No começo deste mês de agosto, os três últimos jornalões do país se juntaram numa campanha. Num intervalo de três dias, cada um publicou editorial sobre o mesmo tema. Em O Globo: “Faltar a debates é desrespeito ao eleitor”. Na Folha de S. Paulo: “Fugir do debate é fugir do eleitor”. No Estadão: “Fugindo do debate”. O tom e os argumentos variam apenas no estilo. Na essência, está claro nos títulos, os centenários veículos exaltam a relevância do embate direto entre os postulantes à Presidência da República.
Na verdade, os textos defendem a realização dos debates como espaço essencial para que os candidatos sejam confrontados pelos rivais, mas os títulos dão ênfase a outro aspecto. Folha e Estadão recorrem ao verbo “fugir”. O Globo preferiu o verbo “faltar”, um tanto mais leve, mas com o mesmo objetivo. É uma pressão explícita.
Entre a falta e a fuga, a cobrança direta é para o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Os dois oponentes deram pistas de que não pretendem comparecer a esses encontros – ao menos não agora na largada oficial da campanha. O primeiro debate com os presidenciáveis está marcado para o próximo dia 23 na Rede Bandeirantes.
Na noite deste domingo 9 de agosto, a Band abriu a temporada nacional dos duelos pelos governos estaduais. Os programas ocorreram em 12 estados e no Distrito Federal. No Rio, o líder nas pesquisas, o ex-prefeito carioca Eduardo Paes, não compareceu. No Paraná, Sergio Moro, também na liderança, foi outro que escapuliu.
Em São Paulo, a emissora convidou apenas Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad. Os demais aspirantes não têm representatividade no Congresso, o que desobriga a TV de convidá-los. Houve, então, uma espécie de debate de segundo turno antecipado. O resultado, penso eu, foi equilibrado.
Após o encontro, no programa Canal Livre, jornalistas da Band citaram aqueles editoriais dos jornais para “atestar” a importância dos debates. O decano Fernando Mitre garantiu que o candidato que faltar – com a repercussão nas redes sociais – vai “quebrar a cara” com o carimbo de “fujão”. Tudo bem, vendeu o peixe da sua banca.
A conferir se os marqueteiros de Lula e Flávio – criticados na Band – vão prevalecer com a opinião de não comparecimento. Como já escrevi em artigo anterior, o dilema sempre existiu desde a redemocratização. Inédita, salvo engano, é a força-tarefa Estadão, Folha & O Globo em defesa da causa. Seja como for, quanto mais debate, melhor.
