O candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar ignorou a realidade ao falar sobre Lula e o Nordeste. Em entrevista à TV Gazeta, o xerife do Prendo & Arrebento disse que o presidente “jogou a esperança dos nordestinos no lixo”. Com esse diagnóstico baseado na fantasia, o deputado federal profetizou que Flávio Bolsonaro vai operar uma “virada”. É uma missão hoje praticamente impossível – para dizer o mínimo.

Gaspar periga ser visto como lunático ao dizer que o eleitorado do Nordeste teria sido “traído” – e que por isso Flávio será um sucesso danado de votos por aqui. Suas falas descabidas perigam também surtir o efeito contrário. Afinal, os eleitores podem se sentir insultados pela avaliação ligeira do candidato da extrema direita.   

Em Alagoas, Lula tem 44% das intenções de voto contra 29% de Flávio, segundo a Quaest divulgada esta semana. Em Pernambuco, o petista lidera com 54% a 19%. Na Bahia, o placar é de 52% a 18%. No Maranhão, a corrida marca 58% a 20%. É a toada pelos nove estados da região. Como diria o próprio Gaspar, aqui miliciano não se cria.

A caravana presidenciável do Zero Um passou dois dias em território alagoano. Foi o destino inaugural para correr o Nordeste. Como o vice é alagoano, nada mais lógico do que começar a cavalgada no estado. A ampla vantagem de Lula da Silva na preferência do eleitorado torna a disputa dramática para Flávio e o bolsonarismo em geral.

Diante desse drama, a investida da campanha do PL e suas facções partidárias precisa de um verdadeiro milagre para pescar votos nesse pedaço do mapa brasileiro. A julgar pelo que se viu na passagem de Flávio por Maceió e Arapiraca, Lula pode dormir tranquilo. A mobilização reuniu os convertidos – e fracassou politicamente.

Explicando melhor esse fracasso: Flávio não conseguiu exibir para o Brasil que tem um palanque forte por aqui. Aliás, não mostrou palanque nenhum. João Henrique Caldas, o candidato da turma, sumiu para não cruzar com o aspirante a presidente. JHC vive agora a situação do bolsonarista envergonhado. É e não é ao mesmo tempo.

O único ambiente no qual a visita de Flávio a Alagoas faz “sucesso” é nas redes sociais. Mas aí o que temos é uma sucessão de “cortes” devidamente manipulados pela ação marqueteira. Nas ruas e na esfera da política, o saldo foi terrível para os bolsonaristas – e eles sabem disso. Assim, aquela fala de Gaspar soa ainda mais delirante.

A eleição será duríssima. Ninguém duvida. E o Nordeste será mortal. De novo.