O vice deve ser um nome do Agreste. Com um representante de Arapiraca, influente nas cercanias e arredores municipalistas, a chapa se fortalece. Segunda maior cidade no estado, Arapiraca reivindicava lugar de fala – e de decisão – nas principais alianças de olho na cadeira de governador. E a força do interior conseguiu. As escolhas de Renan Filho e João Henrique Caldas reafirmam o reconhecimento do triunfo arapiraquense.

O ex-prefeito de Maceió atacou de Célia Rocha. É um desses nomes que, vistos de longe, na largada, têm a vantagem de uma trajetória. O ex-governador vai com Yale Fernandes. De outra geração, é um contraponto ideal nessas apostas pelas qualidades dos habitantes do campo. Que tipo de cidade combina com essas duas visões de mundo? 

O município de Arapiraca propriamente dito está mais para a imagem de uma capital do que para lugarejo no interior. O perfil do eleitorado brasileiro passou por terremotos, levantes em nome de qualquer coisa, revoluções em nome do nada. Nesse embalo, a ciência do marketing reescreveu, em boa medida, o receituário numa briga eleitoral.

Célia Rocha foi prefeita e deputada federal. Para uma faixa da população, ela é mais afamada do que o atual prefeito, Luciano Barbosa. Isso tem a ver com memória contemporânea e eventuais feitos marcantes associados à personagem. A decisão de JHC por Célia para vice parece um aceno ao fã clube do passado da ex-prefeita.

O vice de Renan Filho é jovem. De cara, uma curiosidade: Yale Fernandes já foi vice-prefeito de Arapiraca, entre 2013 e 2016, justamente período cuja prefeitura era chefiada por Célia Rocha. Temos, portando, uma longa relação, formada por camadas duradoras de idas e vindas, acertos e separações. No coração de tudo, Luciano Barbosa.

Ao longo das décadas, Arapiraca foi notícia no país algumas vezes, sempre vista pelo viés econômico. Falou-se um pouco de cultura popular, de alguns escândalos, sobre as conquistas e vexames do ASA. Na economia, os setores de serviços e moda suplantaram a produção fumageira no topo das páginas da imprensa. Foi um salto.

De Severino Leão a Coringa, de Nezinho a Barbosa, números, marcas e sobrenomes se alternaram nesse espaço geográfico de poder. O antigo e o novo se reencontram num arranjo inédito na história das eleições estaduais. Dois lados e uma mesma ideia. 

No último lance para registro de candidaturas, Renan Filho e JHC ficaram mais parecidos do que divergentes, ao menos no ponto aqui em debate: o peso de Arapiraca na escolha pelo futuro governador. A prática deve mostrar quem está mesmo “em forma”.

Célia e Yale travam uma guerra particular na eleição ao governo.