Um mês atrás, precisamente em 25 de agosto, escrevi aqui sobre o que chamei de “maior novidade na eleição alagoana”. O texto era sobre o desempenho surpreendente da ex-primeira-dama de Maceió Marina JHC, candidata ao Senado. De lá para cá, ela não apenas consolidou sua competitividade – subiu nas pesquisas e tomou a liderança na maratona contra Renan Calheiros e Arthur Lira. Os veteranos correm perigo.

É verdade que estamos num empate triplo, como confirmou o último levantamento da Quaest, divulgado há três dias. Diante dos números, cravar um resultado seria forçar a barra. Além dos três líderes na corrida, há ainda o ex-deputado Davino Filho, mais afastado do primeiro pelotão. Ainda assim, não pode ser descartado.

Como se sabe, são duas vagas. No panorama geral, Marina e Lira empatam com 20% das intenções de voto. Em terceiro lugar vem Calheiros com 17%. Na pesquisa anterior, a candidata do PSDB tinha 15%. Foi o nome que mais cresceu nos dados de agora. Daí a consolidação a que me referi. Davino marca 10% e ainda sonha com a cadeira.

Há também Doutor Wanderley, com 7% das citações. Não parece haver margem para que os dois avancem a ponto de ameaçar o trio que está no topo, brigando voto a voto. Mas nada pode ser desprezado afinal. Porque o que conta é a decisão do eleitor na urna. Esta é a eleição para o Senado mais acirrada na história recente em Alagoas.

Outra pesquisa de instituto nacional, também divulgada nos últimos dias, mostra números semelhantes. Pelo Real Time Big Data, Marina está numericamente na dianteira, com 23%. Calheiros fica em segundo com 22%. E Lira aparece em terceiro com 20% das preferências. Aqui, Davino tem 17%, mais embolado com os três adversários.

Lá atrás, na fase de pré-campanha, o nome que poderia ameaçar Calheiros e Lira não era o de Marina, então cogitada como candidata a deputa federal. A preocupação das duas raposas era com o deputado Alfredo Gaspar, que estava decidido a brigar pelo Senado. O acaso, digamos assim, resolveu a parada, com Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro.

Mas aí veio Marina. Nada está decidido, reitero, e tudo pode acontecer nessa briga tão acirrada quanto a disputa pelo governo. O ambiente geral, no entanto, a essa altura do jogo, parece sinalizar numa direção mais favorável à candidata estreante. 

Se estivesse com a faca no pescoço, sendo obrigado a cravar um desfecho, apostaria na eleição de Marina JHC. Lira e Calheiros vão se matar pela outra vaga. Não é previsão e nem torcida. É uma digressão a partir do vento que parece embalar a maré de renovação.