A campanha de Flávio Bolsonaro foi tomada nos últimos dias por uma empolgação que atende pelo nome de Lulinha. De repente, boatos que perambulam há 20 anos finalmente se transformaram em inquérito contra o filho do presidente Lula. Não gastarei tempo falando em bandido de estimação. Já escrevi sobre o tema a pedido da audiência. As suspeitas sobre tráfico de influência por parte de Lulinha ganharam as manchetes.
Está claro que o vazamento de informações alimenta a velha imprensa sobre o tema. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, parece disposto a dar uma forcinha aos amigos do bolsonarismo. A postura do magistrado tem sido, no mínimo, extravagante diante das demandas da defesa. Além disso, Mendonça investe abertamente sobre as prerrogativas da Polícia Federal com decisões sem precedentes.
Que a investigação siga os rumos adequados. Que Lulinha e quem mais estiver no esquema paguem por eventuais crimes. Até agora, no entanto, crime não há. Mas isso é com os investigadores – se puderem atuar com liberdade, dentro da lei, sem exotismos do juiz diabolicamente evangélico. A política não pode prevalecer aqui.
Nesses dias recentes, pairou um certo clima de Lava Jato. A mesma metodologia, o mesmo atropelo sobre o devido processo legal, a mesma subserviência de setores da imprensa diante de autoridades justiceiras. Que fique por aí, sem mais avanços na linha daquela gang formada em Curitiba, chefiada por aquele juizinho vulgar e corrupto.
Os gigantes da imprensa – os mesmos que estenderam tapete vermelho ao vandalismo lavajatista – embarcaram no arrastão contra Lulinha. Claro, a torcida mal disfarçada é para pegar o pai. Veja, O Globo, Estadão e Folha montaram uma força-tarefa para uma cobertura idêntica. Até os títulos se repetem num descuido insolente.
Os editoriais também vieram com tudo e ao mesmo tempo. Os redatores apelam para a “gravidade dos fatos revelados” e instigam a devassa na vida do suspeito. Embora um ou outro figurem como vozes dissonantes, a opinião do colunismo vai numa só direção. Aqui, outra vez, o padrão ultrajante da Lava Jato resta evidente.
E o Datafolha? Pois é. Nesta sexta-feira 21 de agosto, a nova pesquisa despejou uma geleira sobre Flávio e sua turma. O bombardeio do noticiário sobre Lulinha teve efeito zero na corrida eleitoral. Os números são praticamente os mesmos de meses atrás.
Lula mantém a liderança isolada no primeiro turno, variando entre seis e oito pontos a diferença para Flávio. Num eventual segundo turno, o petista bate qualquer um dos adversários. A reeleição do presidente segue sendo a projeção mais forte.
