Nunca uma disputa eleitoral esteve tão misturada ao noticiário policial como ocorre este ano no Brasil. Noticiário que abarca escândalos de todos os lados, com personagens de todas as cores políticas e partidárias. Para resumir a dimensão da crise sem precedentes basta citar uma marca e uma instituição: Master e STF. É a eleição mais conturbada desde a redemocratização, quando o país elegeu Fernando Collor em 1989.

Desde que os fatos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro começaram a vir a público, as manchetes se revezaram entre lances da corrida pelo voto e operações da Polícia Federal. Num dia, uma nova pesquisa eleitoral. No dia seguinte, buscas, apreensões e prisões de suspeitos de corrupção. As duas agendas correm em paralelo.

Além do caso Master, houve a trama contra aposentados e pensionistas do INSS. Aliás, os dois eventos acabaram se misturando a partir de certo ponto das investigações. O saldo não é bom para nenhum dos grupos que brigam pelo eleitorado. Há suspeitos do PT e do PL, do lulismo e do bolsonarismo – para resumir o alcance da bagaceira.

Além de Master e INSS, as notícias também são fartas sobre ações do crime organizado e das milícias sobretudo no Rio de Janeiro. Na paisagem carioca, deputados foram bater na cadeia e o governador Cláudio Castro acabou detonado, desistindo de uma anunciada candidatura a senador. Aliás, outros virtuais candidatos também dançaram.

Foi o que ocorreu com Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, outro que deixou o cargo para disputar uma cadeira no Senado, mas foi obrigado a desistir diante do rolo com o Master e o Banco de Brasília. Os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner também foram atingidos pelas evidências de parceria com Vorcaro.

Para ficar na corrida presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro encaram, cada um, os seus esqueletos. O presidente viu a barra pesar ao ter seu filho arrastado para o meio da roubalheira no INSS. Lulinha seria lobista em busca de negócios no governo federal. Entre fatos concretos e factoides, o rapaz virou um problemaço para o pai.

O glorioso Flávio, herdeiro legítimo da família ligada a milícias, teve aquele áudio acachapante no qual pede 130 milhões de reais a Vorcaro para o filme sobre Bolsonaro pai. Até agora suas explicações nada explicam sobre coisa nenhuma. A conversa entre ele e seu “irmãozão” é indefensável, a não ser para seguidores do bolsonarismo.

O que vai acima não dá conta do terremoto que sacudiu o país nos últimos meses. É lama para todas as direções. No meio de quase tudo isso está o topo do Poder Judiciário, igualmente engolido pelas suspeitas e denúncias de desvio de conduta, recebimento de propina, crime de responsabilidade. O STF sangra em praça pública.

E a campanha eleitoral com tudo isso? Pois é. Embora as revelações sejam terrivelmente danosas para os envolvidos, a verdade é que o eleitor, ao que parece, não se move diante do absurdo conjunto da obra. O voto não mudou de lado mesmo quando um novo fato surgia com ares de fim do mundo. Na reta final, não há sinais de mudança nisso daí.

A crise generalizada está longe de um desfecho. Pelo contrário. Não será possível ficar tudo por isso mesmo. Seja qual for o resultado da eleição, a tempestade perfeita seguirá sobre o país pelos próximos meses. A ver como sairemos da enrascada.