14 de setembro. Essa data está na cabeça de João Henrique Caldas 24 horas por dia. É o prazo final para que partidos e federações troquem candidatos para a disputa eleitoral em 2026. Sim, as convenções já passaram. O calendário para registro das candidaturas também ficou para trás. Mas a legislação ainda tem essa brecha. Preto no branco, no caso de desistência ou cassação de um nome escolhido nos prazos anteriores, a substituição é permitida nas hipóteses previstas pela Justiça. Faltam duas semanas.
A data-limite é 14 de setembro porque até o dia da eleição dá tempo para trocar o nome do aspirante aos cargos na urna eletrônica. Depois disso, se houver mudança, o novo candidato não vai aparecer na urna. Aí teríamos a situação extravagante de votar em um nome para eleger outro. Seria o caso de Silvio Santos na eleição presidencial de 1989. Isso não se concretizou porque ele foi barrado pela Justiça (mas essa é outra história).
Outro caso de repercussão foi o do ex-presidente Fernando Collor na eleição de 2006. Ele deixou para confirmar a candidatura a 26 dias da votação. Diferentemente de JHC agora, a decisão de Collor estava tomada havia muito tempo. Postergar o registro para o fim de todos os prazos foi uma estratégia. A situação de JHC é de outra dimensão.
Naquela eleição, Collor decidiu que disputaria o Senado desde o começo do ano. Mas ele agiu para garantir um tempo curto de campanha – o que favorecia sua caminhada eleitoral. Já o anunciado candidato ao governo JHC vive um dilema infernal.
Oficialmente ele está em campanha para o Palácio República dos Palmares, mas ainda não descartou a hipótese de disputar uma cadeira de senador. Nem os aliados sabem o que vai acontecer – o que deixa todo mundo à beira de um ataque de nervos.
A dúvida sobre uma candidatura majoritária, para o governo, a praticamente um mês da votação, não é brincadeira. O trabalho da equipe de campanha acaba contaminado pelo clima de incerteza. Como dizem os especialistas, tira o foco da missão.
E por que afinal de contas JHC não sabe o rumo que vai seguir? É aquela velha história do acordo de Brasília, que envolveu até o presidente Lula. Tem ainda a complicação do palanque para Flávio Bolsonaro. JHC está na coligação do Zero Um, mas teme pedir voto para o candidato na terra em que Lula lidera a corrida com folga.
Enquanto isso, a tensão permanece no entorno do ex-prefeito de Maceió. A essa altura, trocar de candidatura – já com a propaganda de rádio e TV no ar – seria uma doideira de estragos imprevisíveis. João Henrique segue dando piscadelas para o tumulto.
