O banqueiro Daniel Vorcaro pagou 10 mil reais a uma garota de programa para que ela fizesse uns carinhos no ministro do STF Kassio Nunes Marques. O dono do Master também bancou o hotel no qual o casal se encontrou para uma interação afetiva. É o que revela o infindável manancial de mensagens encontrado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Estamos diante de um método, não de uma situação isolada e circunstancial.
Não é que seja algo inédito. Em vários escândalos de corrupção na história do país, encontros, festinhas, convescotes e farras aparecem entre uma jogada criminosa e outra. Aqui mesmo em Alagoas já tivemos casos em que políticos foram citados em episódios dessa natureza, digamos assim. Sexo e dinheiro formam uma tabelinha infernal.
Em Brasília, as histórias de mansões para aventuras eróticas fazem parte da crônica política. Para acertar os repasses de dinheiro e a troca de favores, nada mais “natural” do que uma rave para descontrair. Serve também para amansar gente que ocupa o topo da República, com poder de vida ou morte sobre os simples mortais da planície.
Nas investigações sobre corrupção, esses episódios de contatos eróticos sempre foram deixados de lado. Porque, entendem os investigadores, isso é coisa mais da vida privada, além de aspecto lateral no que de fato interessa – apurar esquemas de roubalheira do dinheiro público. O que importa é desvendar o fluxo de pagamento de propina.
Aí é que está. Com Daniel Vorcaro, a distribuição de mimos – como presentes, viagens e degustações de uísque – mudou de patamar. Mais ainda, é claro, a oferta de diversão com garotas de alto nível. Ou seja, na prática, a propina do banqueiro a políticos era na forma de grana, mas também de sexo. E nunca se viu algo dessa dimensão.
Para obter o que pretendia nos poderes da República, portanto, o banqueiro gastou milhões em dinheiro vivo entregue a agentes públicos corruptos. Para fechar o pacote completo, no entanto, além do “acerto financeiro”, a garantia de sexo fazia parte obrigatória dos grandes negócios. Garotas, reitero, eram parte da propina.
Além de Kassio Nunes, também estão nessa Hugo Motta, Davi Alcolumbre, Ciro Nogueira, Rueda e mais uma leva de autoridades flagradas no celular do banqueiro. Na Folha de S. Paulo, a escritora Djamila Ribeiro cobra investigação sobre eventuais abusos sexuais contra menores e tráfico internacional de mulheres. É uma voz isolada.
É muito provável que, apesar do evidente método de cooptação por meio do sexo com garotas de programa, isso fique em plano secundário. Agora, por tudo o que veio à tona, é certo que novos nomes devem aparecer entre suítes e aconchegos femininos.
