A maior novidade na eleição alagoana, pelo menos até agora, é Marina Candia, ex-primeira-dama de Maceió (foto). Candidata ao Senado, ela está no jogo, como mostra a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira 24 de agosto. A lamentar que ela tenha trocado o sobrenome pela sigla que identifica o marido, o mandachuva do lar. Coisa ultrapassada. Mas isso é lá com a “tradicional família brasileira”.
Na corrida por uma cadeira de senadora, Marina JHC aparece com 15% das intenções de voto. À frente estão o deputado Arthur Lira, com 20% das preferências, e Renan Calheiros, que busca renovar o mandato, com 18% do eleitorado. Como a margem de erro é de três pontos, na matemática fria dos dados, temos um empate técnico.
Até ontem, ninguém apostaria que algo assim estivesse para ocorrer na disputa pelas duas vagas no Senado. Além de colar nos dois líderes – duas raposas com PhD em política –, Marina deixa na poeira Davino Filho, também ele um veterano em comparação com a jovem candidata. Estreante em eleições, ela está numa briga de gigantes.
E o que explica esse fenômeno eleitoral? Aqui, tenho forte suspeita de que a explicação é praticamente simplória. Decididamente, falar em realizações e trabalho como primeira-dama é contemplar as veredas da ficção. Marina é jovem, elegante e carismática. Ela também é um acontecimento nas redes sociais – o portal que pode levar às maravilhas.
Ressalto que os requisitos citados acima não estão sendo depreciados. Conquistar o eleitor pelos caminhos festivos do Metaverso está valendo. Um eventual eleito na onda das curtidas e dos likes pode desempenhar um mandato de qualidade. Ainda que a política tenha gente que não vale nada nesse modelo, há boas exceções.
Dito isso, a corrida pelo voto é, em larga medida, desafio e aventura para profissionais. E a bela, recatada e do lar Marina tem nada menos que Arthur Lira e Renan Calheiros como principais adversários. Eles têm experiência, influência descomunal nos quatro cantos do estado e, é inegável, um legado de obras realizadas com suas emendas.
Não por acaso, o que mais se ouve nas quebradas de Alagoas é um mantra repetido por quase cem por cento dos prefeitos: “Os dois senadores que vamos eleger são Renan e Arthur”. Ninguém briga com ninguém e todos sem ganhando. É o acerto que ambos tentaram costurar desde sempre. Conseguiram. O resto é com as urnas.
A pesquisa Quaest foi contratada pela TV Asa Branca, afiliada à Globo em Alagoas.
