem de até dez pontos percentuais, viu essa diferença despencar este mês. Hoje, ela e Campos estão num empate técnico, com desfecho em aberto.
O rival se apressou em condenar o ataque contra a governadora e mostrar solidariedade. Tratou também de repudiar as insinuações de que o golpe teria partido de sua equipe. Não há informações novas sobre a investigação da PF – e a coisa tem tudo para ficar sem esclarecimento. É um desses casos em que a verdade jamais aparece.
A única certeza é a de que os inimigos da governadora ignoram qualquer limite para tocar a bandalheira na caça ao voto. Nem o “kit gay” do marginal Bolsonaro é páreo para a armação pernambucana. Por isso, forjar fake news é praticamente crime hediondo.
